125 Vencer o Corinthians para Renato Gaúcho é fundamental. Para o sonho: assumir a Seleção
Termina o Mundial de 2018.

Tite assume um grande time na Europa, seu sonho.

Marco Polo del Nero, que não foi para a Rússia, articulou rápido. E escolheu o novo treinador da Seleção Brasileira.

Ele é Renato Gaúcho.

Esse é o desejo que o treinador finalmente tornou público hoje na Folha.

O ex-jogador que trocou a Copa do Mundo de 1986 por uma farra. Já como treinador, prometeu desfilar pelado se o Fluminense fosse rebaixado, em 1996. Apesar de penúltimo no Brasileiro, uma virada de mesa evitou o desfile. 2007 foi o ano da conquista da Copa do Brasil. Em 2008, levou o Fluminense para a final da Libertadores, contra a LDU. Com direito ao último jogo no Maracanã. "Se Deus quiser vamos vencer a Libertadores, e aí vamos brincar no Brasileiro." Perdeu para o time equatoriano e o clube suou sangue para não ser rebaixado no Campeonato Nacional, terminando em 14º.

Não conseguiu título algum nos anos seguintes. Só saiu do Rio para rápidas e fracas passagens no Bahia e Atlético Paranaense. Em 2014, foi demitido pelo Fluminense na sua quinta passagem pelo clube. Ficou dois anos e meio fazendo o que mais ama. Na praia, jogando futevôlei. Retornou no ano passado e, de cara, já ganhou a Copa do Brasil. É semifinalista da Libertadores, com o Grêmio,o único time brasileiro que resta na competição. Foi eliminado da semifinal da Copa do Brasil. E é segundo colocado no Brasileiro.

Uma confusão com dirigentes custou o emprego do seu mentor e campeão mundial com o Grêmio, Valdir Espinosa. Renato lamentou, mas acabou sendo bom para ele. Ficou claro que não depende dos conselhos táticos de Espinosa para seguir colecionando vitórias. E ganhando respeito como técnico, pela maneira intensa, firme e corajosa que o seu Grêmio joga. Mesmo sabotado pelo calendário estúpido e encavalado da CBF e Conmebol.

Renato é vivido. E sabe que existem jogos marcantes, mesmo não valendo título. Mas podem ser fundamentais para a carreira de qualquer treinador.

Como será o de hoje contra o Corinthians.

Faltam dez rodadas para o Brasileiro terminar. O time de Fábio Carile tem nove pontos de vantagem para o seu Grêmio. Se conseguir fazer o time gaúcho vencer, diminuirá a disputa para seis pontos. Colocará fogo no torneio nacional. E, principalmente, ganhará muita moral. Porque o confronto será em Itaquera. Vencer o Brasileiro seguirá difícil, porque restariam nove rodadas, com os corintianos seis pontos à frente. Só poderia torcer de longe por tropeços.

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Mas está ao seu alcance vencer o Barcelona de Guayaquil, time reconhecidamente mais fraco que o Grêmio, só que eliminou Palmeiras e Santos. Se Renato Gaúcho confirmar o favoritismo gremista, chegará à sua segunda final da Libertadores. Contra um argentino. River Plate ou Lanús. E se vencer a Libertadores, não só ganhar o direito a disputar o Mundial. Mas a sonhar, a sério, pela sucessão de Tite.

Renato sabe que a concorrência está fraca. Cuca fez um trabalho pífio em 2017, no Palmeiras. Se Mano Menezes vive boa fase, foi um fracasso na Seleção e há pouco tempo, saiu em 2012. Abel Braga está a caminho dos 66 anos. Jair Ventura, 38 anos, tem apenas dois anos como treinador efetivo. E nenhuma conquista.

Ele, que adora holofotes, terá todos nesta noite. O matemático Tristão Garcia garante que o Grêmio tem 6% de chances de ser campeão brasileiro. Até mesmo Renato sabe que as chances de conquista do título nacional são ínfimas. Seu foco é a Libertadores, que está muito próxima. Mas uma vitória hoje teria consequências. Repercussão nacional. Traria mais respeito. Porque sabe que enfrenta a rejeição pelo personagem que criou.

O bon vivant, conquistador, ainda prevalece diante do técnico.

Foi uma imagem que ele mesmo cultivou.

E agora tem de enfrentar.

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Já teve sondagens de Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos, aos longo dos anos, para trabalhar como técnico. Mas recusou. São Paulo sempre foi vista como uma cidade que queria longe, quando jogador. Mesmo ficando muito próximo de atuar pelo Palmeiras. Com o São Paulo foi constrangedor. Veio ao Morumbi, visitou o clube, mostrou a camisa tricolor, mas na hora de assinar, desistiu. Preferiu voltar ao futebol carioca.

Aos 55 anos está mais vivido, ambicioso.

Percebeu que seu conhecimento tático, desenvolvido por estudos, que ele faz questão de negar, e a gestão de elenco, que tanto se orgulha, podem levá-lo mais longe do que parecia estar destinado. Ele deixou de ser folclórico há muito tempo.

Se arriscou a voltar pela terceira vez para o clube que é o maior ídolo da história. E de onde saiu chorando, demitido, a segunda vez. Retornou para calar muitas bocas conhecidas, gaúchas. Seu trabalho realmente já chocou pela eficiência. Os dirigentes nem querem sonhar sobre a possibilidade de perdê-lo em 2018. O único lugar que não adiantaria pelear seria a Seleção Brasileira. Nos demais, Renato jura que a preferência será gaúcha.

Romildo Bolzan já fez seu papel. "Vagabundo, careca paranaense. Juiz caseiro. Já deram um jeitinho para o Corinthians ao escalá-lo para o jogo contra o Grêmio." Pronto, o presidente gremista desviou o foco de Renato e seu time, ao atacar Héber Roberto Lopes. Usou o velho golpe de jogar o juiz contra o time rival. Para provar honestidade, em caso de dúvida, Héber ficaria ao lado do clube do Rio Grande do Sul.

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Esperto, Renato se cala. E trabalhou forte com seu grande atacante, Luan. Vindo de contusão, o reservou para esta partida. E pretende montar seu time para ganhar. Desprezando a pressão do Itaquerão lotado, a liderança disparada da equipe de Carile. Gaúcho deseja a vitória, sem medo, com o time atacando e defendendo em bloco, triangulações pelas laterais, infiltrações, com muita intensidade, vibração, marca registrada gremista.

Uma vitória fará muito bem para o Brasileiro. Trará emoções nas rodadas finais. Servirá de doping psicológico para a primeira partida da semifinal da Libertadores, exatamente daqui uma semana, no Equador.

Mas para Renato teria um significado diferente.

Um passo importante para alimentar seu sonho.

Assumir a Seleção Brasileira.

E seguir a dinastia gaúcha no comando do futebol deste país...
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