1reproducao21 Usar o amor à Pátria para defender a caxirola é pura manipulação. Se trata, na verdade, de um excelente negócio de R$ 3 bilhões. Envolvendo a Fifa, o COL e a multinacional americana, dona da patente do instrumento oficial da Copa de 2014...
A ingenuidade é para ficar de fora.

Há sim falta de educação, de civilidade.

Foi um absurdo a chuva de caxirolas na nova Fonte Nova.

O Bahia perdia mais uma vez para o Vitória.

E parte de sua torcida atirou os instrumentos plásticos ao gramado.

Foram mais de 50 mil doados para os torcedores do Ba-Vi.

A reação dos brasileiros deveria ser testada.

Havia uma preocupação por parte da Fifa e de membros do COL.

O instrumento que cabe na palma da mão tem o formato de uma granada.

Como as novas arenas aproximaram as arquibancadas do gramado, tudo ficou mais fácil.

Qualquer torcedor pode lançá-la no campo de jogo.

O peso do plástico é suficiente.

Não para machucar ninguém, mas para desmoralizar.

A ameaça de punição, de expulsão, pode não dar em nada.

Basta que a partida termine e a chuva de caxirola pode acontecer sem punição.

Como expulsar alguém do estádio de um jogo que acabou?

O vexame de ontem já foi espalhado pelo mundo.

E não fere apenas o orgulho nacional.

Mas os planos de empresários.

Aí é que termina a ingenuidade.

A The Marketing Store tem a exclusividade de fabricação do instrumento.

Ela já faz as embalagens do Mc Donald's.

Fatura bilhões no mundo.

E viu na caxirola um bom negócio.

Até como publicidade.

Ser a dona do instrumento oficial da Copa do Mundo de 2014.

As previsões são assustadoras: cem milhões de unidades serão colocadas até a Copa.

A empresa quer cobrar entre R$ 30,00 por unidade.

Ou seja, o negócio de R$ 3 bilhões.

Parte desse dinheiro será da Fifa, já que a caxirola é produto oficial do Mundial.

E outra parte será do governo brasileiro.

Fora o lucro da multinacional.

Com o mundo em plena crise, quem vai abrir mão de tanto dinheiro?

A fabricação dos instrumentos de plástico já está em pleno vapor.

Havia a necessidade de um teste.

O evento foi escolhido a dedo, para ter a menor rejeição possível.

O maior clássico da Bahia.

O baiano é um povo alegre e Carlinhos Brown assume a autoria da caxirola.

Lá sabem que ela é uma réplica do caxixi, chocalho complemento do berimbau.

Até a presidente Dilma Rousseff acabou como garota propaganda do instrumento.

Ao lado de Marta Suplicy chacoalharam a caxirola para os fotógrafos.

Mal assessorada, Dilma referendava o instrumento.

Ela não tem a menor intimidade com estádios de futebol.

Segue o que o seu ministro de Esportes, Aldo Rebelo, recomenda.

E lá foram Dilma e Marta à Fonte Nova posar com seus caxixis de plástico.

Havia no ar o velho conceito preconceituoso.

"O baiano é um povo festeiro e pacífico."

Como se fosse facilmente manipulado.

Esse também é o esterótipo do povo brasileiro no Exterior.

O bom selvagem.

Assim foram distribuídas as 50 mil caxirolas na entrada da Fonte Nova.

O público serviria de pano de fundo para publicidade do instrumento.

Só que a farra durou 45 minutos.

Mal o Bahia de Joel Santana começava outro vexame, veia a chuva de caxirolas.

Foi sim demonstração de falta de educação, de civilidade.

Mas a realidade veio à tona.

O formato do instrumento não é para praças públicas, estádios.

O jornal inglês The Guardian foi preciso.

Um trecho...

"Se você pensou que vuvuzelas eram ruins, espere até ouvir a caxirola.

Um pequeno pedaço de plástico reciclado verde e amarelo.

E trazido para nós pelo Ministério do Esporte."

2agestado Usar o amor à Pátria para defender a caxirola é pura manipulação. Se trata, na verdade, de um excelente negócio de R$ 3 bilhões. Envolvendo a Fifa, o COL e a multinacional americana, dona da patente do instrumento oficial da Copa de 2014...

Destaca a semelhança com uma granada de mão.

Garante instrumento parecido foi banido dos estádios da Europa a partir de 1996.

O que aconteceu ontem em Salvador não surpreendeu assessores da CBF.

E do próprio Ministério do Esporte.

Mas Marin e Aldo Rebelo acreditavam que iriam domar o público brasileiro.

A severa vigilância das câmeras serviria como intimidação.

Mas viram ontem.

Se o Brasil começa a perder por dois, três gols, por exemplo, da Itália?

Na Copa das Confederações, na mesma Fonte Nova.

E surge nova chuva de caxirolas?

Desta vez para o mundo assistir ao vivo?

Seria um caos a polícia tentar expulsar milhares de torcedores.

Marin e Aldo Rebelo vão tentar apelar à uma campanha de conscientização.

Precisam da parceira Globo.

E ela já começou a fazer isso no Fantástico, com Tadeu Schmidt.

Ele apenas leu o texto criticando os torcedores.

Disse que os brasileiros deveriam ter orgulho do instrumento.

Está sendo massacrado nas redes sociais.

Só que agora não há solução.

Até porque o contrato com a The Marketing Store já está assinado.

Ela tem a exclusividade da Fifa e do governo brasileiro.

É um negocio que pode chegar a R$ 3 bilhões.

Quem brinca com R$ 3 bilhões?

A empresa distribuiu uma nota à imprensa após o vexame da Fonte Nova.

Nela acusa a torcida do Bahia, que 'está passando por problemas internos'.

Esses mesmos 'problemas internos' atingem a Seleção de Felipão.

O Brasil joga tão mal quanto o Bahia.

Aldo Rebelo é nacionalista até a alma.

Queria trocar o Haloween pelo dia do Saci Pererê.

E obrigar a colocação de 10% de farinha de mandioca no pão nosso de cada dia.

Acreditava que os brasileiros não jogariam as caxirolas no campo.

O instrumento representa o país.

É bom alguém avisar ao ministro o que aconteceu na civilizada São Paulo.

Em 2000, quando o jornal Lance! distribuiu milhares de bandeiras brasileiras.

A Seleção de Leão venceu a Colômbia por 1 a 0.

Jogou mal, mas ganhou.

Mesmo assim, os paulistas jogaram, em protesto, as bandeiras para o gramado.

Ficaram esparramadas no chão.

Um vexame internacional.

A partir daí foi proibida a distribuição de bandeiras brasileiras.

Não com com hastes de plástico.

A determinação foi fácil.

Não envolvia um negócio bilionário.

E nem uma poderosa multinacional, a FIFA, COL, CBF.

Por isso a discussão sobre o nacionalismo das caxirolas é fútil.

Pedaços de plásticos em formato de granadas não representam o país.

Elas simbolizam R$ 3 bilhões.

A ingenuidade não pode ficar de fora desta discussão.

Usar o amor à Patria para defender a caxirola é pura manipulação...
1agestado1 Usar o amor à Pátria para defender a caxirola é pura manipulação. Se trata, na verdade, de um excelente negócio de R$ 3 bilhões. Envolvendo a Fifa, o COL e a multinacional americana, dona da patente do instrumento oficial da Copa de 2014...

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