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O sonhado ídolo da nova arena, da geração pós Parmalat. Seleção Olímpica. Garoto propaganda na busca de novos sócios-torcedores. O Palmeiras celebra, e capitaliza, o nascimento de Gabriel Jesus…

3ae30 O sonhado ídolo da nova arena, da geração pós Parmalat. Seleção Olímpica. Garoto propaganda na busca de novos sócios torcedores. O Palmeiras celebra, e capitaliza, o nascimento de Gabriel Jesus...
O departamento de marketing do Palmeiras está acelerado. O quer na campanha do Avanti, para angariar novos sócios torcedores. A fila de pedidos de exclusivas é imensa. O refrão "Glória, glória aleluia! Glória, glória, aleluia! Glória, glória, aleluia, é o Gabriel Jesus!" já é repetido por conselheiros importantes.
Eufórico, Paulo Nobre já dizia ontem a seus amigos, ao final da vitória contra Joinville.

"O Palmeiras já tem seu ídolo da arena. É o que precisávamos."

Foram 17 entradas em campo. Cinco gols. Mas, na verdade, bastaram duas partidas para o menino de 18 anos revolucionar o ambiente palmeirense. E romper totalmente o script previsto pelo próprio Paulo Nobre. O bilionário dirigente seria capaz de apostar um dos seus carros de luxo. O jogador que faria mais sucesso nesta nova fase seria Lucas Barrios.

O argentino naturalizado paraguaio era a grande esperança de gols. Vivido, carismático, rodado. 30 anos, 12 equipes diferentes. Sabe como se portar diante dos jornalistas. Como tratar uma torcida. Foi capaz de mobilizar as organizadas do Colo Colo para exigir sua naturalização como chileno, para defender a seleção do país andino. Recusou. Dois anos depois aceitou o Paraguai.

Mas ele chegou com problemas físicos, sem ritmo. Longe da sua melhor fase. Deve melhorar muito. Mas por enquanto seu futebol não anima.

 O sonhado ídolo da nova arena, da geração pós Parmalat. Seleção Olímpica. Garoto propaganda na busca de novos sócios torcedores. O Palmeiras celebra, e capitaliza, o nascimento de Gabriel Jesus...

O Palmeiras estava repetindo um velho erro. Não olhar de verdade para suas categorias de base. Lá havia um atacante rápido, habilidoso, corajoso para responder com dribles as ameaças de zagueiros adversários e muito sangue frio diante dos goleiros rivais. Não tinha o apelido de Fenômeno por acaso.

Nobre sabia de suas convocações para a Seleção Brasileira sub-17, mas não se animava. O seu Palmeiras que havia imaginado não precisava de meninos. Ainda mais neste santo ano de 2015. A prioridade no planejamento feito por ele e Alexandre Mattos é a classificar a equipe, de qualquer maneira, para a Libertadores de 2016.

No ano que vem, ele pretende buscar duas ou três peças importantes. Para dar muito mais força ao time. Disputar o torneio para ganhar. O dirigente ficou muito frustrado em 2013, quando o clube que estava na Segunda Divisão, competiu na Libertadores. E foi eliminado nas oitavas pelo Tijuana, no Pacaembu. Seu sonho é ganhar a Libertadores, depois de 17 anos.

Mas para deixar o torcedor ainda mais entusiasmado e atrair mais patrocínios, Nobre rezava, desejava um ídolo. Alguém capaz de chamar a atenção da mídia, ser a cara do Palmeiras. E tudo está saindo melhor do que a encomenda.

O último ídolo verdadeiro palmeirense foi Marcos. Goleiro campeão da Libertadores de 1999, pentacampeão com a Seleção em 2002. Jogador capaz de ser campeão do mundo em um ano e no outro estar pelo sertão brasileiro jogando a Série B.

Marcos deve dar orgulho para qualquer torcedor do clube. Sua dedicação foi impressionante. Suas fabulosas defesas ficarão para sempre. Como no eterno pênalti que defendeu de Marcelinho Carioca e tirou o Corinthians da Libertadores de 2000. E tantas e tantas outras.

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Mas nos últimos anos, Marcos protagonizou também derrotas inesquecíveis. Como o 7 a 2 diante do Vitória pela Copa do Brasil, 6 a 0 para o Coritiba no Brasileiro, a eliminação para o ASA, também na Copa do Brasil.

Era uma outra realidade do clube. Entre a Parmalat e o novo estádio -- e o dinheiro de Paulo Nobre--, o Palmeiras foi muito instável. Montou ótimas e fraquíssimas equipes. Marcos traz mais a lembrança do ídolo se sacrificando do que comemorando.

Agora, com Gabriel Jesus, a perspectiva é outra. Ter um garoto com enorme potencial, de apenas 18 anos, tão novo quanto a nova arena é uma oportunidade de ouro.

Com o futebol brasileiro tão carente de ídolos, e com o nível técnico tão baixo do Brasileiro, o entusiasmo da imprensa com o jogador é mais do que compreensível. As comparações precipitadas já acontecem. A mais imediata, sem o mínimo de bom senso, não poderia ser outra. Neymar.

"Neymar é só um. Ele é fora de série. Eu venho trabalhando e mostrando o meu futebol. Acho que não tem nenhuma comparação. Não tem como comparar com o Neymar."

1ap5 O sonhado ídolo da nova arena, da geração pós Parmalat. Seleção Olímpica. Garoto propaganda na busca de novos sócios torcedores. O Palmeiras celebra, e capitaliza, o nascimento de Gabriel Jesus...

Ele está mais do que certo. Não há mesmo. Por mais entusiasmados que estejam, os torcedores do Palmeiras sabem. Gabriel Jesus não é driblador, nem tão habilidoso quando atacante do Barcelona, capitão da Seleção. É uma tremenda bobagem, situação forçada para conseguir manchetes.

Mas isso não anula o excelente potencial do palmeirense. Longe disso,. A confirmação de todo seu talento precoce vem da fonte mais confiável. Os próprios jogadores do Palestra Itália. No começo do ano, tive contato com três agentes que possuem atletas no clube. E eles era unânimes em afirmar que estava nascendo um novo jogador de Seleção Brasileira no Palmeiras.

Os inúmeros contratados por Alexandre Mattos se espantavam com aquele menino ousado, vibrante, driblador, veloz, artilheiro. Não se intimidava com entradas fortes. Era diferenciado. Eles estranhavam a indecisão, o medo de Oswaldo de Oliveira em apostar de verdade no menino. Seu alto nível compensava a pouca idade.

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Os empresários do menino se irritavam. E já pensavam na possibilidade de uma negociação. Seu preço não é fora da realidade dos clubes europeus: 30 milhões de euros.

Em 2013, ganhava R$ 2,5 mil. Marcou 37 gols em 22 partidas no Campeonato Paulista de Juniores. Sua multa rescisória se tornou baixa: R$ 3 milhões. Era um risco assinar com outro clube. O São Paulo a assediou. Houve até a oferta de uma casa para os pais, em Alphaville, em Barueri. Bastaria não renovar com o Palmeiras e assinar um pré-contrato em julho deste ano.

Os agentes trataram de avisar à diretoria palmeirense. Queriam uma parcela maior dos direitos de Gabriel para ele ficar. Sem saída, Nobre cedeu. Renovou o vínculo até 2019. Mas o Palmeiras ficou com apenas 30% dos direitos do jogador. O clube tinha 80%. Era isso ou o jogador não renovaria.

Seus salários saltaram para R$ 15 mil até o final do ano. Em 2016, pularão para R$ 25 mil. R$ 35 mil em 2017. R$ 45 mil em 2018. R$ 60 mil em 2019. Sua multa rescisória saltou de R$ 3 milhões para 30 milhões de euros.

Estes mesmos empresários decidiram que no profissional, Gabriel Fernando viraria Gabriel Jesus. Nome muito mais forte, marcante.

A sorte foi que chegou Marcelo Oliveira. Acostumado a trabalhar com a base, ele viu que estava diante de um atleta com potencial diferente. E não tem medo de escalá-lo. Até mesmo o ex-titular, Rafael Marques, compreende a situação.

"O Gabriel é um menino, mas é um grande jogador. Eu não vou reclamar se tiver de ficar na reserva. O importante é o Palmeiras seguir ganhando. Vou lutar pelo meu espaço. Mas reconheço o talento do Gabriel. E é ótimo companheiro. Muito querido pelo grupo."

A diretoria palmeirense também comemora a postura do garoto fora dos gramados. Gabriel Jesus está fugindo do estereótipo narcisista. Nada de colares, anéis de ouro, tatuagens. Se mostra muito centrado, até tímido. Sabe do seu potencial, mas faz questão de destacar ser parte do grupo.

Agora terá o maior teste. O Palmeiras quer expor o jogador. Apostar de todas as maneiras, transformar no ídolo que tanto a nova arena precisava. Sua imagem será divulgada em todos os jogos no telão. 'Sua música' será cantada nas arquibancadas. Seu rosto estará na campanha de busca por novos sócios torcedores.

Até na CBF, a moral é grande. Sua convocação para amistosos da Seleção Olímpica é certa. No vice campeonato sub-20, ele foi o jogador mais jovem. E considerado uma das maiores promessas.

Na ansiedade por ídolos, quatro gols em duas partidas, de um garoto de 18 anos, em um time popular, seria motivo para frenesi da carente mídia esportiva brasileira. Mas desta vez parece haver motivo para entusiasmo.

Gabriel Jesus tem potencial para se firmar como grande jogador. Precisará ter acompanhamento de perto de Marcelo Oliveira. Não é só festa. Tudo é muito mais delicado e tenso do que parece. A pressão, a cobrança, a responsabilidade serão enormes. Se transformar em um ídolo aos 18 anos não para qualquer um.

O camisa 33 do Palmeiras está longe de ser qualquer um...
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A euforia lucrativa da torcida do Palmeiras encorajou Paulo Nobre. Ele já enfrentou a Adidas. Agora quer as mesmas cotas que a Globo paga a Corinthians e Flamengo. Revolução verde no ar…

1reproducao43 A euforia lucrativa da torcida do Palmeiras encorajou Paulo Nobre. Ele já enfrentou a Adidas. Agora quer as mesmas cotas que a Globo paga a Corinthians e Flamengo. Revolução verde no ar...

Pesquisa Ibope/Lance! Torcidas do Brasil 2014

Clube Porcentagem Milhões de pessoas

1º - Flamengo 16,2% 32,5
2º - Corinthians 13,6% 27,3
3º - São Paulo 6,8% 13,6
4º – Palmeiras 5,3% 10,6
5º – Vasco 3,6% 7,2
6º - Atlético-MG 3,5% 7,0
7º – Cruzeiro 3,1% 6,2
8º - Grêmio 3% 6,0
9º - Internacional 2,8% 5,6
10º - Santos 2,4% 4,8
11º - Fluminense 1,8% 3,6
12º - Bahia 1,7% 3,4
12º - Botafogo 1,7% 3,4
14º - Vitória 1,3% 2,6
15º - Atlético-PR 1,2% 2,4
16º - Sport Recife 1,2% 2,4
17º - Santa Cruz 1% 2,0
18º - Ceará 0,8% 1,6

Média de público nos Campeonatos Brasileiros de 2015

Séries A, B, C e D...

Clube Ocupação média Renda Bruta Preço ingresso (média)

1º)Corinthians 30.565 65% R$ 43.786.725 R$ 62,00

2º)Palmeiras 29.850 68% R$ 42.387.675 R$ 71,00

3º)Flamengo 22.980 29% R$ 17.397.832 R$ 42,00

4º)Inter 22.619 45% R$ 19.952.420 R$ 38,00

5º)Atlético MG 22.406 67% R$ 17.296.352 R$ 38,00

6º)Cruzeiro 20.618 33% R$ 17.053.440 R$ 45,00

7º)São Paulo 19.808 30% R$ 17.424.699 R$ 41,00

8º)Grêmio 19.387 32% R$ 13.559.332 R$ 33,00

9º)Bahia 15.465 32% R$ 7.384.393 R$ 22,00

10º)Ceará 15.436 39% R$ 6.249.396 R$ 16,00

11º)Santa Cruz 13.559 21% R$ 3.382.802 R$ 18,00

12º)Sport 12.808 35% R$ 6.772.952 R$ 22,00

13º)Fluminense 12.538 18% R$ 6.772.952 R$ 18,00

14º)Paysandu 11.655 37% R$ 3.904.347 R$ 17,00

15º)Fortaleza 11.349 20% R$ 3.752.141 R$ 17,00

16º)Atlético PR 11.050 26% R$ 4.179.970 R$ 19,00

17º)Botafogo 10.907 23% R$ 8.548.385 R$ 39,00

18º)Coritiba 9.912 26% R$ 3.667.807 R$ 20,00

19º)Vasco 9.804 27% R$ 8.222.455 R$ 39,00

20º)Joinville 9.443 46% R$ 2.842.910 R$ 16,00

21º)Santos 9.098 42% R$ 7.183.465 R$ 37,00

2ae31 A euforia lucrativa da torcida do Palmeiras encorajou Paulo Nobre. Ele já enfrentou a Adidas. Agora quer as mesmas cotas que a Globo paga a Corinthians e Flamengo. Revolução verde no ar...

Não é por acaso que Paulo Nobre está entusiasmado. Misturando dinheiro e prestígio, o bilionário conseguiu uma revolução verde no cenário do futebol brasileiro. Faz com que o Palmeiras aproveite ao máximo a sua moderna arena, encravada no coração da capital paulista.

O dirigente estava entusiasmado ontem falando com conselheiros importantes do Palmeiras. Pela primeira vez na sua história, o clube havia vendido todos os ingressos de um jogo pela Internet. As bilheterias não foram sequer abertas. 42 mil entradas.

O adversário não é nem um rival. O Atlético Paranaense. A partida será domingo, às 11 horas.

A tendência é que o número de sócios-torcedores cresça ainda mais. Eles já somam hoje 129.500. No Brasil só está atrás do Internacional, com 147 mil. A projeção que os conselheiros palmeirenses fazem é que, se o time seguir bem no Brasileiro e Copa do Brasil, até o início de 2016, possa estar no primeiro lugar do país. Principalmente se conseguir classificação para a Libertadores.

O Palmeiras pode arrecadar R$ 30 milhões com os sócios-torcedores em 2015. Dos patrocinadores mais dinheiro. Crefisa, R$ 23 milhões, Faculdade das Américas, R$ 19 milhões, Prevent Sênior, R$ 5 milhões, Tim, R$ 3 milhões.

A diretoria acaba uma pendenga com a Adidas. A empresa alemã deverá renovar seu contrato. O contrato atual é de R$ 19 milhões anuais. R$ 9 milhões em dinheiro e R$ 10 milhões em material esportivo. O ex-presidente Belluzzo deixou por conta da multinacional alemã renovar ou não. Paulo Nobre queria mais dinheiro. A briga vem desde o início do ano. O clube ficou sem receber R$ 4 milhões. Mas agora houve o acerto.

O Palmeiras ganhará mais dinheiro e menos material. A verba em espécie pode chegar a R$ 15 milhões. E R$ 5 milhões em material esportivo. O que será uma vitória de Nobre. O grande trunfo que ele tinha era uma proposta da Nike. R4 15 milhões só em dinheiro e cerca de R$ 8 milhões em material esportivo.

Se conseguiu dobrar a Adidas, o presidente criou coragem. E vai enfrentar a Globo. Ele não concorda com as famosas cotas que a emissora paga. E que ficarão ainda mais discrepantes no próximo ano. Principalmente para Corinthians e Flamengo. O sonho é passar a receber o mesmo que os clubes mais populares do país.

3ae21 1024x647 A euforia lucrativa da torcida do Palmeiras encorajou Paulo Nobre. Ele já enfrentou a Adidas. Agora quer as mesmas cotas que a Globo paga a Corinthians e Flamengo. Revolução verde no ar...

Atualmente vale a seguinte divisão.

Grupo 1 - Corinthians e Flamengo – R$110 milhões cada
Grupo 2 - São Paulo – R$80 milhões
Grupo 3 - Palmeiras e Vasco – R$70 milhões cada
Grupo 4 - Santos – R$60 milhões
Grupo 5 - Cruzeiro, Atlético/MG, Grêmio, Inter, Fluminense e Botafogo – R$45 milhões cada
Grupo 6 - Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético/PR – R$27 milhões cada

A partir de 2016, os valores serão outros.

E estavam previstos para vigorar até 2018.

Grupo 1 - Corinthians e Flamengo – R$170 milhões cada
Grupo 2 - São Paulo – R$110 milhões
Grupo 3 - Palmeiras e Vasco – R$100 milhões cada
Grupo 4 - Santos – R$80 milhões
Grupo 5 - Cruzeiro, Atlético/MG, Grêmio, Inter, Fluminense e Botafogo – R$60 milhões cada
Grupo 6 - Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético/PR – R$35 milhões cada

5ae13 A euforia lucrativa da torcida do Palmeiras encorajou Paulo Nobre. Ele já enfrentou a Adidas. Agora quer as mesmas cotas que a Globo paga a Corinthians e Flamengo. Revolução verde no ar...

"Precisa tomar cuidado para não "espanholizar"o futebol brasileiro. Você não pode ter dois clubes ganhando muito mais do que todos os clubes." O recado foi dado por Nobre ao UOL. Ele se referia, lógico, a Corinthians e Flamengo.

Nobre não se sentia à vontade para brigar pelo dinheiro da tevê. O contrato já está assinado. Mas a movimentação da torcida palmeirense o enfeitiçou. Ele está enfrentando seu gênio pacífico. Quer sim mais dinheiro. E mais. Alega que clube algum contratou tanto. Foram 24 atletas. Mais o treinador atual bicampeão do país. Graças a tantas vindas, a equipe se tornou atração por onde passa.

Deseja o Palmeiras mais transmitido. O dirigente sabe que a preferência da emissora carioca é Corinthians e Flamengo. Depois o São Paulo. Palmeirenses e santistas foram por anos considerados 'derrubadores de audiência'. Tanto que na tabela do Brasileiro sempre foi muito comum os dois atuarem fora do horário nobre do domingo, às 16 horas e da quarta, às 22 horas.

E mais, quer mais dinheiro do pay-per-view. O clube quer fazer valer sua imensa torcida no interior de São Paulo.

Os recados já foram mandados.

Conselheiros de oposição reclamam pelos quatro cantos. O poderio financeiro de Paulo Nobre estaria desvirtuando até a figura de presidente no Palmeiras. A desconfiança que ele está segue colocando dinheiro seu para reforços continua.

A contratação de Lucas Barrios envolveu R$ 40 milhões. A Crefisa assumiu cada centavo. E já avisou que se o clube vendê-lo, poderá ficar com parte dos lucros. Se ele der prejuízo, a financeira assume.

Só que a incrível relação vai além. Se o clube se classificar mesmo para a Libertadores, ganhará reforços de peso. Bancados, até que se prove o contrário, pela Crefisa e Faculdade das Américas. O sonho de Nobre segue sendo Conca.

Para ajudar, o torcedor será sacrificado. Os dirigentes já perceberam que o ingresso mais caro do Brasil pode ser aumentado. Pela lei básica da oferta e procura. Principalmente nos jogos na nova arena. Quinta-feira não existia mais entradas para a partida de domingo, dado representativo.

Dentro em breve, se o time continuar a vencer, os ingressos ficarão mais caros. Obrigando a adesão de novos sócios-torcedores. Isso se o palmeirense quiser comprar sua entrada. A tendência é que, cada vez mais, os bilhetes se esgotem pela Internet. Sem que as bilheterias sejam sequer abertas.

As torcidas organizadas, principalmente a Mancha Verde, reclamam do alto preço dos ingressos. Mas cada vez menos elas têm voz no Palmeiras. Paulo Nobre já disse que não mudará sua filosofia de cobrança no novo estádio.

Ele já confidenciou a conselheiros importantes do Palestra Itália.

"Quero e vou montar o melhor time do Brasil."

E sem mais ter de colocar a mão no seu bolso.

A revolução verde está em pleno vapor neste país.

Movida a muito dinheiro...
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A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos…

1ae38 A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos...
Sem hipocrisia, no Brasil seis meses ou 31 partidas precisam ser suficientes para um treinador se impor. Mostrar segurança, dar um desenho tático a uma equipe. Por mais que ela esteja em formação, com jogadores chegando a todo instante. Afinal, se o currículo aponta até conquista de título mundial, o mínimo que o técnico precisaria oferecer seria um esquema, uma filosofia, uma maneira de a equipe atuar.

Foi tudo o que Oswaldo de Oliveira não fez no Palmeiras. Sua demissão foi mais do que justificada. Logo após a perda do título paulista contra o Santos, já havia escrito nesse espaço que seu futuro estava comprometido. A falta de convicção só aguçava de forma intensa a cobiça a Marcelo Oliveira.

O presidente do Cruzeiro, Gilvan Tavares, colaborou. Dispensou o atual bicampeão brasileiro para contratar Luxemburgo. A última conquista nacional do ultrapassado Vanderlei foi em 2004, onze anos atrás.

Com Marcelo Oliveira livre, a sombra ficou grande demais para Oswaldo. Seu início pífio de Brasileiro foi a senha. Com ele, o Palmeiras empatou com Atlético Mineiro reserva em casa; empatou com o lanterna Joinville fora; perdeu para o Goiás, em casa; venceu o Corinthians no Itaquerão; empatou com o Internacional em casa; e perdeu para o Figueirense, em Santa Catarina. E bastou. Veio a demissão.

A partir do primeiro treino, Marcelo Oliveira foi no ponto que mais atrapalhava o time verde: a indefinição tática. Ele mostrou que ele moldaria o time à semelhança do que fez com o Cruzeiro. Os jogadores versáteis, velozes teriam vantagem na luta para serem titulares.

O Palmeiras ganhou uma alma moderna, vibrante. Se tornou em pouco tempo a equipe que sabe o que quer. Com Marcelo, o time marcou 16 gols em oito partidas no Brasileiro. Os números enganam. Levam a acreditar que sua equipe é absolutamente voltada para o ataque. Não é. Ele primeiro corrigiu o principal erro de Oswaldo. Conseguiu compactar a equipe quando está sem a bola.

2reproducao14 A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos...

O preenchimento de espaço é uma obsessão do técnico. Os meias, os atacantes precisam se desdobrar no auxílio dos volantes, dos laterais. Assim como os volantes e laterais têm de chegar ao ataque assim que o time retomar a bola. A equipe de Marcelo Oliveira para render precisa estar no auge do seu preparo físico. Para manter a intensidade do jogo o máximo tempo possível.

O esquema vai muito além do básico 4-2-3-1. Não é estático como grande parte dos times brasileiros. Nem como era com Felipão na Copa do Mundo. A movimentação facilita a marcação. E libera o ataque. Enquanto o Palmeiras se dispôs a impor seu ritmo ontem em São Januário, até os 15 minutos do segundo tempo, foi constrangedor. Parecia uma equipe profissional contra uma de juniores. A partir dos 4 a 0, o treinador já projetava a partida contra competitivo Atlético Paranaense. Trocou, poupou jogadores. Foi de uma frieza incomum. Pela diferença em todos os aspectos, o Palmeiras poderia chegar aos seis, sete gols. Mas e daí? Os três pontos, a goleada já estavam assegurados.

O técnico recuperou dois jogadores em especial. Um já estava para sair. E outro estava mergulhando na depressão. Leandro Pereira e Dudu. "Não esperava tanto apoio. A chegada do Marcelo foi fundamental para a minha volta por cima", elogia o atacante que voltou a ser chamado de artilheiro.

"Eu precisava de confiança. Alguém que entendesse as minhas características. A minha relação com o Marcelo não poderia ser melhor", elogia Dudu, o mais caro contratado e que enfrentava a pressão dos torcedores e da mídia.

A campanha de Marcelo Oliveira no Brasileiro impressiona. Começou perdendo. Perdeu para o Grêmio fora. Goleou o São Paulo em casa. Venceu o Chapecoense em casa. Ganhou da Ponte fora. Venceu o Avaí em casa. Empatou com o Sport em Recife. Venceu o Santos em casa. E ontem humilhou o Vasco por 4 a 1 em São Januário. Sete vitórias, um empate e uma derrota.

Com Oswaldo de Oliveira, o clube era o 14º colocado. A arrancada sob o comando de Marcelo Oliveira levou o Palmeiras já ao terceiro lugar da tabela.

5ae11 A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos...

O presidente Paulo Nobre está empolgadíssimo. Mais até do que muitos torcedores. Ele havia colocado como meta para Alexandre Mattos a classificação à Libertadores de 2016. Só que o sonho de título já começa a rondar a sala do dirigente. O Palmeiras não é campeão do país desde 1994. São 21 anos de jejum.

O executivo de futebol e o treinador, que tanto sucesso fizeram no Cruzeiro, começam a perceber a bipolaridade palmeirense. Da profunda depressão à euforia é um caminho muito curto. Então tratam de controlar a ansiedade de Nobre.

Levir Culpi já está no Atlético Mineiro desde abril de 2014. É um clube que já tem familiaridade. Foi campeão, perdeu títulos, foi elogiado, foi criticado pelos dirigentes. Sabe como conviver na Cidade do Galo. E a temperatura dos torcedores.

O mesmo se aplica a Tite, no Corinthians. De campeão da Libertadores, mundial a desprezado. Tem a convicção do pode que exigir e até onde vai o apoio, a solidariedade dos dirigentes e torcida.

Marcelo Oliveira está sendo apresentado à euforia palmeirense. Os torcedores, o presidente e muitos conselheiros já projetam a conquista do Brasileiro. Caberá ao treinador ser forte e mostrar que o caminho segue difícil. A sequência de adversários até o final do primeiro turno pode ser traiçoeira.

Atlético Paranaense, no domingo às 11 horas, com a arena palmeirense certamente lotada. Depois, o Cruzeiro no Mineirão. O Coritiba no Couto Pereira. E o Flamengo em São Paulo.

2ae29 A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos...

O Palmeiras está a quatro pontos do Atlético Mineiro e a dois do Corinthians. A disputa pela liderança já domina o ambiente no clube. Marcelo e Alexandre tentam conter os ânimos.

Mas o que fica transparente na atual situação do Palmeiras é a constatação.

Algumas vezes um treinador precisa ser trocado. Seis meses são mais do que suficientes para mostrar sua falta de rumo tático, insegurança, fragilidade psicológica, falta de convicção, ambição. Eram pontos crônicos em Oswaldo de Oliveira.

Paulo Nobre foi firme e não deixou passar a oportunidade. Um dos melhores técnicos do país estava desempregado. A troca de treinadores acabou sendo a melhor notícia no clube em 2015.

Por isso, com razão, a ambição não é mais a mera quarta colocação no Brasileiro.

A maneira empolgante do time com Marcelo Oliveira denuncia.

Ele não venceu os dois últimos Brasileiros por acaso.

Com o técnico, o Palmeiras volta a ter direito de fazer algo há já esquecido.

Sonhar.

E acabar com um incômodo jejum de 21 anos...
7ae1 A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos...

Sem dinheiro, São Paulo seguirá o caminho que não queria. Repetir o que o Palmeiras fez com Gareca. E contratará colombianos para agradar Osório. Com o cuidado para não ‘rachar’ o elenco…

1ae24 Sem dinheiro, São Paulo seguirá o caminho que não queria. Repetir o que o Palmeiras fez com Gareca. E contratará colombianos para agradar Osório. Com o cuidado para não rachar o elenco...
"Não falo que mentiram para mim. Mas tampouco me falaram da situação econômica tão delicada do clube. Eu não sabia. É diferente. Não me enganaram, mas também não me disseram. Agora entendo melhor.

"Mas não pensava que o problema econômico era tão grande e que tínhamos de perder três jogadores ao mesmo tempo. Eu entendia um, mas três é muito difícil."

O desabafo de Juan Carlos Osorio tem toda razão de ser. Quando o presidente Carlos Miguel Aidar e o vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, foram até a Colômbia, desenharam um São Paulo inexistente. O clube continua com uma história maravilhosa. Com seis conquistas de Brasileiro, três Libertadores e três Mundiais. Sua camisa é respeitada no mundo todo. Mas seu presente financeiramente é lastimável.

Desesperados para contratar um treinador estrangeiro, de qualquer maneira, Aidar e Guerreiro se fixaram na infraestrutura do São Paulo. No trabalho com os garotos em Cotia, no atual elenco. E na possibilidade de reforçá-lo, seguindo indicações do treinador. O plano que os dirigentes apresentaram consta a briga por títulos do Brasileiro e da Copa do Brasil. A obrigatória classificação para a Libertadores de 2016. E a montagem de um grande time para o próximo ano.

Osório tinha nas mãos uma proposta do Cruz Azul. Time grande mexicano mantido por uma cooperativa de cimento fez uma proposta concreta ao técnico colombiano. Ela chegou até antes da do São Paulo. Mas trabalhar no futebol brasileiro era um velho sonho de Osório. Os mexicanos então decidiram contratar Sergio Bueno, que era técnico do Jaguares de Chiapa.

1reproducao34 Sem dinheiro, São Paulo seguirá o caminho que não queria. Repetir o que o Palmeiras fez com Gareca. E contratará colombianos para agradar Osório. Com o cuidado para não rachar o elenco...

Ao desembarcar no Morumbi, o treinador foi entendendo a realidade do clube graças a Milton Cruz. Soube que o clube estava com dois meses de salários atrasados. As dívidas passavam dos R$ 200 milhões. E jogadores seriam vendidos. Osório acreditou que apenas um sairia. Rodrigo Caio. O assédio do zagueiro/volante era muito forte. E ele acabou indo para o Valencia.

O técnico colombiano lamentou. Mas mal sabia que tudo apenas havia começado. Paulo Miranda acabou indo para a Áustria, comprado pelo Red Bull Salzburg. Quando Osório bufava, irritado. Foi embora, no dia seguinte, Denílson, para os Emirados Árabes.

Os R$ 54 milhões arrecadados não resolveram o endividamento são paulino. Pelo contrário. O departamento financeiro quer novas vendas. Até porque a saída do trio não foi suficiente para baixar a folha salarial de R$ 8 milhões para R$ 6 milhões, como era o sonho. Os três juntos ganhavam R$ 580 mil.

Um nome que Aidar e Ataíde torcem para ter uma boa proposta é Luís Fabiano. O veterano atacante de 34 anos foi oferecido a empresários com ligação com o Oriente Médio e com a China. O clube pretende se livrar dos R$ 550 mil mensais e ainda fazer algum dinheiro. Seu contrato termina em dezembro. O zagueiro Tolói também está à disposição. Se surgir interessados, o clube não colocará obstáculos.

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Diante do atual quadro, Osório conversou com Ataíde Gil Guerreiro e se queixou. O São Paulo não não pode enfraquecer tanto seu elenco. O treinador percebeu que poderia ser o grande prejudicado diretamente. Ele tem o apelido de Lorde, por ser muito educado. Mas não é nada bobo. Sabe que será ele quem a imprensa e os torcedores irão cobrar se o time passar a fracassar.

Por isso, já fez Ataíde Gil Guerreiro ter de repensar suas promessas. Em várias entrevistas, o vice garantiu que o São Paulo não iria repetir o que o Palmeiras fez com Gareca. E, de acordo com o dirigente, rachou o elenco do rival.

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"Fizemos um acordo com o Osorio e não vamos contratar ninguém da Colômbia. Nem o Pelé de lá. Queimaram o Gareca, que é bom técnico, porque trouxeram um monte de argentino (Allione, Mouche, Tobio e Cristaldo). Depois ele caiu porque encheu o time de argentino. Os (outros) jogadores acabam ficando contra. Então, nós combinamos que ele vai olhar o mercado brasileiro."

Mas quando um dirigente no Brasil se compromete com alguma coisa, costuma não cumprir. Com a desculpa que 'mudou o cenário', Ataíde já tem nas mãos o pedido de dois atacantes colombianos. Osório pediu jogadores que conhece e confia. Além de ter certeza que cumprirá seu contrato de dois anos, no mínimo, no Morumbi.

Mas o São Paulo deverá tentar, antes comprar, emprestar esses dois jogadores. Macnelly Torres foi pedido por Osorio assim que chegou. Meio campista ofensivo, de 30 anos, que está no Al-Shabab de Arabia. Mas como Ataíde, no mês passado não queria colombianos, o Atletico Nacional da Colômbia surgiu como interessado. E pode contratá-lo nas próximas horas.

A verdade é que Osorio não está contente com o que encontrou no Morumbi. Notícias leves, como as que ele está jogando futebol, comendo churrasco e bebendo caipirinha com Milton Cruz, servem como cortina de fumaça. O treinador não quer ter o mesmo destino de Gareca. Sabe, por exemplo, que será muito cobrado clássico de amanhã, contra o Palmeiras, no campo do adversário.

"Somos um bom time, mas é muito difícil para qualquer time no mundo substituir três jogadores. Estamos tratando, sou otimista do que podemos fazer. Mas não é uma equipe tão forte como era três semanas atrás", deixou bem claro.

A enorme diferença entre ele e Gareca é que Osorio não tem medo de avisar que o time pode fracassar. Não fica tentando agradar os dirigentes, como o argentino fazia. Esse foi o seu grande erro. Alimentou uma perspectiva que o Palmeiras não teve como corresponder.

E é bom Osório se preparar. O presidente Aidar não cansa de falar a conselheiros que o clube precisa de dinheiro. Para isso, não há jogador que não possa ser vendido. A prioridade é viabilizar o time. Não deixar atrasar mais salários ou direitos de imagem.

O treinador não pode fazer nada. A não ser lamentar não ter compreendido que estava vindo para um clube muito importante.

Mas tantas dificuldades financeiras...
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O Palmeiras deixará de ser ‘propriedade’ de Paulo Nobre. O bilionário terá de volta R$ 105 milhões. O Allianz Parque e os apaixonados palmeirenses fizeram o clube voltar a andar com suas pernas…

1ae12 O Palmeiras deixará de ser propriedade de Paulo Nobre. O bilionário terá de volta R$ 105 milhões. O Allianz Parque e os apaixonados palmeirenses fizeram o clube voltar a andar com suas pernas...
A nova arena do Palmeiras é capaz de milagres. Graças a ele, o faturamento do Palmeiras só aumenta. Assim como os ingressos, os planos de sócios-torcedores. Mas há um reflexo benéfico diante desta exploração do amor do fã pelo clube. Finalmente há uma previsão realista do pagamento da dívida do clube para Paulo Nobre.

O bilionário dirigente não teve dúvidas ao assumir a presidência em fevereiro de 2013. Recebeu o clube em péssima situação financeira. Dívidas que ultrapassavam R$ 236 milhões. Cotas de transmissão de tevê já haviam sido antecipadas até 2014. O Palmeiras estava sem crédito na praça. Ou seja, os gerentes de bancos viravam as costas quando dirigentes tentavam pronunciar a palavra empréstimo.

O que Nobre decidiu fazer? Usou a prerrogativa de presidente e decidiu tomar empréstimos em seu nome e repassar o dinheiro ao clube. Como se o Palmeiras fosse mais uma de suas propriedades. Desde então foi colocando quantos milhões de reais considerava necessários. Foram R$ 148 milhões, fundamentais nestes dois anos.

Os conselheiros se renderam diante da postura do bilionário. O Palmeiras vivia uma de suas piores crises financeiras. Preferiam não criar problemas.

Paulo Nobre se viu obrigado a explicar porque tomou essa atitude, quando buscava a reeleição, que conseguiu sem muito esforço.

"Os bancos não gostam de emprestar dinheiro a clubes de futebol, igrejas e hospitais. Porque, na hora de cobrar, isso arranha a imagem do banco. Executar o Paulo Nobre, na pessoa física, não tem problema nenhum para a imagem do banco.

Os clubes também têm que dar garantias, e os bancos pedem direitos de transmissão e patrocínios. As outras fontes, eles não valorizam. No meu caso, eu dei ações como garantia ao banco. Em três dias, vira dinheiro."

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Sobre a atitude ser ética ou não, Nobre nunca se importou com os julgamentos alheios. Agiu como dirigentes de clubes pequenos da década de 70. Conselheiros do próprio Palmeiras vêem semelhança na sua forma de administrar com a de Romeu Ítalo Rípoli, presidente do XV de Piracicaba. Como ele colocava dinheiro do bolso, fazia o que queria com o XV. Sem dar satisfação a ninguém. Exatamente como Nobre, que gastava os seus milhões onde desejava. Se a aplicação era correta ou não, não havia quem pudesse questioná-lo.

"Eu não considero uma falta de ética. É uma responsabilidade muito grande sentar na cadeira e não deixar a roda parar de rodar. Eu tinha que tentar encontrar uma maneira que fosse menos custosa para o clube, para sobreviver a esses dois anos dificílimos, sem receita. A melhor maneira que eu encontrei foi aportando dinheiro para o clube. Se eu fosse ao mercado, ao banco, a dívida do Palmeiras ficaria impagável."

Nobre tinha a certeza de que a situação mudaria muito quando a arena ficasse pronta. Foi o que aconteceu. Pelo acordo com a WTorre, o clube fica com a arrecadação dos jogos. E o faturamento tem sido excelente. É o clube brasileiro que mais fatura como mandante.

Foram R$ 15.216.760,77 no desestimulante Campeonato Paulista. Começou o Brasileiro faturando R$ 2.004.965,00 na partida contra os reservas do Atlético Mineiro. A briga por ingressos no novo estádio faz o número de sócios-torcedores se multiplicar de forma inacreditável. Cresceu 72% no ano passado, com o Allianz Parque terminado. Já é o segundo no país com 121.253 até terminar essa matéria. A projeção é que seja o primeiro do Brasil ainda este ano. Na sua frente, só o Internacional, com 136.980.

O preço para se tornar sócio torcedor não para de aumentar. Está entre R$ 12,99 e R$ 599,99! Há uma semana encareceu entre 30% e 57%. E a procura não diminuiu. Pelo contrário. Só cresce. A empolgação do torcedor é assustadora. O clube é o oitavo do mundo. Está no encalço do Porto com 125 mil sócios-torcedores. No ranking mundial, o Benfica lidera com 270 mil, seguido por Bayern de Munique (238 mil), Arsenal (225 mil), Real Madrid (206,5 mil), Barcelona (154 mil), Internacional, Porto e Palmeiras.

4ae7 O Palmeiras deixará de ser propriedade de Paulo Nobre. O bilionário terá de volta R$ 105 milhões. O Allianz Parque e os apaixonados palmeirenses fizeram o clube voltar a andar com suas pernas...

A primeira previsão é que os sócios-torcedores poderiam render até R$ 25 milhões no final do ano. Mas já há otimistas falando em R$ 30 milhões.

A camisa do Palmeiras se tornou muito valiosa. São R$ 50 milhões por ano. Crefisa, FAM, Tim e Prevent Senior dividem essa quantia.

Depois de dois anos sem receber, finalmente acabaram os adiantamentos da tevê. E o clube receberá sua cota de transmissão.

Paulo Nobre colocou havia colocado até agora R$ 148 milhões no clube. Como um gesto de boa vontade, ficou com os direitos dos seis jogadores que o clube comprou no seu primeiro mandato. Leandro, Mendieta, Tobio, Mouche, Allione e Cristaldo. Juntos valeram R$ 43 milhões.

Ou seja, Nobre tem a receber ainda R$ 105 milhões. Há muito tempo ele dizia que receberia 10% das receitas quando o clube estivesse bem financeiramente. Agora está. Por isso foi criado o Fundo de Investimento Em Direitos Creditórios Academia Esportiva. O banco Votorantim irá administrar o pagamento da dívida. Ou seja, já começou o recolhimento do dízimo sobre todas as receitas do clube.

A previsão é que até em 2020, Nobre receberá o que o clube lhe deve. Considerando até 1% de juros anuais, que ele havia combinado. O que é excelente. Havia a previsão que o Palmeiras só conseguiria pagar o seu mecenas em 2027.

O balanço do Palmeiras de 2014 mostra que o clube tem R$ 245 milhões em dívidas. Mas a nova arena está mudando essa situação. O primeiro passo real está no fim da dependência do bolso de Paulo Nobre. Foi de uma maneira desesperada, mas muito amadora, que o clube descobriu para se reerguer.

Até que enfim esse caso único no país está deixando de existir. O bilionário Paulo Nobre ajudou até demais. Mas clube algum, sem ser sociedade anônima, tem dono no Brasil. Ainda mais um tão importante quanto a Sociedade Esportiva Palmeiras...
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Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu…

1reproducao27 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...
"A torcida do Palmeiras é muito vibrante, apaixonada. Vai até as últimas consequências apoiando o time. Já sofreu muito. Foi motivo de chacota nos 17 anos de jejum. Por isso não aceita que ninguém mais a tripudie. A minha identificação foi imediata. Eles sabiam que tinha em campo um jogador sem medo e que enfrentaria a todos em busca de uma vitória. Esse foi o segredo do meu sucesso com a camisa verde. Era um amor enlouquecido dos dois lados."

As palavras são de Edmundo. Os três primeiros anos no Palmeiras foram inesquecíveis. Fez tudo o que tinha e o que não tinha direito. Brigou, chutou câmera, fez greve de silêncio, xingou dirigentes, protagonizou uma batalhar campal contra o time do São Paulo em pleno Morumbi. Com direito a chamar o baixinho Juninho Paulista de 'meio homem'.

Aprontou, mas jogou muito futebol. "O Edmundo tinha uma personalidade explosiva que contaminava o time. Mas seu talento com a bola nos pés era enorme. Sua capacidade de dribles, a velocidade, a visão de jogo. Eram impressionantes. Foi um dos melhores atacantes que eu vi jogar."

As declarações de Evair ganham até mais credibilidade. Afinal, os dois nunca se deram bem. Ficaram tempos sem se falar fora do campo. No gramado, juntos, foram responsáveis por muitos gols e jogadas que acabaram não só com o jejum de 1976 até 1993, como os levaram à Seleção.

Para o bem e para o mal, o atacante carioca justificou o apelido que, no início detestava, depois passou a se orgulhar. Osmar Santos foi o autor da substantivo que virou adjetivo e que o acompanhará pelo resto da vida: "Animal".

Edmundo marcou o coração dos palmeirenses. Ele costuma estar nas seleções de todos os tempos dos torcedores, jornalistas, apaixonados pelo clube. Seu carisma conseguiu convencer a maioria a cometer enorme heresia. Esquecer do genial Julinho Botelho.

Entre aqueles que guardam camisas verdes número 7, com dedicatória de Edmundo, há uma pessoa que se destaca. Paulo de Almeida Nobre. O presidente palmeirense é absolutamente obcecado pelo polêmico atacante. Frequentador assíduo das arquibancadas do antigo Parque Antártica, com a camisa das organizadas TUP, Inferno Verde e Mancha Verde, ele cansou de gritar, aplaudir e até chorar com as jogadas do explosivo jogador. E também via admirado as brigas, provocações.

2reproducao9 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Por isso aprendeu a valorizar muito mais esta camisa do que a número 10. Depois do primeiro mandato, com o clube afundado em dívidas, nômade, sem estádio, Paulo Nobre jurou. Montaria um time digno em 2015. Ele teria a obrigação de chegar à Libertadores de 2016. E começar um novo ciclo vitorioso palmeirense.

Enquanto Alexandre Mattos foi comprando jogador e mais jogador, Nobre avisava. "Ninguém chegue perto da número 7." Ele buscava um jogador talentoso, especial. Vários nomes foram colocados na mesa. Mas inviáveis. Lucas do PSG, Bernard, Luis Adriano.

Mas de repente, surgiu uma oportunidade. Dudu, um dos melhores atacantes do Brasileiro de 2014, não ficaria no Grêmio. O clube gaúcho não tinha os R$ 19 milhões para comprá-lo do Dinamo de Kiev. O Corinthians conseguiu convencer o atacante e seus empresários. Acertaram salários inclusive. Só que o clube o desejava por empréstimo. Não tinha o dinheiro exigido. Além disso, os dirigentes da Ucrânia ficaram revoltados por serem os últimos a saber da transação. Diante disso, Carlos Miguel Aidar decidiu atravessar a negociação. E deixou tudo muito bem encaminhado com a diretoria. Mas Dudu não queria trair os dirigentes corintianos. Disse que desejava atuar no Parque São Jorge.

1gremio Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Conseguiu complicar a negociação. Diante do entrave, Paulo Nobre deu o aval a Alexandre Mattos. E ele atropelou tanto o Corinthians como o São Paulo, que havia 'roubado' Alan Kardec. E Dudu chegou ao Palestra Itália. Foi a maior contratação entre os clubes brasileiros, neste santo ano de 2015, com o país mergulhado em uma profunda recessão. Ninguém gastou tanto com um só jogador.

O mineiro Mattos conhecia muito bem a fama de Dudu. Desde a base do Cruzeiro, o atacante é tão talentoso quanto explosivo. Dono de personalidade forte, não aceitava a reserva, discutia com quem se colocava no seu caminho. Junior, provocava, não tinha medo dos zagueiros titulares, mais velhos. Desrespeitava a todos. Dentro e fora de campo. Com esse gênio, não se adaptou à Toca da Raposa. E muito menos à hierarquia do futebol russo.

3reproducao10 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Ao chegar no Palmeiras, Dudu foi percebendo o que a torcida e a direção do clube, principalmente Paulo Nobre, esperavam dele. Oswaldo de Oliveira não é admirador de jogadores explosivos, provocativos. Prefere os mais politicamente corretos, como Zé Roberto. Com apenas 23 anos, o atacante tentava se adaptar, se segurar.

Mas veio o jogo contra o São Paulo. O clube que tentou comprá-lo sem se importar com sua vontade. Razão de várias discussões entre Bruno Paiva e os outros donos da OTB Sports, seus empresários, com a cúpula do Dinamo. Além do mais, sabia o quanto Paulo Nobre tem Aidar atravessado na garganta. Jogo na nova arena palmeirense.

Aí, Dudu foi Dudu. Provocou Rafael Toloi, tomou uma entrada dura do zagueiro, retribuiu com uma leve, mas desleal cotovelada, que não foi percebida pelo árbitro Vinicius Furlan. O são paulino ficou alucinado e tratou de dar um pontapé por trás no franzino, mas folgado adversário. Cartão vermelho, o time de Muricy ficou com um jogador a menos com sete minutos de partida.

Mas a camisa 7 do Palmeiras testemunharia a reencarnação de Edmundo. Dudu driblava, tocava a bola e não tirava o sorriso do rosto. E quando Furlan estava longe, xingava, irritava. Conseguiu tirar do sério até o gelado Paulo Henrique Ganso. Ele desfilava palavrões ao palmeirense até ser substituído.

4ae9 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Sua maior ousadia aconteceu com Edson Silva. Zagueiro forte, 1m87, pernambucano, de gênio forte. Em uma jogada de linha de fundo, ele chegou antes de Dudu. O palmeirense que vinha correndo, não se fez de rogado ao ver a bola saindo. Deu um pulo nas costas do zagueiro e o fez de 'cavalinho'. A torcida palmeirense delirou. Conselheiros garantem que Paulo Nobre ficou entusiasmado com tanta coragem. Edson Silva nem acreditou no que acontecia. Ao perceber o papel ridículo que fazia, jogou o abusado de 1m65 no chão.

A esta altura, os palmeirenses aplaudiam, riam, provocavam. Gritavam de prazer. Tanto pela vitória humilhante diante do São Paulo como pela cena inacreditável. Ganhavam, depois de uma década, outro ídolo atrevido, provocador, talentoso, rápido e politicamente incorreto.

6ae2 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Como acontecia com Edmundo, Dudu já está 'jurado'pelos jogadores do São Paulo. Esperam com ansiedade a chance de tê-lo ao alcance em um próximo clássico. O goiano sabe que isso acontecerá. Tem sido assim desde o início da carreira. Como o agora comentarista de tevê, ele tem certeza que será mais fácil. Seus marcadores entrarão abalados psicologicamente.

Nos bastidores deste novo Palmeiras, todos sabem. Dudu está rindo da situação. É assim, abusado, que deseja ser conhecido. Ganhar espaço no futebol nacional. Brigar pela Seleção. Não vai mais se sujeitar ao politicamente correto de Oswaldo. Vai fazer as loucuras que passar pela sua cabeça. Como montar de cavalinho em um zagueiro adversário.

Dudu já começa a ganhar a admiração da torcida. Que se aprendeu a esperar tudo e mais um pouco de Edmundo. Finalmente a camisa 7 verde voltou a ser admirada. Ter torcida particular. Valeu Paulo Nobre tê-la reservado.

Os palmeirenses estavam precisando de um ídolo corajoso, brigador, provocador, que não leve desaforo para casa. De sangue quente, italiano. E principalmente abusado, folgado, destemido. Ele chegou. Se chama Dudu. Seu marcadores que preparem o cangote...
2ae19 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento…

1ae16 Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento...
"O Palmeiras tem sérias dificuldades em cultivar seus talentos da base. Sempre foi assim. O clube tem na sua essência buscar grandes jogadores em outras equipes. Pode reparar, as grandes conquistas sempre foram com atletas vividos, experientes, vindos de fora. Os garotos sempre ficam em último plano para os treinadores. São desvalorizados. Isso é histórico. Foi assim e vai continuar."

As declarações foram me dadas por Pedrinho Vicençote no início dos anos 2000, quando surgiu Vagner Love. Pedrinho foi um lateral esquerdo muito bom, revelado na Copa São Paulo de 1977. Com ótimo potencial ofensivo, logo ganhou espaço, projeção no clube. Marcou 17 gols, quando os laterais eram quase proibidos de atacar. Mesmo assim, seu salário continuou muito baixo, não houve reconhecimento dos dirigentes. Suportou a situação três anos, quando foi para o Vasco da Gama.

A negociação foi péssima para o clube paulista. Em um ano ele estava no grupo que disputou a Copa do Mundo de 1982. Valorizado, acabou vendido ao Catânia da Itália. Os cariocas tiveram um enorme lucro.

As palavras de Pedrinho tiveram foram certeiras, proféticas. O Palmeiras continua com a mesma mentalidade de clube comprador, não formador. Foi assim também com Vagner Love. O atacante surgiu como um atacante oportunista, vibrante, de excelentes arrancadas, técnica suficiente para fazer tabelas inesperadas. Muito promissor.

Havia tentado a sorte no Bangu, Campo Grande e Vasco, quando menino. Mas não conseguiu vingar. Era indisciplinado. Acabou indicado aos juniores do Palmeiras. Teve grande destaque ao marcar 32 gols. Era a grande estrela do time na Copa São Paulo de 2002. O time caiu no grupo de São José dos Campos. Uma mulher mais velha se engraçou com o jovem atacante. E ele não teve dúvida, o levou para seu quarto na concentração. Foi flagrado e afastado da equipe, por Karmino Colombini.

Dirigentes palmeirenses quiseram dispensar o jogador. Só que ele era muito bom. Flávio Prado, comentarista da Rádio Jovem Pan, foi quem transformou Love no sobrenome do atacante. "Eu só levei uma vez e não recomendo para nenhum jogador que esteja começando", disse o jogador para a revista Playboy.

2ae7 Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento...

Ele foi mesmo muito mal tratado no Palmeiras. O ressentimento do então presidente Mustafá Contursi nunca passou. Queria e conseguiu se livrar do jogador que desrespeitou o clube. Vagner Love foi assediado por vários clubes europeus. Mas Mustafá o vendeu pela melhor oferta. Para a Rússia. Por US$ 9 milhões. US$ 7,5 milhões ao Palmeiras e US$ 1,5 milhão ao jogador.

Os companheiros de diretoria e grande parte da imprensa criticaram impiedosamente a venda. Love tinha potencial para ser vendido por muito mais dinheiro. Bastaria ter um pouco de paciência, clamavam. Mas o irritadiço Mustafá sabia que para segurá-lo teria de aumentar o seu salário. E ele não suportava o atacante. Nunca o perdoou pela farra que fez quando era garoto na concentração em São José.

Vagner foi para a Rússia prometendo ficar apenas um ano. Acabou passando sete, as suas melhores temporadas como jogador. Voltou para o Palmeiras em 2009 porque Mustafá não era mais presidente. Mas o ressentimento e a falta de paciência de parte das organizadas em relação ao jogador nunca passaram. Depois de violenta briga na agência Bradesco da avenida Sumaré e ameaças de morte ao atacante e seus familiares, ele foi para nunca mais voltar ao Palestra Itália.

Marcos surgiu em Lençóis Paulista. Treinou três meses no Corinthians. Mas o clube não se empolgou pelo goleiro de 17 anos. Acabou indo para o Palmeiras. E de 1992 até 2012, nos vinte anos que atuou no Palestra Itália, a mesma história. Ele nunca se sentiu valorizado financeiramente. Não como deveria. Como sua personalidade é pacata. Soube investir muito bem o que ganhou. E vive bem.

Mas companheiros de Seleção e de clubes rivais, cansaram de repetir que ele deveria ter exigido muito mais do Palmeiras. Não queria briga. Conseguiu montar um patrimônio que o satisfaz. Mesmo sabendo que merecia ser melhor remunerado.

Está no DNA do Palmeiras não acreditar, não pagar bem, não valorizar seus atletas de base. Por isso o clube não é destino natural dos grandes talentos brasileiros, enquanto meninos. Santos, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Corinthians, Internacional, Grêmio são opções primeiras. O trabalho de observação nestas equipes chegou a um ótimo grau de aprimoramento. Nas últimas temporadas apenas, o Corinthians passou a olhar com mais atenção aos seus meninos. O erro de avaliação de Marquinhos, zagueiro que o PSG pagou R$ 101 milhões, foi dolorido demais.

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Agora o Palmeiras está errando feio com outra rara revelação na sua base. Gabriel Jesus. Ele surgiu no Anhanguera, clube amador. Na Copa São Paulo sub-15, marcou 29 gols. Cobiçado por vários clubes, o Palmeiras se antecipou. E fechou contrato em julho de 2013, com 16 anos até dezembro de 2015. A promessa ganhava R$ 2,5 mil. Continuou se impondo. Marcou 37 gols em 22 partidas no Campeonato Paulista de Juniores. Sua multa rescisória se tornou baixa: R$ 3 milhões. Era um risco assinar com outro clube.

O São Paulo era o principal interessado. Conselheiros garantiram que foi ofertado ao garoto uma casa no valorizado condomínio de Alphaville, em Barueri. Bastaria ele não renovar seu vínculo com o Palmeiras. Paulo Nobre ouviu essa história e resolveu oferecer um contrato de quatro anos ao jovem atacante.

A renovação não foi fácil. Os empresários do menino sabiam que havia outros interessados. Primeiro mudaram seu nome. De Gabriel Fernando, passou a Gabriel Jesus, mais marcante. E trataram de avisar à diretoria palmeirense. Queriam uma parcela maior dos direitos de Gabriel para ele ficar. Sem saída, Nobre cedeu. Renovou o vínculo até 2019. Mas o Palmeiras ficou com apenas 30% dos direitos do jogador. O clube tinha 80%. Era isso ou o jogador não renovaria.

2gazeta Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento...

Os salários saltaram para R$ 15 mil até o final do ano. Em 2016, pularão para R$ 25 mil. R$ 35 mil em 2017. R$ 45 mil em 2018. R$ 60 mil em 2019. Sua multa rescisória saltou de R$ 3 milhões para R$ 30 milhões.

Mesmo diante de tanto sacrifício para segurar o jogador, o Palmeiras mostra o mesmo desprezo pela prata da casa. Ainda mais depois das 19 contratações de Alexandre Mattos. Oswaldo de Oliveira não o queria nem inscrever o menino entre os 28 que disputam o Paulista. Só o colocou porque os documentos de Cleiton Xavier não chegaram a tempo.

Fábio Caran e Cristiano Simões não ficaram nada satisfeitos com a postura do treinador. Esta claro que Oswaldo não está com pressa alguma em utilizar o garoto de 17 anos. Acredita que ele poderá amadurecer ficando na reserva da reserva de jogadores com menos talento do que ele, como Maikon Leite, Rafael Marques, Leandro Pereira. Mas poderá ter uma desagradável surpresa.

Gabriel Jesus tem treinado muito bem. E impressionado até jogadores mais vivido. Como Zé Roberto e Cristaldo. Caran e Simões não ficarão de braços cruzados esperando a boa vontade de Oswaldo. Já buscam clubes europeus. Não será surpresa se no meio do ano, eles surgirem com proposta pelo atacante. Mesmo sem que ele tenha feito uma partida como titular no time principal do Palmeiras.

Parece absurdo. Mas Oswaldo de Oliveira precisa perceber o que está acontecendo. E ser justo. Se o garoto está jogando melhor do que seus titulares, deve escalá-lo. Nem que seja aos poucos. O treinador percebeu a pressão interna e de grande parte da imprensa para a escalação do atacante. A situação o irrita. É como se sua autoridade fosse questionada.

"Quem tem que medir a hora dele sou eu. Sei que existe a ansiedade, mas a responsabilidade é minha. Não adianta fazer nada de forma apressada."

Desta maneira, um grande talento da base pode ser novamente desperdiçada no Palestra Itália. Tudo dependerá da boa vontade ou não de Oswaldo de Oliveira. Um treinador como outro qualquer, que trabalha onde o salário é maior. E que não tem compromisso real com o patrimônio de um clube. Paulo Nobre que acorde.

Neste pobre cenário do futebol, o Palmeiras pode deixar escapar um talento promissor. E que poderia render muito no futuro. Mas talvez esse futuro nem chegue a acontecer. Pedrinho continua certo...

Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência…

1reproducao13 Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...
Há uma diferença muita grande na cultura japonesa e a brasileira. Em todas as áreas. Até na esportiva. Se os torcedores são civilizados a ponto de recolher a sujeira das arquibancadas, são polidos nas derrotas de seus time. Acreditam que as decisões sobre os fracassos devem caber aos dirigentes. Não precisam ficar cobrando, xingando ninguém nos estádios. Muito menos os treinadores, que são tratados por 'mister', com toda a reverência. No máximo, diante das derrotas, os fãs sentam desolados após os jogos e choram. Como se fosse um castigo divino perder.

"Seu filho da ... Corintiano. Volta para a cachorrada. Burro! Incompetente. Tinha de ter colocado o Dudu antes, retardado."

Esses foi a maneira brasileira, paulista, palmeirense que muitos torcedores reservaram a Oswaldo de Oliveira. Não tiveram o mínimo respeito após a derrota para o Corinthians por 1 a 0. Se aproveitaram da cúmplice proximidade da nova arena e destilaram seu ódio. O técnico passou impassível, fingiu não ouvir.

Oswaldo já havia sido xingado na derrota contra a Ponte Preta. Justo ele que passou quatro anos de sua vida como técnico do Kashima Antlers. E era tratado quase como uma sumidade. Respeitado, reverenciado. Fez ótimo trabalho. Ganhou três vezes o Campeonato Japonês. Duas a Copa do Imperador, duas a Supercopa japonesa e uma vez a Copa da Liga.

Mas teve de voltar ao Brasil. A crise mundial atingiu em cheio o Japão. Sua liga. Os maiores salários foram limados dos clubes. Só a Seleção investe em treinadores estrangeiros. Aliás, Oswaldo é sempre comentado para o cargo. Fez tanto sucesso por lá que acabou sendo um requisitado garoto-propaganda.

Ele teve seu choque de realidade no Botafogo. Sentiu toda a dureza de trabalhar em um clube que não paga seus jogadores. Ganhou dois Cariocas e classificou a equipe para a Libertadores. Desembarcou no Santos empobrecido e com diretoria querendo valorizar jogadores sem talento, como Leandro Damião. Por se negar a ser mero pau mandado, acabou demitido.

No Palestra Itália, foi contratado para trazer de volta a esperança para um clube envergonhado. Sua tradição espetacular no século 20 estava foi abalada por dois rebaixamentos em dez anos. E centenário patético. Oswaldo, campeão mundial pelo Corinthians, tem a missão de fazer o Palmeiras renascer.

 Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...

Ainda mais depois de Alexandre Mattos contratar 19 jogadores. Com a bênção e dinheiro de Paulo Nobre, um novo elenco foi montado. Muito melhor do que o do ano passado. Que só não caiu por sorte e falta de sorte e desinteresse do Atlético Paranaense no último jogo do Brasileiro de 2014. Assim como o esquisito empenho do empobrecido Santos contra o desesperado Vitória.

Em plena crise, o Palmeiras trouxe atletas importantes como Arouca, Dudu, Zé Roberto, Cleiton Xavier. A ansiedade da torcida venceu de longe a racionalidade. Embora um grande time não se monte de uma hora para outra, Oswaldo percebeu que terá de acelerar seu trabalho.

Por essa razão vai trabalhar em duas frentes. A primeira é aproveitar qualquer entrevista para tentar domar o ímpeto dos torcedores, da imprensa, dos conselheiros e mesmo dirigentes do clube. Já nasce uma insatisfação precoce no Palestra Itália. Muito bom na argumentação, o técnico detalhou o que pensa.

"Há uma possibilidade muito boa de fazer um time muito bom, mas para o Campeonato Brasileiro. Agora é difícil. Por exemplo, no ano passado, eu tinha uma garotada e jogadores experientes no Santos, e nós fizemos um Campeonato Paulista que empolgou. Mas quase todos estavam ali já. Quando você tem essa mudança mais radical, mais volumosa, fica mais difícil, principalmente, porque há um peso muito grande pelo que se passou (má campanha no Brasileirão de 2014). A expectativa fica muito maior. Se não conseguirmos controlar essa expectativa, ela vira contra nós", disse no Sportv.

3reproducao Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...

Falou também que espera por Valdivia no dia 28, contra o Capivariano. E Arouca talvez faça sua estreia contra o São Bento, na quarta-feira. Tentou passar tranquilidade, paz interior.

Isso foi ontem. Hoje, diante da pressão ele mudou. Embora saiba que tudo é exagerado, descabido. Não quer perder o seu emprego. E tratou de fazer o que o bom senso não indicava. Equipes em formação são montadas aos poucos. De preferência por setores. A confiança vem na repetição de pelo menos a base.

Mas Oswaldo de Oliveira sabe que está em um clube sui generis, diferente. A torcida palmeirense já é das mais angustiadas do futebol brasileiro. Fiel às origens exageradas italianas. Ou tudo é uma maravilha ou uma desgraça.

O Palmeiras mudará meio time daquele que foi derrotado pelo Corinthians no domingo. Tóbio, Amaral, Allione, Maikon Leite e Leandro Pereira perderam lugar na equipe. Entraram Jackson, Gabriel, Alan Patrick, Cristaldo e Dudu. Eles deverão estar em campo amanhã, contra o Rio Claro.

O treinador precisa não só da vitória. Mas escalar os jogadores que a torcida, diretoria e a imprensa querem ver. Virou questão de sobrevivência e não lógica. Principalmente em relação a Dudu, estrela maior da companhia. Atacante conquistado com orgulho por Paulo Nobre. Ganhou a disputa do Corinthians e do São Paulo, de Carlos Miguel Aidar, dirigente que Nobre odeia com todas as forças.

Oswaldo queria dar mais tempo ao atacante se preparar. Colocá-lo aos poucos no time. Mas percebeu que lógica, racionalidade, frieza não combinam com o Palmeiras atual.

1agenciapalmeiras1 1024x666 Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...

"Tive muito sucesso no Japão porque trabalhei com jogadores disciplinados e obedientes, era muito mais fácil fazê-los aprender. A formação do jogador aqui no Brasil é muito superior. Era comum, no Japão, os jogadores chegarem aos clubes com 22 ou 23 anos, mas a preparação como pessoa era muito melhor, isso é da formação do japonês. É muito mais fácil trabalhar com um cara que recebe com muito mais interesse o que você tem para passar. A nossa formação é muito diferente e tem o interesse mais individual, como aconteceu no caso do Dudu. Você vê que o cara não está preparado e é obrigado a escalar porque se o time perde, você perde o emprego."

As declarações de Oswaldo após a derrota diante do Corinthians deveriam chocar. Como um técnico vai colocar certo jogador despreparado para não perder o emprego? É exatamente isso que terá de fazer contra o Rio Claro.

O presidente, a torcida, a imprensa, a diretoria querem ver Dudu como titular? É o que ele fará. Os testes estão suspensos. Logo na quarta partida do Palmeiras no Campeonato Paulista, o técnico entendeu como a banda toca. Não está mais no Japão. Ninguém abaixa a cabeça, o reverencia quando passa, o chama de mister. Nada disso.

Em um dos clubes mais pulsantes do país, Oswaldo que dê o que os palmeirenses exigem. A hora não é de birra, de ser professoral. Não há como paciência para esperar pelo Brasileiro. Todos querem resultados e um time, já! Com Dudu como titular. O que era tensão virou angústia depois da derrota para o Corinthians. No primeiro clássico da nova arena!

Esperto, Oswaldo não age como um técnico calculista. Mas como um sobrevivente. Ainda mais com a sombra de Marcelo Oliveira começando a surgir no horizonte. Esta é a irracionalidade brasileira, mister Oliveira. A calma, o respeito pelo trabalho consciente ficaram a 18.553 quilômetros, no Japão. Com o futebol mergulhado em profunda crise econômica. Não há para onde voltar...
1reuters Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...

Palmeiras é vítima de suas 19 contratações, de Alexandre Mattos, da nova arena, do milionário patrocinador. Um time não se forma de uma hora para outra. Por isso tanta frustração…

1agenciapalmeiras Palmeiras é vítima de suas 19 contratações, de Alexandre Mattos, da nova arena, do milionário patrocinador. Um time não se forma de uma hora para outra. Por isso tanta frustração...
Ninguém contratou tanto e tão bem como o Palmeiras em 2015. Foram 19 reforços. O goleiro Aranha, os zagueiros Vitor Hugo, Victor Ramos e Jackson, os laterais Lucas, João Paulo e Zé Roberto, os volantes Amaral, Gabriel, Arouca e Andrei Girotto, os meias Robinho, Ryder, Cleyton Xavier e Alan Patrick e os atacantes Dudu, Rafael Marques, Leandro Pereira e Kelvin.

O clima antes dos estaduais começarem era de pura euforia. O Palmeiras vivia uma expectativa absurda. Mais até do que os clubes classificados para a Libertadores. Até porque seu centenário, em 2014, foi vergonhoso.

Porém. bastaram três jogos oficiais. Duas derrotas em pleno novo estádio. Contra Ponte Preta e o time misto do Corinthians. E Oswaldo de Oliveira já foi hostilizado, teve de ouvir palavrões. Foi chamado de burro, incompetente pela revoltada torcida palmeirense. Uns afobados já pediram até sua demissão. Afinal, 19 reforços, estádio e dinheiro à vontade não bastaram? A vergonha vai continuar?

O que acontece no Palmeiras é simples. Tudo é muito exagerado, precipitado. Há uma ansiedade que só é explicada pela história vitoriosa do clube no século passado. E pelos dois rebaixamentos, que estão recentes demais na memória do torcedor. Em 2002 e 2012. A ansiedade em virar a página, esquecer a frustração, voltar à época das conquistas faz com que a emoção perca para a razão.

Uma equipe não se monta de um dia para a noite. O elenco acabou de terminar a pré-temporada. Dos 19 contratados, Oswaldo não pôde colocar em campo peças fundamentais. Como Arouca e Cleiton Xavier. Fora o principal jogador do elenco. Aquele, cuja ausência, virou desculpa fácil para qualquer técnico: Valdivia.

2agenciapalmeiras Palmeiras é vítima de suas 19 contratações, de Alexandre Mattos, da nova arena, do milionário patrocinador. Um time não se forma de uma hora para outra. Por isso tanta frustração...

Oswaldo de Oliveira não é um treinador brilhante. Longe disso. Mas trouxe dos anos que passou no Japão uma característica muito interessante. Seus times são ofensivos, compactos, modernos, velozes. Botafogo e Santos foram bons exemplos. No clube carioca onde a expectativa era baixa, conquistou dois torneios estaduais e classificou o time para a Libertadores. Mesmo com salários e direitos de imagem atrasados. A ponto de emprestar dinheiro seu para atletas pagar aluguel, fazer supermercado.

No início do ano passado no Santos, as dificuldades financeiras eram um pouco menores. Mas também conviveu com atrasos salariais. Ter levado o time à final do Paulista acabou sendo sua maldição. Perdeu para o Ituano, muito bem montado por Doriva, e caiu em desgraça com a diretoria, com a torcida. Mesmo tendo ido mais longe do que Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Quando Leandro Damião e os atrasos se tornaram fardos pesados demais para carregar, ele reclamou publicamente. Foi demitido. Com três meses se salários a receber.

Qualquer treinador que assumisse o Palmeiras em 2015, com o bilionário Paulo Nobre mudando sua filosofia, abrindo os cofres para a contratação, seria pressionado. Ainda mais com o hábil novo homem do futebol, Alexandre Mattos. Ao contrário do ultrapassado Brunoro, ele sabe negociar. Conversar com jogador, procurador, dirigente adversário. É ótimo negociante. Por isso as 19 contratações de uma vez.

3agenciapalmeiras Palmeiras é vítima de suas 19 contratações, de Alexandre Mattos, da nova arena, do milionário patrocinador. Um time não se forma de uma hora para outra. Por isso tanta frustração...

Enquanto isso, o Palmeiras se livrou de 21 jogadores do time que quase rebaixou o clube em 2014. A diretoria também mandou embora Dorival Júnior, pouco importando que ele tivesse profunda identificação com o Palmeias. Tivesse sido jogador e fosse sobrinho de Dudu, o grande volante da 'segunda academia', time muito vitorioso na década de 70.

Fora isso, o Palmeiras passaria a usar a sua nova, moderna e belíssima arena. Elenco, treinador e estádio novo. Não há no Brasil clube que comece 2015 cercado de tanta expectativa.

A imprensa, de modo geral, fez matérias e matérias sobre o novo Palmeiras. Vendeu a garantia que tudo seria diferente. E deverá ser. O elenco é muito mais forte do que o do ano passado. O ansioso torcedor comprou, com prazer, a ideia de que o time começaria acumulando vitórias e mais vitórias.

Caberia a quem é o comandante desse 'novo' Palmeiras, alertar que uma equipe leva tempo para ser formada. Até lá, resultados ruins poderiam vir. Mas não havia clima, ambiente, para pés no chão.

Todos comentavam os chapéus que a diretoria deu no São Paulo e no Corinthians contratando Dudu. E mais manchetes para, em plena recessão nacional e crise mundial, Paulo Nobre dobrar o olé em Carlos Miguel Aidar. Assegurar R$ 23 milhões por temporada pelo patrocínio master da camisa.

Jogadores, estádio, apoio integral da diretoria, dinheiro e certeza de milhares de torcedores apoiando o time. Oswaldo não teve força para domar a euforia precoce. Não basta juntar 19 bons jogadores com um jogador tão talentoso quanto problemático como Valdivia. É preciso tempo, paciência. Tudo o que o palmeirense não quer oferecer.

4agenciapalmeiras Palmeiras é vítima de suas 19 contratações, de Alexandre Mattos, da nova arena, do milionário patrocinador. Um time não se forma de uma hora para outra. Por isso tanta frustração...

A pressão só aumentará. Ainda mais porque estaduais oferecem adversários fraquíssimos, que se prestam a recuperar clubes grandes. A próxima sequência do Palmeiras não assusta. Rio Claro em casa, já na quarta-feira. Depois, São Bento, Penapolense, fora. Capivariano e Bragantino em casa. Só depois destes cinco jogos, o clássico contra o Santos na Vila Belmiro.

Serão cinco jogos, 15 pontos que Oswaldo de Oliveira sabe: tem a obrigação de conquistar. Não há comparação entre os elencos. Os times não são tão arrumados quanto Ponte Preta e time misto do Corinthians. O técnico deverá conhecer muito melhor seus jogadores. Poder dar um mínimo de entrosamento necessário para começar a virar uma equipe de futebol.

Talvez até compreender que Zé Roberto é um desperdício de talento, preso no corredor da lateral esquerda. No meio de campo, ao lado de Arouca, Valdivia e Cleiton Xavier ou Robinho, pode formar um excelente meio de campo. E ainda dar chance a uma das poucas coisas boas de 2014, o ala Victor Luiz.

Só com a calma que as vitórias trazem, Oswaldo poderá fazer o gosto de Paulo Nobre. E dar chance para Gabriel Jesus, de apenas 17 anos. Ele é a maior esperança da base, desde Vagner Love.

Diante de tanta expectativa que o clube mesmo criou, tudo que o Palmeiras precisa agora é de tranquilidade. E firmeza no trabalho. Porque a euforia pode virar decepção de maneira precoce.

Tudo que precisaria ser feito, foi. Brunoro saiu. Alexandre Mattos, formador do Cruzeiro atual bicampeão do Brasil, chegou. O elenco e treinador foram trocados. Melhores desembarcaram no clube. A nova arena é excelente. O dinheiro dos patrocinadores, da TV e do bolso de Paulo Nobre garante salários e direitos de imagem em dia.

Só resta a paz para que tudo planejado seja colocado em prática. As duas derrotas foram inesperadas e doloridas. Mas é preciso compromisso com a realidade. Futebol não é videogame.

Não adianta juntar 19 bons jogadores em um clube. Uma equipe não se forma de um dia para a noite. É isso que o carente torcedor palmeirense terá que entender. Fazer o mais difícil. Domar a expectativa e a frustração que duelam no seu peito desde que o século 21 insistiu em começar...
1ae11 Palmeiras é vítima de suas 19 contratações, de Alexandre Mattos, da nova arena, do milionário patrocinador. Um time não se forma de uma hora para outra. Por isso tanta frustração...

Com Segurança Pública falida em São Paulo, Federação Paulista recua diante de ameaça de processo do Ministério Público. Só haverá torcida do Palmeiras no clássico contra o Corinthians….

1flick Com Segurança Pública falida em São Paulo, Federação Paulista recua diante de ameaça de processo do Ministério Público. Só haverá torcida do Palmeiras no clássico contra o Corinthians....
O Ministério Público, a Polícia Militar e alguns presidentes de clubes de São Paulo estão chegando a uma conclusão. Diante da violência sem fim das organizadas, todos querem torcida única nos clássicos. Seria a solução mais lógica. Menos soldados deixariam de servir a comunidade para trabalhar em jogos de futebol. As novas arenas seriam preservadas. Os confrontos entre torcedores rivais nos metrôs, nos terminais de ônibus, as brigas marcadas pela Internet, diminuiriam muito.

Só que a FPF é contrária à medida. Não quer esvaziado seus clássicos. Se fizer disso uma norma, quando o time mandante estiver mal no Campeonato Paulista, o estádio poderá estar vazio. O que seria péssimo para a imagem do torneio. Muito ruim para Globo e Bandeirantes que transmitem a competição.

Assim, centenas de policiais a mais deverão trabalhar por causa de 1.600 corintianos que deverão ir ao clássico no Palestra. Quase todos membros das várias facções corintianas. Os palmeirenses deverão chegar perto dos 40 mil. Se houvesse uma torcida única, tudo seria mais fácil de controlar. Menos soldados seriam deslocados para o jogo.

A direção corintiana, muito ligada às suas organizadas, já mandou avisar que não aceita. Quer seu torcedor em todos as partidas do clube. Essa postura é mais para agradar seus facções do que fruto de uma análise profunda sobre a violência.

As diretorias de Santos e São Paulo não têm a mesma preocupação que o Palmeiras. Vila Belmiro e Morumbi são estádios velhos. Estão longe de ser novas arenas com instalações modernas. E não há a preocupação em preservá-los a todo custo. Não são tão veemente contra duas torcidas. Não há medo com o que as organizadas rivais possam fazer nas suas arquibancadas. Também não existe preocupação a flor da pela dos seus presidentes sobre o que acontece nos metrôs, nas estações de ônibus e trens quando suas organizadas se confrontam com adversárias.

Vale lembrar que Marco Polo del Nero e os presidentes de clubes só vão a estádios cercados de seguranças. Muitos deles armados. Ou seja, eles estão bem protegidos até de um ataque do Estado Islâmico.

1ae6 Com Segurança Pública falida em São Paulo, Federação Paulista recua diante de ameaça de processo do Ministério Público. Só haverá torcida do Palmeiras no clássico contra o Corinthians....

Paulo Nobre também acredita que isso é um problema da sociedade. E que as autoridades deveriam agir. Mas sua prioridade agora é preservar o novo estádio. Ele pediu abertamente para o presidente Marco Polo del Nero. Queria, de qualquer maneira, só a torcida do Palmeiras no clássico de domingo, contra o Corinthians.

Nobre sabe que as organizadas corintianas vão se vingar. No clássico no ano passado, em julho, no Itaquerão, vândalos infiltrados na torcida palmeirense quebraram 258 cadeiras. O Palmeiras teve de pagar R$ 45 mil ao Corinthians. A atitude dos rivais estimulou a diretoria corintiana a tomar uma atitude enérgica. Tirou as cadeiras dos setores das organizadas adversárias. E também das suas. Em todo jogo havia cadeiras quebradas por corintianos no seu estádio.

A melhor saída foi divulgar que as próprias organizadas pediram para assistir aos jogos em pé. É um atraso. A vitória da ignorância. A tendência do mundo moderno é dar conforto aos torcedores. Mas no Itaquerão isso não pode acontecer. Até porque a Polícia Militar mandou avisar que não colocaria soldados para proteger as cadeiras, diante do vandalismo dos próprios corintianos.

No novo Palestra Itália, a WTorre não vai retirar as cadeiras. Mesmo sabendo que haverá a revanche. A vingança. É esperado que membros das organizadas corintianas vão quebrar seus assentos no domingo. A polícia sabe. O Ministério Público sabe. A Federação Paulista sabe. Até a ex-presidente da Petrobrás, Maria Graça Foster, a tudo desconhece, pelo menos da quebradeira programada para domingo ela sabe.

Marco Polo del Nero disse não ao pedido de Paulo Nobre. Mandou avisar que se abrisse o precedente e colocasse torcida única no Palestra Itália, teria de fazer o mesmo em todos os clássicos. E os outros presidentes de clubes não querem. O presidente da FPF não quer.

 Com Segurança Pública falida em São Paulo, Federação Paulista recua diante de ameaça de processo do Ministério Público. Só haverá torcida do Palmeiras no clássico contra o Corinthians....

A saída encontrada por Nobre foi financeira. Ele aumentou o preço dos ingressos do setor onde ficarão as organizadas. Tanto do Palmeiras como do Corinthians. Contra o Audax, o setor Norte custava R$ 60,00. Diante da Ponte, hoje, vale R$ 80,00 a entrada. E no domingo, R$ 200,00. O dirigente queria até mais caro. A sua esperança é que o preço espante pelo menos os vândalos mais pobres.

O Palmeiras reforçará a sua segurança no setor. Pedirá o auxílio da PM para que soldados também fiquem de olho e prendam em flagrante os corintianos que quebrarem as cadeiras. Por um acordo de reciprocidade, Mario Gobbi já mandou avisar Nobre. Retribuirá o que o presidente palmeirense fez em julho, pagando as cadeiras do Itaquerão quebradas por vândalos palmeirenses.

A preocupação do Ministério Público e da Polícia Militar vai muito além das cadeiras no domingo. O medo é que corintianos resolvam vingar a morte de Felipe Augusto Oliveira. Ele foi morto na madrugada do dia 26 de janeiro. Estava em uma festa das organizadas corintianas no Anhembi. Foi capturado por cerca de 20 membros de facções palmeirenses. Foi espancado até morrer.

A morte de Felipe seria uma retaliação das mortes de Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira, 19 anos, André Alves Lezo, 21 anos mortos a tiros por corintianos em 2012. E do professor Gilberto Torres Pereira, assassinado a pauladas, por membros de organizadas também do Corinthians.

Mas de nada adiantou o apelo do Ministério Público e da Polícia Militar paulista. Palmeiras e Corinthians no domingo terá as duas torcidas. Só hoje será definido como as organizadas corintianas chegarão ao Palestra Itália. O esquema não tem como proteger torcedores desavisados que resolvam ir sozinhos para o jogo. Eles são as vítimas prediletas de covarde vândalos infiltrados nas organizadas. O novo estádio palmeirense é cercado por terminais de ônibus e estação de metrô.

Resta o apelo do blog para que os torcedores dos dois times que forem para o clássico, principalmente os que vão sozinhos, não usem camisas de seus clubes. Elas os identificam. Os tornam alvos em potencial para criminosos travestidos de torcedores.

A Polícia Militar e o Ministério Público assumem. Não têm como proteger o cidadão que for assistir a um jogo de futebol em São Paulo, cidade mais rica da América Latina. Então, cada um que cuide de si.

O pai que deixar seu filho sair com a camisa do Palmeiras ou do Corinthians, ou de suas torcidas, no clássico de domingo é mais do que omisso. É cúmplice por tudo de ruim que vier a acontecer. Não só estádio. Principalmente, na ida e na volta até o Palestra. Depois não vá chorar, colocar a culpa no acaso.

Em 2014 houve 309.948 crimes na capital paulista. Um aumento de 20,5% em relação a 2013. Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública, admitindo que inúmeros de roubos, furtos, sequestros latrocínios e até mesmo assassinatos não foram registrados. Está cada vez mais perigoso andar pelas ruas. A Segurança Pública de São Paulo faliu há muito tempo...

(E a Federação Paulista acaba de ceder às ameaças do Ministério Público. Não quis ser processada e responsabilizada pelo que pudesse acontecer com os torcedores e policiais. O clássico entre Palmeiras e Corinthians só terá a torcida palmeirense. Houve bom senso. A decisão abre um precedente em São Paulo. Daqui por diante, os jogos entre times grandes talvez só tenham torcida da casa. E centenas de policiais a mais possam trabalhar nas ruas de São Paulo. Em vez de cuidar de membros de torcidas organizadas.

Diante da derrota da sociedade em proteger seus cidadãos, a decisão de hoje na sede da FPF foi mais do que acertada. Seria maravilhoso que os clássicos tivessem as duas torcidas. Nem divididas. Misturadas. Mas isso é para país civilizado. O que não é o caso ainda do Brasil. Aqui, nem duas torcidas separadas. Uma só. E está muito bom...)
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