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Muito longe do ideal

Postado por lucaspereira em 8 de março de 2017 às 14:15 em Sem categoria | Nenhum comentário

O dia internacional da mulher não deve ser visto só como uma homenagem ao sexo feminino.

No Brasil, por exemplo, é um dia para se debater e questionar o papel da mulher na sociedade de uma forma geral.

Uma data que lembre que elas estão muito longe de ter uma representatividade digna de um grupo que responde por mais da metade da população.

No Congresso Nacional, apenas 10,7 % dos deputados são mulheres. Entre os senadores, somente 14,8 %.

Tivemos apenas uma Presidente, que acabou sendo afastada do cargo.

O substituto, Michel Temer, acabou montando um ministério inteiramente masculino, pelo menos no início da gestão.

Depois da repercussão negativa, acabou dando um pequeno espaço para as mulheres pra não pegar mal com a opinião pública.

Infelizmente esse é o retrato do Brasil. Um país ainda extremamente machista e conservador.

Um lugar onde as mulheres ganham menos que os homens e são obrigadas a dar conta (muitas vezes sozinhas) das tarefas domésticas.

Uma parte delas ainda sofre com a violência doméstica, principalmente as de menor poder aquisitivo, que dependem financeiramente do companheiro e se veem obrigadas a aceitar essas humilhações.

Uma triste realidade que está muito longe de terminar.

No esporte, as mulheres também sofrem com menor premiação e reconhecimento do poder público.

Até arrumar patrocínio é uma tarefa muito mais fácil para os homens.

O futebol feminino é um grande exemplo dessa desigualdade aqui no Brasil.

Enquanto o campeonato brasileiro para os homens é supervalorizado, com cotas altas de TV e patrocínio, o feminino nem campeonato tem.

Na verdade, elas só são lembradas em época de Olimpíada ou Pan-Americano. Só a seleção tem algum espaço.

Nesse cenário, as nossas jogadoras são obrigadas a sair do país pra seguir carreira no esporte.

Sem falar em treinadoras e gestoras, que são figuras raras no esporte brasileiro.

Nos esportes coletivos, apenas a Emily Lima comanda uma seleção nacional. Assim mesmo, no já citado e combalido futebol feminino.

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Comandante do Judô feminino, Rosicleia Campos é um raro exemplo de treinadora de destaque nos esportes olímpicos

Nos cargos de gestão, a situação não é diferente.

Apenas uma Presidente de Federação: Luciene Resende, da Confederação Brasileira de Ginástica.

Enquanto a conquista desse espaço não acontecer, o dia da mulher vai continuar sendo uma data muito mais de reflexão do que de comemoração.

Até a próxima.

 

 

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