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Quem ainda acredita em Robinho? Aquele que seria o melhor do mundo?

MALABARISTA cosme Quem ainda acredita em Robinho? Aquele que seria o melhor do mundo?

Robinho.

Desde que optou pelo dinheiro do Manchester City, sua carreira deu um enorme salto para trás.

Ele  jurou que seria melhor jogador do mundo, quando trocou o Santos pelo Real Madrid.

Mas descobriu que a vida está longe de ser uma grande brincadeira.

Pelo contrário.

Se isolou entre os galácticos.

Acreditou que iria ser mimado como na Vila Belmiro.

Os espanhóis se cansaram logo dele.

Ninguém chorou, fez passeata quando decidiu ir para o City.

A cúpula do Real Madrid venceu ao desviar o seu destino do Chelsea para o fraco City.

Com raiva do desfecho do negócio, ele descontou em seu empresário, Vagner Ribeiro.

E o demitiu.

A partir daí, sua rotina tem sido triste.

Péssimas partidas pelo City e a sobrevivência contestada no Brasil de Dunga.

O treinador de Ricardo Teixeira lhe deve amor eterno.

Robinho o apoiou de forma explícita quando Dunga estava sendo mais atacado do que o vírus da gripe suína.

E acertou na mosca.

O treinador é mais do que fiel.

Por conta dessa fidelidade, Robinho já está no Mundial da África.

Mas está muito infeliz no clube.

Robinho está implorando, quase de joelhos, para que os ingleses aceitem uma proposta do Barcelona.

Os dirigentes dizem em público que a proposta faz parte do passado.

Só que Robinho acaba de confirmar a amigos no Brasil, que só depende dele convencer os donos do City.

A insistência teve reflexo.

É mero reserva em um plantel fraco.

A outra estrela do elenco, Carlitos Teves, se cansou de apoiar o brasileiro.

Seu empresário, sim ele, o velho Kia Joorabchian, recomendou que deixasse Robinho resolver sua vida  sozinho.

Em um momento de desespero, o atacante brasileiro chegou até a pensar em atuar até a Copa no Santos, mas foi dissuadido da idéia.

Além de rasgar dinheiro, a troca do comando, a ausência de Marcelo Teixeira o desestimulou.

Robinho está bem longe de ser tonto.

Sabe que se meteu em uma enrascada.

E está sendo ridicularizado.

Franz Beckenbauer o atacou de graça.

O chamou de "jogador de circo", um mero malabarista.

Robinho sentiu o golpe.

Mas se calou.

Sua ansiedade é para se livrar do City e jogar no Barcelona.

E aí dar a resposta ao mundo.

Robinho é um dos jogadores mais desacreditado do planeta.

Só ele e Dunga fingem estar tudo normal...

Jorginho e Dunga prontos para enfrentar Ronaldo. Assim como Scolari fez com Romário…

 Jorginho e Dunga prontos para enfrentar Ronaldo. Assim como Scolari fez com Romário... 

A guerra de nervos começou.

Será assim até a última lista dos convocados para a Copa da África.

De um lado Ronaldo.

De outro Dunga e Jorginho.

Como Romário fez em 2002, o atacante corintiano espera que a força dos torcedores o leve para o Mundial.

O ex-atacante cometeu um pecado mortal.

Ele traiu Luiz Felipe Scolari.

Pelo menos, o treinador pensou e ainda pensa assim.

O treinador havia conversado com Romário e o quanto gostaria que fosse o líder da equipe.

Um exemplo a ser seguido.

Mas veio a partida contra o Uruguai, em Montevidéu, pelas Eliminatórias.

E amigos de Scolari garantem que o atacante acabou seduzindo uma aeromoça às vésperas do jogo.

Na noite anterior.

Ninguém viu, fotografou.

Mas a história dominou Montevidéu.

O dono deste blog estava lá.

O que importa é que Scolari soube e acreditou.

Romário teve a notícia que Scolari descobriu tudo.

E foi conversar com o treinador, pedir para ficar de fora da partida.

Irritado, o treinador foi muito inteligente.

Imaginava que, por motivos óbvios, Romário ficou sem dormir.

O colocou como titular, com a tarja de líder, de representante do técnico em campo.

O jogador andou, esteve irreconhecível.

Foi um desastre.

E nunca mais foi chamado.

O atacante tinha o apoio explícito das tvs mais poderosas, rádios e jornais.

Romário chegou até a chorar pedindo sua vaga.

E se desculpando.

Sem nunca tocar no nome de mulher alguma ou pronunciar a palavra aeromoça.

Scolari resistiu a todo tipo de apelos.

E Romário teve de assistir de longe Ronaldo, Rivaldo e outros, sem tanto prestígio, ganharem a Copa.

A história parece que irá se repetir.

Jorginho ironizou Ronaldo dizendo que ele, auxiliar de Dunga, se pudesse também jogaria a Copa.

Fino, elegante, ele falou sem falar.

Atingiu sem atingir.

Dunga pensa em Nilmar, Robinho, Adriano e Luís Fabiano e, talvez, Ronaldinho Gaúcho.

Talvez.

Sabendo disso, ele é muito inteligente, Ronaldo deixou vazar para a imprensa que havia acabado com as suas férias para estar em forma em 2010.

Ele gastou o ano todo com seu staff particular e a barriga ficou.

A barriga de Ronaldo é considerada como o motivo principal, a evidência que Ronaldo tinha outras prioridades, muito além da carreira.

E só se lembrou que é um atleta agora que a Copa se aproxima.

Agora o fenomenal jogador quer que todos acreditem que em dez dias tudo mudará. 

Avisar  que agora vai treinar foi o primeiro passo.

E os jornalistas do Brasil inteiro foram avisados.

Mas como o próprio Dunga disse em entrevista exclusiva a esse blog.

Futebol é marcado por histórias repetitivas.

A resposta foi a uma pergunta que comparava Ronaldo de 2010 a Dunga de 2002.

Ficou claro que o treinador tem em mente outros jogadores.

Ele e Jorginho.

É bom Ronaldo mudar a estratégia de Romário.

Se insistir, em usar a imprensa, os torcedores, o final poderá ser desastroso para o jogador e excelente para o Brasil.

Assim como foi no Mundial de 2002.

Conflito à vista.

Dunga e Jorginho se mostram mais do que preparados.

Só faltam gritar a Ronaldo e os seus amigos.

"Venhaaaaam"

“Sofri como o Messi, como o Cristiano Ronaldo. É duro ser valorizado de verdade só fora do seu país.” Rivaldo

ronaldinho Sofri como o Messi, como o Cristiano Ronaldo. É duro ser valorizado de verdade só fora do seu país. Rivaldo

"Tudo o que a Seleção não pode é repetir o que fizeram comigo em 2006. O Dunga tem de levar o Ronaldinho Gaúcho e o Ronaldo para a Copa da África.

Não se joga talento fora. Nem se for só para meter medo nos gringos."

Quem fala sabe o que diz.

Ele foi o melhor jogador do Mundo em 1999, eleito pela Fifa. Campeão da Copa de 2002 e vice de 1998. Campeão da Liga dos Campeões. Campeão da Copa das Confederações. Campeão da Copa América. Campeão brasileiro. Bicampeão espanhol. Tricampeão grego. Bicampeão uzbeque.

E mais dezenas de títulos e artilharias...

Um dos melhores jogadores do Brasil em todos os tempos.

Rivaldo.

Em uma longa entrevista exclusiva ao blog, Rivaldo mostra um pouco da sua carreira vencedora.

Deixa transparecer sua velha mágoa por ser muito mais valorizado no Exterior do que no Brasil.

Mas se acostumou, até ri da situação.

Milionário, jogará no Uzbesquistão por mais dois anos e depois voltará ao País.

Quando completará 15 anos atuando na Europa, na Ásia.

A longa peregrinação acabará em Mogi Mirim.

Sem direito a uma partida de despedida com a camisa da Seleção Brasileira.

Jogos de despedida só de outros jogadores, em outros países...

"Sei como as coisas são no Brasil. Se o Cafu, o Roberto Carlos e tantos outro não tiveram, por que eu teria o direito de uma partida de despedida da Seleção?

Vou fazer pelo Mogi, onde sou presidente do clube e faço o que quero.

 Infelizmente eu enxergo as coisas como elas são. Não me iludo."

Rivaldo, vamos começar pelo que me incomoda como repórter. Por que você não é valorizado no Brasil?

Isso me incomodou muitos anos. Cheguei a algumas conclusões. A minha origem é pobre, nunca fui jogador de fazer marketing, ir para a televisão fazer graça, ficar trocando de mulher em baladas. Sou uma pessoa simples, tranquila. Sempre fugi de entrevistas. Esse perfil não interessa à mídia. Eu vou falar, Cosme. Sofri como o Messi, como o Cristiano Ronaldo. É duro ser valorizado de verdade só fora do seu país. Mas agora estou calejado, não deixo essa injustiça me machucar mais. Só que eu tenho de dizer que foi triste, saber o que eu representava e não ter o reconhecimento por aqui. Isso acabou, não espero mais nada de ninguém. O importante é que eu saiba o meu valor e está tudo certo, vamos seguir a vida.

Como você conseguiu ter uma carreira tão brilhante?

Agindo ao contrário do que acontece no atual futebol brasileiro. Sou dono, presidente do Mogi Mirim. Eu tenho conversado com alguns jovens jogadores do Nordeste para reforçar meu clube. E tem sido a maior decepção. Eles preferem ganhar R$ 1 mil a mais e ficar no Rio Grande do Norte ou na Bahia do que disputar o Campeonato Paulista. Abrem mão da maior vitrine do País. O Campeonato Paulista é mostrado no mundo todo. Eu posso não ter estudo (mal acabou o antigo ginásio), só que nunca fui burro. Quando estava no Santa Cruz me ofereceram a chance de jogar o Paulista pelo Mogi Mirim. Larguei tudo e aceitei. Quando almoçava na concentração ficava com dor na consciência pensando se a minha mãe teria o que comer naquela hora, lá em Paulista, uma cidadezinha pobre perto de Recife. E usei o Mogi Mirim como trampolim para a minha vida. Dei o meu máximo, carregava a minha família quando entrava em campo. Apostei em mim. Hoje tem um monte de jogadores medrosos, cercados de empresários que, infelizmente, vão ter carreiras medíocres por ganância burra, falta de visão.

Bastaram três anos. E do Mogi Mirim, você passou pelo Corinthians foi para o Palmeiras e já estava embarcando no La Coruña...

E fica um aviso para os jovens jogadores de 15 anos que já têm empresários. Eu fiz tudo isso sozinho. Eu mesmo negociava os meus contratos, decidia para onde ir.  Nunca precisei ter alguém para me dizer para onde ir, o que fazer, o que comer. E, importante, fiquei onde me valorizavam. No Corinthians não acreditaram em mim. Não teve importância. Fui para o Palmeiras, onde me deram estrutura para jogar. Me passaram tanta confiança que, se eu tivesse de voltar um dia ao futebol brasileiro, seria para atuar com aquela camisa verde de novo. Sou grato ao Santa Cruz, mas meu coração é palmeirense. Das escolhas que fiz em toda a minha carreira só errei no projeto do Luxemburgo com o Cruzeiro. Quando o demitiram, demiti o Cruzeiro.

Como você ganhou tanto prestígio na Europa? Como jogou com tanta personalidade?

O Ronaldo sempre brincou comigo, me chama de Paraíba e tal. Eu posso parecer e sou uma pessoa simples. Mas nunca me faltou personalidade. Sabia que os clubes europeus queriam de mim e eu tinha condição de jogar como eles esperavam. E até mais. Sempre treinei, me cuidei, fui profissional. As tentações aparecem de acordo com o seu sucesso. E eu nunca perdi a noção que jogava por mim e pela minha família. Tinha um objetivo: vencer na vida, na carreira. Se ninguém apostava em mim, azar. Agora, não iria decepcionar os que acreditavam. E foi assim em todos os clubes pelos quais passei: La Coruña, Barcelona, Milan, Olimpiakos, Athenas e agora no Bunyodkor, no Uzbequistão.

Você foi o melhor jogador do Mundo em 1999.  E ganhou tantos prêmios e campeonatos. Por que nunca foi unanimidade para o torcedor brasileiro?

Porque há muita gente da mídia que é burra e cruel. Simplifica demais as situações. Quando um time, uma seleção perde é mais fácil escolher um culpado, crucificar alguém, ferrar com a vida de uma pessoa. Tudo isso para não ver o óbvio: que o adversário foi melhor, se preparou mais, fez uma grande partida. Eu fui crucificado na Olimpíada de 1996. O Brasil saiu daqui com a obrigação de ganhar a medalha de Ouro em Atlanta. Fez uma preparação ruim. O time tinha grandes jogadores. (A escalação na derrota para a Nigéria por 4 a 3, que tirou a chance de o time vencer o torneio:  Dida; Zé Maria, Ronaldo Guiaro, Aldair e Roberto Carlos; Zé Elias, Amaral, Flávio Conceição e Juninho Paulista (Rivaldo); Bebeto, Ronaldo (Sávio). O Brasil terminou o primeiro tempo vencendo por 3 a 1.) O Zagallo foi o técnico. Mas eu fui o escolhido da mídia para pagar o fracasso da Seleção. Fiquei um ano sem ser convocado. Isso estando no meu auge na Europa, ganhando vários prêmios. Tudo por causa da pressão da mídia brasileira. Aqui foi sempre assim. Eu tenho outros exemplos na ponta da língua...

Fale, Rivaldo. Quais...

O maior que eu vivi foi a Copa de 1998. Houve aquela coisa com o Ronaldo. Eu tinha lanchado com ele. E estava tudo normal. Depois ouvi os gritos do Roberto Carlos e fui um dos primeiros a chegar no seu quarto. Vi ele tendo as convulsões e indo embora de ambulância para um hospital da França. O Zagallo tinha escalado o Edmundo e disse isso a todos. Depois chegou o Ronaldo e jogou. E nós perdemos por causa das convulsões? Isso é uma grande bobagem, mentira. Com o Ronaldo,mal perdemos por 3 a 0. Se ele estivesse bem e nada tivesse acontecido, perderíamos por 2 a 0. Tomamos dois gols de escanteio. Não jogamos nada. A França fez a sua melhor partida de toda a Copa. Se jogássemos dez vezes contra eles perderíamos as dez. Nosso time tinha problemas e eles nos dominaram. No Brasil sempre se busca desculpa para tudo. Há sempre uma história, uma conspiração, um Cristo, um culpado. Nunca admitimos nossa falha. Foi assim também na Copa de 2006.

Espera aí, Rivaldo. As baladas, as farras dos jogadores não prejudicaram?

Cosme, vamos acabar com tanta hipocrisia. Você acha que em 2002 não tinha balada? Os jogadores não saíam depois das partidas e voltavam de madrugada? Faziam a mesma coisa que em 2006. Eu adoro o Felipão, mas falar que o Brasil ganhou por causa da Família Felipão é de uma mediocridade assustadora. Não tem essa história de Família Zagallo, Família Parreira, Família Felipão. O que importa é preparar o time com seriedade e na hora da partida o time jogar bem. O Brasil não jogou bem de novo contra a França. A defesa bobeou e o Henry fez o gol. Ponto final. Futebol é isso. Eu fico muito decepcionado porque pessoas acompanham futebol por anos, pela vida inteira e não conseguem enxergar o óbvio. O futebol é um esporte e um dia uma equipe pode estar melhor do que a outra. Mas temos a mania nas derrotas de procurar vilões. Você é inteligente. Não acha que na Copa de 2002 também não tinha vilões? Tinha. Como na Copa de 70 também tinha e as vitórias enterram tudo.

Em 2006 você ficou muito chateado por não ter sido convocado?

Hoje eu me sinto à vontade para falar abertamente: fiquei. Porque eu tinha condições. Estava jogando muito bem na Grécia. Foi preguiça, falta de observação. Ninguém foi acompanhar o futebol grego. Diziam que era fraco demais. Mas nada mudou e o Gilberto Silva joga no futebol grego e é titular do Dunga. O Parreira não me deu chance. Todos na Grécia e na Europa perguntavam porque eu não era convocado. E eu não tinha resposta. Tinha 34 anos, mas minhas condições físicas e técnicas eram excelentes. Fui escolhido como o melhor jogador da Grécia e meu time foi tricampeão. Tudo o que eu queria era uma chance. Antes do último amistoso antes da convocação para a  Copa, me chamou para conversar. Queria saber como eu estava. E disse que queria me levar para a Alemanha. Fiquei mais do que animado. Nunca vou esquecer. Foi em uma sexta-feira. Chegou na terça, eu não estava entre os convocados para o amistoso. Nunca vou saber porque não fui chamado. Mas eu sei que poderia ter ajudado. No banco, no grupo, mas eu teria ajudado. Espero que o Dunga não cometa esse erro com o Ronaldinho Gaúcho ou com o Ronaldo. E os leve para a África. Para não se arrepender depois.

Como assim? Explique...

Tudo o que a Seleção não pode fazer é repetir o que fizeram comigo em 2006. O Dunga tem de levar o Ronaldinho Gaúcho e o Ronaldo. Não se joga talento fora. Nem que for para meter medo nos gringos. O Ronaldinho Gaúcho precisa sentir que há um grupo, um treinador que confia nele. Eu o conheço e sei tudo o que ele pode fazer em campo. Eu e o restante do mundo. Mesmo se for para ele não jogar. Só estando entre os convocados. São só sete partidas para ganhar uma Copa. O treinador de qualquer time que for enfrentar o Brasil ficará na dúvida e terá de treinar seus jogadores para enfrentar o Ronaldinho Gaúcho, mesmo se estiver no banco. O mesmo vale para o Ronaldo. Dizem que ele está gordo, mas eu queria um gordo com tanto talento e metendo tantos gols como só ele sabe. Que país do mundo viraria as costas para os dois? Só o Brasil. Quem você prefere ter no banco? Dois garotos no auge do preparo físico, mas ainda verdes de Copa do Mundo? Ou esses dois talentos? Olha, será uma grande bobagem não levar esses dois. Não acredito que o Dunga vá cometer esse erro. Você vai ver, na convocação final estarão o Ronaldinho Gaúcho e o meu amigo Ronaldo.

Por falar nele, ele não te chamou para o Corinthians do centenário? Para disputar a Libertadores do ano que vem? O São Paulo fez proposta por você para jogar a próxima temporada?

Olha...Eu até falei com ele faz quatro dias. Só o chamei para o jogo beneficente que vou fazer aqui em Mogi Mirim. Ele está viajando, na Europa, diz que vem. Mas não me chamou para o Corinthians, não.  E o São Paulo não me chamou, não. Me sondaram quando estava na Grécia há uns dois anos. Só que não houve acerto. Olha, tenho mais dois anos de contrato com o Uzbesquistão. Depois, com 39 anos eu volto. Adoraria jogar no Palmeiras, clube que eu realmente gosto. Mas eles não vão querer um avô. Vou encerrar no clube que é meu, sou presidente, o Mogi Mirim. Pronto. E a partir daí pensar em ser ser dirigente o resto da vida. Nem penso em ser treinador.

Espere um pouco, Rivaldo. Sei que essa conversa vai acabar com despedida. Fale dessa loucura de Uzbesquistão? E ainda você leva o Felipão?

(ri muito) Não tem nada de loucura, não. Estamos desenvolvendo o futebol em um país. Isso é muito sério. Estamos entrando para a história de uma nação que ama o futebol e não sabe como desenvolvê-lo. Estava na Grécia quando fui procurado. Me apresentaram o projeto e eu aceitei. As autoridades de lá ficaram nervosas, tensas quando me conheceram. Foi reconhecimento, respeito pelo que fiz em campo. O Zico foi o treinador por um período e quando recebeu uma proposta do CSKA e pediu para sair. Fui buscar o Felipão. E ele mostrou toda a confiança no que lhe disse. A nossa relação é de confiança plena. A mesma que fez com que ele acreditasse em mim em 2002, quando eu disse que estava recuperado de uma contusão e só ele no Brasil acreditou e me levou para o Japão. Eu mostrei para ele o projeto de profissionalizar o futebol no Uzbesquistão. Estamos construindo um estádio para 30 mil pessoas, desenvolvendo Centro de Treinamentos, fisioterapia, concentração, tudo. Dinheiro e boa vontade não faltam. Eu e o Felipão estamos muito felizes lá. O Felipão irá seguir sua carreira como técnico sabendo o bem que fez não só a um clube, mas a um país. Isso é para dar orgulho a qualquer pessoa.

E por falar em orgulho, você continua ajudando as pessoas necessitadas...

Isso me dá muito prazer. Na Espanha foi assim, quando tinha uma fundação que ajudava as pessoas carentes. Eu sei o que vivi. Na Espanha foi escrito um livro sobre a minha vida. Mostra que saí do nada, de um barraco de uma pequena cidade do Pernambuco para ser o melhor jogador do mundo. Vivi, passei por necessidades. Sei o que é passar fome. Então, agora que posso, tenho de ajudar. A gente está nessa vida apenas de passagem. Temos de ajudar quem precisa. Costumo fazer isso. Faço questão de organizar esse jogo no final do ano. Por favor, coloca aí na matéria. Será no dia 23. Basta levar um quilo de alimento não perecível para o estádio do Mogi Mirim. Chamei Kaká, Ronaldo, Carlos Alberto, Elano, estou atrás do Roberto Carlos. Diego Souza, Vagner Love, Carlos Alberto. Vem muita gente boa para jogar comigo. O importante é ajudar. Eu fico muito feliz em poder aliviar o sofrimento de quem precisa. Tomara que o estádio esteja cheio. Estou com muita saudade de jogar no Brasil...

 

O último aviso da CBF a Ronaldo. Não vai para outra Copa gordo, não…

barriga peso O último aviso da CBF a Ronaldo. Não vai para outra Copa gordo, não...

Uma resposta sincera custou o cargo de preparado físico da Seleção Brasileira a Moracy Sant’ana.

“O Ronaldo veio para a Copa com 7,5 quilos a mais do peso ideal.”

Moracy quebrou o pacto de negar até a morte o que era óbvio em 2006.

Adriano também confessou ao blog ter chegado à Alemanha com cerca de oito quilos a mais.

Ronaldo vinha de uma cirurgia e não treinou como deveria.

Adriano enfrentava bebendo a depressão pela morte do pai.

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sabia dos mais de 15 quilos que imobilizava os atacantes brasileiros.

E já havia prometido a companheiros que daria o troco em 2010.

Para acabar com a farra, colocou Dunga como treinador.

O preparador físico Paulo Paixão assumiu poder total sobre a preparação física.

E foi avisado que não haveria tolerância.

Antes de cada convocação, ele deveria ter o peso e o percentual de gordura dos atletas.

O critério anunciado por Teixeira ontem já vem sendo executado desde que Dunga é o técnico.

Os recados a Ronaldo e a Adriano já foram dados.

Adriano tanto se enquadrou que voltou para a Seleção e vai para a Copa do Mundo.

O mesmo não se aplica a Ronaldo.

Com Luís Fabiano, Robinho e Adriano garantidos, o corintiano tem de reagir.

Até porque Nilmar vem mostrando mais personalidade na Seleção.

Diego Tardelli e Pato são opções bem mais fracas.

Dunga quer Ronaldo no grupo que vai à África.

Mas não tem como mentir a Ricardo Teixeira.

Mais do que Paulo Paixão, o médico José Luiz Runco é o homem ‘de confiança’ de Teixeira na Comissão Técnica.

É com ele que Teixeira gosta de conversar sobre aspectos internos do grupo.

O peso de Ronaldo é assunto trivial nas conversas.

Não é por acaso que o presidente da CBF diz querer levar à África o Ronaldo de 2002.

No Japão, o atacante corintiano tinha 82 quilos.

Na Alemanha ele tinha 90,5 quilos.

No Corinthians, há quem jure que ele estaria com 89,5 quilos.

O peso aceitável seria 85 quilos.

Por isso a lipoaspiração, a drenagem linfática, as massagens, a sauna, as horas de exercícios aeróbios.

O seu fisioterapeuta, Bruno Mazzioti, estava com a Seleção Brasileira sub-20.

E desde o Cairo ele acompanhava principalmente a dieta de Ronaldo.

Bruno tem a certeza da CBF que se Ronaldo não perder peso e baixar o índice de gordura não vai para a Copa.

Ronaldo estava avisado.

O presidente Ricardo Teixeira usou hoje os jornais para sacramentar: não vai levar nenhum gordo em 2010,  principalmente se ele atender por Ronaldo.

Ah, Moracy Sant’ana não volta para a Seleção enquanto Teixeira for presidente da CBF.

Por ter quebrado o pacto do silêncio em relação aos gordinhos em 2006...

“Se eu continuar a ganhar, a Seleção vai chegar”

bruce 450 Se eu continuar a ganhar, a Seleção vai chegar

Muricy Ramalho.

Tricampeão brasileiro.

Líder do campeonato nacional de 2009.

Entrevista exclusiva ao blog.

Em conversa franca, o treinador do Palmeiras deixa escapar uma convicção.

Não será um novo Rubens Minelli.

Bem explicado.

Ele adora e considera Minelli um dos melhores técnicos que passaram pelo Brasil.

Muricy acredita que não será tão injustiçado quanto Minelli na Seleção.

E mostra que agora tem condições de avaliar com consciência o que é trocar o São Paulo pelo Palmeiras.

Passou a dor de ter sido demitido do São Paulo?

Olha, não teve dor na demissão.

Eu sabia que tinha gente trabalhando, pedindo a minha demissão há muito tempo.

Pediam porque eram pessoas que não gostavam de mim e eu não gostava delas.

Eu gosto de pessoas que trabalhem e não fiquem no clube fazendo intrigas, fofocas.

Fiquei três anos e meio no São Paulo.

Conquistei três brasileiros, valorizei muitos jogadores e recusei inúmeras propostas para ganhar mais que o dobro.

Cumpri a minha missão.

Não tem dor. Vida de técnico é assim mesmo.

Muricy eu sei que você saiu do São Paulo com salários atrasados.

Só não falou publicamente por lealdade ao clube.

Foi uma coisa de momento, que aconteceu.

Não teve problema, depois me pagaram.

Eu não falei porque sou leal mesmo.

Não me afetou em nada.

Naquela hora se eu falasse só iria criar um problema desnecessário.

Sou muito leal ao clube pelo qual trabalho.

E tenho muito respeito ao Juvenal Juvêncio.

Esse sim sempre trabalhou a favor do São Paulo.

E me segurou o quanto pôde.

Foi preciso ter coragem aceitar trabalhar no rival Palmeiras?

Foi sim.

Eu fiquei muito preocupado pela maneira com que seria recebido.

Tinha ficado muito tempo no São Paulo.

Mas os dirigentes entenderam o meu jeito de trabalhar.

E a torcida também me aceitou logo de cara.

Foi ótimo.

Eu tinha preocupação em relação ao que iria encontrar depois que aceitei o Palmeiras.

Foi melhor do que havia imaginado.

Lá todos os dirigentes trabalham pelo clube.

Não estão preocupados em aparecer como, infelizmente, há gente no São Paulo.

É minoria, mas há pessoas assim no Morumbi.

Sorte que eles têm um grande presidente, o Juvenal.

O São Paulo é um clube elitista e o Palmeiras, mais passional, graças ao sangue italiano?

Vou deixar bem claro para ser bem entendido.

Nenhum clube é melhor do que o outro.

Eles são diferentes entre si.

E o que você colocou tem muito a ver.

O São Paulo é mais elitista mesmo e o Palmeiras mais passional, mais ‘italianão’.

E você teve de se dobrar à Traffic?

Não tem essa história de se dobrar.

Fui uma só vez à Traffic.

E eles foram claros: contratam jogadores jovens para que se valorizem no Palmeiras, são investidores.

Não tenho o que reclamar.

Pelo contrário, até.

Só agradecer pelo esforço que fizeram.

O Diego Souza e o Cleiton Xavier tinham propostas da Europa.

A Traffic não quis vendê-los no meio do ano.

O que foi ótimo para o time.

Por que o Palmeiras está fazendo tanto sucesso?

Qual a sua participação?

Porque tem um elenco qualificado.

Não está pronto: ainda é muito jovem, mas talento há de sobra.

Estamos conseguindo fazer uma ótima campanha por causa da qualidade do time.

O que estou fazendo é trabalhar todos os dias para o time se aprimorar.

Tive várias conversas com o Diego Souza.

Mostrei para ele que melhoraria se pensasse só em jogar futebol.

Não precisa dar uma de machão quando é provocado.

Basta jogar bola, ter o sangue mais frio.

Tomar cartão só prejudica a ele e ao time.

O Diego se controlou e logo vieram as convocações para a Seleção.

O nível dos jogadores do Palmeiras é muito bom.

Como você vê a chance de ser tetracampeão brasileiro seguido?

Te dá orgulho?

Muito. Porque este campeonato é difícil demais.

É longo. Exige planejamento, envolvimento do técnico e dos jogadores.

Ser tricampeão já é uma façanha.

Agora ter a chance do tetra é algo surpreendente.

Sinceramente, isso me dá até mais motivação que já tenho para trabalhar.

Pelo elenco do Palmeiras posso ficar animado, esperançoso.

Mas o segredo é trabalhar todos os dias.

Buscar jogo a jogo, ganhar as várias decisões que teremos até o jogo final.

Estou feliz demais com a vitória contra o Cruzeiro em pleno Mineirão.

O segredo para ganhar o Brasileiro é se manter na liderança o maior tempo possível, até a rodada decisiva.

O bom astral da liderança carrega o time.

Você é tão bom no Brasileiro.

Por que vai tão mal na Libertadores, nunca venceu uma...

Olha, eu não tenho nenhuma dificuldade em dizer o porquê.

A Libertadores não passa de uma grande loteria.

Não dá para fazer um planejamento mais profundo.

Com tantas partidas eliminatórias seguidas há sempre o risco.

Basta um frango do goleiro, uma expulsão, um erro do zagueiro, um pênalti na trave e acabou o planejamento.

Por isso times estranhos como a LDU, o Once Caldas são campeões.

E também repare que não há campeões seguidos.

Porque o torneio é uma grande loteria.

Talvez eu tenha a sorte de ganhar.

Mas não vou ficar frustrado se não vencer.

Você aceitaria trabalhar no Rio?

Hoje eu diria não.

Há clubes de muita tradição, torcida.

Mas eu tive uma longa conversa com o Celso de Barros, presidente da patrocinadora do Fluminense.

Ele me perguntou se eu gostaria de trabalhar no seu clube.

Eu disse que não.

Porque não há infraestrutura para um trabalho sério, forte.

O jogador precisa treinar de manhã, comer, descansar e voltar a treinar pela tarde no clube.

Não há nenhum clube carioca que siga essa rotina.

Tudo ainda é muito improvisado.

O resultado se vê na falta de conquistas.

Os clubes cariocas precisam se reciclar o mais rápido possível.

E a Seleção Brasileira?

O quadro está ficando mais claro.

Treinadores importantes perderam espaço.

Eu não tenho loucura para dirigir a Seleção.

Não vou morrer se nunca for o treinador.

Mas se eu continuar a trabalhar bem e ganhar títulos como estou fazendo, não vai ter jeito.

Terei a minha chance.

Hoje o treinador do Brasil é gaúcho, o Dunga.

O preparador físico é gaúcho, o Paulo Paixão.

Acabou o que aconteceu com o Minelli.

Não há mais o bairrismo, a CBF não coloca só cariocas comandando a Seleção.

Penso em Seleção, mas não agora, que o Dunga está ótimo e vai com todo direito à Copa.

Penso que no futuro terei minha chance.

É capaz de assumir uma campanha para trabalhar na Seleção?

De jeito nenhum.

Eu não sou marqueteiro.

Não sou de usar a imprensa para nada.

Não sei e não gosto dos holofotes.

Quando vou a um programa de televisão, só volto no ano seguinte.

Não sou lobista para nada,

Se as coisas tiverem de acontecer, ótimo.

Não vou pedir o lugar de ninguém.

Não sou como uns treinadores que ficam cobiçando, se oferecendo para trabalhar no lugar do outro.

E sou diferente.

Tenho caráter.

Você é um treinador do Palmeiras com coração de são-paulino?

Não.

Não sou são-paulino.

O tempo me ensinou que não há sentido torcer por uma equipe.

Eu torço para as pessoas que eu gosto.

Torço para os amigos.

Quero ver meus amigos felizes.

E pelo clube em que estou, tento fazer o que sei fazer de melhor: trabalhar.

O Palmeiras será campeão brasileiro?

Se será campeão, eu não sei.

Só tenho certeza, pode escrever aí.

Ninguém vai trabalhar mais do que nós por esse título.

Ninguém...

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