Publicado em 03/11/2011 às 19h36
O Brasil novamente no pódio
Num ano dourado para o judô brasileiro, continuamos ganhando medalhas nesta quinta-feira (3). Desta vez, no Campeonato Mundial Sub-20, na Cidade do Cabo, na África do Sul.
O ano é dourado porque, em 2011, tivemos nossa melhor participação num Mundial Sênior e também numa edição dos Jogos Pan-Americanos. E começamos muito bem no Mundial Sub-20.
Embora o Mundial Júnior (Sub-20) tenha um caráter revelador, muitas vezes atletas da Seleção Brasileira que não conseguem chegar a medalhas nessa categoria podem chegar a ser astros do judô brasileiro na Seleção Sênior. No final, a experiência é o que conta.
Os destaques do dia foram Águeda Silva, que chegou, mais uma vez, ao vice-campeonato; e Allan Kuwabara, que garantiu a medalha de bronze. Mas os meus parabéns vão para todos os brasileiros que competiram nesse primeiro dia. Afinal, todos são importantes para a renovação do judô brasileiro.
Amanhã(4) entram no tatame Eleudis Valentim (52kg), Flávia Gomes (57kg), Rafaela Silva (57kg), Afonso Baldigem (66kg) e Vinícius Sakamoto (66kg).
As maiores expectativas ficam por conta das performances de Eleudis Valentim, vice-campeã em 2010; de Rafaela Silva, campeã mundial Sub-20, em 2008, e medalha de prata no Mundial Sênior de Paris, na atual temporada; e de Flávia Gomes, vice-campeã dos Jogos Olímpicos da Juventude.
Embora ainda sem medalhas em Mundiais, Afonso Baldigem e Vinícius Sakamoto são atletas muito fortes e têm boas chances de subir no pódio.
Boa sorte a todos!
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Publicado em 19/10/2011 às 06h00
Pais e mães: mantenham a distância!
Como contei ontem, tenho acompanhado muitas competições aqui, em Guadalajara, e tenho visto uma torcida muito grande incentivando os atletas brasileiros. São amigos, pais, mães e familiares. Em muitos momentos, o povo mexicano, que tem uma simpatia especial pelos brasileiros, acaba engrossando a torcida, desde, é claro, que os nossos adversários não sejam do México.
Ter o pai ou a mãe se agitando na torcida, para alguns atletas funciona como um incentivo a mais para a boa performance, mas, para a maioria, essa torcida entusiasmada não é tão benéfica.
Muitos pais e mães de atletas podem até pensar que estão ajudando seus filhos quando gritam e chamam a atenção nas arquibancadas, mas, muitas vezes, essa maneira chamativa de torcer acaba se tornando numa pressão a mais sobre o atleta.
É triste constatar a presença de alguns pais, que, como “mãe de miss”, acabam aparecendo mais do que o próprio atleta. Isso evidencia uma certa imaturidade por parte dos pais e do esportista.
É claro que todos nós precisamos de apoio da família. Mas, imagine um advogado, durante um julgamento, defendendo uma causa, tendo os pais na audiência torcendo por ele. Ou um cirurgião em ação, tendo ao fundo os gritos entusiasmados dos pais, torcendo pelo seu sucesso. É inconcebível! E por quê? Simplesmente porque esses profissionais precisam de concentração. E quem disse que o atleta também não precisa?
Claro que o esporte favorece a proximidade da torcida dos pais. Mas nem tudo o que é possível é conveniente. Na minha visão, os pais precisam manter um certo distanciamento para que o atleta tenha a tranquilidade e a concentração necessárias à boa performance na área de competição.
Conheço casos de atletas que deixam o restante da equipe e a concentração para ir jantar com os pais, às vésperas da competição. Eu respeito quem opta por essa prática, mas não considero isso benéfico.
Num jantar com a família, os assuntos triviais são inevitáveis e isso desconcentra, relaxa. E, na minha opinião, nenhum atleta pode entrar relaxado numa disputa. É preciso estar concentrado, “dando choque”, no bom sentido, estar “no ponto” para poder competir e se dar bem. Conversas agradáveis com a família tiram o foco da competição. Isso quando a pauta não são os problemas familiares, que causam preocupação e também desconcentram.
Meus pais sempre me apoiaram, mas nunca estiveram perto demais. Esse foi a esquema que adotei para mim. Respeito quem age de maneira diferente. Meus pais não foram à Seletiva onde garanti vaga para os Jogos Olímpicos, também não estiveram em Barcelona. Eles acompanharam tudo à distância, pela televisão, torcendo por mim, mas sem me atrapalhar.
Com toda tecnologia disponível hoje, não há porque pais e mães se lançarem sobre as grades da área de competição gritando o nome de seus filhos. Isso, mesmo que não intencionalmente, pode gerar distração.
Pai e mãe de atleta não podem ser “mãe de miss”! É necessário manter uma distância segura. Eles podem se portar como torcedores discretos, mas não como fanáticos desesperados.
Pais e mães, vocês querem ver seus filhos no pódio? Então, mantenham a distância!
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Publicado em 07/10/2011 às 06h00
Ansioso como se eu fosse lutar no Pan
Falta uma semana para o início dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e eu tenho duas grandes expectativas.
Embarco para o México, no próximo domingo, e, pessoalmente, estou muito ansioso para participar desse Pan, como se eu mesmo fosse competir. Esse será o meu primeiro Pan fora do Brasil. Como vocês já sabem, como atleta, acabei não tendo a oportunidade de disputar uma competição tão importante como essa. Fiquei de fora do Pan de Havana, em 91, em nome de um ideal que hoje vejo realizado: uma boa estrutura no judô brasileiro.
Apesar de os Jogos Pan-Americanos serem uma grande festa, estou preparado para trabalhar bastante. A finalidade da Rede Record é levar até o telespectador uma transmissão no nível de Jogos Olímpicos, com muitos detalhes. Estou pronto para acompanhar tudo de perto, dentro e fora da área de competição.
Minha segunda expectativa é em relação à performance dos judocas brasileiros. Conversei com alguns deles e pude sentir que estão muito focados na conquista da medalha de ouro.
Pessoalmente, estabeleci um número: acredito que o Brasil voltará de Guadalajara com sete medalhas de ouro. Pode parecer uma expectativa alta, afinal, isso corresponde a 50% dos títulos em jogo. Mas, pelos resultados obtidos no último Campeonato Mundial, na França, quando os brasileiros trouxeram cinco medalhas, considero sete medalhas de ouro no Pan um objetivo grandioso, porém possível.
Vamos torcer!
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Publicado em 15/08/2011 às 16h33
Contagem regressiva para o Pan
Estamos a exatos 60 dias do início dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. No judô, como em outras modalidades, os representantes da seleção brasileira que competirá no México ainda não foram definidos. A caminho dessa grande festa do esporte, os principais nomes do judô nacional têm pela frente o mais importante desafio do ano: o Campeonato Mundial da França, que terá início no próximo dia 23 de agosto.
Levando na bagagem um retrospecto de três medalhas de prata e uma de bronze, conquistadas, no Mundial de Tóquio, no ano passado, os judocas brasileiros têm diante de si chances reais de conquistar resultados ainda melhores.
Em oito categorias, temos atletas que figuram entre os 10 melhores do mundo, no ranking da Federação Internacional de Judô (FIJ) – Leandro Cunha, Leandro Guilheiro, Tiago Camilo, Hugo Pessanha, Daniel Hernandes, Sarah Menezes, Érica Miranda, Rafaela Silva e Mayra Aguiar.

Em outras cinco categorias – a meio médio, a médio, a meio-pesado e a pesado, no masculino; e a leve, no feminino – o Brasil terá mais de um representante nesse Mundial. Por todos esses motivos, creio que não será difícil voltarmos a encontrar o caminho para o degrau mais alto do pódio e conquistarmos medalhas de ouro novamente, como aconteceu no Campeonato Mundial de 2007, no Rio de Janeiro, quando João Derly, Tiago Camilo e Luciano Correa sagraram-se campeões.
As maiores expectativas recaem sobre Leandro Guilheiro, Sarah Menezes e Mayra Aguiar, pelo retrospecto de conquistas obtidas nos torneios do circuito internacional. Tiago Camilo, Maria Suelen Altheman, Rafaela Silva e Érica Miranda também têm boas chances. Surpreendentemente, essa á a primeira vez que o Brasil chega a um Mundial com maiores expectativas de vitória no feminino do que no masculino.

Um bom resultado no Mundial refletirá na conquista de posições no ranking da FIJ o que, praticamente, definirá as vagas para os Jogos Olímpicos de Londres. Para se ter uma ideia, a medalha de ouro vale 500 pontos e, com um quinto lugar, é possível somar 80. Nas etapas da Copa do Mundo, por exemplo, o ouro vale 100 pontos.

Embora tenha uma importância menor que o Campeonato Mundial, do ponto de vista matemático, os Jogos Pan-Americanos levam vantagem no quesito satisfação pessoal, já que estar num Pan é o sonho de todos os atletas. Envolvendo todas as modalidades, os Jogos Pan-Americanos funcionam, psicologicamente, como uma prévia da Olimpíada e ninguém quer ficar fora de uma festa linda como essa.
Tanto para os Jogos Pan-Americanos, quanto para os Jogos Olímpicos, a contagem regressiva já começou.
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Publicado em 02/03/2011 às 16h40
A voz da experiência
Num passado recente, o caminho para chegar ao pódio de competições internacionais importantes, como Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos era bem árduo. Não havia apoio nem patrocínio e a estrutura das confederações estava bem longe do que podemos considerar ideal. Hoje, felizmente, muita coisa mudou. As leis de incentivo ao esporte, o apoio do governo e a visão ampla de muitas empresas têm garantido os recursos necessários para que muitos técnicos e atletas tenham paz para se dedicar, integralmente, à preparação.
Hoje, medalhas são sinônimo não só de pódio, fama e reconhecimento, mas também de retorno financeiro. O empenho de medalhistas olímpicos da atualidade tem sido recompensado com bolsas mensais que o incentivam a continuar na busca pela superação. Isso é muito louvável, mas pena que nem sempre tenha sido assim.
Muitos dos grandes nomes do nosso esporte do passado deram sequência à sua vida, sem nenhum glamour, distantes das áreas de competição. Enquanto alguns tentam superar as dificuldades financeiras por não saberem fazer outra coisa a não ser treinar e competir, outros desenvolvem atividades profissionais em outras áreas, que não a esportiva. Essa realidade denuncia, no mínimo, o desperdício de um conhecimento precioso que poderia ser repassado para as futuras gerações.
Com os recursos necessários para executar seus projetos rumo ao pódio, tanto governo quanto confederações deveriam seguir a fórmula bem-sucedida das Confederações Brasileiras de Atletismo e de Vôlei, que exploram, com sabedoria, a experiência de ex-atletas vencedores. Bem remunerados, campeões do passado ministram cursos e clínicas, onde repassam seus conhecimentos aos mais jovens, incentivando a prática da modalidade e incrementando o preparo dos futuros campeões.
Os recursos, outrora tão escassos, parecem estar mais acessíveis aos responsáveis pela gestão das diversas modalidades olímpicas no Brasil. Confederações, empresas e o governo federal precisam estar atentos aos cases de sucesso na formação de medalhistas olímpicos. No Brasil, há diversos atletas, medalhistas olímpicos e mundiais, que investiram sua vida em anos de treinamento e competições, adquirindo técnica, táticas e segurança que podem fazer a diferença na formação dos esportistas mais jovens.
É preciso ouvir as vozes da experiência porque experiência vale ouro. Os ícones do passado conhecem o “caminho das pedras” para o pódio olímpico. A poucos anos da realização de uma Olimpíada dentro das nossas fronteiras, não podemos desperdiçar o know-how de homens e mulheres que ajudaram a escrever a nossa história olímpica. Vale a reflexão.
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Publicado em 23/02/2011 às 20h42
Incentivo esportivo em forma de leis
É preciso fiscalizar para que as verbas destinadas à formação de atletas olímpicos sejam repassadas aos verdadeiros formadores de campeões.
Leis que garantem verbas a serem destinadas a atletas de base e de alto nível, visando melhores condições de treinamento, preparação e intercâmbio de esportistas das mais diversas modalidades, com vistas ao pódio dos Jogos Pan-Americanos deste ano e às medalhas olímpicas de Londres-2012 e Rio-2016, ganharam espaço na mídia no início dessa semana.
O caminho até o pódio carece de incentivo, de patrocínio, de recursos financeiros e essas leis são sempre muito bem-vindas. Fica no ar, porém, a dúvida em relação à fiscalização da destinação dessas verbas, sejam elas vindas de patrocínio ou de recursos federais.
Enquanto comemoramos e torcemos pela aprovação do Projeto de Lei 32/11, do deputado Weliton Prado (PT-MG), que cria o Fundo de Fomento ao Esporte, composto por 2% da arrecadação dos tributos federais incidentes sobre fumo e bebidas alcoólicas, além de doações e dotações orçamentárias, acompanhamos, com certa insegurança, notícias sobre a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Medida Provisória 502/10. Aprovada também pelo Senado, a MP ainda deverá ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Seu texto garante o repasse de 0,5% de toda verba arrecadada nos concursos das Loterias Federais para formação de atletas olímpicos e paraolímpicos, aos clubes esportivos sociais vinculados à Confederação Brasileira de Clubes (CBC).
Depois de ler a notícia na imprensa, fui em busca de informações mais detalhadas sobre a CBC, o Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos – CONFAO - e o Conselho Superior Interclubes – CSI. Segundo informações de Édson Garcia, diretor executivo da entidade, o CONFAO foi formado, incialmente, por oito clubes: Flamengo, Corinthians, Fluminense e Vasco, no futebol, e Pinheiros, Minas Tênis Clube, Sogipa e Grêmio Náutico União. Hoje, o CONFAO conta com 32 clubes que atendem aos critérios da entidade sobre o que vem a ser um clube esportivo social formador de atletas olímpicos.
Ora, segundo dados da própria CBC, existem no Brasil 13.826 clubes esportivos sociais, isso sem falar em agremiações e associações esportivas que, ao longo dos anos, foram responsáveis pela formação de muitos medalhistas olímpicos. A pergunta que não quer calar é: se o númeor de clubes formadores de atletas olímpicos é infinitamente maior que os 32 filiados ao CONFAO, o que será dessas entidades no momento do repasse das verbas determinadas pela MP 502/10? Caso a MP seja sancionada pela presidente haverá uma corrida frenética em busca de vinculação à entidade. Quem fiscalizará esse processo?
Afinal, o que define uma associação ou clube formador de atletas olímpicos. Será mesmo que ele deve atender ao critério da CBC de desenvolver, no mínimo cinco modalidades olímpicas? O que dizer das pequenas agremiações que superam todas as adversidades e investem, desde cedo, na formação de atletas com grande potencial, que passam a se destacar em disputas internacionais e, muitas vezes, às vésperas de grandes competições como os Jogos Olímpicos são seduzidos por propostas de grandes clubes aos quais são destinadas às verbas, os louros e o mérito pela performance de um atletas que já era completamente formado quando vestiu as cores de sua camisa?
Pessoalmente, coordeno uma associação de judô em Santos. Não temos os recursos nem a pompa de um grande clube, mas, desde que a Associação de Judô Rogério Sampaio - AJRS - nasceu, em 1993, tivemos representantes em todos os Jogos Pan-Americanos e Olímpicos, com a honra de ver nossos atletas subindo no pódio em algumas edições. Atualmente, temos seis atletas integrando a Seleção Brasileira Sênior, três dos quais com posição garantida no ranking para participar da Olimpíada de Londres-2012, caso os Jogos fossem hoje. Ainda temos dois representantes na Seleção Sub-20 e outros dois na Sub-17, além de um na Seleção Brasileira Paraolímpica. A AJRS não é filiada à CBC nem faz parte do CONFAO. Por isso não somos um clube formador de atletas olímpicos?
O que é um clube formador de de atletas olímpicos? Essa é um reflexão bem oportuna no clima olímpico que se instalou no país. Para brilharmos em competições importantes como Jogos Pan-Americanos e Olimpíadas é fundamental que os recursos cheguem a quem, de fato, realiza o trabalho de formar grandes campeões. Continuamos na torcida por isso.
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Publicado em 30/12/2010 às 16h21
Bons motivos para comemorar
Este 2010 foi um grande ano para o judô brasileiro. As novas regras favoreceram nosso estilo de luta, obtivemos bons resultados em competições importantes e, mesmo quando grandes nomes como Leandro Guilheiro e Tiago Camilo não subiram ao pódio, a equipe feminina se encarregou de manter nossa tradição campeã. As meninas brilharam bastante, tanto no principal como nas categorias de base. Yes, nós temos Mayra e Cia.
Segundo levantamento da CBJ, nossos atletas conquistaram medalhas em todos os torneios do circuito mundial de que participaram. No total, foram 258 pódios em 30 competições. A seleção principal faturou 34 medalhas de ouro, 28 de prata e 51 de bronze, totalizando 113 conquistas. Já os judocas da seleção de base foram responsáveis por 145 pódios: 98 ouros, 27 pratas e 20 bronzes.
Dentre todos os brasileiros, o santista Leandro Guilheiro confirmou sua condição de grande nome do judô brasileiro na atualidade e terminou a temporada como o judoca com melhor posição no ranking mundial da Federação Internacional de Judô (FIJ), ocupando o terceiro lugar entre os meio-médios. Guilheiro, ao lado de Rafael Silva, também foi quem mais subiu ao pódio nesta temporada: foram seis medalhas internacionais. Logo atrás dele, vêm o também santista Bruno Mendonça, que integra o Projeto Judô em Ação, coordenado por mim; Flávio Canto e Hugo Pessanha, todos com cinco. No feminino, Mayra Aguiar, com seis, e Sarah Menezes, com cinco foram os destaques.
Estamos tão bem que, se os Jogos Olímpicos de Londres fossem hoje, o Brasil teria vaga garantida nas sete categorias, no masculino, e em seis, no feminino. O ranking completo tem 77 brasileiros nas 14 categorias que se classificam para as Olimpíadas.
Apesar de tantas conquistas, creio que seria bastante proveitoso que a CBJ trabalhasse melhor a relação entre seleção e clubes, já que o atleta permanece um tempo maior desenvolvendo suas atividades no clube do que na seleção, tanto no principal quanto nas categorias de base.
Atletas que almejam grandes resultados precisam ser respaldados pelo trabalho de uma equipe multidisciplinar e, exatamente por isso, é necessário que haja uma proximidade maior da Comissão Técnica da CBJ com as equipes e profissionais que atuam nos clubes. Os resultados da temporada 2011 podem ser ainda melhores se as distâncias entre clubes e a Confederação não for tão grande como é hoje.
Vou passar a virada do ano no Rio de Janeiro, num evento do Comitê Olímpico Brasileiro. Férias mesmo, só no final de janeiro, quando embarco com mulher e filhos para os Estados Unidos. Até 2011, com novas e boas notícias do judô brasileiro. Feliz Ano Novo!
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Publicado em 17/11/2010 às 17h08
A temporada 2011 já começou
Enquanto a maioria dos mortais já está planejando as férias e começando agora a fazer planos e projetos para 2011, para os judocas de alto nível do Brasil inteiro, 2011 já começou. No último final de semana, muitos deles participaram de campeonatos estaduais sonhando com algo muito além da conquista do título. É que os campeões estaduais garantem presença na disputa do Campeonato Brasileiro, que vai acontecer nos próximos dias 27 e 28, em Uberlândia. E, embora também seja objetivo de todo atleta ser campeão nacional, o maior atrativo dos 271 judocas que disputarão esse Brasileiro também não está no título, mas na disputada das últimas vagas para as Seletivas que definirão a seleção brasileira de judô para 2011.
Como uma conquista leva a outra, os campeões estaduais que se tornarem campeões brasileiros terão a chance de integrar a seleção brasileira e, a partir daí, participar dos inúmeros torneios do Circuito Mundial da FIJ, que garantem pontos para o ranking olímpico. E são esses pontos que definirão as vagas para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Antes disso, porém, os integrantes da seleção brasileira terão o privilégio de representar o Brasil nos Jogos Pan-Americanos do próximo ano. Os que ocuparem melhores posições no ranking, provavelmente, também disputarão o Campeonato Mundial 2011, que distribui a maior pontuação para o ranking.
Além dos campeões brasileiros na categoria sênior, os campeões do Troféu Brasil, do Brasileiro Sub 20, do Brasileiro Sub 23, mais o atleta titular da seleção do Campeonato Mundial Sub 20, além dos indicados pela Comissão Técnica da CBJ disputarão as Seletivas. Com base nos excelentes resultados conquistados pelos juniores no mundial, podemos esperar surpresas na formação da equipe brasileira.
A Seletiva está marcada para janeiro, mas para os melhores judocas do país, a temporada 2011 já está a pleno vapor. O lugar mais alto do pódio numa Olimpíada merece todo este empenho.
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Publicado em 21/09/2010 às 16h53
Campeões são feitos nos clubes
Qual é a importância do clube na formação de um judoca campeão? No Mundial do Japão podemos constatar o desenvolvimento dos atletas brasileiros. Na minha opinião, esse foi o nosso melhor resultado num Campeonato Mundial.
Não, não me esqueci de que, em 2007, foram três medalhas de ouro e uma de bronze. Só que, em 2007, a competição foi no Rio de Janeiro, e, apesar de os medalhistas olímpicos Tiago Camilo e João Derli, assim como Luciano Correa, que conquistaram ouro, serem atletas de altíssimo nível, em condições de subir ao degrau mais alto do pódio em qualquer lugar do mundo, não podemos negar que a participação da torcida foi muito importante para a conquista dos três títulos e da medalha de bronze de João Gabriel Schilliter, naquela época. Lutar em casa, com o apoio da torcida tem um fator psicológico forte para o bom desempenho de qualquer atleta.
Dessa vez, as condições extra-campo não eram tão favoráveis. Mesmo competindo no Japão, a Meca do judô mundial, contando apenas com a torcida uns dos outros, nossos judocas chegaram a três finais e o ouro só não veio por detalhe.
Os bons resultados do Mundial de Tóquio são fruto da excelente estrutura que a CBJ tem proporcionado aos atletas da seleção, que têm à sua disposição o trabalho de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais que desenvolvem testes físicos, avaliações médicas e nutricionais, filmam as lutas dos adversários e desenvolvem estratégias específicas para cada luta.
A CBJ conta com um grupo muito unido. Mas toda essa estrutura que possibilita um treinamento mais produtivo está à disposição de muitos dos judocas da seleção também nos clubes, onde os atletas passam a maior parte do ano.
A custo de muito esforço, muitos clubes mantêm equipes multidisciplinares semelhantes à da CBJ e esse profissionalismo dos clubes garante uma boa base para os judocas durante toda a temporada e não somente quando estão servindo à equipe nacional. Os clubes também têm técnicos que se desenvolveram bastante nos últimos anos. E bons técnicos são fundamentais para que o potencial de grandes atletas se reverta em resultados.
A importância da estrutura dos clubes poderá ser vista, nesta sexta-feira, quando será realizado o qualifying para o Grand Prix Nacional, em Porto Alegre. As duas equipes classificadas no feminino se juntarão às seis outras que já fazem parte das maiores do judô brasileiro na disputa do GP, nos dias 9 e 10 de outubro, também em Porto Alegre.
No masculino também se classificarão duas. No total, serão 12 equipes que competirão em duas etapas: a primeira em Salvador e a final em São Paulo.
O GP Nacional é um evento importantíssimo que colocará à prova toda essa estrutura dos clubes. É também uma grande oportunidade para que os patrocinadores possam aparecer, já que o evento terá transmissão da TV e cobertura dos jornais. Para o público será a chance de ver em ação os maiores nomes do judô brasileiro.
Toda a estrutura de atendimento ao atleta e o calendário bem feito fazem com que os resultados internacionais acabem aparecendo. Espero que a CBJ continue desenvolvendo a sua estrutura, mas sempre dando a atenção devida aos clubes porque é neles que os atletas são feitos.
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Publicado em 09/09/2010 às 19h58
Uma prata para entrar para história
O judô brasileiro acordou diferente nesta quinta-feira. Uma nova estrela surgiu na constelação dos grandes nomes do nosso judô feminino, na qual, até ontem, só brilhavam Danielle Zangrando, Ednanci Silva e Ketleyn Qaudros. Com apenas 19 anos, Mayra Aguiar merece a nossa reverência. Ser vice-campeã mundial é um título histórico. Parabéns!
A trajetória dessa jovem já esboçava uma conquista desse porte. Com pouquíssima idade, Mayra disputou uma Olimpíada, conquistou uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007; e dois bronzes, em 2006 e 2009, e uma prata, em 2008, em Mundiais Júnior. Esse ano, ela foi bronze no Grand Slam do Rio ouro na Copa do Mundo de Budapeste.
Acredito que a convivência de Mayra com o bicampeão mundial João Derly, com quem treina na Sogipa, certamente, a ajudou a acreditar que a conquista de uma medalha num Mundial era algo viável. Mayra também teve o privilégio de conviver, por um tempo, com Tiago Camilo, outro grande nome do nosso judô, que já foi eleito o melhor judoca do mundo. Compartilhar o tatame com grandes campeões é importante como estímulo para jovens atletas como Mayra, que, agora, deixa de ser promessa e é promovida à condição de grande campeã.
Para o judô brasileiro, o vice-campeonato de Mayra é de suma importância. Nosso judô feminino já teve outras representantes no pódio mundial, mas sempre no degrau mais baixo do pódio. A medalha de ouro, dessa vez, bateu na trave. Esse é um título importantíssimo para ela e também para toda a equipe brasileira que está no Japão. O grupo, com certeza, está animado e confiante em novas conquistas.
O feminino saiu na frente, vamos torcer para que outras medalhas venham. Na madrugada desta sexta-feira, nossas chances estarão nas mãos dos leves Rafaela Silva e Bruno Mendonça, e da meio-médio Mariana Silva. Coincidentemente, os três judocas integram projetos desenvolvidos por medalhistas olímpicos. Rafaela é do Instituto Reação, criado por Flávio Canto, no Rio de Janeiro; Mariana e Bruno são do Projeto Judô em Ação, idealizado e desenvolvido por mim na Associação de Judô Rogério Sampaio, em Santos. A presença dos três no Mundial prova a importância de campeões se preocuparem em transmitir seus conhecimentos e experiência às gerações futuras. No Japão, os discípulos dos campeões têm a chance de se tornarem campeões também.
Os três chegam muito bem cotados a esse Mundial. Bruno Mendonça é considerado a grande revelação do judô brasileiro e, esse ano, coleciona títulos importantes como os bronzes do Campeonato Pan-Americano e do Grand Slam de Moscou e o ouro da Copa do Mundo de São Paulo. Rafaela Silva tem 18 anos, foi campeã mundial júnior, em 2008; bronze no Grand Slam do Rio de Janeiro e ouro na Copa do Mundo de Madri, em 2009. Já Mariana vai lutar em casa. Ela morou cinco anos no Japão, tem muitos amigos por lá, e pode ser considerada uma japonesa que nasceu no litoral paulista, uma região onde o judô alcançou um bom nível de desenvolvimento. Ela foi bronze no Mundial Júnior, em 2009; bronze no Campeonato Pan-Americano e no Grand Slam do Rio de Janeiro. Com torcida a favor, pode se tornar o destaque da equipe brasileira.
Mesmo antes de entrar na área de competição, esses três jovens podem ser considerados vencedores. Os três lutaram e venceram diversas dificuldades, principalmente, em relação à estrutura e aos recursos financeiros. Espero que a luta deles fora do tatame seja coroada, nesta sexta-feira, com um lugar no pódio de Tóquio.
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