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PRECONCEITO

Começamos a última semana de forma triste, num ato injustificável de violência: a vida de muitas crianças foi interrompida por um indivíduo que até que se comprove o contrário, a grande causa, o motivo talvez seja o trauma pelo preconceito sofrido na infância.

Por outro lado, encerramos a semana com uma atitude linda de todo um time, que em apoio ao companheiro de equipe, demonstrou que o esporte pode e deve ser uma forma de manifestação positiva.

Michael, atleta de vôlei, alem da atitude corajosa, tocou em uma ferida em que o esporte ainda insiste em não discutir. As manifestações de preconceito devem ser banidas das quadras, campos, piscinas e etc.

As torcidas uniformizadas são punidas com frequência e ainda falta muito para que os torcedores de verdade se sintam confortáveis para acompanhar uma partida sem medo da violência.

O esporte tem a grande chance de ensinar muito com esta atitude, aqueles que já tem o preconceito tatuado na alma, talvez não, mas as novas gerações podem entender que a violência está também em nossas palavras e atitudes.

Michael, obrigada pela sua coragem, pela sua atitude cidadã. Você foi exemplo para um país inteiro, foi o porta voz de todos aqueles que já foram e são discriminados todos os dias.

Estamos com a alma lavada e com a sensação de que o mundo tem jeito, basta começar pelas crianças.

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Vencendo o preconceito

Enquanto atleta eu era muito questionada sobre como era ser comandada por uma mulher. Fomos campeãs em Cuba com uma mulher no comando, ou melhor, duas: as treinadoras Maria Helena e Heleninha. Aproveitava até mesmo para brincar com o tema, dizendo que o único problema era a treinadora entrar no vestiário depois da partida, sem precisar bater, sendo surpreendida com alguma atleta fazendo críticas no calor pós-jogo. Por isso, eu jamais compactuei com o bate-papo após as partidas, principalmente quando a equipe saia derrotada: com a cabeça quente falamos muitas coisas sem pensar.

A mulher atleta ainda sofre muito preconceito, mas este tabu vem se diminuindo nos últimos anos. Metade da delegação olímpica brasileira já é composta por mulheres. Outro exemplo são as que apitam ou jogam futebol. Além disso, muitas mulheres vêm exercendo profissões em que assumem papel de liderança; a eleição de uma presidenta no final de outubro foi à última grande conquista do Brasil nesse aspecto. Acredito que a capacidade das pessoas não depende do sexo, mas sim da coragem e do preparo para comandar o que lhes for atribuído.

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