Respeito frio “cheio de dedos” e formalidade sem intimidade e, sobretudo, euforia marcam relação da Globo com Dunga na apresentação do treinador

 Respeito frio “cheio de dedos” e formalidade sem intimidade e, sobretudo, euforia marcam relação da Globo com Dunga na apresentação do treinador

Divulgação / CBF

 

Houve uma “orientação institucional” da Globo para uma nova relação de seus profissionais de campo com Dunga?

A saber.

O fato é que, programado ou não, ficou claro um comportamento uniforme, praticamente unânime, dos jornalistas globais no trato direto com o técnico nas últimas 48 horas, sobretudo na apresentação oficial do treinador, nesta terça-feira 22 (acima, o treinador com Marin e a comissão técnica).

As marcas principais desse comportamento, padronizado por coincidência ou tática assumida para o momento, são as seguintes: um respeito com frieza, “cheio de dedos” e uma certa formalidade educada e “destilada”.

Equilibrada no ponto mais alto de um muro da espessura de uma lâmina justamente para mostrar, com toda clareza, a total falta de intenção ao menos momentânea de escorregar para um lado ou outro no trato direto com o treinador.

Essa formalidade educada traz a grande novidade histórica na relação da dona dos direitos de mídia da Seleção com o seu técnico: pela primeira vez na história, um técnico da Seleção foi recebido pela Globo sem a marca tradicional do incentivo aberto e emocional do “vamos lá Brasil”.

Não houve o clima sempre visto de “vamos lá, é um novo ciclo, tomara que dê tudo certo, o povo brasileiro está do lado” e tantas mais.

Antes, o contrário: a tática de “destilar” o contato direto nas entrevistas e no dia-a-dia, deixando eventuais críticas contrárias mais incisivas para os comentaristas de estúdio, saltou aos olhos e aos ouvidos até do observador sem muita sintonia fina.

Essa realidade acabou por criar uma situação de leve surrealismo: um momento em que há contrariados na mídia nacional, sem dúvida, mas ninguém tanto quanto justamente os principais “donos” e “patrocinadores” do futebol da Seleção: a Globo.

São frutos claros da política adotada por Dunga em 2010 de não privilegiar os profissionais e projetos da Globo em relação às concorrentes na rotina da Seleção e também das desavenças do técnico com profissionais da emissora antes e durante o mundial da África do Sul.

Ao que tudo indica, o técnico continuará neste caminho do “bom para um, bom para todos; ruim para um, ruim para todos”, como se percebeu nos elogios fartos ao repórter e colunista Cosme Rímoli, do R7, na entrevista coletiva de sua apresentação, após os comentários e sugestões do jornalista sobre a dificuldade de se realizar treinos secretos na Granja Comary.

Com olhos nos olhos, a Globo adota o respeito frio e relação formal sem euforia.

Na distância, críticas abertas, pancadinhas, pesquisas com 85% de rejeição, brasileiros criticando o técnico a todo momento na programação dos canais e rádios... e por aí vai - e irá.

 

Sem a bênção forte de Ricardo Teixeira e Rodrigo Paiva, provavelmente irá caminhar assim até que tentativas “extra campo” de recuperar privilégios eventualmente funcionem.

Do outro lado, o da CBF e o de Dunga, espera-se que a elogiável postura atual signifique algo mais do que estratégia momentânea de recuperação de imagem e seja mantida como saudável princípio de isonomia de oportunidades profissionais.

É isso.

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André Santos é fortemente agredido por torcedores do Fla ao deixar Beira Rio antes do grupo no sacode de 4 a 0 do Inter

andre santos Alexandre Vidal Fla Imagem André Santos é fortemente agredido por torcedores do Fla ao deixar Beira Rio antes do grupo no sacode de 4 a 0 do Inter

Alexandre Vidal / Fla Imagem

 

 

O lateral-esquerdo André Santos, do Flamengo (foto acima), deixou o vestiário do clube, na arena Beira Rio, em Porto Alegre, antes do grupo, no início da noite deste domingo (20), após mais uma derrota vergonhosa do rubro-negro, desta vez uma goleada de 4 a 0 (poderia ter sido uns seis ou sete com facilidade) enfiada pelo Internacional.

Por algum motivo ainda não revelado, o jogador corria em direção ao aeroporto para pegar um vôo particular, separado do grupo, de volta ao Rio de Janeiro.

Na van que o levaria ao aeroporto, André Santos foi fortemente agredido por torcedores rubro-negros que invadiram o veículo e baixaram o pau no jogador, indignados com o resultado, as oito partidas seguidas sem vitória e a posição do clube na tabela do Brasileirão - lanterna do campeonato, a caminho do rebaixamento com apenas sete pontos ganhos nos 33 disputados em 11 jogos.

Testemunhas contaram três agressores, mas há quem diga que mais gente participou das pauladas.

André teria saído com alguns machucados relevantes.

A conferir na chegada ao Rio - e a esperar, certamente, muito mais protesto, e até violência, contra o time e a diretoria do Flamengo.

Em tempo, perguntar não ofende: que cartola autorizou o pior e mais cobrado do fraco agrupamento rubro-negro neste ano a escapulir antes da delegação, em outro voo, após um sacode vergonhoso levado pelo time com mais uma péssima atuação deste mesmo jogador?

Pela cara da bagunça ninguém, visto que o técnico da equipe, Ney Franco, declarou na entrevista coletiva não ter tido qualquer contato com cartola do clube no vestiário.

Que esculhambação...

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Fla que se cuide (se é que consegue): nove dos 20 que chegaram à rodada 10 com sete pontos caíram

fla cap gilvan de souza flamengo Fla que se cuide (se é que consegue): nove dos 20 que chegaram à rodada 10 com sete pontos caíram Gilvan de Souza / Divulgação CRF

 

 

O Flamengo que se cuide – se é que consegue se cuidar.

Está na lanterna do Brasileirão com sete pontos em dez jogos.

Levantamento publicado no site futdados.com mostra que, das 20 equipes que terminaram a décima rodada com sete pontos desde 2013, nove caíram e onze se salvaram. Quase meio a meio.

Confira:

Edição

Posição

Time

Pontos

J

%

Final

2007

19

América-RN

7

10

23.3

Rebaixado

2008

18

Santos

7

10

23.3

Permaneceu

2008

19

Ipatinga

7

10

23.3

Rebaixado

2009

20

Avaí

7

10

23.3

Permaneceu

2010

20

Atlético-GO

7

10

23.3

Permaneceu

2011

18

Avaí

7

10

23.3

Rebaixado

2012

18

Palmeiras

7

10

23.3

Rebaixado

2012

19

Bahia

7

10

23.3

Permaneceu

2013

18

Náutico

7

10

23.3

Rebaixado

2003

23

Goiás

6

10

20.0

Permaneceu

2004

22

Paysandu

6

10

20.0

Permaneceu

2007

20

Náutico

6

10

20.0

Permaneceu

2008

20

Fluminense

6

10

20.0

Permaneceu

2011

19

América-MG

6

10

20.0

Rebaixado

2004

23

Botafogo

5

10

16.7

Permaneceu

2012

20

Atlético-GO

5

10

16.7

Rebaixado

2006

19

Palmeiras

4

10

13.3

Permaneceu

2005

22

Atlético-PR

3

10

10.0

Permaneceu

2006

20

Santa Cruz

3

10

10.0

Rebaixado

2011

20

Atlético-PR

2

10

6.7

Rebaixado

 

Após Robben, James, Neymar, Messi, Neuer, Müller e um caminhão de jogaços de tirar o fôlego, será dureza voltar a encarar esse Brasileirinho…

demonios da garoa Após Robben, James, Neymar, Messi, Neuer, Müller e um caminhão de jogaços de tirar o fôlego, será dureza voltar a encarar esse Brasileirinho...

 

Fim da copa do Mundo 2014 no Brasil.

 

Acabaram as partidas fantásticas, os shows dos craques, os golaços, as disputas emocionantes.

 

Agora, a ordem é voltar a encarar os times e os jogos horríveis esse nosso Brasileirinho técnica, tática e financeiramente pobre.

 

Pelo menos para esse que vos fala, profissional do setor, não haverá jeito.

 

Mas que vai ser duro, ah, meu Deus, isso vai.

 

Que sofrimento...

 

Mas força, meu povo, muita força.

 

Somos solidários.

 

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Confira ótimo vídeo tirando sarro de argentino com a resposta à música “Brasil, décime que si siente”

A letra diz tudo. Preste bastante atenção. Vamos lá:

 

 

Termina Copa em que governo abusou, Seleção nos humilhou e o povo salvou: Alemanha tetra, Messi eleito melhor no nome. Fut Brasil e CBF: aprendam a resistir ao populismo e a apostar no trabalho planejado para tirar esses 30 anos de atraso

 Termina Copa em que governo abusou, Seleção nos humilhou e o povo salvou: Alemanha tetra, Messi eleito melhor no nome. Fut Brasil e CBF: aprendam a resistir ao populismo e a apostar no trabalho planejado para tirar esses 30 anos de atraso

Sergio Barzaghi / Gazeta Press

Alemanha 1 X 0 Argentina.

A Alemanha é tetracampeã mundial.

Lionel Messi foi escolhido o melhor jogador da Copa: um absurdo, um delírio – até Neymar jogou mais do que ele enquanto esteve em campo.

Em mais uma dessas ignorâncias da Fifa, que já tirou esse título de Ronaldão e Rivaldo para entregar ao goleiro alemão Kahn em plena Copa de 2002, Messi leva o título de melhor da Copa na inércia burra, no nome.

Müller leva a bola de prata e Robben, a de bronze.

O alemão Manuel Neuer, excelente, foi eleito o melhor goleiro. Deveria ter sido escolhido também o melhor da Copa – ou, no máximo, perder esse título particular para o holandês Arjen Robben.

O triunfo da seleção que mereceu em todos os aspectos: técnica, tática, disciplina, organização, seriedade, trabalho e, enfim, bola.

Termina a Copa em que o governo abusou e deslizou da autorização dada pelos brasileiros para realizar a competição, a Seleção Brasileira envergonhou o país com o maior vexame de sua história e o povo brasileiro, com sua capacidade ímpar de receber, festejar e dar carinho a todos, salvou de forma solene.

Entre os brasileiros, o povo, o torcedor nativo, é o único que merece mérito por ter feito algo positivo em todo o processo de aprovação, construção, montagem, organização e disputa desse Mundial.

 E o título ficou com a melhor seleção, a Alemanha, que o mereceu em todos os aspectos.

Contra uma Argentina valente, que tomou o gol no segundo tempo da prorrogação, lutou e teve o lance do tudo ou nada no jogo para empatar com Lionel Messi, de falta, até o último minuto.

Uma Argentina "macha", que jogou contra os alemães com a dignidade, a valentia, a coragem, a organização, a postura de lutador e o espírito de equipe que, lembremos sempre, faltaram ao Brasil no vergonhoso, inaceitável e imperdoável 7 a 1.

Que os alemães comemorem porque merecem muito: deram uma aula de técnica dentro de campo e de organização fora dele.

O Brasil está 30 anos atrás da Alemanha na gestão de seu futebol.

Que se espelhe na organização, na seriedade e no planejamento germânico, que mudaram a cara do fut naquele país do vexame da eliminação da Eurocopa de 2000 na fase de grupos, com uma chibatada de 3 a 0 dos portugueses no final, a esse título e três semifinais seguidas 14 anos depois.

Ninguém ganha nada mais só na malandragem, sem trabalho, sem planejamento, no improviso, no vou dar o golpe, no comportamento de Macunaíma.

É isso.

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E até a próxima.

 

Mais três no lombo. Algo útil no grand finale dessa nossa vergonha maior: enfraquecer delírios como o de Felipão querer ficar ou ser mantido. Se bem que não há o que faça essa gente perder o rebolado

 

 

Brasil 0 X 3 Holanda.

Ufa!

Foi apenas de 3 a 0.

Teve um lado providencial, didático e positivo mais essa chibatada vergonhosa.

Não foi humilhante como os 7 a 1, mas serviu para reforçar as coisas.

Ela deixou claro que as armações vergonhosas de setores da CBF para ainda pensar em continuismo, neste caso, são delírio total e irresponsável.

Uma vergonha menor poderia dar ímpeto e força a essa loucura.

Dez gols em duas partidas finais em casa.

A maior vergonha da história do futebol brasileiro está configurada.

A Seleção Brasileira se despede da Copa do Mundo Brasil 2014 de forma espantosamente melancólica.

Nem o mais catastrófico torcedor a favor ou o maior secador do País imaginaria que teria, neste momento, uma sequência de duas partidas tão ruim e humilhante.

A Holanda não enfiou cinco, seis ou sete porque não quis.

Marco Polo Del Nero ainda terá coragem de dizer que Felipão ficará se quiser, mas tudo isso ficará mais difícil.

Felipão já começa a ser perguntado se ele, sinceramente, acha que o se nome é o melhor para fazer a revolução de que o Brasil necessita.

O técnico até poderá achar que quer ficar, mas isso também será mais difícil.

Por tudo isso, essa nova humilhação tem o seu lado positivo e didático.

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Neymar preserva com razão elenco que, apesar dos erros, é mais vítima do que culpado – mas a nuvem negra da responsa de Felipão e CBF continua lá…

Coletiva Imprensa Neymar Jefferson Bernardes VIPCOMM Neymar preserva com razão elenco que, apesar dos erros, é mais vítima do que culpado   mas a nuvem negra da responsa de Felipão e CBF continua lá...

Jefferson Bernardes / VIPCOMM

 

 

Neymar acaba de dar uma entrevista coletiva na Granja Comary, em Teresópolis.

 

Além de exibir o carisma habitual, foi lúcido, maduro, sensato e justificadamente carinhoso com os outros 22 convocados.

 

Justificadamente carinhoso porque o elenco, apesar de deter sua parcela de culpa, é muito mais vítima do que culpado pela mais vergonhosa catástrofe que se abateu sobre o futebol brasileiro porque foi conduzido com amadorismo, excessivamente pilhado dentro da própria CBF, mal organizado taticamente e terrivelmente posicionado emocionalmente para a disputa de uma copa do mundo na amadora preparação da campanha, sobretudo após a conquista da Copa das Confederações.

 

O carisma, a sensatez, a maturidade e a lucidez de Neymar, cada vez mais maduro e bem preparado por profissionais para não falar besteira, preservaram os colegas até onde deveria, corretamente, mas alto lá: não muda nada em relação ao caminhão de erros apresentado pelos cartolas da CBF e pelos parados no tempo (como treinadores) Felipão, Parreira & Cia.

 

Vamos reafirmar em alto tom, se necessário aos gritos: a ótima entrevista de Neymar não ameniza a culpa direta de Felipão, Parreira, Marin, Del Nero e o resto da turma.

 

E muito menos deve ajudar minimamente a viabilizar a permanência de Felipão e Parreira, o primeiro sincero, honesto e limpo, o segundo figura doce, educada e de fino trato, mas os dois nitidamente ultrapassados ou, no mínimo, parados no tempo em termos profissionais.

 

Fica irresistível a lembrança de que Felipão, na sua injustificada "turrice" congelada no tempo, pode ter virado um líder, num conceito que ele próprio estabeleceu e fez questão de divulgar,  típico do tempo em que "se amarrava cachorro com linguiça".

 

Felipe, ao olhar de quem hoje vê o show profissa low profile de Joaquim Low, assume ares e formas de treinador dos tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.

 

É notório e evidente que Neymar não só iria como deveria falar bem e até defender a permanência da dupla, por sinal as únicas duas coisas com as quais discordei do garoto na entrevista.

 

Mesmo porque, a propósito, mesmo sendo Neymar, não deixa de ter um tom surreal o fato de que a entrevista coletiva mais esperada do pós-tragédia - e salvadora do outro lado - não tenha sido a do técnico, do coordenador, do capitão ou de qualquer jogador da equipe, mas do ídolo que está fora de combate, não viveu a vergonha e, por isso, está livre, leve e solto para colaborar, ainda que de forma indireta, com a limpeza de reputações.

 

A eliminação da Laranja Mecânica na bela capa do jornal holandês NRC. Confira

nrl page A eliminação da Laranja Mecânica na bela capa do jornal holandês NRC. Confira

Carta de “Dona Lúcia” lida por Parreira tem toda a pinta de encomenda de gestão de crise – e mesmo verdadeira, deveria ter sido vetada por uma boa assessoria, por invariavelmente parecer falsa

Em um momento da entrevista coletiva dada na tarde desta quinta-feira (10), após liderarem a participação brasileira na maior catástrofe do futebol do País em todos os tempos, o atropelamento de 7 a 1 da Alemanha, coordenador técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, leu uma carta de “Dona Lúcia”, nas palavras do próprio “uma torcedora simples que enviou (a carta) para a Fifa, que nos enviou”.

Entre outras coisas, “Dona Lúcia” defende Felipão do que ela chama de “crueldade” de jornalistas, uma delas supostamente manifestada na questão de um deles, que, segundo ela, teria perguntado sobre “uma possível dívida” do técnico “com a nação brasileira” (acompanhe Parreira lendo a carta no vídeo abaixo).

Parreira e Felipão talvez não mereçam, mas infelizmente sobraram constrangimento e ar piegas no episódio.

E o pior: a carta pode até ser uma manifestação espontânea e não pilotada de “Dona Lúcia”, que de resto pode existir, mas Parreira, Felipão e a comissão técnica brasileira nem podem reclamar dos que desconfiam ser esta peça uma encomenda feita sob medida com o objetivo de criar um contrapeso de alívio para o técnico, num momento em que até as pedras sabiam que ele seria duramente cobrado em uma situação delicada.

Mesmo porque o próprio Felipão, que tinha todo o direito de fazer treinos secretos, ironicamente pediu desculpas, na mesma entrevista, pelo fato de ter ludibriado a imprensa – e consequentemente o público – tentando fazer todos os jornalistas e os brasileiros entenderem que não escalaria Bernard, com o argumento de que “vocês (imprensa) nunca nos usaram”.

Ou seja: diante da admissão de Felipão, a questão de honra deixa de ser mentir ou não mentir e passa a ser mentira "sincera e com bons propósitos" até pode ser tolerada.

E ainda porque, sabemos todos, e muito bem, os impetuosos, atentos e bem relacionados Rodrigo Paiva e Acaz Fellegger, respectivamente diretor de comunicação da CBF e assessor de imprensa de Felipão, não teriam qualquer dificuldade em fazer uma carta desse naipe passar pela Fifa e, depois, chegar "quente", "lavada", às mãos de Parreira.

Repito não estou aqui afirmando que isso aconteceu - mas que a turma não teria dificuldade de fazê-lo, ah, isso sabemos que não.

Por isso, permitam-me, estou entre os que desconfiam ser a carta de “Dona Lúcia”, a desconhecida do Parreira, uma peça pronta de encomenda de gestão de crise e media training.

Entre os que desconfiam, reforço. Evidentemente não se trata de ser leviano  e afirmar algo sem prova, mas, depois no que todos vimos, fica muito difícil, quase impossível, não compor o time dos que suspeitam da carta, doce carta de “Dona Lúcia” – e de resto, tenho, como todos, o sagrado direito de suspeitar das coisas.

 O texto, doce texto de “Dona Lúcia” é tão “perfeitinho”, tão carinhoso como peça de defesa, compreensão e condescendência; tão caprichosamente adaptado e a calhar na situação, tão “redondinho”, como costumamos avaliar essas peças no meio jornalístico, que passa a qualquer cidadão com um mínimo de noção de como as coisas funcionam nesse negócio chamado comunicação a nítida sensação de estar diante de uma precisão milimétrica e destilada demais para ser compatível com a verdade.

Passa, enfim, a ideia de peça de ficção, de pena adestrada profissionalmente atingir propósitos.

É tão perfeita como peça de defesa que induz qualquer alma minimamente ligada a achá-la tão fake quanto os perfis de “Dona Lúcia” criados nas últimas horas nas redes sociais, a quase totalidade deles feita por pessoas que desconfiam da legitimidade e da espontaneidade da nossa senhora torcedora de tão notável grandeza.

Se Parreira e Felipão estivessem em um ambiente mais refinado, elaborado e menos óbvio e tosco do que o do futebol (numa gestão de crise em uma grande empresa nacional ou multinacional, por exemplo) e recebesse uma carta de uma Dona Lúcia da qual ninguém pudesse desconfiar da legitimidade, com todas as chances de provar sua veracidade e com a autora revelada ao público de cabeça, tronco e membro, sabe qual conselho os dois iriam receber do profissional de imprensa, media training e gestão de crise?

Se este profissional jogar no time dos que não subestimam a inteligência alheia e sabem dimensionar o ridículo e o prejudicial das situações, seria o seguinte:

- Parreira e Felipe, pelo amor de Deus: não leiam essa carta em público nem que a vaca tenha 30 crises de tosse. Mesmo verdadeira, ela fará com que 99 a cada cem jornalistas e cabeças experientes a encarem como uma encomenda de gestão de crise – e, no caso, infelizmente sempre de quinta categoria. Não façam isso pelo amor de Deus e de todos nós...

Em resumo: coisas desse tipo soam tão artificialmente perfeitas que sempre terminam prejudiciais, piegas e constrangedoras – e isso vale até mesmo, e inclusive, quando são verdadeiras.

That's it.

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