Memória da Copa

O Brasil comemorou, dias atrás, os 60 anos do título de 62, no Chile. Comemorou, aliás, sem muito alarde, timidamente. Substituto do lesionado Pelé, Amarildo, o “Possesso”, apelido que lhe tatuou Nélson Rodrigues, ainda mereceu algumas homenagens pelos gols decisivos que registrou. Garrincha, idem, aquele que assumiu a responsabilidade de carregar ao ataque a então seleção de Aymoré Moreira.

Mas, faltou relembrar a importância de um certo Esteban Marino, uruguaio, um dos bandeirinhas na semifinal diante do Chile, que o Brasil acabou por ganhar, 4 X 2. Na época, Marino era contratado, como árbitro, da FPF, a Federação Paulista, presidida pelo folclórico João Mendonça Falcão.

Placar já definido, Marino testemunhou que Garrincha, em uma reação boboca a um xingamento do rival, desferiu um pontapé no bumbum de Eládio Rojas. Levantou o seu instrumento de trabalho. Chamou Arturo Yamazaki, o peruano que administrava o combate.

Yamazaki expulsou Garrincha. Ainda não existiam, então, o cartão vermelho e a suspensão automática. Garrincha teria de se submeter a um julgamento. Falcão, no entanto, convenceu Marino a sumir e até mesmo o enfiou em um trem. Sem a testemunha ocular e crucial do pontapé, Garrincha foi mansamente absolvido.