Balanço da participação brasileira em Londres

Na minha opinião, o desempenho do Brasil foi acima do esperado em algumas modalidades, e um fracasso em outras.

O atletismo foi a modalidade que mais decepcionou, ficando sem nenhuma medalha, coisa que há 20 anos não acontecia. Fabiana Murer foi o fiasco dessas Olimpíadas. Campeã mundial em pista coberta e descoberta, ela chegou a Londres com status de medalha certa, não sabíamos se de ouro ou de prata. Mas o que se viu foi uma atleta nervosa, que parou nos 4,55 metros e sequer chegou à final. Mico total.

Maurren Maggi defendia o título olímpico e também não chegou à final, mas sabíamos dos problemas físicos que ela enfrentou antes dos Jogos, portanto não havia uma expectativa muito grande em cima dela. Os revezamentos do Brasil também decepcionaram. O masculino nem pra final foi, enquanto o feminino ainda participou da final, mas ficou bem longe do pódio.

A vela com Scheidt e Prada parecia ouro certo, já que eles não perdiam pra ninguém há praticamente dois anos. Mas tivemos que nos contentar com o bronze. Muito pouco para uma modalidade que já deu tantas alegrias para os brasileiros.

Esperava mais também do vôlei de praia, que chegou para brigar por pelo menos uma medalha de ouro. Alison e Emanuel eram os grandes favoritos, mas perderam a final olímpica. Juliana e Larissa estavam jogando bem e tinham a vitória praticamente garantida na semifinal, mas deixaram as americanas virarem e tiveram que se contentar com o bronze.

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Já o vôlei de quadra teve uma participação muito boa. Depois de um começo ruim, em que quase foram eliminadas na primeira fase, as meninas deram a volta por cima, conseguiram uma vitória épica contra as russas nas quartas e depois disso cresceram muito na competição, tanto é que não se abateram com os 25 a 11 que levaram no primeiro set, e viraram o jogo na raça contra as americanas. Por ironia do destino, o Brasil só se classificou na primeira fase porque os Estados Unidos derrotaram a Turquia. Parecia que as americanas não acreditavam que o Brasil fosse atrapalhar o caminho delas para o ouro.

O vôlei masculino chegou desacreditado em Londres por causa do fraco desempenho do time antes dos Jogos. A medalha de prata deveria ser muito comemorada se não fosse a final contra a Rússia, em que o time abriu 2 a 0 e chegou a ter match point no terceiro set, mas deixou os russos virarem. Uma pena, mas se antes das Olimpíadas alguém dissesse que o Brasil ganharia a prata no vôlei masculino eu acharia um resultado maravilhoso.

O boxe também merece destaque, com dois bronzes e uma prata. Os irmãos Falcão fizeram bonito, junto com Adriana Araújo, e deixaram os dirigentes do COB confiantes de que o esporte pode ser um novo Judô em Olimpíadas no número de medalhas.

Judô que ganhou quatro medalhas, mas sinceramente eu esperava mais. Só uma medalha de ouro e mais três bronzes, com certeza não era a expectativa. Destaque para Sarah Menezes e decepção com Mayra Aguiar e Leandro Guilheiro, que nem medalha ganhou.

Cesar Cielo parecia ter o ouro certo nos 50 metros, mas teve que se contentar com o bronze. Nos 100 metros, nem perto do pódio ele chegou. O melhor resultado do Brasil na natação foi com Thiago Pereira, que surpreendentemente foi prata nos 400 metros medley, superando Michael Phelps.

O futebol feminino perdeu a chance de medalha quando perdeu para a Grã-Bretanha na primeira fase e teve que enfrentar o Japão, atual campeão mundial, nas quartas. Mas não dá pra achar que só a Marta vai resolver, tem que haver um planejamento e uma equipe que seja forte coletivamente.

Isso serve também pro futebol masculino, que esbarrou em uma seleção muito superior coletivamente na final. O México não tem tantos valores individuais, mas o time é muito mais arrumado do que o Brasil. Não adianta ter Neymar, Oscar, Damião e companhia, se o time não está bem posicionado, e não sabe jogar coletivamente em campo. Que isso sirva de lição para a CBF, de que precisamos mudar muita coisa visando a Copa do Mundo em casa daqui a dois anos. Estou convencido de que Luiz Felipe Scolari é o melhor nome para preparar a seleção visando o mundial.

Ainda tivemos no último dia o bronze da Yane Marques no pentatlo, que foi pra mim a maior surpresa da participação brasileira nos Jogos. Terminamos em 22º no quadro de medalhas, com três de ouro, cinco de prata e nove de bronze. Duas a mais do que Pequim, e um recorde no número de medalhas. Foi muito bom, mas poderia ter sido melhor.

Aproveito esse espaço pra agradecer de coração a todas as pessoas que confiaram no meu trabalho e que me receberam com muito carinho, tanto na Record, na Record News e no portal R7. Foi o primeiro grande evento que em que tive oportunidade de representar o grupo e foi uma experiência muito positiva.

Até a próxima.

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