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Wellington Paulista. O artilheiro que o Cruzeiro tinha esquecido…

esqueceram de mim Wellington Paulista. O artilheiro que o Cruzeiro tinha esquecido... 

Como o blog havia publicado, Kléber venceu a briga com o departamento médico do Cruzeiro. E vai operar o púbis.

A previsão otimista é que levará cerca de 50 dias longe dos gramados. Se voltar ainda nesta temporada será nas últimas rodadas. Se voltar...

O próximo passo do atacante será lutar para voltar ao Palmeiras. Mas haverá vida, ataque no Cruzeiro sem o Gladiador? A resposta começou a ser dada ontem contra o Goiás.

Na vitória por 3 a 0 no Mineirão, Wellington Paulista só não fez chover. Marcou dois gols e no outro, acertou cabeçada na trave, antes do Leandro Lima marcar.

A operação de Kléber mudou a vida do jogador. Os dirigentes do Cruzeiro sabiam que ele estava descontente. Disposto a ir embora. Não estava sendo aproveitado.

Wellington não quis ir para o Flamengo no início do Brasileiro. Recusou propostas de times pequenos da Itália e Franca no meio do ano. Foi vice artilheiro da Libertadores.

A diretoria sabia que ele estava cansado da reserva e queria trocar de clube. Só que tudo pode mudar com a cirurgia de Kléber. É o que ele deixa claro em entrevista exclusiva ao blog.

Você não estava jogando por quê?

Ah...Decisão do treinador. E eu respeito. Como sempre respeitei quem comanda as equipes por onde joguei. Sei do meu potencial e treinei sempre com toda a vontade do mundo.

Fui artilheiro por onde passei. Eu sempre respeitei as decisões do Adílson, meu técnico. E não posso reclamar nunca da maneira com que me tratam no Cruzeiro. Mas não esqueço do que posso fazer em campo.

Você terá mais chances com a operação do Kléber?

Eu lamento muito que ele tenha de operar. Gosto demais do Kléber. Ele é uma pessoa franca, fala tudo o que pensa. Isso é difícil no futebol. Por mim seria sempre bom jogar ao lado dele. Eu fui vice-artilheiro da Libertadores e jogávamos juntos.

Até vou falar uma coisa. Eu torço demais para que ele fique no ano que vem. Esse desgaste com a torcida tem de acabar. Para o bem do Cruzeiro. Ainda dá tempo do Kléber e a torcida se acertarem. Seria um desperdício ele sair.

Por falar em sair, você está no Cruzeiro de teimoso. Os dirigentes haviam acertado sua troca com o Zé Roberto no meio do ano. Por que não foi para a Gávea?

Por causa da minha adaptação a Belo Horizonte. Eu e a minha família adoramos morar aqui. O Cruzeiro tem uma infraestrutura sensacional e o salário sempre sai em dia.

O jogador sente confiança ao se preparar para entrar em campo. Não quis mesmo sair. Não foi nem não quer ir para o Flamengo. O Flamengo é um clube sensacional. Eu não quis deixar o Cruzeiro.

Procurei os dirigentes e falei a minha decisão. Eles aceitaram e até me encorajaram a ficar. Se não me quisessem, eu seria o primeiro a arrumar as malas.

Agora que tudo esfriou, analise Wellington: por que o Cruzeiro perdeu a Libertadores? Em pleno Mineirão...

Eu vou ser direto. Depois do empate com o Estudiantes em Buenos Aires, nós podemos ter ficado um pouco confiantes demais. Ainda mais na partida no Mineirão, quando fizemos 1 a 0.

Sem querer, o time parece que afrouxou a marcação. Se empolgou, já se sentia campeão. E deixamos o Estudiantes fazer o que queria em campo. Quando tomamos o gol de empate ficamos imobilizados.

Sem força, sem nervos para voltar ao jogo. Eles fizeram 2 a 1 e tudo acabou, desmoronou. Foi uma pena. Mas nós acabamos perdendo para nós mesmos. Foi uma das piores noites da minha vida.

Fiquei até as seis da manhã sem dormir. Lembro que fiquei em frente à televisão. Passavam uns filmes, eu olhando para a tela, mas só pensando na derrota. Nós, jogadores,choramos muito, sofremos demais.

Perdemos um título importantíssimo da pior maneira possível. Diante da nossa torcida. Não podemos culpar ninguém, só nós mesmos.

Por que o Cruzeiro não virou o Fluminense? Depois de perder a Libertadores em casa o clube carioca não se recuperou. Deve ser rebaixado ainda por reflexos do ano passado...

Sinceramente? Porque tivemos ajuda para olhar para a frente. Nós fomos para várias sessões com a nossa psicóloga Adriany (Gomes). Esse é um tabu que os jogadores de futebol precisam quebrar.

Um psicólogo só faz bem, dá força, recupera a confiança. Ela me ajuda sempre. Até em problemas pessoais. Quem não precisa de psicólogo no mundo? Esse trabalho psicológico foi fundamental para o nosso time.

O Adílson Baptista também foi firme. Não deixou que a equipe afundasse. Porque, Cosme, eu posso falar uma coisa de coração...

Eu entendo o que acontece com o Fluminense. Os reflexos de perder uma Libertadores, em casa, ainda mais para um time que dava para ganhar...

Ah... A raiva e a tristeza são enormes. Para virar depressão é muito fácil.

Vamos falar do seu futuro. Você continua no Cruzeiro em 2010?

Olha, eu tive duas propostas no meio do ano. Uma era para a Itália e outra para a França. Eram equipes pequenas. Eu já fui jogar no Alaves, um time que estava falindo. Não pude fazer nada de bom.

Prometi a mim mesmo que só volto a jogar no Exterior em times fortes. Tenho apenas 25 anos. Muita coisa boa ainda vai acontecer comigo. Agora, em relação a continuar aqui, quero sentir se a diretoria, se o treinador querem.

Tenho contrato de mais quatro anos. Eu quero ficar se puder ajudar, ser útil. Não sou jogador de ficar encostado em contrato, ganhando sem trabalhar. Eu adoraria ficar no Cruzeiro e ter a minha importância no grupo.

Só isso. Depende mais do Cruzeiro do que de mim...

Depois de três anos… A explicação do “Monstro do Aeroporto”. O empresário dos jogadores que moraram no aeroporto de Frankfurt…

Brad Pitt Depois de três anos... A explicação do “Monstro do Aeroporto”. O empresário dos jogadores que moraram no aeroporto de Frankfurt...

Uma das histórias mais surreais do futebol brasileiro.

Ela estourou em fevereiro de 2006.

Cinco jovens jogadores brasileiros ficaram cerca de 20 dias vivendo no aeroporto de Frankfurt.

Todos eles teriam sido enganados por um empresário inescrupuloso.

Ele havia prometido que os colocaria em um time alemão.

Os testes aconteceriam depois do combinado.

Sem dinheiro para pagar hotel, o empresário teria convencido os jovens a viverem no aeroporto.

O tempo passou, nenhum dos garotos vingou como jogador de elite.

O blog há muito tempo buscava entrevistar esse empresário.

E agora conseguiu.

O nome dele é Wilson Bellissi Junior.

“É a primeira vez que me dão o direito de resposta de verdade.

Fui vítima da imprensa sensacionalista.

Todos caíram, ou quiseram cair, no conto dos meninos do aeroporto.

O filme do Tom Hanks (Terminal) estava na moda.

Me pintaram como monstro, aproveitador.

Eu sou um empresário sério.

Acabei de trazer o Ricardinho para o Atlético Mineiro.

Levei o Leão, o Cuca, o Mancini para o Oriente Médio.

Fui pintado como o ‘Monstro do Aeroporto’.

Uma grande bobagem.”

O blog ouviu o ‘outro lado’.

Cada um tire as suas próprias conclusões...

Wilson, sou o Cosme Rímoli do portal R7.

Você pode me falar sobre o caso dos meninos no aeroporto?

Como você conseguiu meu telefone?

Acabo de chegar no Brasil...

Como vou saber se você vai publicar o que eu falar?

Nunca me deixaram me explicar, dar a minha versão.

Pensaram só em fazer sensacionalismo barato, compraram só uma versão distorcida da história.

Tudo para vender jornal e conseguir audiência na televisão.

Então aproveita e fala o que aconteceu. Dê a sua versão...

Nem gosto de lembrar desse caso.

Meus amigos fazem piada até hoje.

Mas vou confiar.

Isso me incomoda muito.

O que aconteceu foi o seguinte.

Eu e o meu irmão buscamos cinco jovens jogadores que poderiam dar certo na Europa.

Os garotos tinham entre 18 e 20 anos.

Conversamos com os pais e falamos que iríamos levá-los para testes na Moldávia.

Tínhamos bons contatos, lá.

Tudo começou a dar errado quando chegamos no aeroporto da Moldávia.

Simplesmente, os meninos foram barrados.

Por quê?

Por racismo.

Os agentes do aeroporto trataram muito mal os meninos por serem negros.

Não permitiram de maneira alguma que ficassem no país.

Eles estranharam.

Fui acusado pelos meninos não terem contratos com os times.

Não tinham mesmo.

Eles não tinham contrato porque iriam fazer testes.

Não menti para ninguém.

Foi o que havia prometido no Brasil

Os garotos esperaram por dois dias, mas não houve jeito para conseguir a liberação.

Tive de mudar os planos e entrei em contato com pessoas da Alemanha.

Fui sincero com os garotos.

Falei que os testes no time alemão seria em duas semanas.

Era uma época de feiras em Frankfurt.

Só havia vagas em hotéis caros.

Disse que não pagaria 300 euros por dia para cada um se hospedar.

Eu dei duas opções.

Quem quisesse poderia voltar ao Brasil.

Quem escolhesse apostar nos testes teria de se virar.

Eles se reuniram e tiveram aquela idéia de ficar no aeroporto de Frankfurt por duas semanas.

Não obriguei ninguém.

Eles ficaram porque quiseram.

Foi a saída que eles encontraram.

O que eu poderia fazer?

Obrigar todos a voltar?

O que aconteceu com o Douglas?

Ele contou a situação para os pais deles e eles ficaram apavorados.

Procuraram a imprensa e houve um carnaval.

Todos os jornalistas quiseram aproveitar para fazer sensacionalismo.

Falaram que os garotos passavam fome, um monte de mentiras.

Sei que é ridículo passar duas semanas em um aeroporto, mas foram os garotos quem decidiram apostar.

Eu não menti para nenhum deles.

Fizeram um show de horror comigo.

A Hebe Camargo me chamou de um monte de coisas.

Ela não sabe nem o que é bola.

A história do empresário aproveitador vendeu fácil.

Enfim, fui crucificado.

O Douglas que era o pior do grupo voltou e não virou jogador.

E os outros meninos?

Eles fizeram testes no Viktoria Treff, uma equipe da Quarta Divisão da Alemanha.

Dois passaram e ficaram por lá sem maiores problemas.

Os outros voltaram.

E a história acabou.

Não houve sacanagem, ninguém processou ninguém.

Houve é uma festa da imprensa sensacionalista.

Finalmente depois desses anos todos estou desabafando.

Mas você acha certo garotos ficarem comendo lanches e dormindo em bancos de aeroporto?

Sem dinheiro para tomar banho.

E por duas semanas?

Se fosse pai de um deles também ficaria revoltado.

Foi opção deles.

Todos tinham entre 18 e 21 anos.

Poderiam dizer o que queriam e o que não queriam.

Posso ter errado aí.

Hoje não aceitaria a decisão deles.

Mas entendo.

Cada um apostou na carreira.

E se os que ficaram no time da Alemanha não tivessem suportado essas duas semanas?

Iriam pensar a vida inteira no teria acontecido se fizesse o teste.

Até mesmo o pai do Douglas deve pensar nisso.

Me colocar como o Monstro do Aeroporto foi muito fácil.

Eu não sou um empresário pé-de-chinelo, oportunista, aproveitador de meninos.

Acabei de trazer o Ricardinho para o Atlético Mineiro.

Levei o Leão para Dubai.

O Cuca e o Mancini também foram para o Oriente Médio comigo.

Trabalhei com o Picerni no Palmeiras.

Posso até ter errado, mas fui massacrado, crucificado.

Ninguém estava interessado na história de verdade.

Era melhor ficar com a fantasia.

Pensar nos cinco garotos como o personagem do Tom Hanks.

Todos presos no aeroporto de Frankfurt.

Por minha causa, o empresário do mal.

O “Monstro do Aeroporto”.

Tudo isso foi ridículo.

Foi a vitória do sensacionalismo barato...

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