continuar sendo roubado

Em dia de Eurico, Dinamite perde a cabeça sem razão. O do Vasco não foi pênalti. O do Fla foi — e claro

FlaxVasco700 marcos de paula ae Em dia de Eurico, Dinamite perde a cabeça sem razão. O do Vasco não foi pênalti. O do Fla foi — e claroMarcos de Paula / AE

O presidente do Vasco, Roberto Dinamite — o Robertão, o Robertaço do Machão da Gama, como dizia o saudoso locutor Waldir Amaral —, é um homem educado, centrado, fino no trato, de boas atitudes e maneiras.

 

Tem essa personalidade desde que era atacante na Colina — um dos mais eficientes, matadores e implacáveis que vi jogar, por sinal.

 

Mas, neste sábado (7), ele errou feio ao invadir o campo na derrota de seu time para o Flamengo, por 2 a 1, pela sétima e penúltima rodada da Taça Rio, o segundo turno do Campeonato Carioca (acima, Ronaldinho Gaúcho em ação no jogo).

 

Por alguns motivos, a saber:

 

* O pênalti cometido pelo goleiro do Vasco, Fernando Prass, no lateral direito do Fla, Léo Moura, no final do jogo, que gerou o gol da vitória do Rubro-Negro, foi claro, cristalino, indiscutível. Deveria ter sido marcado - como foi.

 

* Não houve pênalti de Welinton no vascaíno Thiago Feltri. O jogador do Vasco dobra a perna antes do suposto toque rubro-negro. Não ficou claro sequer se o zagueiro chegou a encostar no vascaíno. Não deveria ter sido marcado - como não foi.

 

Roberto agiu como cartolão provinciano.

 

Invadiu o campo e declarou, aos gritos, que o Vasco não "poderia continuar sendo roubado".

 

Infelizmente, lembrou seu antecessor e rival, o ex-deputado Eurico Miranda.

 

O Vasco, de fato, foi prejudicado nas duas partidas anteriores contra o Flamengo, no Brasileirão de 2011.

 

Os árbitros deixaram de dar penalidades a favor do time da cruz de malta nessas partidas.

 

Mas isso não justifica as declarações de Roberto, a invasão em campo e as ameaças dos jogadores do Vasco, que cercaram o árbitro ao final do jogo.

 

É como se Dinamite e seus atletas desejassem que a arbitragem errasse mais uma vez, marcando um pênalti que não houve e não dando um existente, apenas para compensar o prejuízo que outros árbitros deram ao Vasco nas duas partidas anteriores contra o Fla.

 

Teria sido muito bom e correto que os outros não tivessem errado daquela forma, mas raciocinar assim, nessa teoria torta de compensação, simplesmente não existe.

 

Mesmo porque o próprio Flamengo, para dar apenas um exemplo, não teve sequer um pênalti marcado a seu favor em todo o Campeonato Brasileiro de 2011.

 

Trinta e oito partidas sem uma única penalidade.

 

Praticamente uma impossibilidade estatística.

 

Não sei há no futebol outro exemplo de clube que tenha passado 38 partidas seguidas, no mesmo campeonato, sem ter tido um pênalti a seu favor.

 

E nem por isso os dirigentes do Fla invadiram o campo para ameaçar árbitros.

 

O árbitro da partida, Wagner dos Santos Rosa, ameça processar Roberto pela declaração do "roubando".

 

E relatar os vascaínos Eduardo Costa e Rodolfo na súmula por tentativa de agressão, o que pode render uma boa suspensão.

 

Seria uma pena dura para os jogadores.

 

E para Roberto, que não merece isso pelo cara que é, mas, infelizmente, perdeu a cabeça e passou dos limites, tendo o seu dia de Euricão.

 

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