E o Catar chega à decisão do Mundial de Handebol. Com um elenco comprado, de atletas mercenários. Sou contra!

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Asseguro que não sou um romântico retrógado, opositor renitente do profissionalismo nos esportes. Pelo contrário, defendo a tese de que um atleta merece a remuneração justa por seu esforço, pelo seu sacrifício descomunal.

 

Invariavelmente acusei de hipócrita a postura do Comitê Olímpico Internacional e de seus segmentos que até a década de 80 puniam, inclusive com a cassação de medalhas, aqueles que ganhavam um punhadinho de grana, as minguadas “ajudas-de-custo”, questão de sobrevivência num ofício crucialmente radical e exigente.

 

De maneira a preservarem a sua suposta condição de “amadores”, como lhes obrigavam o COI e as federações do planeta, tais atletas se submetiam à ridicularia de um bando de humilhações. Enquanto isso, os apaniguados das nações então comunistas se locupletavam graças aos salários camuflados das estatais e do exército.

 

Já não considero abominável, por exemplo, que num clássico entre a Inter de Milão e a Fiorentina, no Giuseppe Meazza e no Artemio Franchi, dentre os 22 em campo não exista um só nativo. Trata-se de clubes globalizados. Não de representações nacionais.

 

Por isso deploro, com tristeza, que o bilionário Catar (de renda per capita acima dos cem mil dólares, a maior do universo) esteja na decisão do presente Mundial de Handebol, organizado com as sobras dos seus petroeuros. Nenhuma oposição, caso o Catar ostentasse uma tradição mínima na modalidade. Mas, não. Erigiu magníficos ginásios, comprou um pugilo de talentos mercenários e bancou as viagens de todos (e eu repito, TODOS) os jornalistas incumbidos da cobertura do torneio. Adquiriu o pódio...

 

Eu não me rebelaria se os seus astros lá mantivessem raízes, ou lá se instalassem desde muitos anos – e, paralelamente ao prazer do desembarque numa final, se encarregassem, também, da criação de bases para que, no futuro, o Handebol se dissemine entre os seus 2,2 milhões de habitantes, crianças principalmente.

 

Sinceramente, eu duvido. Talvez o Qatar até chegue ao ouro (eu escrevo sem saber contra qual adversário, Espanha ou França, não interessa neste raciocínio). Continuará, porém, suspeito de colocar bilhões na corrupção dos membros da FIFA que lhe concederam a hospedagem da Copa de 2022. E continuará, infelizmente, intolerante à participação de mulheres nas competições públicas.

 

Embora mais brandamente do que outras plagas da região, o Catar segue as normas religiosas implantadas pelo imã Muhammad ibn Abd al-Wahhab (1703-1792), que vedam a chance de igualdade ao sexo feminino. O Catar disputa Jogos Olímpicos desde 1984 – e nunca ostentou uma única dama entre seus defensores.

 

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No Sul-Americano Sub-20, de novo o Brasil vence – mas, lastimavelmente, não convence.

 No Sul Americano Sub 20, de novo o Brasil vence   mas, lastimavelmente, não convence.

Marcos Guiherme

 

Água mole em pedra dura ... e o restante do provérbio quem me lê já deve conhecer. Pois a equipe Sub-20 do Brasil (e eu continuo a evitar a palavra “seleção”) tanto insistiu que perfurou a retaguarda solidérrima do Paraguai e anotou um placar de 2 X 0 na segunda rodada do hexagonal decisivo do Campeonato Sul-Americano que o Uruguai organiza e que classifica os quatro primeiros colocados ao Mundial da Nova Zelândia.

 

Os tentos surgiram na etapa derradeira, depois de um tempo inicial absolutamente horroroso. Eu reafirmo que o Brasil, sob o mando do ex-volante Alexandre Gallo, um personagem bastante simpático mas, perdão, filosoficamente reacionário, não ostenta uma seleção minimamente digna das suas tradições – e que a sua equipe é ruim, muito ruim, patética no controle de bola, na transição da defesa ao ataque, nos arremates cruciais à meta do adversário.

 

Gallo & Cia. sofreram para formalizar os gols, de Yuri Mamute e de Marcos Guilherme (quatro na tabela de artilheiros, a metade do que o time inteiro acumulou até aqui). De todo modo, claro, valem os três pontos. Já garantido nos Jogos Olímpicos de 2016, como o seu anfitrião, o Brasil sonha com a vaga do Mundial.

 

Provável, além de provável, aliás. Em dois cotajos, empatou com o duro hospedeiro e suplantou um rival direto pelo seu passaporte à Nova Zelândia. Travará um duelo intrincadérrimo no domingo, 1º de Fevereiro, com a Argentina. Daí lhe restaurão a Colômbia, que sobrepujou na fase de grupos, e o inconsequente Peru.

 

Que o torcedor, no entanto, não se iluda. Eu replico: esta equipe do Brasil é ruim, muito ruim, e não me sugere futuro.

 

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Luís Figo, de Portugal: mais um que sonha com o inviável, arrebatar de Blatter o trono da FIFA…

 Luís Figo, de Portugal: mais um que sonha com o inviável, arrebatar de Blatter o trono da FIFA...

O lusitano Luis Figo deseja tomar o cetro da FIFA. Deseja, é seu direito. Mas, que isso significa na ordem atual das coisas?

 

Acompanho as tramas de bastidores da FIFA desde 1974, quando um arrivista, não-integrante do bando de próceres que dominava o Furebol do planeta, assumiu a presidência da entidade.

 

Tratava-se de Jean-Marie Faustin Goedefroid d’Havelange, um ex-nadador e ex-aquapolista, brasileiro de pai belga, que atropelou o inglês Sir Stanley Ford Rous, no poder desde 1961, e lhe furtou o trono máximo do Esporte Bretão. 68 votos contra 52.

 

O brasileiro fizera uma campanha bem engenhosa, cultivando os países das Américas, da África e da Ásia, inclusive isolando boa parte dos apoiadores de Rous – como a Alemanha & Companhia,  que não perdoavam as suas safadezas na Copa de 66.

 

Apesar da sua conduta na sombra, empresário acusado até mesmo de contrabandista de armamentos, Havelange, convenhamos, foi um personagem essencial na modernização e na globalização do Futebol. Claro, no percurso, escorregou em diversos escândalos relacionados com patrocinadores e com empresas destinadas ao financiamento de torneios e seus correlatos. Tanto que desistiu de preservar a coroa, em 1998, e entregou todos os seus cargos de honra e de ofício, na FIFA e até no Comitê Olímpico.

 

Na década de 90, entre a Copa da Itália e a Copa da França, me transformei num espião radical das tramóias da entidade. Basta verificar os arquivos da “Folha de S. Paulo”, jornal em que eu trabalhava, e verificar os meus textos a respeito das ambições do peninsular Antonio Matarrese, das traições do suíço Sepp Blatter e da submissão a que o orgulho de Havelange se submeteu.

 

Desde então, Blatter cuida da FIFA como de um quintal, ou de uma herdade onde escraviza funcionários e anspeçadas muito bem remunerados mas descartáveis a um mero peteleco. Um cenário em que sinceramente não vejo chances de uma oposição.

 

São seis os candidatos à sucessão eventual de Blatter. Ei-los:

 

O lisboeta Luis Figo, 42. ex-craque da seleção de sua pátria, do Real Madrid e da Inter de Milão. Uma postura simbólica.

 

O francês David Ginola, 48, também ex-seleção, hoje modelo de moda e ator. Brincalhão. Uma postura além de simbólica.

 

O francês Jèrôme Champagne, 58, ex-diplomata e ex-integrante do cartel de consultores da FIFA. Uma postura grotesca.

 

O holandês Michael van Praag, 67, líder da sua confederação, diz que já dispõe de cinco sufrágios. E talvez fique nos cinco.

 

O príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein, 39, cartola-mór da Ásia, ao menos tem grana para uma campanha capaz de coçar a sola do pé de Blatter. Talvez dez sufrágios...

 

Em resumo, às vésperas de completar, em Março, os seus 79 de idade, Blatter receberá, no próximo pleito de 28 e de 29 de Maio, a segurança suficiente para estender o seu tempo imperial.

 

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Cresce a chama da fritura de Alexandre Gallo nas categorias de base da seleção do Brasil

 Cresce a chama da fritura de Alexandre Gallo nas categorias de base da seleção do Brasil

O inesperado empate da equipe do Brasil, 0 X 0 diante da forte seleção do anfitrião Uruguai, nesta segunda-feira, 26 de Janeiro, pela rodada inaugural do hexagonal decisivo do 27º Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20, ao menos serviu para diminuir a potência do fogo que a CBF utiliza para fritar o treinador Alexandre Gallo. Na fase de grupos da competição, afinal, o Uruguai havia cravado 2 X 0 no Brasil, um passeio, com enorme tranquilidade.

Aos 47 anos de idade, um ex-volante meramente vigoroso que atuou, entre outros clubes, pelo Atlético Mineiro, pelo São Paulo, pelo Santos e pelo Corinthians, Gallo jamais passou de um atleta confiável mas apenas utilitário. Como se dizia, “um jogador de esquema”. Daí, treinador, de 2004 a 2013 tentou a sorte, sem um sucesso marcante, em exatas catorze agremiações. Seu prêmio, sabe-se lá por quê: a CBF o convidou a assumir as categorias de base.

Efetivamente, em 29 de Janeiro de 2013, na gestão José Maria Marin & Marco Polo Del Nero, o ex-arqueiro e ex-agente Gylmar Rinaldi no comando do Departamento de Futebol da entidade, exceto a principal Gallo açambarcou todas as divisões possíveis, dos “Fraldinhas” aos “Olímpicos” eventuais. Obviamente um exagêro, que ele, envaidecido, ignorou.

No percurso, cometeu vários equívocos políticos. Primeiro, ocupou espaços que atropelaram a supervisão de Rinaldi. Depois, anunciou publicamente que priorizaria só as suas convocações, em detrimento do elenco maior do País. Num lampejo de independência, sempre se recusou a favorecer rapazes de ligações mais ou menos claras com os empresários de plantão. Enfim, numa tolice que o afastou dos aplausos da mídia, publicou uma cartilha  grotesca de comportamento e de conduta – como se os seus profissionais fosem trombadinhas irresponsáveis.

Gallo se manteria, digamos, quase intocável (desta tropa que se alojou na CBF nada é impossível), caso a sua Sub-20, que eu me recuso a chamar de seleção, convencesse críticos e torcedores. Trata-se, porém, perdão, com todo o respeito, de uma equipe muito, muito ruim. Não corre o risco de desperdiçar a vaga para o Rio-16, automática do Brasil. Vive, no entanto, à beira de um ridículo atroz: não se qualificar até o quarto posto e não se classificar ao Mundial da Nova Zelândia...

 

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“Copinha”: na calorama absurda da manhã de São Paulo, a nona conquista do Corinthians na “Copinha” Sub-19. E parabéns ao Botafogo…

 Copinha: na calorama absurda da manhã de São Paulo, a nona conquista do Corinthians na Copinha Sub 19. E parabéns ao Botafogo...

Osmar Loss, o treinador campeão

Depois de três semanas, 186 cotejos, 610 gols e a eliminação de 102 dos seus 104 clubes disputantes, até então, enfim se decidiu, na manhã deste domingo, 25 de Janeiro de 2015, aniversário 461 da cidade, a 46ª edição da Copa São Paulo de Juniores, ou Sub-19, “Copinha”, a maior competição do gênero no País. E se decidiu com o triunfo daquele time teoricamente favorito de acordo com os especialistas: o Corinthians.

 

O “Mosqueteiro” alvinegro da Capital e o “Pantera da Mogiana” desembarcaram na partida em condições bem distintas. Enquanto o tricolor do Interior, na sua terceira decisão, tentava o primeiro título do seu currículo, o Corinthians, na sua ocasião de número dezesseis, buscava arrebatar a nona taça. Enquanto o alvinegro ostentava estatísticas generosas, sete jogos e sete sucessos, 25 gols a favor e quatro cedidos, o “Pantera”, pior, exibia cinco vitórias e dois empates, dezoito tentos pró e nove sofridos.

 

Num Pacaembu dominado por torcedores do time da Zona Leste, cerca de 36.000 eternamente fanáticos e afortunadamente pacíficos, Osmar Loss Vieira, o treinador do Corinthians, entrou na decisão com dois desfalques significativos: o seu esperto armador Matheus Cassini e o impetuoso avante Gustavo Tocantins, que já participaram  do elenco titular, suspensos por cartões amarelos. O rival Rodrigo Fonseca não teve o volante e capitão Lineker. Azar do alvinegro, fizeram mais falta os seus punidos.

 

Marcinho e Yan, os substitutos escolhidos por Loss, se mostraram excessivamente inibidos, exageradamente tímidos, e não souberam romper o ferrolho muito bem estruturado por Fonseca. E, paulatinamente, além da firmeza na marcação, o Botafogo aprimorou a sua transição e produziu a melhor chance da etapa inicial, uma infração que Alex cobrou na trave. Loss desceria aliviado e feliz aos vestiários.

 

Os contendores retornaram do intervalo sem alterações. Ao menos nas suas escalações – pois o Corinthians voltou diferente, muito mais vibrante e agressivo através do gramado. Tanto que se destacou, como o astro do comecinho da etapa derradeira, o arqueiro Talles, do “Pantera”, os garotos do Botafogo, porém, depressa se recuperaram. Foi a vez de Caíque, o arqueiro do alvinegro, atestar o seu talento.

 

Por volta dos 65’ desandou a se tornar patente a imbecilidade da FPF, a organizadora da competição, que determinou um horário absolutamente pérfido para a realização da pugna, no Verão mais impiedoso do Brasil em doze décadas. Diminuiu radicalmente o fôlego dos rapazes, particularmente aqueles do tricolor. Logo aos 66’, porém, o armador Maycon ignorou a canícula e arrematou, de canhota, em diagonal, trinta metros. Verdade que a pelota se desviou, insidiosamente. O excelente Talles, de todo modo, tentou espalmá-la de punhos murchos: infortúnio, alvinegro 1 X 0.

 

Naquela circunstância, fisicamente, psicologicamente, a vantagem mínima já representava uma goleada. Nas raras oportunidades que o Botafogo criou, sempre brilhou o sólido Caíque. A temperatura de se fritar um ovo no gramado impediu que os jovens do tricolor resgatassem o seu ânimo. O elenco do Corinthians, ao contrário, segurava a bola, catimbava, à espera de que o tempo se esgotasse. Loss, claro, retrancou a sua intermediária e a sua retaguarda com os beques disponíveis no seu banco de reservas. Funcionou – e o “Mosqueteiro” abiscoitou a taça, euforicamente.

 

Nas tribunas, com um sorriso discreto no rosto, um certo cidadão de apelido Tite testemunhava, tranquilamente, a celebração. Pode-se imaginar que deverá promover vários dos pupilos de Loss. No lado do Botafogo, obviamente, decepção e tristeza. Mas a  justa convicção de que o “Pantera” saiu dignamente desta “Copinha”.

 

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