Publicado em 19/05/2013 às 18h14
Corinthians o campeão paulista pela 27ª vez – um consolo apenas morno para a sua precoce eliminação na Libertadores de América.
Inúmeros críticos desprezam os torneios estaduais.
De todo modo, neste domingo, no Estádio Urbano Caldeira, bairro da Vila Belmiro, os elencos do Santos e do Corinthians se desafiaram com diversos objetivos bem interessantes ao seu alcance.
Os atletas do Peixe sonhavam em obter um tetra inédito na era do profissionalismo. Depois de o Paulistano conquistar, no vetusto período do amadorismo, quatro sucessos seguidos, entre 1916 e 1919, nem os craques da época de Pelé & Cia. realizaram proeza semelhante.
Também pretendiam somar o 21° título do clube, ultrapassar o São Paulo, que já havia chegado ao 20°, e se aproximar do Palmeiras, no 22°.
Enfim, fantasiavam celebrar, com o máximo de glória, aquela que seria, quase seguramente, a última partida de Neymar na Vila.
Os atletas do Corinthians desejavam arrebatar o seu 28° título e, algum consolo, esquecer a sua eliminação, na quarta-feira, fase das oitavas da Copa Libertadores de América, diante do Boca Juniors e da desastrosa arbitragem do paraguaio Carlos Amarilla.
Também queriam festejar, com aplausos justíssimos, aquela que seria, provavelmente, a última partida de Paulinho no Timão.
Ganhador, no prélio de ida, no Pacaembu, por 2 X 1, o Corinthians só precisava de uma igualdade em tentos para se consagrar. Uma vitória do Peixe, por apenas um gol de diferença, motivaria o duelo aos penais.
A vibração de 14.500 espectadores e cerca de dois minutos de espocar de fogos de artifício saudaram a suida dos atletas do Santos ao gramado. O Timão visitante ficou com meros 1.500 ingressos.
Nos vinte minutos iniciais, o Corinthians dominou as ações – mas, não levou perigos à meta de Rafael. Do outro lado, apenas aos 22 o Peixe acordou, belo lançamento de Neymar, tentativa de Felipe Anderson e boa intervenção de Cássio. Aos 26, no entanto, o mesmo Felipe cobraria uma infração pela direita e, quase na marca de cal, Cícero acertaria um voleio magnífico, de direita, sem qualquer chance para o arqueiro, 1 X 0.
Duraria bem pouco a alegria dos fãs do Santos. No lance imediatamente seguido o Corinthians alinhavou uma ofensiva, pé a pé, quase que na horizontal da linha da grande área do Peixe. Rafael ainda rebateu o disparo de Paulinho. Na sobra, contudo, Danilo aproveitou, 1 X 1.
Coincidência curiosa: ferido, numa cabeçada, Danilo tinha se obrigado a vestir um curativo de ataduras sobre os seus cabelos. Na ida, no Pacaembu, também autor de um gol, Paulo André usara uma touca de proteção.
O gol de Danilo desconcertou o elenco do Santos. Tanto que, dos 35’ até o intervalo, o Timão foi infinitamente superior – duas bolas no travessão do Peixe, duas excelentes defesas de Rafael.
Obviamente, o Santos retornou melhor à etapa derradeira. Obviamente porque, de hábito, o elenco que busca o resultado se re-enche de energia e de determinação. Existiria risco, porém, no contra-ataque do Corinthians.
Dito e feito. Ocorreria uma terrível ameaça aos 62’, Romarinho superou a linha de beques do Peixe e avantou em velocidade. Só que, ao invés de driblar o desamparado Rafael, tentou um toque supostamente esperto – e a bola deslizou, caprichosa, até resvalar no poste. Seria um golpe fatal.
Daí, a partida se arrastou, modorrenta. Muricy, o treinador do Santos, tentou eletrizar a sua ofensiva. Tite, o treinador do Corinthians, tentou robustecer o seu meio-de-campo. Pena que, aos 86, alguns cretinos das arquibancadas que alojavam os fãs do visitante, tenham arremessado sinalizadores ao gramado e interrompido as ações.
Consequência: quatro minutos de acréscimos pelo árbitro Guilherme Ceretta de Lima. Aos 93’, Alexandre Pato ainda desperdiçou o golpe fatal. Ceretta de Lima esticou os seus acréscimos por mais dramáticos 180 segundos. E então decretou o encerramento do jogo.
No Santos, mandante, o desalento.
No Corinthians, o campeão, uma celebração basicamente de praxe.
Nada do delírio habitual. Uma festa, convenhamos, bem xinfrim.
Tite abiscoitou o único troféu que não possuia. E, ao menos, Paulinho informou que não há nada de oficial na sua despedida.
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