Uma batalha inglória nas piscinas do País – Blog do Silvio Lancellotti – R7

Uma batalha inglória nas piscinas do País

Em 1988, durante a realização do Mundial Sub-18 de Pólo Aquático, que o Pinheiros aqui de São Paulo abrigou, Polé Cartotini, um velho amigo das piscinas e do Conselho Deliberativo do clube, me puxou a um canto das arquibancadas e me disse: “Irmão, preciso apresentar a você um cara que pode modernizar a Natação no Brasil”.

Era Coaracy Nunes Filho.

Um paraense de Belém, nascido em 1938, portanto cinquenta de idade, Coaracy me impressionou, imediatamente, pela simpatia abundante e por uma promessa.

Garantiu, jurou que, eleito fosse presidente da CBDA, a Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos, ao contrário de tantos outros cartolas do País não se eternizaria no poder.

Permaneceria no seu cargo, no máximo, por dois mandatos.

E eu decidi apoiar a sua candidatura.

Já se passaram 25 anos, a metade da idade que Coaracy ostentava, então.

Só que ele ainda batalha por mais uma temporada no seu trono.

Tudo bem. Nas suas gestões sucessivas o Brasil somou nove medalhas em Jogos Olímpicos, mais um ótimo punhado de títulos internacionais.

Tudo bem. Como o estatuto da CBDA lhe permite, Coaracy dispõe do direito regimental de correr atrás de mais um período.

Tudo bem. Não tem a menor obrigação de cumprir a antiga promessa.

Este escriba, todavia, agora acredita que chega.

Principalmente porque, para as eleições que ocorrerão, se não houver um tsunami, no próximo dia 9 de Março, existe, contra Coaracy, uma legítima, e inédita, chapa de oposição, batizada de “Muda CBDA” e encabeçada por um personagem que efetivamente sentiu na própria pele as agruras do cloro que higieniza as águas das piscinas.

Trata-se de Julian Aoki Romero, mano mais novo de Rogério Romero, um dos maiores ícones da Natação do Brasil, participante de todas as edições dos Jogos Olímpicos de 1988 a 2002.

Rogério, aliás, é o único do planeta, na história da modalidade, a estar em cinco edições, a brilhar como finalista em quatro, sem contar os seus dois ouros em Jogos Panamericanos, os seus 29 recordes sulamericanos.

Acontece que, alicerçado em tecnicalidades de regulamento, ao invés de se submeter, democraticamente ao julgamento das urnas, inclusive como o favorito eventual, Coaracy decidiu impugnar a “Muda CBDA”.

Claro, a “Muda CBDA” reagiu e encaminhou, a uma Vara Federal do Rio de Janeiro, cidade-sede da Confederação, um Mandado de Segurança, com pedido liminar, para que Coaracy ao menos aceite a transparência de uma disputa honesta e franca.

Quem assina o Mandado?

Nada menos do que Eduardo Aquiles Fischer, hoje advogado mas também ele originário das piscinas, experiente de duas edições de Jogos Olímpicos, bronze no estilo peito no mundial de 2002.

No mínimo por respeito aos seus ex-atletas, eu creio, Coaracy deveria topar a tal transparência de uma disputa honesta e franca nas urnas.

O planeta e o Brasil mudaram bastante, desde 1988.

Anote o que pensa. Por favor, com civilidade e com educação.