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Mantida a tradição campeã do nosso judô

E o nosso judô conquistou mais uma medalha olímpica para a sua galeria. No último domingo, na primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura, a jovem Flávia Gomes fez bonito e entrou para a história do esporte nacional ao garantir a medalha de prata na categoria até 63 kg.

Como muitos dos nossos campeões, apesar da pouca idade, apenas 16 anos, Flávia traz em seu histórico lutas também fora do tatame. Em entrevistas à imprensa, o pai da judoca relatou as dificuldades que a família enfrentou, até bem pouco tempo, para bancar viagens e competições. Segundo ele, além da contribuição de toda a família, Flávia chegou até a vender rifas para levantar recursos. Infelizmente, histórias como as dela são frequentes na galeria dos campeões do judô brasileiro. Eu mesmo conquistei  o ouro olímpico em Barcelona usando um quimono emprestado...

Apesar da falta de recursos, Flávia vem colecionando conquistas. Campeã mundial Cadete (Sub-17), na categoria – 57kg, no ano passado, na Hungria, a brasileira garantiu o bronze no Campeonato Europeu Sub-20, na República Tcheca, pouco antes de embarcar para os Jogos Olímpicos da Juventude.

flavia Mantida a tradição campeã do nosso judô

Divulgação/CBJ

Na preparação para o pódio de Cingapura, Flávia Gomes teve também de ganhar peso para competir na categoria -63 kg, já que a sua categoria não constava da disputa dos Jogos. No dia da competição, a brasileira venceu suas duas primeiras lutas por ippon e só perdeu a final, no último minuto, para a campeã mundial da categoria.

Embora tenha chorado de tristeza ao final da luta, nossa campeã já deve ter percebido que a prata foi uma grande conquista, não só para a sua carreira, mas também para o judô brasileiro que, mesmo com apenas dois participantes, voltou de Cingapura com uma medalha.

O bom desempenho de Flávia aumenta ainda mais nossas esperanças quanto à performance do nosso judô nos Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil, quando ela terá chances de brilhar entre os melhores do mundo na categoria sênior. Apesar do entusiasmo, vale lembrar que nessa idade, 16 anos, o atleta ainda está em fase de formação física e técnica. Portanto, é preciso ter cuidado para não transformar essa conquista numa pressão na carreira da nossa vice-campeã olímpica.

Resta-nos torcer para que a judoca brasileira que brilhou nos Jogos Olímpicos da Juventude tenha a mesma iluminação que tiveram outros grandes nomes do judô nacional e se torne, num futuro bem próximo, uma campeã olímpica.

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Bruno Mendonça: fique atento a esse nome!

Imagine a ansiedade de um atleta que disputa uma seletiva para a formação da Seleção Brasileira, brigando pela vaga na categoria leve (- 73 kg), que até bem pouco tempo tinha como titular ninguém menos do que o duas vezes medalhista olímpico Leandro Guilheiro? Que Tb era de santos

Para complicar ainda mais a situação do jovem judoca, até então pouquíssimo conhecido, ele entrou na luta sabendo que todo o favoritismo pertencia ao adversário, no caso o respeitadíssimo bicampeão mundial  João Derly.

Assim como o futebol, o judô, às vezes, também é uma caixinha de surpresas. Durante o combate entre o favorito e o desconhecido, João Derly sofreu uma séria contusão no joelho e, diante da impossibilidade do adversário em continuar na competição, o guerreiro Bruno Mendonça pode ver realizado o seu sonho de integrar a Seleção Brasileira de Judô.

Santista, 25 anos, Bruno tem provado, ao longo das competições, que a sua classificação entre os melhores judocas do Brasil não foi obra do acaso. Desde o início deste ano, essa grata surpresa da equipe nacional vem colecionando conquistas. Foi bronze nos Jogos Sul-Americanos da Colômbia, bronze no Campeonato Pan-Americano de El Salvador, campeão da Copa do Mundo de São Paulo e bronze no Grand Slam de Moscou.

bruno mendonça blog Bruno Mendonça: fique atento a esse nome!

Ocupando a 66ª posição no ranking mundial e olímpico da Federação Internacional de Judô, que definirá as vagas para os Jogos Olímpicos de Londres-2012, no início da temporada, Bruno Mendonça, que, só para registrar, é um dos atletas da Associação de Judô Rogério Sampaio/Telefônica, em Santos, e integra o Projeto Judô em Ação, coordenado por mim, foi galgando posições e agora é o 19º melhor judoca da categoria leve no mundo.

Todas essas performances garantiram a ele uma vaga na equipe brasileira que disputará o Campeonato Mundial de Tóquio, de 9 a 13 de setembro próximo.  Determinado, Bruno tem levado os treinamentos muito a sério. E embora ele não tenha o hábito comemorar nenhum outro resultado a não ser o primeiro lugar, não vou me surpreender se Bruno voltar do Japão com uma medalha no peito. E comemorando muito. Bronze e prata também valem.

Um dia eu também já fui o judoca desconhecido e trouxe um título olímpico de Barcelona, em 92, e o bronze do Mundial do Canadá, em 93. Coincidência ou não, naquele Mundial, eu também lutei na categoria leve. Bruno Mendonça é santista como eu. Espero que as coincidências não terminem por ai.

Guarde esse nome!

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Mais um desafio para a tradição campeã do judô brasileiro

Começa nessa sábado, em Cingapura, a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude. Destinada a atletas com idades entre 14 e 18 anos, a competição deverá reunir 3.600 jovens atletas representando 205 países. A delegação brasileira conta com 81 integrantes, sendo apenas dois judocas.

De olho nos Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem, e sonhando em fazer bonito, em casa, na Olimpíada de 2016, Matheus Machado e Flávia Gomes, apesar da pouca idade, entrarão no tatame, no próximo dia 21, carregando sobre os ombros a responsabilidade de manter a tradição do judô brasileiro, reconhecido mundialmente pela conquista de medalhas em grandes eventos internacionais.

Depois de conquistar o ouro no Campeonato Mundial Cadete (Sub-17), em Budapeste, em 2009, e de trazer o bronze do campeonato Europeu Sub-20, esse ano, Flávia Gomes desponta como uma das grandes promessas do judô brasileiro. Já a trajetória do seu companheiro de equipe, Matheus Machado, até os Jogos, me faz lembrar a saga da brasileira Andressa Fernandes, que conquistou o direito de disputar os Jogos Olímpicos de Pequim, às vésperas da competição. De maneira semelhante, Matheus foi convocado essa semana para substituir Henrique Silva, lesionado durante os treinamentos, em Dubai, onde o Brasil realizou sua aclimatação.

Judô Mais um desafio para a tradição campeã do judô brasileiro

Foto: Gettty Images

Além da correria para o embarque, Matheus enfrentará um novo desafio em Cingapura: estrear na categoria -66 kg. Atleta do Instituto Reação no Rio de Janeiro, ONG criada pelo medalhista olímpico Flávio Canto, Matheus Machado traz em seu currículo o vice-campeonato mundial Sub-17, conquistado em 2009.

Jovens e com um judô de alto nível técnico, Flávia e Matheus já são vencedores por terem conseguido chegar a essa edição histórica dos Jogos Olímpicos da Juventude. Antes, durante e depois da luta, eles precisam ter em mente que a tradição campeã do judô brasileiro foi conquista ao longo de muitos anos e que eles não precisam se sentir pressionados por essa tradição. Livres de pressões, independentemente do resultado que conquistarem em Cingapura, esse dois jovens já entraram para a história do esporte brasileiro e ainda terão muito tempo para continuar lutando por medalhas e colocando o nome do Brasil no pódio do judô mundial.

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