Blog do Silvio Lancellotti – Notícias de Esportes e Variedades – R7

Meu (triste) post de número 1000

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Determinadas ocasiões, principalmente aquelas das datas cheias, pedem uma celebração conveniente. Até hoje eu me recordo com alegria e com emoção do que desfrutei em Novembro de 1969, a minha primeira reportagem de capa, sobre Esportes, na revista “Veja” de então. Dias e dias, em cidades diferentes do Brasil, persegui o time fantástico do Santos, na caçada obrigatória do milésimo gol do Pelé.

 

Aconteceu na noite de 19, no repletíssimo Maracanã, de pênalti, num evento que se iniciou com um sonho, se transformou em História e virou lenda.

 

Santos 2 X 1 Vasco da Gama. O argentino Andrada quase espalmou o pênalti,

 

Situação equivalente ocorreu, nesta última semana, depois do acidente que destruiu o elenco da Chapecoense e um punhado de amigos queridos do jornalismo. Um sonho, aquele do título inédito da Copa Sul-Americana, que se tornou lenda. Pois bem. Por dias eu fantasiei a publicação do meu milésimo texto aqui no R7. Claro, teria preferido comemorar o evento de maneira gentil ou feliz. Mas, não pude. Desafortunadamente eu não consegui.

 

Uma coincidência estúpida fez com que o meu milésimo caísse na sexta 2. Eis o link:

 

http://esportes.r7.com/blogs/silvio-lancellotti/2016/12/02/todos-em-campo-pela-chape/

 

Repriso, propositadamente. Acabo de testemunhar todo o cerimonial de despedida que a Arena Condá abrigou. E, me permita você, não sei mais o que dizer a respeito de um episódio tão pungente, grave, comovedor. Por isso,  apenas 24 horas depois eu revelo que já estou no post de número 1001. Ah, nem gostaria de ter feito o 1000.

 

Voltarei ao normal na segunda-feira, 5. Haverá Champions League.

 

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http://r7.com/DK8L

Todos em campo pela Chape

 

chapecoense2 Todos em campo pela Chape

https://www.youtube.com/watch?v=hD9tT3liovU

 

Na medida em que as horas se esvaem, na medida em que as informações se aprimoram, se aclaram, se ajustam, e o quebra-cabeça se aproxima do desfecho, as conclusões e as lições despontam da tragédia de Rio Negro.

 

As mais impiedosas, mais cruéis, mais radicais de todas são agora as mais indispensáveis de se exporem.

 

1. Claro que sem nenhuma perversidade, sem a mínima intenção de prejudicar ninguém, mas por um excesso de soberba, de auto-suficiência e de desprezo imbecil pelas suas entidades afiliadas e pelos seus clubes respectivos, a Conmebol induziu seleções e agremiações a utilizarem os serviços da LaMia como a sua companhia aérea.

 

2. Claro que sem nenhuma perversidade, sem a mínima intenção de prejudicar ninguém, mas por um excesso de ganância, de sovinice e de irresponsabilidade, o senhor Miguel Quiroga, proprietário da LaMia e comandante do fatídico Avro, no seu último vôo decolou com os tanques de combustível no limite e produziu o abominável.

 

3. Claro que sem nenhuma perversidade, sem a mínima intenção de prejudicar ninguém, mas por um excesso de superficialidade, de torpe leviandade, a gestão de Hugo Chávez, na Venezuela, forneceu os incentivos para que o senhor Quiroga criasse a sua empresinha, assim como o governo de Evo Morales, na Bolívia, abrigou a LaMia em seu território, permitiu que lá implantasse a matriz das suas operações e ainda autorizou sucessivas viagens do Avro sempre com o seu combustível no limite.

 

4. Claro que sem nenhuma perversidade, sem a mínima intenção de prejudicar ninguém, mas por um excesso de ingenuidade e de amadorismo, talvez até aconselhada pela Conmebol, a direção da Chapecoense fretou o Avro da pobre LaMia ao invés de recorrer aos serviços de uma companhia de nome, de história e de experiência.

 

Ninguém tem culpa de nada, costumam dizer os melhores psicanalistas. E este meu texto não pretende lançar pragas sobre xis ou sobre ypsilon. Prefiro, por enquanto, manter a alma aberta às celebrações maravilhosas como a noite mágica do Nacional em seu estádio de Medellin. Ou às idéias que pensam generosamente o futuro, como a formidável campanha que o advogado Gilberto Rossetti colocou na Internet. Replico, prazerosamente, na íntegra:

 

  Todos em campo pela Chape

TODOS PELA CHAPE

 

O acidente aéreo que vitimou 71 pessoas na última segunda-feira chocou todos nós. Mas nada se compara ao choque sofrido pelas famílias das vítimas. Um choque enorme, cujo efeito será sentido para sempre.

 

Nossa consternação e nosso luto não podem nos deixar inertes. Os eternos campeões perderam suas vidas em busca do sonho, da emoção, da missão de emocionar. Eles merecem todas as nossas homenagens e suas famílias todo o nosso apoio.

 

Nós somos os torcedores apaixonados, os torcedores ocasionais, os profissionais do esporte, da imprensa, os clubes, os palcos, as arenas, os gritos, os gols, os aplausos e o choro. Todos nós somos o futebol, muito mais que um jogo.

 

O luto deve ser respeitado, mas há muitas maneiras de respeitar aqueles que se foram. E, para nós, a melhor forma de mostrar respeito e homenageá-los é estar em campo.

 

Mas não é só estar em campo. É fazer dessa rodada uma rodada histórica!!!

 

Estádios cheios. Todas as torcidas juntas, sem divisões, barreiras, muros, grades. Poucos jogos valem algo. Claro que os que valem devem ter seu foco nisso, mas os demais poderiam simplesmente destacar uma mensagem que todos nós, que amamos o futebol, podemos passar ao mundo:

 

#todosemcampopelachape

 

Que a última rodada desse campeonato seja um momento único e inesquecível de homenagem, apoio, respeito e solidariedade.

 

Que essa rodada veja, pela primeira vez, todos os nossos estádios 100% ocupados.

 

Propomos aos clubes e organizadores do campeonato que juntos abracemos essa campanha.

 

#todosemcampopelachape envolve:

 

1. Toda renda de todos os jogos revertidos para famílias das vítimas via chape ou fundo social criado para isso;

 

2. Preço único para todos os ingressos: R$ 71,00; (R$1,00 para cada família);

 

3. Sinal aberto para todos os canais de TV, radio etc, para que o maior número de jornalistas que quiser possa participar e homenagear seus companheiros também

.

4. Governos locais isentem as referidas doações de impostos, possibilitando o repasse integral de valores às famílias.

 

5. Criação de uma linha 0800 para doação de R$ 71,00 por pessoas que não querem, ou não possam ir aos jogos.

 

6. Todos os times em campo vestindo as cores da Chape; e que aqueles que desejarem e puderem, joguem por essas cores nesse dia.

 

Nas piores situações, a humanidade revela o seu melhor.

 

Vamos todos mostrar nosso melhor lado nesse dia e aplaudir, mais uma vez, os eternos campeões.

 

#todosemcampopelachape

 

https://www.facebook.com/Todos-em-Campo-pela-Chape-1201276573285646/?fref=nf

 

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Chape, Danilo e Deva Pascovicci

danilo chapecoense Chape, Danilo e Deva Pascovicci

Entre 1994 e 1995 eu tive o privilégio, o prazer enorme, de comentar alguns jogos do Calcio, e até da seleção do Brasil, com Deva Pascovicci (1965-2016). Um colega de profissionalismo inatacável e um ser humano de coração de gigante. Acompanhei arrepiado os últimos minutos da sua narração, pela Fox, do cotejo que qualificou o time da Chapecoense à decisão da Copa Sulamericana. Ficou para as antologias a forma com que o Deva descreveu a defesa memorável do arqueiro Danilo, ou Marcos Danilo Padilha (1986-2016). Num desígnio impressionante do destino, ambos se foram, juntos, no acidente com o avião que levava a Chape até Medellin, na madrugada de 29 de Novembro. Fica, aqui, a minha singela homenagem.

 

https://www.youtube.com/watch?v=PcYI1d6hIh0

 

 mg 4732 editarjpg 610x340 Chape, Danilo e Deva Pascovicci

 

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Mário Sérgio (1950-2016)

 Mário Sérgio (1950 2016)

Este é o texto mais difícil que eu escrevo em meu meio século de carreira.

 

Primeiro, pelo cansaço absurdo, visto que comecei a perseguir informações de fato confiáveis a respeito do acidente do avião da Chapecoense, nos arredores de Medellin,  por volta de duas da manhã, logo que soube da tragédia.

 

Madrugada a fio, com meus valorosos colegas Gio e Luiz, cujos telefones, cá no R7, eu importunei constantemente, a cada notícia que colhia eu sonhei em passar adiante bons alvitres e esperanças. Infelizmente, não pude cumprir a missão. Os números da tragédia quem me lê já conhece.

 

Segundo, porque no vôo, além de todo o elenco jovial da Chape, do Caio Júnior que comeu pizzas comigo nos seus idos de Palmeiras, estavam amigos jornalistas, em especial o Deva Pascovici, que narrou jogos comentados por mim, e o insubstituível Mário Sérgio Pontes de Paiva, companheiro de tantas aventuras na Band e na Rede Record.

 

Sobre o Mário eu conto apenas uma história deliciosa que, neste momento, me faz rir enquanto eu me empenho em conter o choro inevitável. Aconteceu nos Jogos de Atlanta/96. Certa noite, eu fiz uma macarronada para a equipe da Record  na casa que ocupava. Umas vinte, talvez mais pessoas...

 

Claro, cada um da turma dispunha da sua maquineta de fotografar. E o maroto do Mário pegou uma por uma, se enfiou no banheiro e, sem que ninguém percebesse, clicou o próprio bumbum. Imagine você a cena, algum de nossos companheiros, de volta à sua casa, a mostrar as paisagens da cidade e do evento à família...

 

Ah, Mário, sentirei saudades das suas traquinagens...

 

 12191190 10154022024074578 2723577173258342886 o Mário Sérgio (1950 2016)

PS: Minha solidariedade a Chapecó, cidade formidável que se via no topo do mundo esportivo graças ao seu time de futebol, time super-bem-montado, e que, destino infame, lamenta essa injustiça que me choca pela sua estupidez.

 

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Palmeiras, o justíssimo campeão, 22 anos depois. Parabéns a Nobre, Cuca & Cia…

 

O time do Palmeiras subiu ao gramado do seu Allianz Parque, neste domingo, 27 de Novembro, com a faixa de campeão atravessada na camisa. Não precisaria fazer nada, nadinha, nos 90’ regulamentares e nos acréscimos eventuais do seu jogo contra uma Chapecoense muito mais preocupada com a partida inaugural da decisão da Copa Sulamericana na quarta-feira, dia 30. Graças à sua folga de seis pontos sobre o Santos, segundo colocado na tabela do Brasileiro de 2016, já garantiria o seu título, o primeiro desde 1994, com o placar de 0 X 0.

 

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Além do seu duelo contra o também esmeraldino Índio Condá do oeste de Santa Catarina, interessava ao Verdão, o Periquito que virou Porco, o resultado de Flamengo X Santos no Maracanã. E, logo aos 6’, o peruano Guerrero fez 1 X 0 em favor do Urubu. Caso o Peixe efetivamente perdesse no Rio o Palmeiras arrebataria a sua taça mesmo com uma derrota na Paulicéia. O elenco de Alexi Stival, ou Cuca, porém, sonhava com a explosão de seus 40.986 torcedores, recorde no Allianz. E, desde os movimentos iniciais, acuou os pupilos de Caio Júnior, um ex.

 

 fabiano comemora o gol que fez para abrir o placar para o palmeiras contra a chapecoense 1480275704580 615x300 Palmeiras, o justíssimo campeão, 22 anos depois. Parabéns a Nobre, Cuca & Cia...

Apesar da condição depauperada do campo de jogo, os tufos da sua relva arrancados a cada escorregão ou a cada bola dividida, o time do Palmeiras manteve a redonda no chão e evitou os chutões. A Chapecoense, com diversos titulares obviamente poupados, pouco assustava. E o gol do 1 X 0 brotou num lance plástico, um charmoso tapa na pelota de Fabiano que, aos 25’, encobriu Danilo. Dali em diante, na teoria, o Parque deveria abrigar uma festança. Assim como muitos bairros da cidade. Curiosamente, no entanto, espocaram menos rojões do que o esperável. O fã do Verdão talvez não acreditasse no que ocorria.

 

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Transcorreu protocolarmente o segundo tempo, mais gente de olho no relógio que no gramado. Era visível que Gabriel Jesus se afligia por não marcar o seu tento na sua última exibição antes de partir rumo ao Manchester City da Inglaterra. Era visível a mistura de vibração e tensão de Zé Roberto, 42, o único craque da sua idade a alcançar o topo do pódio na história do Brasileiro. Só nos entornos dos 75’ se ouviu o troar de foguetes esporádicos ao redor do estádio. Justa expectativa. Provavelmente metade dos palestrinos de hoje integra uma geração que mal e mal se recorda daquele título longínquo de 22 anos atrás.

 

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Nos momentos derradeiros do prélio, todavia, o frenesi se tornou catártico, viral, contagioso. Comemorou-se, até, aos 86’, o tento de Diego, Flamengo 2 X 0. E Cuca, num gesto de nobreza maravilhosa, enviou ao gramado o arqueiro Fernando Prass, 38, tristemente lesionado na sua única convocação a uma seleção nacional, nos treinos para os Jogos Olímpicos do Rio. Homenagem tocante ao símbolo da recente reconstrução do Palmeiras, cuja diretoria, corporificada no presidente Paulo Nobre, soube como reunir homens de brio, inclusive veteranos.

 

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