galvao bueno

Galvão confessa ser Fla. Bacana. Respeito jornalista do fut que esconde time.Mas acho isso uma bobagem

 

Galvão Bueno confessou, no programa Altas Horas, na madrugada deste domingo (15), na Globo, o que eu e muita gente, sobretudo carioca, sabia: o coração do torcedor Galvão Bueno é do Flamengo.

 

Alguém no programa quis saber sobre o jogo de clube, e não da Seleção, que marcou sua vida.

 

O locutor foi sincero – ou, segundo ele próprio, “se entregou”:

- O cara (ele mesmo, no caso) chega a uma certa idade em que tem o direito de falar: (o jogo que o marcou foi) Flamengo campeão em Tóquio, no título mundial. Já me entreguei. Pronto!

 

E acrescentou:

 

- Sou carioca. Todo mundo fica perguntando se sou corintiano. Aí o corintiano olha pra mim e diz: “Você é palmeirense” ou “Você é são-paulino”. Sou carioca, cara. Sou tijucano (nascido na Tijuca, bairro tradicional do Rio de Janeiro ao lado do bairro e do Estádio Jornalista  Mario Filho, o  Maracanã). Sou salgueirense (torcedor da escola de Samba Salgueiro, que fica na Tijuca). Então, tenho meu direito.

 

Achei bom que o locutor de maior abrangência hoje no País deixasse claro que ele tem um time de futebol e revelasse sem grilos que time é esse.

 

Respeito a posição e o direito dos colegas jornalistas esportivos de não revelar para que time torcem.

 

Time do coração é uma posição pessoal e cada um faz de sua vida o que achar correto. Nada tenho a ver com isso.

 

Por isso, jamais revelaria aqui para que time torce o jornalista esportivo A ou B que ainda não tenha feito isso publicamente de sua própria boca.

 

Mas, individualmente, tenho o direito de achar – e acho – isso uma bobagem.

 

Pior ainda é quando o sujeito não assume publicamente seu desejo de esconder o time do coração e diz não torcer para nenhum deles.

 

Ai...

 

Como alguém consegue ignorar que até os fiapos de grama morta dos campos sabem que um sujeito procura o jornalismo do futebol exclusivamente porque ama o futebol – e ama o futebol exclusivamente porque trouxe no coração um time amado desde que começou a se entender por gente?

 

Tempos atrás, fiz, aqui mesmo neste canto, um texto sobre o assunto.

 

Penso que ele continua atual.

 

Vejam só:

 

Voce, é claro, já ouviu jornalistas esportivos, comentaristas e locutores dizerem que não torcem para nenhum time de futebol.

Um conhecido, paulista, de rádio e tevê, insiste em dizer que não torce para o São Paulo quando todos sabem que o Tricolor manda no seu coração.

Outro veterano, carioca, acredita que ninguém ainda notou o seu encantamento pelo célebre Botafogo.

São só dois exemplos.

Não acredite.

É mentira.

Por um motivo elementar: todos os profissionais de comunicação que chegaram ao futebol só aprenderam a amar este esporte e mergulharam nessas profissões por também amar, desde criança, um time.

E esse amor a gente, quando é do ramo (é claro que todos esses jornalistas e cronistas são do ramo), não esquece nunca, não é mesmo?

Jornalistas esportivos e torcedores são muito parecidos.

Jornalistas esportivos são torcedores que resolveram ser jornalistas.

Torcedores são torcedores que resolveram ser qualquer outra coisa.

O resto é praticamente igual.

Com o tempo, o contato direto com os jogadores e a rotina do esporte diminui parte do encanto que a distância alimenta.

Amenizam a paixão.

E tornam os profissionais ligados ao esporte mais frios e equilibrados diante das vitórias e dos revezes da sua equipe do coração.

E de qualquer outro time.

Tudo isso é verdade.

Agora, dizer que nunca teve time, que não tem mais time, que não torce para ninguém, tudo isso é balela.

A intensidade diminui, os impulsos da paixão são controlados, mas aquele lado bonito da paixão por um time jamais deixa de existir.

Em nenhum deles.

Todo o resto é retórica.

Embora eu ache uma bobagem esculpida em suor, como diria o tricolor Nélson Rodrigues (que, por sinal, fez a mais apaixonada crônica da história sobre o rival Flamengo), jornalista esportivo tem todo o direito de não revelar para que time torce.

Mas há no mercado, aos baldes, jornalistas esportivos sublimes que não deixam de ser sublimes por terem assumido o time do coração.

Por um raciocínio próximo ao dos que escondem seu time, mas com uma justificativa efetivamente relevante, o jornalista especializado em política normalmente não revela em quem vota.

Mas há um detalhe fundamental: ele vota.

Torcer para um time sem contar isso em público e amar um time dizendo jamais ter tido um são duas coisas completamente diferentes.

Eu sempre tive vontade de estabelecer, em algum texto, essa diferença.

Nessa reta final do Brasileirão, achei o momento.

Em tempo: se ainda não ficou claro nas tascadas que cometo neste blog, torço para o Flamengo.

E você, amado amigo da blogosfera colorida, acha que jornalistas deveriam assumir ou esconder seus times do coração?

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