Publicado em 29/08/2011 às 14h48
Balanço do Mundial da França
O Brasil teve uma participação excelente no Mundial da França. Nas disputas individuais, marcamos um novo recorde de medalhas conquistadas na história da nossa seleção em mundiais, com cinco pódios.
Dos cinco medalhistas, quatro confirmaram a performance obtida em Tóquio, em 2010: Sarah Menezes, Mayra Aguiar, Leandro Cunha e Leandro Guilheiro. A eles se juntou a jovem Rafaela Silva, que teve uma atuação irrepreensível. Das cinco lutas que venceu, Rafaela conquistou quatro ippons e um wazari.
O Brasil vai se apresentar nos Jogos Olímpicos de Londres com um grande número de judocas entre os melhores do mundo e com autoconfiança elevada por eles serem medalhistas no último Campeonato Mundial antes da Olimpíada. Esse fator aumenta a expectativa de conquista de medalhas em Londres-2012.
Outro ponto a se comemorar é a medalha de prata do masculino no Campeonato Mundial por Equipes.
O resultado foi o mesmo do ano passado. Só que, dessa vez, o título foi conquistado por um placar de 3 x 2 contra a França, numa luta final emocionante entre o pentacampeão mundial Teddy Riner e Rafael Silva, decidida, por penalidade, no golden score. Além do favoritismo do supercampeão francês, Rafael enfrentou toda a pressão da torcida local, apaixonada por judô, e teve uma atuação excelente.
Na França, o Brasil apresentou uma evolução em relação à conquista de medalhas. Parabéns aos nossos atletas, à Comissão Técnica e à direção da Confederação Brasileira de Judô!
As medalhas conquistadas nos Mundiais de 2010 e 2011 têm uma importância muito grande pelo fato de as disputas terem acontecido no Japão e na França, países onde o judô é mais evoluído. Tudo isso valoriza ainda mais essas conquistas.
Essa foi a primeira vez que o Brasil trouxe mais medalhas no feminino do que no masculino o que faz com que, em Londres, as expectativas sejam maiores em relação ao feminino do que ao masculino.
Há que se destacar o crescimento rápido da seleção feminina nos últimos cinco anos. O grande questionamento, entretanto, continua sendo a necessidade de renovação no masculino, que precisa repor com maior qualidade as suas “peças”.
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Publicado em 20/04/2011 às 06h00
Valeu, Joaquim Cruz!
A caminho da realização dos Jogos Olímpicos de 2016, muito se tem discutido no Brasil sobre construção de áreas esportivas, infra-estrutura para o evento e, principalmente, conquista de medalhas. Tem-se gastado tempo demais com esses temas, quando a discussão mais importante deveria girar em torno da prática esportiva nas escolas. A reflexão sobre uma mudança nas bases da educação nacional tem sido deixada de lado. O trabalho conjunto do Ministério do Esporte e das Secretarias de Educação em torno dessa questão deveria ser a grande discussão.
Muito mais importante do que a conquista de medalhas e a formação de novos heróis nacionais, a prática esportiva tem a ver com a formação do povo. Escola é lugar de formação, formação não apenas de futuros profissionais, mas de cidadãos. Infelizmente, hoje em dia, as escolas brasileiras têm sido palco de atos de violência e até de grandes tragédias, como a de Realengo. O bulliyng é uma cruel realidade... Claro que a prática desportiva, por si só, não tem poder para impedir esse tipo de ação, mas ao incutir em jovens e crianças princípios como a disciplina, o respeito ao próximo e a importância do trabalho em equipe, o esporte pode restringir alguns desses riscos.
Quero parabenizar o campeão olímpico de Los Angeles 1984 e medalha de prata, em Seul 88, Joaquim Cruz, pela excelente entrevista publicada nas Páginas Amarelas da revista Veja, há algumas semanas. Cruz, além de ter sido um grande desportista, é um dos atletas mais educados e elegantes que o esporte brasileiro já teve.
Extremamente correto, ele levantou a questão da importância da prática desportiva nas escolas como item de grande relevância para a formação do cidadão e não apenas de medalhistas olímpicos. Li e concordei com as proposições dele naquela maravilhosa entrevista. Jogos Olímpicos têm que deixar um legado para a nação e não apenas em número de medalhas conquistadas, mas no incentivo à prática de esportes e à formação de cidadãos melhores, podendo até figurar entre eles futuros campeões.
Valeu, Joaquim Cruz!
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Publicado em 24/03/2011 às 17h19
Um sonho de vitória em Vitória
Fazer parte da Seleção Brasileira é o sonho e o objetivo de todo atleta, em qualquer modalidade olímpica. E é em busca desse sonho, que 45 dos melhores judocas do país estarão, neste sábado, em Vitória, no Espírito Santo, onde será realizada a Seletiva Final para a formação da Equipe Nacional Permanente de 2011.
Embora os titulares já tenham sido definidos pelo ranking mundial e olímpico da Federação Internacional de Judô, onde hoje figuram brasileiros entre os melhores do mundo em cada uma das 14 categorias de peso, a Seletiva vai apontar os reservas imediatos. O segundo melhor de cada peso terá a oportunidade de disputar torneios do circuito mundial de judô bancados pela CBJ. Já o terceiro e o quarto poderão participar do Grand Slam do Rio de Janeiro e da Copa do Mundo de São Paulo, as mais importantes competições internacionais a serem realizadas em solo brasileiro nesse ano.
Em algumas categorias o primeiro e o segundo da vaga já estão definidos pelo ranking mundial. Esse é o caso da ligeiro feminina, que tem Sarah Menezes e Taciana Lima. No masculino, o mesmo acontece na meio-médio, onde Leandro Guilheiro é o segundo melhor do ranking mundial e Flávio Canto ocupa a oitava colocação; na médio, com Hugo Pessanha (7º) e Tiago Camilo (8º); na meio-pesado, com Luciano Correa (9º) e Leonardo Leite (18º); e na pesado, que tem Daniel Hernandes (13º) e Rafael Silva (15º), ocupando as duas primeiras vagas da Seleção.
Embora ser o primeiro reserva, à primeira vista, não pareça algo muito importante, essa é uma posição estratégica. Em Pequim 2008, depois do início dos Jogos Olímpicos, a meio-leve Érika Miranda se contundiu, dando condição para que a santista Andressa Fernandes embarcasse às pressas para a China para realizar o sonho de participar de uma Olimpíada. Mas o caso de maior destaque aconteceu nos Jogos de Sydney, em 2000, quando Carlos Honorato, reserva de Edelmar Branco Zanol, na categoria médio, foi para a Austrália em seu lugar e voltou como vice-campeão olímpico.
Essa Seletiva final promete grandes emoções. Lá estarão, entre outros grandes nomes, o leve João Derly, bicampeão mundial na categoria meio-leve, que volta aos tatames após um ano de afastamento em virtude de duas cirurgias no joelho, e a leve Ketleyn Quadros, a primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica no judô.
Estamos entrando na reta final para a definição dos atletas que vão representar o Brasil nos Jogos Pan-Americanos desse ano e na Olimpíada de Londres, em 2012. A Seletiva é uma competição importante e, com certeza, vai apresentar grandes disputas. É por isso que eu fiz questão de estar lá, conferindo tudo ao vivo para contar pra você, no próximo sábado.
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Publicado em 08/02/2011 às 17h28
Competições decisivas na Europa
O circuito de competições internacionais de 2011 já começou. E nós começamos bem. No Grand Slam de Paris, disputado no último final de semana, garantimos uma medalha de prata, com Tiago Camilo; e duas de bronze, com Mayra Aguiar e Sarah Menezes. Fomos representados por sete atletas e trouxemos três medalhas mais um quinto lugar, o que pode ser avaliado como um aproveitamento muito bom.
A partir de agora, o processo classificatório para os Jogos Olímpicos e a briga por pontos no ranking mundial entram num momento importantíssimo, e o Brasil está numa condição bem confortável. Se a Olimpíada fosse hoje, teríamos representantes em todas as sete categorias no masculino. No feminino, só ficaríamos fora da briga na médio, onde a brasileira melhor classificada, Maria Portela, é a 33ª. Classificam-se os 22 melhores no masculino e as 14 primeiras no feminino.
Em algumas categorias, como a meio-médio, a médio, meio-pesado e a pesado, temos mais de um atleta ranqueado entre os 22 melhores do mundo. Mas apenas um em cada categoria poderá representar o país em Londres 2012.
As disputas internas em cada peso são uma atração à parte. Na meio-médio, a briga é entre Leandro Guilheiro, segundo no ranking da FIJ, Flávio Canto, que é o sétimo, e Nacif Elias, 20º colocado. Na médio, o Brasil poderá ser representado por Hugo Pessanha, sétimo, ou Tiago Camilo, oitavo, isso sem contarem os pontos conquistados no Grand Slam de Paris. Luciano Correa, sétimo, e Leonardo Leite, 19º, são os melhores brasileiros no ranking da meio-pesado. E mais três grandes nomes brigam, com vantagem, pela vaga na peso pesado: Daniel Hernandes, décimo terceiro, Rafael Silva, décimo nono, e Walter Santos, que, com os descartes de atletas do mesmo país, fica com a décima nona colocação.
A lista dos brasileiros que iriam a Londres, se a Olimpíada fosse hoje, também inclui Felipe Kitadai (22º), Leandro Cunha (10º) e Bruno Mendonça (17º). No feminino, as melhores no ranking são Sarah Menezes (5º lugar, na ligeiro), Erika Miranda (10º lugar, na meio-leve), Mariana Silva (14º, na meio-médio), Mayra Aguiar (9º, na meio-pesado) e Maria Suelen Atlheman (14º lugar, entre as peso pesados). Salientando Mariana Silva e Maria Suelen conquistariam a vaga, graças aos descartes de atletas do mesmo país, que estão acima no ranking.
Para os judocas do mundo inteiro, continuar conquistando pontos e melhorar cada vez mais a posição no ranking é importante não apenas para garantir a vaga nos jogos Olímpicos, mas também para ter uma situação mais confortável na disputa olímpica, já que os cabeças-de-chave serão também definidos pelo ranking da FIJ. Saindo em vantagem no sorteio das chaves dos Jogos, nossos atletas terão melhores condições de trazer medalhas.
A luta por medalhas e pontos continua nos próximos finais de semana, na Europa, com as disputadas das Copas do Mundo de Budapeste, para o masculino; Viena e Praga, no feminino; e do Grand Prix de Dusseldorf . Além de Luciano Correa e Erika Miranda, que lutaram em Paris, o Brasil será representado por Taciana Lima, Andressa Fernandes, Rafaela Silva, Ketleyn Quadros, Mariana Silva, Camila Minakawa, Maria Portela, Maria Suelen Altheman, Felipe Kitadai, Breno Alves, Alex Pombo, Victor Penalber, Nacif Elias, Leonardo Leite, Rafael Silva e David Moura.
O sonho do pódio olímpico está em jogo em cada luta. Os brasileiros contam com a nossa torcida.
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Publicado em 08/09/2010 às 15h04
Brasileiros na luta pelo pódio mundial
Na madrugada de hoje, os sonhos dos 17 judocas que representarão o Brasil no Campeonato Mundial, em Tóquio, no Japão, começa a se tornar real.
Num Mundial como esse, que promete ser o maior de todos os tempos, com 848 judocas representando 111 países, uma boa performance envolve vários aspectos.
Primeiro, o lugar mais alto do pódio, além do título, também significa pontos preciosos para o ranking olímpico da Federação Internacional de Judô, que vai definir as vagas para os Jogos Olímpicos de Londres-2012. E disputar uma Olimpíada é o sonho maior de todo atleta.
Em segundo lugar, a conquista de qualquer medalha é importante, não só para o atleta, mas também para o país. Nossa tradição foi iniciada por Chiaki Ishii, em 1971, com um bronze na Alemanha.
Em seguida, vieram os bronzes de Walter Carmona, em 1979, e Aurélio Miguel, em 1987. Em 1993, em Hamilton, no Canadá, Aurélio conquistou nossa primeira medalha de prata e eu entrei para a galeria de medalhistas mundiais com um bronze. Em 29 anos, somamos 19 pódios em Mundiais Sênior. Foram medalhas quatro de ouro, duas de prata e 13 de bronze.
Para as meninas, o desafio é ainda maior. Em toda a história, apenas Danielle Zangrando, a pioneira, com um bronze, em 1993, coincidentemente, em Tóquio; e Edninaci Silva, com os bronzes de 1997 e 2003, conquistaram medalhas.
Nossa galeria de campeãs conta também com Kertlyn Quadros, a primeira a subir ao pódio em uma Olimpíada. Por isso, qualquer das nossas judocas que conseguir uma medalha nesse Mundial de Tóquio será alçada ao nível das outras três que integram a galeria de campeãs.
Desde 2007, não conquistamos uma medalha de ouro em Mundiais e esse é outro objetivo a ser alcançado, agora, no Japão. Nossas chances são as melhores. A Seleção Brasileira conta com o apoio de uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicólogo, médico, fisioterapeuta e preparador físico e até uma equipe de estrategistas, além dos técnicos.
Todos os nossos adversários já foram filmados e estudados, e isso nos coloca em pé de igualdade com os principais adversários. Embora toda a equipe tenha boas chances, Leandro Guilheiro continua sendo o nosso principal atleta.
Tiago Camilo voltou a ter boas performances. Nos últimos confrontos, ele se mostrou focado. Na semifinal da Copa do Mundo por equipes, em Salvador, por exemplo, Tiago venceu, por wazari, o sul-coreano Kyu-Won Lee, atual campeão mundial da categoria. A dúvida fica por conta da recuperação da lesão no pé esquerdo, sofrida por ele, há menos de 15 dias...
Outros judocas, como Hugo Pessanha e Bruno Mendonça, obtiveram excelentes resultados nas competições que antecederam esse Campeonato Mundial e podem voltar ao Brasil como medalhistas.
Fica a expectativa!
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