Corinthians o campeão paulista pela 27ª vez – um consolo apenas morno para a sua precoce eliminação na Libertadores de América.

Inúmeros críticos desprezam os torneios estaduais.

 

De todo modo, neste domingo, no Estádio Urbano Caldeira, bairro da Vila Belmiro, os elencos do Santos e do Corinthians se desafiaram com diversos objetivos bem interessantes ao seu alcance.

 

Os atletas do Peixe sonhavam em obter um tetra inédito na era do profissionalismo. Depois de o Paulistano conquistar, no vetusto período do amadorismo, quatro sucessos seguidos, entre 1916 e 1919, nem os craques da época de Pelé & Cia. realizaram proeza semelhante.

 

Também pretendiam somar o 21° título do clube, ultrapassar o São Paulo, que já havia chegado ao 20°, e se aproximar do Palmeiras, no 22°.

 

Enfim, fantasiavam celebrar, com o máximo de glória, aquela que seria, quase seguramente, a última partida de Neymar na Vila.

 

Os atletas do Corinthians desejavam arrebatar o seu 28° título e, algum consolo, esquecer a sua eliminação, na quarta-feira, fase das oitavas da Copa Libertadores de América, diante do Boca Juniors e da desastrosa arbitragem do paraguaio Carlos Amarilla.

 

Também queriam festejar, com aplausos justíssimos, aquela que seria, provavelmente, a última partida de Paulinho no Timão.

 

Ganhador, no prélio de ida, no Pacaembu, por 2 X 1, o Corinthians só precisava de uma igualdade em tentos para se consagrar. Uma vitória do Peixe, por apenas um gol de diferença, motivaria o duelo aos penais.

 

A vibração de 14.500 espectadores e cerca de dois minutos de espocar de fogos de artifício saudaram a suida dos atletas do Santos ao gramado. O Timão visitante ficou com meros 1.500 ingressos.

 

Nos vinte minutos iniciais, o Corinthians dominou as ações – mas, não levou perigos à meta de Rafael. Do outro lado, apenas aos 22 o Peixe acordou, belo lançamento de Neymar, tentativa de Felipe Anderson e boa intervenção de Cássio. Aos 26, no entanto, o mesmo Felipe cobraria uma infração pela direita e, quase na marca de cal, Cícero acertaria um voleio magnífico, de direita, sem qualquer chance para o arqueiro, 1 X 0.

 

Duraria bem pouco a alegria dos fãs do Santos. No lance imediatamente seguido o Corinthians alinhavou uma ofensiva, pé a pé, quase que na horizontal da linha da grande área do Peixe. Rafael ainda rebateu o disparo de Paulinho. Na sobra, contudo, Danilo aproveitou, 1 X 1.

 

Coincidência curiosa: ferido, numa cabeçada, Danilo tinha se obrigado a vestir um curativo de ataduras sobre os seus cabelos. Na ida, no Pacaembu, também autor de um gol, Paulo André usara uma touca de proteção.

 

O gol de Danilo desconcertou o elenco do Santos. Tanto que, dos 35’ até o intervalo, o Timão foi infinitamente superior – duas bolas no travessão do Peixe, duas excelentes defesas de Rafael.

 

Obviamente, o Santos retornou melhor à etapa derradeira. Obviamente porque, de hábito, o elenco que busca o resultado se re-enche de energia e de determinação. Existiria risco, porém, no contra-ataque do Corinthians.

 

Dito e feito. Ocorreria uma terrível ameaça aos 62’, Romarinho superou a linha de beques do Peixe e avantou em velocidade. Só que, ao invés de driblar o desamparado Rafael, tentou um toque supostamente esperto – e a bola deslizou, caprichosa, até resvalar no poste. Seria um golpe fatal.

 

Daí, a partida se arrastou, modorrenta. Muricy, o treinador do Santos, tentou eletrizar a sua ofensiva. Tite, o treinador do Corinthians, tentou robustecer o seu meio-de-campo. Pena que, aos 86, alguns cretinos das arquibancadas que alojavam os fãs do visitante, tenham arremessado sinalizadores ao gramado e interrompido as ações.

 

Consequência: quatro minutos de acréscimos pelo árbitro Guilherme Ceretta de Lima. Aos 93’, Alexandre Pato ainda desperdiçou o golpe fatal. Ceretta de Lima esticou os seus acréscimos por mais dramáticos 180 segundos. E então decretou o encerramento do jogo.

 

No Santos, mandante, o desalento.

 

No Corinthians, o campeão, uma celebração basicamente de praxe.

 

Nada do delírio habitual. Uma festa, convenhamos, bem xinfrim.

 

Tite abiscoitou o único troféu que não possuia. E, ao menos, Paulinho informou que não há nada de oficial na sua despedida.

 

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Kátia Rúbio: um exemplo de como é difícil, quase impossível, no Brasil, escrever um livro sobre os Jogos Olímpicos

bandeira blog Kátia Rúbio: um exemplo de como é difícil, quase impossível, no Brasil, escrever um livro sobre os Jogos Olímpicos

Em 1994, a torinesa Elena Lovìsolo, da diretoria da Abril Cultural, me fez uma encomenda ao mesmo tempo empolgante e traumatizante: produzir um livro que contasse, prova a prova, toda a história dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, desde a edição de Atenas, Grécia, em 1896.

Dois anos depois, em 1996, afinal, na edição de Atlanta, Estados Unidos, os Jogos comemorariam o seu centenário – e a Abril Cultural pretendia celebrar o evento com toda a dignidade disponível.

Mergulhei numa pequisa ingente. Literalmente insana, desesperante. Não havia, no Brasil de então, uma bibliorafia minimamente consistente a respeito do tema – nem sobre outras competições significativas para os esportes do País, como os Jogos Panamericanos, que se realizavam desde Buenos Aires, Argentina, em 1951.

Sobrevivi ao embate e, em meados de 1996, a Abril Cultural colocou no mercado um catatau gigantesco, 673 páginas impressas em papel do tipo bíblia e num corpo de letra a exigir o uso de uma lupa.

Além de jornais e de revistas, do Brasil e do Exterior, recorri às informações de 38 compêndios, à coleção de títulos e de documentos de Sylvio de Magalhães Padilha, um eterno batalhador pelos esportes no País, e aos arquivos do COB, de consulta complicada.

Em português, naqueles idos, raríssimos autores se dedicavam ao assunto – como Caetano Carlos Paioli e Ruy Fernandes. Lembro ainda que, entre 1994 e 1996, praticamente não existiam as buscas na incipiente Internet.

Felizmente esse quadro melhorou um tiquinho, graças ao empenho de Maurício Cardoso, Odir Cunha – e da jornalista, psicóloga e professora Kátia Rúbio, que se desdobrou na organização de “Heróis Olímpicos Brasileiros”, “Medalhistas Olímpicos Brasileiros” e “As Mulheres e o Esporte Olímpico Brasileiro”, três volumes cruciais.

Pois Kátia Rúbio decidiu amplificar o seu escopo e, ambiciosamente, coordenar uma inédita “Enciclopédia Olímpica Brasileira”, com verbetes sobre todos os atletas do País que já participaram da epopéia.

Eu me desculpo pelo trocadilho – mas, um esforço hercúleo.

Com recursos cedidos pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas), ela já efetuou mil entrevistas. Faltam mais outras setecentas. Infelizmente, porém, os seus recursos se esgotaram.

Restou à abnegada se integrar ao conceito do portal www.salvesport.com, destinado a supervisionar o recolhimento de doações que configurem, digamos, um financiamento coletivo. O crowdfunding, inventado nos EUA.

É, um eventual, distante, financiamento coletivo...

Isso, às vésperas de o País hospedar, em 2016, os Jogos Olímpicos do Rio, que já reuniram uma dinheirama absurda para a sua formalização.

A professora pede, ao menos, algum suporte à divulgação do seu projeto.

Aqui eu cumpro a minha parte.

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Apesar do apito desastroso de Carlos Amarilla, o Corinthians se despede do bi da Libertadores sob o aplauso da sua torcida. Uma lição de civilidade, enfim…

corinthinans sl Apesar do apito desastroso de Carlos Amarilla, o Corinthians se despede do bi da Libertadores sob o aplauso da sua torcida. Uma lição de civilidade, enfim...

Platino de Buenos Aires, nascido em 1949, um ex-atacante artilheiro, como treinador Carlos Bianchi enfrentou clubes do Brasil, na fase do mata-mata, em seis edições anteriores da Libertadores. Venceu em todas.

Gaúcho de Caxias do Sul, nascido em 1961, um volante eficiente de carreira mutilada por uma lesão, Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, enfrentou clubes da Argentina, na fase do mata-mata e em decisões, em quatro edições anteriores da Sul-Americana e da Libertadores. Venceu em todas.

No comando do Corinthians, aliás, venceu a finalíssima de 2012 – diante do Boca Juniors que, atualmente, Carlos Bianchi orienta.

Esse desafio paralelo tornou mais fascinante o confronto entre o Timão e o Boca, na noite desta quarta-feira, no Pacaembu, perante quase 38.000 espectadores – menos de 1.500 com as cores do elenco visitante.

Uma semana atrás, em Buenos Aires, o Boca superou o Timão por 1 X 0.

Como, na Libertadores, no caso de uma igualdade em pontos, contam em dobro os tentos feitos no campo do inimigo, o Corinthians precisaria não sofrer um único gol do visitante e registrar dois para se qualificar.

Um placar de 1 X 0, igual ao da capital da Argentina, levaria o duelo ao bingo dos penais. Um placar de 1 X 1 ou um triunfo por 2 X 1 significaria a eliminação precoce do alvinegro da Paulicéia.

O prélio terminou em 1 X 1. Frustrou-se a Fiel – que, todavia, sustentou o seu apoio aos seus atletas até muitos minutos depois de queimado o tempo regulamentar. Uma postura comovedora.

No Timão, Tite manteve os seus onze titulares de costume. No Boca, Bianchi resgatou o armador Riquelme, recuperado de uma contusão.

Os dez minutos iniciais transcorreram conforme se previa. O Corinthians mais leve, em busca da agilidade de Émerson e de Romarinho. O Boca na marcação eventualmente rude e em busca da inteligência de Riquelme.

Pena que o paraguaio Carlos Amarilla, árbitro da partida, tenha ignorado um toque de mão ostensivo do lateral Marín, dentro da sua área. Pior, ao invés de apontar, como deveria, a marca de cal, Amarilla exibiu um cartão amarelo a Émerson, por reclamação.

Aliás, Amarilla se tornaria o protagonista negativo do combate, incapaz de correr, de acompanhar as atividades, uma lástima crucial.

Apesar da gritaria da torcida, o estilo compassado do Boca atrasava as ações do Corinthians. Tornava o seu ritmo bem mais lento.

Só aos 16’ surgiu uma chance de gol, um arremate em diagonal de Danilo que raspou um poste da meta do arqueiro Orión.

Daí, aos 23’, com a cumplicidade do seu auxiliar Rodney Aquino, o árbitro cravou um impedimento inexistente de Romarinho, lance que redundaria em 1 X 0.

Azar do Timão, logo em seguida Riquelme, quase sem ângulo, do bico esquerdo da área de Cássio, alçou uma pelota que parecia sem destino – mas que encobriu o enorme arqueiro – Boca 1 X 0.

Fim da possibilidade da disputa de penais. E, subitamente, o Corinthians necessitava de um placar de 3 X 1 para continuar na Libertadores.

Dormente, escondido, Paulinho atrapalhava a coordenação do Timão. Não se comunicava com Danilo ou com Ralf.

Restava, ao Corinthians, tentar uma ofensiva estabanada.

Ou se rearrumar durante o intervalo.

Talvez graças às entradas de Alexandre Pato e de Edenílson nos lugares de Romarinho e de Alessandro. Daria certo?

Os fanáticos pelo Timão acreditavam que sim. E bradavam...

E ensandeceram, aos 53’, com a testada de Paulinho, depois de um cruzamento de Émerson, 1 X 1. Faltavam, porém, mais dois tentos...

Aos 60’, novamente de testada, Paulinho dobrou. Novamente, todavia, com a cumplicidade de Carlos Cáceres, o seu outro auxiliar, Amarilla anulou.

Novamente por causa de um impedimento que não aconteceu.

E ainda exibiu um cartão amarelo a Paulinho.

Os dois tentos invalidados garantiriam a classificação do Timão.

Sem falar do toque de mão de Marin dentro da área.

Inacreditável, aos 75’, a meio metro da linha fatal, a meta sem arqueiro, Pato bateu com o pé canhoto na canela direita. Trágico erro.

E houve outra interpretação equivocada de Amarilla e de Cáceres, aos 81’ – um empurrão claro de um beque do Boca às costas de Émerson, que tentava invadir a área do elenco da Argentina.

Amarilla, inclusive, chegou à preciosidade de expulsar um gandula – que tentava uma reposição mais veloz de pelota.

Detalhe: a Fiel aplaudiu, sem cessar, até que o cotejo acabasse.

Carinho. Respeito. Beleza.

Sobra ao Timão a disputa do título estadual, diante do Santos, no próximo domingo. Um empate bastará ao Corinthians. Ao Boca, sobra o mata-mata contra um patrício, o Newell’s Old Boys.

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Libertadores: a triste despedida do Palmeiras. Copa das Confederações: a arriscada aposta de Felipão na convocação do Brasil.

bruno falha Libertadores: a triste despedida do Palmeiras. Copa das Confederações: a arriscada aposta de Felipão na convocação do Brasil.

Não faltou o apoio generosíssimo da torcida.

Dos 36.500 espectadores que lotaram o Pacaembu.

Uma torcida que fez muito barulho, cantou, aplaudiu, e por pouco não explodiu aos 23’, quando Ayrton cobrou uma falta no travessão.

Fantasiava que o seu Palmeiras anotasse um gol sobre o Tijuana do México, pela fase das oitavas-de-final da Libertadores de América. E, assim, se locupletasse do placar de 0 X 0 arrancado no altiplano.

O Palmeiras apenas não podia sofrer um gol do Tijuana.

Na Libertadores, em caso de igualdade de pontos, se contam em dobro os tentos realizados no campo do inimigo.

Um empate de 1 X 1, digamos, produziria a qualificação do clube do México.

Azar. A torcida do alviverde logo murchou, aos 27’, quando Riascos bateu, da entrada da grande área, despretensiosamente, com o tornozelo canhoto, e o arqueiro Bruno, substituto do lesionado titular Fernando Prass, engoliu não um frango, nem um peru – ah, foi um verdadeiro avestruz.

Pior, aos 51’, Henrique devolveu mal, de cabeça, um levantamento inútil. Sem qualquer adversário que tentasse atrapalhá-lo, Arce pegou um rebote de cerca de 25 metros, nenhuma chance para Bruno. Tijuana 2 X 0.

Alguma esperança renasceu aos 60’. Num lance controvertido, o zagueiro Aguilar, do Tijuana, replicou de testa e atingiu o próprio braço. Recomendação do departamento de árbitros da FIFA – em tal situação, não existe infração.

O venezuelano Juan Ernesto Soto, no entanto, decretou o penal.

Que Souza cobrou, nervosamente – mas converteu. Palmeiras 1 X 2.

Sobrariam trinta e tantos minutos para a busca do impossível.

Mais dois tentos em favor do alviverde.

E o confuso Soto prejudicou o Palmeiras, aos 67’, ao aceitar a bandeira levantada por Juan Urrego, um dos seus auxiliares, e invalidar, erroneamente, um gol de Kleber, também de testa, que poderia modificar o rumo do cotejo.

Daí, o futebol se despediu do Pacaembu.

Ataque contra defesa. A pressão desesperada do Palmeiras contra o atabalhoamento desconjuntado do Tijuana. Que ficou em desvantagem numérica, aos 84’, com a expulsão, justíssima, de Aguilar.

Tarde demais. Depois de três triunfos consecutivos na Libertadores, o alviverde eliminado. À sua frente, a Série B do Brasileiro.

E que a torcida, por favor, não crucifixe o pobre Bruno.

Que demonstrou um enorme caráter ao assumir a sua falha.

 

PS: Como já observou, impecavelmente, como sempre, o colega Cosme Rímoli, o treinador Felipão começou por vias tortas o seu trabalho oficial no comando da seleção brasileira de futebol.

Na convocação para a Copa das Confederações, que o País hospedará, ignorou Ronaldinho Gaúcho, atualmente em forma esplendorosa.

Ignorou porque, supostamente, na apresentação do seu elenco, em 24 de Abril, antes de um amistoso diante do Chile, em Belo Horizonte, o craque teria atrasado em 25 minutos a sua chegada em um hotel.

O volante Ramires ficou de fora por motivos equivalentes.

Cobrassem as saídas noturnas, eventuais, de um certo Pelé e de um certo Mané Garrincha, talvez Vicente Feola, Aymoré Moreira e Mário Zagallo não arrebatassem os seus títulos mundiais.

No caso do Gaúcho e de Ramires, fique bem claro, não houve saídas noturnas sequer eventuais. Felipão, porém, ostenta as suas manhas...

Ocorre, de todo modo, que, com o seu desprezo por Ronaldinho e por Ramires, do meio-de-campo à frente, no seu time, o treinador praticamente anulou a sua cota de jogadores mais tarimbados.

E multiplicou mastodonticamente a responsabilidade de Neymar, apostou equivocadamente na condição de astro internacional que o menino ainda não tem.

Em 2002, Felipão já havia rejeitado o ídolo Romário.

Mas, o seu elenco, então, no departamento da experiência, dispunha do capitão Cafu e dos estrelados “Quatro Rs” – Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Roberto Carlos e ele mesmo, Ronaldinho Gaúcho.

Eu não convocaria Luís Gustavo, Leandro Damião e Hulk.

Em seus lugares, levaria Ramires, o Gaúcho e Alexandre Pato.

Sim, claro, eu não sou o Felipão...

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O Corinthians, agora, só necessita de um empate na Vila. Mas, antes, vai pegar o Boca, pela Libertadores, no Pacaembu

Quem critica, ano a ano, a existência teimosa dos campeonatos estaduais, obviamente desconhece a emoção que invade os atletas e os torcedores dos clubes entregues à disputa de cada decisão.

Aliás, mesmo a mídia, repleta de analistas veementes de tais torneios, na vã suposição de que pouco rendem, financeiramente, ou de que apenas servem de cabide de emprego para os times menores, em geral do interior, mesmo a mídia e os seus analistas se revestem de um curioso pedantismo antes das finais.

De repente, porém, os analistas despertam, a mídia acorda, como ocorreu nesta semana, às vésperas de Corinthians X Santos.

Os censuradores dos estaduais até mesmo descobriram, impactados, que o clássico entre os alvinegros celebra o seu centenário.

Convenhamos, não se resolve o problema da ausência de público através da mera extinção dos estaduais. No Brasileiro também existem partidas em que as arquibancadas sofrem com os espaços vazios.

Quanto aos times menores, ou do interior, admitamos com a indispensável franqueza, periclitam, mesmo, por causa de uma ridícula insistência dos cartolas, que não criam um calendário inteligente.

Nessa paisagem de tantas controvérsias, o Coringão e o Peixe ofereceram, neste domingo, 12 de maio, um espetáculo delicioso.

Não, não, não foi um tira-teima capaz de definir, antes mesmo da metade da temporada, quem tem o melhor esquadrão de São Paulo na década recente – ou quem pode reivindicar a primazia Capital X Baixada.

É óbvio que o título do Brasileiro, com a sua consequente qualificação para a Copa Libertadores, ostenta um peso infinitamente superior.

De todo modo, o fã da agremiação que arrebata um dos estaduais saboreia uma alegria que a rivalidade local multiplica generosamente.

Por isso a empolgação dos torcedores do Corinthians, mandante do duelo mata-mata de ida, no praticamente seu Estádio do Pacaembu.

O elenco orientado por Tite mandou na etapa inicial, desperdiçou ao menos duas chances de abrir vantagem no placar. Mas, seu azar, aos 36’, num lance que causou debates entre narradores e comentaristas, o árbitro Wílson Luís Seneme hesitou e não registrou um pênalti sobre Romarinho.

Do flanco direito, na cobrança de uma infração, porém, o gol da justiça surgiria aos 40’. Romarinho levantou, Danilo escorou e Paulinho arrematou, sem qualquer chance de defesa para o arqueiro Rafael. Daí, aos 42’, o Santos se safou de um novo tento quando Paulinho, o craque do combate, desferiu um lindo petardo no travessão de Rafael.

Detalhes: Cássio, o arqueiro do Corinthians, não pegou na bola; e Neymar, o astro milionário do Peixe, sumariamente inexistiu.

Para a etapa derradeira, Muricy Ramalho, o treinador do Santos, trocou Marcos Assunção por Felipe Anderson e Miralles por André. Não por razões táticas. Na verdade, uma tentativa de avivar o seu elenco.

Funcionou. Enquanto o Timão se retraia e Neymar ressuscitava, o Peixe evoluía positivamente. Tite, então, resolveu mexer.

Aos 71’, nos lugares de Guerrero e Romarinho, entraram Pato e Edenílson. Sim, por razões táticas. Para fortalecer o seu lado destro.

O gol dos 2 X 0, no entanto, brotaria do lado canhoto. Escanteio alçado por Émerson, confusão à frente de Rafael, rebote de Paulo André – que havia se contundido na cabeça e vestia uma touca de proteção.

Ironia: aos 82’, num cruzamento de Felipe Anderson, Paulo André e Gil claudicaram na subida e, de testa, Durval diminuiu.

Os minutos que restavam transcorreram tensíssimos.

Fim da pugna: Corinthians 2 X 1 sobre o Santos.

No próximo domingo, na volta da Vila Belmiro, o Timão atuará pelo empate. O Santos, por um triunfo com dois tentos de folga.

Uma folga de um gol apenas provocará o bingo dos penais.

O triunfo, todavia, também valeu, ao Corinthians, como um aquecimento espiritual para a guerra diante do Boca, nesta quarta, no mesmo Pacaembu, pela fase das oitavas da Copa Libertadores.

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