Dave Brubeck (1920-2012) – Blog do Silvio Lancellotti – R7

Dave Brubeck (1920-2012)

dave brubeck 2 Dave Brubeck (1920 2012)

Princípio da década de 60 do século passado. Eu estudava na Vila Buarque, bem no centro antigo de São Paulo, e morava entre a Vila Mariana e a Vila Clementino, limiar da Zona Sul da metrópole que começava a fermentar.

Da escola até a casa da família eu necessitava pegar dois bondes e um ônibus – e ainda caminhava, a pé, uns dez quarteirões. Com uma vantagem suplementar, porém. Descia do ônibus em uma esquina que abrigava uma livraria e uma loja de discos. Invariavelmente vasculhava as prateleiras.

Os donos da loja, a Josmar Discos, gostavam de mim. E permitiam que eu escutasse lá mesmo, numa cabinezinha, os últimos lançamentos. A minha mesada, no máximo, dava para um LP de Bossa Nova a cada trimestre.

Certa ocasião, 1961, um dos donos, não me recordo se o Zé ou o Osmar, me mostrou um LP importado, Time Further Out, com o quarteto de um pianista mágico, Dave Brubeck. Eu havia conhecido Brubeck dos serões musicais que meu tio, o maestro Diogo Pacheco, promovia em sua vitrola.

Adorava um LP anterior do quarteto, Time Out, cuja faixa mais famosa, Take Five, havia colocado o Jazz nas paradas de sucesso do mundo todo. Quando os fones de ouvido desandaram a me mostrar os temas de  Time Further Out, porém, eu ensandeci. Paixão embriagante num instante.

Em Time Further Out, o pianista Brubeck e os seus companheiros de grupo, o saxofonista Paul Desmond, o baixista Eugene Wright e o percussionista Joe Morello, audaciosamente, revolucionaram os conceitos de ritmo. No LP brotavam composições nos compassos mais inusitados, de It’s a Raggy Waltz (3/4) a Charles Matthew Hallelujah (4/4), de Far More Blues e Far More Drums (5/4) a Maori Blues (6/4), de Unsquare Dance (7/4) a Bru’s Boogie Woogie (8/8) e Blue Shadows in the Street (9/4).

Desde aquela experiência eu me transformei num colecionador das obras de Brubeck. Apenas um outro LP, Time Changes, de 63, porém, provocou em mim uma emoção exuberante, equivalente à de Time Further Out.

Particularmente porque um de seus lados é dedicado a um concerto integral, Elementals, o quarteto mais uma orquestra dirigida por Rayburn Wright. São 16 min 35 seg de absoluta genialidade, o jazz-sinfônico elevado à milionésima potência.

Nesta quarta-feira, 5 de dezembro de 2012, um dia antes de festejar os seus 92 anos, acometido de um ataque cardíaco precisamente a caminho de uma visita de rotina ao seu médico, Dave Brubeck subiu aos céus.

Agora, do seu grupo, só Gene Wright permanece vivo.

Para honrar Brubeck, eu escolhi a sua performance em Bluette, de  Time Further Out.

Desfrute através do link abaixo.

The Dave Brubeck Quartet (Bluette) por perolasblogs no Videolog.tv.

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