Publicado em 23/08/2011 às 15h25
Prata e bronze para o Brasil na abertura do Mundial da França
O Brasil começou bem o Campeonato Mundial da França. Das três categorias disputadas, conquistamos duas medalhas: uma de prata, com Leandro Cunha, e uma de bronze com Sarah Menezes. Mesmo resultado do ano passado. Sem dúvida, é um excelente começo.
Felipe Kitadai superou a primeira luta contra o Pavel Petrikov, da República Tcheca, com dois wazaris; venceu também a segunda, contra o canadense Frazer Will, também por wazari, mas perdeu a terceira contra o Rishod Sobirov, do Uzbequistão, por ippon.
Perdendo antes das quartas-de-final, o brasileiro não teve chances de ir para a repescagem e brigar por uma medalha. Apesar de não ter chegado ao pódio, Kitadai, que é um atleta ainda muito jovem, venceu duas lutas e foi derrotado pelo judoca que ficou com o título. Sua participação foi muito boa e mostrou que ele é um atleta que vem evoluindo.
Sarah Menezes repetiu o resultado do ano passado e voltará ao Brasil com mais uma medalha de bronze. Parabéns, Sarah! Cabeça de chave número quatro, ela bateu a espanhola Oiana Blanco, por wazari; a sul-coreana Seung-Min Shin, por ippon; e a húngara Eva Csernoviczki, também por ippon, mas foi derrotada pela japonesa campeã mundial Haruna Asami, por ippon. Asami ficou, novamente, com a medalha de ouro. Sarah já havia perdido para a japonesa na final do Grand Slam do Rio de Janeiro deste ano. Na disputa pela medalha de bronze, a brasileira venceu a francesa Frederique Jossinet.
O melhor resultado do dia foi do meio-leve Leandro Cunha. Vice-campeão em 2010, ele começou a competição vencendo o armênio Armen Nazarian, por yuko; depois bateu o georgiano Shalva Kardava, por ippon; o sul-coreano Jeong-Hwan Na, por yuko, no golden score; e o britânico Colin Oates, outra vez por ippon. Na semifinal, Cunha derrotou o esloveno Rok Draksic. Mas, na disputa pelo título, perdeu para o japonês Masashi Ebinuma.
Atleta veterano, Leandro Cunha ratifica a sua posição entre os melhores judocas do mundo e se consolida como favorito à conquista de medalha nos Jogos Olímpicos de Londres.
Amanhã lutam Érika Miranda, Rafaela Silva, Ketleyn Quadros e Bruno Mendonça.
Quinta colocada no ranking e quinta no Mundial do ano passado, Érika Miranda, esse ano, já foi ouro no Grand Slam do Rio de Janeiro, ouro na Copa do Mundo de São Paulo e bronze no Campeonato Pan-Americano.
Na categoria leve, o Brasil terá duas representantes: a medalhista olímpica Ketleyn Quadros, 25ª do ranking, e a campeã mundial júnior de 2008 Rafaela Silva. Quinta no Mundial de Tóquio, no ano passado, Rafaela foi ouro na Copa do Mundo de São Paulo e no Grand Prix de Dusseldorf e prata no Grand Slam do Rio de Janeiro.
Rafaela é muito jovem, mas tem capacidade de estar entre as medalhistas nesse Mundial. Para isso, basta que ela consiga o equilíbrio emocional necessário nos momentos decisivos. Esse equilíbrio foi exatamente o que faltou a ela na final do Grand Slam do Rio de Janeiro.
Estreante em Mundiais, Ketleyn Quadros traz na bagagem os títulos da Copa do Mundo de Madrid e da Copa Pan-Americana, além do bronze na Copa do Mundo de São Paulo.

Felizmente, esse ano, nossa primeira medalhista olímpica do judô voltou a ter boas apresentações. Ketleyn passou por momentos difíceis depois da conquista em Pequim. Na minha visão, ela é uma das candidatas à conquista de medalhas e precisa muito de um bom resultado amanhã para poder continuar sonhando com os Jogos Olímpicos de Londres.
Uma das grandes promessas do judô brasileiro, o santista Bruno Mendonça, atleta da AJ Rogério Sampaio é o 14º no ranking da FIJ. Ele chega à França, para o seu segundo Mundial, mais experiente e com títulos como campeão Pan-Americano, bronze na Copa do Mundo Por Equipes; sétimo na Copa do Mundo de São Paulo; campeão por equipes e bronze no individual nos Jogos Mundiais Militares e prata na Copa do Mundo de Miami. No ano passado, Bruno foi prata no Campeonato Mundial Por Equipes, bronze no Grand Slam de Moscou e prata na Copa do Mundo de Roma.
Apesar de apresentar certa oscilação em suas performances, em consequência de contusões, Bruno é atleta bastante forte, que tem condições totais de ter uma boa atuação. Tudo vai depender muito da sua condição emocional na hora da disputa.
Neste Super Mundial, que reúne 880 judocas de 182 países, a categoria leve masculino é a que tem o maior número de inscritos, com 95 competidores. Bruno Mendonça vai ter um grande desafio pela frente, mas tem boas chances de entrar para a histórica, conquistando uma medalha.
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Publicado em 16/06/2010 às 20h18
Ranking olímpico: uma evolução no judô mundial
Para quem, como eu, competiu numa época onde a definição das vagas para as principais competições internacionais, como Jogos Olímpicos e o Campeonato Mundial, era baseada muito mais em critérios políticos do que no nível técnico e nos resultados conquistados pelos atletas, ver a criação de um ranking mundial e olímpico parece um sonho.
Nos anos 90, eu e todo o chamado Grupo do Aurélio lutamos e sofremos muitas represálias para que houvesse uma seletiva nacional para definir as equipes brasileiras. Hoje a seletiva é realidade, vivemos tempos muito melhores. Mas continuamos querendo mais. Ainda sonhamos com uma padronização do calendário nacional e a criação do ranking nacional.
A seleção dos judocas olímpicos em Londres 2012 será composta pelos 252 primeiros do ranking geral, sendo 22 homens e 14 mulheres em cada uma das categorias; além de 14 representantes da Inglaterra, o país sede, mais 20 convidados pela Federação Internacional de Judô e outros cem atletas convidados por um ranking único de cada federação continental.
Com o ranking, tudo agora é planejado. Não haverá mais a ansiedade e a incerteza, como muitos de nossos campeões vivenciaram, de não saber quem tem chances reais de estar na olimpíada, às vésperas do evento.
Desde o Grand Slam do Rio de Janeiro, todas as competições do Circuito Mundial de Judô, criado em 2009, passaram a valer pontos para quem busca uma vaga para Londres. A criação desse ranking gerou uma padronização do calendário internacional de judô. Muitas competições, que antes eram simples torneios abertos, ganharam o status de Masters, Grand Slam, Grand Prix e Copa do Mundo.
No total, são 26 eventos que estão reunindo os principais judocas do mundo todo, todos em busca das primeiras posições no ranking. Como incentivo extra, além dos pontos, os medalhistas também somam boas quantias em sua conta bancária. Os quatro Grand Slam da temporada distribuirão uma premiação de US$ 150 mil em cada etapa. Já para cada um dos cinco Grand Prix – Hamburgo, Dubai, Las Vegas, Roterdã e Pequim -, o prêmio é de US$ 100 mil.
Com o ranking e as novas regras, o judô passou a ser um esporte que pode ser “consumido” pela TV, o que populariza a modalidade e, principalmente, atrai patrocinadores, indispensáveis na hora de pagar a conta das dezenas de viagens internacionais, que se tornaram obrigatórias para quem quer somar pontos.
Ranking, ranking, ranking. Esse tem sido o pensamento mais frequente na cabeça de todos os integrantes da Seleção Brasileira de Judô. Em busca do sonho olímpico, nos próximos dias haverá judocas brasileiros espalhados pelos quatro cantos da terra, treinando em busca de aperfeiçoamento ou competindo, lutando, literalmente, por pontos que poderão carimbar seu passaporte para Londres, em 2012.
Até!
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