Publicado em 18/02/2010 às 06h19
Muricy à beira da demissão no Palmeiras…

"Eu não tenho medo de porra nenhuma."
"A culpa não é da diretoria. Não vou falar quem é o culpado. Estou falando que a diretoria não é."
"O primeiro tempo do Palmeiras foi vergonhoso. Vergonhoso. Algo vai acontecer."
Muricy Ramalho.
O vice-presidente Gilberto Cipullo.
E o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo.
Logo após a vergonhosa goleada ontem para o São Caetano em pleno Palestra Itália.
O Palmeiras, jogando com seus titulares, perdeu por 4 a 1.
Assim que acabou o jogo, a grande questão era: quem vai embora hoje?
Muricy Ramalho ou o vice Gilberto Cipullo?
Tudo indicava ser o treinador.
O Palmeiras chegou ao fundo do fundo do poço.
A começar por Armero.
O jogador colombiano procurou Muricy antes da partida e pediu para não jogar porque estava inseguro.
Depois vem a indefinição tática da equipe.
O ex-treinador do São Paulo assumiu a equipe na terceira colocação do Brasileiro.
Pegou o cargo do interino Jorginho com a missão de fazer o Palmeiras campeão.
A equipe caiu drasticamente com Muricy.
E não conseguiu sequer a classificação para a Libertadores.
Depois houve as férias e a chance de montar a equipe do zero.
Os reforços da Traffic não vieram porque a empresa não quis gastar dinheiro com o Campeonato Paulista.
E a Copa do Brasil.
O sacrifício de não vender Diego Souza e Cleyton Xavier foi sua máxima colaboração.
Os jogos se sucederam e o Palmeiras continuou envergonhando o já desgastado Belluzzo.
As desculpas de Muricy Ramalho foram acabando.
E batiam no que todos sabem: a fonte secou.
Não há dinheiro para grandes contratações.
O pior é que o Palmeiras não demonstrou o menor padrão de jogo.
A torcida passou a cobrar.
Acabou a paciência.
E quem não tem personalidade forte começou a piorar ainda mais.
O exemplo de Armero é triste.
Ele é lateral da seleção colombiana, mas é inseguro como um juvenil.
Depois da saída de Vagner Love, a torcida rejeita Robert.
Diego Souza está irritadíssimo por não ter chance de ser convocado para a Copa e não ter parceiros à altura.
Cleyton Xavier some nos momentos em que o time mais precisa dele, como ontem.
O time está inseguro, triste.
Diante da certeira pergunta se o Palmeiras não tem mais alegria de jogar no Palestra Itália, diante da sua torcida, Danilo respondeu, irônico.
"Se falta alegria o melhor é contratar um palhaço."
Só que não há lugar para ironia.
Diante das vaias e protestos de 3.324 torcedores que enfrentaram até tempestade para ver o Palmeiras humilhado, Marcos respondeu.
"Eles estão mais do que certos. Vem até aqui e o Palmeiras perde por 4 a 1 para o São Caetano. Tem de vaiar mesmo."
Muricy disse que não tem jogadores para revezar como Mano Menezes e Ricardo Gomes.
E que o Palmeiras foi goleado pelo desgaste dos atletas.
Belluzzo disse que irá agir.
Qualquer presidente que ame o Palmeiras tem de tomar uma providência.
O clube não pode ser humilhado e decepcionar tanto os seus torcedores.
Precisa respeitar a sua história.
Se o clube foi por duas vezes chamado de academia agora tem futebol de jardim da infância.
Muricy foi contratado a peso de ouro.
Recebe cerca de R$ 400 mil.
Seu contrato termina no final do ano, quando acaba o mandato de Belluzzo.
A multa é de um salário.
O técnico já disse que não pedirá demissão.
Assim como Gilberto Cipullo, cuja cabeça também está sendo exigida.
Se o auxiliar Jorginho não estivesse cansado de ser a sombra de Muricy e tivesse ido para o Goiás, tudo seria mais fácil de ser resolvido.
Faltou visão a todos que comandam o futebol, já que a gestão Muricy está sendo uma enorme decepção.
Hoje Belluzzo terá de agir como presidente do Palmeiras.
E escolher um dos dois.
O Palmeiras precisa de um choque profundo, mudar o rumo das coisas.
A única tênue esperança de Muricy Ramalho vem do clube que lhe deu mais alegria na vida.
Sim, o adversário do Palmeiras é o São Paulo, domingo, no Palestra Itália.
Só por isso ele pode não ser demitido hoje.
Tudo vai depender de Belluzzo.
Nunca o presidente precisou tanto ir muito além de 'matar os bambis.'
Hoje Belluzzo precisa ser de fato o presidente do Palmeiras...
- Espalhe por aí:
- Imprimir:
- Envie por e-mail:
Publicado em 02/02/2010 às 12h49
Muricy Ramalho não merece ser um outdoor ambulante. É um desrespeito ao Palmeiras…

O departamento de marketing do Palmeiras está em festa.
Acredita haver inovado no mundo esportivo.
Depois de inúmeras reuniões conseguiu criar um plano de impressionar gênios da propaganda.
Há a chance de alguém filmar esse projeto para ganhar, fácil, o Leão de Ouro em Cannes.
Os dirigentes simplesmente transformaram Muricy Ramalho em painel ambulante.
Por R$ 1,3 milhões anuais ele estará com boné e camiseta azuis de uma seguradora.
Não vale a pena citar o nome neste modesto blog, já que terá visibilidade demais.
O treinador, constrangido, não teve como dizer não.
Ele sabe o quanto o Palmeiras tem problemas financeiros.
Precisa de reforços para montar um time que represente um clube tão glorioso.
Vai que uma parcela do que a seguradora está pagando não pode ajudar a trazer um meia canhoto?
Do tipo Douglas, que ele pediu, indicou e o Palmeiras perdeu por falta de recursos para o Grêmio?
Ou então faça o clube aumentar a proposta por Val Baiano, que até se ofendeu com tão pouco dinheiro oferecido...
Ironias à parte, o papel que Muricy está se sujeitando é ultrajante.
Ele tem uma carreira muito respeitosa.
É um dos maiores treinadores do País.
Sua imagem vale muito mais do ser um homem-sanduíche.
Qual a diferença de ostentar uma camiseta e um boné azuis bebê de um pobre aposentado na praça da Sé anunciando ouro?
O intuito é o mesmo.
Vender o produto anunciado.
Muricy tem uma missão nobre no mundo do futebol.
Ser o treinador do Palmeiras.
Único clube a ter a honra de ter vestido a camisa da Seleção Brasileira na inauguração do Mineirão.
Sucede Oswaldo Brandão, Luiz Felipe Scolari, Rubens Minelli, Telê Santana e tantos outros.
O apaixonado presidente Luiz Gonzaga Belluzzo deveria poupar o técnico do clube que tanto ama de passar por esse vexame.
Não há dinheiro que valha transformar o treinador palmeirense em um outdoor ambulante...
- Espalhe por aí:
- Imprimir:
- Envie por e-mail:
Publicado em 12/12/2009 às 19h36
Muricy, Love,Diego Souza e Cipullo ficam no Palmeiras e Fábio Costa com um pé e meio fora do Santos…
Bastaram duas horas na rádio Record.
O blog foi convidado e teve a possibilidade de participar de duas entrevistas exclusivas no programa.
E esclarecedoras.
Em questões chaves do Palmeiras e do Santos.
Na velocidade da rádio, vamos a elas.
O vice-presidente de futebol do Palmeiras, Gilberto Cipullo confirmou que Muricy Ramalho ficará no clube em 2010.
Foi a primeira entrevista dele depois do vexame palmeirense na fase final do Brasileiro.
O Muricy vai embora, Cipullo?
Não vai embora, não. Ele continua. É vontade do clube.
Nós da diretoria nos reunimos e conversamos muito durante a semana.
A nossa conclusão é que o trabalho do Muricy foi bom.
Por isso decidimos mantê-lo.
É um treinador vitorioso, que sempre teve resultados positivos pelas quais passou.
Conversamos com o Márcio (Rivellino, empresário) e com o Muricy anteontem e nada indica que ele vá sair do Palmeiras.
Ele deve permanecer à frente do clube.
Cipullo você é apontado por muita gente como uma das pessoas que querem o Muricy fora do Palmeiras. É verdade?
Isso não procede. Fizemos análise do trabalho. Claro que o resultado final não foi bom.
No geral, entendendo até as dificuldades do treinador por ter perdido jogadores importante e não ter sido quem montou o elenco, essa informação não tem procedência, não. Essa informação não tem procedência, não.
O dono da Traffic classificou o ano do Palmeiras como uma tragédia. Quais foram os principais erros?
As principais causas para o Palmeiras não ganhar o Brasileiro e a vaga para a Libertadores foram duas. A primeira foi a equipe perder a espinha dorsal da equipe no momento decisivo. (Ele se refere às contusões de Maurício Ramos, Pierre e Cleiton Xavier.) E também ao fato do Muricy estar acostumado a um sistema de jogo. Ele pegou o elenco que não foi montado por ele. Lideramos o Brasileiro pela maioria do campeonato não pode ser ruim.
Diego Souza e Vágner Love continuarão no clube?
Sim. O Diego Souza foi escolhido o melhor jogador do Brasileiro. Não podemos abrir mão desse jogador. Sei que há algumas manifestações contra a permanência dele (da torcida uniformizada). Mas elas são absurdas. E ele irá continuar. Assim como o Vagner. Para nós, ele ainda está em um período de adaptação. Ele está jogando há cinco anos de uma maneira na Europa e está se readaptando ao futebol brasileiro. Não teve pré-temporada. Tenho certeza que no próximo ano que dará a volta por cima.
Irá acontecer alguma mudança na diretoria? Você continua?
Depois da partida de domingo, eu coloquei o meu cargo à disposição do presidente. O trabalho no futebol foi bom, mas o resultado não veio. Eu o deixei à vontade. A pressão foi grande principalmente por parte da torcida uniformizada. A decisão é que vou continuar. Eu continuo. O diretor Gennaro Marino e o gerente de futebol Toninho Cecílio também. O que pode acontecer é a contratação de um membro a mais para a Comissão Técnica. Seria uma pessoa que trabalharia na área do futebol. (O nome mais cotado é o de Antônio Carlos que dirigiu o São Caetano no último Brasileiro da Série B.)
E a relação com a torcida organizada vai continuar a mesma? O Vagner Love apanhou e você foi pressionado pelos torcedores em Belo Horizonte...
Torcidas uniformizadas são uma realidade. Não adianta você negar. O clube tentou manter uma relação civilizada com eles. Tem até um diretor que cuida o relacionamento com as torcidas para manter um diálogo. Mas infelizmente, nós tivemos um comportamento lamentável da principal torcida uniformizada (a Mancha Alvi Verde). Na minha avaliação a relação tem de ser zero com esse tipo de torcida. Na reta final do campeonato, agressão aos jogadores, apredejamento de ônibus. Podemos ter problemas para trazer jogadores para o Palmeiras. Os que estão aqui ficam tensos. Na reta final do Brasileiro, depois de uma grande vitória contra o Atlético Mineiro, faltando dois dias para a partida decisiva contra o Botafogo, acontece uma agressão a um atleta. Durante os dois dias antes do jogo contra o Botafogo só se falou sobre a agressão ao Vagner Love. O foco foi desviado. A torcida atrapalhou muito o Palmeiras.
Agora o Santos. Com exclusiva da rádio com Dorival Júnior. Fomos de carona fazendo perguntas...
Dorival, todos sabem que o Fábio Costa é um líder no elenco santista. Tem uma influência muito grande em tudo. O que você fará com ele?
Antes do meu acerto com o Santos. A diretoria me colocou alguns fatos, algumas situações no clube. E me pediram que respeitasse o posicionamento da diretoria. Não tenho nada contra o Fábio. Muito pelo contrário. Acho fantástico. Bem treinado, focado é um grande goleiro. Por mim ele ser amigo do Vanderlei Luxemburgo não tem problema nenhum. Não tenho amizade muito estreita com o Vanderlei. O respeito profissionalmente. Não vejo nenhum problema em relação a isso. Mas a diretoria me passou algumas determinações antes de um possível acerto foram feitas. E eu vou respeitá-las. Eu gostaria que o pronunciamente fosse feito pelo Jamelli ou do presidente do clube. As vezes não é uma situação técnica que vai definir quem fica ou sai do clube. Todos os jogadores que não fiquem serão respeitados. O caso do Fábio foi discutido, mas será anunciado na posse da nova diretoria.
(O blog apurou que é enorme a possibilidade de, logo na posse, a nova diretoria anunciar que Fábio Costa deverá ser negociado. E empresários ligados ao Atlético Mineiro querem levá-lo para o time de Luxemburgo. Dorival não pôde fazer nada porque a decisão já estava tomada.)
- Espalhe por aí:
- Imprimir:
- Envie por e-mail:
Publicado em 08/12/2009 às 18h43
Muricy perto de se livrar de um incômodo no Palmeiras: Jorginho…

Muricy Ramalho tem muita chance de começar 2010 sem uma sombra incômoda.
Jorginho.
O seu fiel auxiliar teve a liberação da diretoria para conversar com representantes do Avaí.
Por indicação de Silas, Jorginho tem tudo para assumir o clube catarinense.
E dar o salto que desejava: se transformar em treinador em 2010.
O técnico do time B foi bem demais quando substituiu o demitido Vanderlei Luxemburgo.
Foram sete jogos.
Uma derrota. Uma derrota. Uma derrota.
Um empate.
Cinco vitórias.
Como a diretoria poderia mantê-lo se havia prometido contratar de qualquer maneira Muricy?
Além disso, havia a óbvia desconfiança que o time se dedicou tanto porque Jorginho seria mais fácil de manipular do que um treinador experiente, vivido.
E Jorginho voltou a ser auxiliar.
Os torcedores não o esqueceram.
E a cada mau momento do Palmeiras, e como houve maus momentos na reta final do Brasileiro, o nome de Jorginho era gritado pelos torcedores.
Gritavam como se fosse o pior palavrão, o mais doído para Muricy.
Jorginho foi ficando cada vez mais constrangido com a situação.
Mas, inteligente, sabia que seu trabalho havia sido reconhecido.
A mídia também colaborou.
Bastaram as poucas entrevistas que deu para ficar claro a maneira séria e humilde com que encara a profissão.
A fiel dedicação a Muricy também contou pontos para a cúpula do Avaí.
Na busca de um substituto de Silas, querem alguém com o perfil bem parecido.
Jorginho foi o escolhido deixando para trás Péricles Chamusca e Vagner Mancini, ambos viveram um ano decadente.
Já houve vários contatos telefônicos entre Jorginho e a cúpula do Avaí.
A definição deve acontecer entre h0je à noite e amanhã pela manhã.
Se houver o acerto será bom para as três partes.
Para Jorginho.
Para o Avaí.
E, principalmente, para Muricy Ramalho...
- Espalhe por aí:
- Imprimir:
- Envie por e-mail:
Publicado em 10/11/2009 às 15h41
Belluzzo, parte II. “Só falei em dar uns tapas na bunda do Simon… Não sou homem de comprar árbitros…”

Luiz Gonzaga Belluzzo.
Presidente do Palmeiras.
Ele entrou no noticiário.
E parece que não quer sair.
Suas ameaças a Simon desviaram o foco do fraquíssimo futebol do Palmeiras.
Das decepções com Diego Souza, Vagner Love e Muricy Ramalho na hora da decisão do Brasileiro.
Mas o que Belluzzo tem dito não pode ser desprezado.
Na noite de ontem, ele falou à vontade com a rádio paulista 97,7 FM.
E foi fundo.
Talvez até demais.
“Estou sendo cobrado por não trabalhar nos bastidores.
Mas eu não sou homem de comprar árbitros.”
Mergulhou mais ainda ao falar das ameaças de tapas em Simon.
“Não foi apologia à violência.
Só falei em dar tapas na bunda dele.
Fazer como a minha vó: dar um corretivo para aprender.
Uns tapas na bunda e só.”
Prometeu também que não buscará um segundo mandato como presidente do Palmeiras.
“Não quero outro mandato.
É preciso ter dois estômagos para trabalhar com o futebol.
Eu não tenho.”
Do outro lado do país, Simon confirmava esperar pelo processo por perdas e danos que Beluzzo jura que irá entrar contra ele.
E garantiu que o irá processar o presidente do Palmeiras por tê-lo chamado de vagabundo...
O STJD irá julgar Belluzzo pelas ofensas.
Essa briga vai longe...
Veja mais:
+ Belluzzo confirmou ofensas e diz que vai processar Carlos Eugênio Simon
+ Traffic e Palmeiras se distanciam
+ Presidente do Palmeiras diz que não protegerá Simon da ira dos torcedores
- Espalhe por aí:
- Imprimir:
- Envie por e-mail:
Publicado em 21/10/2009 às 09h00
A cobrança foi dura no Palmeiras. Muricy foi Muricy. E Marcos foi Marcos…
Palmeiras.
Líder do Brasileiro.
Quatro pontos à frente do Atlético Mineiro.
Jogo fundamental hoje contra o Santo André.
A cadeia de cobrança foi forte.
Começou na segunda-feira.
E teve o seu ápice ontem, longe da imprensa.
O presidente Belluzzo cobrou o departamento de futebol.
Lembrou que a Traffic tinha propostas para Diego Souza e por Cleiton Xavier.
Mas não os vendeu para fazer o Palmeiras campeão.
Muricy mostrou os erros de todos e foi claro: não quer mais a apatia de ninguém.
Se o jogador não mostrar empenho nestes oito últimos jogos vai sair.
“Seja quem for”, falou forte na concentração.
O treinador demonstrou toda a sua irritação com o time.
Repetiu várias vezes que ‘o título está na mãos’.
E que o ‘campeonato’ depende do Palmeiras e de nenhuma outra equipe.
Não mediu palavras e soltou vários palavrões.
Marcos não foi censurado pela cobrança pública ao time.
Pelo contrário.
Ele foi até incentivado na lavagem de roupa que o elenco fez ontem.
O goleiro falou à vontade.
E cobrou todo o time.
Inclusive se incluiu na brusca queda de rendimento.
Disse que quer mais do que ninguém ser campeão brasileiro.
Os jogadores também apoiaram e animaram Edmílson que marcou mal Petkovic.
Wendel, responsável pelo segundo gol do Flamengo.
E Vagner Love que perdeu o pênalti e estava cabisbaixo.
Os dirigentes da Traffic e o presidente Belluzzo querem outro comportamento de Diego Souza e Cleiton Xavier hoje à noite.
E eles sabem disso.
Chegou a hora da cobrança.
Nunca se falou tão sério no Palmeiras neste ano.
E nem Muricy foi tão Muricy.
A dura foi dada.
A resposta precisa ser dada hoje à noite.
E o time trocar a apatia pela raiva...
- Espalhe por aí:
- Imprimir:
- Envie por e-mail:
Publicado em 26/09/2009 às 19h11
“Se eu continuar a ganhar, a Seleção vai chegar”
Muricy Ramalho.
Tricampeão brasileiro.
Líder do campeonato nacional de 2009.
Entrevista exclusiva ao blog.
Em conversa franca, o treinador do Palmeiras deixa escapar uma convicção.
Não será um novo Rubens Minelli.
Bem explicado.
Ele adora e considera Minelli um dos melhores técnicos que passaram pelo Brasil.
Muricy acredita que não será tão injustiçado quanto Minelli na Seleção.
E mostra que agora tem condições de avaliar com consciência o que é trocar o São Paulo pelo Palmeiras.
Passou a dor de ter sido demitido do São Paulo?
Olha, não teve dor na demissão.
Eu sabia que tinha gente trabalhando, pedindo a minha demissão há muito tempo.
Pediam porque eram pessoas que não gostavam de mim e eu não gostava delas.
Eu gosto de pessoas que trabalhem e não fiquem no clube fazendo intrigas, fofocas.
Fiquei três anos e meio no São Paulo.
Conquistei três brasileiros, valorizei muitos jogadores e recusei inúmeras propostas para ganhar mais que o dobro.
Cumpri a minha missão.
Não tem dor. Vida de técnico é assim mesmo.
Muricy eu sei que você saiu do São Paulo com salários atrasados.
Só não falou publicamente por lealdade ao clube.
Foi uma coisa de momento, que aconteceu.
Não teve problema, depois me pagaram.
Eu não falei porque sou leal mesmo.
Não me afetou em nada.
Naquela hora se eu falasse só iria criar um problema desnecessário.
Sou muito leal ao clube pelo qual trabalho.
E tenho muito respeito ao Juvenal Juvêncio.
Esse sim sempre trabalhou a favor do São Paulo.
E me segurou o quanto pôde.
Foi preciso ter coragem aceitar trabalhar no rival Palmeiras?
Foi sim.
Eu fiquei muito preocupado pela maneira com que seria recebido.
Tinha ficado muito tempo no São Paulo.
Mas os dirigentes entenderam o meu jeito de trabalhar.
E a torcida também me aceitou logo de cara.
Foi ótimo.
Eu tinha preocupação em relação ao que iria encontrar depois que aceitei o Palmeiras.
Foi melhor do que havia imaginado.
Lá todos os dirigentes trabalham pelo clube.
Não estão preocupados em aparecer como, infelizmente, há gente no São Paulo.
É minoria, mas há pessoas assim no Morumbi.
Sorte que eles têm um grande presidente, o Juvenal.
O São Paulo é um clube elitista e o Palmeiras, mais passional, graças ao sangue italiano?
Vou deixar bem claro para ser bem entendido.
Nenhum clube é melhor do que o outro.
Eles são diferentes entre si.
E o que você colocou tem muito a ver.
O São Paulo é mais elitista mesmo e o Palmeiras mais passional, mais ‘italianão’.
E você teve de se dobrar à Traffic?
Não tem essa história de se dobrar.
Fui uma só vez à Traffic.
E eles foram claros: contratam jogadores jovens para que se valorizem no Palmeiras, são investidores.
Não tenho o que reclamar.
Pelo contrário, até.
Só agradecer pelo esforço que fizeram.
O Diego Souza e o Cleiton Xavier tinham propostas da Europa.
A Traffic não quis vendê-los no meio do ano.
O que foi ótimo para o time.
Por que o Palmeiras está fazendo tanto sucesso?
Qual a sua participação?
Porque tem um elenco qualificado.
Não está pronto: ainda é muito jovem, mas talento há de sobra.
Estamos conseguindo fazer uma ótima campanha por causa da qualidade do time.
O que estou fazendo é trabalhar todos os dias para o time se aprimorar.
Tive várias conversas com o Diego Souza.
Mostrei para ele que melhoraria se pensasse só em jogar futebol.
Não precisa dar uma de machão quando é provocado.
Basta jogar bola, ter o sangue mais frio.
Tomar cartão só prejudica a ele e ao time.
O Diego se controlou e logo vieram as convocações para a Seleção.
O nível dos jogadores do Palmeiras é muito bom.
Como você vê a chance de ser tetracampeão brasileiro seguido?
Te dá orgulho?
Muito. Porque este campeonato é difícil demais.
É longo. Exige planejamento, envolvimento do técnico e dos jogadores.
Ser tricampeão já é uma façanha.
Agora ter a chance do tetra é algo surpreendente.
Sinceramente, isso me dá até mais motivação que já tenho para trabalhar.
Pelo elenco do Palmeiras posso ficar animado, esperançoso.
Mas o segredo é trabalhar todos os dias.
Buscar jogo a jogo, ganhar as várias decisões que teremos até o jogo final.
Estou feliz demais com a vitória contra o Cruzeiro em pleno Mineirão.
O segredo para ganhar o Brasileiro é se manter na liderança o maior tempo possível, até a rodada decisiva.
O bom astral da liderança carrega o time.
Você é tão bom no Brasileiro.
Por que vai tão mal na Libertadores, nunca venceu uma...
Olha, eu não tenho nenhuma dificuldade em dizer o porquê.
A Libertadores não passa de uma grande loteria.
Não dá para fazer um planejamento mais profundo.
Com tantas partidas eliminatórias seguidas há sempre o risco.
Basta um frango do goleiro, uma expulsão, um erro do zagueiro, um pênalti na trave e acabou o planejamento.
Por isso times estranhos como a LDU, o Once Caldas são campeões.
E também repare que não há campeões seguidos.
Porque o torneio é uma grande loteria.
Talvez eu tenha a sorte de ganhar.
Mas não vou ficar frustrado se não vencer.
Você aceitaria trabalhar no Rio?
Hoje eu diria não.
Há clubes de muita tradição, torcida.
Mas eu tive uma longa conversa com o Celso de Barros, presidente da patrocinadora do Fluminense.
Ele me perguntou se eu gostaria de trabalhar no seu clube.
Eu disse que não.
Porque não há infraestrutura para um trabalho sério, forte.
O jogador precisa treinar de manhã, comer, descansar e voltar a treinar pela tarde no clube.
Não há nenhum clube carioca que siga essa rotina.
Tudo ainda é muito improvisado.
O resultado se vê na falta de conquistas.
Os clubes cariocas precisam se reciclar o mais rápido possível.
E a Seleção Brasileira?
O quadro está ficando mais claro.
Treinadores importantes perderam espaço.
Eu não tenho loucura para dirigir a Seleção.
Não vou morrer se nunca for o treinador.
Mas se eu continuar a trabalhar bem e ganhar títulos como estou fazendo, não vai ter jeito.
Terei a minha chance.
Hoje o treinador do Brasil é gaúcho, o Dunga.
O preparador físico é gaúcho, o Paulo Paixão.
Acabou o que aconteceu com o Minelli.
Não há mais o bairrismo, a CBF não coloca só cariocas comandando a Seleção.
Penso em Seleção, mas não agora, que o Dunga está ótimo e vai com todo direito à Copa.
Penso que no futuro terei minha chance.
É capaz de assumir uma campanha para trabalhar na Seleção?
De jeito nenhum.
Eu não sou marqueteiro.
Não sou de usar a imprensa para nada.
Não sei e não gosto dos holofotes.
Quando vou a um programa de televisão, só volto no ano seguinte.
Não sou lobista para nada,
Se as coisas tiverem de acontecer, ótimo.
Não vou pedir o lugar de ninguém.
Não sou como uns treinadores que ficam cobiçando, se oferecendo para trabalhar no lugar do outro.
E sou diferente.
Tenho caráter.
Você é um treinador do Palmeiras com coração de são-paulino?
Não.
Não sou são-paulino.
O tempo me ensinou que não há sentido torcer por uma equipe.
Eu torço para as pessoas que eu gosto.
Torço para os amigos.
Quero ver meus amigos felizes.
E pelo clube em que estou, tento fazer o que sei fazer de melhor: trabalhar.
O Palmeiras será campeão brasileiro?
Se será campeão, eu não sei.
Só tenho certeza, pode escrever aí.
Ninguém vai trabalhar mais do que nós por esse título.
Ninguém...
- Espalhe por aí:
- Imprimir:
- Envie por e-mail:











