Publicado em 25/10/2011 às 00h58
Seleção já treina forte em Guadalajara
Hoje tive o prazer de assistir ao primeiro treino da Seleção Brasileira, em Guadalajara. O treino durou pouco mais de uma hora. E, pelo que pude notar, todos estão bem animados e mostrando um comprometimento muito grande.
Foi um treino forte para desintoxicar e também para que os nossos judocas já se acostumem à altitude.
Amanhã, às 11 horas da manhã, haverá outro treino. E eu vou estar lá. Também vou acompanhar de perto o sorteio das chaves do Pan.
Além dos atletas da Seleção, fiquei feliz por ter encontrado por lá o meu amigo Leonardo Mataruna, responsável pela área de estatística da equipe brasileira. Também pude bater um papo com o Sebástian Pereira, um grande judoca de um passado não muito distante, que, hoje, atua no COB.
Pela animação dos nossos atletas, acredito que não será difícil que a minha previsão de conquista de sete medalhas de ouro seja cumprida.
A disputa começa amanhã, com o sorteio das chaves. Vamos torcer!
Vejam abaixo algumas fotos do treino!
Créditos das imagens: Confederação Brasileira de Judô
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Publicado em 21/09/2011 às 17h18
Meu ouro olímpico poderia ter sido da Bolívia
Toda luta requer esforços e sacrifícios. É assim não só no tatame, mas também na vida. Hoje, às vésperas do início dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, me lembro da minha situação como atleta 20 anos atrás.
Como a maioria sabe, eu pertencia a um movimento que reivindicava melhores condições estruturais para o judô brasileiro e, por conta disso, eu e o meu grupo boicotamos as competições da CBJ e acabamos por ficar de fora da disputa dos Jogos Pan-Americanos de Havana, em 1991.
Com a frustração de não ter participado do Pan e vendo os Jogos Olímpicos de Barcelona se aproximarem, fomos tomados por uma preocupação muito grande. Afinal, todos os judocas do movimento eram os melhores do Brasil em suas respectivas categorias e, apesar disso, corríamos o risco de perder a chance de estar na Olimpíada.
Pensando nos ideais do judô brasileiro, mas sem nos esquecer dos nossos próprios sonhos como atletas, eu, o Wagner Castropil, o João Brigante e o Sérgio Pessoa, além do Luiz Carlos Novi, então diretor da Confederação Brasileira de Desportos Universitários, aceitamos o convite do Comitê Olímpico da Bolívia e participamos de um jantar, numa churrascaria em São Paulo, onde nos foi proposto nos naturalizarmos bolivianos e defender as cores da bandeira da Bolívia nos Jogos Olímpicos de Barcelona, diante da impossibilidade de representar o nosso país.
O Aurélio Miguel, campeão olímpico em Seul, quatro anos antes, ficou fora do grupo assediado pelos bolivianos, já que, por ter dupla cidadania, cogitava a possibilidade de disputar a Olimpíada como atleta da Espanha.
Se o nosso retorno às competições não tivesse sido viabilizado, como felizmente, aconteceu no início de 1992, eu poderia ter subido ao degrau mais alto do pódio em Barcelona para ouvir o hino e ver subir a bandeira boliviana.
Graças a Deus, a possibilidade de lutar pela Bolívia não deu certo e eu pude representar o meu país, lutar com as cores do Brasil no peito, tendo toda a torcida verde-amarela do meu lado.
No final de cinco lutas, ouvir o Hino Nacional Brasileiro e ver a nossa bandeira tremulando mais alta do que as outras teve um sabor especial. Afinal, eu poderia ter entrado para a história como o primeiro campeão olímpico do judô boliviano, mesmo sendo 100% brasileiro.
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Publicado em 16/06/2010 às 20h18
Ranking olímpico: uma evolução no judô mundial
Para quem, como eu, competiu numa época onde a definição das vagas para as principais competições internacionais, como Jogos Olímpicos e o Campeonato Mundial, era baseada muito mais em critérios políticos do que no nível técnico e nos resultados conquistados pelos atletas, ver a criação de um ranking mundial e olímpico parece um sonho.
Nos anos 90, eu e todo o chamado Grupo do Aurélio lutamos e sofremos muitas represálias para que houvesse uma seletiva nacional para definir as equipes brasileiras. Hoje a seletiva é realidade, vivemos tempos muito melhores. Mas continuamos querendo mais. Ainda sonhamos com uma padronização do calendário nacional e a criação do ranking nacional.
A seleção dos judocas olímpicos em Londres 2012 será composta pelos 252 primeiros do ranking geral, sendo 22 homens e 14 mulheres em cada uma das categorias; além de 14 representantes da Inglaterra, o país sede, mais 20 convidados pela Federação Internacional de Judô e outros cem atletas convidados por um ranking único de cada federação continental.
Com o ranking, tudo agora é planejado. Não haverá mais a ansiedade e a incerteza, como muitos de nossos campeões vivenciaram, de não saber quem tem chances reais de estar na olimpíada, às vésperas do evento.
Desde o Grand Slam do Rio de Janeiro, todas as competições do Circuito Mundial de Judô, criado em 2009, passaram a valer pontos para quem busca uma vaga para Londres. A criação desse ranking gerou uma padronização do calendário internacional de judô. Muitas competições, que antes eram simples torneios abertos, ganharam o status de Masters, Grand Slam, Grand Prix e Copa do Mundo.
No total, são 26 eventos que estão reunindo os principais judocas do mundo todo, todos em busca das primeiras posições no ranking. Como incentivo extra, além dos pontos, os medalhistas também somam boas quantias em sua conta bancária. Os quatro Grand Slam da temporada distribuirão uma premiação de US$ 150 mil em cada etapa. Já para cada um dos cinco Grand Prix – Hamburgo, Dubai, Las Vegas, Roterdã e Pequim -, o prêmio é de US$ 100 mil.
Com o ranking e as novas regras, o judô passou a ser um esporte que pode ser “consumido” pela TV, o que populariza a modalidade e, principalmente, atrai patrocinadores, indispensáveis na hora de pagar a conta das dezenas de viagens internacionais, que se tornaram obrigatórias para quem quer somar pontos.
Ranking, ranking, ranking. Esse tem sido o pensamento mais frequente na cabeça de todos os integrantes da Seleção Brasileira de Judô. Em busca do sonho olímpico, nos próximos dias haverá judocas brasileiros espalhados pelos quatro cantos da terra, treinando em busca de aperfeiçoamento ou competindo, lutando, literalmente, por pontos que poderão carimbar seu passaporte para Londres, em 2012.
Até!
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