A volta dos Cosmopolitans do Rei Pelé? – Blog do Silvio Lancellotti – R7

A volta dos Cosmopolitans do Rei Pelé?

cosmos A volta dos Cosmopolitans do Rei Pelé?

Profissionalmente, estive no Maracanã, e no Morumbi, quando o Rei Pelé se despediu da seleção do Brasil. Eu já havia perpetrado, para a revista Veja, a matéria do seu milésimo gol, anos antes. Já havia acompanhado o seu brilho na Copa do México, em 70.

Também estive na Vila Belmiro quando ele, aparentemente, se despediu do futebol, diante da Ponte Preta, em 1974. 2 X 0, e daí, num rompante, se ajoelhou no meio do campo.

Foi comovedor. Os atletas da Ponte não sabiam como agir...

E o Rei se foi, debaixo de aplausos extraordinários.

Vivi boa parte da minha adolescência e da minha juventude em Santos – e, por isso, embora um torcedor de outro alvinegro, era bastante corriqueiro pegar um bonde e rumar até o Estádio Urbano Caldeira. Até porque, logo ao lado, se localizava um boteco com um ensopado fantástico de camarões. O dono, o Maestro, sabia que eu e os meus amigos de turma, o Suíno, o Sérgio Godoy, o Nico, o Gigio, o Ademir, o Claudinho Cardoso, não tínhamos dinheiro. Nos servia um panelão e cobrava uma só porção.

A aposentadoria do Rei me deixou, digamos, meio que órfão.

Do Urbano Caldeira e dos camarões do Maestro...

Naquele príncípio da década de 70, o meu time do coração fracassava nos gramados – e eu, amante do bom futebol, escoltava o Santos até a borda do Rio Paraná, em Presidente Prudente. Era delicioso ver aquele Santos.

Por isso, em 1975, quando Pelé, quase arruinado pelas safadezas de um sócio canalha, precisou sobreviver, topou uma proposta maluca dos EUA. Dois manos turcos, Ahmet e Nesuhi Ertegun, donos da gravadora Atlantic, que se transformaria em Warner (para o prestígio do seu maior cartola, o meu amigo Andrè Midani), resolveram fundar um clube de futebol.

No período, na mesma "Veja", eu era Editor de Artes & Espetáculos. Escrevia sobre Música, Discos etc...

E, graças a Midani, pude verificar o processo da exportação do Rei.

Nasceram os Cosmos de Nova York, no diminutivo de Cosmopolitans.

Dinheiro não escasseava na família dos Ertegun.

E ambos montaram uma seleção, de fato, galáctica.

Do Brasil, além de Pelé, Carlos Alberto Torres, Marinho Chagas, Rildo, inclusive um lateral que o Rei protegia, no Santos, Nelsi Morais.

Da Alemanha, o “Kaiser” Franz Beckenbauer.

Da Itália, o “Tanque” Giorgio Chinaglia.

Da Holanda, Johan Neeskens e Wim Rijsbergen.

Do Paraguai, o arisco Romerito, ex-Fluminense.

Da Armênia/Irã, o ala Eskandarian.

Da Bélgica, o volante François Van Der Elst.

Do Chile, o armador Carlos Caszely.

Da Polônia, o líbero Wladislaw Szmuda.

Do Peru, o becão Ramón Mifflin.

Sem falar dos norte-americanos Shep Miessing (arqueiro), Werner Roth (quarto-zagueiro) e Ricky Davis (armador)

Em 1977, o Rei, já recuperado financeiramente, dependurou as chuteiras de vez. Caso as suas próprias estatísticas não falhem, disputou, na carreira, 1.367 pelejas e registrou 1.282 tentos. E, por quê este texto de hoje?

Empresários dos EUA acabam de anunciar que vão ressuscitar os Cosmos.

E o Rei prometeu estar por perto, no pontapé inicial.

PS.: Tenho a flamula oficial daquele embate derradeiro, com os autógrafos do Rei, de Carlos Alberto, e de Rivellino, também presente por lá....

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