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O judô não para

Os judocas brasileiros que conquistaram medalhas nos Jogos Pan-Americanos nem tiveram tempo para comemorar. Mal desembarcaram no Brasil e muitos deles já estão encarando novos desafios.

Campeões como Leandro Guilheiro, Tiago Camilo, Leandro Cunha, Luciano Correa e Bruno Mendonça estarão em ação, em Porto Alegre, neste final de semana, defendendo seus respectivos clubes no Grand Prix Nacional, em Porto Alegre.

Correria maior teve a vice-campeã nos Jogos Pan-Americanos, Rafaela Silva, que já está na Cidade do Cabo, na África do Sul, com os demais integrantes da Seleção Brasileira para disputar o Campeonato Mundial Sub-20.

Campeã mundial Sub-20 em 2008, Rafaela, da categoria –57kg, lutará amanhã e é uma das grandes esperanças de medalha para o Brasil. Hoje já estão lutando Águeda Silva (44kg), Nathália Brígida (48kg), Gabriela Chibana (48kg), Mike Chibana (55kg) e Allan Kawabara (60kg).

Pelo Campeonato Mundial Sub-20 já passaram alguns dos maiores nomes do judô brasileiro, como Aurélio Miguel, eu, Leandro Guilheiro, Tiago Camilo, Danielle Zangrando, Mayra Aguiar e muitos outros. Mayra, aliás, é a brasileira com maior número de conquistas em Mundiais Sub-20. Ela colecionada nada menos do que quatro medalhas: um ouro, uma prata e dois bronzes.

Vale lembrar que Mayra também já traz no currículo duas medalhas em Mundiais Sênior: uma prata e um bronze. Rafaela Silva, que já tem um ouro no Sub-20 e uma prata no Sênior, é o grande destaque da equipe brasileira na África do Sul.

Vale a sua torcida!!!

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Brasil pode quebrar recorde em Mundiais hoje na França

A grande expectativa dos brasileiros no Campeonato Mundial de Paris, nesta sexta (26), é chegar à quinta medalha que garantirá um novo recorde de conquistas em Mundiais.

Com o bronze de Leandro Guilheiro, o Brasil somou quatro medalhas, igualando as performances obtidas no Rio de Janeiro, em 2007, quando foram três ouros e um bronze; e em Tóquio, no ano passado, com três pratas e um bronze.

A chance de bater o recorde está nas mãos da médio Maria Portela, da meio-pesado Mayra Aguiar e dos médios Tiago Camilo e Hugo Pessanha. Mayra, Tiago e Hugo, por estarem entre os oito melhores do ranking mundial, são cabeças de chave.

may divulgação cbj Brasil pode quebrar recorde em Mundiais hoje na França

tiago daia oliver1 Brasil pode quebrar recorde em Mundiais hoje na França

hugo pessanha  Brasil pode quebrar recorde em Mundiais hoje na França
Bronze no Grand Slam do Rio de Janeiro, na Copa do Mundo de São Paulo e na Copa do Mundo de Miami, além do vice-campeonato Pan-Americano e o título dos Jogos Mundiais Militares, Maria Portela precisa se firmar no cenário internacional e, para isso, nada melhor do que conquistar uma medalha no Mundial. Ela tem ainda o desafio de classificar a categoria médio, na qual o Brasil não teve representante nas últimas Olimpíadas, para os Jogos de Londres.

 

Nossa outra representante hoje será Mayra Aguiar, quarta colocada no ranking das meio-pesados, que tem todas as condições de brigar pelo ouro. Em Tóquio, no ano passado, ela entrou para a história como a primeira brasileira a chegar à final num Mundial de Judô.

Recordista de medalhas em mundiais Sub-20, com quatro, ela foi campeã mundial Sub-20 em 2010 e ouro no Grand Slam do Rio de Janeiro esse ano.

Jovem, Mayra agora pode abrilhantar o currículo com o ouro no Mundial Sênior.

Brigando ponto a ponto no ranking pela vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, Tiago Camilo e Hugo Pessanha  lutam nesta sexta pelo ouro na médio.

A performance nesse Mundial pode definir que será o titular nos Jogos Pan-Americanos. Com uma medalha, qualquer um dos dois pode abrir vantagem e deixar o outro pelo caminho. Mas os dois têm chances de subir no pódio.

Sétimo no ranking, Tiago Camilo é um dos principais judocas do mundo. Prata nas Olimpíadas de Sydney 2000, bronze nas Olimpíadas de Pequim 2008, ouro no Campeonato Mundial Sênior 2007, esse ano, ele já conquistou prata no Grand Slam de Paris e bronze no Grand Slam do Rio de Janeiro.

Hugo Pessanha, que é oitavo no ranking, foi bronze no Grand Slam do Rio de Janeiro e campeão da Copa do Mundo de Miami, esse ano. Ao contrário de Camilo, ele ainda precisa conquistar uma medalha numa competição do porte do Campeonato Mundial.  A hora é agora, o dia é hoje!

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O dia que mudou a minha vida

Rogerio Sampaio lutando O dia que mudou a minha vida

Este mês comemorei uma data muito importante na minha vida. No dia 1º de agosto, completaram exatos 19 anos da minha conquista da medalha de ouro em Barcelona. O tempo passa depressa, parece que foi ontem...

A conquista que marcaria para sempre a minha carreira no judô não foi cercada de nenhuma expectativa, a não ser as minhas e a das pessoas mais chegadas a mim.

Desembarquei em Barcelona como um desconhecido. A imprensa e os torcedores presentes ao aeroporto estavam totalmente focados no Aurélio Miguel, que havia se sagrado campeão olímpico, em Seul 1988 e tinha grandes chances de conquistar o bi na Espanha. Outros atletas da equipe de judô também foram assediados pelos repórteres, já que levavam na bagagem algumas medalhas dos torneios do circuito internacional que antecedeu a Olimpíada. Eu era, como se poderia dizer, um mero desconhecido.

Em busca do meu sonho olímpico, embarquei para Barcelona deixando no Brasil toda a torcida da minha família, um carro velho e quebrado na garagem.

Naquele tempo, a estrutura do então chamado esporte amador era bem diferente. Como muitos de vocês já sabem, eu lutei na Olimpíada com um quimono emprestado do meu amigo e ex-aluno Pablo Covas, já que eu não tinha nenhum quimono Mizuno e todos os meus estavam remendados.

Para vencer a luta contra a balança e não extrapolar os 65 quilos da minha categoria, a meio-leve, passei aquele dia com o estômago praticamente vazio. Comi apenas dois pêssegos e um sorvete.

Rogerio Sampaio lutando PB O dia que mudou a minha vida

Eu não era favorito, mas os meus amigos da imprensa, em Santos, acreditaram que era possível e foram para a minha casa, assistir às minhas lutas ao lado do meu pai, da minha mãe e da minha irmã.

Carregando nas costas o peso de disputar os Jogos Olímpicos, mas acreditando no meu potencial, na minha técnica e nas infinitas horas de treinamento às quais me dediquei, logo na primeira luta, derrotei, sem maiores dificuldades, o português Augusto Almeida, por ippon.

Também foi por ippon que venci o sul-coreano Sang-Moon Kim, apesar de ter começado a luta perdendo;  e, depois, o argentino Francisco Morales Vivas, que, na época, era o campeão dos Jogos Pan-Americanos.

Meu quarto adversário, na semifinal, era ninguém menos que o campeão mundial Udo Quellmalz, da Alemanha. Sabia que a luta não seria fácil. Antes da Olimpíada, já havia lutado duas vezes com ele: venci uma e perdi uma. Ele tinha todo o favoritismo e eu a confiança em mim mesmo. Assim, contrariando todas as probabilidades, derrotei o alemão e garanti a chance de conquistar uma medalha de ouro.

Fechei os olhos e os ouvidos para as vozes que diziam que a vitória já era certa. Tentei me concentrar na área de aquecimento e esperei por longos 40 minutos para a luta final.

Confiante e tranquilo, consegui desenvolver o meu judô, venci o húngaro Jozsef Csak e conquistei a tão sonhada medalha de ouro olímpica.

Rogerio Sampaio no podio de Barcelona O dia que mudou a minha vida

No final da luta, cai de joelhos no chão. Naquela hora, passou um filminho na minha cabeça. Lembrei de todo sacrifício para chegar àquele momento. Lembrei dos meus pais e, principalmente do meu irmão, Ricardo, também judoca e atleta olímpico, que havia falecido um ano antes.

Apesar de toda pompa da cerimônia de premiação e da euforia de chegar à minha cidade, Santos, desfilando em cima de um carro de bombeiros, cercado por milhares de torcedores, a ficha demorou a cair.

Minha rotina mudou. Passei a dar muitas entrevistas e autógrafos, a ser reconhecido nas ruas, não só em Santos, mas no Brasil inteiro. Conquistei um bom patrocínio, tive o meu nome incluso na galeria dos campeões no Ginásio do Barcelona e no Hall da Fama.

Aquele 1º de agosto de 1992 mudou para sempre a minha vida. Sou muito feliz e agradecido por isso.

A medalha de ouro para mim significou o reconhecimento que todo mundo busca alcançar naquilo que faz. E para mim ele chegou cedo, aos 25 anos. Mas, no esporte como na vida, é preciso estar sempre estabelecendo novas metas, novos desafios para fugir da acomodação.

Depois de me sagrar campeão olímpico, mudei de categoria e conquistei o bronze no Campeonato Mundial, no ano seguinte. Como a vida de atleta não dura para sempre, continuei buscando novos objetivos no esporte. Antes de me “aposentar”, fundei uma associação de judô, em Santos, para formar novos campeões, depois passei a atuar como técnico, como gestor público e como comentarista de TV.

Hoje o meu grande objetivo é trazer para a minha vida pessoal e profissional tudo o que aprendi com o judô, colocando em prática princípios como determinação, perseverança, equilíbrio emocional e, acima de tudo, a persistência de quem não desiste nunca.

Minha torcida agora é que outros judocas brasileiros possam viver a mesma emoção e a mesma virada que experimentei, nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Afinal, até lá, serão 20 anos desde o último ouro do judô numa Olimpíada. O Brasil merece um novo campeão no lugar mais alto do pódio olímpico.

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Um Grand Slam excelente

Hoje acordei feliz, ainda contagiado pela excelente participação do judô brasileiro no Grand Slam do Rio de Janeiro, de forma especial, no feminino. Das sete categorias disputadas, nossas meninas subiram ao pódio em seis, além de terem ficado à frente do masculino na conquista de medalhas: foram seis contra cinco.

A participação das mulheres brasileiras no Grand Slam confirma que  o nosso judô feminino caminha a passos largos para a conquista de medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres, com condições para construir uma tradição vencedora como a que já existe no masculino.

EricaMirandaJudo 4651 Um Grand Slam excelente

Érika Miranda venceu suas cinco lutas e levou a medalha de ouro

Veja o desempenho das brasileiras nas finais do Grand Slam de judô:

Nosso judô masculino teve uma boa participação. Os maiores destaques foram Leandro Guilheiro, um dos principais judocas do mundo, que está na direção certa para a conquista de uma medalha de ouro em Londres-2012, e o peso pesado João Gabriel Schlittler.

guilheiro final grand slam 620 Um Grand Slam excelente

Guilheiro deixa russo de cabeça para baixo na final

Afastado das competições internacionais há dois anos, João Gabriel foi convocado para o Grand Slam, na última hora, sexta-feira passada, para substituir o contundido Leandro Gonçalves, e apresentou uma performance irretocável. Tudo o que ele precisa é manter esse nível de atuação. É mais um atleta forte no time brasileiro e mais um para brigar pela vaga olímpica entre os pesos pesados.

Brasileiro Leandro Guilheiro fatura o ouro no Grand Slam de judô:

João Gabriel leva a melhor em final brasileira do judô e fica com o ouro:

Como avaliação, ficou claro que o masculino carece de renovação, com o surgimento de novos talentos. Há muito tempo, os grandes resultados vêm sendo conquistados por Leandro Guilheiro, Tiago Camilo, Flávio Canto, Daniel Hernandes e Hugo Pessanha. De todos eles, só Hugo Pessanha ainda não disputou uma olimpíada, mas, mesmo assim, já está entre os melhores do Brasil há anos.

Para garimparmos novos talentos, seria necessário um trabalho de longo prazo, já que, hoje, o judô deixou de ser praticado unicamente em academias, associações e clubes e passou a ser difundido também nas escolas e projetos sociais. Minha sugestão é que seja desenvolvida uma política que organize toda essa prática, além de um trabalho que tenha como objetivo detectar talentos nesses locais e encaminhá-los a centros de desenvolvimento.

A participação brasileira foi excelente. Conquistamos 11 medalhas, superando, e muito, as seis do ano passado. Com o detalhe de que, desta vez, foram quatro medalhas de ouro contra uma única do ano passado. Um recorde indiscutível.

Parabéns ao judô brasileiro! Semana que vem tem Copa do Mundo, em São Paulo e a nossa torcida continua.

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As meninas no caminho certo

O judô feminino brasileiro não é mais uma surpresa. Pelos resultados obtidos em competições recentes, podemos afirmar que temos uma geração vencedora com capacidade para ir ainda mais longe e consolidar uma tradição em pódios olímpicos como temos no masculino.

As meninas estão no caminho certo. A primeira medalha em Olimpíada foi conquistada em Pequim-2008 e nosso potencial para Londres-2012 é enorme. Justiça seja feita, os bons resultados não começaram agora. Grandes nomes da geração passada, como Danielle Zangrando e Ednanci Silva, deram início a essa trajetória brilhante das meninas.

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Danielle Zangrando

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Edinanci Silva

Foi muito gratificante assistir, ao vivo, o desempenho do nosso judô feminino, ontem, no primeiro dia de disputas do Grand Slam do Rio de Janeiro. Das quatro categorias disputadas, as brasileiras estiveram presentes em três finais. E o resultado foi o ouro inédito de Érika Miranda, na meio-leve, que entra para a história como a primeira brasileira a sagrar-se campeã em uma etapa do Grand Slam; e as pratas louváveis da ligeiro Sarah Menezes e da leve Rafaela Silva. Rafaela, aliás, estava com a vitória na mão, mas, talvez em consequência da ansiedade típica de jovens da idade dela, fez um ataque na hora errada, totalmente desequilibrada, e acabou levando um ippon, no contragolpe da romena Corina Caprioriu. Bronze no ano passado, Mariana Silva, da meio-médio, não conseguiu passar para a semifinal e ficou em quinto lugar.

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Érika Miranda

sarah menezes As meninas no caminho certo

Sarah Menezes

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Rafaela Silva

Não posso deixar de demonstrar minha preocupação com o masculino. Definitivamente, esperávamos mais. O meio-leve Leandro Cunha, atual vice-campeão mundial, não se classificou para as semifinais e ficou em quinto lugar, mesma posição conquistada por Alex Pombo e Luiz Revite. O que demonstra uma necessidade de renovação, com maior qualidade, entre os mais leves.

Hoje, já estão em ação agora, aqui, no Maracanãzinho, os principais nomes do judô brasileiro. Os destaques são Leandro Guilheiro, Tiago Camilo e Flávio Canto.

Campeão no ano passado, Hugo Pessanha e Daniel Hernandes, ouro em 2009,  têm a chance de conquistar o bicampeonato no Grand Slam do Rio de Janeiro nesse domingo. Rafael Silva também tem todas as condições para brilhar hoje.

Vamos torcer por mais medalhas. A Record News transmite as finais do Grand Slam, ao vivo, a partir das 16 horas.

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Jogos Pan-Americanos: o evento que faltou na minha carreira

Toda vitória requer sacrifício, abnegação. Algumas exigem até certa dose de sofrimento. Às vésperas dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara tenho uma sensação de vitória ao ver que a seleção brasileira que vai competir nesse grandioso evento está sendo formada de maneira democrática. Os melhores do país são definidos por seletivas nacionais e a vaga para o Pan será determinada por um ranking. Isso significa que o Brasil vai contar com os seus melhores judocas no México.

Para os mais jovens, esses critérios de classificação e toda essa transparência são normais, nem dá para imaginar nada diferente disso. Mas, para quem viveu outros tempos do judô brasileiro como eu, seletivas e ranking representam a vitória em uma luta que nos custou sonhos. Disputar os Jogos Pan-Americanos foi um deles.

Em plenas condições físicas e técnicas, fiquei fora do Pan de 91, em Havana, em nome de um sonho maior. Eu e um grupo de judocas de alto nível, liderados pelo campeão olímpico Aurélio Miguel, lutávamos, dentre outros avanços,  pela realização de seletivas nacionais e de uma maior lisura na convocação dos atletas da seleção brasileira de judô. Em nome da nossa causa, passamos a boicotar as competições internacionais e, com isso, perdemos títulos, lembranças e emoções importantes a qualquer jovem atleta, como estar presente numa edição dos Jogos Pan-Americanos, por exemplo. Mas a nossa vitória repercute até hoje.

Durante minha carreira como judoca, tive o privilégio de competir em dezenas de torneios na Europa, disputei Campeonatos Pan-Americanos, Campeonato Mundial, Mundial Universitário e Jogos Olímpicos, mas nunca estive numa edição dos Jogos Pan-Americanos.

Rogerio Sampaio lutando Jogos Pan Americanos: o evento que faltou na minha carreira

Às vezes, paro para pensar como teria sido a minha história se eu tivesse ido ao Pan de Havana. Em 91, o representante brasileiro na minha categoria, a meio-leve, foi o meu amigo Marcos Barbosa, que conquistou a medalha de bronze. Pouquíssimo tempo depois do Pan, enfrentei o Barbosa num torneio em São Paulo, e o derrotei, por ippon, em apenas 26 segundos.

Um ano depois de Havana, deparei com o campeão dos Jogos Pan-Americanos, o argentino Pablo Morales, na minha terceira luta na Olimpíada de Barcelona, e também venci por ippon. O que teria acontecido se eu tivesse competido no Pan de Cuba ninguém nunca saberá. Mas a história tem comprovado as mudanças ocorridas no judô brasileiro pelo fato de eu e um grupo de judocas idealistas termos nos recusado a lutar em competições internacionais no início dos anos 90.

Como técnico, já tive o prazer de ver atletas que treinam na Associação de Judô Rogério Sampaio subir ao pódio de Jogos Pan-Americanos por mais de uma vez. Esse ano, temos quatro judocas do projeto que coordeno em Santos na briga por uma vaga para Guadalajara.

Eu nunca disputei um Pan, mas, pensando bem, acho que valeu a pena.

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A voz da experiência

Num passado recente, o caminho para chegar ao pódio de competições internacionais importantes, como Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos era bem árduo. Não havia apoio nem patrocínio e a estrutura das confederações estava bem longe do que podemos considerar ideal. Hoje, felizmente, muita coisa mudou. As leis de incentivo ao esporte, o apoio do governo e a visão ampla de muitas empresas têm garantido os recursos necessários para que muitos técnicos e atletas tenham paz para se dedicar, integralmente, à preparação.

Hoje, medalhas são sinônimo não só de pódio, fama e reconhecimento, mas também de retorno financeiro. O empenho de medalhistas olímpicos da atualidade tem sido recompensado com bolsas mensais que o incentivam a continuar na busca pela superação. Isso é muito louvável, mas pena que nem sempre tenha sido assim.

Muitos dos grandes nomes do nosso esporte do passado deram sequência à sua vida, sem nenhum glamour, distantes das áreas de competição. Enquanto alguns tentam superar as dificuldades financeiras por não saberem fazer outra coisa a não ser treinar e competir, outros desenvolvem atividades profissionais em outras áreas, que não a esportiva. Essa realidade denuncia, no mínimo, o desperdício de um conhecimento precioso que poderia ser repassado para as futuras gerações.

Com os recursos necessários para executar seus projetos rumo ao pódio, tanto governo quanto confederações deveriam seguir a fórmula bem-sucedida das Confederações Brasileiras de Atletismo e de Vôlei, que exploram, com sabedoria, a experiência de ex-atletas vencedores. Bem remunerados, campeões do passado ministram cursos e clínicas, onde repassam seus conhecimentos aos mais jovens, incentivando a prática da modalidade e incrementando o preparo dos futuros campeões.

Os recursos, outrora tão escassos, parecem estar mais acessíveis aos responsáveis pela gestão das diversas modalidades olímpicas no Brasil. Confederações, empresas e o governo federal precisam estar atentos aos cases de sucesso na formação de medalhistas olímpicos. No Brasil, há diversos atletas, medalhistas olímpicos e mundiais, que investiram sua vida em anos de treinamento e competições, adquirindo técnica, táticas e segurança que podem fazer a diferença na formação dos esportistas mais jovens.

É preciso ouvir as vozes da experiência porque experiência vale ouro. Os ícones do passado conhecem o “caminho  das pedras” para o pódio olímpico. A poucos anos da realização de uma Olimpíada dentro das nossas fronteiras, não podemos desperdiçar o know-how de homens e mulheres que ajudaram a escrever a nossa história olímpica. Vale a reflexão.

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Competições decisivas na Europa

O circuito de competições internacionais de 2011 já começou. E nós começamos bem. No Grand Slam de Paris, disputado no último final de semana, garantimos uma medalha de prata, com Tiago Camilo; e duas de bronze, com Mayra Aguiar e Sarah Menezes. Fomos representados por sete atletas e trouxemos três medalhas mais um quinto lugar, o que pode ser avaliado como um aproveitamento muito bom.

A partir de agora, o processo classificatório para os Jogos Olímpicos e a briga por pontos no ranking mundial entram num momento importantíssimo, e o Brasil está numa condição bem confortável. Se a Olimpíada fosse hoje, teríamos representantes em todas as sete categorias no masculino. No feminino, só ficaríamos fora da briga na médio, onde a brasileira melhor classificada, Maria Portela, é a 33ª. Classificam-se os 22 melhores no masculino e as 14 primeiras no feminino.

Em algumas categorias, como a meio-médio, a médio, meio-pesado e a pesado, temos mais de um atleta ranqueado entre os 22 melhores do mundo. Mas apenas um em cada categoria poderá representar o país em Londres 2012.

As disputas internas em cada peso são uma atração à parte. Na meio-médio, a briga é entre Leandro Guilheiro, segundo no ranking da FIJ, Flávio Canto, que é o sétimo, e Nacif Elias, 20º colocado. Na médio, o Brasil poderá ser representado por Hugo Pessanha, sétimo, ou Tiago Camilo, oitavo, isso sem contarem os pontos conquistados no Grand Slam de Paris. Luciano Correa, sétimo, e Leonardo Leite, 19º, são os melhores brasileiros no ranking da meio-pesado. E mais três grandes nomes brigam, com vantagem, pela vaga na peso pesado: Daniel Hernandes, décimo terceiro, Rafael Silva, décimo nono, e Walter Santos, que, com os descartes de atletas do mesmo país, fica com a décima nona colocação.

A lista dos brasileiros que iriam a Londres, se a Olimpíada fosse hoje, também inclui Felipe Kitadai (22º), Leandro Cunha (10º) e Bruno Mendonça (17º). No feminino, as melhores no ranking são Sarah Menezes (5º lugar, na ligeiro), Erika Miranda (10º lugar, na meio-leve), Mariana Silva (14º, na meio-médio), Mayra Aguiar (9º, na meio-pesado) e Maria Suelen Atlheman (14º lugar, entre as peso pesados). Salientando Mariana Silva e Maria Suelen conquistariam a vaga, graças aos descartes de atletas do mesmo país, que estão acima no ranking.

sarah menezes Competições decisivas na Europa

Sarah Menezes fatura bronze em Grand Slam de judô

Para os judocas do mundo inteiro, continuar conquistando pontos e melhorar cada vez mais a posição no ranking é importante não apenas para garantir a vaga nos jogos Olímpicos, mas também para ter uma situação mais confortável na disputa olímpica, já que os cabeças-de-chave serão também definidos pelo ranking da FIJ. Saindo em vantagem no sorteio das chaves dos Jogos, nossos atletas terão melhores condições de trazer medalhas.

A luta por medalhas e pontos continua nos próximos finais de semana, na Europa, com as disputadas das Copas do Mundo de Budapeste, para o masculino; Viena e Praga, no feminino; e do Grand Prix de Dusseldorf . Além de Luciano Correa e Erika Miranda, que lutaram em Paris, o Brasil será representado por Taciana Lima, Andressa Fernandes, Rafaela Silva, Ketleyn Quadros, Mariana Silva, Camila Minakawa, Maria Portela, Maria Suelen Altheman, Felipe Kitadai, Breno Alves, Alex Pombo, Victor Penalber, Nacif Elias, Leonardo Leite, Rafael Silva e David Moura.

O sonho do pódio olímpico está em jogo em cada luta. Os brasileiros contam com a nossa torcida.

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