140 Valentim ganha poderoso aliado: Mustafá. Mas sabe. Derrotar Cruzeiro e Corinthians é fundamental
Bastaram três vitórias e a possibilidade real não só de ganhar o Brasileiro, mas tirar o título do rival Corinthians, e o Palmeiras se uniu. O desgaste, a frustração com o ano fracassado, as eliminações precoces do Paulista, Copa do Brasil e, principalmente, da Libertadores provocaram rachaduras no clube.

A ala conservadora, que dá sustentação a Mauricio Galiotte, estava revoltada. Cobrando os gastos e, principalmente, a profissionalização no departamento de futebol. O líder desse ala, o ex-presidente Mustafá Contursi, não escondia seu descontentamento com o fraco resultado do time. Até porque houve o investimento de R$ 115 milhões no clube em 2017, com o time consumindo grande parte desse dinheiro.

O planejamento era para a conquista da Libertadores e o time foi eliminado ainda nas oitavas, em casa, diante do Barcelona de Guayaquil. Com o comando de Cuca, que era o treinador que mais recebia no futebol do país. Ele e sua Comissão Técnica recebiam R$ 800 mil a cada 30 dias. Mustafá foi um dos poucos a não concordar com o retorno do técnico a este preço.

As contratações de Alexandre Mattos também foram questionadas. Por terem sido feitas sem a anuência clara de um treinador. Eduardo Baptista e, depois, Cuca, tiveram de se adaptar a Felipe Melo, Guerra e Borja. E, ao contrário do que se possa imaginar, nenhum dos dois viam a chegada do trio como a solução, a garantia da conquista da Libertadores. Havia rejeição pelo estilo e, principalmente, pelo comportamento do volante, muito polêmico, e do tímido atacante, que já havia fracassado fora da Colômbia.

A patrocinadora, a bilionária Leila Pereira, dona da Crefisa e das Faculdades das Américas, não se envolveu publicamente. Mas é lógico que também não investiu tanto dinheiro, R$ 115 milhões, só para ver o time fracassar. Conselheira do clube e também sustentada politicamente por Mustafá, Leila garantiu e seguirá investindo no time. Mas é óbvio que deseja resultados.

"Sigo tendo confiança absoluta no Mauricio Galiotte e no Alexandre Mattos. Não é porque não conseguimos títulos esse ano que vamos desmanchar o projeto. Muito pelo contrário. Estaremos mais fortes em 2018. Tenho certeza", garantiu ao blog a empresária.

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Cuca pediu demissão quando percebeu que sua presença não era mais desejada no clube. Mustafá Contursi controla pelo menos 70% do Conselho Deliberativo e 80% do Conselho de Orientação Fiscal. Ele tem acesso a absolutamente todos os gastos do Palmeiras. E não via lógica manter o técnico que não conseguia fazer o time render, não chegava à conclusão do melhor time a escalar e desvalorizava o elenco.

Na partida que definiu a saída, os dirigentes perceberam que Cuca apenas fez o que toda a mídia e a diretoria queria. Colocou 'de birra' Felipe Melo e Borja. Os dois nada acrescentaram ao triste time que empatou em 2 a 2 com o fraco Bahia. Galiotte finalmente concordou com Mustafá e assumiu que Cuca não tinha mais o que fazer no Palmeiras. O treinador entregou o cargo. Não cobrou multa, já que tinha contrato até o final de dezembro de 2018, para deixar as portas abertas. E foi embora para não ser mandado embora.

Mustafá já estava contrário à chegada milionária de Mano Menezes. Ele ficou ainda mais tenso quando soube que o treinador do Cruzeiro havia pedido, além do dinheiro, queria o controle total no futebol. As contratações, dispensas, subidas dos garotos da base, deveriam obrigatoriamente ter o seu aval. Sem questionamentos. O salário até dezembro de 2018 seria de R$ 800 mil.

Galiotte não poderia dar esse controle absoluto a Mano. E o técnico preferiu seguir ganhando R$ 600 mil no Cruzeiro, mas com a soberania no futebol. Terá o controle total do que será feito para 2018, quando a meta na Toca da Raposa será conquistar o tricampeonato da Libertadores.

Enquanto isso, Galiotte optou por terminar o ano com o auxiliar Alberto Valentim como treinador. Ex-lateral direito mediano, teve na Udinese seu clube de maior sucesso. No ano passado já queria ser efetivado, quando Cuca se demitiu, mesmo campeão brasileiro. Ao ver que o cargo foi dado a Eduardo Baptista, decidiu embora. Se assumir como técnico. Foi comandar o Red Bull no Paulista. Fez apenas 12 jogos, o time era fraco e a cobrança era desproporcional. Acabou demitido.

Como já havia estagiado como executivo de futebol na Udinese, Juventus e Roma, não teve problemas em acompanhar treinos do Napoli. Se encantou com os métodos de Maurizio Sarri.

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"O Napoli consegue unir muito bem duas fases do jogo, fugindo até da característica do futebol italiano em relação à fase ofensiva. É um time que tem hoje muita posse de bola, muita qualidade de jogo. E que tem também a qualidade da fase defensiva italiana, que é perfeita. Para mim, a melhor do mundo", disse ao globoesporte.com.

"É um time que joga o tempo todo no campo do adversário. Seja ele o Real Madrid, nas oitavas de final da Champions League, quando foi eliminado, mas marcando em cima no Bernabéu. Eles fazem 1 a 0 no começo, jogam com os atacantes marcando o goleiro, um pressing na fase ofensiva. Na fase defensiva, é uma aula. É o time que estou estudando mais. Sempre quando dá, estou baixando jogos, editando algumas coisas para amanhã trazer para o Palmeiras." Não nega que é a sua principal inspiração, mas também seguiu de perto o Barcelona de Luis Enrique.

Valentim já teria dito para Alexandre Mattos que, se depender dele, os reforços serão mínimos para 2018. E que o grupo palmeirense já é muito forte. Não é preciso explicar a felicidade com que Mustafá recebeu essa notícia. Até porque ele considera que já é absurdo uma folha de pagamento de R$ 12 milhões para o atual elenco. O mais caro do país.

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A reação do Palmeiras e a possibilidade real de brigar com o título, acalmaram as alas políticas. Mustafá está contente porque percebe mais racionalidade por parte de Valentim, mais cuidado com o elenco por parte do interino. E sabe, que mesmo valorizado, no máximo o clube pagará algo como R$ 200 mil se decidir efetivá-lo. Técnico algum 'de grife' aceitaria menos do que três vezes mais.

Valentim sabe que está sendo observado. Está no foco. Na caminhada para ter a real chance de comandar o Palmeiras em 2018 há dois jogos fundamentais. O primeiro será na segunda-feira, diante da torcida, na arena palmeirense. Contra o Cruzeiro de Mano Menezes. O time que tirou os palmeirenses da Copa do Brasil, com o treinador que não quis trabalhar no Palestra Itália.

E, em seguida, no domingo dia 5 de novembro, o Corinthians, no Itaquerão. No jogo que poderá ter todos os ingredientes de uma final do Brasileiro. Valentim sabe que os próximos dez dias poderão garantir o que tanto deseja. Aos 42 anos, começar 2018 como técnico efetivo do Palmeiras. Nem precisa ganhar o campeonato nacional, basta se impor contra cruzeirenses e corintianos.

Este é o clima no Palmeiras. A efervescência sumiu. O clima é de esperança. Os jogadores estão empolgados, se sentindo valorizados como nunca foram por Cuca, e unidos pela permanência do técnico interino. Por isso vão seguir dando tudo para segurá-lo. As três primeiras vitórias foram algo importante. Atlético Goianiense, Ponte Preta e reservas do Grêmio. Mas Cruzeiro e Corinthians é que contam.

Valentim e seus jogadores sabem.

E prometem estar preparados para construírem a própria história.

Desejando seguirem juntos em 2018...
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