Publicado em 03/11/2011 às 19h36
O Brasil novamente no pódio
Num ano dourado para o judô brasileiro, continuamos ganhando medalhas nesta quinta-feira (3). Desta vez, no Campeonato Mundial Sub-20, na Cidade do Cabo, na África do Sul.
O ano é dourado porque, em 2011, tivemos nossa melhor participação num Mundial Sênior e também numa edição dos Jogos Pan-Americanos. E começamos muito bem no Mundial Sub-20.
Embora o Mundial Júnior (Sub-20) tenha um caráter revelador, muitas vezes atletas da Seleção Brasileira que não conseguem chegar a medalhas nessa categoria podem chegar a ser astros do judô brasileiro na Seleção Sênior. No final, a experiência é o que conta.
Os destaques do dia foram Águeda Silva, que chegou, mais uma vez, ao vice-campeonato; e Allan Kuwabara, que garantiu a medalha de bronze. Mas os meus parabéns vão para todos os brasileiros que competiram nesse primeiro dia. Afinal, todos são importantes para a renovação do judô brasileiro.
Amanhã(4) entram no tatame Eleudis Valentim (52kg), Flávia Gomes (57kg), Rafaela Silva (57kg), Afonso Baldigem (66kg) e Vinícius Sakamoto (66kg).
As maiores expectativas ficam por conta das performances de Eleudis Valentim, vice-campeã em 2010; de Rafaela Silva, campeã mundial Sub-20, em 2008, e medalha de prata no Mundial Sênior de Paris, na atual temporada; e de Flávia Gomes, vice-campeã dos Jogos Olímpicos da Juventude.
Embora ainda sem medalhas em Mundiais, Afonso Baldigem e Vinícius Sakamoto são atletas muito fortes e têm boas chances de subir no pódio.
Boa sorte a todos!
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Publicado em 25/08/2011 às 14h55
O ouro não veio, mas Guilheiro continua entre os melhores do mundo
A tão esperada medalha de ouro de Leandro Guilheiro foi, mais uma vez, adiada para o próximo mundial. O melhor judoca brasileiro na atualidade não subiu ao degrau mais alto, mas, novamente, marcou presença no pódio. Em 15 competições na categoria meio-médio, Leandro Guilheiro conquistou 15 medalhas. Uma regularidade invejável.
O bronze conquistado hoje foi a segunda medalha de Guilheiro em Mundiais e ele continua figurando entre os melhores do mundo. Segundo colocado no ranking, o brasileiro era um dos atletas a ser batido na categoria até 81 quilos nesse Mundial. Todos os adversários o estudaram muito bem.
A cada ano surge uma nova safra de judocas com grande potencial. Uma dessas revelações, o campeão mundial sub-20 de 2010, o montenegrino Srdjan Mrvaljevic, superou Guilheiro na semifinal.
Até perder para o judoca de Monte Negro, Leandro venceu o colombiano Pedro Castro, o iraniano Amir Nejad Ghasemi, o francês Alain Schmitt e Sergiu Toma, da Moldóvia. Na disputa pela medalha de bronze, venceu Elkhan Rajabili, do Azerbaijão, bronze no Mundial de 2003, por ippon.
Na mesma categoria de Guilheiro, até 81 quilos, Flávio Canto venceu o mexicano Karim Rezc e o ucraniano Vitalli Dudchyk, mas perdeu para o russo Ivan Ninfontov, oitavo do ranking. Canto vem de uma série de três cirurgias e teve pouco tempo de recuperação.
Mariana Silva perdeu na primeira luta para a austríaca Hilde Drexler. O título ficou com a francesa Gevrise Emane, que se sagrou bicampeã mundial. A luta final entre Gevrise e a japonesa Yoshie Ueno, número um do mundo e campeã em 2010, foi decidida para o hantei.
Sem dúvida, foi um dia de grandes emoções para os amantes do judô.
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Publicado em 27/06/2011 às 15h57
Brasil na etapa paulista da Copa do Mundo de Judô
Ao todo foram 17 medalhas brasileiras durante os dois dias do evento e o primeiro lugar na competição. A boa colocação vai ajudar na busca por vagas nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Veja todos os resultados no vídeo, além da minha avaliação.
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Publicado em 02/03/2011 às 16h40
A voz da experiência
Num passado recente, o caminho para chegar ao pódio de competições internacionais importantes, como Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos era bem árduo. Não havia apoio nem patrocínio e a estrutura das confederações estava bem longe do que podemos considerar ideal. Hoje, felizmente, muita coisa mudou. As leis de incentivo ao esporte, o apoio do governo e a visão ampla de muitas empresas têm garantido os recursos necessários para que muitos técnicos e atletas tenham paz para se dedicar, integralmente, à preparação.
Hoje, medalhas são sinônimo não só de pódio, fama e reconhecimento, mas também de retorno financeiro. O empenho de medalhistas olímpicos da atualidade tem sido recompensado com bolsas mensais que o incentivam a continuar na busca pela superação. Isso é muito louvável, mas pena que nem sempre tenha sido assim.
Muitos dos grandes nomes do nosso esporte do passado deram sequência à sua vida, sem nenhum glamour, distantes das áreas de competição. Enquanto alguns tentam superar as dificuldades financeiras por não saberem fazer outra coisa a não ser treinar e competir, outros desenvolvem atividades profissionais em outras áreas, que não a esportiva. Essa realidade denuncia, no mínimo, o desperdício de um conhecimento precioso que poderia ser repassado para as futuras gerações.
Com os recursos necessários para executar seus projetos rumo ao pódio, tanto governo quanto confederações deveriam seguir a fórmula bem-sucedida das Confederações Brasileiras de Atletismo e de Vôlei, que exploram, com sabedoria, a experiência de ex-atletas vencedores. Bem remunerados, campeões do passado ministram cursos e clínicas, onde repassam seus conhecimentos aos mais jovens, incentivando a prática da modalidade e incrementando o preparo dos futuros campeões.
Os recursos, outrora tão escassos, parecem estar mais acessíveis aos responsáveis pela gestão das diversas modalidades olímpicas no Brasil. Confederações, empresas e o governo federal precisam estar atentos aos cases de sucesso na formação de medalhistas olímpicos. No Brasil, há diversos atletas, medalhistas olímpicos e mundiais, que investiram sua vida em anos de treinamento e competições, adquirindo técnica, táticas e segurança que podem fazer a diferença na formação dos esportistas mais jovens.
É preciso ouvir as vozes da experiência porque experiência vale ouro. Os ícones do passado conhecem o “caminho das pedras” para o pódio olímpico. A poucos anos da realização de uma Olimpíada dentro das nossas fronteiras, não podemos desperdiçar o know-how de homens e mulheres que ajudaram a escrever a nossa história olímpica. Vale a reflexão.
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Publicado em 13/09/2010 às 20h14
Da reserva para o pódio
Em Tóquio, o Brasil superou o número de medalhas conquistadas em Campeonatos Mundiais. No total foram quatro: três de prata e uma de bronze. As duas últimas de Leandro Cunha, que se tornou o vice-campeão mundial entre os meio-leves, e de Sarah Menezes, terceira entre as ligeiros.
Grande conquista foi a de Leandro Cunha. Hoje, com 29 anos, o judoca do interior paulista foi, durante muito tempo, o segundo titular da vaga na categoria meio-leve. Primeiro, Leandro foi reserva do medalhista olímpico Henrique Guimarães. Depois, de 2005 a 2009, ele era o substituto natural do bicampeão mundial João Derly.
Embora tenha um excelente nível técnico, Leandro nunca conseguiu sobressair entre os atletas da Seleção, justamente por ser reserva. Mas, desde que assumiu como titular da vaga, Leandro Cunha obteve alguns bons resultados, como o ouro da Copa do Mundo de Belo Horizonte, em 2009. Sem grandes conquistas na atual temporada, ele ficou fora da lista de favoritos. Mas venceu na hora certa. Eu conheço bem essa história. Quando me tornei campeão olímpico, em Barcelona, muita gente nem cogitava meu nome para o pódio.
Leandro saiu da reserva para entrar na história do judô brasileiro. A medalha de prata é um resultado muito expressivo. Afinal, hoje ele integra o seleto rol de judocas que disputaram uma luta decisiva em Campeonato Mundial, coisa que pouquíssimos no nosso país conseguiram.
O vice-campeonato mundial do atleta do Pinheiros vem coroar uma carreira de superação e sacrifícios. Ele deixou de ser o segundo titular da vaga para se tornar o segundo melhor do mundo e isso não é pouca coisa. Com certeza, Leandro tem boas condições de brigar pelo ouro olímpico em Londres.
Queridinha do judô brasileiro, Sarah Menezes repete na Seleção Adulta as excelentes performances que já havia apresentado nas categorias de base. Ainda muito jovem, ela representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e embarcou para o Japão como uma das esperanças brasileiras em Tóquio.
Formada no Piauí, no Nordeste, Sarah é a prova de que a descentralização na conquista dos pódios internacionais entre os Estados brasileiros já é uma realidade. Até bem pouco tempo, a maioria das medalhas de Mundiais e Olimpíadas eram conquistadas por judocas paulistas. Mas, felizmente, nos últimos anos, alguns atletas de fora de São Paulo obtiveram resultados expressivos. João Derly, do Rio Grande do Sul; Flávio Canto, do Rio de Janeiro, e, agora, Sarah Menezes, do Piauí conquistaram títulos importantes, superando maiores dificuldades em seu desenvolvimento. Os três são desbravadores. A vice-campeã mundial Mayra Aguiar segue os passos de Derly. O judô brasileiro anseia por ver novos campeões do Nordeste, do Rio de Janeiro, do Sul, do Norte e da região central do país. A modalidade só terá a ganhar com isso.
Parabéns aos nossos medalhistas!
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Publicado em 08/09/2010 às 15h04
Brasileiros na luta pelo pódio mundial
Na madrugada de hoje, os sonhos dos 17 judocas que representarão o Brasil no Campeonato Mundial, em Tóquio, no Japão, começa a se tornar real.
Num Mundial como esse, que promete ser o maior de todos os tempos, com 848 judocas representando 111 países, uma boa performance envolve vários aspectos.
Primeiro, o lugar mais alto do pódio, além do título, também significa pontos preciosos para o ranking olímpico da Federação Internacional de Judô, que vai definir as vagas para os Jogos Olímpicos de Londres-2012. E disputar uma Olimpíada é o sonho maior de todo atleta.
Em segundo lugar, a conquista de qualquer medalha é importante, não só para o atleta, mas também para o país. Nossa tradição foi iniciada por Chiaki Ishii, em 1971, com um bronze na Alemanha.
Em seguida, vieram os bronzes de Walter Carmona, em 1979, e Aurélio Miguel, em 1987. Em 1993, em Hamilton, no Canadá, Aurélio conquistou nossa primeira medalha de prata e eu entrei para a galeria de medalhistas mundiais com um bronze. Em 29 anos, somamos 19 pódios em Mundiais Sênior. Foram medalhas quatro de ouro, duas de prata e 13 de bronze.
Para as meninas, o desafio é ainda maior. Em toda a história, apenas Danielle Zangrando, a pioneira, com um bronze, em 1993, coincidentemente, em Tóquio; e Edninaci Silva, com os bronzes de 1997 e 2003, conquistaram medalhas.
Nossa galeria de campeãs conta também com Kertlyn Quadros, a primeira a subir ao pódio em uma Olimpíada. Por isso, qualquer das nossas judocas que conseguir uma medalha nesse Mundial de Tóquio será alçada ao nível das outras três que integram a galeria de campeãs.
Desde 2007, não conquistamos uma medalha de ouro em Mundiais e esse é outro objetivo a ser alcançado, agora, no Japão. Nossas chances são as melhores. A Seleção Brasileira conta com o apoio de uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicólogo, médico, fisioterapeuta e preparador físico e até uma equipe de estrategistas, além dos técnicos.
Todos os nossos adversários já foram filmados e estudados, e isso nos coloca em pé de igualdade com os principais adversários. Embora toda a equipe tenha boas chances, Leandro Guilheiro continua sendo o nosso principal atleta.
Tiago Camilo voltou a ter boas performances. Nos últimos confrontos, ele se mostrou focado. Na semifinal da Copa do Mundo por equipes, em Salvador, por exemplo, Tiago venceu, por wazari, o sul-coreano Kyu-Won Lee, atual campeão mundial da categoria. A dúvida fica por conta da recuperação da lesão no pé esquerdo, sofrida por ele, há menos de 15 dias...
Outros judocas, como Hugo Pessanha e Bruno Mendonça, obtiveram excelentes resultados nas competições que antecederam esse Campeonato Mundial e podem voltar ao Brasil como medalhistas.
Fica a expectativa!
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