Publicado em 15/05/2012 às 17h14
A importância da família para o sucesso de um atleta
Talvez você não saiba, mas hoje, dia 15 de maio, é o Dia Internacional das Famílias. E família é algo sagrado. Todo mundo precisa de um porto seguro, de um lugar onde se refugiar quando tudo parece dar errado, e de pessoas que comemorem, com sinceridade total, as suas vitórias e conquistas.
Muito se fala sobre o que é necessário para o sucesso de um atleta, o que é mais importante na formação de um campeão e, na maioria das vezes, a lista é composta por talento, aptidão física, poder de superação, persistência, paciência para se desenvolver tecnicamente, ter um grande professor e pertencer a um centro esportivo que dê a ele condições de crescimento. Mas, mesmo tudo com isso, será difícil conquistar grandes resultados se o atleta não tiver uma base familiar que possibilite que ele enfrente os desafios e, principalmente, que se erga novamente e aprenda com as várias derrotas. Afinal, são as derrotas que nos fazem progredir e melhorar.
Felizmente, apesar de todas as dificuldades com patrocínio e dos inúmeros problemas de organização existentes na Confederação Brasileira de Judô na minha época de atleta, contei com um núcleo familiar excelente. Meu pai, minha mãe e minha irmã sempre ofereceram o equilíbrio emocional e todo apoio que eu e meu irmão, Ricardo, precisávamos para conquistar vitórias nos tatames.
Como diz o jargão de um comercial antigo, “não basta ser pai, tem que participar”. Não basta ter talento, para brilhar no esporte é fundamental ter parceiros na família.
Feliz Dia da Família!!!
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Publicado em 29/09/2010 às 12h53
Apoio na medida certa
Para se formar um profissional altamente qualificado para o mercado de trabalho, faz-se necessária uma estrutura ideal para o desenvolvimento correto da carreira, o que inclui o imprescindível apoio da família. Da mesma forma, o bom andamento da carreira de um atleta depende muito da participação e do incentivo dos pais. Ainda mais num esporte individual, como o judô, no qual a iniciação ocorre por volta dos seis anos de idade.
Desde pequeno, o judoca conta com os pais para levá-lo e buscá-lo dos treinos, para acompanhar as aulas, bancar as despesas das competições e demonstrar interesse pela sua atividade. Nos primeiros passos, todo mundo precisa de alguém que sinalize que aquilo que se está fazendo é importante.
O grande problema, no entanto, é encontrar os limites, a medida ideal para esse apoio. No próximo final de semana, dias 2 e 3 de outubro, equipes formadas por adolescentes brasileiros estarão no Panamá, disputando os Campeonatos Pan-Americano nas categorias Sub-13 e Sub-15. Longe de casa, fora do seu país - para muitos pela primeira vez -, esses judocas vão depender muito da segurança e da autoconfiança semeada pelos pais na vida deles.
Quando o esporte começa a tomar proporções maiores na vida desses jovens, os pais têm que estar atentos para não transformar a torcida em pressão e, principalmente, para não alterar seu comportamento em relação aos filhos de acordo com os resultados obtidos na disputa. Não são raros os casos em que os pais torcedores, motivados pela alegria da vitória, levam seus filhos para comemorar numa pizzaria, após a competição. E isso não tem nada de errado. A história se complica, quando o mesmo filho luta e perde. Nesse caso, ele volta para casa direto, sem festa nem folia, sem pizza nem que seja só para matar a fome. Os pais têm que considerar que as crianças são muito sensíveis a essas variações de comportamento. É preciso saber apoiar na medida certa.
Assim como eu, você, que acompanha o esporte, deve ter exemplos de pais que se movimentam de maneira desesperada nas arquibancadas durante as competições. O pior é que, para muitos, o desespero é comum tanto nas vitórias quanto nas derrotas. Atletas precisam de apoio, mas a torcida dos pais pode ser discreta.
E quem disse que pai de atleta tem que marcar presença em tudo, como mãe de miss? Muitas vezes, essa torcida pode ser à distância. Quando der para acompanhar ótimo, quando não for possível estar no local da disputa, não há motivo para crise. Um atleta profissional deve exercer suas atividades como um trabalho. E os profissionais das mais variadas áreas, com exceção de raríssimos casos, nunca contam com a presença dos pais nos seus momentos de conquista mais brilhantes.
E o que dizer das mães fundadoras das torcidas organizadas, que, sozinhas nas arquibancadas, acabam chamando mais a atenção do que seus filhos nas áreas de competição? Esse tipo de manifestação espalhafatosa acaba infantilizando o atleta, levando a uma falta de amadurecimento emocional e dificultando o fortalecimento da sua imagem como um profissional do esporte. E essa imagem enfraquecida acaba dificultando também a conquista de um patrocínio. Afinal, que empresa quer ter como garoto-propaganda o “filhinho da mamãezinha”?
Um bom exemplo de pais que apóiam na medida certa são os pais do medalhista olímpico Flávio Canto. Eles estão presentes a quase todas as competições, mas só os identifica quem já os conhece. E o resultado dessa torcida sem alarde o mundo inteiro já sabe.
Dar apoio à distância deixa espaço para que o atleta se desenvolva emocionalmente. As dificuldades existem em todas as atividades e só crescemos quando nos dispomos a enfrentá-las. Pais não podem, e não devem, se colocar entre os filhos e os desafios, servindo de escudo na tentativa de protegê-los. O caminho da vitória passa pelas dificuldades, pela solidão da derrota e pelas frustrações dos sonhos não realizados. Um campeão também é formado por muitos momentos de dor e os pais que querem ver seus filhos no degrau mais alto do pódio da vida têm que entender isso.
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Publicado em 09/08/2010 às 17h32
Família com judô no DNA
Ser esportista e ter na família alguém que fez sucesso no esporte pode ser um grande incentivo ou atuar com uma pressão insuportável. O excesso de cobranças e as comparações já aceleraram o final da carreira de muitos filhos de jogadores de futebol. Mas as exceções são muito comemoradas: no vôlei, o levantador Bruno segue a veia campeã do pai, o técnico Bernardinho, prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 84; e da atacante Vera Mossa. Nas pistas, Bruno Senna começa a trilhar o caminho do tio-herói, o tricampeão mundial Ayrton Senna. Da mesma maneira, os tatames do mundo vêm surgir uma grande promessa chamada Sophia Ishii Swain, uma jovem de apenas 15 anos, que acaba de conquistar o título do US Open, na categoria Sub-17.
Representante da terceira geração dos Ishii, uma família com judô no DNA, Sophia é filha da brasileira Tânia Ishii, campeã pan-americana, e do americano Mark Swain, campeão mundial e medalhista olímpico. O sobrenome Ishii é sinônimo de reverência no judô brasileiro e mundial. O patriarca da família, Chiaki Ishii, avô de Sophia, foi responsável pela conquista da nossa primeira medalha olímpica, bronze nos Jogos de Munique, em 1972. A família ainda conta com Vânia Ishii, campeã pan-americana e ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg.
Embora nunca tenha tido a chance de ver Sophia em ação, posso presumir que, se o judô for a sua opção de vida, ela terá um futuro brilhante. Minha aposta no alto nível técnico dessa jovem promessa se baseia no fato de que ela é filha de Tânia e Tânia, na minha visão, foi a judoca mais técnica que o judô feminino brasileiro já teve.
Vivendo e treinando na América, Sophia, em breve, terá que decidir que país representará nos Jogos Olímpicos: Brasil ou Estados Unidos. Não será uma escolha fácil. Mark Swain, pai de Sophia, entrou para a história por ser o primeiro judoca norte-americano a conquistar uma medalha de ouro num campeonato mundial, e representou os Estados Unidos em quatro olimpíadas. Vânia, a tia, e Tânia, a mãe, juntas, representaram o Brasil em três olimpíadas.
Mesmo que a escolha pareça óbvia, vale lembrar que os Ishii são uma família composta por cidadãos do mundo. Nascido no Japão, Chiaki Ishii adotou a nacionalidade brasileira para disputar grandes competições internacionais. Será que Sophia seguirá o exemplo do avô? Seria uma honra para o Brasil ser representado pela terceira geração dessa família campeã. A decisão está nas mãos de Sophia. Até lá, a dúvida fica no ar!
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