Bruno boa esporte1 Futebol tem obrigação de virar as costas ao Boa Esporte enquanto Bruno estiver láA Chapecoense conquistou o coração do povo brasileiro e a simpatia mundial depois de protagonizar uma tragédia que dizimou quase a totalidade de seu elenco em novembro de 2016, passando a assumir um lugar como “segundo time” de cada torcedor com simpatia e simplicidade em cada ato de sua reconstrução.

Na contramão do que transformou o clube catarinense em um dos mais queridos do futebol está o Boa Esporte, modesto time mineiro da cidade de Varginha e que disputará a Série B do Campeonato Brasileiro em 2017.

O acerto com o goleiro Bruno, ex-presidiário acusado de participação de assassinato e ocultação de cadáver, causou revolta entre boa parte dos torcedores do próprio clube e, instantaneamente, transformou o Boa em um dos times mais impopulares do País.

Abrir as portas para um ex-presidiário é um ato nobre e que deve servir de exemplo, mas quando o personagem em questão é Bruno e o emprego oferecido é de atleta profissional de futebol, a conversa precisa ser analisada de maneira diferente, com outra ótica, como já fez um dos patrocinadores do clube mineiro, que anunciou a retirada do aporte.

Bruno já foi ídolo de uma das maiores torcidas do mundo e campeão brasileiro pelo Flamengo, ganhou milhões, foi cotado para servir a seleção brasileira em uma Copa do Mundo e tinha tudo para caminhar rumo a uma aposentadoria tranquila. Jogou tudo fora ao se envolver em um crime hediondo, sórdido, que culminou com o assassinato de uma ex-amante, mãe de seu filho. Tudo para não ter que pagar pensão.

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Condenado a mais de 20 anos de prisão, cumpriu um terço da pena e, com anuência da Justiça, ganhou um habeas corpus para voltar à liberdade. Até aí, nenhum problema. O problema é que Bruno não é um ex-presidiário comum, que deixa a cadeia em busca de novas oportunidades.

Bruno está prestes a defender as cores de uma equipe de futebol profissional novamente e, em teoria, voltar a um meio no qual ídolos são construídos com uma velocidade inacreditável. E esse é o grande “x” da questão.

Pela pequena amostra obtida em sua saída da prisão, quando foi possível ver algumas pessoas sorrindo em selfies ao lado de Bruno, não é difícil imaginar que a atrocidade cometida acabe sendo “esquecida” se o goleiro corresponder dentro de campo. E isso não pode acontecer.

Bruno não tem o direito de voltar a ser idolatrado e tido como exemplo. O futebol não merece isso. E precisa dar as costas para Bruno e para o Boa Esporte enquanto é tempo.

Paulo Amaral, editor de Esportes do R7



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