Pais e mães: mantenham a distância!

Como contei ontem, tenho acompanhado muitas competições aqui, em Guadalajara, e tenho visto uma torcida muito grande incentivando os atletas brasileiros. São amigos, pais, mães e familiares. Em muitos momentos, o povo mexicano, que tem uma simpatia especial pelos brasileiros, acaba engrossando a torcida, desde, é claro, que os nossos adversários não sejam do México.

Ter o pai ou a mãe se agitando na torcida, para alguns atletas funciona como um incentivo a mais para a boa performance, mas, para a maioria, essa torcida entusiasmada não é tão benéfica.

Muitos pais e mães de atletas podem até pensar que estão ajudando seus filhos quando gritam e chamam a atenção nas arquibancadas, mas, muitas vezes, essa maneira chamativa de torcer acaba se tornando numa pressão a mais sobre o atleta.

É triste constatar a presença de alguns pais, que, como “mãe de miss”, acabam aparecendo mais do que o próprio atleta. Isso evidencia uma certa imaturidade por parte dos pais e do esportista.

É claro que todos nós precisamos de apoio da família. Mas, imagine um advogado, durante um julgamento, defendendo uma causa, tendo os pais na audiência torcendo por ele. Ou um cirurgião em ação, tendo ao fundo os gritos entusiasmados dos pais, torcendo pelo seu sucesso. É inconcebível! E por quê? Simplesmente porque esses profissionais precisam de concentração. E quem disse que o atleta também não precisa?
Claro que o esporte favorece a proximidade da torcida dos pais. Mas nem tudo o que é possível é conveniente. Na minha visão, os pais precisam manter um certo distanciamento para que o atleta tenha a tranquilidade e a concentração necessárias à boa performance na área de competição.

Conheço casos de atletas que deixam o restante da equipe e a concentração para ir jantar com os pais, às vésperas da competição. Eu respeito quem opta por essa prática, mas não considero isso benéfico.

Num jantar com a família, os assuntos triviais são inevitáveis e isso desconcentra, relaxa. E, na minha opinião, nenhum atleta pode entrar relaxado numa disputa. É preciso estar concentrado, “dando choque”, no bom sentido, estar “no ponto” para poder competir e se dar bem. Conversas agradáveis com a família tiram o foco da competição. Isso quando a pauta não são os problemas familiares, que causam preocupação e também desconcentram.

Meus pais sempre me apoiaram, mas nunca estiveram perto demais. Esse foi a esquema que adotei para mim. Respeito quem age de maneira diferente. Meus pais não foram à Seletiva onde garanti vaga para os Jogos Olímpicos, também não estiveram em Barcelona. Eles acompanharam tudo à distância, pela televisão, torcendo por mim, mas sem me atrapalhar.

Com toda tecnologia disponível hoje, não há porque pais e mães se lançarem sobre as grades da área de competição gritando o nome de seus filhos. Isso, mesmo que não intencionalmente, pode gerar distração.

Pai e mãe de atleta não podem ser “mãe de miss”! É necessário manter uma distância segura. Eles podem se portar como torcedores discretos, mas não como fanáticos desesperados.

Pais e mães, vocês querem ver seus filhos no pódio? Então, mantenham a distância!

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É bom ver o Brasil no pódio

pódio hugo post rogério sampaio É bom ver o Brasil no pódio

Foto: Luiz Pires/Vipcomm

As disputas do judô nos Jogos Pan-Americanos só terão início na próxima quarta-feira, dia 26. Enquanto aguardo, com ansiedade, o começo das lutas, estou aproveitando para estudar bastante o currículo de cada participante. Também devo participar do Congresso Técnico, que definirá os adversários dos brasileiros e tenho tentado ficar por dentro de tudo.

A Seleção Brasileira de Judô ainda não desembarcou em Guadalajara, mas nem por isso tenho deixado torcer pelos nossos atletas que estão aqui.
É sempre bom ver o Brasil no pódio!

Tive a oportunidade de acompanhar a conquista de medalhas de ouro na natação e o bronze de Angélica Kvieczynski, da ginástica rítmica desportiva, que considero, plasticamente, uma das modalidades mais bonitas do Pan. Também fui prestigiar as disputas do taekowdo.

Ontem, tive o privilégio de acompanhar, in loco, a conquista da décima medalha de ouro em Jogos Pan-Americanos de Hugo Hoyama. Estive lá acompanhado pela Magic Paula e pela Luisa Parente.

Hugo é um atleta diferenciado numa modalidade que não tem maior destaque no Brasil, apesar do grande número de praticantes. Afinal, até hoje, nenhum outro brasileiro conseguiu conquistar mais medalhas do que ele nos Jogos Pan-Americanos. Claro que, até o final desse Pan, o Tiago Pereira, da natação, pode superar essa marca, mas isso não diminui o grande feito de Hugo, que está disputando um Pan pela sétima vez na sua carreira.

Vibrei muito ao vê-lo conquistando essa décima medalha de ouro. Afinal, além de amigo pessoal de Hugo eu estava lá como um torcedor brasileiro.

E hoje tem mais.

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Ídolos do passado emocionados na abertura do Pan

hugo 700 Ídolos do passado emocionados na abertura do Pan
A abertura dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara foi maravilhosa. A experiência de estar aqui para a cerimônia de abertura de um Pan, fora do Brasil, foi indescritível.

Sem falar no grande espetáculo de efeitos à nossa frente, estar ao lado de ex-atletas de várias modalidades, todos, sem exceção, meus ídolos no esporte, foi uma emoção muito forte.

Depois de conhecer as histórias, as trajetórias de vida, alguns desses esportistas se tornaram meus referenciais também para hoje.

De um lado, eu tinha a Magic Paula. De outro, a Virna e o Maurício, do vôlei. Virna e Maurício choraram muito. Depois a Paula também não resistiu a emoção e foi às lágrimas... Todos estávamos com os sentimentos à flor da pele.

Foi muito forte ver os atletas do Brasil desfilando. O Hugo Hoyama, que esteve em Barcelona comigo, levando a bandeira verde-amarela foi especial. Ele merecia essa honraria por tudo o que já fez pelo esporte brasileiro.

Hugo é meu amigo e ainda me lembro de um desafio que fizemos, nos anos 90: ele e Cláudio Kano, de quimono, tentando me derrubar no tatame e eu, com uma raquete na mão, inutilmente me esforçando para defender um único saque deles. Momentos preciosos que vieram à mente na abertura do Pan.

Ontem, todos nós, ex-atletas, comentaristas da Record, vivemos um misto de torcida e vibração com um sentimento de pena por a vida de atleta ser tão curta.

Eu senti, e acho que todos também, um pouco de saudade dos meus tempos de esportista.

Para mim, o mais especial foi estar ali junto com muitos dos grandes nomes do esporte mundial. À minha frente, as esperanças de medalhas no Pan e, ao meu lado, ídolos que fizeram história. Não é todo dia que temos um evento dessa grandiosidade e com tanta gente especial reunida.

Agora é torcer para que o Brasil conquiste o maior número de medalhas.

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A força da mulher no Pan

Os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara terão início daqui a algumas horas, e essa edição tem tudo para ser marcada pela força da mulher. De uns tempos para cá, as atletas brasileiras vêm ocupando cada vez mais espaços de destaque no cenário esportivo mundial.

Desde a primeira edição dos Jogos Pan-Americanos, em Buenos Aires, em 1951, o número de mulheres brasileiras tem crescido. Agora, em Guadalajara, elas chegam com maiores chances de medalhas que os homens, em muitas modalidades.

​Mesmo antes de competir, algumas brasileiras já se destacam pelo simples fato de serem quem são. Afinal, nossa delegação conta com grandes nomes do esporte mundial como Fabiana Murer, campeã mundial do salto com vara; Fabiana Beltrame, campeã mundial de remo; e Maurren Maggi, campeã olímpica do salto em distância.

​No judô, nossas meninas, pela primeira vez, chegam ao Pan com mais força do que os homens. É um fato inédito que merece ser destacado, já que demonstra o crescimento da modalidade entre as mulheres.

ed450x338 A força da mulher no Pan

​Imagine a dimensão de uma equipe feminina de judô ter mais chances de medalhas que o masculino. O quanto a trajetória até aqui deve ter sido difícil para elas. Afinal, nosso judô masculino tem uma grande tradição. Só em Jogos Pan-Americanos, nossos judocas têm conquistado medalhas de ouro, de maneira praticamente ininterrupta, desde os Jogos de Indianápolis, em 1987.  Somente no Pan de 1999, em Winnipeg, é que a única medalha de ouro foi conquistada por uma mulher: Vânia Ishii.

​Também foi em Indianápolis que as desbravadoras Mônica Angelucci e Soraya André levaram o judô feminino brasileiro, pela primeira vez, ao degrau mais alto do pódio num Pan.

​Na última edição dos Jogos, no Rio de Janeiro, em 2007, as coisas começaram a se equiparar e, das quatro medalhas de ouro conquistadas, duas foram de mulheres: Danielle Zangrando e Edinanci Silva.

​A partir do dia 26, estarão defendendo o Brasil medalhistas mundiais, como Mayra Aguiar, Sarah Menezes e Rafaela Silva. Outras grandes promessas poderão se destacar nesse Pan. Minha expectativa é ver muitas mulheres brasileiras no pódio, em todas as modalidades, mas, principalmente no judô.

​Que venham as medalhas!

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Viva a tecnologia!!!!

Cheguei anteontem aqui, em Guadalajara. Já visitei o Centro de Imprensa e peguei minha credencial. Já falei com a minha família, resolvi questões profissionais e estou até enviando este post, exatamente como se estivesse no Brasil.

Bendita tecnologia!!!

A questão das competições internacionais hoje é muito diferente da minha época. Quando eu competia, a internet ainda engatinhava, não havia TV a cabo e os computadores eram enormes e lentos. O telefone era, praticamente, o único meio de comunicação com a família, mas as ligações, além de caríssimas, não eram feitas com a mesma facilidade de hoje em dia.

Em consequência dessa dificuldade de comunicação, em competições internacionais, como os Jogos Pan-americanos, ficávamos quase isolados por vários dias.

Agora, apesar de concentrado, com recursos como celular, skype, internet, webcam, notebook e tablets dos mais variados modelos, os atletas têm muito mais facilidade de se comunicar com a família, a qualquer hora e em qualquer lugar. Dessa maneira, o período de concentração nas competições acontece de maneira muito mais tranquila.

Mesmo longe, no México, os atletas que disputarão os Jogos Pan-americanos de Guadalajara poderão manter o contato com os pais, filhos, maridos, esposas, namorados e namoradas. Isso, por um lado, é bom, já que o atleta não corre o risco de se sentir sozinho num momento tão importante como esse. Mas, ao mesmo tempo, todos esses recursos podem impedi-lo de se desligar de alguns problemas do dia-a-dia, o que pode acabar atrapalhando a concentração.

Como cada um é diferente, cortar o contato com as pessoas de fora da equipe pode ser bom para alguns atletas e péssimo para outros. Por isso, cabe a cada técnico conhecer os limites de cada um e definir a melhor estratégia em relação à comunicação.

Para nós, que vamos atuar do lado de fora das áreas de competição, toda essa tecnologia é um grande presente.

A gente se vê, em breve, na Record!

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Ansioso como se eu fosse lutar no Pan

Falta uma semana para o início dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e eu tenho duas grandes expectativas.

Embarco para o México, no próximo domingo, e, pessoalmente, estou muito ansioso para participar desse Pan, como se eu mesmo fosse competir.  Esse será o meu primeiro Pan fora do Brasil. Como vocês já sabem, como atleta, acabei não tendo a oportunidade de disputar uma competição tão importante como essa. Fiquei de fora do Pan de Havana, em 91, em nome de um ideal que hoje vejo realizado: uma boa estrutura no judô brasileiro.

Apesar de os Jogos Pan-Americanos serem uma grande festa, estou preparado para trabalhar bastante. A finalidade da Rede Record é levar até o telespectador uma transmissão no nível de Jogos Olímpicos, com muitos detalhes. Estou pronto para acompanhar tudo de perto, dentro e fora da área de competição.

Minha segunda expectativa é em relação à performance dos judocas brasileiros. Conversei com alguns deles e pude sentir que estão muito focados na conquista da medalha de ouro.

Pessoalmente, estabeleci um número: acredito que o Brasil voltará de Guadalajara com sete medalhas de ouro. Pode parecer uma expectativa alta, afinal, isso corresponde a 50% dos títulos em jogo. Mas, pelos resultados obtidos no último Campeonato Mundial, na França, quando os brasileiros trouxeram cinco medalhas, considero sete medalhas de ouro no Pan um objetivo grandioso, porém possível.

Vamos torcer!

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Meu ouro olímpico poderia ter sido da Bolívia

Toda luta requer esforços e sacrifícios. É assim não só no tatame, mas também na vida. Hoje, às vésperas do início dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, me lembro da minha situação como atleta 20 anos atrás.

Como a maioria sabe, eu pertencia a um movimento que reivindicava melhores condições estruturais para o judô brasileiro e, por conta disso, eu e o meu grupo boicotamos as competições da CBJ e acabamos por ficar de fora da disputa dos Jogos Pan-Americanos de Havana, em 1991.

Com a frustração de não ter participado do Pan e vendo os Jogos Olímpicos de Barcelona se aproximarem, fomos tomados por uma preocupação muito grande. Afinal, todos os judocas do movimento eram os melhores do Brasil em suas respectivas categorias e, apesar disso, corríamos o risco de perder a chance de estar na Olimpíada.

Pensando nos ideais do judô brasileiro, mas sem nos esquecer dos nossos próprios sonhos como atletas, eu, o Wagner Castropil, o João Brigante e o Sérgio Pessoa, além do Luiz Carlos Novi, então diretor da Confederação Brasileira de Desportos Universitários, aceitamos o convite do Comitê Olímpico da Bolívia e participamos de um jantar, numa churrascaria em São Paulo, onde nos foi proposto nos naturalizarmos bolivianos e defender as cores da bandeira da Bolívia nos Jogos Olímpicos de Barcelona, diante da impossibilidade de representar o nosso país.

O Aurélio Miguel, campeão olímpico em Seul, quatro anos antes, ficou fora do grupo assediado pelos bolivianos, já que, por ter dupla cidadania, cogitava a possibilidade de disputar a Olimpíada como atleta da Espanha.

Se o nosso retorno às competições não tivesse sido viabilizado, como felizmente, aconteceu no início de 1992, eu poderia ter subido ao degrau mais alto do pódio em Barcelona para ouvir o hino e ver subir a bandeira boliviana.

Graças a Deus, a possibilidade de lutar pela Bolívia não deu certo e eu pude representar o meu país, lutar com as cores do Brasil no peito, tendo toda a torcida verde-amarela do meu lado.

No final de cinco lutas, ouvir o Hino Nacional Brasileiro e ver a nossa bandeira tremulando mais alta do que as outras teve um sabor especial. Afinal, eu poderia ter entrado para a história como o primeiro campeão olímpico do judô boliviano, mesmo sendo 100% brasileiro.

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Seleção sem surpresas para o Pan

getty images judo Seleção sem surpresas para o Pan
Não houve grandes surpresas na convocação da Seleção Brasileira para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.

Os escalados são: Sarah Menezes (48kg), Erika Miranda (52kg), Rafaela Silva (57kg), Katherine Campos (63kg), Maria Portela (70kg), Mayra Aguiar (78kg), Maria Suelen Altheman (+78kg), Felipe Kitadai (60kg), Leandro Cunha (66kg), Bruno Mendonça (73kg), Leandro Guilheiro (81kg), Tiago Camilo (90kg), Luciano Corrêa (100kg) e Rafael Silva (+100kg).

As únicas surpresas ficam por conta da ausência da meio-médio Mariana Silva e do médio Hugo Pessanha. Por critérios da Confederação Brasileira de Judô, foram selecionados Katherine Campos e Tiago Camilo.

Sem dúvida, é uma Seleção fortíssima, com medalhistas em mundiais – Leandro Gulheiro (prata e bronze), Tiago Camilo (ouro), Luciano Corrêa (ouro e bronze), Leandro Cunha (duas pratas), Mayra Aguiar (prata e bronze), Rafaela Silva (prata) e Sarah Menezes (dois bronzes); medalhistas olímpicos - Leandro Guilheiro e Tiago Camilo -, além de medalhistas nos Jogos Mundiais Militares, disputados, recentemente, no Rio de Janeiro.
Com certeza, esse grupo fará uma grande apresentação para o Brasil em Guadalajara. Eles têm a responsabilidade de superar Cuba, que é o nosso maior adversário. Além dos cubanos e cubanas, existem atletas como a colombiana Yuri Alvear, campeã mundial em Roterdã 2009, na categoria médio, e a norte-americana Kayla Harrison, bronze no Mundial da França e campeã em Tóquio, que merecem destaque e todo o cuidado por parte das brasileiras.

Por conta do alto investimento que tem sido feito no judô brasileiro, esperamos quebrar o recorde de 13 medalhas, conquistadas no Pan do Rio de Janeiro, em 2007. Destes medalhistas, estarão novamente em ação no México, entre os dias 26 e 29 de outubro, Tiago Camilo (ouro), Érika Miranda, Mayra Aguiar e Leandro Guilheiro (prata) e Luciano Correa (bronze).

Segundo dados da CBJ,  esta será a 12ª participação do judô brasileiro em Jogos Pan-Americanos. Foram conquistadas na história 97 medalhas, sendo 25 de ouro, 29 de prata e 43 de bronze.

Temos todas as condições de ampliar, em muito, essa marca.

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Uma tragédia na véspera do meu aniversário

Lembro-me perfeitamente de onde estava e do que eu estava fazendo no dia 11 de setembro de 2001.

Eu dava aulas, às terças e quintas-feiras, pela manhã, das 9h30 às 10h30. Naquele dia, quando a aula acabou, fui para a recepção da academia e comecei a ver na TV a notícia de que um dos prédios das Torres Gêmeas havia sido atingido por um avião.

Ainda estávamos em choque, quando vimos, ao vivo, o outro prédio sendo atingido. Na hora, eu e os pais de alunos que estavam comigo, achamos que era reprise do primeiro ataque. Demoramos alguns segundos para descobrir que era outro avião na segunda torre.

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Houve um longo silêncio.

Fui para casa acompanhando as notícias pelo rádio. Estava desorientado. Fui tomado por uma preocupação muito grande porque sabia que aquele episódio era algo que iria trazer muitas mudanças para o mundo, como, de fato, trouxe.

Foi uma data inesquecível também porque era véspera do meu aniversário. Um dia depois daquele trágico 11 de setembro, eu completaria 34 anos. Não tem como esquecer daquele dia.

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Aurélio Miguel, o maior nome do judô brasileiro

Hoje quero prestar uma homenagem a um grande amigo. Mais do que isso, ele é o principal judoca brasileiro de todos os tempos, Aurélio Miguel.

Ele talvez seja o brasileiro com maior número de títulos internacionais. Todos conquistados numa época em que a estrutura do judô brasileiro era terrível. Nos tempos em que nós treinávamos em tatames de palha, enquanto o resto do mundo já tinha entrado na era do tatame sintético, semelhante ao que se usa hoje.

No tempo em que o Aurélio escreveu o seu nome na história do judô mundial, a Seleção Brasileira nem os clubes contavam com patrocínio. Exatamente por isso, pela falta de recursos, os judocas brasileiros quase não participavam de competições internacionais. O Aurélio Miguel foi um desbravador brasileiro no circuito internacional.

Sozinho, em 1984, ele embarcou para uma temporada fora do Brasil, ficou uma longa temporada na Europa e no Japão, disputando diversos torneios e conquistou excelentes resultados no então chamado circuito europeu.

O primeiro campeão olímpico da nossa história é um atleta técnico, que sempre se destacou pela determinação, poder de superação e perseverança.

Eu tive o privilégio de estar ao lado dele, em 1988, no circuito europeu, quando, de cinco campeonatos, ele foi campeão em três e vice em dois. Nas disputas em que ele foi superado, a derrota sempre veio pela pontuação mínima. Todos os adversários sofriam muito para vencê-lo. O Aurélio era um atleta muito difícil de ser superado.

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Durante anos, viajei e competi ao lado dele pelo mundo afora e posso afirmar que nunca vi ninguém tão respeitado por todos os judocas como ele. Aurélio era respeitado por brasileiros e estrangeiros, não apenas como atleta, mas como pessoa, uma pessoa que sabe respeitar as outras e que não desiste de nada. O Aurélio não desistiu do seu sonho de ser um atleta olímpico, de ser um medalhista olímpico, de ser um campeão olímpico.

Nos tempos negros do judô brasileiro, o Aurélio sonhava com uma estrutura diferenciada.  Por isso, ele comandou um grupo de atletas, do qual eu fiz parte, que tinha como objetivo reformular toda a estrutura do nosso judô. Ele, como todos os outros que lutaram ao lado dele, brigou por uma reformulação total no judô brasileiro que beneficiasse as próximas gerações. E, embora nem ele nem eu tivéssemos podido usufruir dessa nova estrutura, hoje vemos que essa luta não foi em vão.

O Aurélio Miguel esteve, recentemente, em Paris, acompanhando a Seleção Brasileira, como torcedor. Com certeza, ele deve ter se emocionado muito, já que o último título dele em Mundiais, o vice-campeonato de 97, foi conquistado no mesmo ginásio, o Palais Omnisport de Bercy, onde aconteceram as disputas desse ano.

Ele tem duas medalhas de prata em Campeonatos Mundiais, um ouro e um bronze olímpicos, muitos títulos continentais, pan-americanos e de importantes torneios pelo mundo. Na minha opinião, Aurélio Miguel é um dos 20 maiores judocas do mundo em todos os tempos.

Um judoca do porte do Aurélio também deve ter se emocionado com os resultados obtidos pelo judô brasileiro no Mundial da França. Ver o Brasil batendo recordes de conquista de medalhas e sendo vice-campeão mundial por equipes no masculino, pelo segundo ano consecutivo, decidindo o título contra a França, na casa deles, por 3 a 2, no golden score para ele, como para mim, é um sonho realizado.

A história de vida do Aurélio Miguel, em muitos momentos se confunde com a própria história do judô brasileiro. A nova geração precisa conhecer e honrar esse grande homem e judoca incomparável. Obrigado, Aurélio Miguel!!!

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