Publicado em 06/12/2011 às 17h54
Sócrates nos deixa um pouco órfãos
Ainda estou triste pela morte do Dr. Sócrates. Ele foi uma das estrelas da seleção de 82, uma seleção mágica que deixou mais saudades até do que outras que conquistaram a Copa do Mundo.
Aquela foi uma seleção especial porque era composta por pessoas diferenciadas, tanto como profissionais do futebol quanto como pessoas. E Sócrates brilhava entre essas pessoas especiais.
Ele era um atleta diferenciado em todos os sentidos. Tecnicamente, era um jogador que enchia os olhos de quem ama o futebol. E ser referência no Brasil num esporte que é tão rico em genialidade, por si só, é um grande feito para qualquer atleta.
Mas Sócrates também se destacava por sua participação política, o que é uma raridade. Geralmente, o atleta, quando está no auge está centrado na sua carreira, acaba deixando de se envolver em discussões políticas que são fundamentais para o futuro do esporte e, mais importante ainda, para o destino da nação.
Sócrates não se deu ao luxo de ficar calado nos tempos da ditadura e fez questão de usar sua influência com ídolo de multidões na Campanha Diretas Já, em 1984.
A atuação política de Sócrates nos deixa a lição de que, mesmo no auge, o atleta pode, e deve, dedicar-se às questões políticas do esporte e do país.
Com sua morte, Sócrates junta-se a outros grandes nomes do nosso esporte que acabam partindo de maneira prematura, como João do Pulo e Ayrton Senna, só para citar alguns.
O futebol fica meio órfão sem Sócrates. Por suas características singulares, ele deixa um espaço vazio. Dessa vez, não há ninguém à altura para substitui-lo.
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