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Judô do Brasil teve seu melhor dia no Pan

Vinte e oito de outubro é o Dia do Judô, dia escolhido por ser a data de nascimento de Jigoro Kano. Coincidentemente ou não, os brasileiros apresentaram sua melhor atuação nesses Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, comemorando a data em alto estilo. Num só dia foram duas medalhas de ouro e uma de prata.

Leandro Cunha, o Coxinha, e Bruno Mendonça estiveram muito bem, venceram quase todas as suas lutas por ippon e fizeram com que o Brasil igualasse sua melhor atuação em Pan, com cinco medalhas de ouro, mesma marca alcançada nos Pans de Indianápolis, em 1987, e de Santo Domingo, em 2003.

Katherine Campos mostrou que ainda precisa de uma maior experiência para poder lutar e vencer numa competição de alto nível como o Pan. Depois de vencer a sua primeira luta, ela foi superada pela mexicana Paloma Karina Acosta, que contava com todo o apoio da torcida, por punições. Na disputa do bronze a falta de experiência também contou muito. Mas um quinto lugar em Jogos Pan-Americanos não pode ser menosprezado.

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Katherine lutando em Guadalajara

Talvez a maior revelação do judô brasileiro nos últimos tempos, Rafaela Silva fez uma excelente competição. Venceu a primeira luta, por ippon, e a semifinal com um yuko e um wazari, superando bem as suas adversárias.

Na final contra a experiente cubana Yurisleidys Lupetey, os 19 anos da brasileira pesaram contra. Lupetey é medalhista olímpica, já foi campeã do mundo, campeã dos Jogos Pan-Americanos, já ganhou tudo o que um judoca almeja ganhar. A fase de Rafaela é melhor, mas a experiência é algo importante. A luta foi decidida nas punições e punição é jogo para atleta mais experiente.

Apesar de o ouro não ter vindo dessa vez, Rafaela tem que levantar a cabeça, comemorar muito a medalha de prata e, depois, continuar treinando e competindo com seriedade, como tem feito, pois esse é o caminho para adquirir experiência.

Hoje lutam Sarah Menezes, Érika Miranda e Felipe Kitadai. No Campeonato Pan-Americano de abril, Érika ficou com a medalha de bronze. A campeã foi a cubana Yanet Bermoy, que está na outra chave e deve enfrentar a brasileira na final. Érika terá uma pedreira pela frente, mas tem condições de vencer.

Sarah, bronze no Mundial de Tóquio, não disputou o Campeonato Pan-Americano, quando foi substituída por Taciana Lima. A grande adversária de nossa peso ligeiro será a argentina Paula Belen Pareto, campeã Pan-Americana, que foi bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim e bronze no Pan do Rio de Janeiro, em 2007. Sarah já lutou com ela e já venceu. Vamos torcer para que ela repita essa boa atuação.

Felipe Kitadai foi campeão Pan-Americano, aqui, em Guadalajara, em abril. Seu grande adversário nesse Pan deve ser o mexicano Nabor Castillo, que foi o vice. Inflamado pela torcida local, o mexicano tem boas chances, mas Kitadai já o derrotou, em casa, antes e tem tudo para vencer mais uma vez e subir, de novo, no degrau mais alto do pódio.

Neste último dia de disputas do judô no Pan, temos boas chances de conquistar outras três medalhas, quem sabe três de ouro, para fechar essa participação em altíssimo estilo, ao som do Hino Nacional Brasileiro.

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Bruno Mendonça: fique atento a esse nome!

Imagine a ansiedade de um atleta que disputa uma seletiva para a formação da Seleção Brasileira, brigando pela vaga na categoria leve (- 73 kg), que até bem pouco tempo tinha como titular ninguém menos do que o duas vezes medalhista olímpico Leandro Guilheiro? Que Tb era de santos

Para complicar ainda mais a situação do jovem judoca, até então pouquíssimo conhecido, ele entrou na luta sabendo que todo o favoritismo pertencia ao adversário, no caso o respeitadíssimo bicampeão mundial  João Derly.

Assim como o futebol, o judô, às vezes, também é uma caixinha de surpresas. Durante o combate entre o favorito e o desconhecido, João Derly sofreu uma séria contusão no joelho e, diante da impossibilidade do adversário em continuar na competição, o guerreiro Bruno Mendonça pode ver realizado o seu sonho de integrar a Seleção Brasileira de Judô.

Santista, 25 anos, Bruno tem provado, ao longo das competições, que a sua classificação entre os melhores judocas do Brasil não foi obra do acaso. Desde o início deste ano, essa grata surpresa da equipe nacional vem colecionando conquistas. Foi bronze nos Jogos Sul-Americanos da Colômbia, bronze no Campeonato Pan-Americano de El Salvador, campeão da Copa do Mundo de São Paulo e bronze no Grand Slam de Moscou.

bruno mendonça blog Bruno Mendonça: fique atento a esse nome!

Ocupando a 66ª posição no ranking mundial e olímpico da Federação Internacional de Judô, que definirá as vagas para os Jogos Olímpicos de Londres-2012, no início da temporada, Bruno Mendonça, que, só para registrar, é um dos atletas da Associação de Judô Rogério Sampaio/Telefônica, em Santos, e integra o Projeto Judô em Ação, coordenado por mim, foi galgando posições e agora é o 19º melhor judoca da categoria leve no mundo.

Todas essas performances garantiram a ele uma vaga na equipe brasileira que disputará o Campeonato Mundial de Tóquio, de 9 a 13 de setembro próximo.  Determinado, Bruno tem levado os treinamentos muito a sério. E embora ele não tenha o hábito comemorar nenhum outro resultado a não ser o primeiro lugar, não vou me surpreender se Bruno voltar do Japão com uma medalha no peito. E comemorando muito. Bronze e prata também valem.

Um dia eu também já fui o judoca desconhecido e trouxe um título olímpico de Barcelona, em 92, e o bronze do Mundial do Canadá, em 93. Coincidência ou não, naquele Mundial, eu também lutei na categoria leve. Bruno Mendonça é santista como eu. Espero que as coincidências não terminem por ai.

Guarde esse nome!

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