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Sabella, Luxemburgo, Abel, Braga. O São Paulo está sem rumo. Não sabe quem contratar para o lugar de Muricy. Postura amadora, perdida da diretoria, acaba com a aura de clube diferenciado, moderno…

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O que André Villas-Boas, Vanderlei Luxemburgo, Alejandro Sabella, Abel Braga e Mano Menezes têm em comum? A falta total de rumo da diretoria do São Paulo. Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro não sabem quem contratar para o lugar de Muricy Ramalho. A cada instante, o presidente e o vice têm uma 'ideia brilhante'. Já acionaram empresários para sondar os treinadores, quem aceitaria assumir o mais rápido possível o clube. E pelo menor preço. Poucas vezes na história recente se viu o clube com dirigentes tão perdidos.

Muricy Ramalho tem diverticulite desde 2011, quando trabalhava no Santos. São quatro anos de tratamento paliativo. As pedras na vesícula apareceram no ano passado. A recomendação médica era a retirada dessas pedras para evitar que se pudesse se transformar em pancreatite, doença muito mais grave. As viagens, as noites mal dormidas, o stress são cúmplices para deixar o quadro perigoso para um paciente de 59 anos.

Aidar e Ataíde desprezaram o diagnóstico do treinador. Acreditaram na sua vontade de continuar e ponto final. Jogaram o futuro do São Paulo na Libertadores, torneio mais importante de 2015, nas mãos de um treinador doente. A incompetência fica maior porque sabiam que o grupo é problemático, formado por jogadores pouco competitivos, caríssimos, mimados. Até o auxiliar Tata, que completará 62 anos, já não mostrava tanto vigor para ajudar seu parceiro.

O presidente e o vice de futebol tiveram todas as férias para contratar um novo técnico. O contrato com Muricy, assinado até o final deste ano, não previa multa. Aidar não teve coragem de mexer com o treinador que foi vice campeão brasileiro. E que servia como escudo para a imprensa. Uma pessoa capaz de desviar o foco da guerra com Juvenal. Era só isso que a cúpula do clube queria enxergar.

Mas o futebol do time se deteriorou. Muricy não conseguia definir esquema, escalação. Nem fazer com que os atletas se comprometessem em campo. Até as amizades são superficiais. Não há cumplicidade, comprometimento. Tudo ficou agravado com a diretoria atrasando direito de imagem. E, erro maior, não pagando o prometido bônus da classificação para a Libertadores de 2015. Os atletas ficaram irritados, se sentiram enganados com o atraso.

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A saúde de Muricy acompanhava o ritmo do time. Piorou muito rápido. Até a demissão de ontem. Não houve comum acordo. Os dirigentes do São Paulo deixaram claro que ele deveria ir se cuidar. Mas, esperto, entendeu que sua presença se tornou mais do que dispensável. A derrota para o limitado Botafogo de Ribeirão foi a gota d'água.

Em janeiro, Muricy deixou de ser o técnico até o final de mandato de Aidar. O dirigente mudou a conversa e disse que ele cumpriria seu contrato até dezembro. Depois seria liberado para se operar. Um europeu, provavelmente, André Villas-Boas, entraria no seu lugar. E Muricy não voltaria. Mas os fracos resultados fizeram Aidar decidir tirar o treinador ontem.

O português Villas-Boas está muito bem empregado. Dirige o Zenit da Rússia. E seu time caminha para ser campeão nacional. Está recuperando sua imagem na Europa, depois do fracasso no Totenham. Só viria para o São Paulo se sua campanha com o Zenit também naufragasse. O que não foi o caso.

"Meu planejamento não existe mais", afirmou Ataíde, sem rumo. Ele queria de todas as maneiras segurar Muricy. Porque teme exatamente o que está acontecendo. Vaidoso, Aidar quer o nome de maior impacto possível para a mídia, para a torcida. Por isso deixou vazar que pode se encontrar com Alejandro Sabella, ex-treinador da Seleção Argentina. Ele foi vice campeão da Copa de 2014.

O presidente ficou entusiasmado ao saber que o técnico havia jogado no Grêmio e foi auxiliar de Daniel Passarella no Corinthians. Tem muita familiaridade com o futebol brasileiro, com o português. Bem ao contrário do que aconteceu com Gareca no Palmeiras. Mas o que fez Aidar quase dar cambalhotas foi o quanto ele recebia na Seleção Argentina. Trabalhou por três anos por lá recebendo R$ 400 mil mensais. Menos do que Tite, Abel e Mano recebiam no Brasil.

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Sabella quis descansar após o Mundial. Esperava ter um ano sabático e voltar a trabalhar no futebol europeu no meio deste ano. De acordo com a imprensa argentina, ele recebeu sondagens de equipes espanholas. Sua personalidade é forte, é um homem sério. Seu esquema tático exige jogadores comprometidos, vibrantes, intensos. Seria um choque para o acomodado time são paulino.

Ataíde ainda está tentando fazer valer o seu cargo. Ele não quer que o presidente contrate o técnico. E por isso tem pressa. Vazou de propósito o interesse por um treinador de ponta brasileiro. A princípio, seu preferido seria Abel Braga. O ex-treinador do Inter, campeão da Libertadores, está livre. Mas é caro, seu último salário no Beira-Rio, em 2014, era de R$ 700 mil. E ainda tem sondagem do futebol árabe.

Antes do previsível e também desempregado Mano Menezes, há Vanderlei Luxemburgo. O treinador que Juvenal Juvêncio havia jurado que nunca pisaria no Morumbi. "Ele não tem o perfil do São Paulo. Técnico no meu clube é técnico. Não manager, não vende ou compra jogador. Comigo, não", repetia Juvenal. Mas não é assim que pensa Ataíde. Ele gostou demais do renascimento do treinador no Flamengo. Elogia sempre que pode o seu trabalho para conselheiros no Morumbi. Repete que, desde que não o deixe tentar mandar no departamento de futebol, Luxemburgo seria ótima opção.

Midiático, o avô de 62 anos seria ótimo escudo. Desviaria o foco da imprensa com suas declarações estudadas para ganhar manchetes. O interesse é real.

Luxemburgo não se fez de rogado. "Se eu tiver proposta de alguém tenho direito de discutir a proposta. Aceitar ou não é outra história. Qualquer um de nós tem direito de discutir. O que não pode é passar por mercenarismo. É simplesmente profissionalismo", disse ontem no Sportv. Ou seja, seu 'projeto' na Gávea não é tão imutável, não. Empolgado, falou até em como fazer o problemático Ganso render.

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"Quando você tem um 10 como o Ganso, você tem que ter no meio jogadores que tenham dinâmica de acompanhar por trás o time, com boa qualidade, e dar liberdade para esse 10 encostar nos três da frente, por trás do atacante, para distribuir a jogada.". Vanderlei é o técnico que melhor sabe se vender no Brasil. Seu salário no Flamengo é de R$ 400 mil. Como ele estava em baixa, passou oito meses desempregado, renovou até dezembro sem aumento.

O também desempregado Paulo Roberto Falcão está sendo oferecido. Ele aceitaria um salário baixo para poder voltar a trabalhar. Há resistência porque seus últimos trabalhos como técnico foram péssimos.

Há ainda algo pior. A indefinição sobre a interinidade de Milton Cruz. Aidar e Ataíde não sabem se será bom deixar o auxiliar comandar o time nos mata-matas do Paulista e nos jogos decisivos da Libertadores. E preservar o novo treinador. Ou se já colocam o contratado no fogo, de uma vez. Vão deixar a decisão nas mãos do contratado. É muito amadorismo.

Há sim também uma decepção em relação à postura de Rogério Ceni. O líder dos jogadores lavou as mãos em relação a Muricy Ramalho. Nem o apoiou muito menos pediu a sua saída. Conseguiu decepcionar o ex-treinador e também a cúpula são paulina. Não exerceu foi ídolo participativo que todos esperavam. Por isso Aidar e Ataíde não querem se dar ao trabalho de consultá-lo na escolha do novo técnico.

O certo é que o São Paulo está perdendo tempo precioso. Jogando fora a competição mais desejada, valiosa de 2015. Atrasando direitos de imagem, premiação. Sem saber sequer o perfil do comandante do seu futebol. Foi além, acabou com sua aura de clube aristocrático, diferenciado, visionário.

Com seus comandantes sem rumo e ligados a torcidas organizadas. Cobrando ingressos caríssimos, espantando o torcedor comum, fazendo o clube perder apoio quando mais precisa. O clube se mostra tão amador, ultrapassado como qualquer outro deste país. Se nivelou por baixo...
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São Paulo renasce na Libertadores. Com coração, raiva. E chuveirinhos. Mais difícil que vencer o San Lorenzo, só a própria diretoria trabalhando contra. Ingressos caríssimos, atrasos de salários e Morumbi esburacado…

1getty5 São Paulo renasce na Libertadores. Com coração, raiva. E chuveirinhos. Mais difícil que vencer o San Lorenzo, só a própria diretoria trabalhando contra. Ingressos caríssimos, atrasos de salários e Morumbi esburacado...
O recado dado por Álvaro Pereira ao seus ex-companheiros prevaleceu. Foi a vergonha na cara e não o bom futebol que fez o São Paulo vencer o San Lorenzo. Os 'colhões'. O gol de Michel Bastos aos 44 minutos do segundo tempo não foi tramado, articulado. Ou nasceu de uma jogada espetacular. Pelo contrário, o time apelou para a velha estratégia de Muricy Ramalho, os nada imaginativos chuveirinhos na área. Como fez inúmeras vezes ontem. Só que, no finalzinho da partida, quando a torcida já vaiava e xingava, deu certo. Veio a obrigatória vitória por 1 a 0.

Muricy foi o principal responsável pelo resultado que deixa o time vivo no grupo da Morte. Soma agora seis pontos. É o segundo colocado, três pontos atrás do líder Corinthians. De maneira feia, mas efetiva, fez sua parte. Diante do muito bem organizado atual campeão da Libertadores, o São Paulo teve personalidade, vontade, raiva. Entrou para mostrar que estava em casa e não iria se submeter. Mesmo de maneira ortodoxa, sem grandes novidades estratégicas. Não foi na tática que São Paulo venceu, foi graças a um órgão que parecia ter perdido: o coração.

O time brasileiro se impôs desde os primeiros segundos, literalmente. Ao 25 segundos, Michel Bastos cabeceou na trave de Torrico. O ótimo cruzamento de Alexandre Pato custou a saída do atacante. Ele pisou em um buraco, no gramado que havia criticado desde o ano passado. A reforma feita às pressas não deu resultado. E, depois de torcer o tornozelo pelo buraco, teve de ser substituído aos 16 minutos. Entrou Centurión, ainda intimidado, mas dentro do espírito de luta, de competição.

Técnicos, jogadores, dirigentes e jornalistas costumam subestimar a inteligência, a consciência do torcedor. Afinal é a emoção e não a razão que costuma dominar seu raciocínio. Mas não há como negar que as vaias e palavrões direcionados a dois jogadores do próprio São Paulo tinham razão de ser: Carlinhos e Paulo Henrique Ganso.

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O lateral esquerdo se mostrou frio e inseguro. Complicando jogadas simples. Ofensivamente não tinha paciência, visão para tentar tabelas, infiltrações. Insistia nos chuveirinhos, quase que para se livrar da bola. Não vibrava, parecia que estava contaminado pelos insignificantes jogos do Campeonato Paulista. E não disputando a sobrevivência na Libertadores. No final, teve a chance da redenção, com o cruzamento que foi parar na cabeça de Michel Bastos, no salvador gol.

Mas Paulo Henrique Ganso não teve essa chance. O meia passou a partida toda submisso à marcação. Foi presa fácil do exagerado sistema defensivo de Edgardo Bauza, que respeitou demais os brasileiros. Com o meio de campo congestionado com cinco argentinos, o camisa 10 do São Paulo destoava dos companheiros. Lutar, disputar bolas com raiva, insistir, tentar o drible em direção ao gol, não faz parte do seu repertório.

Ganso foi se intimidando com a tensão da partida. Recuando para receber bola na intermediária do São Paulo, distante 60 metros do gol adversário, sem levar o mínimo perigo. Quando avançava, insistia em tentar lançamentos, passes onde haviam dez pernas fechando os espaços. Previsível, inseguro, improdutivo. Quando as vaias dos torcedores começaram a chegar aos seus ouvidos, passou a descontar reclamando do árbitro Wilmar Roldan.

Como castigo maior, Ganso foi substituído por Boschilia, aos 42 minutos do segundo tempo. Toda a frustração da torcida, que amargava até então o 0 a 0, veio à tona. Palavrões e vaias ao talentoso jogador que deveria ser a esperança e não outra vez a apatia.

"Não procuro escutar o torcedor, mas sim fazer o meu trabalho. Fiz o meu papel, dei o meu melhor e corri bastante", tentava se enganar após o jogo.

Mas o que deve ser destacado nesta vitória foi a superação, a raça do São Paulo. O time com um esquema simples, primário, conseguiu encurralar o San Lorenzo em seu campo. Teve um gol legítimo anulado de Centurión. Mas foi a velha jogada predileta de Muricy que deu resultado.

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Foi sua paixão pela bola área que deu três Brasileiros ao São Paulo, com ele no comando. O treinador fechou o treinamento de terça-feira para a imprensa. Nem tanto para confirmar Pato e Luís Fabiano na frente. Mas para treinar como um obcecado chuveirinhos, cruzamentos. Foi assim que Michel Bastos fez o gol desejado, suado o da imprescindível vitória. Porém ele mesmo havia acertado a trave, assim como Luís Fabiano. Em cabeçadas.

No 4-4-2, com os volantes Denílson e Souza adiantados, marcando forte a saída de bola argentina, empurrando o próprio meio de campo são paulino para o combate, Muricy dominou o jogo. Ofereceu espaço para contragolpes. Mas o San Lorenzo entrou preocupado demais em segurar o 0 a 0. Faltou ambição.

O resultado foi excelente para reanimar um time que começava a perder a confiança. Apesar da vitória por 4 a 0 contra o Danubio, a derrota por 2 a 0 contra o Corinthians era uma sombra grande, enorme. O São Paulo precisava se impor contra um adversário de respeito para se sentir revigorado, pronto para disputar a competição que mais cobiça.

 São Paulo renasce na Libertadores. Com coração, raiva. E chuveirinhos. Mais difícil que vencer o San Lorenzo, só a própria diretoria trabalhando contra. Ingressos caríssimos, atrasos de salários e Morumbi esburacado...

Se o time conseguiu cumprir sua obrigação, a diretoria do São Paulo continua sabotando a equipe. Na insana chantagem para formar legiões de sócios-torcedores, os preços dos ingressos para torcedores comuns continuam absurdos. R$ 120,00 era o mínimo. Mas havia ingressos de R$ 180,00, R$ 240,00 e R$ 300,00!

Resultado, pouco mais de 26 mil torcedores. Péssimo para a diretoria que sonhava com, no mínimo, 40 mil. Esta política de encurralar os próprios são paulinos, feita por Carlos Miguel Aidar, é um enorme tiro no pés. Consegue acabar com a tradição, com a paixão do torcedor que sempre lotava o Morumbi quando o clube disputava a Libertadores. É primária a necessidade de abaixar o preço dos ingressos, como imploram os conselheiros e mesmo membros da diretoria. Mas Carlos Miguel é vaidoso, não aceita.

Outra necessidade urgente é o presidente deixar o orgulho de lado. E entender que as queixas de Pato sobre o gramado do Morumbi são verdadeiras e merecem toda a atenção. Não só por ele ter atuado nos pisos perfeitos da Europa. Mas por ser inconcebível haver buracos, capazes de provocar torções em tornozelos avaliados em R$ 30 milhões e que custam R$ 400 mil mensais por atuar emprestados no São Paulo.

Não custa lembrar que a partida que valerá a vida para o clube na Libertadores será no Morumbi, dia 22 de abril, neste mesmo gramado.

Fora os salários que os próprios jogadores confirmam não ter sido pagos até agora. Desmentindo Aidar, que jurou estar tudo resolvido. Situação absurda.

Ou seja, o time de Muricy conseguiu fazer sua parte. No sufoco, no peito, na raça, venceu o jogo obrigatório. Está vivo na Libertadores. Recuperou a confiança. Mas a diretoria continua perdida, atrapalhando, e muito, a caminhada do São Paulo na competição mais desejada de 2015...
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Toda a revolta de Muricy contra Aidar. O técnico avisa que continuará amigo de Juvenal Juvêncio. E, se o presidente não o quiser mais, terá de mandá-lo embora. A crise no São Paulo não acaba…

1spfcnet Toda a revolta de Muricy contra Aidar. O técnico avisa que continuará amigo de Juvenal Juvêncio. E, se o presidente não o quiser mais, terá de mandá lo embora. A crise no São Paulo não acaba...
"Tem pessoas que querem fazer o torcedor pensar diferente. Mas estou há muitos anos aqui e conheço tudo. É difícil fazer a cabeça da torcida do São Paulo. Eles gostam de mim. As pessoas tentam, mas estou atento a tudo isso aí. Estou ligado. A gente tem de ser mais São Paulo. Eu incomodo mesmo. O que me interessa é o São Paulo em primeiro lugar. Se me quiser fora, tem de mandar embora. É simples.

"Eu falo com quem eu quiser. Isso não existe. Não agrado ninguém. Vou sair daqui agora e vou para o meio do mato (Ibiúna, cidade do interior paulista, onde tem sítio). Não vou jantar com ninguém. E ninguém me proíbe de nada. O negócio é trabalhar duro, sendo sério e honesto.

"No Brasil está ruim para ser correto. Sofro com isso faz tempo e agora mais. Sei como é isso. Trabalhei muitos anos com o Juvenal e gosto dele. A vida é minha e falo com quem eu quiser. Se tiver insatisfeito, eu vou embora e tudo bem. Mas comigo, não. Sou sério para caramba e vou continuar sendo correto.

"(Depois da derrota para o Corinthians) Quer que faça o quê? Me mate? Dê um tiro na cabeça ?

"Tem muita gente fraca e que não sabe nada no futebol brasileiro, e isso atrapalha. Mas eu repito. Se me quiser fora, tem de me mandar embora."

Muricy fez um discurso duríssimo hoje no Morumbi. Suas palavras duras tinha um alvo. Carlos Miguel Aidar. O treinador já detectou que ele deseja a sua saída. Não só pelas incoerências, pelas nove escalações diferentes em nove partidas de 2015. Pela derrota contra o Corinthians na Libertadores. Nem se importava com os 4 a 0 sobre o Audax.

O treinador recebeu informações que Aidar o quer longe do São Paulo por causa de sua ligação afetiva a Juvenal Juvêncio. Os dois sempre foram muito amigos. E continuam sendo depois da batalha repleta de ódio entre o ex-presidente e o atual.

Aidar mandou embora da diretoria todas as pessoas ligadas a Juvenal. Ou as fez renunciar. Preservou Muricy. Até porque ele é adorado por grande parte da torcida, dos conselheiros, da diretoria. Carlos Miguel esperava uma aproximação do técnico e o afastamento natural do ex-presidente, a quem odeia. Mas isso não aconteceu.

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Nos bastidores, o técnico avisou que não vai se envolver. Continua muito próximo de Juvenal. Há quem garanta que os dois ainda conversam, apesar da crise política que insiste em não sair do Morumbi. Aidar não gostou nada disso.

A relação entre Muricy e o atual presidente não é nada boa. O treinador ficou muito irritado ao ser cobrado pelo dirigente pelas rádios. Ele avisou que havia contratado os jogadores que ele tanto queria. E a resposta deveria vir em títulos.

"Está devendo essa para gente. Nós montamos o time que ele quis. Ainda quer um jogadorzinho, mas com o que tem agora ele precisa ganhar. Quem vai cobrar publicamente dele sou eu. Não é mais ele que cobra da diretoria." O vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, também avisou que cobrou Muricy, por suas reclamações de elenco pequeno.

"Sentamos para conversar, mostrei o calendário e os momentos em que duas competições vão coincidir. Primeiro, será o Paulista com a Libertadores. Depois, a Libertadores com o Brasileiro. No segundo semestre, será a vez do Brasileiro com a Copa do Brasil. Disse que estaria montando um elenco para isso e que não aceitaria mais que ele reclamasse."

O tratamento dado por Aidar e Ataíde foi completamente diferente do que o treinador recebia de Juvenal. Tudo ficou muito pior depois da partida de quarta-feira contra o Corinthians. Ele acompanhou a íntima relação entre Aidar e a cúpula da principal organizada do clube, a Independente. A conversa dele com Ricardo Alves de Maia, o Negão, foi a prova. Quando ele avisou que pagaria 50 ônibus para os torcedores irem ao Itaquerão acompanhar o clássico. Aidar convenceu ainda Andrés Sanchez a pagar metade dos R$ 40 mil gastos com o transporte.

Muricy ficou tenso ao saber da postura dos torcedores após a derrota por 2 a 0. Na sua página oficial no facebook, a Independente pedia que fosse embora, deixasse o São Paulo. Que o técnico tratasse de pescar no seu sítio. Ainda pedia Vanderlei Luxemburgo no seu lugar.

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Tudo ficou muito estranho porque essa manifestação dos torcedores organizados ganhou enorme repercussão no São Paulo. Ainda mais depois de exposta a íntima relação que a Independente tem com Aidar. Pessoas ligadas a Muricy viram como um recado do presidente.

O que era ruim ficou ainda pior quando Paulo Henrique Ganso procurou o treinador. E disse que não teria 'cabeça' para jogar contra o Audax. Estava muito tenso por ter dito que o árbitro Ricardo Marques Ribeiro teria 'roubado' o São Paulo diante do Corinthians. Ganso soube que será processado pelo juiz. E preferia não atuar hoje. Muricy concordou. Conselheiros e membros da diretoria ficaram revoltados com a passividade do técnico. As reclamações chegaram aos seus ouvidos também.

Ou seja, Muricy está muito ressentido. Irritado com a falta de apoio de Aidar. Por isso fez questão de avisar. Não pedirá demissão do São Paulo. Se o presidente quiser o demita. E mais: continuará sendo amigo de Juvenal Juvêncio, queira Carlos Miguel ou não.

A situação no Morumbi não melhorou após a vitória diante do limitado Audax. Pelo contrário. Só expôs o quanto há de ressentimento entre o treinador e o presidente do São Paulo. O futuro dos dois juntos dependerá do que o São Paulo fizer na Libertadores. Há muito tempo a imunidade de Muricy acabou junto a Aidar.

E por coincidência, lógico, o nome de Vanderlei Luxemburgo, lembrado pela organizada passou a crescer no Morumbi. Justo o local onde Juvenal Juvêncio garantiu que o técnico nunca pisaria. O ex-presidente jurava que o São Paulo seria o time que ele jamais comandaria. Só que as coisas mudaram demais desde a volta de Carlos Miguel...

(Recebo mensagem do procurador de Ganso, Giuseppe Dioguardi. Ele afirma que o meia não jogou ontem por dores musculares. Embora não seja essa a versão que correu no Morumbi. Desde sexta-feira, se comenta sobre o meia não querer atuar por estar perturbado psicologicamente após a derrota para o Corinthians. Mas a versão de Dioguardi está publicada...)
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Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy…

1fotoarena Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy...
Há um clima de muita preocupação no São Paulo. Dirigentes, conselheiros não falam sobre outra coisa. Até o confronto de egos entre Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio fica em segundo plano. A grande preocupação é a apatia do São Paulo diante do Santos. Se não fosse a atuação excepcional de Rogério Ceni, o time poderia até sair goleado da Vila Belmiro. O medo é o que Muricy Ramalho vai fazer para o clássico contra o Corinthians, na Libertadores, quarta-feira no Itaquerão.

Há o que fazer para surpreender e ganhar do favorito e empolgado time de Tite, atuando em casa? Vai depender de Muricy. O treinador, que tem se mostrado apático, preocupado depois do segundo ataque de diverticulite, precisa reagir. Ele continua contido, diferente do que sempre foi. Tenso tanto pela saúde quanto a Libertadores.

O treinador sabe, já foi cobrado publicamente por Carlos Miguel. O São Paulo precisa do título da competição. Ao menos fazer uma excelente campanha. O dirigente está fazendo o máximo para fechar o contrato de patrocinador master. Está difícil encontrar uma empresa disposta a colocar mais de R$ 25 milhões no peito do uniforme tricolor. Além da crise internacional, recessão, as últimas campanhas não animam. Por mais que o treinador venha repetindo que conseguiu o vice campeonato brasileiro, isso não convence publicitários.

Cair na primeira fase, no grupo da Morte, com Corinthians e San Lorenzo encerraria o objetivo do São Paulo em 2015. Seria um vexame de enormes pretensões no Morumbi. Com a primeira consequência no questionamento constante em relação a Muricy Ramalho.

O presidente deu ao técnico as duas peças que faltava. Um zagueiro canhoto, Dória. E um atacante velocista e bem mais inteligente que Osvaldo, Centurión. Agora não há mais desculpas para que monte a equipe forte, moderna, corajosa capaz de lutar pelo título da Libertadores.

Mas não é por acaso que os conselheiros estão apavorados. O que o time jogou, principalmente no segundo tempo contra o Santos, foi assustador. Ainda mais quando o técnico deixou claro que seria um teste para o clássico diante dos corintianos.

Rogério Ceni, Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denilson, Souza, Ganso e Michel Bastos; Ewandro (Pato) e Luis Fabiano. Esqueça as peças individuais. Mas a maneira que o São Paulo atuou. Mesmo diante do sufoco do leve time santista, Muricy deixou seu time estático taticamente. Distribuído no 4-4-2 ortodoxo. O que só facilitou o trabalho de Enderson Moreira.

Denilson e Souza eram os únicos a se desdobrarem na marcação. Michel Bastos correu enquanto teve pernas. Ganso fez sombra. O garoto Ewandro mostrou o quanto está verde. E Luís Fabiano sabe que se correr atrás de volantes, não tem explosão muscular na hora de definir. Os 34 anos pesam. Mas ele é o único atacante de personalidade no Morumbi. Não há como atuar sem ele. Com o adendo que Pato é emprestado pelo Corinthians, não poderá enfrentar a equipe dona dos seus direitos.

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Muricy sabe que o seu 4-4-2 está decorado. Virou primário diante da vertente moderna, empolgante que Tite conseguiu levar ao 4-1-4-1. Com movimentação intensa do seu meio de campo. Tanto para atacar como para defender: agrupado, com os atletas atacando e defendendo em bloco. Com a intensidade europeia que tanto se apaixonou. Sua fonte inspiradora é o Real Madrid de Carlo Ancelotti.

Há saída tática para o São Paulo surpreender e sair com uma inesperada vitória do Itaquerão? Há. Ela passa por uma revolução não treinada por Muricy. Primeiro o treinador tem de rezar para que Dória esteja bem. O ex-zagueiro do Botafogo desde setembro do ano passado não atua. Contratado pelo Olympique de Marselle sem a autorização do treinador Marcelo Bielsa, ele não jogou. Não ficava nem na reserva do time principal. Atuava no Olympique B. Sem grande destaque.

1agenciasaopaulo Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy...

A saída para o São Paulo pode estar na adotação do esquema que consagrou Muricy no Morumbi. O 3-5-2. Entrar com com três zagueiros: Rafael Toloi, Lucão ou Edson Silva e Doria; Bruno, Denílson, Souza, Ganso e Michel Bastos; na frente, Centurión e Luís Fabiano. Com a possibilidade de Thiago Mendes entrar no lugar de Denílson. Melhorando a saída de bola, deixando o time mais leve, mais ágil.

Seria uma surpresa e tanto para Tite. O São Paulo estaria muito mais firme, compacto, menos espaçado no meio de campo. Mais seguro sem ser covarde taticamente. Poderá quebrar a espinha dorsal corintiana, com cinco jogadores espalhados pela intermediária. Protegendo a zaga e ajudando nos contragolpes.

Muricy fechará os treinos para o clássico. Tem como aprontar essa revolução. O tempo será curto. Mas seu elenco oferece a oportunidade da surpresa, de alteração profunda no fraco desempenho contra o Santos. A modernidade estaria no passado. E sem violentar a maneira com que os jogadores costumam atuar.

O que o São Paulo precisaria para apelar a esta postura é o que vem decepcionado. Preparo físico. Os jogadores parecem cansados, pesados demais nos segundos tempo das partidas de 2015. José Mário Campeiz repete que o problema está na pré-temporada puxada que o time realizou. E que só aos poucos os atletas estarão pronto. Só que não há esse tempo. A resposta precisa ser imediata. A previsão do preparador é que, quando a Libertadores começasse, o time estaria muito bem. Resta esperar por quarta-feira.

Ou seja, Muricy tem jogadores nas mãos para enfrentar o Corinthians. Há soluções que estão ao seu alcance. O que ele precisa é trabalhar forte, passar confiança, ânimo. Não deixar para Rogério Ceni ir além do que já costuma fazer. Cada vez mais aumenta a participação do goleiro nos vestiários. Só que escalar, mudar esquema tático ainda não estão ao seu alcance.

2ae5 Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy...

A missão cabe a Muricy. O treinador que salvou o São Paulo do caminho para o rebaixamento em 2013. Conquistou três Campeonatos Brasileiros. Mas estas conquistas ficaram para trás. O desejo da diretoria é a conquista do torneio cuja eliminação o derrubou em 2009.

Ele entra já em xeque na primeira partida. O clássico contra o favorito e moderno Corinthians de Tite. Muricy pediu e tem o elenco que desejava nas mãos. Agora é hora de mostrar se ainda merece a confiança não só de Carlos Miguel, mas de todos os são paulinos.

Se soube capitalizar a frase 'aqui é trabalho, meu filho', chegou a hora de Muricy esquecer a amaldiçoada diverticulite, abandonar as recomendações médicas para não se estressar. Ele precisa arregaçar as mangas e trabalhar como nos bons tempo. Orientar, cobrar, xingar, praguejar, mas montar o São Paulo competitivo, vibrante, inteligente.

Vivido ou,'puta velha' como gosta de falar entre amigos, Muricy sabe o peso que terá o jogo contra o Corinthians. Começar a estar em jogo não só a sobrevivência do São Paulo na Libertadores. Mas a sua própria no Morumbi. Um fracasso no torneio mais desejado pode mudar o seu destino. Até porque Abel Braga e Cuca são nomes que agradam a diretoria há muito tempo...
3ae7 Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy...

Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta-Feira de Cinzas promete ser inesquecível…

 Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta Feira de Cinzas promete ser inesquecível...
Pela primeira vez na história, Corinthians e São Paulo se enfrentam em uma Libertadores da América. Com o empate frio, calculista, de ontem diante do Once Caldas, na Colômbia, o time de Tite selou sua classificação. Se livrou do trauma Tolima. Está no Grupo da Morte.

Há duas vagas para serem disputadas, teoricamente, entre três equipes poderosas. Os dois rivais paulistas e mais o atual campeão da competição, o argentino San Lorenzo. Para complicar mais as coisas, o competitivo Danubio uruguaio.

Para deixar tudo ainda mais emocionante, o primeiro jogo deste grupo 2 é exatamente o clássico. Na próxima quarta-feira, no Itaquerão. Uma partida de altíssimo risco de confronto entre os torcedores, de acordo com a definição do Ministério Público e Polícia Militar. Com 95% dos ingressos aos corintianos e 5% restantes que a diretoria são paulina deverá destinar à suas organizadas. A divisão deverá ser exatamente inversa no jogo de volta, no dia 22 de abril, no Morumbi.

A violência já foi e será muito comentada até o confronto. Agora vale a pena detalhar como os dois rivais chegam para o jogo. Embora esteja no início de temporada, o Corinthians de Tite se mostra muito mais pronto. Com mais potencial para conseguir a obrigatória vitória em casa. Mesmo sem poder escalar Guerrero, suspenso por três partidas pela Conmebol. Sua expulsão contra o Once Caldas foi considerada agressão.

Tite está na frente de Muricy. Já conseguiu dar um padrão tático competitivo, firme, seguro ao time. Com a participação efetiva de todos os jogadores importantes que estão no Parque São Jorge. Seu ano sabático serviu para consolidar seu esquema 4-1-4-1. Com variações táticas durante o jogo. Está conseguindo impor o que tanto sonhava: adaptar a intensidade europeia aos brasileiros.

O Corinthians busca atacar e defender em bloco, com todos os jogadores próximos, trocando passes em velocidade. Ele percebeu que o grande erro em 2013, ano decepcionante, após as conquistas da Libertadores e Mundial em 2012, foi a lentidão do time. Isso acontecia pelo distanciamento da defesa, meio de campo e ataque. A equipe se tornou previsível, fácil de marcar. E sucumbiu, a ponto de Tite ser dispensado.

O técnico queria muito a sua revanche pessoal. Sem a sonhada Seleção, o retorno 'para casa' foi sua opção. No desequilibrado Corinthians de Mano Menezes, o principal erro de 2014, estava em adiantar Ralf. Ele não tem e nunca terá habilidade para atuar com eficiência longe de sua grande área. Nasceu para ser protetor dos zagueiros. É o que voltou a fazer, para equilíbrio do time.

A movimentação incessante de Elias, Renato Augusto, Jadson e Sheik. Aí está o segredo corintiano. O poder do quarteto tanto para defender como atacar é algo raro no território nacional. Sabendo ter cobertura, Elias pode sair jogando de cabeça erguida, tabelar e ser o elemento surpresa na área adversária. Como no gol que marcou ontem contra os colombianos. O esquema de Tite é responsável pela volta do que precisa para ser decisivo, a confiança.

1reproducao14 Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta Feira de Cinzas promete ser inesquecível...

Renato Augusto está livre do martírio de suas contusões musculares. Jogador hábil, inteligente, com potencial ofensivo interessante, ele é o toque de inteligência do meio para a frente. Mais a dedicação na marcação da intermediária. Jadson está tentando agarrar com unhas e dentes a oportunidade que não pensou que teria no Corinthians. Já tinha até acertado salários com o Flamengo. Tite o tem cobrado vibração para não só armar, mas para assumir a responsabilidade de toda a intermediária direita. Ofensiva e defensiva. Agora não se limita apenas a bater faltas, escanteios e tentar tabelas e lançamentos. Participa muito mais do jogo, marcando quando é preciso.

1gazetapress Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta Feira de Cinzas promete ser inesquecível...

Sheik tem o lado esquerdo, que tanto gosta, para mostrar o que é capaz. Aos 36 anos, ele surpreendeu muita gente no próprio Parque São Jorge. Tite não aceitou dispensá-lo, como o ex-presidente Mario Gobbi queria. Pelo contrário. O fez o coração do time. Teve uma conversa franca e exigiu dele sua vibração, seu envolvimento de 2012. O jogador, no Botafogo, comeu o pão que o diabo amassou. Percebeu o que tinha nas mãos no Corinthians. E está dando o sangue e o que tem de fôlego para partir para cima dos zagueiros, tabelar, chutar a gol. Além ajudar a fechar a defesa, com carrinhos e muita luta.

Esses quatro têm liberado Fagner e Fábio Santos. Os laterais podem apoiar, até ao mesmo tempo, sabendo que existe cobertura. O que não acontecia com Mano Menezes.

Na frente deste quarteto, deveria estar o efetivo Guerrero. Mas muito irritadiço por não ter renovado contrato, se descontrolou e foi expulso contra o Once Caldas. Pagará três jogos de suspensão. Tite vai levar como dúvida esse homem que deverá atuar mais à frente contra o São Paulo. A versatilidade de Danilo sai na frente. Mas terá concorrência de Vagner Love, o velocista Mendoza ou até o jovem Malcom.

Uma situação já está definida, o Corinthians assume a postura ofensiva. Com a pressão de seus torcedores lotando o Itaquerão, partirá convicto, assumindo como obrigatória a vitória no primeiro jogo do grupo da Morte.

Nem sem sob tortura, Muricy assumirá que o empate seria ótimo ao São Paulo. O treinador ainda testará, para valer, Centurión e Dória contra o Bragantino, sábado. O time tem problemas graves táticos. Contra o Santos ontem foi massacrado. Foi envolvido com facilidade. Seu poder de marcação é fraco demais. Sofreu 19 finalizações do time em formação que Enderson Moreira tem nas mãos. Rogério Ceni teve uma atuação sensacional e evitou a derrota.

O São Paulo tem mostrado muita lentidão na recomposição de seus jogadores quando é atacado. Não há muita versatilidade no esquema tático. O 4-4-2 perdura durante a maior parte das partidas. Tudo é mais estático. Denílson e Souza marcam forte nas intermediárias. Michel Bastos é a opção tanto nos contragolpes e na compactação nos contragolpes. Ganso é o elo entre o meio e o ataque. Continua instável, imprevisível. Com vários momentos de apatia durante os jogos. E raros lances de genialidade.

Na frente, Muricy quer a correria de Centurión. Dependendo do que render no sábado, enfrenta o Corinthians. E o veterano Luis Fabiano na frente. Atuando cada vez mais no carisma do que no potencial. O São Paulo tem problemas graves. Seus laterais Bruno e Reinaldo ou Carlinhos são fracos, inseguros. Assim como seu miolo de zaga. Por isso o desespero do treinador em encaixar Dória, provavelmente ao lado de Rafael Toloi.

Não será surpresa, se Muricy colocar Maicon para ajudar na marcação no meio de campo, caso o jovem argentino Centurión não consiga render.

O Corinthians é favorito no clássico da próxima quarta-feira. Tem o time mais arrumado, pronto, confiante. Mas a tradição, o poder de superação do São Paulo não pode ser desprezado. Logo após conseguir a classificação na Pré-Libertadores, Tite foi feliz demais ao definir o confronto.

"Vou tentar resumir: dois campeões mundiais. Isso é muito, é orgulho para duas equipes, duas torcidas. Que seja um espetáculo dentro de campo, sem violência, por favor. Tem tantas famílias para torcer. Eu não gostaria que no noticiário estivesse a violência em um clássico com dois campeões mundiais."

Os jornalistas também gostariam de não tocar no assunto, Tite. E só falar da beleza do clássico. Dependerá da competência e da coragem das autoridades para enfrentar os vândalos infiltrados nas organizadas corintianas e são paulinas...
2ae4 Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta Feira de Cinzas promete ser inesquecível...

O maior inimigo do São Paulo na Libertadores. Não é o Corinthians. Nem o San Lorenzo. Ele tem nome e sobrenome. Carlos Miguel Aidar…

4ae3 O maior inimigo do São Paulo na Libertadores. Não é o Corinthians. Nem o San Lorenzo. Ele tem nome e sobrenome. Carlos Miguel Aidar...
"O Muricy tem contrato até dezembro de 2015. Nós vamos ser campeões com ele. Está devendo essa para gente. Nós montamos o time que ele quis. Ainda quer um jogadorzinho, mas com o que tem agora ele precisa ganhar. Quem vai cobrar publicamente dele sou eu. Não é mais ele que cobra da diretoria."

Como havia publicado no blog ainda no ano passado, Carlos Miguel Aidar iria cobrar Muricy Ramalho. Em 2015, o dirigente exigiria um título. Havia avisado a conselheiros influentes no Morumbi. Mas o que ninguém esperava era que o presidente iria usar a imprensa para pressionar o técnico por resultados. Não dessa maneira agressiva, provocativa.

E logo depois do treinador deixar o hospital, internado com diverticulite. O que não deveria impressionar muito, já que o dirigente resolveu comprar uma batalha pesada Juvenal Juvêncio. Pouco se importando que o septuagenário ex-presidente esteja em pleno tratamento de câncer na próstata. Muitas vezes saiu do hospital para fazer campanha para Aidar.

Em vez de um 'jogadorzinho', Aidar acertou com dois. O atacante argentino Centurión. E o zagueiro Dória, do Olympique, por empréstimo. O que lhe deu mais firmeza em seguir exigindo título.

Muricy está inconformado com a situação. De uma hora para outra, ele deixou de ser o treinador que o presidente garantia que ficaria até o último dia de seu mandato. O técnico tem certeza que essa cobrança trouxe uma carga desnecessária ao time. A torcida está indo às primeiras partidas de 2015 já exigindo um grande futebol. E quando ele não vem, as reclamações e vaias surgem.

Maicon foi alvo ontem no Pacaembu de perseguição por parte dos torcedores. Foi só errar alguns passes seguidos contra o Capivariano e as vaias e palavrões vieram, sem dó. Bastava a bola chegar aos seus pés e vinham os apupos. De maneira surpreendente, o jogador desabafou após o jogo.

"Trabalho sério todos os dias. Acertei a trave, dei assistência, ajudei a marcar. O que mais querem? Só Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar driblam todo mundo e fazem o gol. Eu não sou craque, mas um bom jogador. Se não jogar aqui, jogo em qualquer lugar.

"Estou aqui há três anos. E é sempre a mesma coisa. Maicon é culpado de tudo. Tudo o que acontece de errado é o Maicon. Estou puto e de saco cheio."

1reproducao5 O maior inimigo do São Paulo na Libertadores. Não é o Corinthians. Nem o San Lorenzo. Ele tem nome e sobrenome. Carlos Miguel Aidar...

O desabafo do jogador só não foi ainda maior porque Rogério Ceni o abraçou e impediu que falasse mais. Muricy fez questão de apoiar publicamente o meia. Ele viu nitidamente que o comportamento dos torcedores é um reflexo das cobranças por título de Carlos Miguel Aidar.

Daí a sua raiva na coletiva, na goleada por 4 a 2 contra o Capivariano.

"Já vi tudo no futebol. Agora, você se pressionar, nunca tinha visto. A gente está se pressionando. Não é a torcida, não. É um negócio chato, não agrega nada, não ajuda em nada. Acabamos em segundo lugar no Brasileiro do ano passado.

"Estou há 40 anos no futebol. Este é o meu forte. Vocês (da imprensa) tinham de ver como estava o São Paulo há um ano e meio. Era um desastre quando eu cheguei, olhe como está. Tem disciplina, boa postura, um time que não precisa nem concentrar. Ninguém precisa me falar o que tenho que fazer. Essa pressão não agrega nada."

As palavras de Muricy foram parar nos ouvidos de Carlos Miguel. Ele acionou seu vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro. Não quer mais o treinador rebatendo as palavras do presidente pela imprensa. Acabou. Se quiser, que vá reclamar com ele, na presidência.

Gil Guerreiro também não está feliz. Sabe que o 'ninguém precisa me falar o que tenho para fazer" de Muricy foi destinado a ele. O vice disse que Muricy deveria zelar pelo bom ambiente no clube com um elenco com várias opções. Principalmente ofensivas.

O clima do São Paulo a duas semanas do clube na Libertadores é pesado. E deve ficar ainda mais tenso. Porque o primeiro rival na competição sul-americana deverá o Corinthians, no Itaquerão, na quarta-feira de Cinzas. O time de Tite venceu por 4 a 0 o Once Caldas ontem.

Confirmando a classificação, o grupo de Andrés Sanchez espera com água na boca pela vinda de Aidar a Itaquera. Ainda o jogo valendo pela Libertadores. O presidente são paulino classificou Andrés de 'mestre de obra do estádio' e garantiu que o Itaquerão é 'longe de tudo'.

Aidar sonha com a conquista da Libertadores. E se acha no direito de pressionar Muricy por títulos. Acredita apenas estar devolvendo a cobrança por reforços do técnico. Ele tem todo o direito. É presidente do São Paulo. Mas precisa ter noção da realidade. Não há motivo algum para soltar farpas contra o técnico via imprensa. Sem perceber, instiga a torcida contra jogadores como Maicon.

2ae1 O maior inimigo do São Paulo na Libertadores. Não é o Corinthians. Nem o San Lorenzo. Ele tem nome e sobrenome. Carlos Miguel Aidar...

Carlos Miguel voltou ao futebol sonhando em ser o líder do futebol brasileiro. Comandar uma mudança profunda na estrutura do esporte. Repetir o que fez em 1987, quando foi um dos fundadores do Clube dos 13, que pretendia ser o berço de uma Liga Independente da CBF. O que não deu certo.

O presidente do São Paulo pretende criar a Liga Independente da CBF agora, 28 anos depois. Sabe que precisava ter o apoio dos grandes clubes. Mas os presidentes do Palmeiras, Cruzeiro e Santos não querem nem ouvir falar seu nome. A relação é péssima.

Mesmo no Morumbi, seus projetos estão fracassando. A reforma do Morumbi já foi engavetada. A crise com Juvenal é interminável. Acaba de perder o patrocínio master da Crefisa para o Palmeiras. A comissão de 20% que daria para a sua namorada, se o São Paulo acertasse patrocínio de material esportivo com a Puma. Essa revelação o desgastou demais politicamente no Morumbi. Assim como implorar publicamente para que milionários, como Vinicius Pinotti, emprestem dinheiro para o clube contratar jogadores.

Agora resolve peitar Muricy. E transforma em um inferno o ambiente no time do São Paulo. A irritação de Muricy se espalhou. Assim como a tensão de Maicon. Foi o efeito cascata. O presidente, homem que deveria trazer confiança, paz e tranquilidade ao time, conseguiu implodir o grupo. Muricy está completamente amargurado.

É algo absurdo o que acontece no São Paulo. Daqui duas semanas, tudo pode piorar e muito. Lembrando que o time e o Corinthians ainda têm a companhia de San Lorenzo (último campeão da Libertadores) e o Danubio do Uruguai. Dos quatro, só dois se classificam para o mata-mata.

O melhor que Carlos Miguel poderia fazer para o São Paulo seria resolver os problemas internamente. E parar de querer chamar tanto a atenção da imprensa. Agir como presidente. Mas quem consegue fazer com que se controle e consiga se calar diante dos microfones, que fique longe dos holofotes? Ninguém...
1reproducaoglamurama1 O maior inimigo do São Paulo na Libertadores. Não é o Corinthians. Nem o San Lorenzo. Ele tem nome e sobrenome. Carlos Miguel Aidar...

Neymar e Muricy foram os responsáveis por levar o Santos para a semifinal da Libertadores…

AgenciaEstado93 Neymar e Muricy foram os responsáveis por levar o Santos para a semifinal da Libertadores...
O pênalti perdido outra vez tira um pouco de brilho...

Mas outra vez Neymar foi fundamental.

O Santos deve muito da chegada à semifinal da Libertadores ao garoto de 19 anos...

E a Muricy Ramalho, o técnico que, de acordo com inimigos, não saberia disputar mata-matas...

No empate em 1 a 1 contra o perigoso Once Caldas, os dois fizeram muito bem seu papel...

Desde os primeiros minutos de jogo, Neymar pediu todas as bolas...

E enfrentou com coragem e talento os irritados e bem nutridos zagueiros colombianos...

O Santos fez o inverso do Cruzeiro na sua eliminação diante do tinhoso Once Caldas...

Muricy adiantou a marcação santista e encurralou o adversário no seu campo...

E retomou inúmeras bolas e criou chances para golear...

Isso ainda no primeiro tempo...

O Santos desperdiçou chances demais...

Só Neymar conseguiu um chute perfeito da entrada da área....

Quando todos esperavam o segundo e o terceiro gol veio o empate..

Renteria aproveitou a bobeada da zaga e marcou o 1 a 1.

O Santos não sentiu o golpe e continuou buscando o gol...

Tivesse outro atacante e não Zé Eduardo, teria vencido a partida...

Neymar e Elano o deixaram livre para marcar...

Mas o que ele conseguiu no Pacaembu foi irritar os torcedores...

E chegar a 13 partidas sem fazer um golzinho...

Veio o segundo tempo...

E Muricy Ramalho manteve a marcação na saída de bola do Once Caldas...

O time tirou o resto de fôlego que restava da maratona de jogos...

E continuou pressionando, não deixando de maneira alguma os colombianos tocarem a bola no meio de campo...

Sempre a lembrança do jogo do Cruzeiro...

E na pressão veio o pênalti em Neymar...

Ele não deixou o cobrador oficial, Elano, bater...

Muricy Ramalho e Elano não criaram caso...

Tudo certo para o jogador se consagrar...

Mas ele cobrou mal demais, fraco, quase meio do gol e Martinez defendeu...

Isso aos 41 minutos do segundo tempo...

O Once Caldas adiantou toda sua equpe para tentar qualquer coisa...

Mas Muricy Ramalho deu consistência à defesa santista...

Os colombianos nem assustaram...

A vaga foi garantida.

Semifinal da Libertadores...

Festa de 34 mil torcedores o Pacaembu...

E quase ninguém nem se lembrava de um tal Paulo Henrique Ganso...

Neymar e Muricy Ramalho não deixaram...

Cruzeiro mostrou a Muricy como não jogar contra o Once Caldas…Euforia, ingenuidade e time aberto é tudo o que os colombianos querem…

ap Cruzeiro mostrou a Muricy como não jogar contra o Once Caldas...Euforia, ingenuidade e time aberto é tudo o que os colombianos querem...
O Cruzeiro virou o espelho do Santos.

Ainda com a faixa de bicampeão paulista no peito, Muricy Ramalho viu e reviu o jogo em Sete Lagoas.

Analisou como o Cruzeiro, time mais técnico e talentoso, foi eliminado pelo Once Caldas...

Viu que a armadilha que derrubou os mineiros: a empolgação...

Foi preparada uma festa para a equipe que tinha a melhor campanha na primeira fase da Libertadores...

Com a badalada presença de Deborah Secco, a primeira dama do time...

A torcida empolgada, sonhando em transformar o estádio em caldeirão...

Cuca montou sua equipe muito aberta, esperando os colombianos medrosos, presos na defesa...

Só que o Once Caldas tem como característica tocar a bola em velocidade, comprar a briga...

Buscar o gol mesmo fora de casa...

Tanto que ainda não perdeu na Libertadores atuando longe de Manizales...

O Cruzeiro se irritou com a personalidade, as tabelas, os dribles conscientes dos adversários.

E rapidamente se descontrolou....

A expulsão de Roger ainda no primeiro tempo foi chave, fundamental para a derrocada mineira...

A partir daí, o Once Caldas se tornou cada vez mais confiante e se impôs com personalidade...

O caminho dos erros já está traçado...

E custou caro demais ao Cruzeiro na Arena do Jacaré...

Cabe ao Santos ir pelo outro lado...

Ainda mais depois da conquista do título paulista...

E a garantia do Pacaembu lotado...

Muricy tem uma equipe mais jovem do que a de Cuca...

Sua providência obrigatória foi cortar as asas do time...

Ele quer o mesmo comportamento contra o Corinthians...

Tanto que, apesar de Danilo estar recuperado, vai manter Alan Patrick no time...

Gostou do sentido tático, do espírito de sacrifício na marcação...

Só que ele vai além, graças ao seu talento ofensivo...

O Santos vai atacar, mas com consciência...

O time está cansado...

Não pode entrar na euforia da torcida para tentar decidir a partida a qualquer custo...

A vitória a busca da vitória é atraente, mas pode ser o canto da sereia...

Isso na definição de Muricy...

Ele não esquece que o empate basta para o Santos chegar à semifinal...

E existem poucos treinadores de ponta no País que valorizem tanto o empate na hora certa como Muricy...

"É uma grande vantagem, sim", diz, sem ter vergonha...

Se o Cruzeiro tivesse empatado em Sete Lagoas estaria vivo na Libertadores...

Depois de dez partidas decisivas e com vitórias santistas...

O elenco tem uma grande compensação se passar hoje pelo Once Caldas...

A certeza do descanso...

Nas primeiras rodadas do Brasileiro, o time será poupado caso se classifique...

Os jogos da Libertadores passarão a ter um espaço de uma semana de preparação...

Acabou a pressão da fase decisiva do inútil Campeonato Paulista....

Torneio que só serviu para desgastar o elenco...

A alegria pelo bicampeonato serve apenas para o ego...

É a Libertadores que leva à disputa do Mundial, da valorização internacional dos jogadores...

O Paulista serviu para tirar Ganso da fase decisiva do torneio mais importante do ano...

Mas isso não importa, sempre será assim enquanto os clubes se ajoelharem para federações...

O que vale hoje para Muricy é não imitar o Cruzeiro de Sete Lagoas contra o Once Caldas...

Não cair nos elogios fáceis de Juan Carlos Osorio, treinador adversário...

Ele coloca os jogadores santistas como melhores do mundo...

Todos sem exceção...

Quem o ouve falar parece que seu time ficará travado, morrendo de medo de ser goleado...

Foi o que o Cruzeiro acreditou...

Muricy mostra que não vai cair no truque...

Até porque ele também quer chegar onde nunca chegou...

Ao título da Libertadores...

Por isso foi demitido do São Paulo, apesar de tricampeão brasileiro...

Para isso, promete colocar um Santos equilibrado no Pacaembu...

Se puder ganhar o jogo, golear, Neymar dar dribles históricos...perfeito...

Mas se vier um 0 a 0 e a vaga...também será muito bem aceito...

E o mais importante...

Sem cotoveladas em Renteria ou quem quer que seja...

Até porque Muricy não tem mais físico para o UFC...

Muricy Ramalho aprendeu a jogar com os dirigentes. Santos entra inteiro contra o São Paulo no Morumbi…

divulgacao2009 Muricy Ramalho aprendeu a jogar com os dirigentes. Santos entra inteiro contra o São Paulo no Morumbi...
As três últimas demissões de Muricy Ramalho foram motivadas pelas diretorias.

Houve desde preconceito intelectual, rejeição, interferência e até ameaça de redução de salários.

As saídas de São Paulo, Palmeiras e Fluminense marcaram sua pele.

Como cicatrizes com queloide.

Não dá para esconder, ela estão lá.

Se as pessoas se esquecem, quem as têm, não.

A saída do São Paulo doeu na sua alma.

Tricampeão seguido do Campeonato Brasileiro, não conseguiu vencer a Libertadores.

Foram três em seguida.

Na última, diante do Cruzeiro, no Morumbi.

Mas nesta última seu trabalho foi sabotado.

Dirigentes trabalharam em alto e bom tom para trocá-lo.

Havia até quem para o atingir se referia de maneira pejorativa à maneira com que ele se vestia.

E o fato de não ser poliglota.

Não foi por acaso que Ricardo Gomes o substituiu.

Juvenal Juvêncio foi pressionado por dois anos seguidos.

O maior inimigo declarado de Muricy foi o vice presidente de futebol, Leco.

Eles até nem se falavam nos últimos tempos.

Muricy sabia que só continuaria no Morumbi se conquistasse a Libertadores.

Não conquistou e foi demitido da maneira humilhante.

Não se conformou com carros de imprensa o aguardando na calada da noite.

Percebeu o óbvio: jornalistas foram avisados da sua demissão antes dele.

Ao chegar do Palmeiras ele tentou se relacionar melhor com todos os membros da diretoria.

Mas encontrou grande resistência no vice Gilberto Cipullo.

Ele não queria Muricy treinando o clube.

Teve de aceitá-lo porque a escolha foi do presidente Belluzzo.

Mas Cipullo o avisou que os métodos do treinador não dariam certo.

O elenco era mimado demais para os gritos, a falta de intimidade com os jogadores...

E o ex-dirigente não gostava das escolhas de jogadores que Muricy indicava...

Punha defeito em tudo...

Os dois não se deram bem do primeiro ao último minuto...

Isso atrapalhou demais o treinador no Palestra Itália...

Também é verdade que seu esquema não encaixou e o time perdeu o título brasileiro, que parecia certo...

Em seguida, a mudança de ares...

Rio de Janeiro, Fluminense...

Foi tudo perfeito com Roberto Horcades...

Já havia chegado com toda moral pelos tricampeonatos nacionais...

A prioridade do clube era o Brasileiro e a classificação para a Libertadores...

Perdeu a Copa do Brasil, mas não houve cobrança...

A ótima campanha do time e a convocação para ser treinador da Seleção deixou seu prestígio nas alturas...

Tudo ficou ainda melhor com a conquista do Brasileiro...

Mas aí veio a troca de presidente....

Desde o primeiro dia, Peter Siemens havia sentido que o treinador tinha muito poder...

Dava palpite em tudo...

Cobrava pressa na construção de um moderno CT, criticava jogadores que não havia pedido...

Muricy fingia que não percebia...

Não quis se aproximar do novo presidente, como muitos treinadores fariam...

O fraco início da Libertadores era tudo o que Siemens esperava...

Foi duro com o técnico...

Cobrou as reclamações com a imprensa das contusões dos jogadores no péssimo gramado das Laranjeiras...

A famosa declaração que havia até ratos por lá foi a gota d'água...

O presidente primeiro demitiu o vice Alcides Antunes, homem de confiança do treinador...

Embora a amizade estivesse desgastada, era muito próximos...

Muricy não se conformou...

Depois recebeu o recado que seu salário deveria ser 'reajustado'...

Diminuído para os íntimos....

Em 40%...

Foi a maneira sutil de Siemens o forçar a pedir demissão...

Isso aconteceu...

Todas essas demissões explicam a situação atual no Santos...

O treinador tem o relatório do desgaste físico dos seus jogadores...

Gostaria de poupá-los para o jogo decisivo contra o América no México na terça-feira...

Mas há a semifinal do Paulista amanhã contra o São Paulo no Morumbi...

Para ele não haveria problema algum em jogar com um time misto...

Só que Muricy aprendeu a ler sinais de fumaça...

Percebeu que o presidente Luís Álvaro quer de qualquer maneira o bicampeonato paulista...

É uma questão de domínio territorial...

Quer mandar no quintal...

Ele acredita e também deseja a Libertadores...

Mas para ele é possível a dupla conquista...

Muricy decidiu não enfrentar a cabeça do dirigente...

Ele quer Neymar, Ganso e Elano contra o São Paulo...

Muricy vai colocar...

E rezar para o Santos conseguir uma boa vantagem que permita o tirar do jogo o mais rápido possível...

Mas o treinador cedeu...

Não vai bancar o martir...

Só não vai jogar um atleta que estiver perto de um estiramento...

Peitar o presidente, com a chance de ser eliminado pelo São Paulo e ainda perder para o América no México...

Demorou, mas Muricy se dobrou...

Percebeu que talvez o maior inimigo esteja na sala da presidência dos clubes onde trabalha...

Do que nos times adversários...

Este é o futebol brasileiro...

Isso é trabalho, meu filho...

Né, presidente?

Muricy quer colocar reservas contra o São Paulo para poupar o time para o América do México. E agora, presidente Luís Álvaro?

divulgacao2929 Muricy quer colocar reservas contra o São Paulo para poupar o time para o América do México. E agora, presidente Luís Álvaro?
As câmeras mostraram rapidamente.

A pressa para entrevistar jogadores do Santos atrapalhou.

Os jogadores e a Comissão Técnica do América do México comemoraram muito a derrota por 1 a 0.

Se abraçavam, se cumprimentavam, animados...

O time saiu da Vila Belmiro convicto que o resultado foi muito bom.

Fácil de reverter terça-feira, no México.

Do seu lado, Muricy Ramalho fez questão de saudar com entusiasmo o 1 a 0.

Para ele, o gol de Ganso obrigará o América a se abrir.

O time só sobreviverá se ganhar por dois gols no México.

E tudo o que o Santos quer é espaço para contragolpear.

Quem está certo?

As aparências apontam para o Santos.

A equipe ganhou ontem o jogo de uma maneira diferente do que vinha acontecendo.

Jogou de forma madura, segura.

Não se desmanchava para atacar.

Quando Jonathan estava na frente, Léo ficava no meio de campo.

E vice-versa.

Arouca e Danilo tiveram mais cuidado com a proteção aos zagueiros.

Elano não disputou bola com Zé Eduardo na área adversária.

Tratou de ajudar a fechar a intermediária.

O Santos não se desmanchou para atacar.

Manteve a sua estrutura sólida.

Neymar e Ganso tiveram a liberdade que necessitam.

Mas foram marcados muito de perto.

São duas celebridades do futebol mundial.

Cada vez menos terão espaço em jogos importantes como o de ontem.

Ganso fez o gol em um belo chute, mas ainda está em busca do seu melhor ritmo.

Ainda pesa o longo período parado para se recuperar da operação no joelho.

E Neymar foi caçado.

Sofreu outra vez um nojento rodízio de pontapés.

Os árbitros fingem que não percebem.

É revoltante.

Mas ficou claro que o America do México já teve atletas com maior potencial técnico.

A vantagem santista é sim muito importante.

Os mexicanos não deveriam comemorar tanto antecipadamente.

Se der espaço para o time de Muricy na próxima terça-feira vão se arrepender.

O grande problema para o Santos é o clássico de sábado.

Como colocar o melhor time na semifinal do Paulista que promete ser uma guerra.

Contra o São Paulo e seus torcedores dominando o Morumbi.

Como ter energia para essa batalha e logo em seguida viajar para a América do Norte?

E enfrentar o o time mexicano em outra decisão?

Será preciso coragem.

Muricy tem de poupar jogadores importantes no sábado.

Não dá para comparar Campeonato Paulista com Libertadores.

Se tiver de abrir mão de um para lutar de verdade pelo outro, não tem nem de pensar...

E é o que ele fará se tiver respaldo da diretoria...

Para o Santos o melhor é colocar reservas no Morumbi...

Clube grande luta pela Libertadores...

Campeonato Paulista é compensação de quem não consegue ganhar algo importante na vida...

E agora, presidente Luís Álvaro?

Como fica a sua simpática relação com a cúpula da Federação Paulista de Futebol?

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