Publicado em 08/12/2010 às 08h32
Aposentado e com um pé na Bandeirantes, Simon admite: “No Brasil não querem que os árbitros sejam profissionais independentes”

O presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Correa, está tenso.
Foi péssima a participação dos juízes brasileiros em 2010.
A renovação forçada que ele promoveu foi um fracasso.
As vaias e palavrões no Teatro Municipal do Rio a seu protegido Sandro Meira Ricci, escolhido como melhor do país, representam bem o que todos pensam do trabalho da Comissão de Arbitragem.
Não há clube no país que não tenha sido prejudicado e lamente erros de um árbitro.
E para piorar, o pressionado Sérgio Correa perdeu o seu homem de confiança.
Aos 45 anos, Carlos Eugênio Simon se aposentou.
O homem de três Copas do Mundo tem planos.
Em entrevista exclusiva ao blog, ele mostra que deixará de ser vidraça para ser pedra.
E pela primeira vez, ele confirma que deve trabalhar mesmo como comentarista de arbitragem.
Na TV Bandeirantes, substituindo Oscar Roberto Godói.
Simon, vamos direto ao assunto.
Você começa quando na TV Bandeirantes?
Carlos Eugênio Simon: Antes eu não queria falar desse assunto porque estava trabalhando como árbitro.
Mas estamos negociando há muito tempo.
Estamos próximos de um acordo.
Eu acredito que posso colaborar com tudo que aprendi em anos e anos de arbitragem.
Será uma ótima oportunidade para esclarecer situações que o público em geral não percebe envolvendo o jogo de futebol.
Sou jornalista e me sinto pronto para exercer a função.
O convite da Bandeirantes aconteceu em uma boa hora.
Está fechado? Tudo certo?
Ainda faltam alguns detalhes para a gente fechar.
Estamos negociando, estamos negociando...
Qual a avaliação da sua carreira?
Simon: Foi fantástica.
Apitei três Copas do Mundo.
Olimpíada, Libertadores, decisões de Campeonato Brasileiro.
E inúmeros estaduais.
Procurei ser o mais justo possível.
Fui presidente do Sindicato dos Árbitros do Rio Grande do Sul.
Briguei como pude por minha classe.
Dentro do campo aconteceram muito mais acertos do que erros.
Ser árbitro é uma profissão dificílima, que exige demais da pessoa, da família, te consome.
Mas estou plenamente satisfeito com o que fiz pelo futebol.
Por que o nível dos árbitros brasileiros atuais é tão fraco?
Quando vai acontecer a profissionalização no país?
Simon: Não concordo que o juiz brasileiro seja fraco, não.
Pelo contrário, acho que é um dos melhores do mundo, se não for o melhor.
Apitar aqui com toda a pressão dos clubes e as manhas do jogador brasileiro é terrível.
As condições que são dadas não ajudam.
Não há como a pessoa só se dedicar a arbitragem.
O que deveria acontecer, concordo com você, é a profissionalização.
Há um processo tramitando pelo Congresso Nacional pedindo a nossa profissionalização há anos.
Mas está parado.
No Brasil não querem que os árbitros sejam profissionais independentes.
Não há interesse.
Não me pergunte de quem...
Vou perguntar: o interesse é das Federações, dos clubes, para que os árbitros sejam sempre vulneráveis a pressões e dependentes?
Simon: Olha... é mais ou menos por aí.
Não há mesmo interesse na independência total dos árbitros no Brasil.
Por isso não somos profissionalizados.
Está tudo amarrado.
Não podemos levar toda a nossa vida para nos dedicarmos apenas ao jogo de futebol.
Como todos os outros personagens da partida.
Somos amadores.
Não deixam os árbitros virarem profissionais no Brasil.
Não deixam.
Trabalhar no Brasil como árbitro exige sacrifícios pessoais que ninguém tem ideia.
É pressão por todo o lado.
Nós deveríamos ser muito mais valorizados e em todos os sentidos.
Qual a partida mais importante da sua carreira?
Simon: As que fiz nas três Copas do Mundo foram fundamentais.
Mas a de despedida no Engenhão ficará para sempre no meu coração.
A torcida do Fluminense gritou o meu nome antes e no intervalo.
Nunca havia imaginado isso.
Fiquei mesmo emocionado.
Foi o reconhecimento por tantos anos no futebol.
Agora pretendo continuar colaborando de outra maneira.
Minha missão nos gramados foi cumprida...
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Publicado em 05/02/2010 às 20h49
Belluzzo: se quiser dar uns tapas no Simon, como prometeu, vá à África…

Se o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, quiser dar os tapas que prometeu em Simon sabe onde encontrá-lo.
No meio do ano ele estará na África do Sul.
Foi confirmado oficialmente hoje como o árbitro brasileiro na competição.
A escolha leva em conta as partidas que Carlos Eugênio apitou
Mas não dá para fechar os olhos.
Ela é basicamente política.
Há que se fazer todo um trabalho junto à Comissão de Arbitragem da CBF.
Trabalho no sindicato do seu Estado.
Simon sabe como ninguém se relacionar no mundo das arbitragens.
Não faz nada de desonesto.
Só é atuante.
Está presente em reuniões sindicalistas, lidera movimentos.
Ajuda a Comissão de Arbitragem na renovação dos quadros.
Se Simon colecionou inimigos entre os dirigentes e erros nos últimos anos, seu relacionamento com a cúpula do poder continuou excelente.
Ele também é muito bem quisto na Conmebol.
Enfim, é um excelente relações públicas dele mesmo.
Tanto que é o único árbitro brasileiro da história a ir a três Copas do Mundo em seguida.
Três.
E ele sabe que está longe de ser o melhor árbitro a nascer no país.
Só que nos frios números ele será apontado como o primeiro.
Ele tirou a chance de diversos árbitros que sonhavam com uma chance dessas.
Mas cada um tinha seu pecado mortal diante da cúpula da CBF.
Gaciba e suas reprovações nos exames médicos.
A incrível falta de sorte em lances capitais de Paulo César de Oliveira.
A falta de apoio político de Evandro Rogério Roman.
O radicalismo e a imaturidade de Leandro Vuaden.
Aos 44 anos e em plena decadência como árbitro, Simon vai para a Copa.
O pênalti inexistente na final do Campeonato Cearense.
O absurdo gol do Palmeiras anulado contra Fluminense.
A alegada perseguição ao Sport.
Tudo isso é para dirigente perder a paciência.
E torcedor discutir no boteco predileto ao lado da cerveja e do torresmo.
Simon é jornalista, sindicalista, comunista.
Tem a plena noção que todos os árbitros erram.
Ele não é diferente.
A sua diferença é que ele sabe muito bem com quem se relacionar.
A notícia que marca é que, promessa dele, após a sua terceira Copa do Mundo ele irá se aposentar.
Talvez seja melhor Belluzzo procurá-lo a partir de agosto para resolver aquela história dos tapas...
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Publicado em 14/12/2009 às 11h09
Qual a maior besteira que você ouviu no futebol em 2009?

"Vou cumprir os meus quatro anos de contrato com o Palmeiras. Quero ser campeão, entrar para a história do clube."
Keirrison prometeu. No mês seguinte fez toda a pressão possível para ser vendido ao Barcelona. Acabou repassado ao Benfica. Onde agora é reserva.
"2009 será inesquecível para o torcedor do Coritiba. Afinal, é o ano do nosso centenário."
Previu, com razão, o presidente Jair Cirino. O Coritiba foi rebaixado no Brasileiro. O estádio Couto Pereira depredado. E ele vive protegido pela polícia, com medo de ser agredido pelos torcedores do clube.
"Futebol é business. O Corinthians tem de ser parabenizado pelo negócio."
O diretor Mário Gobbi se referindo às vendas de Cristian, Douglas e André Santos. Os três foram vendidos por apenas R$ 11 milhões. A saída do trio desestruturou o time campeão paulista e da Copa do Brasil montado por Mano Menezes. Há muita incerteza em relação ao pouco tempo para entrosar a nova equipe na disputa da Libertadores. Empresários e dirigentes de outros clubes disseram em off ao blog que foi o pior negócio feito por um clube em 2009.
"Deixaram o Jason voltar. Agora ninguém segura."
A aposta do gerente do São Paulo, vereador e amante de filmes de terror, Marco Aurélio Cunha. Só faltou avisar Goiás e Botafogo que exorcisaram Jason.
"Vou classificar o Santos para a Libertadores. E em 2010 seguirei trabalhando aqui com o presidente Marcelo Teixeira."
Vanderlei Luxemburgo errou feio. O Santos ficou em 11º lugar. Marcelo Teixeira não foi reeleito e o treinador foi para o Atlético Mineiro.
"Se forem escalados árbitros estrangeiros, o Sport passa pelo Palmeiras. E brigará pelo título da Libertadores. O nosso torcedor terá um final de ano muito alegre."
O ex-vice presidente do Sport, Guilherme Beltrão, não sabia o que estava falando. Juízes estrangeiros foram escalados e o Palmeiras eliminou o Sport da Libertadores. O time pernambucano foi rebaixado para a Série B. O torcedor do Sport não poderia ter um final de ano pior.
"Chegou a hora do Atlético Mineiro parar de sofrer."
Previu Leão antes de começar a decisão do Campeonato Mineiro. Nas finais contra o Cruzeiro, derrota e tristeza. Com direito a uma das partidas selar uma derrota por 5 a 0 para o rival. Leão foi demitido em seguida.
"O Atlético Mineiro será campeão do Brasil. Tenho toda a convicção."
Celso Roth previu. E errou feio. Tão feio que perdeu o emprego.
"O Paulo Autori é o treinador certo para trabalhar com o elenco de grandes jogadores que o Grêmio montou. Será um casamento perfeito."
O presidente Duda Kroeff provou que não é um bom casamenteiro. Bem longe disso.
"Não vamos tirar o Tite. Temos toda a confiança nele. Ele ficará até o final do seu contrato no Inter."
O homem forte do futebol do Internacional, Fernando Carvalho, garantiu. Mas em seguida, a confiança foi para o ralo...
"Nosso time está sendo montado para ser campeão do Brasil. Campeão."
O presidente Roberto Horcades precisa pensar 400 vezes antes de falar. O Fluminense de Fred teve de suar sangue para não ser rebaixado.
"Vamos matar bambi (sic). Vamos matar bambi (sic). Vamos matar bambi (si)."
O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, se referindo ao São Paulo. Falou na festa de aniversário da torcida Mancha Alvi Verde. O Ministério Público estuda processar o dirigente por instigar, promover a violência.
"Se eu o encontrar pela frente darei umas palmadas no vagabundo."
Também Belluzzo. Ele se referia ao árbitro Carlos Eugênio Simon. O presidente do Palmeiras foi suspenso por 270 dias.
"Não estou gordo. Estou forte."
Ronaldo do Corinthians, negando o óbvio.
"O Elias falou que o Leonardo Moura iria cobrar o pênalti no meio."
Felipe ao explicar porque não mexeu um músculo do corpo na cobrança de pênalti do Flamengo contra o Corinthians.
Esses foram alguns exemplos.
Qual foi a maior besteira que você ouviu no futebol em 2009?
Qual dirigente ou jogador envergonhou mais a sua torcida?
Vote no troféu Língua de Trapo 2009.
A apuração será feita na próxima segunda-feira...
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Publicado em 10/11/2009 às 15h41
Belluzzo, parte II. “Só falei em dar uns tapas na bunda do Simon… Não sou homem de comprar árbitros…”

Luiz Gonzaga Belluzzo.
Presidente do Palmeiras.
Ele entrou no noticiário.
E parece que não quer sair.
Suas ameaças a Simon desviaram o foco do fraquíssimo futebol do Palmeiras.
Das decepções com Diego Souza, Vagner Love e Muricy Ramalho na hora da decisão do Brasileiro.
Mas o que Belluzzo tem dito não pode ser desprezado.
Na noite de ontem, ele falou à vontade com a rádio paulista 97,7 FM.
E foi fundo.
Talvez até demais.
“Estou sendo cobrado por não trabalhar nos bastidores.
Mas eu não sou homem de comprar árbitros.”
Mergulhou mais ainda ao falar das ameaças de tapas em Simon.
“Não foi apologia à violência.
Só falei em dar tapas na bunda dele.
Fazer como a minha vó: dar um corretivo para aprender.
Uns tapas na bunda e só.”
Prometeu também que não buscará um segundo mandato como presidente do Palmeiras.
“Não quero outro mandato.
É preciso ter dois estômagos para trabalhar com o futebol.
Eu não tenho.”
Do outro lado do país, Simon confirmava esperar pelo processo por perdas e danos que Beluzzo jura que irá entrar contra ele.
E garantiu que o irá processar o presidente do Palmeiras por tê-lo chamado de vagabundo...
O STJD irá julgar Belluzzo pelas ofensas.
Essa briga vai longe...
Veja mais:
+ Belluzzo confirmou ofensas e diz que vai processar Carlos Eugênio Simon
+ Traffic e Palmeiras se distanciam
+ Presidente do Palmeiras diz que não protegerá Simon da ira dos torcedores
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Publicado em 08/11/2009 às 19h21
De quem é a culpa da decadência do Palmeiras?

A oposição do Palmeiras não perdeu tempo.
Mal o time foi derrotado pelo Fluminense no Maracanã, a cobrança recaiu sobre o presidente Belluzzo.
Os conselheiros não se conformam com a arbitragem de Simon no Maracanã.
O gol anulado de Obina.
A cabeçada que Armero tomou de Alan, que abriu seu supercílio.
A queixa é que Belluzzo está tão preocupado em parecer um um dirigente diferenciado, que não pressiona árbitros, que não reclama de nada, que o time está desamparado nos bastidores.
Os telefonemas entre conselheiros influentes cobrando Belluzzo não param.
Por outro lado, há uma grande decepeção com o time de Muricy.
Tirando os lances que Simon prejudicou o Palmeiras, o Fluminense de Cuca mereceu a vitória.
O clube que não paga salários há três meses venceu o que paga em dia.
Diego Souza, só reclamou e nada produziu.
Vagner Love sumiu diante da marcação, deveria ter saído durante a partida.
Muricy demorou para mexer na equipe.
Quando trocou fez o óbvio.
Trocou um atacante e colocou outro.
Mas tirou o errado.
Substituiu Obina que estava muito melhor que Love.
Inexplicável.
O Palmeiras perdeu a liderança depois de 19 rodadas.
A ordem era ficar cinco pontos acima do São Paulo, depois do empate do time de Ricardo Gomes no Olímpico.
Vencer o Fluminense e Sport, clubes envolvidos com o rebaixamente, seria obrigação.
Seria.
O Palmeiras não depende mais dele.
Por mais que Toninho Cecílio, Muricy e todos os jogadores coloquem a culpa em cima de Simon, as pessoas enxergam.
O Palmeiras mereceu perder o jogo.
E a liderança do Brasileiro.
O clube que estava cinco pontos na frente, agora está um atrás do São Paulo.
Por culpa exclusivamente do elenco mais caro do Brasil.
Do treinador que mais recebe no País.
E de, acordo com conselheiros, do presidente que acredita que não é preciso brigar nos corredores, nos bastidores da CBF para ser campeão...
Veja mais:
+ Saiba tudo sobre a fase final da Série A do Campeonato Brasileiro
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Publicado em 22/10/2009 às 09h00
O maior medo do São Paulo no domingo. Não é o Santos. É o Simon…

Carlos Eugênio Simon.
Árbitro brasileiro na Copa de 2010.
Já foi o juiz que representou o País nas Copas de 2002 e 2006.
Ele acabou se ser sorteado para apitar o clássico Santos e São Paulo.
A escolha gelou a espinha dos dirigentes do Morumbi.
Eles não toleram Simon.
Em 2006, o árbitro deixou de marcar dois pênaltis contra o Flamengo.
A diretoria enviou um protesto para a CBF e Simon acabou vetado o resto do ano.
Ele foi um dos poucos árbitros na história a ter coragem de expulsar Rogério Ceni.
A partida foi histórica.
Em 2001, o São Paulo perdeu por 7 a 1 para o Vasco.
Simon não vem de boa fase.
Foi questionado demais ao ter marcado um pênalti inexistente na final do Campeonato Cearense.
Aos 44 anos não tem mais o vigor físico que marcou a sua carreira.
Os presidentes de clubes não se empolgam quando ele vai apitar seus jogos.
Simon diz que não se importa e quer ter um ‘final de carreira’ digno.
Os dirigentes do São Paulo que já estão com o pé atrás com a CBF pela resistência da Fifa ao Morumbi, não querem comprar briga antecipadamente.
Até porque o sorteio não terá volta.
Só que há muita preocupação no Morumbi para o clássico de domingo na Vila Belmiro.
Uma derrota pode significar o fim da briga pelo título e o risco até da Libertadores em 2010.
E a tensão não é por causa do time de Vanderlei Luxemburgo.
Longe disso.
O Santos atual não assusta Ricardo Gomes e seus jogadores.
O medo estará usando muito gel e um apito na boca...
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