Publicado em 29/03/2012 às 06h00
O legado da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil
Todo atleta de alto nível tem que ter um compromisso sério com o País que representa. Enquanto compete, o maior objetivo é ver a bandeira do seu País tremulando no lugar mais alto do pódio em competições internacionais.
Depois da aposentadoria, além de transmitir seus conhecimentos e experiências com o objetivo de colaborar para a formação de outros atletas campeões, a notoriedade e o respeito conquistados dentro das áreas de competição podem e devem ser utilizados em prol das causas sociais.
Nesse sentido, eu tenho tentado fazer a minha parte. Além de desenvolver um projeto educacional com mil crianças na Baixada Santista – o Projeto Judô – Educando Para a Vida; e colaborar para a formação e aperfeiçoamento de judocas de alto nível na Associação que leva o meu nome, em Santos, há alguns anos integro a ONG Atletas Pela Cidadania.
A Atletas é uma organização sem fins lucrativos que reúne, em uma iniciativa inédita no mundo, atletas e ex-atletas de diferentes gerações e modalidades esportivas para chamar a atenção, sensibilizar, conscientizar e mobilizar a sociedade no apoio a causas importantes para Brasil. Saiba mais aqui.
Ontem dediquei meu dia a esse causa!
Em reunião com os secretários municipais de Educação, Esporte e Saúde das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, ex-atletas como Raí, Lars Grael, Magic Paula, Hortência, Ana Moser, Luisa Parente, Vanessa Menga, Patrícia Medrado e Pipoka, além de mim, discutimos qual será o legado social dos grandes eventos que o Brasil vai sediar nos próximos anos.
O País não pode perder a oportunidade de aproveitar a mobilização em torno da Copa do Mundo e da Olimpíada para incentivar a prática de Educação Física nas escolas. Na minha opinião, Educação Física deveria ser disciplina obrigatória.
Pesquisas da ONU revelam que o esporte é parte integrante do bem-estar dos indivíduos de uma sociedade, e que eventos do porte da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos podem transformar para melhor a estrutura esportiva do país-sede.
O esporte pode e deve ser usado como instrumento de educação, lazer, cultura e transformação pessoal. A ONG Atletas Pela Cidadania defende a criação de um sistema nacional do esporte, que beneficiaria a população como um todo, das crianças em idade escolar aos atletas de alto rendimento.
Meu sonho é ver muitos brasileiros campeões, não só na Copa e na Olimpíada, mas na vida, e o esporte é um dos caminhos para isso.
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Publicado em 27/06/2011 às 15h57
Brasil na etapa paulista da Copa do Mundo de Judô
Ao todo foram 17 medalhas brasileiras durante os dois dias do evento e o primeiro lugar na competição. A boa colocação vai ajudar na busca por vagas nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Veja todos os resultados no vídeo, além da minha avaliação.
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Publicado em 23/06/2010 às 12h36
Qual o verdadeiro papel do técnico?
Nos últimos anos, a valorização do técnico – em todas as modalidades esportivas – foi muito importante para que tivéssemos pessoas do mais alto nível trabalhando com atletas que sempre tiveram potencial diferenciado. Mas, na vida é importante ter equilíbrio em tudo.
Em alguns momentos, essa valorização foi além do esperado e a auto-valorização do técnico transformou-se em supervalorização diante da responsabilidade da obtenção de bons resultados.
Hoje, muitos técnicos viraram astros. Na Copa do Mundo da África do Sul, assistimos a um Maradona recebendo mais atenção por parte da mídia do que os jogadores argentinos; o Dunga, muitas vezes, mais parece um estadista em seus pronunciamentos aos jornalistas. Qual é o verdadeiro valor do técnico, já que o astro do esporte é o atleta?
No judô, temos visto técnicos dando show à beira do tatame, tentando atrair maior atenção por parte da imprensa, mostrando que a sua participação é maior do que normal, para que, muitas vezes, a vitória do atleta seja creditada a ele.
Por outro lado, quando o judoca perde, em vez de estar junto, apoiando, o técnico superstar o repreende severamente, diante do público e das câmeras, dando um verdadeiro show de broncas, como se vitória e derrota não fizessem parte do jogo.
Nenhum atleta erra porque quer. E, no judô, muitas vezes o adversário o induz ao erro. Seja qual for o motivo da derrota, o certo é que as falhas existem e é lamentável que o técnico não seja compreensivo e parceiro numa situação como essa.
Também não são raras as ocasiões em que o técnico apresenta trejeitos de torcedor. O atleta, que já está ansioso e carregando nos ombros uma baita responsabilidade de vencer, ao olhar para fora da área de competição, em busca do treinador, tem que receber uma informação que o ajude a decidir a competição e não a manifestação de um torcedor.
Gritos desesperados e gestos nervosos por parte do técnico só servem para deixar o atleta mais intraquilo. Pior ainda é quando o técnico perde a noção das regras básicas de boa convivência e deixa transparecer uma total falta de educação. Ultrapassando a situação de torcedor, muitos xingam o adversário sem nenhum cerimônia.
No jogo do Brasil contra a Costa de Marfim, o mundo todo viu o Dunga xingando os jogadores adversários, que realmente foram duros demais, para dizer o mínimo, em suas entradas. Horas mais tarde, o mesmo Dunga foi flagrado resmungando palavras irreproduzíveis durante a entrevista coletiva.
Ora, Dunga, muito mais do que um técnico, é um ex-atleta vencedor, um campeão do mundo, um capitão que já levantou a taça. Esperava-se dele palavras e atitudes mais respeitosas e refinadas.
Por mais que tenha havido situações adversas, erros de arbitragem, deslealdade do adversário ou pressão por parte da imprensa, xingamentos e palavrões são inadmissíveis a alguém cuja função é traçar estratégias e promover um clima de equilíbrio emocional na luta pela vitória.
O papel do técnico é orientar, não punir nem torcer e, muito menos, xingar.
Até!
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Publicado em 30/05/2010 às 21h15
Músculos, técnica e coração
Em competições de alto nível, como o Grand Slam e a Copa do Mundo, o foco dos atletas e espectadores fica centrado nas performances no tatame. Uma preparação física adequada e técnica apurada são indispensáveis para alcançar o objetivo: vencer e subir no degrau mais alto do pódio.
Nesse final de semana, o judô brasileiro viveu situações que demonstram, claramente, o alto nível emocional de alguns dos nossos atletas. Foram os casos de Luciano Correa, que conseguiu virar vários resultados contrários, mesmo lutando com adversários que estão entre os melhores do ranking mundial; e Leandro Guilheiro, que venceu todas as suas lutas por ippon, revelando forma física, técnica e emocional diferenciada.
Mas antes, depois e, em alguns casos, até durante as disputas dos dois últimos finais de semana, ficou evidente que muitos judocas não têm o preparo emocional adequado para fazer uma luta mais equilibrada ou mesmo para elaborar uma boa estratégia para vencer.
No sábado, fiquei impressionado ao ver alguns atletas saírem chorando da área de competição, tristes com a derrota ou emocionados com a vitória. É natural que o esportista se emocione. Afinal, muitos alcançaram, nessa Copa do Mundo, sua primeira conquista internacional. Num momento como esse, o pensamento voa e o atleta se emociona ao lembrar dos sacrifícios que fez para chegar ao pódio, do apoio da família, enfim, da sua história. Lembra-se de quanto choro foi flagrado pelas câmeras de TV durante os Jogos Olímpicos de Pequim? Eu mesmo me emocionei muito ao conquistar o ouro olímpico em Barcelona. Esse filminho também passou na minha cabeça. Eu me emocionei, sim, mas não chorei, não cai em lágrimas.
Esporte e emoção andam juntos. Porém, o que preocupa é que, muitas vezes, esse choro revela a pressão emocional a que o atleta estava sendo submetido. Algumas vezes uma pressão imposta por ele mesmo. Todo esportista tem que ter em mente que, quando se entra numa competição, tanto a vitória fazem parte do jogo. A vitória é motivo de alegria e comemoração, assim como a derrota deve ser seguida pela análise e correção dos erros.
Atletas despreparados emocionalmente podem ser derrotados mesmo quando têm todas as condições físicas e técnicas de ganhar. Vamos sediar a Olimpíada de 2016 e essa é a hora de traçar estratégias para uma preparação emocional de alto nível para os nossos atletas, em todas as modalidades. Um campeão precisa ser capacitado física, técnica e também emocionalmente.
Até!
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Publicado em 30/05/2010 às 15h03
Saudades dos japoneses
A Copa do Mundo está sendo um grande espetáculo. As regras mudaram para que o judô se tornasse tecnicamente superior e plasticamente mais bonito. O judô bonito de se ver é aquele em que os atletas sempre buscam o ippon.
Assisti a boas lutas no primeiro dia de competição. Mas numa série de dois eventos como essa, quando tivemos o privilégio de ver os atletas japoneses em ação apenas no primeiro, não tem como não sentir saudades deles.
Os japoneses têm como característica buscar o ippon com determinação. Por isso, fizeram tanta falta. A Copa do Mundo de São Paulo reuniu atletas de primeira linha, o nível da competição está sendo altíssimo, mas o número de atletas que buscam o ippon é pequeno.
Resta-nos agora a expectativa de ver esse estilo de judô tão valorizado pelos japonese nas lutas dos brasileiros Leandro Guilheiro e Tiago Camilo. O público paulista merece esse grande espetáculo.
Até!
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