Publicado em 21/09/2010 às 16h53
Campeões são feitos nos clubes
Qual é a importância do clube na formação de um judoca campeão? No Mundial do Japão podemos constatar o desenvolvimento dos atletas brasileiros. Na minha opinião, esse foi o nosso melhor resultado num Campeonato Mundial.
Não, não me esqueci de que, em 2007, foram três medalhas de ouro e uma de bronze. Só que, em 2007, a competição foi no Rio de Janeiro, e, apesar de os medalhistas olímpicos Tiago Camilo e João Derli, assim como Luciano Correa, que conquistaram ouro, serem atletas de altíssimo nível, em condições de subir ao degrau mais alto do pódio em qualquer lugar do mundo, não podemos negar que a participação da torcida foi muito importante para a conquista dos três títulos e da medalha de bronze de João Gabriel Schilliter, naquela época. Lutar em casa, com o apoio da torcida tem um fator psicológico forte para o bom desempenho de qualquer atleta.
Dessa vez, as condições extra-campo não eram tão favoráveis. Mesmo competindo no Japão, a Meca do judô mundial, contando apenas com a torcida uns dos outros, nossos judocas chegaram a três finais e o ouro só não veio por detalhe.
Os bons resultados do Mundial de Tóquio são fruto da excelente estrutura que a CBJ tem proporcionado aos atletas da seleção, que têm à sua disposição o trabalho de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais que desenvolvem testes físicos, avaliações médicas e nutricionais, filmam as lutas dos adversários e desenvolvem estratégias específicas para cada luta.
A CBJ conta com um grupo muito unido. Mas toda essa estrutura que possibilita um treinamento mais produtivo está à disposição de muitos dos judocas da seleção também nos clubes, onde os atletas passam a maior parte do ano.
A custo de muito esforço, muitos clubes mantêm equipes multidisciplinares semelhantes à da CBJ e esse profissionalismo dos clubes garante uma boa base para os judocas durante toda a temporada e não somente quando estão servindo à equipe nacional. Os clubes também têm técnicos que se desenvolveram bastante nos últimos anos. E bons técnicos são fundamentais para que o potencial de grandes atletas se reverta em resultados.
A importância da estrutura dos clubes poderá ser vista, nesta sexta-feira, quando será realizado o qualifying para o Grand Prix Nacional, em Porto Alegre. As duas equipes classificadas no feminino se juntarão às seis outras que já fazem parte das maiores do judô brasileiro na disputa do GP, nos dias 9 e 10 de outubro, também em Porto Alegre.
No masculino também se classificarão duas. No total, serão 12 equipes que competirão em duas etapas: a primeira em Salvador e a final em São Paulo.
O GP Nacional é um evento importantíssimo que colocará à prova toda essa estrutura dos clubes. É também uma grande oportunidade para que os patrocinadores possam aparecer, já que o evento terá transmissão da TV e cobertura dos jornais. Para o público será a chance de ver em ação os maiores nomes do judô brasileiro.
Toda a estrutura de atendimento ao atleta e o calendário bem feito fazem com que os resultados internacionais acabem aparecendo. Espero que a CBJ continue desenvolvendo a sua estrutura, mas sempre dando a atenção devida aos clubes porque é neles que os atletas são feitos.
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Publicado em 16/06/2010 às 20h18
Ranking olímpico: uma evolução no judô mundial
Para quem, como eu, competiu numa época onde a definição das vagas para as principais competições internacionais, como Jogos Olímpicos e o Campeonato Mundial, era baseada muito mais em critérios políticos do que no nível técnico e nos resultados conquistados pelos atletas, ver a criação de um ranking mundial e olímpico parece um sonho.
Nos anos 90, eu e todo o chamado Grupo do Aurélio lutamos e sofremos muitas represálias para que houvesse uma seletiva nacional para definir as equipes brasileiras. Hoje a seletiva é realidade, vivemos tempos muito melhores. Mas continuamos querendo mais. Ainda sonhamos com uma padronização do calendário nacional e a criação do ranking nacional.
A seleção dos judocas olímpicos em Londres 2012 será composta pelos 252 primeiros do ranking geral, sendo 22 homens e 14 mulheres em cada uma das categorias; além de 14 representantes da Inglaterra, o país sede, mais 20 convidados pela Federação Internacional de Judô e outros cem atletas convidados por um ranking único de cada federação continental.
Com o ranking, tudo agora é planejado. Não haverá mais a ansiedade e a incerteza, como muitos de nossos campeões vivenciaram, de não saber quem tem chances reais de estar na olimpíada, às vésperas do evento.
Desde o Grand Slam do Rio de Janeiro, todas as competições do Circuito Mundial de Judô, criado em 2009, passaram a valer pontos para quem busca uma vaga para Londres. A criação desse ranking gerou uma padronização do calendário internacional de judô. Muitas competições, que antes eram simples torneios abertos, ganharam o status de Masters, Grand Slam, Grand Prix e Copa do Mundo.
No total, são 26 eventos que estão reunindo os principais judocas do mundo todo, todos em busca das primeiras posições no ranking. Como incentivo extra, além dos pontos, os medalhistas também somam boas quantias em sua conta bancária. Os quatro Grand Slam da temporada distribuirão uma premiação de US$ 150 mil em cada etapa. Já para cada um dos cinco Grand Prix – Hamburgo, Dubai, Las Vegas, Roterdã e Pequim -, o prêmio é de US$ 100 mil.
Com o ranking e as novas regras, o judô passou a ser um esporte que pode ser “consumido” pela TV, o que populariza a modalidade e, principalmente, atrai patrocinadores, indispensáveis na hora de pagar a conta das dezenas de viagens internacionais, que se tornaram obrigatórias para quem quer somar pontos.
Ranking, ranking, ranking. Esse tem sido o pensamento mais frequente na cabeça de todos os integrantes da Seleção Brasileira de Judô. Em busca do sonho olímpico, nos próximos dias haverá judocas brasileiros espalhados pelos quatro cantos da terra, treinando em busca de aperfeiçoamento ou competindo, lutando, literalmente, por pontos que poderão carimbar seu passaporte para Londres, em 2012.
Até!
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