A torcida do Flamengo precisa se conformar: 2013 será o ano do time operário, do grupo medíocre no sentido de mediano, batalhador, medium de luxe, digno, sem estrelas mas com algum talento e diposição de sobra.
Tudo isso para que a nova diretoria tenha algum tempo para reconstruir o cenário caótico de terra arrasada na gestão do clube, deixado pela tropa anterior, e propor uma equipe mais talentosa a partir do ano que vem.
Não tem jeito. Não há milagre. Não tem saída.
Torcedor rubro-negro, segure a onda e pense com a cabeça.
Não seja burro, emocional e impulsivo ao ponto de exigir que o clube entre novamente na ciranda da loucura de gastos para montar, ainda este ano, um time recheado de supostos craques parasitas pagos a peso de ouro e sem compromisso com o clube.
Tudo isso é certo, correto, bonito.
Mas, com todo respeito, voltemos à série Perguntar Não Ofende: o que faz esse Carlos Eduardo no Flamengo?
O cara, dito meia-atacante, chegou envolto na maior marra de craque, vindo da Rússia disputado com Flu, Inter e Santos, todo mundo querendo pagar quinhentas pratas por mês e o escambau.
O camarada chegou a pedir uma milha só para chegar e tudo o mais.
Veio para a Gávea, segundo se especula (o Fla não divulgou os salários oficialmente) por algo entre R$ 250 mil e R$ 300 mil por mês. Faixa top do projeto atual.
Foi contratado justamente para pegar a chave o cofre, vigiar a porta do galinheiro, ou seja, para assumir a responsabilidade - veja bem a expressão: assumir a responsabilidade - de resolver o problema crônico de criatividade no meio-campo e na ligação com o ataque do time, um buraco que incomoda a torcida e o clube há vários anos.
Bom, chegou, fez pré-temporada e... onde está o futebol do camarada?
Cadê o "talento" da "revelação", do "jovem meia-atacante em condição de jogar na Seleção"?
Cadê? Cadê?
O que faz, afinal de contas, esse Carlos Eduardo no Flamengo?
Porque essa conversinha da diretoria e do técnico de que o cara precisa se adaptar, necessita de aconchego psicológico, e tudo o mais, isso, para mim, é papinho... bom...
O cara parece espantado, deslocado, intimidado...
Aquele sorriso amarelo de guri com fundilho de calça rasgada na quermesse, a voz entalada na garganta, mal saindo nas entrevistas...
O que é isso, guri? Que história é essa, tchê?
Vá para dentro! Não sei se avisaram a ti, mas isso aí é Flamengo...
Vamos colocar logo esse motor para rodar, cidadão, entregar algo (não o jogo, evidentemente), nem que seja pegando no tranco.
Afinal de contas, não sei se também te avisaram, mas você foi trazido para isso.
Quem acompanhou o jogo com o Santos viu que a proposta medium de luxe temperada com dignidade do Fla tem chances de produzir bom resultado.
O gol está resolvido com Felipe e seu ótimo reserva.
As laterais, seguras com Léo Moura, Ramom, João Paulo e, agora, o jovem argentino Martinez.
A zaga funciona - Renato Santos e Gonzales, com Wallace e Frauches na reserva.
Luis Antônio jogou bem como primeiro volante. Quando se recuperar, Cáceres deverá tomar a posição após a Copa das Confederações e fazer bela dupla com o excelente Elias, de longe a melhor contratação rubro-negra da temporada. Enfim, no quesito volantada, tudo dentro do esperado.
No ataque, Rafinha pela esquerda e Gabriel, na direita, fazem boa movimentação para Moreno ou Brocador, que eventualmente poderão até jogar juntos. Isso fora Paulinho e o restante da nova e jovem geração que completa o elenco.
O problema continua, como um tumor, nos lugares de sempre: a criação na meiuca e a ligação com o ataque.
Perdoem-me, mas, apesar de ser um perigo na bola parada, talvez o melhor batedor de falta do País na atualidade, posssivelmente mais eficiente até mesmo do que Rogério Ceni, o gente boníssima Renato Abreu, com a bola rolando, não tem categoria suficiente para ser este cara no meio-campo de um time da dimensão do Flamengo.
Um clube que teve tantos craques rigorosos nessa função decisiva que, sabemos todos, não dá para ser executada sem talento e refinamento.
O combinado é que o sujeito para esta missão, na realidade "time classe C eficiente" do Fla para este ano, seria esse Carlos Eduardo.
Mas, ao menos até agora...
Repito, perguntar não ofende: onde estão este assustado rapaz e o seu caro e outrora tão elogiado futebol?
Ô Paulo Pelaipe, olhe só: o que está faltando para o seu brother CE jogar o futebol que vocês dizem que ele tem?
Sim, porque desse jeito ele não vai queimar apenas o próprio nome no clube.
Contribuirá também para inviabilizar a temporada de Moreno, Hernane, da molecada talentosa do ataque rubro-negro, esses por falta de munição decente.
E, como consequência, ajudar a minar o próprio projeto "trabalhador dignidade" do Flamengo.
Ôôô Pelaipe, coloque seu amigo para jogar bola, tchê?
Ôôôôôô par de guris: isso aí é Flamengo...
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