Publicado em 16/03/2011 às 09h50
O sacrifício inútil do santo Marcos no Palmeiras. A aposentadoria pode acontecer a qualquer momento. Não aguenta mais sofrer…

Muito mais importante do que comentar a lamentável viagem do Palmeiras de ônibus até Uberaba...
Ou da fragilidade do time em ter a certeza da vitória que livraria o deficitário jogo da volta...
Vale falar sobre Marcos.
O grande mito palmeirense se arrependeu de não ter abandonado a carreira em 2010.
Foi convencido diante de uma comoção geral, desde Felipão, aos jogadores, à diretoria...
Até mesmo os médicos do clube que suportaria 2011...
Só que o esforço está sendo desmedido....
As dores passaram do suportável...
A artrose está judiando do melhor caráter do futebol brasileiro.
Ele pensou que a artroscopia que fez no joelho esquerdo lhe daria a sobrevida.
Pura ilusão.
O esforço de um treino forte no campo o obriga a vários outros na musculação e ida à fisioterapia...
Apenas para se recuperar...
As partidas então...
Se tornaram cada vez mais raras.
Porque quando está dentro do campo com a camisa do Palmeiras, ele esquece de tudo...
Das dores, das limitações...
E quer jogar, se esforçar, se esticar de um lado para o outro...
Tudo para evitar que o seu amado time sofra um gol...
Quando o jogo termina vem a conta...
Mais alta do que ele pode pagar...
Tratamento intensivo, fisioterapia, como se ele tivesse acabado de operar...
E dores, muitas, dores...
Todas as cirurgias pelo corpo do grande jogador o fizeram falar a frase que alertou a todos no Palestra Itália.
"Perdi o prazer de jogar futebol.
Não sei se conseguirei chegar até o final deste ano jogando."
Dono de uma sinceridade que ultrapassa o bom senso, Marcos deu o aviso.
É sim cada vez mais provável a aposentadoria de uma hora para outra.
Ele sabe que chegou ao limite.
Não quer decepcionar parentes, Felipão, Pracidelli, os dirigentes, os companheiros...
Os torcedores...
Mas quem o conhece sabe que ele pode pendurar as santas luvas de uma hora para outra...
Ninguém deseja isso...
Nem os palmeirenses apaixonados ou até os torcedores rivais que aprenderam a se apaixonar por Marcos...
Mas está cada vez mais difícil virar o rosto para a realidade...
E para Marcos fingir que suporta as dores que o fazem fugir de escadas com o Diabo da cruz...
É muito sacrifício...
Que o Palmeiras consiga ter planejamento e coração para acompanhar mais de perto seu grande ídolo...
E avaliar se todo esse sofrimento compensa...
Sua carreira já é importante demais...
Merece todas as homenagens...
As estátuas...
Jogo de despedida...
Tudo o que o departamento de marketing imaginar...
Porque ninguém sente o menor prazer em ver o santo Marcos sofrer desse jeito...
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Publicado em 21/12/2010 às 12h41
“Chega de perder para nós mesmos! Chega!” A entrevista que foi mais pedida ao blog em 2010. Exclusiva com Marcos

Será que um santo consegue pacificar o Palmeiras?
Atendendo a centenas de pedidos desde que o blog começou no R7, a exclusiva mais pedida.
E ela não poderia acontecer em melhor hora.
Com Felipão e Valdivia, um de cada lado.
O Palmeiras acumulando dois anos de fracassos.
Dois anos seguidos fora da Libertadores.
Descrença total dos torcedores.
Nesse momento de terremoto no Palmeiras, é fácil entender por que ele não atinge o goleiro.
Seu caráter é o maior escudo.
Que pena para os palmeirenses que 2011 seja o seu último ano como jogador.
Ele não suporta mais as dores pelo corpo.
Tanto que revelou, com exclusividade, que abandonou a ideia de ser preparador de goleiros.
E é muito possível que siga sua vida longe do clube que ama e da torcida que o adora.
Marcos, o que acontece com o Palmeiras?
Por que tanta confusão, Valdivia, Felipão, Kléber, dirigentes, torcida?
Olha, Cosme, para mim tudo é simples.
Eu nunca ganhei nada no Palmeiras quando havia desunião.
O que está faltando é as pessoas realmente deixarem as vaidades de lado e trabalhar pelo clube.
Neste momento, o Palmeiras precisa de todos: Valdivia, Felipão, Kléber, dirigentes, todos do mesmo lado.
Nós estamos em um dos maiores clubes do País, temos prestígio, força, respeito, títulos.
Mas todos estão agindo como se fosse cada um por si.
Todos querem a mesma coisa, mas falta consciência, humildade de esticar a mão, oferecer amizade, respeito.
É uma pena.
Ninguém quer ganhar mais do que eu.
E sei que sem todos estarem juntos, não há solução.
Com time dividido, quem perde para ser presidente trabalhando contra, não há como ganhar nada.
Esse é o problema.
O Palmeiras é forte, mas briga com ele mesmo.
Nem precisa de inimigos.
Marcos, você parece chateado...
Não tem como não ficar triste com toda essa situação complicada.
Eu tenho uma longa carreira, passei por muitas alegrias e tristezas.
E vejo o mesmo erro se repetindo no Palmeiras por anos e anos.
É muita divisão.
E começa lá em cima e repercute no time.
Quem perde a eleição fica trabalhando contra.
Não quer que a pessoa no poder consiga sucesso.
Muita gente não pensa no clube.
Pensa na própria vaidade e em não deixar o outro ter sucesso.
Por isso o Palmeiras parou de ganhar.
Pode ver que passaram por lá os melhores treinadores do Brasil: Luxemburgo, Muricy e agora o Felipão.
É difícil demais trabalhar assim.
Pode colocar o técnico que for.
O que você acha do trabalho do Felipão?
Ele está fazendo de tudo, mas de tudo para o Palmeiras voltar a ganhar.
Parece um homem que está sozinho subindo uma ladeira, sem ajuda.
As brigas dos dirigentes refletem no seu trabalho.
Tudo cai para ele resolver.
E sozinho, não dá.
Os jogadores tentam ajudar, mas falta tranquilidade ao time.
Todos somos cobrados demais e sofremos por 'lá em cima' estar tão dividido.
Qual a consequência disso tudo na sua carreira?
Agora que já estou perto do fim, vivido, percebo muito melhor.
Deixei de ganhar muito mais títulos no Palmeiras por causa dessa desunião.
Vou deixar o futebol insatisfeito com o número de campeonatos que acabamos jogando fora.
Por pura falta de união.
Estou falando a mesma coisa porque esse é o segredo do que acontece no Palmeiras.
Todos sabem e fingem não ver: falta todos trabalharem em uma direção só.
E quem está fora do comando do clube, seja quem for, não sabotar o trabalho de quem está mandando.
Perdemos muitos títulos e jogadores importantes por causa dessas brigas no comando do clube.
Não tem como não ficar puto.
Eu fico porque gosto mesmo do Palmeiras.
E fiquei do início ao fim da minha carreira.
Fico puto porque o Palmeiras é a minha casa.
Marcos, o Palmeiras hoje é um time muito limitado...
Não é, Cosme.
As pessoas falam isso, mas estão erradas.
O Palmeiras é um time competitivo com jogadores insubstituíveis.
O Danilo, o Edinho, o Valdivia e o Kléber não podem deixar o time de jeito nenhum.
Como é que o Felipão pode montar uma equipe sabendo que se perder um deles, não tem reserva à altura?
O que faltam são boas peças de reposição.
Porque a equipe quando está completa é competitiva, briga com qualquer um.
O palmeirense não pode comprar essa idéia que o time é fraco.
E não há o que falar da torcida, o quanto ela pode apoiar, ela apoia.
O que de pior aconteceu com o Palmeiras nestes últimos tempos?
Perder aquele bendito jogo para o Goiás.
Se a gente vencesse, tudo estaria em paz.
Teríamos uma Libertadores pela frente.
A briga pelo poder seria menor pelo que estaria em jogo.
Foi uma tristeza perder aquela semifinal da Copa Sul-Americana.
Perder em casa, estádio lotado, time rebaixado.
Parece que só acontecem essas coisas com o Palmeiras...
Vamos falar de você um pouco.
É verdade que está bem fisicamente há um mês e deixou o Deola continuar como titular?
É verdade.
Eu estava recuperado, mas achava uma puta sacanagem voltar ao time por ser 'o Marcos'.
O Deola estava voando, é um dos melhores goleiros do Brasil.
Conversei com o Felipão e tratei de treinar forte e me preparar para 2011.
Fiz o certo, o Deola foi bem demais.
E 2011 será o seu último ano?
Sim, Cosme.
Eu não aguento mais as dores.
Quero terminar a minha carreira jogando em alto nível.
Não vou esperar pedirem para eu sair.
Já conversei bem com os meus familiares e com o pessoal do Palmeiras.
2011 é o meu limite.
A minha maior dificuldade é me imaginar longe do futebol.
Longe da torcida, parar de repente de treinar para um jogo.
Psicologicamente não será fácil.
Eu já senti, estou sentindo.
Mas ninguém é eterno, por que eu seria?
Você vai seguir no Palmeiras, virar preparador de goleiros do clube, ajudar o Pracidelli?
Tomei uma decisão.
Não vou ser preparador de goleiros.
Não posso mais ficar exigindo do meu corpo.
Como goleiro por tantos anos já deu.
Vou pensar seriamente o que fazer da minha vida.
É possível que você siga longe do Palmeiras?
A minha ligação com o torcedor palmeirense será eterna.
E também com o clube que eu torço.
Mas pode ser que eu trabalhe como empresário de jogadores.
Da minha honestidade ninguém pode falar, então posso ajudar outros atletas com suas carreiras.
É o caminho que mais me atrai agora.
Nem pensar em ser técnico.
Não tenho saco para isso.
Qual a maior sensação que você tem na sua longa carreira no Palmeiras?
A que eu poderia ter conquistado muitos outros títulos.
Eu sei que o Palmeiras jogou fora por falta de união vários campeonatos.
Demos de mão beijada.
Eu só torço do fundo do meu coração para isso não acontecer no meu último ano de carreira.
Quero demais vencer o máximo que puder em 2011.
E com ajuda, união de todos.
De todos...
Chega de perder para nós mesmos!
Chega!
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Publicado em 19/08/2010 às 10h50
O Palmeiras não seria Palmeiras sem Marcos…

500 jogos pelo Palmeiras.
Goleiro do clube com a torcida mais exigente, sem paciência, irritada de São Paulo.
Aquela que, saudosa dos grandes times e títulos, não dá vida fácil aos seus ídolos.
Diego Souza, Vagner Love, Keirrison que o digam.
Mas Marcos, não.
Ele é um goleiro diferenciado, uma pessoa especial.
A primeira lembrança que tenho dele foi em 1993.
O recém-contratado Vanderlei Luxemburgo levou o Palmeiras para Atibaia.
A imprensa foi acompanhar a formação do novo time.
De repente, em uma manhã os poucos jornalistas que estavam no treino começaram a ouvir palavrões.
O treino não havia nem começado.
"P..q..p...P..q..p...P...q...p..."
"Eu não falei? Eu não falei? Eu não falei?"
Cabelos cumpridos, alto e pulando em um pé só...
Era o terceiro goleiro, jogador que ninguém havia prestado atenção.
Sérgio era o titular e Velloso o promissor reserva.
Poucos sabiam o nome dele.
Era Marcos.
Perguntei a ele o que havia acontecido.
"Eu tinha dito aos médicos que ainda não estava bem para voltar aos treinos.
Disse que sentia dores, mas não acreditaram.
Então fui treinar e agora o meu pé está inchado.
E agora?"
Foi de uma transparência absurda.
Marcos começava a sua longa trajetória de contusões.
E de declarações sinceras, que tanto atormentaram os treinadores que passaram pelo clube.
Quando as suas queixas foram parar no jornal, Marcos foi repreendido.
Mas o clube nem pensou em largar o promissor goleiro.
E o tempo passou.
Sérgio se foi.
'Gato' Fernandes também.
Velloso se machucou
E Marcos começou a mostrar quem era.
Goleiro talentoso, de personalidade forte e grande estrela.
Defendeu pênaltis fundamentais para a história do clube.
Que não saem do coração do torcedor.
Como os que tiraram duas vezes o Corinthians da Libertadores.
Fez o Palmeiras campeão da competição sul-americana pela primeira vez.
Foi o grande goleiro do pentacampeonato do Brasil, na Coréia e no Japão.
Sua identificação com o Palmeiras é algo profundo, intenso.
O que ajudou muito foi ter surgido para o futebol antes da época dos assessores de imprensa.
Manipuladores e maquiadores de opinião, não deixariam Marcos ser tão sincero como foi.
Felipão proibiu todos os jogadores falarem antes, no intervalo e depois dos jogos, pensando nele.
Foi mais esperto do que Luxemburgo do que resolveu proibir só ele.
Marcos foge dos microfones quando pode.
Porque sabe que, se começar a falar, não consegue ser falso como a grande maioria dos jogadores atuais.
Não é um santo e nunca foi bobo.
Sabe muito bem o que diz.
Quando criticou jogadores que só iam farrear no clube e não treinavam...
Ou, várias vezes, quando apontou a fraqueza do time...
Mandou recado à diretoria.
E se comportou como um jogador que deseja ganhar.
Teve inúmeras contusões.
Inclusive uma, na mão direita, que o tirou do Arsenal.
A memória do apaixonado torcedor é curta, em janeiro de 2003, ele não passou no teste físico no clube inglês.
Marcos não queria ir, a diretoria da época que desejou fazer dinheiro com ele.
Só que o destino e Marcos não quiseram.
O goleiro sabia que tinha condições de prosseguir com a carreira, mas não insistiu.
Azar do Arsenal.
Ele já fez de tudo pelo Palmeiras.
Já tomou até café durante um jogo da Libertadores.
E falhou, como todo goleiro.
Mesmo sendo um dos maiores que o Brasil já viu jogar.
A principal falha aconteceu na decisão do Mundial, contra o Manchester United.
Felipão nunca costuma dar muitos conselhos aos goleiros.
Mas naquela partida ele mudou.
Resolveu falar com Marcos.
Disse que os cruzamentos de Giggs costumavam ser baixos em velocidade.
Por isso, a estranha falha em um cruzamento banal que o encobriu no gol de Kaine.
"Deus dá a cruz do tamanho que a pessoa possa carregar.
Vão passar 30 anos e vão falar que o Palmeiras perdeu o Mundial porque o Marcos falhou.
E ninguém vai lembrar dos gols que os atacantes perderam", disse Marcos no Japão.
E foram muitos...
Marcos chocou o mundo do futebol, quando fez questão de jogar a Série B.
Foi o goleiro do Palmeiras rebaixado no Brasileiro, no time sem sangue que Mustafá Contursi montou.
E enfrentou gramados piores do que campo de várzea pelo país...
Marcos talvez tenha sido o jogador nos últimos anos que mais jogou com dores no Brasil.
Qualquer conversa com os médicos do Palmeiras para valorizar ainda mais este personagem.
Já chorou de dor no aquecimento e foi campeão pelo clube que tanto ama.
As dores o fazem pensar na aposentadoria há mais de três anos.
O preparador Carlos Pracidelli o proibiu de falar em aposentadoria atualmente.
Pouca gente sabe que recusou uma proposta milionária para atuar no Corinthians.
Ele jantou com Kia Joorabchian, presidente da MSI, ouviu a proposta.
Mesmo brigado com a direção do Palmeiras, resolveu ficar.
Para ganhar muito menos.
"Não teria como me olhar no espelho e vestir a camisa do rival."
Colocou a minúscula cidade de Oriente no mapa.
Consagrou o gesto de se ajoelhar no gramado e apontar aos céus, agradecendo a Deus.
Daí o apelido de São Marcos.
O gesto não nasceu dele, começou com Taffarel e ele não esconde.
Só que virou sua marca registrada.
Marcos não gosta de falar, mas ajuda várias instituições de caridade.
Oberdan Cattani, Valdir de Moraes, Leão...
Todos sensacionais goleiros que o Palmeiras teve.
Mas nunca houve ninguém como Marcos.
Parabéns pelos 500 jogos.
Que venham mais 500...
Depois, virar uma estátua será pouco...
Aqui, uma singela e original homenagem.
Para que você, Marcos, não se sinta tão culpado em relação a um certo jogo de 1999...
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Publicado em 16/03/2010 às 06h00
Marcos: as dores podem levá-lo a encerrar a carreira em dezembro…

Marcos não embarcou para enfrentar o Paysandu pela Copa do Brasil.
Reclamou de dores nos joelhos.
Bem ao seu estilo, brincou com os médicos dizendo que são dores generalizadas, de um jogador em final de carreira.
Por trás da brincadeira há uma verdade.
Marcos começa a não suportar mais as dores de um goleiro em um clube de elite.
Ele vai completar 37 anos em agosto.
Desde 1992 é goleiro do Palmeiras, a primeira e única equipe na carreira.
Ele tem uma carreira fantástica.
Ganhou quase tudo pelo clube verde e branco.
De torneio Naranja a Maria Quitéria.
Rio-São Paulo, Paulistas, Copa do Brasil, Libertadores.
Perdeu a decisão do Mundial Interclubes para o Manchester United, partida pela qual se culpa até hoje.
Em compensação virou santo para os torcedores por ter sido o principal personagem em duas eliminações do Corinthians da Libertadores.
Foi campeão do mundo.
Só passou a ser valorizado financeiramente no Palmeiras graças a Kia Joorabchian.
Sim, ele mesmo.
O homem da MSI.
O iraniano ofereceu um salário gigantesco para Marcos trocar o Palestra Itália pelo Parque São Jorge.
Ele iria em 2006 para disputar a Libertadores em que a torcida corintiana quase demoliu o Pacaembu.
Marcos pensou, pensou, levou a proposta até a diretoria palmeirense.
E aconteceu o óbvio: teve um significativo aumento.
Era o que queria.
"Se eu for para o Corinthians, a torcida do Palmeiras me mata.
Eu não iria me sentir bem nunca", justificou Marcos para o atônito Kia que já comemorava a contratação.
Ainda mais depois que soube que o goleiro teve aumento mas continuou ganhando bem menos do que receberia no Corinthians.
O Palmeiras também tentou 'se livrar' de Marcos.
Em 2003 o clube acertou até as bases com o Arsenal.
Por 4 milhões de dólares, ele seria companheiro de Gilberto Silva e de Edu.
Mas o destino e a mão direita disseram não.
O departamento médico do Arsenal vetou Marcos por causa de uma lesão na mão direita.
O goleiro não insistiu, porque não estava interessado em jogar na Inglaterra.
"Mas eu tive essa lesão a vida toda.
Nunca me atrapalhou.
Se eu fosse costureira estaria ferrado.
Mas sou goleiro.
A lesão dói mas não atrapalha", disse, na época, a este jornalista.
Depois dela, Marcos teve inúmeras outras contusões.
Em 1997 foram canela e tornozelo esquerdos.
Em 2000, o punho esquerdo e o polegar direito.
Já em 2001 , o dedo mínimo direito
2003 , problemas respiratórios, quadril, abdome, coxa e pé direito.
No ano seguinte, o polegar esquerdo, punho esquerdo.
2005 - Punho e dedo anelar esquerdo
2006 - Coxa direita e ombro direito
2007 - Fratura no braço esquerdo.
Desde então, ele convive com dores musculares e nos joelhos.
O que aconteceu na semana passada, antes da partida contra o Santos, quando tomou infiltração para jogar, é recorrente.
Ele vive com dores.
Quando elas são mais fortes, ele passa um período recolhido, irritado.
Marcos sente que elas começam a ser frequentes demais.
E por isso a chance de parar no final do ano é real.
Não por sua irritação com o seu time.
Mas pelas dores mesmo.
Ele brinca, dizendo que deseja parar e não ser 'parado' no Palmeiras.
E também encerrar a carreira por cima, para deixar saudade.
Não sendo um peso para o time.
Esta é a situação do maior goleiro da gloriosa história de goleiros do Palmeiras.
Ele nunca pensou tão sério em parar com o futebol...
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Publicado em 04/03/2010 às 12h14
Marcos, não se aposente, não. Sem a Parmalat, sem a Traffic o Palmeiras é esse mesmo…

Gil e Branquinho fazem o que querem de Armero.
A bola é cruzada e Rodriguinho, sozinho, faz o gol de letra.
Santo André 3, Palmeiras 1.
Em pleno Palestra Itália.
E Marcos fala em se aposentar.
Como se os gravíssimos problemas do clube de Belluzzo terminassem com a parada do grande goleiro do Palmeiras.
Em décimo lugar no Campeonato Paulista, antes do complemento da rodada de hoje.
O clube não é mais nem chacota no Brasil.
Está triste demais a situação para a ironia.
O Palmeiras em crise em 2010 já virou notícia velha.
Como briga de torcida organizada em estação de metrô.
Não vale a primeira página.
Depois da saída de Muricy Ramalho, após sua decepcionante passagem pelo clube, a teoria da conspiração ganhou força.
Ainda mais depois da estreia vitoriosa de Antônio Carlos.
Os jogadores estavam boicotando Muricy.
Ele nunca foi simpático.
O time desejava Jorginho.
Mas valeria qualquer coisa para tirar Muricy.
E eles teriam andado na goleada contra o São Caetano, que culminou com a demissão do técnico.
Os comentários hoje pela manhã no Palmeiras dão conta que a equipe não se esforçou ontem contra o Santo André.
Qual seria o motivo?
Derrubar Antônio Carlos?
Bobagem.
O problema do Palmeiras não é o sofá.
É o elenco.
O time é fraco.
Os poucos grandes jogadores não têm liderança, a personalidade não foi moldada para empurrar ninguém.
Diego Souza, Cleyton Xavier e mesmo Marcos não têm perfil de comando.
Não é por mal.
Cleyton Xavier se machucou e está poupado da cobrança dos dirigentes.
Vai sobrar para Diego Souza explicar por que não está rendendo o que pode.
A expulsão infantil ontem foi imperdoável.
Mas se Diego Souza tiver coragem de falar o que acontece, vai explicar que ele e Cleyton não jogam sozinhos.
Tirando os dois, que sempre entram em campo marcados, quem tem potencial para mudar o destino de um jogo do Palmeiras?
É muito fácil a diretoria repassar a culpa para o fraco grupo de jogadores que montou.
No ano passado, mesmo, com tudo favorável o time desandou.
Em 2010 não existe nem Vagner Love para colocar a culpa.
Antônio Carlos se lembrou das lições que teve com Luxemburgo e Mano Menezes.
E quer levar o time para longe da pressão do clube, da imprensa, da torcida.
Pena não poder levar a delegação em peregrinação a pé para Santiago da Compostela, na Espanha, Fátima, em Portugal, ou Aparecida do Norte.
Esses lugares costumam fazer milagres.
A saída será Atibaia, Itu, Águas de Lindóia.
A princípio, a sua Presidente Prudente, do Pops Drinks, está vetada.
A viagem deve acontecer logo após o jogo de sábado contra o Sertãozinho, lanterna do Paulista.
O plano básico é ganhar desse time fraquíssimo e ir para o interior.
Até porque o adversário do próximo final de semana é o Santos, na Vila Belmiro.
Para desviar o foco de outro enorme vexame de ontem, o treinador fala que Ewerthon fará sua estréia contra o time de Neymar e Robinho.
O Palmeiras de Belluzzo está sendo assim.
A cada vexame, tenta criar um fato novo para desviar o foco.
No futebol, o seu mandato é a maior decepção entre os dirigentes do país.
Não há presidente, vice ou diretor de qualquer equipe grande que, conversando em off, com o blog, não faça a mesma pergunta.
"O que acontece com o Belluzzo, hein?"
De brilhante intelectual, economista, dono e professor de faculdade, a fama de Belluzzo virou a de um dirigente que pensa como torcedor.
E que era excelente na teoria.
Na prática está sendo um desastre.
Não vale nem citar a festa que foi na Mancha Verde, a ameaça a Simon, a contratação de Vagner Love, a dispensa para mostrar força de Vanderlei Luxemburgo.
Conseguiu ser pior que Luxemburgo na maneira de tratar a saída de Keirrison.
E depois de tudo isso é Marcos quem vai se aposentar no final do ano.
Marcos errará duas vezes se mantiver sua palavra.
A primeira é encerrar a carreira, quando suportaria tranquilamente mais um ano mantendo o nível competitivo.
A segunda é a sua previsão de que o sofrimento do torcedor palmeirense vai terminar em dezembro, quando ele parar.
Se algo muito drástico não acontecer, os sofrimentos continuarão.
Infelizmente, para os seus torcedores e para o futebol de São Paulo, a verdade é dura e cruel.
Foi campeão da Libertadores em 1999.
Há dez anos.
O Palmeiras venceu 0 Brasileiro pela última vez em 1994.
Vai completar 16 anos...
A única Copa do Brasil que conquistou em 1998.
São 12 anos.
O dinheiro da Parmalat esteve por trás dessas conquistas.
O clube foi campeão paulista em 2008.
A grande investidora foi a Traffic, que está se fingindo de morta agora, com o time fora da Libertadores.
Ou seja: na frieza das parcerias o último título que o Palmeiras ganhou dependendo só da sua adminstração, sua competência foi o Campeonato Paulista de 1976.
Há nada menos do que 34 anos...
O que significa isso?
Que há 34 anos o Palmeiras não sabe conduzir sozinho o futebol, esporte que o consagrou no mundo.
É incompetente no sentido exato da palavra que soa como um palavrão.
Falta capacidade dos seus dirigentes.
Se não houver um patrocinador não só para colocar dinheiro, mas para mostrar o caminho, o Palmeiras é o de ontem à noite...
(O resumo do Palmeiras atual, a televisão acaba de revelar.
Marcos no final da partida pergunta para os repórteres quanto é o tempo de jogo.
Seu time perdia por 3 a 1 para o Santo André.
Ele ouve a resposta: 42 minutos do segundo tempo.
Marcos comemora, amargurado.
"42 minuto? Graças a Deus."
Ele tinha medo de tomar mais gols do Santo André no Palestra Itália.
Esse é o Palmeiras de Belluzzo.)
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Publicado em 12/11/2009 às 08h33
Decepcionados, Belluzzo e Traffic farão uma profunda reformulação no Palmeiras…

Independente da conquista de uma vaga para a Libertadores, ou até mesmo do título do Brasileiro, haverá uma grande reformulação no Palmeiras.
Os dirigentes do clube e da Traffic acreditam que não há clima para vários jogadores conviverem em 2010.
As declarações de Marcos, de que jogadores estão mais preocupados em ‘pegar menininhas’ do que se doarem ao Palmeiras repercutiu no comando do clube.
Ainda mais depois do presidente Luiz Gonzaga Belluzzo se expor, xingar e ameaçar Simon. Ele foi muito hostilizado na saída do Palestra Itália.
A amigos, se mostrava inconformado com a falta de caráter do time. E vai mexer no elenco.
A Traffic terá a liberdade para negociar Diego Souza. A fama que o acompanha de ‘sumir’ nas partidas decisivas está se justificando.
A parceira palmeirense investiu R$ 10 milhões no jogador mais caro do futebol brasileiro. Como disse Jota Hawilla, dono da Traffic, Vagner Love ‘não está jogando nada’.
Ele, e seus apenas quatro gols, também são motivos de profunda decepção.
O caminho acabou para dois veteranos. Marcão e Edmílson.
Apesar da idade, da rodagem pela Europa, de ser campeão do mundo em 2002, Edmílson tem sido um dos atletas que mais tem se mostrado tenso, inseguro nas partidas decisivas. E a lentidão de Marcão já virou motivo de discussão e revolta entre os conselheiros.
Armero, apontado pelo demitido Vanderlei Luxemburgo como um dos melhores laterais do mundo, também irrita a diretoria.
Não consegue se firmar. E é completamente desobediente taticamente. Se esforça, corre, mas desesperado, deixa a defesa exposta. Tem sido um dos pontos fracos do time.
Pontos fracos deixados por Luxemburgo, como a falta de laterais, zagueiros confiáveis e volantes de marcação, serão consertados...
As mudanças ocorrerão até para tentar preservar Muricy Ramalho. O treinador passou a ser xingado como nunca foi nas últimas partidas no Palestra Itália.
Ele disfarça, mas está abalado. E mostra que não está conseguindo fazer esse grupo jogar melhor.
Os gritos dos torcedores por “Jorginho”, o auxiliar técnico, também não têm ajudado o ambiente. Pelo contrário.
No empate de ontem diante do lanterna e rebaixado Sport, o treinador alternava momentos de nervosismo com profunda apatia.
Há cada vez mais conselheiros dizendo que ele deveria ter seguido com o auxiliar como treinador do Palmeiras em vez de investir no caro Muricy.
Muita coisa acontecerá no clube assim que acabar o Brasileiro.
A garantia é de Belluzzo.
Em primeiro lugar no Brasileiro, o Palmeiras poderá ser ultrapassado no final de semana por São Paulo, Flamengo e se igualar em pontos com o Atlético Mineiro, com a desvantagem que tem menos vitórias, desde que o Galo vença.
Esse é o ‘líder’ Palmeiras.
Clube que lançou na terça-feira uma campanha sonhando em ter o maior número de sócios-torcedores do mundo...
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Publicado em 01/11/2009 às 19h29
Palmeiras e Corinthians. Dois times que não merecem confiança…

Muricy Ramalho foi o único a sorrir em Presidente Prudente.
Ele, mais do que ninguém, sabia que o Palmeiras merecia ter perdido o clássico contra o Corinthians.
O líder parecia o time de Mano Menezes.
Tocou a bola, soube encontrar espaço no meio da defesa palmeirense.
Sem Pierre, Muricy sabe que qualquer time qualificado descobre brechas entre os volantes e zagueiros que Vanderlei Luxemburgo escolheu.
O time verde tem um defeito crônico de marcação.
A expulsão de Marcos e o segundo gol de Ronaldo são inaceitáveis para um líder de Campeonato Brasileiro.
A saída do Palmeiras foi apelar para Figueroa.
Como nos bons tempos de Arce, o lateral conseguiu colocar a bola na cabeça de Danilo e Maurício.
Dois gols manjados, mas que nasceram nos treinamentos de Muricy.
No tricampeonato brasileiro que ele conseguiu para o São Paulo, os gols em cruzamentos foram mais comuns do que suas entrevistas mal humoradas.
Qualquer um dos poucos mais de 18 mil torcedores na escaldante Presidente Prudente sabia desse recurso óbvio do Palmeiras.
Mano Menezes cansou de falar com seus jogadores sobre as cabeçadas.
Mas foi em vão.
Se o Corinthians teve consciência do meio para a frente, a defesa continua confusa, mal orientada por Felipe.
A insegurança em qualquer bola levantada para a área trazia uma enorme insegurança.
Quem acompanha o dia a dia do Corinthians sabe que Felipe é muito falho na saída e transfere a responsabilidade para seus zagueiros.
Por isso a diretoria procura desesperada um goleiro para a Libertadores do centenário.
Toda a festa para Ronaldo e, finalmente, para a boa partida de Defederico deve ser credidata à fraca marcação palmeirense.
Todo o alívio de Muricy Ramalho, que comemorou o ponto que garantiu a liderança a seu time de dez jogadores, deve ser creditado ao calcanhar de Aquiles corintiano: a insegurança de Felipe.
Triste também a falta de coragem de Héber Roberto Lopes.
Ele sabe muito bem que deveria ter dado cartão vermelho a Danilo em uma entrada de vale tudo em Jorge Henrique. O jogo estava 1 a 0 para o Corinthians.
Os dois times seguem seus caminhos sem a confiança necessária.
Restam seis partidas para o Palmeiras tentar ganhar o Brasileiro. A liderança que era absoluta, com cinco pontos de vantagem, foi caindo, caindo, caindo.
Hoje é por causa do saldo de gols.
E o Corinthians terá de melhorar muito para entrar 2010 batendo no peito e assumindo o favoritismo da Libertadores que tanto sonha.
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Publicado em 21/10/2009 às 09h00
A cobrança foi dura no Palmeiras. Muricy foi Muricy. E Marcos foi Marcos…
Palmeiras.
Líder do Brasileiro.
Quatro pontos à frente do Atlético Mineiro.
Jogo fundamental hoje contra o Santo André.
A cadeia de cobrança foi forte.
Começou na segunda-feira.
E teve o seu ápice ontem, longe da imprensa.
O presidente Belluzzo cobrou o departamento de futebol.
Lembrou que a Traffic tinha propostas para Diego Souza e por Cleiton Xavier.
Mas não os vendeu para fazer o Palmeiras campeão.
Muricy mostrou os erros de todos e foi claro: não quer mais a apatia de ninguém.
Se o jogador não mostrar empenho nestes oito últimos jogos vai sair.
“Seja quem for”, falou forte na concentração.
O treinador demonstrou toda a sua irritação com o time.
Repetiu várias vezes que ‘o título está na mãos’.
E que o ‘campeonato’ depende do Palmeiras e de nenhuma outra equipe.
Não mediu palavras e soltou vários palavrões.
Marcos não foi censurado pela cobrança pública ao time.
Pelo contrário.
Ele foi até incentivado na lavagem de roupa que o elenco fez ontem.
O goleiro falou à vontade.
E cobrou todo o time.
Inclusive se incluiu na brusca queda de rendimento.
Disse que quer mais do que ninguém ser campeão brasileiro.
Os jogadores também apoiaram e animaram Edmílson que marcou mal Petkovic.
Wendel, responsável pelo segundo gol do Flamengo.
E Vagner Love que perdeu o pênalti e estava cabisbaixo.
Os dirigentes da Traffic e o presidente Belluzzo querem outro comportamento de Diego Souza e Cleiton Xavier hoje à noite.
E eles sabem disso.
Chegou a hora da cobrança.
Nunca se falou tão sério no Palmeiras neste ano.
E nem Muricy foi tão Muricy.
A dura foi dada.
A resposta precisa ser dada hoje à noite.
E o time trocar a apatia pela raiva...
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