Os escândalos, na FIFA e no COI, já não mais me surpreendem…

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Na data precisa da apresentação cerimonial, no Rio de Janeiro, do cartaz oficial da Copa de 2014, aliás um cartaz horroroso, que me perdôe quem criou tal gororoba, voltaram a pipocar na mídia mundial os escândalos ao redor da FIFA.

Não me surpreendem. E muito menos me chocam.

Como esperar que um negócio que mobiliza cerca de um trilhão de dólares, o dobro em reais, possa manter incólumes e puros os seus envolvidos?

Importa pouco se Jérôme Valcke, o atual secretário-geral da entidade que, supostamente, organiza o futebol no mundo, tenha participado do lobby que encaminhou, ao Brasil, a realização do próximo torneio de 2014.

Também não levo em consideração a denúncia recente de Guido Tognoni, ex-funcionário da portentosa, italiano a quem conheço faz três décadas. Frase de Tognoni: “Na FIFA, em todos os escalões, há um mar de safadezas e de corrupção”.

Sei que Tognoni não acusa por despeito ou por vingança.

Acompanho os bastidores da FIFA, com razoável intimidade, desde 1982.

Cobri, desde então, para a “Folha de S. Paulo”, quase todas as conspirações destinadas à derrubada do João Havelange, o então presidente da entidade.

Testemunhei as tramas de Joseph Blatter, que era o secretário-geral, aparentemente em favor do camerunês Issa Hayatou, inimigo de Havelange, ambos, o africano e o brasileiro, posteriormente acusados de receberem propinas várias. E suas tramas, de Blatter, em favor do italiano Antonio Matarrese, destruído pelo fracasso da “Azzurra” em 1990.

Naquela ocasião, em Roma, discretamente, todas as manhãzinhas, eu me alojava na barbearia do hotel-sede da FIFA e, graças ao apoio de um amigo do lugar, me instalava bem ao lado da poltrona que Blatter cotidianamente procurava.

Jamais afirmarei que ficamos amigos. Aos poucos, porém, Blatter assumiu uma certa confiança em mim. Um periodista brasileiro, afinal, lhe seria utilíssimo na divulgação de informações que interessariam à sua carreira no porvir do futebol. Entre uma manuseada de tesoura e uma subida e descida de navalha, ele se escancarava.

Obviamente, eu sempre soube discernir a maldade e o indispensável.

Foi Blatter, todavia, quem me contou que, numa reunião íntima da FIFA, ao constatar que não somaria nenhum suporte na sua batalha pelo cargo máximo na entidade, Matarrese chutou a própria maleta, cheia de documentos, e desapareceu...

Verdade. Pesquise, caro leitor de hoje, os meus textos daquele período.

Os escândalos já se anunciavam, inexoráveis.

Também enviei à “Folha” um artigo, nunca desmentido, dados que capturei, acidentalmente, ao me sentar, num avião, logo atrás de Ricardo Teixeira, da CBF, e de seu parceiro Kleber Leite, empresário de placas publicitárias em estádios e futuro presidente do Flamengo. Num papo regado a uísques e correlatos, Teixeira declarou que Sebastião Lazaroni, treinador do Brasil, era “um burro, um imbecil”. Pudesse, em plena Copa, teria demitido o pobre Lazaroni.

A “Folha” publicou boa parte daquele artigo na sua capa.

Verdade. Gravei, num microzinho, o diálogo surrealista.

Na terça-feira, ontem, 29 de Janeiro, o respeitadíssimo semanário “France Football” espalhou ao universo que a Copa de 2022 foi “comprada” pelos petrodólares do Qatar. Alguma novidade? Não, absolutamente nenhuma, para este veterano redator.

PS: Sobre o COI, retornarei ao assunto, com mais espaço. Até lá...

Envie o seu comentário. Pode criticar. Juro que não fico bravo...

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