Vitor Belfort foi o grande vencedor na sua derrota contra Jon Jones. Foi um guerreiro que encheu de orgulho os brasileiros e os fãs do MMA…

gettyimages Vitor Belfort foi o grande vencedor na sua derrota contra Jon Jones. Foi um guerreiro que encheu de orgulho os brasileiros e os fãs do MMA...
Vitor Belfort venceu Jon Jones.

A americana do americano no quarto assalto manteve o cinturão com ele.

Mais foi um detalhe diante da lição de gana e superação do brasileiro.

Mereceu todos os aplauso de pé que recebeu em Toronto.

Vitor foi um guerreiro, um exemplo de coragem.

Salvou o UFC 152.

Jon Jones é absoluto entre os meio-pesados.

Iria enfrentar Dan Henderson, que venceu Shogun.

Só que Henderson se machucou.

Lyoto e Shogun não quiseram lutar com Jones.

Disseram não estar preparados.

Chael Sonnen tentou aproveitar a oportunidade.

Jones não quis se arriscar diante do ótimo wrestling.

Recusou o combate.

Vitor foi mais do que corajoso.

Ligou para Dana White e se dispôs a lutar.

Sabia que a superioridade estava toda com Jones.

A idade, a envergadura, a mistura de estilo.

White só lhe faltou dar um beijo na boca.

Encontrou um adversário de respeito e que renderia ótimo pay-per-view.

Era o encontro dos dois fenômenos.

O dos primórdios do UFC e o da atualidade.

As bolsas de apostas estouraram.

A maioria dos apostadores bancou vitória de Jones no primeiro assalto.

E foi quase isso.

Logo nos primeiros momentos da luta, o americano conseguiu derrubar Vitor.

E desferiu uma saraivada de cotoveladas.

O osso do cotovelo corta como uma navalha.

E logo o supercílio direito de Vitor já estava jorrando sangue.

Jones resolveu até fazer pose para bater o brasileiro.

Foi quando Vitor apelou para o velho jiu-jítsu.

E lhe agarrou o braço.

De ponta-cabeça, conseguiu o armlock.

Agarrou o braço direito do americano com toda a força.

Uniu toda a esperança e o vigor de grande atleta que é, mesmo aos 35 anos.

O braço de Jones se esticou, dobrou além do que jamais suportou na vida.

"Nunca sentiu algo igual", confessou depois.

Mas o norte-americano também é um fenômeno.

Suportou, se livrou como um samurai da derrota.

"Nem se o Vitor quebrasse o meu braço iria desistir."

Foram segundos que encheram de orgulho os fãs brasileiros de MMA.

O milagre quase aconteceu.

Os gritos encheram a madrugada de todo o País.

Mas Jones não só se livrou, como voltou a castigar Vitor.

Só que desta vez já não fazia pose para as câmeras.

Via o guerreiro que tinha diante dele.

Também tinha a nobreza no sangue, ex-campeão do UFC.

Vitor tomou outras quedas, vários maldosos pisões no joelho que servia de base.

Mas acertou alguns cruzados de canhota.

O americano, muito maior do que ele, tentava se esquivar.

Mas sentiu a força da mão de Vitor.

O americano foi melhor, mas os rounds foram passando.

O velho leão de 35 anos se segurava.

Mesmo no terceiro assalto, quando sofreu um terrível chute no fígado.

Ele caiu de tanta dor.

Mas não se rendeu, mesmo com Jon Jones, carnívoro, tentando acabar com a luta.

Vitor sobreviveu também ao terceiro assalto.

Foi aplaudido de pé.

Mas veio o quarto round.

Ele estava cansado, sem o mesmo vigor.

Foi quando os dez anos a menos de Jon Jones pesaram.

Ele conseguiu derrubar Vitor e, aos 54 segundos, o sonho acabou.

O campeão conseguiu dominar o braço direito do desafiante.

E a americana veio forte, raivosa.

Vitor teve de desistir do combate épico.

Jon Jones continuou com o cinturão.

Mas percebeu que Vitor foi muito mais aplaudido do que ele.

"Ele foi um verdadeiro campeão.

Nunca senti isso, nunca haviam puxado tanto meu braço.

Eu tentei muito sair.

Senti que iria quebrar, mas não iria desistir.

E quase conseguiu quebrar o meu braço."

Falava e colocava a mão esquerda sobre o cotovelo direito, sentia muitas dores.

E não tirava os olhos, cheios de admiração de Vitor.

Muito mais aplaudido do que Jones, o brasileiro deu sua versão da luta.

"O Jones conseguiu sair do golpe porque é o campeão.

Obrigado a todos vocês [público] que são a razão por eu estar aqui.

Só quero dizer a vocês que não tenho medo de nada. "

Não precisava nem falar.

Vitor é uma lenda do MMA.

Se não tivesse desperdiçado quase dez anos com falta de controle no Japão, ganharia mais títulos.

Entrou no eixo neste final de carreira.

Conseguirá mais algumas lutas e depois fará parte do staff dos Fertitta.

Será um dos executivos do UFC.

E nesta madrugada ficou claro.

O coração de Vitor Belfort não envelheceu.

Por isso conseguiu ser o grande vencedor na sua derrota.

Os torcedores que o aplaudiram de pé souberam reconhecer.

Vitor foi sensacional contra Jon Jones.

Não tem nada de velho.

Continua um leão que merece o hall da fama.

É uma lenda...
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