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Negociaria com alguém que dissesse que você merece pé na …, como esse Jerônimo da Fifa?

walcke beija teixeira Negociaria com alguém que dissesse que você merece pé na …, como esse Jerônimo da Fifa?Quem beija é Jerônimo - e a legenda, claro, pode acabar por aqui

 

O governo federal, o de alguns estados e o de municípios escolhidos para sede cometeram, inegavelmente, vários erros até aqui, na organização da Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil.

 

 

A atuação do Comitê Organizador Local, o COL, está igualmente marcada por uma série de equívocos.

 

 

Obras em estádios como os de Natal (RN), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) estão clara e preocupantemente atrasadas.

 

 

Algumas obras viárias de acesso a arenas e de infraestrutura em cidades-sede dão impressão total de estagnação. Algumas sequer saíram do papel.

 

 

A quantidade insuficiente de quartos de hotel para a procura esperada na Copa é um fato verdadeiro em várias dessas cidades. Situações confortáveis, no momento, só as de São Paulo e Rio de Janeiro.

 

 

No outro extremo, o da preocupação, aparecem Cuiabá, no Mato Grosso, e sobretudo Manaus, no Amazonas. Ainda há tempo para construir quartos suficientes em todas as cidades, mas é preciso correr.

 

 

A situação dos aeroportos também é constrangedora.

 

 

O Brasil é um país continental. Tem capitais separadas por distâncias de até 8 mil quilômetros.

 

 

Isso sem uma linha sequer de trem de alta velocidade. E uma nova classe média que, com mais de 100 milhões de consumidores, entope os aeroportos do País, num mercado que cresceu nos últimos tempos - e deverá crescer nos próximos - mais de 10% ao ano, na média, em volume de passageiros.

 

 

Diante deste cenário - não exatamente novo, diga-se - é imperdoável que a modernização de nossos aeroportos tenha começado tão tarde. E isso ainda que o País não tivesse pela frente a obrigação de abrigar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

 

 

Além de tudo isso, está claro para todo mundo que, se tivessem feito uma forcinha a mais em nome do conforto de fugir das cobranças, o Congresso Nacional e o governo federal já teriam votado e aprovado a Lei Geral da Copa, motivo de tantas reclamações da Fifa nestes tempos de resto nada confortáveis.

 

 

 

Governo e Congresso não devem, claro, ser pautados pelos desejos e prazos de Dona Fifa.

 

 

Mas daí a queimar prazo de forma claramente exagerada já passa a sensação, a altura do campeonato, de algum descontrole e um certo charme exagerado.

 

 

Se algum ponto sobre prazo, obra, direito de venda de produto, publicidade, aprovação de lei ou qualquer outro tema foi admitido na disputa pela Copa, assumido na assinatura do contrato e, depois, questionado ou não cumprido pelo governo na forma do escrito, é direito da Fifa querer a realização da coisa nos termos em que o compromisso foi firmado.

 

 

Não vale dizer, no sufoco da disputa com quem for, que aceita entregar tudo, dar as chaves deste mundo e de metade do outro, e depois, vencida a parada, querer recuar sozinho dizendo que o combinado está pesado.

 

 

Sim, ok, tudo isso é verdade, é fato.

 

 

Mesmo assim, acredito que o País realizará uma boa copa e, depois, uma boa olimpíada.

 

 

Agora, vamos combinar com honestidade: o que não pode, mesmo diante desses problemas (e problemas em campanhas do tipo estão longe de ser uma exclusividade do Brasil), é aparecer alguém como esse Walcke, esse Jerôme, e, mesmo no cargo de secretário-geral da Fifa, afirmar que os "organizadores" da Copa - o que inclui ministros, representantes do governo e, em última instância, a própria presidente Dilma Rousseff - merecem um bom pé na bunda para ficar espertos e cumprir o cronograma no prazo desejado por ele.

 

cartao vermelho trabalhoinfantil agbrasil Negociaria com alguém que dissesse que você merece pé na …, como esse Jerônimo da Fifa? Vermelho para trabalho infantil. Faz sentido - Agência Brasil

 

Sim, pois é isso o que significa precisamente aquele "vocês precisam se pressionar, levar um chute no traseiro e fazer a Copa" dito pelo Jerôme, em termos nada franceses.

 

 

 

Dito por esse Jêrome talvez para agradar o amigo de fé Ricardo Teixeira, que, além de viver um inferno astral que o faz balançar na presidência da CBF, tem, como presidente do Comitê Organizador Local, o COL, todos os seus pedidos de audiência com a presidente Dilma solenemente ignorados.

 

 

 

Se comportar como esse Jerônimo se comportou, em relações internacionais formais com um Estado, não pode.

 

 

 

É um exemplo rico, esculpido e acabado da forma autoritária, prepotente, insensível, autista, incompetente e vulgar com que a Fifa acredita poder resolver seus problemas com nações independentes.

 

 

Parece diplomacia do esperneio de velhotes mal-acostumados.

 

 

O governo tem toda razão em não mais reconhecer esse Jerônimo como interlocutor. E de exigir que Dona Fifa coloque outro de seus camaradas no lugar deste elemento.

 

 

Não é questão se ser um governo de direita ou esquerda, um governo que tenha o seu ou o meu apoio ou mesmo a realização de uma copa que eu, você ou qualquer brasileiro aprove ou não.

 

 

 

Aqui, o ponto não está em qualquer um desses dilemas.

 

 

 

A questão é saber o limite do respeito para merecer ser respeitado.

 

 

E, no caso de países independentes, a ofensa representada pela ignorância desses limites, como ocorreu no caso do Jerônimo, assume dimensões ainda mais graves e imperdoáveis.

 

aldo rebelo antonio cruz agencia brasil Negociaria com alguém que dissesse que você merece pé na …, como esse Jerônimo da Fifa? Aldo Rebelo, ministro do Esporte - Antônio Cruz/Agência Brasil

 

Walcke considerou "infantil" a decisão do governo brasileiro de não mais considerá-lo interlocutor da Fifa para a Copa. Minutos depois do anúncio, feito pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo (acima), ele disse:

 

 

- Se não querem mais falar comigo, se não sou a pessoa com quem querem trabalhar, então é um pouco infantil. Vou viajar ao Brasil no dia 12 de março.

 

 

 

Tolice. Infantil foi ele.

 

 

 

Dentro de seu direito de apontar o que considera fora do acordo com o Brasil, estava indo bem até quando criou a feliz imagem de que País, para ele, parecia mais interessado em ganhar do que bem organizar a Copa.

 

 

Mas o lance do chute no traseiro, ou do pé na bunda, convenhamos, foi grosseria infantil contra um país e uma população.

 

 

Você, amado amido, continuaria a negociar qualquer coisa com alguém que, insatisfeito com pontos das primeiras conversas, fosse para a imprensa dizer que você merece um pé na bunda para ficar esperto e pedir menos prazo para entregar ou pagar por um produto?

 

 

Sei que não.

 

 

Como então alguém pode querer que os prefeitos, governadores, ministros e representantes do governo federal e da presidente Dilma Rousseff façam diferente?

 

 

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