Politicamente correto.

Esse termo ganha cada vez mais importância na vida moderna.

Ainda neste país, marcado pela impunidade.

Pela violência.

Intolerância.

As redes sociais estão infestadas de manifestações contra Tite e Wellington, volante do São Paulo. O treinador da Seleção Brasileira foi flagrado comemorando o gol do Corinthians contra o Santos no sábado. Mal Jô acertou a cabeçada, o treinador se levantou, eufórico. Ele estava no camarote da diretoria corintiana. Tratou de cumprimentar o gerente de futebol Alessandro com um longo abraço.

As reações de torcedores que não são corintianos foi imediata.

Principalmente os santistas.

Houve muita revolta com a falta de imparcialidade.

Como ele é treinador da Seleção dos brasileiros não deveria mostrar sua preferência corintiana. E logo surgiram acusações às convocações de jogadores do Parque São Jorge. Ele protegeria o time que torce. E para onde, hipoteticamente, gostaria de voltar após sua passagem pelo time da CBF.

Tite cometeu sim um erro.

Estava no Itaquerão como técnico da Seleção.

Para observar os jogadores do Corinthians e Santos.

Pensar neles no futuro da Seleção.

Por isso, a vibração foi politicamente incorreta.

Só que compreensível.

Ele passou sete anos no Corinthians.

Ofereceu condições de ser campeão do país, da Libertadores, mundial.

Foi o clube que o levou à Seleção Brasileira.

Ao chegar no estádio, foi tratado como um grande ídolo.

Teve dificuldade para escapar das selfies, abraços, beijos.

E ainda ouviu um inédito coro dos corintianos.

O estádio todo ficou gritando seu nome.

A identificação de Tite com o Corinthians é total.

A ponto de o retorno da Seleção à São Paulo, contra o Paraguai, será no Itaquerão. Um pedido de Tite que foi prontamente aceito por Marco Polo de Nero. O presidente da CBF sabe que lá, o Brasil terá o apoio da torcida mais exigente e chata do país.

As críticas pela vibração no gol de Jô se justificam.

Mas Tite não é uma máquina.

E traz na alma a gratidão.

Se deixou levar pela euforia.

Até os santistas admitem essa ligação umbilical.

Mas que sirva de lição.

O treinador da Seleção precisa saber que representa o Brasil.

Não mais o Corinthians.

411 1024x614 Tite comemora gol do Corinthians contra o Santos. Wellington ofende à toa os corintianos. Faltou isenção ao técnico da Seleção e respeito ao volante do São Paulo...

O caso de Wellington é mais complicado.

O jogador que vem do seu pior momento na carreira.

Ressurge depois de uma onda de contusões.

Estava saindo do vestiário do São Paulo. Seu time havia vencido o Santo André. Ele foi pego em uma brincadeira lamentável pela tevê oficial são paulina. Ela transmitia pela internet ao vivo a saída dos jogadores. E Wellington foi alertado que estava com sua mochila aberta.

O jogador resolveu brincar.

"Ainda bem que é no São Paulo.

Imagina no Corinthians."

O repórter da TV do São Paulo ainda tentou disfarçar.

Mas era tarde.

O áudio vazou claro, cristalino.

Wellington havia insinuado que seria roubado se estivesse no Corinthians.

A indignação pela estúpida brincadeira se transformou em racismo.

Com corintianos rebatendo a provocação usando a cor negra de Wellington.

Algo totalmente descabido, nojento.

Fora aqueles que o ameaçaram de agressão física.

Wellington percebeu que teria de se retratar.

E escreveu uma nota sobre o caso no Instagram.

"Estou vindo aqui me posicionar sobre um tema chato, pequeno, que cada vez ganha relevância por uma simples brincadeira. Diversos meios de comunicação e uma infinidade de torcedores (alguns extremamente racistas) estão reclamando da brincadeira que fiz ontem, ao final da partida. Gente, o que seria do futebol sem as brincadeiras?

Tenho muitos amigos torcedores do arquirrival e sei que a grande maioria entende como uma simples BRINCADEIRA. O futebol é isso, é entretenimento, é diversão.

Você aí que está atirando pedras, nunca brincou com seu amigo que torce pra outro time?

Em momento algum quis ofender o adversário ou faltar com respeito, mas uma coisa tão banal não pode ganhar proporções enormes.
Pra mim, futebol é sinônimo de felicidade, então vamos dar mais risadas, brincar mais, sorrir mais. Eu sou isso aí, a alegria em pessoa, eu jogando, eu treinando, eu lesionado, a vida é curta demais pra não brincar e não sorrir!
Boa semana pra todos! Vamos com tudo."

Wellington sabe que exagerou.

Ele é um jogador profissional.

Não estava em um boteco tomando cerveja com sua turma.

Vestia o uniforme do São Paulo.

Era um jogador do clube ofendendo a torcida corintiana.

De graça, à toa.

Para ficar bem com os são paulinos.

Nada justifica um ataque racista.

Nem ameaça de agressão física.

É crime.

Mas Welligton não pode sugerir que corintianos são ladrões.

Se um dia o Corinthians se interessasse por ele.

Como ficaria essa acusação tola, infantil?

25 Tite comemora gol do Corinthians contra o Santos. Wellington ofende à toa os corintianos. Faltou isenção ao técnico da Seleção e respeito ao volante do São Paulo...

Vampeta tem medo até hoje das organizadas do São Paulo.

Jura que não foi ele quem chamou os são paulinos de bambi.

Não foi o primeiro, apenas repetiu o que ouviu.

Apesar de aposentado evita as organizadas tricolores.

Wellington precisa ser mais responsável.

Tite precisa se policiar.

Não é o futebol que está chato.

É a vida que se tornou intolerante.

Violenta.

Ambos poderiam evitar essas situações.

Se desgastaram de uma maneira tola.

O futebol de hoje em dia exige o politicamente correto.

Respeito em todos os momentos.

Porque ele será cobrado...

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