cinco penaltis

Loco Abreu perdeu cinco pênaltis em 2012. Quatro seguidos. Oswaldo: são suas as responsas de dizer a ele que é preciso dar tempo e a de trocar de batedor

 Loco Abreu perdeu cinco pênaltis em 2012. Quatro seguidos. Oswaldo: são suas as responsas de dizer a ele que é preciso dar tempo e a de trocar de batedorFábio Castro / Agif

O ótimo atacante uruguaio Loco Abreu, do Botafogo, fez uma excelente partida na semifinal da Taça Rio, segundo turno do campeonato carioca, contra o Bangu, no Estádio Municipal João Havelange, o Engenhão, zona norte do Rio de Janeiro.

 

Fez os três primeiros dos quatro gols que classificaram o Fogão para a final na vitória de 4 a 2 (o quarto foi de Maicosuel, outro que jogou muito bem, aos 47 minutos do segundo tempo).

 

Flamengo e Vasco jogam neste domingo (22) às 16h, também no Engenhão.

 

Quem vencer pegará o Botafogo, em um jogo, na final da Taça Rio.

 

E quem ganhar este jogo decidirá o Campeonato Carioca, agora em duas partidas, contra o Fluminense, campeão da Taça Guanabara, o primeiro turno do Cariocão.

 

Ok, tudo muito bacana, tudo muito lindo para o time, a comissão técnica, a diretoria e sobretudo os torcedores do Fogão.

 

O Botafogo jogou bem. Teve a partida sob controle o tempo todo.

 

Mas as coisas poderiam ter se complicado e gerado sofrimento desnecessário.

 

E isso tudo seria, em grande parte, por culpa do técnico da equipe, Oswaldo de Oliveira.

 

Pelo seguinte: aos 33 minutos do segundo tempo, quando a partida ainda estava 3 a 2 para o Botafogo e o Banguzão pressionava, apesar de estar com um jogador a menos, houve um pênalti  - bem marcado, por sinal - sobre Lucas, a favor do Botafogo.

 

A pelo menos de 17 minutos de seu final, a partida estava longe de ser decidida.

 

Loco Abreu ajeitou a bola para bater.

 

Até aquele momento, o atacante uruguaio tinha perdido os últimos quatro pênaltis seguidos batidos por ele em outros jogos.

 

Só neste ano, desperdiçou cinco.

 

Dos últimos sete penais, incluindo o final da temporada de 2011, o atacante só fez um.

 

Bom, mas Loco, ainda assim, bateu contra o Bangu.

 

Correu, bateu forte, de pé esquerdo, à meia altura, no canto direito do goleiro... para fora.

 

Oswaldo declarou que "costuma deixar os jogadores conversarem e escolherem quem está melhor no jogo para  bater".

 

E depois, na entrevista coletiva após o jogo, disse achar que era mesmo para Loco Abreu bater.

 

Mais: disse que tentou ir à beira do campo para dizer isso ao atacante, não chegou a ser ouvido por outros motivos, mas o atacante acabou mesmo cobrando a penanidade.

 

Comentou o técnico:

 

- Ele tinha feito três gols. Estava bem na partida. Se ela estivesse empatada ou um a zero eu teria desautorizado sua cobrança, mas naquela situação acho que ele tinha mais era que bater.

 

Oswaldo é uma das pessoas mais doces, educadas, inteligentes e competentes do futebol brasileiro.

 

Mas, desta vez, se equivocou:

 

Principal ídolo da torcida do Fogão na atualidade, o veterano e esclarecido Loco, 35 anos, com sua personalidade forte, parece "mandar" no clube atualmente.

 

"Mandar" na medida em que faz o que sua cabeça pede sem ser contestado por ninguém.

 

A exemplo de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, ninguém hoje no Botafogo parece ter coragem de lhe dizer ou solicitar algo que o contrarie.

 

Nem o presidente nem tampouco qualquer diretor mostra qualquer intenção de assumir o ônus de eventualmente contrariar Abreu em nome de um interesse maior e geral do Botafogo - e o suave, elegante e conciliador Oswaldo dá a impressão de seguir o mesmo caminho.

 

A sorte é que, além de belo atacante, Loco, não obstante a sugestão contrária da alcunha, é cara sério, responsável e profissional.

 

Uma combinação que até pode gerar posições divergentes, como em todo e qualquer processo que envolve mais de um ser humano, mas infinitamente menos prejudiciais do que as polêmicas produzidas no Flamengo por Ronaldinho Gaúcho e suas companhias cada vez mais ilimitadas.

 

Mas como todos - incluindo os ótimos, os sérios, os responsáveis e os profissionais -,  Loco também erra de vez em quando.

 

E quando o erro pode prejudicar o clube, o atleta deve, como qualquer outro, ser redirecionado em seus movimentos.

 

É o caso das batidas de pênaltis.

 

A partida não estava empatada e nem o Fogão vencia de um a zero.

 

Mas o placar de 3 a 2 significava a mesmíssima coisa em termos de risco de empate com ida para a imprevisível disputa de pênaltis.

 

E ainda faltavam praticamente 20 minutos para o final do jogo. Uma eternidade. Ou seja: nada estava decidido, muito longe disso.

 

Loco Abreu perdeu, o Bangu não empatou e, no final, Maicosuel confirmou a vitória do Botafogo com o quarto gol.

 

Ok. Lindo. Happy end.

 

Mas Abreu poderia ter perdido, o Bangu marcado, o desespero batido e a história virado outra.

 

Até as pedras estão certas de que Loco Abreu não vive hoje um momento tranquilo para cobrar pênaltis.

 

E se continuar a bater nessa pilha, neste clima de pressão, as chances de construir uma lista de cobranças perdidas cada vez mais inacreditável e impressionante são imensas. A rigor, muito maiores do que a de se recuperar dando um tempo e, se for o caso, voltando a bater daqui a pouco.

 

Está claro que, ao menos por um tempo, por um período mesmo breve, Loco Abreu deveria parar de bater pênalti, entregar essa missão a outro companheiro, relaxar um pouco sem essa responsabilidade nas costas se dedicar aos treinos sem a pressão das cobranças, para voltar a fazê-las daqui a pouco com mais calma e tranquilidade.

 

Deixar como está e fingir que nada acontece, para evitar o eventual desgaste de contrariar Loco Abreu, poderá comprometer o Botafogo em jogos importantes no futuro próximo.

 

Cabe a Oswaldo decidir essa mudança, ainda que momentânea, e passar essa decisão para Loco Abreu.

 

Coragem para isso, mesmo envolta em educação e elegância, estou certo de que Oswaldo possui.

 

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