
Estou comemorando 20 anos da conquista da medalha de ouro em Barcelona. Para mim, esse tempo passou tão rápido!!!
Ao lembrar daquele dia, sinto saudades. Saudades de escutar o hino nacional do degrau mais alto do pódio, saudades da minha chegada ao Brasil. Lembro que São Caetano do Sul parou para me ver. Saudades da minha chegada inesquecível em Santos, desfilando em carro de bombeiro com a minha família. Recordo da energia das pessoas. Saudade de viver aqueles momentos que foram tão marcantes na minha história, daqueles momentos em que as pessoas foram felizes junto comigo.
Lembrando da conquista, é impossível não me lembrar do meu caminho até o ouro olímpico. Ai, sinto saudades da minha juventude, dos campeonatos, dos treinamentos, de ir treinar a pé, carregando uma mochila grande nas costas. E a mochila sempre voltava mais pesada do que ia, porque os quimonos ficavam encharcados de suor depois dos treinos.

Queria ter a possibilidade de começar tudo de novo!
Quando me lembro que fui campeão olímpico, lembro que ninguém conquista nada sozinho. Numa hora como essa, me lembro de todas as pessoas que contribuíram para que eu chegasse lá, ao no topo do pódio olímpico. A principal delas, além, é claro, do sensei Paulo Duarte, que me ensinou muito do que sei no judô, é o meu irmão Ricardo.
Embora já faça 20 anos da conquista da medalha, a saudade maior é dos momentos que pude treinar com o meu irmão. Ele era quatro anos mais velho do que eu, começou no judô antes, foi à minha frente, abrindo caminho, me levando para os treinamentos que ele participava. Ele disputou a Olimpíada de Seul, em 1988, e, infelizmente, não estava mais entre nós quando eu me tornei campeão olímpico. Saudades do Ricardo!

Mas, ninguém vive de passado. Por isso, logo depois do ouro em Barcelona, assumi o compromisso de promover o desenvolvimento educacional de jovens e crianças através da prática do judô. Com o apoio de um grupo de amigos, transformei meus planos em realidade ao fundar, em 1993, a Associação de Judô Rogério Sampaio, em Santos.
Graças ao trabalho bem feito, além da educação e da disciplina, talentos têm despontado entre os alunos da AJRS. Desde a sua criação, a academia tem enviado atletas para todas as edições dos Jogos Olímpicos e Pan-Americanos, e muitas vezes, com conquista de medalhas.

Uma outra maneira de retribuir às oportunidades e vitórias que o judô me proporcionou, é investir na formação de jovens e adolescentes carentes. Desde o ano passado, a Associação de Judô Rogério Sampaio, em parceria com as prefeituras de Santos, São Vicente e Cubatão, com patrocínios da Telefônica, Anglo American, Votorantim Cimentos e Instituto Votorantim, EcoRodovias e Usiminas, e o apoio do Santos Futebol Clube e da Galvão Engenharia, tem desenvolvido o Projeto Judô – Educando Para a Vida, que atende aproximadamente mil alunos na Baixada Santista. Saber que eles treinam nos mesmos tatames utilizados em Jogos Olímpicos e campeonatos mundiais e contam com professores qualificados, como o vice-campeão olímpico Carlos Honorato e o sensei Paulo Duarte, me deixa muito feliz!
E as grandes parcerias continuam. Ninguém consegue nada sozinho. Vinte anos depois, conto com outro companheiro de treino e de sonhos, que é o técnico Ivo Nascimento. Há alguns anos, ele é o responsável pelo êxito dos atletas da AJRS. Sem essa parceria, seria difícil continuar alcançando conquistas pelo mundo afora. Ivo é meu braço direito nos projetos da academia, temos uma relação de confiança mútua, fundamental para o sucesso do judô santista.

O tempo passou rápido. Ainda bem que pude viver aquilo tudo e hoje ter um espaço para contar a minha história.
Nos meus projetos, no meu trabalho na Fundação Pró Esporte de Santos (FUPES), na minha atuação como comentarista da Rede Record e até mesmo como blogueiro do R7, tenho feito aquilo que eu mais aprendi a fazer com os treinamentos do judô: trabalhar duro.
Tenho cumprido o compromisso de levar os ensinamentos do judô para o maior número de pessoas para que elas possam ter as mesmas oportunidades que eu tive.
Vinte anos se passaram e eu continuo vivendo em Santos, só me mudei de apartamento, mas a cidade é a mesma. Já tive convites para morar em outros lugares, mas não consigo imaginar meu desenvolvimento profissional e pessoal longe da cidade que me faz tanto bem. Eu viajo muito, mas a sensação de voltar para Santos é maravilhosa.
Como já disse, um campeão olímpico não se faz sozinho. Minha família, meus amigos, meus técnicos, meus companheiros de treino, meus parceiros, a torcida brasileira: quero agradecer a todos. A medalha vai ficar para sempre comigo, mas a conquista é de todos nós!

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