vuvuzela2 Toda a tensão de Parreira. Como é duro ser o técnico da África do Sul, a alegre anfitriã da Copa...

Carlos Alberto Parreira está incomodado.

Desde 2006 não é mais o mesmo.

Aos 67 anos está irritado.

Pouco importa se amanhã será o segundo treinador a mais ter trabalhado em Copas do Mundo, estando atrás do alemão Helmut Schoen, com 25 partidas.

Parreira tem 20, com Zagallo e Bora Milutinovic.

É sua sexta Copa como treinador.

Dirigiu o Brasil em 1994 e 2006.

Comandou o Kwait em 1982, Emirados Árabes em 1990,  Árabia Saudita em 1998, quando chegou a ser demitido em plena Copa da França depois de duas derrotas.

E por falar em vitórias, ele nunca venceu comandando qualquer seleção que não fosse o Brasil em Mundiais.

Nunca passou das primeiras fases com elas.

Agora a África do Sul sonha alto.

Sabe que está sob o olhar do mundo.

É ele quem comanda o time anfitrião da Copa, os Bafanas Bafanas.

Tem uma enorme responsabilidade.

O alegre e entusiasmado povo africano pode sentir um gostinho do Maracanazo.

A população está acreditando que, com suas vuvuzelas e gritos carregarão o esforçado elenco montado pelo brasileiro.

Na coletiva que ele deu aqui no Soccer City, palco da abertura e da final da Copa, o brasileiro se mostrou incomodado com a pressão.

Não quer dar os tradicionais vexames de quando não treinou o Brasil.

Está preocupado com a estréia contra o México.

"O grupo em que a África está é imprevisível.

Tanto podemos ganhar os três jogos, como poderemos empatar os três, ou perder os três.

A torcida está entusiasmada, mas não quero ser o único responsável pelas vitórias ou derrotas."

Por falar em festa, ele ficou ressabiado quando um jornalista perguntou se poderia comparar a animação dos torcedores africanos que ontem fizeram o ‘vuvuzela day’, os torcedores ficaram tocando suas cornetas na rua, com o que aconteceu em Weggis, na Suíça, a farra da preparação brasileira para a Copa de 2006.

Se pudesse, Parreira o socaria.

“Não tem nada a ver. A Copa do Mundo traz uma alegria comparável só à libertação de Nelson Mandela.

Eu levei cinco jogadores para agradecer a manifestação de carinho dos africanos.”

O Brasileiro sabe que tem nas mãos uma equipe fraca, inexperiente.

Na vitória contra a Dinamarca, no entanto, se impôs pela vontade, pela correria.

Não é o esquema que mais agrada o agrada.

Sabe que a equipe é fraca, mas não vai admitir isso nunca.

Pergunto para ele na concorrida entrevista coletiva aqui no Soccer City se ele está preparado para ser responsabilizado pela alegria ou tristeza ao povo africano.

Esperto, ele repete para o mundo ouvir o que me disse em entrevista exclusiva em relação ao fracasso do Brasil em 2006.

"Por que eu?

Sou parte de um sistema.

Não tenho essa responsabilidade não."

Parreira atacou até a Fifa.

Do seu jeito, sóbrio.

Aproveitou uma pergunta se era o maior desafio dirigir a África do Sul como anfitriã de uma Copa.

"É um grande desafio, mas não é o maior.

O time da casa sempre passa de fase, mas acho estranho porque outras equipes que receberam a Copa tiveram grupos mais fáceis, com adversários como Honduras, Iraque.

A França deixou de ser cabeça de chave e caiu no nosso caminho. Deveria estar no grupo do Brasil, da Espanha. Mas caiu no nosso.

Fez as coisas se tornarem mais difíceis para todo mundo.

Mas não vai tirar o meu sono, não."

Parreira promete que não estará na próxima Copa.

Quer cuidar dos netos.

Antes da coletiva de hoje, ele já havia explicado a situação.

"Na Copa do Brasil já terei 71 anos.

Acho que tenho de aproveitar essa Copa ao máximo.

Deve ser a última..."

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