Publicado em 19/10/2011 às 06h00
Pais e mães: mantenham a distância!
Como contei ontem, tenho acompanhado muitas competições aqui, em Guadalajara, e tenho visto uma torcida muito grande incentivando os atletas brasileiros. São amigos, pais, mães e familiares. Em muitos momentos, o povo mexicano, que tem uma simpatia especial pelos brasileiros, acaba engrossando a torcida, desde, é claro, que os nossos adversários não sejam do México.
Ter o pai ou a mãe se agitando na torcida, para alguns atletas funciona como um incentivo a mais para a boa performance, mas, para a maioria, essa torcida entusiasmada não é tão benéfica.
Muitos pais e mães de atletas podem até pensar que estão ajudando seus filhos quando gritam e chamam a atenção nas arquibancadas, mas, muitas vezes, essa maneira chamativa de torcer acaba se tornando numa pressão a mais sobre o atleta.
É triste constatar a presença de alguns pais, que, como “mãe de miss”, acabam aparecendo mais do que o próprio atleta. Isso evidencia uma certa imaturidade por parte dos pais e do esportista.
É claro que todos nós precisamos de apoio da família. Mas, imagine um advogado, durante um julgamento, defendendo uma causa, tendo os pais na audiência torcendo por ele. Ou um cirurgião em ação, tendo ao fundo os gritos entusiasmados dos pais, torcendo pelo seu sucesso. É inconcebível! E por quê? Simplesmente porque esses profissionais precisam de concentração. E quem disse que o atleta também não precisa?
Claro que o esporte favorece a proximidade da torcida dos pais. Mas nem tudo o que é possível é conveniente. Na minha visão, os pais precisam manter um certo distanciamento para que o atleta tenha a tranquilidade e a concentração necessárias à boa performance na área de competição.
Conheço casos de atletas que deixam o restante da equipe e a concentração para ir jantar com os pais, às vésperas da competição. Eu respeito quem opta por essa prática, mas não considero isso benéfico.
Num jantar com a família, os assuntos triviais são inevitáveis e isso desconcentra, relaxa. E, na minha opinião, nenhum atleta pode entrar relaxado numa disputa. É preciso estar concentrado, “dando choque”, no bom sentido, estar “no ponto” para poder competir e se dar bem. Conversas agradáveis com a família tiram o foco da competição. Isso quando a pauta não são os problemas familiares, que causam preocupação e também desconcentram.
Meus pais sempre me apoiaram, mas nunca estiveram perto demais. Esse foi a esquema que adotei para mim. Respeito quem age de maneira diferente. Meus pais não foram à Seletiva onde garanti vaga para os Jogos Olímpicos, também não estiveram em Barcelona. Eles acompanharam tudo à distância, pela televisão, torcendo por mim, mas sem me atrapalhar.
Com toda tecnologia disponível hoje, não há porque pais e mães se lançarem sobre as grades da área de competição gritando o nome de seus filhos. Isso, mesmo que não intencionalmente, pode gerar distração.
Pai e mãe de atleta não podem ser “mãe de miss”! É necessário manter uma distância segura. Eles podem se portar como torcedores discretos, mas não como fanáticos desesperados.
Pais e mães, vocês querem ver seus filhos no pódio? Então, mantenham a distância!
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