Posts com a tag: olimpíada

A voz da experiência

Num passado recente, o caminho para chegar ao pódio de competições internacionais importantes, como Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos era bem árduo. Não havia apoio nem patrocínio e a estrutura das confederações estava bem longe do que podemos considerar ideal. Hoje, felizmente, muita coisa mudou. As leis de incentivo ao esporte, o apoio do governo e a visão ampla de muitas empresas têm garantido os recursos necessários para que muitos técnicos e atletas tenham paz para se dedicar, integralmente, à preparação.

Hoje, medalhas são sinônimo não só de pódio, fama e reconhecimento, mas também de retorno financeiro. O empenho de medalhistas olímpicos da atualidade tem sido recompensado com bolsas mensais que o incentivam a continuar na busca pela superação. Isso é muito louvável, mas pena que nem sempre tenha sido assim.

Muitos dos grandes nomes do nosso esporte do passado deram sequência à sua vida, sem nenhum glamour, distantes das áreas de competição. Enquanto alguns tentam superar as dificuldades financeiras por não saberem fazer outra coisa a não ser treinar e competir, outros desenvolvem atividades profissionais em outras áreas, que não a esportiva. Essa realidade denuncia, no mínimo, o desperdício de um conhecimento precioso que poderia ser repassado para as futuras gerações.

Com os recursos necessários para executar seus projetos rumo ao pódio, tanto governo quanto confederações deveriam seguir a fórmula bem-sucedida das Confederações Brasileiras de Atletismo e de Vôlei, que exploram, com sabedoria, a experiência de ex-atletas vencedores. Bem remunerados, campeões do passado ministram cursos e clínicas, onde repassam seus conhecimentos aos mais jovens, incentivando a prática da modalidade e incrementando o preparo dos futuros campeões.

Os recursos, outrora tão escassos, parecem estar mais acessíveis aos responsáveis pela gestão das diversas modalidades olímpicas no Brasil. Confederações, empresas e o governo federal precisam estar atentos aos cases de sucesso na formação de medalhistas olímpicos. No Brasil, há diversos atletas, medalhistas olímpicos e mundiais, que investiram sua vida em anos de treinamento e competições, adquirindo técnica, táticas e segurança que podem fazer a diferença na formação dos esportistas mais jovens.

É preciso ouvir as vozes da experiência porque experiência vale ouro. Os ícones do passado conhecem o “caminho  das pedras” para o pódio olímpico. A poucos anos da realização de uma Olimpíada dentro das nossas fronteiras, não podemos desperdiçar o know-how de homens e mulheres que ajudaram a escrever a nossa história olímpica. Vale a reflexão.

Veja mais:

+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7


Competições decisivas na Europa

O circuito de competições internacionais de 2011 já começou. E nós começamos bem. No Grand Slam de Paris, disputado no último final de semana, garantimos uma medalha de prata, com Tiago Camilo; e duas de bronze, com Mayra Aguiar e Sarah Menezes. Fomos representados por sete atletas e trouxemos três medalhas mais um quinto lugar, o que pode ser avaliado como um aproveitamento muito bom.

A partir de agora, o processo classificatório para os Jogos Olímpicos e a briga por pontos no ranking mundial entram num momento importantíssimo, e o Brasil está numa condição bem confortável. Se a Olimpíada fosse hoje, teríamos representantes em todas as sete categorias no masculino. No feminino, só ficaríamos fora da briga na médio, onde a brasileira melhor classificada, Maria Portela, é a 33ª. Classificam-se os 22 melhores no masculino e as 14 primeiras no feminino.

Em algumas categorias, como a meio-médio, a médio, meio-pesado e a pesado, temos mais de um atleta ranqueado entre os 22 melhores do mundo. Mas apenas um em cada categoria poderá representar o país em Londres 2012.

As disputas internas em cada peso são uma atração à parte. Na meio-médio, a briga é entre Leandro Guilheiro, segundo no ranking da FIJ, Flávio Canto, que é o sétimo, e Nacif Elias, 20º colocado. Na médio, o Brasil poderá ser representado por Hugo Pessanha, sétimo, ou Tiago Camilo, oitavo, isso sem contarem os pontos conquistados no Grand Slam de Paris. Luciano Correa, sétimo, e Leonardo Leite, 19º, são os melhores brasileiros no ranking da meio-pesado. E mais três grandes nomes brigam, com vantagem, pela vaga na peso pesado: Daniel Hernandes, décimo terceiro, Rafael Silva, décimo nono, e Walter Santos, que, com os descartes de atletas do mesmo país, fica com a décima nona colocação.

A lista dos brasileiros que iriam a Londres, se a Olimpíada fosse hoje, também inclui Felipe Kitadai (22º), Leandro Cunha (10º) e Bruno Mendonça (17º). No feminino, as melhores no ranking são Sarah Menezes (5º lugar, na ligeiro), Erika Miranda (10º lugar, na meio-leve), Mariana Silva (14º, na meio-médio), Mayra Aguiar (9º, na meio-pesado) e Maria Suelen Atlheman (14º lugar, entre as peso pesados). Salientando Mariana Silva e Maria Suelen conquistariam a vaga, graças aos descartes de atletas do mesmo país, que estão acima no ranking.

sarah menezes Competições decisivas na Europa

Sarah Menezes fatura bronze em Grand Slam de judô

Para os judocas do mundo inteiro, continuar conquistando pontos e melhorar cada vez mais a posição no ranking é importante não apenas para garantir a vaga nos jogos Olímpicos, mas também para ter uma situação mais confortável na disputa olímpica, já que os cabeças-de-chave serão também definidos pelo ranking da FIJ. Saindo em vantagem no sorteio das chaves dos Jogos, nossos atletas terão melhores condições de trazer medalhas.

A luta por medalhas e pontos continua nos próximos finais de semana, na Europa, com as disputadas das Copas do Mundo de Budapeste, para o masculino; Viena e Praga, no feminino; e do Grand Prix de Dusseldorf . Além de Luciano Correa e Erika Miranda, que lutaram em Paris, o Brasil será representado por Taciana Lima, Andressa Fernandes, Rafaela Silva, Ketleyn Quadros, Mariana Silva, Camila Minakawa, Maria Portela, Maria Suelen Altheman, Felipe Kitadai, Breno Alves, Alex Pombo, Victor Penalber, Nacif Elias, Leonardo Leite, Rafael Silva e David Moura.

O sonho do pódio olímpico está em jogo em cada luta. Os brasileiros contam com a nossa torcida.

Veja mais:

+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7


Quase uma constelação!

Embora já estejamos em janeiro de 2011, na minha visão, a temporada 2010 só foi encerrada no último final de semana, com a realização do Masters de Baku, no Azerbaijão. Reunindo apenas os 16 melhores do ranking final de 2010 da FIJ em cada categoria, a competição, como era esperado, apresentou um alto nível e, o que é melhor, os brasileiros brilharam mais uma vez. Foi uma espécie de festa dos que conquistaram os melhores resultados e somaram mais pontos no ano que passou. O Masters fechou o calendário 2010 da FIJ e, oficialmente, abriu a temporada 2011.

Sarah Menezes conquistou a medalha de bronze entre as ligeiros, no sábado, e Leandro Guilheiro foi prata entre os meio-médios no domingo. Além disso, Tiago Camilo, Rafael Silva e Maria Suelen Altheman, embora não tenham chegado ao pódio, somaram preciosos pontos no ranking com o quinto lugar.

Independente dos resultados, o mais importante de tudo isso é que o judô brasileiro está conseguindo se manter numa condição em que não dependemos mais de uma estrela, de um grande nome do esporte para garantir sucesso nas disputas internacionais. Há bem pouco tempo, nossas esperanças eram depositadas nas performances de Leandro Guilheiro, Tiago Camilo e Luciano Correa. Eles eram as estrelas.

Hoje, embora Leandro continue sendo a estrela mais brilhante do judô nacional, temos uma constelação! Outros nomes despontaram e com grande potencial para brilhar por muito tempo. Figuramos entre os melhores do mundo graças também a Mayra Aguiar, Sarah Menezes e Rafael Silva. Aliás, consigo enxergar o Rafael como um campeão olímpico. Ele tem potencial para isso.

O Brasil ampliou o número de atletas em condições de conquistar medalhas em qualquer competição. Temos boas perspectivas para o Pan deste ano e creio que poderemos quebrar o recorde de medalhas conquistadas pelo judô em Olimpíada, em Londres, no ano que vem.

Veja mais:

+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7


De olho em Londres 2012

Leandro Guilheiro blog De olho em Londres 2012

Foto: Jed Jacobsohn/Getty Images

A medalha de prata alcançada por Leandro Guilheiro em Tóquio é um título inédito no rol de conquistas do melhor judoca do Brasil na atualidade. É um excelente resultado. Aliás, mais um excelente resultado, já que Leandro consegue se manter entre os melhores do mundo desde 2004, quando trouxe o bronze de Atenas.

Vale ressaltar que, depois do Mundial de 2009, Leandro mudou da categoria leve para a meio-médio e manter-se entre os melhores após mudar de categoria requer um treinamento muito forte, que pode ocasionar lesões que têm que ser administradas.

O grande trunfo de Leandro, até agora, tem sido conseguir treinar forte sem ter lesões para administrar. E, talvez, o segredo para que ele consiga o ouro em Londres-2012, seja administrar os treinamentos de forma a não sofrer lesões graves, dando continuidade à sua carreira campeã sem limitações físicas. Treinar forte sem lesões, esse deve ser o foco do nosso vice-campeão mundial até a próxima Olimpíada.

Eu não poderia deixar de destacar o excelente resultado de Flávio Canto. Classificar-se entre os cinco melhores do mundo, aos 35 anos, é digno de se tirar o chapéu. Num esporte como o judô, em que a exigência física é extrema, manter o nível técnico, físico e emocional apresentado por Flávio Canto, na idade em que ele está, não é para qualquer um. Acredito que ele teria chegado ainda mais longe se não tivesse pegado Leandro Guilheiro no caminho do pódio.

Infelizmente, uma contusão durante as lutas impediu Tiago Camilo de brigar pela medalha. Mas, mesmo numa situação adversa como essa, cabe um parabéns à Confederação Brasileira de Judô por manter uma equipe médica durante as viagens. A presença do médico ao lado da seleção proporciona uma maior segurança aos atletas e também às famílias dos atletas. Lesões são adversários inesperados em qualquer esporte. Tiago Camilo foi surpreendido por uma delas, mas tem todas as condições de chegar a 2012 brigando por medalhas para o Brasil.

Nossos jovens atletas, estreantes em campeonato mundiais, como Rafaela Silva, Bruno Mendonça e Mariana Silva, que lutaram ontem à noite, descobriram que disputar um mundial pela primeira vez é muito difícil. Muitos dos estreantes brasileiros em Tóquio estão participando das competições do circuito mundial pela primeira vez e muitos estão lutando de igual para igual com os adversários. A maioria é jovem, tem potencial e só vai precisar de muito treinamento para brigar pelas primeiras posições em mundiais e olimpíadas futuras.

Grandes nomes do nosso judô também já voltaram de campeonatos mundiais com as mãos vazias. Depois da derrota, é preciso levantar a cabeça rapidamente, estabelecer um novo alvo e dar continuidade aos treinamentos. Não é hora de esmorecer! Vamos focar nos Jogos Olímpicos de Londres.

Na madrugada de hoje, lutam Felipe Kitadai, Leandro Cunha, Érika Miranda e Sarah Menezes. Todos têm chances. Como costumo dizer, todo atleta de alto nível que sai para representar o Brasil em competições internacionais é favorito a conquistar o título.

Nossa grande expectativa fica por conta do desempenho das meninas. Érika foi quinta colocada no Mundial do Rio de Janeiro, em 2007, e Sarah, nossa bicampeã mundial júnior, vem conseguindo excelentes resultados e é, sem dúvida, um dos destaques da equipe feminina.

Vamos torcer para que essa seja uma madrugada de bons resultados. A meta é superar o máximo de três medalhas já conquistadas num mundial. Quem sabe dessa vez sejam quatro... Quem sabe o feminino conquiste mais do que o masculino... Vale a torcida!

Veja mais:

+ Tudo sobre esporte no R7
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7