Publicado em 10/10/2009 às 20h03
Pet: o sérvio de 37 anos que destruiu o São Paulo…
... e rasgou R$ 8 milhões para voltar ao Flamengo.
37 anos.
O jogador que arrasou o São Paulo hoje no Maracanã.
Jean e Richarlyson não conseguiram marcá-lo.
Teve a coragem de, na repetição da cobrança de pênalti, surprender Rogério Ceni.
O sérvio colocou a bola lentamente, pelo alto, nas redes.
Ceni não esperava tamanha ousadia.
Pet ainda deixou Zé Roberto livre para marcar o gol da virada flamenguista.
“Levar o Flamengo para a Libertadores seria o grande feito da minha carreira.
Se eu tivesse dez anos a menos iria enganar em um time europeu.”
Pet é tratado por ‘Pai’ pelos jogadores mais jovens na Gávea.
Os mesmos atletas que, pelos cantos, diziam que ele não serviria mais para o clube.
O sérvio só está no Flamengo porque processou o clube.
Ganhou R$ 16 milhões na justiça.
Como nenhum clube grande mais o queria, ele fez uma proposta indecente.
O Flamengo teria de pagar apenas a metade do que lhe devia.
Mas ele queria voltar a jogar.
Os dirigentes ainda se dividiam em aceitar.
Mas venceu a ala que aceitou diminuir um pouco da gigantesca dívida de R$ 400 milhões.
Ou seja, para ter o prazer de jogar, Pet rasgou R$ 8 milhões.
Um dos motivos para Cuca ser demitido foi não querer de jeito algum o velho meia.
E, calado, Pet treinou.
Muito e a mais do que os companheiros.
Queria se sentir útil.
Coube a Andrade, treinador que foi um excepcional jogador, perceber que a qualidade do quase quarentão ainda seria muito útil.
Na arrancada do Flamengo com oito partidas sem derrota, o sérvio está sendo fundamental.
Ainda mais hoje, quando seu time atuou sem Adriano.
E fez o que quis no Maracanã.
Nem parecia que do outro lado estava o São Paulo.
Ficou ainda mais satisfeito ao saber que a sua Sérvia estava garantida na Copa do Mundo.
Uma idéia passou pela sua cabeça.
Quem sabe?
Mas antes de sonhar com a Copa, ele quer terminar a façanha de levar o desacreditado Flamengo à Libertadores.
E disputá-la.
Seu contrato termina só em junho de 2010.
Nada mal para quem está pagando, e muito, para ter o prazer de jogar futebol com a camisa rubro-negra...
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Publicado em 26/09/2009 às 19h11
“Se eu continuar a ganhar, a Seleção vai chegar”
Muricy Ramalho.
Tricampeão brasileiro.
Líder do campeonato nacional de 2009.
Entrevista exclusiva ao blog.
Em conversa franca, o treinador do Palmeiras deixa escapar uma convicção.
Não será um novo Rubens Minelli.
Bem explicado.
Ele adora e considera Minelli um dos melhores técnicos que passaram pelo Brasil.
Muricy acredita que não será tão injustiçado quanto Minelli na Seleção.
E mostra que agora tem condições de avaliar com consciência o que é trocar o São Paulo pelo Palmeiras.
Passou a dor de ter sido demitido do São Paulo?
Olha, não teve dor na demissão.
Eu sabia que tinha gente trabalhando, pedindo a minha demissão há muito tempo.
Pediam porque eram pessoas que não gostavam de mim e eu não gostava delas.
Eu gosto de pessoas que trabalhem e não fiquem no clube fazendo intrigas, fofocas.
Fiquei três anos e meio no São Paulo.
Conquistei três brasileiros, valorizei muitos jogadores e recusei inúmeras propostas para ganhar mais que o dobro.
Cumpri a minha missão.
Não tem dor. Vida de técnico é assim mesmo.
Muricy eu sei que você saiu do São Paulo com salários atrasados.
Só não falou publicamente por lealdade ao clube.
Foi uma coisa de momento, que aconteceu.
Não teve problema, depois me pagaram.
Eu não falei porque sou leal mesmo.
Não me afetou em nada.
Naquela hora se eu falasse só iria criar um problema desnecessário.
Sou muito leal ao clube pelo qual trabalho.
E tenho muito respeito ao Juvenal Juvêncio.
Esse sim sempre trabalhou a favor do São Paulo.
E me segurou o quanto pôde.
Foi preciso ter coragem aceitar trabalhar no rival Palmeiras?
Foi sim.
Eu fiquei muito preocupado pela maneira com que seria recebido.
Tinha ficado muito tempo no São Paulo.
Mas os dirigentes entenderam o meu jeito de trabalhar.
E a torcida também me aceitou logo de cara.
Foi ótimo.
Eu tinha preocupação em relação ao que iria encontrar depois que aceitei o Palmeiras.
Foi melhor do que havia imaginado.
Lá todos os dirigentes trabalham pelo clube.
Não estão preocupados em aparecer como, infelizmente, há gente no São Paulo.
É minoria, mas há pessoas assim no Morumbi.
Sorte que eles têm um grande presidente, o Juvenal.
O São Paulo é um clube elitista e o Palmeiras, mais passional, graças ao sangue italiano?
Vou deixar bem claro para ser bem entendido.
Nenhum clube é melhor do que o outro.
Eles são diferentes entre si.
E o que você colocou tem muito a ver.
O São Paulo é mais elitista mesmo e o Palmeiras mais passional, mais ‘italianão’.
E você teve de se dobrar à Traffic?
Não tem essa história de se dobrar.
Fui uma só vez à Traffic.
E eles foram claros: contratam jogadores jovens para que se valorizem no Palmeiras, são investidores.
Não tenho o que reclamar.
Pelo contrário, até.
Só agradecer pelo esforço que fizeram.
O Diego Souza e o Cleiton Xavier tinham propostas da Europa.
A Traffic não quis vendê-los no meio do ano.
O que foi ótimo para o time.
Por que o Palmeiras está fazendo tanto sucesso?
Qual a sua participação?
Porque tem um elenco qualificado.
Não está pronto: ainda é muito jovem, mas talento há de sobra.
Estamos conseguindo fazer uma ótima campanha por causa da qualidade do time.
O que estou fazendo é trabalhar todos os dias para o time se aprimorar.
Tive várias conversas com o Diego Souza.
Mostrei para ele que melhoraria se pensasse só em jogar futebol.
Não precisa dar uma de machão quando é provocado.
Basta jogar bola, ter o sangue mais frio.
Tomar cartão só prejudica a ele e ao time.
O Diego se controlou e logo vieram as convocações para a Seleção.
O nível dos jogadores do Palmeiras é muito bom.
Como você vê a chance de ser tetracampeão brasileiro seguido?
Te dá orgulho?
Muito. Porque este campeonato é difícil demais.
É longo. Exige planejamento, envolvimento do técnico e dos jogadores.
Ser tricampeão já é uma façanha.
Agora ter a chance do tetra é algo surpreendente.
Sinceramente, isso me dá até mais motivação que já tenho para trabalhar.
Pelo elenco do Palmeiras posso ficar animado, esperançoso.
Mas o segredo é trabalhar todos os dias.
Buscar jogo a jogo, ganhar as várias decisões que teremos até o jogo final.
Estou feliz demais com a vitória contra o Cruzeiro em pleno Mineirão.
O segredo para ganhar o Brasileiro é se manter na liderança o maior tempo possível, até a rodada decisiva.
O bom astral da liderança carrega o time.
Você é tão bom no Brasileiro.
Por que vai tão mal na Libertadores, nunca venceu uma...
Olha, eu não tenho nenhuma dificuldade em dizer o porquê.
A Libertadores não passa de uma grande loteria.
Não dá para fazer um planejamento mais profundo.
Com tantas partidas eliminatórias seguidas há sempre o risco.
Basta um frango do goleiro, uma expulsão, um erro do zagueiro, um pênalti na trave e acabou o planejamento.
Por isso times estranhos como a LDU, o Once Caldas são campeões.
E também repare que não há campeões seguidos.
Porque o torneio é uma grande loteria.
Talvez eu tenha a sorte de ganhar.
Mas não vou ficar frustrado se não vencer.
Você aceitaria trabalhar no Rio?
Hoje eu diria não.
Há clubes de muita tradição, torcida.
Mas eu tive uma longa conversa com o Celso de Barros, presidente da patrocinadora do Fluminense.
Ele me perguntou se eu gostaria de trabalhar no seu clube.
Eu disse que não.
Porque não há infraestrutura para um trabalho sério, forte.
O jogador precisa treinar de manhã, comer, descansar e voltar a treinar pela tarde no clube.
Não há nenhum clube carioca que siga essa rotina.
Tudo ainda é muito improvisado.
O resultado se vê na falta de conquistas.
Os clubes cariocas precisam se reciclar o mais rápido possível.
E a Seleção Brasileira?
O quadro está ficando mais claro.
Treinadores importantes perderam espaço.
Eu não tenho loucura para dirigir a Seleção.
Não vou morrer se nunca for o treinador.
Mas se eu continuar a trabalhar bem e ganhar títulos como estou fazendo, não vai ter jeito.
Terei a minha chance.
Hoje o treinador do Brasil é gaúcho, o Dunga.
O preparador físico é gaúcho, o Paulo Paixão.
Acabou o que aconteceu com o Minelli.
Não há mais o bairrismo, a CBF não coloca só cariocas comandando a Seleção.
Penso em Seleção, mas não agora, que o Dunga está ótimo e vai com todo direito à Copa.
Penso que no futuro terei minha chance.
É capaz de assumir uma campanha para trabalhar na Seleção?
De jeito nenhum.
Eu não sou marqueteiro.
Não sou de usar a imprensa para nada.
Não sei e não gosto dos holofotes.
Quando vou a um programa de televisão, só volto no ano seguinte.
Não sou lobista para nada,
Se as coisas tiverem de acontecer, ótimo.
Não vou pedir o lugar de ninguém.
Não sou como uns treinadores que ficam cobiçando, se oferecendo para trabalhar no lugar do outro.
E sou diferente.
Tenho caráter.
Você é um treinador do Palmeiras com coração de são-paulino?
Não.
Não sou são-paulino.
O tempo me ensinou que não há sentido torcer por uma equipe.
Eu torço para as pessoas que eu gosto.
Torço para os amigos.
Quero ver meus amigos felizes.
E pelo clube em que estou, tento fazer o que sei fazer de melhor: trabalhar.
O Palmeiras será campeão brasileiro?
Se será campeão, eu não sei.
Só tenho certeza, pode escrever aí.
Ninguém vai trabalhar mais do que nós por esse título.
Ninguém...
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