Escândalos nos esportes: mais castigos por aí…

 Escândalos nos esportes: mais castigos por aí...

A PF em ação na Nemeus

Não me chamo Alexandre de Moraes, não sou Ministro da Justiça e nem me sinto capaz de cantar o número da pedra antes de o sorteio do bingo se iniciar. Posso, no entanto, garantir a quem me lê: vem aí uma cirurgia de limpeza no geral dos Esportes do País.

 

Permanece em pleno andamento a Operação Nemeus, assim batizada em honra de um dos quatro Jogos Pan-Helênicos, primos-irmãos dos Olímpicos. Inaugurada em Agosto, a Nemeus continua a vasculhar os meandros de irregularidades cometidas nas confederações de duas modalidades – o Taekwondo e o Tiro Esportivo.

 

Fraudes em convênios e superfaturações de contratos firmados basicamente com uma mesma empresa, a SB Marketing & Promoções, cujo proprietário, o Sr. Sérgio Borges, inclusive acabou detido, preventivamente.

 

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Coaracy

Agora, em Setembro, se inaugurou a Operação Águas Claras, que investiga fraudes na suposta aquisição de materiais diversos pela CBDA, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, desde 1988 presidida pelo mesmo Sr. Coaracy Nunes Filho.

 

Detalhe: todas essas investidas são legítimas, totalmente dentro da ordem constitucional e sob a supervisão da Controladoria Geral da União (CGU), do Tribunal de Contas da União (TCU), do Ministério Público (MP) e da Polícia Federal. E se respaldam num item da Lei Pelé que prevê o afastamento preventivo de qualquer cartola envolvido com mutretas nos esportes em geral.

 

Quem duvidar que duvide. No entanto, eu insisto, vem aí sucedâneos da Nemeus em busca de irregularidades no Basquete e na Esgrima, para dizer o menos.

 

Marin Teixeira Del Nero Escândalos nos esportes: mais castigos por aí...

Marin, Del Nero e Teixeira

E, para dizer o mais, vem aí uma solicitação do FBI e da Justiça da Suíça a respeito da zona armada na CBF pelas gestões de Ricardo Teixeira, refugiado numa fazenda do interior do Estado do Rio, José Maria Marin, recluso num edifício de Nova York, e Marco Polo Del Nero, que não viaja para fora do Brasil a fim de não ser aprisionado.

 

A Justiça pode tardar. Porém, não falha. Ou, como escreveu o mestre Eça de Queiroz, ninguém está ao abrigo de uma silabada. Tradução: por mais camufladas que sejam, as safadezas sempre sobem à tona.

 

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A vingança do Flu e o castigaço do Corinthians. Muito mal montado o Timão de Carille.

Gum4 A vingança do Flu e o castigaço do Corinthians. Muito mal montado o Timão de Carille.

Gum, o xerife

Para o seu segundo prélio em apenas cinco dias contra o Fluminense do Rio, depois de eliminar o visitante na fase das oitavas-de-final da Copa do Brasil o Corinthians entrou na sua Arena de Itaquera, agora pelo Campeonato Nacional, treze pontos atrás do rivalérrimo Palmeiras.

 

Pior, entrou no seu gramado razoavelmente fora do chamado G4, ou da possibilidade de obter uma vaga na Libertadores de América, apenas na sexta colocação do certame, quatro pontos atrás do Santos, um degrau abaixo do Atlético Paranaense.

 

Foi o segundo combate do Timão sob o comando de Fábio Carille – que substituiu o demitido Cristóvão Borges que havia assumido o cargo de Tite, promovido à seleção do País. Pobre Carille, resignado a coordenar um elenco sem um único e escasso avante natural.

 

Sabe-se lá se interino ou não, o treinador se obrigou a escalar um Mosqueteiro, ao menos, mais ofensivo no seu meio-campo. Aquela velha história do cobertor curto – ou protege as pernas ou aquece o cocuruto. E isso, absurda ironia meteorológica, numa tarde de Primavera curiosamente fria em São Paulo – temperatura de 14°, umidade relativa de 70%.

 

Réplica praticamente perfeita do cotejo da quarta-feira, que o Corinthians apenas venceu graças a um belo tiro do armador Rodriguinho, o jogo deste domingo exibiu os mesmos cruzamentos inúteis, os mesmos chutões sem pontaria e nenhuma tentativa de tabela, triangulação.

 

Do outro lado, na sua quarta presença em Itaquera, três derrotas no banco do Atlético Mineiro, a outra com o Flu, dias atrás, Levir Culpi também repetia a sua estratégia: aperto na marcação, torcida por uma falha do alvinegro. Aliás, interditado o Setor Norte da Arena, consequência da imbecilidade dos seus vândalos “organizados”, a torcida do Timão evitou se transportar até a Zona Leste. Público de 18.838 pessoas, o menor da sua história.

 

Transcorreram modorrentas as ações até os 25’, quando um ataque esporádico do Tricolor, o ala Wellington em muita velocidade, às costas do lateral Guilherme Arana, compeliu o arqueiro Walter a uma bela intervenção. Aliás, parecia superior o Pó-de-Arroz do Rio, ainda que, só, levemente melhor. Também lhe faltava a potência na área inimiga. E assim se estendeu a pugna, mais pelada do que pugna, até se encerrar a sua etapa inicial.

 

Carille não aproveitou o intervalo para alterar seu estilo. Dispunha, entre os reservas, de dois goleadores – Gustavo, ex-Criciúma, e Isaac, ex-Botafogo/Ribeirão Preto. Inexplicavelmente, no entanto, esperou que se completassem os 77’ para colocar Lucca no gramado.

 

Pois é, Lucca, uma espécie de amuleto do elenco, no lugar do utilíssimo Marlone ao invés do apagadérrimo Romero. E o paraguaio por um triz não cravou 1 X 0 aos 79’ – e de bicicleta. Gustavo meramente subiu ao campo aos 82’, e no lugar de outro capaz, Giovanni Augusto.

 

Eram Marlone e Giovanni os responsáveis pelas descidas isoladas do Corinthians através dos flancos. Eles e o garoto Arana, um destaque na porfia no lado canhoto. Pena, para o Timão. que o zagueiro Gum, embora estabanado, cuidasse bem da função de xerife.

 

O castigaço de Carille e dos seus pupilos se desenhou já nos acréscimos, a cobrança de uma falta da intermediária que caiu sobre Cícero, passe de Gum, impedido. E eis os alvinegro cada vez mais distante da Libertadores. Tem de apostar todas as fichas na Copa do Brasil.

 

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A MP do Ensino, o legado dos Jogos do Rio e a Educação Física nas escolas…

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 Modelo atual de Educação Física nas escolas do País

 

Por mais que eu dependa crucialmente da Internet e me valha das chamadas “Redes Sociais”, lastimo que a sua velocidade e, em muitas situações, a sua superficialidade, maculem a verdade dos fatos. É comuníssimo que, nas “Redes Sociais”, o usuário escute o galo cantar sem saber de onde provém o cocoricó. Explico melhor: surge na Web uma notícia qualquer e, sem se aprofundar no mote e sem, sequer, entender o seu significado, alguém produz um comentário idiota e, zás, se multiplicam os compartilhamentos. Por mais absurdo que seja, um boato cretino se transforma em crua realidade.

Refiro-me à insensatez com que, de novo, e agora em relação à tentativa de o Governo flexibilizar o Ensino Médio, proliferaram as barbaridades do tipo: “Vão acabar com a Educação no País”. Claro, na origem, eu culpo o Governo por, indiretamente, estimular a estupidez das reações. Ao invés de publicar o seu projeto de reforma, de torná-lo acessível aos debates e, quem sabe, também às sugestões de melhora, o Governo recorreu a uma torpe excrescência jurídica batizada de Medida Provisória.

Porém, nem tanto ao mar e nem tanto à terra.

A idéia da MP até que nasceu de boas intenções. Entrou na Constituição de 1988 para substituir o nefando recurso do Decreto-Lei a que a tropa da Ditadura Militar apelava no esforço vão de legitimar determinadas ações. Está no seu próprio batismo, todavia, que a Medida é Provisória, emergencial, urgente, de relevância capaz de justificar a sua edição pelo Poder Executivo. Ledo engano. A atual MP do Ensino Médio já leva o número 746 e necessitou de uma edição extra do Diário Oficial para se formalizar. Tive o cuidado de ler e de reler o seu teor integral e, me perdoem os seus redatores, declaro que o seu texto, tão recheado de falhas e de incongruências, precisará de um batalhão de “ajustes”, conforme já admitiram os seus próprios responsáveis, para se corporificar.

A mim incomoda, principalmente, a confusa situação a que a MP relega a prática da Educação Física nas escolas. Ainda valerá, no futuro? Será extinta? Cada aluno poderá ao seu talante decidir se fará ou não os esforços benéficos à sua saúde? Ninguém sabe. Pior, essa excrescência sobe à tona no momento em que se discutem os legados dos recém-findos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. E eu não penso, apenas, nas belas instalações arquitetônicas que abrigaram os eventos. Mas, fundamentalmente, no que será feito da juventude que pede esportes no Brasil.

Sem dinheiro, os dirigentes paralímpicos adotaram um conceito de impressionante engenhosidade, batizado de “Teia de Aranha”, que saudavelmente integra programas desde a escola elementar. Acredite se quiser, mas o Brasil possui mais de trezentos clubes paralímpicos que não atendem, necessariamente, só aos atletas com deficiências de origem. Ora, que ocorrerá, depois da MP 746? E que acontecerá com as modalidades convencionais, aquelas olímpicas, sem a Educação Física nas escolas? Volto a citar o que se desenrola, faz décadas, nos Estados Unidos, onde a comunidade de atletas se forma na idade mais tenra, na High School, e daí se transporta à Universidade.

 

Um sistema, infelizmente, que já era inviável, no Brasil, antes da MP. De acordo com o Censo Escolar de 2015, seis em cada dez escolas públicas não possuem quadra de esportes. Os seus pobres professores de Educação Física se compelem a utilizar as salas normais de aula ou os corredores. Ora, e que fim a MP dará aos tais corredores e aos tais professores? Como em “Conceição”, a bela canção de Jair Amorim e Valdemar de Abreu, o Dunga, que o vozeirão de Cauby Peixoto imortalizou, ninguém sabe e ninguém viu.

 

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Corinthians e Flu, 1 X 0, que sufoco!

Três partidas consecutivas sem vitória. Cinco eliminações nos últimos mata-matas pela Libertadores, pelo Estadual e pela Copa do Brasil de 2015. Um elenco dilapidado por uma sucessão inconsequente de transferências inglórias e de substituições mal planejadas. Depois do fim da gestão Tite, a contratação infeliz de Cristóvão Borges, treinador sem nada do carisma do seu antecessor. Uma presidência, a de Roberto de Andrade, emaranhada em dívidas, na sua maioria herdadas das administrações anteriores.

 

tecnico fabio carille no corinthians grande Corinthians e Flu, 1 X 0, que sufoco!

Foi nesse cenário tosco que Fábio Luiz Carille de Araújo escalou o time do Corinthians para a peleja da noite desta quarta, 21 de Setembro, na Arena de Itaquera, retorno da fase das oitavas da Copa de 2016, contra a Fluminense do Rio. Na ida, um empate de 1 X 1. Carille? Um paulistano prestes a completar, em 26 de Setembro, os seus 43 anos de idade; ex-zagueiro que integra a Comissão Técnica do clube desde 2009; e que assumiu o comando interino do elenco profissional depois da queda de Cristóvão.

 

Bastaria manter o 0 X 0 original para o Timão seguir na competição. E, na teoria, o clima sempre estranho de São Paulo favoreceu o alvinegro. Proveniente da calorama carioca, o Tricolor, apesar do alvorecer da Primavera na megalometrópole, deparou com uma sensação térmica de 8° e com uma umidade relativa de 85%. A fiel torcida do Mosqueteiro não preencheu a Arena. Produziu, porém, bastante barulho. Pena que, sem um atacante de fato ou de referência, na frente o solitário Romero, os pupilos do interino tenham se limitado aos cruzamentos altos e sem destino ou aos chutões inúteis de longa distância.

 

Medíocre a etapa inicial, a derradeira mal compensou o público presente ou a audiência da TV. Um Corínthians a abusar dos passes curtinhos, um Fluminense a insistir na marcação cerrada e incapaz de buscar a eventualidade de uma contra-ofensiva em velocidade. Íntimo conhecedor do banco do alvinegro, Carille sabia não dispor daqueles recursos indispensáveis à chamada atuação de gala. Fez o que pôde. Inclusive rezar para que o árbitro Rodolpho Toski Marques, do Paraná, e os seus auxiliares, Ivan Carlos Bohn e Bruno Boschilia, não se equivocassem nas infiltrações de avantes do Flu às costas da sua lenta bequeira. Houve três tentos corretamente anulados do Tricolor.

 

rodriguinho fez o gol do corinthians contra o 13 Corinthians e Flu, 1 X 0, que sufoco!

Então, aos 68’,  num esporádico momento de lucidez do Timão, o seu melhor jogador, Rodriguinho, na entrada da área do rival, aparou de destra, bateu de canhota e anotou 1 X 0, talvez o tento do alívio. uma igualdade do visitante carregaria o prélio à imponderável loteria dos penais. Pois Carille optou pela precaução. Trocou o leve Giovanni Augusto, um armador, pelo pesado Willians, um xerifão. Mais quinze minutos de tensão. Aliás, pela dramaticidade do tempo remanescente, melhor dizer um quarto de hora.

 

Do fundo do seu baralho, Levir Culpi, o treinador do Flu, sacou um possível coringa, o quarentão Magno Alves. Os nervos se aguçaram. Inacreditável: a torcida do alvinegro a sonhar com a mera sobrevivência daquele resultado tão minguadinho. E a vibrar quando Marquinhos, do Tricolor, viu o cartão vermelho aos 85’. Carille se apressou a mais fortalecer a sua retaguarda. Colocou outro xerifão, Cristian, no lugar de Camacho. Funcionou, 1 X 0, o Timão nas quartas e à espera de um adversário a se definir, por sorteio, na CBF, na próxima sexta. Fiel torcida, um novo sofrimento de tocaia à sua espera.

 

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Paralímpicos, Epílogo: um balanço, a meta que o Brasil não atingiu e as suspeitas que pairam sobre a China e sobre a Ucrânia…

uNZQObaH Paralímpicos, Epílogo: um balanço, a meta que o Brasil não atingiu e as suspeitas que pairam sobre a China e sobre a Ucrânia...

Primeiramente, os números.

A comparação entre Londres/2012 e o Rio/2016.

E nesta ordem: Ouro-Prata-Bronze=Total.

 

China

95-71-65=231

107-81-51=239

 

Grã-Bretanha

34-43-43=120

64-39-44=147

 

Ucrânia

32-24-28=084

41-37-39=117

 

Estados Unidos

31-29-37=097

40-44-31=115

 

Austrália

32-22-30=84

22-30-29=81

 

Alemanha

18-26-22=66

18-25-14=57

 

Holanda

10-10-19=39

17-19-26=62

 

Brasil

21-14-08=43

14-29-29=72

 

O CPB, Comitê Paralímpico Brasileiro havia estabelecido uma expectativa, ou meta, de quinto lugar entre os países ganhadores do ouro. Não conseguiu. Em Londres, fora o oitavo colocado na tabela de triunfos. Mas, agora, dentro de casa, meramente manteve a mesma posição. Pode-se dizer que, no total das medalhas, o Brasil se localizou, no Rio, num sexto lugar. Ainda assim, com 72, nove abaixo das 81 da Austrália.

 

Um fracasso, a não-realização da expectativa, ou o não-cumprimento da meta? Absolutamente não. Com alguma ironia, basicamente bom-humor, pode-se dizer que, ao definir os seus números, ao rabiscar o seu sonho, o CPB se esqueceu de avisar os seus congêneres da Austrália, da Alemanha e da Holanda. Pois, de fato, foi essencialmente isso que aconteceu. Embora tenha caído no departamento do ouro, exatos 2/3, no Rio, em relação a Londres, o Brasil cresceu quase 2,1 vezes no segmento da prata, 3,6 vezes no segmento do bronze. Ocorre, porém, que também, fundamentalmente, a Austrália, a Alemanha e a Holanda evoluíram bastante.

 

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Fonteles, em Londres

No caso do Brasil, pode-se lamentar que André Fonteles, Felipe Gomes, Terezinha Guilhermina e Yohansson Nascimento (Atletismo), Dirceu Pinto e Maciel Santos (Bocha), Jovane Guissone (Esgrima) e André Brasil (Natação), não tenham reprisado as suas performances de ouro em Londres. Individualmente, Felipe ainda somou três medalhas de prata, Yohansson um pódio de bronze, André Brasil um pódio de prata e um de bonze.

 

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Terezinha Guilhermina também abiscoitou um bronze – mas acabou prejudicada por uma desclassificação injusta e por uma partida queimada em duas provas em que deveria abocanhar o ouro. Fonteles chegou a abandonar a pista após Londres e se apresentou ostensivamente fora de forma no Rio. André Brasil se desconcentrou e falhou numa eliminatória e demorou até resgatar o seu vigor.

 

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Willians X Tuledibaev

Sem dizer que o Judô desperdiçou o seu ouro em quatro ocasiões. Em três, com a luta nas mãos. Na outra, de Willians Araújo, acima dos 100kg, num deslize absurdo da arbitragem. Um cego integral, Willians brigou pelo ouro com o uzbeque Adijan Tuledibaev, que tem 10% da visão. Ao dispor os dois, com as suas pegadas, para o início do combate, o mediador não atentou para esse fato e favoreceu Tuledibaev que, muito melhor postado, confortavelmente derrubou Willians em dois segundos.

 

Idem, ainda, sem dizer que dois recordistas, na Canoagem de Velocidade, não replicaram os seus tempos de inscrição. Caio Ribeiro de Carvalho ainda levantou um bronze. Luís Carlos Cardoso da Silva amargou um triste quarto lugar entre dez atletas.

 

Do outro lado da questão, insisto, aconteceu um alentado crescimento dos adversários diretos. A Austrália levou seis de ouro que não fantasiava: Ciclismo de Estrada,  Tênis e Vela. A Alemanha se locupletou com outras oito só no Ciclismo de Estrada. E a Holanda impactou com quatro no Ciclismo, duas na Estrada e duas na pista.

 

Some-se a essas circunstâncias um fator estranhíssimo: a China e a Ucrânia exibiram, no Rio, inúmeros atletas que ninguém conhecia, até porque não haviam participado dos últimos certames internacionais, particularmente o Mundial de Natação. No caso da China, pior, fermentou a suspeita de um “doping administrativo” – a classificação funcional de jovens em patamares diferentes das suas deficiências reais. Como a inscrição de que alguém com seqüela de paralisia cerebral na categoria de 50% de dificuldade quando, de fato, teria 30%.

 

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Frase de Andrew Parsons, o modelar presidente do CPB: "O surgimento de novos atletas é ótimo. Mas, gerou um desconforto geral, principalmente na Natação, a questão dos atletas que não tinham aparecido no ciclo paralímpico. Isso faz com que qualquer meta que você trace não se confirme. Obviamente, tais atletas não surgiram depois do último Mundial. É algo que deve ser debatido no Comitê Paralímpico Internacional. Não pode ser visto como positivo. Não me agrada. Antes dos Jogos, fomos inundados de denúncias a esse respeito." Pena, não havia como contestar nada durante a competição.

 

parque olimpico abre Paralímpicos, Epílogo: um balanço, a meta que o Brasil não atingiu e as suspeitas que pairam sobre a China e sobre a Ucrânia...

O público, no entanto, adorou os Jogos – pela TV ou ao vivo, no Rio. A freqüência ao Parque Olímpico, famílias inteiras com crianças, bateu todos os primados possíveis. Uma fantástica vitória da inclusão, principalmente pela aceitação das desigualdades e pela desmistificação de que os atletas paralímpicos são heróis singulares, talvez maiores do que os olímpicos. Não, trata-se apenas de pessoas que se dedicam ao crucial compromisso da superação conforme sucede, precisamente, nas modalidades convencionais.

 

Resta que esse legado se transfira, também, às situações do trivial, no cotidiano de cada cidadão. Que as calçadas das ruas sejam decentemente niveladas, que as rampas de acesso se multipliquem nas cidades, que os ônibus e os vagões de metrô favoreçam os deficientes, ao invés de atrapalhá-los. Eu, que carrego uma prótese de fêmur e que recorro a uma bengala para me locomover com mais tranqüilidade, sei muito bem o que é subir uma escada, por exemplo, sem o indispensável corrimão de apoio.

 

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