vuvuzela rio hg Sobre a educação dos torcedores

Então jornalista de mídia impressa e, eventualmente, de TV, cobri a Copa de 90, na Itália, pela Folha de S.Paulo e pela Band. Foi uma experiência memorável, inolvidável. Uma Copa na terra dos meus ancestrais. Fiquei plantado em Roma, a capital da Bota. A seleção do Brasil estava instalada em Asti, no Piemonte. A mim, porém, cabia escoltar o dia a dia da “Azzurra”, na região de Marino, bem pertinho do Castel Gandolfo, residência de verão dos papas, e o dia a dia da Argentina, alojada em Trigoria, do outro lado da cidade, no CT da Roma.

A Folha me propiciou um carro, uma Lancia Delta, com que, em cinquenta dias, eu trafeguei bem mais de cinquenta mil quilômetros. Aliás, creia quem quiser, mesmo na Itália eu perdi uns 15 quilos. Explicação simples. Havia uma diferença de cinco horas entre a Bota e o Brasil.  Uma partida no Estádio Olímpico da capital se encerrava quase por volta de meia-noite lá. Ou, sete da tarde, aqui no do Brasil. Eu enviava os meus despachos e tentava me alimentar.
Descobri uma pequena pizzaria no bairro boêmio do Trastevere e lá eu cravei o meu comedouro. Marco Forte se chamava o chefe da cozinha, por onde ele andará?

Noite após noite eu visitei a pizzaria do Marco até que, subitamente, no corredorzinho que dava entrada ao suave lugar, percebi um bando de brasileiros, vestidos em camisas de times de quinta divisão e, todos, com rudes sandálias havaianas. Todos aos berros, aos palavrões. Rapidíssimo, me escondi num dos banheiros do lugar. O episódio me volta à cabeça por causa das orientações da FIFA a respeito do comportamento dos torcedores do Corinthians, parece que em torno de 20.000, no próximo mundial de clubes no Japão. Há páginas e páginas de recomendações. Servirão? Sinceramente, não sei.

Na Copa de 90 e, depois, na Copa de 94, eu liminarmente fugia dos lugares em que se concentravam os meus compatriotas. Bebiam demais. Faziam barulho em excesso. Bagunçavam... O retorno ao Brasil, depois da Copa de 94, foi insuportável. O voo estava lotado de brasileiros excessivamente felizes com o título. Tanto que não respeitaram a noite e quem desejava dormir. Eu, que tenho pavor de aviões, ao lado do grande Alberto Helena Júnior, permanecia desperto, aceso, principalmente porque um idiota, por perto, com uma corneta absurda, insistia em soprá-la nos ouvidos alheios.

Até que o Landão, o saudoso Orlando Monteiro Alves, pai do Adilson, aquele da Democracia Corinthiana, se enfureceu. Como um saltador de barreiras, o Landão atravessou, por cima das poltronas, metade da galeria, e arrancou a corneta do idiota. Foi aplaudido até pelas comissárias.

Espero que os fãs do Timão sejam mais civilizados no Japão.

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