Campeões são feitos nos clubes

judo ok Campeões são feitos nos clubes 

Qual é a importância do clube na formação de um judoca campeão? No Mundial do Japão podemos constatar o desenvolvimento dos atletas brasileiros. Na minha opinião, esse foi o nosso melhor resultado num Campeonato Mundial.

Não, não me esqueci de que, em 2007, foram três medalhas de ouro e uma de bronze. Só que, em 2007, a competição foi no Rio de Janeiro, e, apesar de os medalhistas olímpicos Tiago Camilo e João Derli, assim como Luciano Correa, que conquistaram ouro, serem atletas de altíssimo nível, em condições de subir ao degrau mais alto do pódio em qualquer lugar do mundo, não podemos negar que a participação da torcida foi muito importante para a conquista dos três títulos e da medalha de bronze de João Gabriel Schilliter, naquela época. Lutar em casa, com o apoio da torcida tem um fator psicológico forte para o bom desempenho de qualquer atleta.

Dessa vez, as condições extra-campo não eram tão favoráveis. Mesmo competindo no Japão, a Meca do judô mundial, contando apenas com a torcida uns dos outros, nossos judocas chegaram a três finais e o ouro só não veio por detalhe.

Os bons resultados do Mundial de Tóquio são fruto da excelente estrutura que a CBJ tem proporcionado aos atletas da seleção, que têm à sua disposição o trabalho de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais que desenvolvem testes físicos, avaliações médicas e nutricionais, filmam as lutas dos adversários e desenvolvem estratégias específicas para cada luta.

A CBJ conta com um grupo muito unido. Mas toda essa estrutura que possibilita um treinamento mais produtivo está à disposição de muitos dos judocas da seleção também nos clubes, onde os atletas passam a maior parte do ano.

A custo de muito esforço, muitos clubes mantêm equipes multidisciplinares semelhantes à da CBJ e esse profissionalismo dos clubes garante uma boa base para os judocas durante toda a temporada e não somente quando estão servindo à equipe nacional. Os clubes também têm técnicos que se desenvolveram bastante nos últimos anos. E bons técnicos são fundamentais para que o potencial de grandes atletas se reverta em resultados.

A importância da estrutura dos clubes poderá ser vista, nesta sexta-feira, quando será realizado o qualifying para o Grand Prix Nacional, em Porto Alegre. As duas equipes classificadas no feminino se juntarão às seis outras que já fazem parte das maiores do judô brasileiro na disputa do GP, nos dias 9 e 10 de outubro, também em Porto Alegre.

No masculino também se classificarão duas. No total, serão 12 equipes que competirão em duas etapas: a primeira em Salvador e a final em São Paulo.

O GP Nacional é um evento importantíssimo que colocará à prova toda essa estrutura dos clubes. É também uma grande oportunidade para que os patrocinadores possam aparecer, já que o evento terá transmissão da TV e cobertura dos jornais. Para o público será a chance de ver em ação os maiores nomes do judô brasileiro.

Toda a estrutura de atendimento ao atleta e o calendário bem feito fazem com que os resultados internacionais acabem aparecendo. Espero que a CBJ continue desenvolvendo a sua estrutura, mas sempre dando a atenção devida aos clubes porque é neles que os atletas são feitos.

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Da reserva para o pódio

Em Tóquio, o Brasil superou o número de medalhas conquistadas em Campeonatos Mundiais. No total foram quatro: três de prata e uma de bronze. As duas últimas de Leandro Cunha, que se tornou o vice-campeão mundial entre os meio-leves, e de Sarah Menezes, terceira entre as ligeiros.

Grande conquista foi a de Leandro Cunha. Hoje, com 29 anos, o judoca do interior paulista foi, durante muito tempo, o segundo titular da vaga na categoria meio-leve. Primeiro, Leandro foi reserva do medalhista olímpico Henrique Guimarães. Depois, de 2005 a 2009, ele era o substituto natural do bicampeão mundial João Derly.

Embora tenha um excelente nível técnico, Leandro nunca conseguiu sobressair entre os atletas da Seleção, justamente por ser reserva. Mas, desde que assumiu como titular da vaga, Leandro Cunha obteve alguns bons resultados, como o ouro da Copa do Mundo de Belo Horizonte, em 2009. Sem grandes conquistas na atual temporada, ele ficou fora da lista de favoritos. Mas venceu na hora certa. Eu conheço bem essa história. Quando me tornei campeão olímpico, em Barcelona, muita gente nem cogitava meu nome para o pódio.

Leandro saiu da reserva para entrar na história do judô brasileiro. A medalha de prata é um resultado muito expressivo. Afinal, hoje ele integra o seleto rol de judocas que disputaram uma luta decisiva em Campeonato Mundial, coisa que pouquíssimos no nosso país conseguiram.

O vice-campeonato mundial do atleta do Pinheiros vem coroar uma carreira de superação e sacrifícios. Ele deixou de ser o segundo titular da vaga para se tornar o segundo melhor do mundo e isso não é pouca coisa. Com certeza, Leandro tem boas condições de brigar pelo ouro olímpico em Londres.

Queridinha do judô brasileiro, Sarah Menezes repete na Seleção Adulta as excelentes performances que já havia apresentado nas categorias de base. Ainda muito jovem, ela representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e embarcou para o Japão como uma das esperanças brasileiras em Tóquio.

Formada no Piauí, no Nordeste, Sarah é a prova de que a descentralização na conquista dos pódios internacionais entre os Estados brasileiros já é uma realidade. Até bem pouco tempo, a maioria das medalhas de Mundiais e Olimpíadas eram conquistadas por judocas paulistas. Mas, felizmente, nos últimos anos, alguns atletas de fora de São Paulo obtiveram resultados expressivos. João Derly, do Rio Grande do Sul; Flávio Canto, do Rio de Janeiro, e, agora, Sarah Menezes, do Piauí conquistaram títulos importantes, superando maiores dificuldades em seu desenvolvimento. Os três são desbravadores. A vice-campeã mundial Mayra Aguiar segue os passos de Derly. O judô brasileiro anseia por ver novos campeões do Nordeste, do Rio de Janeiro, do Sul, do Norte e da região central do país. A modalidade só terá a ganhar com isso.

Parabéns aos nossos medalhistas!

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De olho em Londres 2012

Leandro Guilheiro blog De olho em Londres 2012

Foto: Jed Jacobsohn/Getty Images

A medalha de prata alcançada por Leandro Guilheiro em Tóquio é um título inédito no rol de conquistas do melhor judoca do Brasil na atualidade. É um excelente resultado. Aliás, mais um excelente resultado, já que Leandro consegue se manter entre os melhores do mundo desde 2004, quando trouxe o bronze de Atenas.

Vale ressaltar que, depois do Mundial de 2009, Leandro mudou da categoria leve para a meio-médio e manter-se entre os melhores após mudar de categoria requer um treinamento muito forte, que pode ocasionar lesões que têm que ser administradas.

O grande trunfo de Leandro, até agora, tem sido conseguir treinar forte sem ter lesões para administrar. E, talvez, o segredo para que ele consiga o ouro em Londres-2012, seja administrar os treinamentos de forma a não sofrer lesões graves, dando continuidade à sua carreira campeã sem limitações físicas. Treinar forte sem lesões, esse deve ser o foco do nosso vice-campeão mundial até a próxima Olimpíada.

Eu não poderia deixar de destacar o excelente resultado de Flávio Canto. Classificar-se entre os cinco melhores do mundo, aos 35 anos, é digno de se tirar o chapéu. Num esporte como o judô, em que a exigência física é extrema, manter o nível técnico, físico e emocional apresentado por Flávio Canto, na idade em que ele está, não é para qualquer um. Acredito que ele teria chegado ainda mais longe se não tivesse pegado Leandro Guilheiro no caminho do pódio.

Infelizmente, uma contusão durante as lutas impediu Tiago Camilo de brigar pela medalha. Mas, mesmo numa situação adversa como essa, cabe um parabéns à Confederação Brasileira de Judô por manter uma equipe médica durante as viagens. A presença do médico ao lado da seleção proporciona uma maior segurança aos atletas e também às famílias dos atletas. Lesões são adversários inesperados em qualquer esporte. Tiago Camilo foi surpreendido por uma delas, mas tem todas as condições de chegar a 2012 brigando por medalhas para o Brasil.

Nossos jovens atletas, estreantes em campeonato mundiais, como Rafaela Silva, Bruno Mendonça e Mariana Silva, que lutaram ontem à noite, descobriram que disputar um mundial pela primeira vez é muito difícil. Muitos dos estreantes brasileiros em Tóquio estão participando das competições do circuito mundial pela primeira vez e muitos estão lutando de igual para igual com os adversários. A maioria é jovem, tem potencial e só vai precisar de muito treinamento para brigar pelas primeiras posições em mundiais e olimpíadas futuras.

Grandes nomes do nosso judô também já voltaram de campeonatos mundiais com as mãos vazias. Depois da derrota, é preciso levantar a cabeça rapidamente, estabelecer um novo alvo e dar continuidade aos treinamentos. Não é hora de esmorecer! Vamos focar nos Jogos Olímpicos de Londres.

Na madrugada de hoje, lutam Felipe Kitadai, Leandro Cunha, Érika Miranda e Sarah Menezes. Todos têm chances. Como costumo dizer, todo atleta de alto nível que sai para representar o Brasil em competições internacionais é favorito a conquistar o título.

Nossa grande expectativa fica por conta do desempenho das meninas. Érika foi quinta colocada no Mundial do Rio de Janeiro, em 2007, e Sarah, nossa bicampeã mundial júnior, vem conseguindo excelentes resultados e é, sem dúvida, um dos destaques da equipe feminina.

Vamos torcer para que essa seja uma madrugada de bons resultados. A meta é superar o máximo de três medalhas já conquistadas num mundial. Quem sabe dessa vez sejam quatro... Quem sabe o feminino conquiste mais do que o masculino... Vale a torcida!

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Uma prata para entrar para história

O judô brasileiro acordou diferente nesta quinta-feira. Uma nova estrela surgiu na constelação dos grandes nomes do nosso judô feminino, na qual, até ontem, só brilhavam Danielle Zangrando, Ednanci Silva e Ketleyn Qaudros. Com apenas 19 anos, Mayra Aguiar merece a nossa reverência. Ser vice-campeã mundial é um título histórico. Parabéns!

A trajetória dessa jovem já esboçava uma conquista desse porte. Com pouquíssima idade, Mayra disputou uma Olimpíada, conquistou uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007; e dois bronzes, em 2006 e 2009, e uma prata, em 2008, em Mundiais Júnior. Esse ano, ela foi bronze no Grand Slam do Rio  ouro na Copa do Mundo de Budapeste.

Acredito que a convivência de Mayra com o bicampeão mundial João Derly, com quem treina na Sogipa, certamente, a ajudou a acreditar que a conquista de uma medalha num Mundial era algo viável. Mayra também teve o privilégio de conviver, por um tempo, com Tiago Camilo, outro grande nome do nosso judô, que já foi eleito o melhor judoca do mundo. Compartilhar o tatame com grandes campeões é importante como estímulo para jovens atletas como Mayra, que, agora, deixa de ser promessa e é promovida à condição de grande campeã.

Para o judô brasileiro, o vice-campeonato de Mayra é de suma importância. Nosso judô feminino já teve outras representantes no pódio mundial, mas sempre no degrau mais baixo do pódio. A medalha de ouro, dessa vez, bateu na trave. Esse é um título importantíssimo para ela e também para toda a equipe brasileira que está no Japão. O grupo, com certeza, está animado e confiante em novas conquistas.

O feminino saiu na frente, vamos torcer para que outras medalhas venham. Na madrugada desta sexta-feira, nossas chances estarão nas mãos dos leves Rafaela Silva e Bruno Mendonça, e da meio-médio Mariana Silva. Coincidentemente, os três judocas integram projetos desenvolvidos por medalhistas olímpicos. Rafaela é do Instituto Reação, criado por Flávio Canto, no Rio de Janeiro; Mariana e Bruno são do Projeto Judô em Ação, idealizado e desenvolvido por mim na Associação de Judô Rogério Sampaio, em Santos. A presença dos três no Mundial prova a importância de campeões se preocuparem em transmitir seus conhecimentos e experiência às gerações futuras. No Japão, os discípulos dos campeões têm a chance de se tornarem campeões também.

Marina2 Uma prata para entrar para história

Bruno Uma prata para entrar para história

Os três chegam muito bem cotados a esse Mundial. Bruno Mendonça é considerado a grande revelação do judô brasileiro e, esse ano, coleciona títulos importantes como os bronzes do Campeonato Pan-Americano e do Grand Slam de Moscou e o ouro da Copa do Mundo de São Paulo. Rafaela Silva tem 18 anos, foi campeã mundial júnior, em 2008; bronze no Grand Slam do Rio de Janeiro e ouro na Copa do Mundo de Madri, em 2009. Já Mariana vai lutar em casa. Ela morou cinco anos no Japão, tem muitos amigos por lá, e pode ser considerada uma japonesa que nasceu no litoral paulista, uma região onde o judô alcançou um bom nível de desenvolvimento. Ela foi bronze no Mundial Júnior, em 2009; bronze no Campeonato Pan-Americano e no Grand Slam do Rio de Janeiro. Com torcida a favor, pode se tornar o destaque da equipe brasileira.

Mesmo antes de entrar na área de competição, esses três jovens podem ser considerados vencedores. Os três lutaram e venceram diversas dificuldades, principalmente, em relação à estrutura e aos recursos financeiros. Espero que a luta deles fora do tatame seja coroada, nesta sexta-feira, com um lugar no pódio de Tóquio.

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Brasileiros na luta pelo pódio mundial

judo blog Brasileiros na luta pelo pódio mundial

Na madrugada de hoje, os sonhos dos 17 judocas que representarão o Brasil no Campeonato Mundial, em Tóquio, no Japão, começa a se tornar real.

Num Mundial como esse, que promete ser o maior de todos os tempos, com 848 judocas representando 111 países, uma boa performance envolve vários aspectos.

Primeiro, o lugar mais alto do pódio, além do título, também significa pontos preciosos para o ranking olímpico da Federação Internacional de Judô, que vai definir as vagas para os Jogos Olímpicos de Londres-2012. E disputar uma Olimpíada é o sonho maior de todo atleta.

Em segundo lugar, a conquista de qualquer medalha é importante, não só para o atleta, mas também para o país. Nossa tradição foi iniciada por Chiaki Ishii, em 1971, com um bronze na Alemanha.

Em seguida, vieram os bronzes de Walter Carmona, em 1979, e Aurélio Miguel, em 1987. Em 1993, em Hamilton, no Canadá, Aurélio conquistou nossa primeira medalha de prata e eu entrei para a galeria de medalhistas mundiais com um bronze. Em 29 anos, somamos 19 pódios em Mundiais Sênior. Foram medalhas quatro de ouro, duas de prata e 13 de bronze.

Para as meninas, o desafio é ainda maior. Em toda a história, apenas Danielle Zangrando, a pioneira, com um bronze, em 1993, coincidentemente, em Tóquio; e Edninaci Silva, com os bronzes de 1997 e 2003, conquistaram medalhas.

Nossa galeria de campeãs conta também com Kertlyn Quadros, a primeira a subir ao pódio em uma Olimpíada. Por isso, qualquer das nossas judocas que conseguir uma medalha nesse Mundial de Tóquio será alçada ao nível das outras três que integram a galeria de campeãs.

Desde 2007, não conquistamos uma medalha de ouro em Mundiais e esse é outro objetivo a ser alcançado, agora, no Japão. Nossas chances são as melhores. A Seleção Brasileira conta com o apoio de uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicólogo, médico, fisioterapeuta e preparador físico e até uma equipe de estrategistas, além dos técnicos.

Todos os nossos adversários já foram filmados e estudados, e isso nos coloca em pé de igualdade com os principais adversários. Embora toda a equipe tenha boas chances, Leandro Guilheiro continua sendo o nosso principal atleta.

Tiago Camilo voltou a ter boas performances. Nos últimos confrontos, ele se mostrou focado. Na semifinal da Copa do Mundo por equipes, em Salvador, por exemplo, Tiago venceu, por wazari, o sul-coreano  Kyu-Won Lee, atual campeão mundial da categoria. A dúvida fica por conta da recuperação da lesão no pé esquerdo, sofrida por ele, há menos de 15 dias...

Outros judocas, como Hugo Pessanha e Bruno Mendonça, obtiveram excelentes  resultados nas competições que antecederam esse Campeonato Mundial e podem voltar ao Brasil como medalhistas.

Fica a expectativa!

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A arbitragem também precisa evoluir

Além de ser reconhecido internacionalmente como um celeiro de campeões, o Brasil também tem tradição na arbitragem. Desde o ícone Carlos Catalano, que ocupou o cargo de diretor de arbitragem da Federação Internacional de Judô; passando pelos irmãos Mário e Shigueto Yamazaki; Emmanuel Mattar, o Maranhão, até Edson Minakawa, eleito, em 2009, o Melhor Árbitro do Mundo, nossa arbitragem tem sido bem representada nos tatames do mundo nas principais competições internacionais, como Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais. Fiquei feliz ao saber que, essa semana, o brasiliense André Mariano foi  aprovado como árbitro da FIJ.

Apesar de termos hoje, no Brasil, onze árbitros de nível internacional, acredito que é hora de se pensar numa reestruturação nos métodos de formação dos árbitros brasileiros. Enquanto a preparação dos atletas tem evoluído a cada dia, com a introdução de novos recursos e o respaldo de profissionais como nutricionistas e psicólogos, a formação dos árbitros continua sendo a mesma da época em que eu comecei a competir.

A necessidade dessa evolução na formação da arbitragem fica evidente em competições nacionais e regionais, quando os erros de avaliação são constantes. Devido à falta de uma melhor preparação e do excesso de trabalho, os árbitros acabam sendo vítimas do sistema de avaliação.  Alguns torneios reúnem cerca de mil a 1200 atletas e isso é terrível para a arbitragem. Em número reduzido, os árbitros chegam a atuar em dezenas, às vezes centenas de lutas, num mesmo dia. E isso não é bom para ninguém.

A remuneração é um capítulo à parte. Mais próximos do que se pode chamar de pequena ajuda de custo, os valores pagos aos árbitros em certas competições não ultrapassam os R$ 50,00, o que é um absurdo. Se sonhamos com a evolução do esporte, com a profissionalização dos atletas, temos que pensar seriamente num esquema mais profissional para a arbitragem.

Claro que o cenário é bem diferente nas disputas internacionais, onde sempre há um número maior de árbitros, um número menor de lutas, melhor remuneração e recursos tecnológicos de apoio para evitar os erros de avaliação.

Toda modalidade é composta por atletas, técnicos e arbitragem. E a evolução se faz necessária em todas essas áreas.

Até!

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O futuro do judô brasileiro nos tatames de Orlando

Daniel Beatriz Raphael blog O futuro do judô brasileiro nos tatames de Orlando

Foto: Getúlio Camargo

Viajar para Orlando, na Flórida, é o sonho de quase 100% das crianças do mundo todo. Divertir-se entre com os personagens e brinquedos da Disney é uma boa pedida em qualquer idade, ainda mais quando se tem menos de 20 anos e muita energia para gastar.

Nessa semana, um grupo de 32 jovens brasileiros está embarcando para Orlando, nos Estados Unidos, levando na bagagem algo maior do que o sonho de conhecer os cenários dos contos de fadas. Para esse grupo, composto apenas por jovens atletas com menos de 20 anos, a diversão do parque temático ficará em segundo plano. Afinal, eles estão indo para a América em busca de medalhas no Campeonato Pan-Americano Sub-17 e Sub-20. Entre eles, grandes promessas do nosso judô que poderão subir ao pódio nos Jogos Olímpicos de 2016, aqui no Brasil.

Diferentemente de anos atrás, o esporte brasileiro do século 21 tem demonstrado grande preocupação com o futuro e com a renovação. Felizmente, não vivemos mais limitados aos grandes talentos de agora, mas investimos, mesmo que ainda não da maneira ideal, no potencial dos jovens que poderão se tornar grandes campeões.

Esse Campeonato Pan-Americano das categorias de base, juvenil e júnior, que acontece a partir da quinta-feira, dia 2, até o domingo, dia 5, é de extrema importância para a renovação do judô brasileiro. Lá, muitos terão a sua primeira experiência internacional, pegarão no quimono de americanos, cubanos e demais atletas da pan-américa pela primeira vez. E o intercâmbio internacional, realizado desde cedo, na carreira dos nossos jovens é muito valioso na formação dos nossos futuros campeões. Não falo apenas como analista, comentarista, como técnico ou como amante do judô, falo por experiência própria. Anos antes de conquistar a medalha olímpica, eu disputei essa competição duas vezes, na Cidade do México, em 1985 e 1987. Sofri com a altitude, mas fui campeão nas duas e sei como o Pan é importante para estimular os atletas a treinarem mais, a se empenharem mais e cultivarem sonhos mais altos, como o do pódio em uma Olimpíada.

Que os meninos e meninas do Brasil possam fazer bonito nos tatames de Orlando e que, depois das conquistas, tenham tempo de se divertir na Disney. Afinal, comemorar faz bem em qualquer idade.

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Mantida a tradição campeã do nosso judô

E o nosso judô conquistou mais uma medalha olímpica para a sua galeria. No último domingo, na primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura, a jovem Flávia Gomes fez bonito e entrou para a história do esporte nacional ao garantir a medalha de prata na categoria até 63 kg.

Como muitos dos nossos campeões, apesar da pouca idade, apenas 16 anos, Flávia traz em seu histórico lutas também fora do tatame. Em entrevistas à imprensa, o pai da judoca relatou as dificuldades que a família enfrentou, até bem pouco tempo, para bancar viagens e competições. Segundo ele, além da contribuição de toda a família, Flávia chegou até a vender rifas para levantar recursos. Infelizmente, histórias como as dela são frequentes na galeria dos campeões do judô brasileiro. Eu mesmo conquistei  o ouro olímpico em Barcelona usando um quimono emprestado...

Apesar da falta de recursos, Flávia vem colecionando conquistas. Campeã mundial Cadete (Sub-17), na categoria – 57kg, no ano passado, na Hungria, a brasileira garantiu o bronze no Campeonato Europeu Sub-20, na República Tcheca, pouco antes de embarcar para os Jogos Olímpicos da Juventude.

flavia Mantida a tradição campeã do nosso judô

Divulgação/CBJ

Na preparação para o pódio de Cingapura, Flávia Gomes teve também de ganhar peso para competir na categoria -63 kg, já que a sua categoria não constava da disputa dos Jogos. No dia da competição, a brasileira venceu suas duas primeiras lutas por ippon e só perdeu a final, no último minuto, para a campeã mundial da categoria.

Embora tenha chorado de tristeza ao final da luta, nossa campeã já deve ter percebido que a prata foi uma grande conquista, não só para a sua carreira, mas também para o judô brasileiro que, mesmo com apenas dois participantes, voltou de Cingapura com uma medalha.

O bom desempenho de Flávia aumenta ainda mais nossas esperanças quanto à performance do nosso judô nos Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil, quando ela terá chances de brilhar entre os melhores do mundo na categoria sênior. Apesar do entusiasmo, vale lembrar que nessa idade, 16 anos, o atleta ainda está em fase de formação física e técnica. Portanto, é preciso ter cuidado para não transformar essa conquista numa pressão na carreira da nossa vice-campeã olímpica.

Resta-nos torcer para que a judoca brasileira que brilhou nos Jogos Olímpicos da Juventude tenha a mesma iluminação que tiveram outros grandes nomes do judô nacional e se torne, num futuro bem próximo, uma campeã olímpica.

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Bruno Mendonça: fique atento a esse nome!

Imagine a ansiedade de um atleta que disputa uma seletiva para a formação da Seleção Brasileira, brigando pela vaga na categoria leve (- 73 kg), que até bem pouco tempo tinha como titular ninguém menos do que o duas vezes medalhista olímpico Leandro Guilheiro? Que Tb era de santos

Para complicar ainda mais a situação do jovem judoca, até então pouquíssimo conhecido, ele entrou na luta sabendo que todo o favoritismo pertencia ao adversário, no caso o respeitadíssimo bicampeão mundial  João Derly.

Assim como o futebol, o judô, às vezes, também é uma caixinha de surpresas. Durante o combate entre o favorito e o desconhecido, João Derly sofreu uma séria contusão no joelho e, diante da impossibilidade do adversário em continuar na competição, o guerreiro Bruno Mendonça pode ver realizado o seu sonho de integrar a Seleção Brasileira de Judô.

Santista, 25 anos, Bruno tem provado, ao longo das competições, que a sua classificação entre os melhores judocas do Brasil não foi obra do acaso. Desde o início deste ano, essa grata surpresa da equipe nacional vem colecionando conquistas. Foi bronze nos Jogos Sul-Americanos da Colômbia, bronze no Campeonato Pan-Americano de El Salvador, campeão da Copa do Mundo de São Paulo e bronze no Grand Slam de Moscou.

bruno mendonça blog Bruno Mendonça: fique atento a esse nome!

Ocupando a 66ª posição no ranking mundial e olímpico da Federação Internacional de Judô, que definirá as vagas para os Jogos Olímpicos de Londres-2012, no início da temporada, Bruno Mendonça, que, só para registrar, é um dos atletas da Associação de Judô Rogério Sampaio/Telefônica, em Santos, e integra o Projeto Judô em Ação, coordenado por mim, foi galgando posições e agora é o 19º melhor judoca da categoria leve no mundo.

Todas essas performances garantiram a ele uma vaga na equipe brasileira que disputará o Campeonato Mundial de Tóquio, de 9 a 13 de setembro próximo.  Determinado, Bruno tem levado os treinamentos muito a sério. E embora ele não tenha o hábito comemorar nenhum outro resultado a não ser o primeiro lugar, não vou me surpreender se Bruno voltar do Japão com uma medalha no peito. E comemorando muito. Bronze e prata também valem.

Um dia eu também já fui o judoca desconhecido e trouxe um título olímpico de Barcelona, em 92, e o bronze do Mundial do Canadá, em 93. Coincidência ou não, naquele Mundial, eu também lutei na categoria leve. Bruno Mendonça é santista como eu. Espero que as coincidências não terminem por ai.

Guarde esse nome!

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Mais um desafio para a tradição campeã do judô brasileiro

Começa nessa sábado, em Cingapura, a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude. Destinada a atletas com idades entre 14 e 18 anos, a competição deverá reunir 3.600 jovens atletas representando 205 países. A delegação brasileira conta com 81 integrantes, sendo apenas dois judocas.

De olho nos Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem, e sonhando em fazer bonito, em casa, na Olimpíada de 2016, Matheus Machado e Flávia Gomes, apesar da pouca idade, entrarão no tatame, no próximo dia 21, carregando sobre os ombros a responsabilidade de manter a tradição do judô brasileiro, reconhecido mundialmente pela conquista de medalhas em grandes eventos internacionais.

Depois de conquistar o ouro no Campeonato Mundial Cadete (Sub-17), em Budapeste, em 2009, e de trazer o bronze do campeonato Europeu Sub-20, esse ano, Flávia Gomes desponta como uma das grandes promessas do judô brasileiro. Já a trajetória do seu companheiro de equipe, Matheus Machado, até os Jogos, me faz lembrar a saga da brasileira Andressa Fernandes, que conquistou o direito de disputar os Jogos Olímpicos de Pequim, às vésperas da competição. De maneira semelhante, Matheus foi convocado essa semana para substituir Henrique Silva, lesionado durante os treinamentos, em Dubai, onde o Brasil realizou sua aclimatação.

Judô Mais um desafio para a tradição campeã do judô brasileiro

Foto: Gettty Images

Além da correria para o embarque, Matheus enfrentará um novo desafio em Cingapura: estrear na categoria -66 kg. Atleta do Instituto Reação no Rio de Janeiro, ONG criada pelo medalhista olímpico Flávio Canto, Matheus Machado traz em seu currículo o vice-campeonato mundial Sub-17, conquistado em 2009.

Jovens e com um judô de alto nível técnico, Flávia e Matheus já são vencedores por terem conseguido chegar a essa edição histórica dos Jogos Olímpicos da Juventude. Antes, durante e depois da luta, eles precisam ter em mente que a tradição campeã do judô brasileiro foi conquista ao longo de muitos anos e que eles não precisam se sentir pressionados por essa tradição. Livres de pressões, independentemente do resultado que conquistarem em Cingapura, esse dois jovens já entraram para a história do esporte brasileiro e ainda terão muito tempo para continuar lutando por medalhas e colocando o nome do Brasil no pódio do judô mundial.

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