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Felipão: perceba sua importância no futebol brasileiro. Não se deixe dominar por assessores frustrados…

reuters24 Felipão: perceba sua importância no futebol brasileiro. Não se deixe dominar por assessores frustrados...

Nos seus últimos tempos como treinador do Boca Juniors, Carlos Bianchi tomou uma decisão.

Escalação do time só no seu site.

Foi uma maneira de estimular o crescimento, o acesso ao site.

Garantir patrocinadores.

Acabou ridicularizado na Argentina por esta atitude pequena.

Luiz Felipe Scolari falou palavrões na coletiva logo depois da partida contra o Corinthians.

Ele se irritou diante do óbvio: porque o jogador mais caro da história do Palmeiras jogou apenas 34 minutos.

Como era possível ter voltado a sentir a contusão na coxa esquerda se três dias antes se desgastou por 90 minutos contra um adversário insignificante como o Universitario de Sucre?

Por que tanta falta de cuidado com ele?

Não bastasse isso, logo depois, contra os reservas do Atlético Mineiro, Valdivia suportou apenas 18 minutos.

Diante da óbvia e reincidente barbeiragem, Felipão ficou ainda mais irritado.

Falou que era uma palhaçada o que a imprensa estava querendo fazer com o caso Valdivia.

E ainda chamou de o mais palhaço o repórter da rádio Globo por ter coragem e insistir na pergunta que Felipão não queria ouvir.

Por que escalar Valdivia machucado?

A repercussão foi internacional.

Como um treinador campeão do mundo começa a falar palavrões em coletiva e a chamar repórteres de palhaços?

Ele teve uma reunião com a cúpula da Aceesp, Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo.

A intenção era de que tudo fosse resolvido e que o técnico passasse a respeitar os jornalistas.

Logo em seguida à reunião, o seu assessor de imprensa disse ao R7 que Felipão não pediu desculpas, apenas acertou arestas.

Toda sexta-feira, o treinador dava entrevistas coletivas no Palmeiras.

Ontem não quis.

Teria de falar novamente de Valdivia.

O que fez?

Falou no site do Palmeiras.

Falou à vontade, sem ser interrompido.

Não tocou no nome do Valdivia, óbvio.

Sorriu e mostrou como gostaria de ser "entrevistado".

Quem faz o site do Palmeiras é a assessoria de imprensa do clube.

São jornalistas pagos para divulgar o que interessa aos dirigentes, ao técnico, aos jogadores.

Não noticiam, divulgam.

No site nunca haverá referência à dívida do clube, aos balanços reprovados pelo Conselho Deliberativo.

Pelos motivos da implosão do departamento de futebol com Palaia assumindo a presidência.

Nada.

Apenas o que interessa.

Essa é a função da assessoria.

Talvez não seja por acaso que Felipão deu essa autoentrevista, me lembra um esperto leitor.

Quem mesmo lançou a autoentrevista?

Palaia.

Quem era o assessor de imprensa de Palaia?

O mesmo que "assessora" Felipão.

Foi seguindo conselhos dele que o treinador proibiu entrevistas antes, no intervalo e depois das partidas.

Ele não acredita que seus jogadores irão conseguir se controlar diante dos microfones.

Só o Palmeiras adota essa política digna da ditadura Pinochet.

Agora, há a ameaça no ar de Scolari só falar para o site do clube.

Fazer convenientes autoentrevistas.

É uma pena que Luiz Felipe Scolari esteja seguindo esse caminho feio, ultrapassado.

Ele não precisa disso.

É uma pessoa vencedora na sua profissão.

Mas sujeita a erros também.

E por que tanta angústia, tanta raiva ao admitir um erro?

Ele é um excelente técnico, mas não está acima do bem ou mal.

Faz parte das suas funções explicar de verdade o que acontece no Palmeiras.

Ganha o maior salário entre os técnicos no Brasil para isso.

Dar "entrevista" no site do Palmeiras é uma atitude medrosa, que talvez combine com seu assessor, não com Felipão.

Ele tem recursos intelectuais para conversar de maneira decente com os jornalistas.

Pode pensar sozinho, apesar do seu assessor acreditar que não.

Foi um motivo de orgulho para a imprensa paulista o retorno de Felipão ao Palmeiras.

O pentacampeão do mundo estava voltando para reestruturar um grande clube de São Paulo.

O "campeão do século XX".

Uma pena que ele esteja tão mal assessorado, aconselhado.

Quando compreender o triste papel que está desempenhando, ficará envergonhado.

Felipão não se apequene.

Não seja usado por pessoas que são motivadas pela frustração, pela paranoia.

Seu papel na história do futebol brasileiro é muito maior...

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Neymar: o cenário para a volta contra o Corinthians está montado…Punição rápida essa, não?

pele%20xuxa1 Neymar: o cenário para a volta contra o Corinthians está montado...Punição rápida essa, não?

Escorregão feio de Mano Menezes.

Na gravação do programa Roda Viva que a TV Cultura mostra logo mais, o técnico errou.

Para defender Neymar usou a maior imagem que lhe ocorreu: a de Pelé.

Diante das várias atitudes infantis e egocêntricas do atacante santista, o treinador do Brasil falou.

"Não podemos esquecer que o Pelé não foi um anjinho em campo."

Não mais falou.

Porque treinador de seleção e político espertos deixam no ar.

Mas houve uma tremenda injustiça com Pelé.

Ele quebrou pernas, deu cotovelas, é verdade.

Porém na grande maioria dos casos, para quem tem memória ou se informou, ele participou de duelos.

Era ele ou o oponente.

Antes de fazer a alavanca para machucar seu marcador, Pelé havia sofrido pontapés tão criminosos quanto.

Ele quebrou a perna do alemão Kiesman e do zagueiro cruzeirense Procópio.

E deu uma cotovelada no uruguaio Dagoberto Fontes durante a Copa de 1970.

Esses foram os casos mais marcantes.

Não há espaço nesse post para dizer quantas vezes Pelé não pôde jogar por pancadas.

O rodízio da seleção portuguesa em 1966 já basta.

A desculpa de Mano, trazendo Pelé para a discusão é inconsistente.

Por que Neymar é prepotente, mimado.

Não é violento como Pelé foi às vezes.

Mano defende Neymar porque sabe que ele é imprescindível para a sua seleção.

O garoto de 18 anos é mesmo muito talentoso.

Está sendo muito criticado pelas molecagens que aprontou como xingar técnico e companheiros.

Mano já viu o que ele é capaz de fazer no amistoso contra os Estados Unidos.

O treinador sabe muito bem de que lado ele é obrigado a estar nesta dividida.

Do lado de Neymar.

Para o bem do futuro da seleção olímpica e da principal.

Só que ele não deveria ter usado Pelé.

Apesar de ser genial com a bola nos seus pés, ele nunca xingou seus treinadores ou companheiros.

Respeito, limites são características que Neymar não tem.

O talento o protegeu.

E agora ele o está usando para o mal.

Há a certeza na Vila Belmiro de que o garoto estará de volta contra o Corinthians.

Os indícios demonstram que Dorival Júnior fracassou na vontade de impor uma suspensão de 15 dias.

Para sua falta de sorte, a tabela marcava Santos e Corinthians na Vila Belmiro.

Tanto que não houve jeito.

Está mais  do que claro no clube quem importa mais: se o treinador ou o jogador de R$ 100 milhões...

Neymar já treinou hoje com o restante do elenco.

Talvez, no máximo, comece o clássico no banco de reservas.

E entre logo.

Alguém tem dúvida de que Neymar vai jogar?

Nem seu defensor Mano Menezes.

Ou mesmo Pelé...

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Carlão Barreto “doping de Chael Sonnen fez bem para a credibilidade do UFC”…

divulgação341 Carlão Barreto doping de Chael Sonnen fez bem para a credibilidade do UFC...

Carlos Barreto foi um dos melhores lutadores de MMA que o Brasil já produziu.

Depois, virou árbitro internacional, organizador, comentarista.

Uma referência do país no MMA.

Em entrevista exclusiva, ele explica o que significa o doping de Chael Sonnen na luta contra Anderson Silva.

Revela o quanto Anderson mudou depois da luta contra o Demian Maia.

E dá a notícia mais esperada pelos fãs: UFC voltará mesmo ao Brasil.

Em 2012...

Mais precisamente em São Paulo...

Carlão, vamos direto ao assunto: o que você achou do doping do Chael Sonnen?

Reafirmou a seriedade do MMA, do UFC.

Não houve qualquer proteção, favorecimento por ele ser americano.

Foi pego e hoje o mundo inteiro sabe que estava dopado.

O UFC poderia ter mantido a situação de forma interna.

Mas fez questão de mostrar para os fâs do esporte que um dos top five usou substâncias proibidas.

Fica uma lição que o MMA é um lugar hoje para atletas de pontas.

Que treinam meses e meses por uma luta,.

A Comissão Antidopagem é rígida e a mais moderna do mundo.

É o futuro do esporte que está em jogo em cada exame.

O Chael iria ter a revanche com o Anderson.

Não terá mais.

Sei que ele será seriamente punido.

E merece. Não tem cabimento uma atitude dessas.

O MMA saiu fortalecido, foi um aviso a todos.

Quem for fraco e cair nesta tentação do doping será pego.

Você não estranhou a maneira com que ele dominou o Anderson?

- Sim. Agora tudo se explica.

A facilidade com que ele aplicava as quedas.

Sua força era desproporcional, aumentada artificialmente.

E mostrou o poder de superação de Anderson Silva.

Mesmo contra um dos melhores wrestlers do mundo na sua categoria, dopado, machucado, ele ainda ganhou.

Você não acha que o Anderson não deveria ter lutado já que estava machucado,  com a costela fissurada?

- Acho que ele foi uma pessoa até responsável demais.

O Anderson tem a noção de tudo o que cerca o esporte.

E a frustração mundial que seria o adiamento da sua aguardada luta.

Ele teve uma postura de guerreiro.

Enfrentou o Chael mesmo machucado, com dores.

Mostrou todo o seu talento e ganhou ainda a luta.

O resultado foi espetacular ainda mais depois desse doping, que me entristece muito.

O MMA não tem lugar para lutadores que se dopam.

Você acha que o Anderson tomou essa atitude depois do que ele fez com o Demian Maia?

- Essa luta foi o maior erro do Anderson e do Demian também.

Porque eu quero ser justo: o Demian falou algumas bobagens desnecessárias.

A luta era entre dois brasileiros campeoníssimos, eles deveriam ter se respeitado.

O Anderson abusou na hora da luta.

Ele reconhece isso agora.

Foi uma lição na vida dele.

O Anderson é um lutador, uma pessoa muito honrada.

Mas é humano.

Errou e reconheceu o erro publicamente.

Sua postura mudou depois daquele combate.

E acredito que não há motivo para os praticantes do jui-jítsu ficarem contra o Anderson.

Ele não queria atacar o jui-jítusu, mas o Demian.

Graças a Deus tudo já foi superado.

Os dois vão continuar no esporte.

O Damian tem um grande talento.

E o Anderson é esse absurdo...

Não fuja, Carlão...

Quem vence: Anderson Silva ou Victor Belfort?

- Só isso?

Você quer complicar a minha vida.

Os dois são excelentes lutadores e muito meus amigos.

O Victor tem um boxe sensacional e uma explosão impressionante.

O Anderson tem o talento natural, o dom.

Ele nasceu para lutar.

E é imprevisível, pode aplicar todo tipo de golpe em uma luta.

Fora os que ele aprendeu, os que inventa.

O favorito natural dessa luta é o Anderson pelo momento.

Mas eu acho, de coração, um confronto imprevisível.

Todos querem ver esse tira-teima.

Eu também.

Apesar de saber que vou ficar triste por quem perder.

Mas o mundo do MMA é assim...

Você acredita que o nocaute que o Lyoto Machida levou do Shogun foi duro demais?

Haverá consequências, traumas?

Ele será o mesmo lutador?

- É sempre duro um nocaute para quem o leva.

A personalidade precisa ser forte.

Mas o Lyoto tem uma base familiar sensacional.

Seu pai é lutador, sua esposa só lhe dá força.

Seu irmão...

Tenho certeza de que ele voltará melhor do que antes do nocaute.

Já deve ter estudado a luta várias vezes e viu onde errou.

Seu ponto fraco.

E ele não perdeu para qualquer um.

Ele foi derrotado pelo Shogun que é um fenômeno.

Acredito em um retorno de altíssimo nivel do Machida.

Terá pela frente o Rampage Jackson, ex-campeão do UFC.

Será um enorme desafio, mas o Lyoto vai voltar e mostrar de novo porque é um dos melhores do mundo.

Aliás, quem é o melhor lutador do mundo?

- São três: o Anderson, o George Saint-Pierre e o Fedor.

Aliás, quero mandar um grande abraço ao Verdum pela vitória sensacional contra o Fedor.

Os brasileiros são incríveis.

Por que isso, Carlão?

- Pela miscigenação das raças.

Pelo amor que temos pela competição, pelo esporte, pelo futebol, pelas lutas.

Nascemos para lutar.

Quero dizer que não há nenhum favorecimento ao Brasil no MMA.

É puro talento.

Vários países tentam impor seus lutadores e não conseguem, mesmo sendo mais fortes economicamente.

E como no futebol, não paramos de produzir craques.

Não dá para falar nesse menino, o Charles do Bronx.

Ele terá uma carreira sensacional, pode escrever.

Carlão, você sabe todos os bastidores do UFC.

Quando ele vai voltar ao Brasil?

- Olha, conversei com o presidente do UFC, o Dana White.

E a prioridade em 2011 será o mercado asiático.

Por isso vendeu 10% do UFC para um sheik árabe (Tahnoon Bin Zayed Al Nahyan).

Ele quer dominar o mercado asiático com a ajuda do sheik.

Mas eu tenho uma boa notícia para você e para quem gosta do MMA...

Boa, não.

Maravilhosa...

Qual?

- Em 2012 o UFC voltará ao Brasil.

O UFC 17 aconteceu em outubro de 1998, em São Paulo.

Depois de tantos anos voltará com a grandiosidade atual.

Será um evento para parar o mundo.

O esporte evoluiu demais, os americanos sabem como fazer marketing.

Transformaram o UFC em um fenômeno mundial.

E vou antecipar que se o Rio de Janeiro terá Olimpíada e final de Copa do Mundo...

São Paulo vai ficar com o UFC.

Será um evento espetacular.

Virão os melhores do mundo.

Fico muito orgulhoso em dizer que o nosso país terá esse evento.

Quantos países ricos tentam e não conseguem?

A organização será sensacional.

Quem viver, verá...

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Silvio Luiz: a conversa séria com um dos melhores narradores de todos os tempos…

site pessoal Silvio Luiz: a conversa séria com um dos melhores narradores de todos os tempos...

58 anos de profissão.

Nove Copas do Mundo.

76  anos de uma vida intensa.

Alma de menino.

Narrador premiado que revolucionou a televisão brasileira.

Silvio Luiz.

Por trás de todas as brincadeiras, de todo os seus bordões, há um homem de inteligência rara.

Atualizado até demais, ele tem twitter, site, blog.

E narra a Série B do Brasileiro e o Campeonato Italiano pela Rede TV!

Em entrevista exclusiva ele mostra como tudo mudou nestes 58 anos.

No jornalismo esportivo...

No futebol...

Na vida...

Silvio, que análise você faz do jornalismo esportivo atual?

Piorou muito.

E em todos os sentidos.

Há muitos meninos que saem da faculdade, não sabem nada e são jogados em um clube de futebol.

Seus professores são mestres, têm pós graduação, mas nunca conversaram com um atleta.

E hoje há as figuras dos empresários dos jogadores, dos assessores de imprensa.

São trinta jornalistas participando de coletivas que não rendem nada.

O jogador é orientado a não falar nada de verdade.

A situação é falsa, boba.

O jornalista como não tem uma declaração que valha a pena se vinga na hora de escrever.

O atleta fica irritado quando lê o jornal, a Internet.

Os dois lados, o dos jornalistas e o dos jogadores mal se suportam.

A situação é ruim e só piora a cada dia.

Eu sei bem do que estou falando porque fui repórter.

E como era trabalhar como repórter?

Estamos falando de 50 anos atrás.

Havia intimidade, amizade com o jogador.

Ia para o restaurante, para o puteiro, para todos os lugares.

Éramos amigos, mas todos se respeitavam.

A confiança era grande.

Se no dia do jogo, ele fosse mal, não havia perdão: cacete nele.

A relação era verdadeira.

Não essa falsidade de hoje.

Havia jornalistas que estavam na lista de pagamento dos clubes?

Repórteres que ganhavam para falar bem de um time, de um jogador?

Sim. Infelizmente, sim.

Todos nós sabíamos que isso ac0ntecia, mas fingíamos que não percebíamos.

Eram pessoas fracas que contavam com esse dinheiro dos dirigentes.

Ficaram ganhando anos e anos.

Mas hoje também acontece.

Ou não há jornalista ainda hoje viajando e se hospedando por conta da CBF?

Isso é tão sujo quanto ganhar dinheiro de clube de futebol.

Eu fico muito triste, indignado quando penso a sério sobre essa situação.

Você está satisfeito com o jornalismo esportivo na tevê?

Não. Por um simples motivo: não há jornalismo.

Há entretenimento, diversão.

Algo para passar o tempo, com muitas brincadeiras e nenhuma profundidade.

O importante é manter a pessoa assistindo, ter audiência.

E também muita gente que está na televisão hoje não mereceria estar.

Pena que poucas pessoas saibam.

Como assim?

Tem muita gente que está diante das câmeras por causa dos patrocínios que leva.

Leva dois, três patrocinadores e vira o rei.

Hoje, meu filho, o que vale é o dinheiro.

Em todo o lugar.

O valor da pessoa, o talento fica em segundo plano.

Eu vejo, lamento, mas entendo.

Percebo muito bem o que está acontecendo ao meu redor.

Eu brinco, ironizo, mas não sou bobo.

Entendo bem demais o atual jogo da sobrevivência na tevê, no jornalismo.

E tudo está ainda mais pesado.

Como o Faustão me disse.

Quando comecei na Globo dava 35 pontos.

Mas não tinha celular, os shoppings não abriam aos domingos, internet, tevê a cabo, porra nenhuma.

Hoje há inúmeras possibilidades de divertimento além da tevê.

E a briga é mais pesada.

O dinheiro do patrocinador fala mais alto.

É bom ter liberdade para falar isso.

Como você mudou a maneira de narrar futebol no Brasil?

Não sei se mudei, mas tenho muito orgulho da minha carreira.

Sempre fiz e faço do meu jeito.

Quando morreu o grande narrador Geraldo José de Almeida, a Record precisava de um narrador.

Havia uma dúvida.

Entre eu e o Hélio Ansaldo.

Um iria narrar e outro iria comentar.

O Hélio narrou duas partidas e acabou pedindo para comentar, dizia que eu fazia melhor.

Eu realmente gostei e acredito que fiz um bom trabalho.

Procurei seguir a minha intuição e parti para divertir o telespectador.

Narro o jogo, mas várias situações que acontecem durante a partida são ditas do meu jeito.

Os bordões vieram naturalmente, do meu poder de observação.

Eu brinco, faço quem está assistindo se envolver com o jogo.

Dar uma risada, descontrair, além de torcer.

Esquecer um pouco a dificuldade da vida.

Fico feliz demais quando percebo que as pessoas realmente se divertiram com o jogo.

Você fugiu da maneira tradicional de narrar...

Sim.

A maneira tradicional foi a que consagrou o Galvão Bueno e o Luciano do Valle.

Eles seguem a cartilha do Geraldo José de Almeida.

Acabaram ufanistas, torcedores demais.

Torcem além da conta nos jogos do Brasil.

Em nome dessa torcida distorcendo a realidade.

Isso é ruim, irrita quem está assistindo a partida.

E eu acho que o Galvão Bueno tem uma rejeição além da conta por um erro básico.

Qual?

O Galvão muitas vezes quer tanto que a sua tese prevaleça que ele briga com a imagem.

É uma postura absurda, que não tem cabimento hoje em dia.

Há 16 câmeras mostrando um lance.

Não será gritando o contrário do que todos estão vendo que terá razão.

A reação contrária ao Galvão vem daí.

Mas ele é um excelente narrador.

Assim como o Luciano, que está meio devagar, perdeu um pouco o entusiasmo.

Mas também tem muito talento.

Muita coisa foi dita sobre o fato de você não ter transmitido a Copa da África.

O que aconteceu?

Eu iria cobrir a minha décima Copa do Mundo.

Me preparei para ir.

Mas faltando uma semana, o diretor da emissora onde eu estava me chamou e disse que eu não iria mais.

Ele alegou ter recebido ordens 'de cima'.

Não admiti a situação, o desprezo com que fui tratado.

E pedi demissão.

Não me arrependo.

Fiz o certo.

Posso brincar muito e as pessoas não percebam, mas tenho minha dignidade.

Na minha lápide quero que escrevam: "Silvio Luiz, o homem das nove Copas. Quase dez..."

Mas e a do Brasil?

Não vai fazer?

Cosme, em 2014 vou completar 80 anos, será que alguma emissora vai me querer?

No Brasil, no mundo, não há espaço para as pessoas velhas.

Eu entendo, sou realista.

Tenho certeza que estará narrando, mas quero saber o que você acha da Copa no Brasil...

Eu acho que já começou de maneira errada.

Não há explicação para tirar o Morumbi da abertura da Copa do Mundo.

A não o jogo de interesse.

A amizade do Ricardo Teixeira com o Andres Sanches levou a abertura para Itaquera.

Tudo porque o Juvenal votou no Fábio Koff no Clube dos 13.

Não me conformo como as coisas acontecem por aqui.

Tudo é uma grande sacanagem.

Por isso vejo essa Copa com o pé atrás.

Qual foi o jogo mais importante que você narrou?

Cosme, eu não torço mais para um time.

De coração, torço para os meus amigos.

E torci demais pelo Brandão, que era o treinador de 1977.

O título que o Corinthians venceu depois de 22 anos foi o mais emocionante para mim.

A vibração no Morumbi foi inesquecível.

Fiquei muito feliz pelo Brandão.

Outro amigo seu acabou fracassando na Copa da África: o Dunga...

Sou amigo dele sim.

Tenho muito orgulho da nossa amizade.

Ele é uma pessoa ótima.

Mas eu sei que ele assumiu a Seleção para acabar com a farra.

Impedir que alguns jogadores que abusaram voltassem.

Ele nunca foi um grande estrategista.

Para isso, ele deixava o Jorginho pensando na tática.

Mas o maior problema do Dunga foi a sua fidelidade aos amigos.

Ele se ferrou porque insistiu nos jogadores que nunca viraram as costas quando foram convocados.

O Dunga teria de ter levado o Neymar e o Ganso.

Mas foi fiel aos jogadores que sempre chamou e dançou.

Ele errou e pagou caro por isso.

O Dunga é uma grande pessoa, mas exagerou na África.

O Mano que ficou com o cargo parece ser uma pessoa mais esperta, equilibrada.

Sabe como as coisas funciona.

E herdou um 'manjar branco'.

Não irá disputar as Eliminatórias, deverá chegar bem demais na Copa de 2014.

Como é o seu atual momento?

Muito alegre.

Estou bem na Rede TV!

Trabalho com pessoas que gosto, em quem confio.

Tenho o meu site, meu blog, o twitter.

Tenho 62 mil seguidores.

E na semana que vem serei avô, estou feliz demais.

Você trabalhou em várias tevês, por que não na Globo?

Eu tive o convite em 1981 ou 1982.

O Nilton Travesso me chamou para almoçar e disse que o Boni me queria.

Respondi com uma pergunta: quem vai narrar a final da Copa de 1982?

O Nilton não soube responder.

Estava cara que não era eu.

Percebi que a Globo estava tentando me tirar da Record só para que eu não narrasse.

Tipo de atitude que ela costuma ter até hoje.

Comprar as coisas para não mostrar.

Mas comigo não, negão.

Disse não e segui feliz da vida a minha carreira.

Que vai seguir enquanto Deus quiser...

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Romário, exclusivo. Dunga, chance de trabalhar na Seleção, candidatura a deputado, R$ 70 milhões para receber de Vasco, Fluminense e Flamengo…

5779 Romário, exclusivo. Dunga, chance de trabalhar na Seleção, candidatura a deputado, R$ 70 milhões para receber de Vasco, Fluminense e Flamengo...

Johannesburgo...

Romário.

Qualquer entrevista exclusiva com ele é uma surpresa.

O ex-jogador veio até a África para o lançamento da Copa do Brasil.

Mas por 45 minutos foi do que  menos falou.

Sem introdução, Romário.

Você conhece muito bem o Dunga.

O que aconteceu com ele na Copa, por que tanta raiva da imprensa?

Olha, eu adoro o Dunga. Nós sempre nos respeitamos e nos demos bem demais.

Ele respeita o meu estilo e eu respeito o dele.

Eu sei o quanto ele sofreu em 1990 com aquela história idiota de geração Dunga.

O Lazaroni forma o time, todos jogam mal contra a Argentina e ele é o único crucificado?

Ele representou tudo de ruim.

Você não tem ideia como um jogador sofre quando a imprensa diz que ele foi mal em um jogo.

Ainda mais personificar o fracasso de uma Copa.

Na boa? Foi uma puta sacanagem com o Dunga.

Isso ficou atravessado na sua garganta.

Na minha também ficaria.

Quando ele teve o comando da seleção, impôs o seu estilo.

E deu o troco.

Sem dar privilégios para ninguém, que foi um mérito.

Bateu em todo mundo.

Ele democratizou as pancadas.

Você aguentaria ficar confinado por quase dois meses, sem visitas íntimas?

Olha, seria difícil.

Muito difícil para mim.

Só que agora eu compreendo bem mais do que no meu tempo como jogador.

Era um sacrifício em função de um enorme objetivo que era ganhar a Copa do Mundo.

Foi a proposta que ele fez para todos os que foram trabalhar  com a seleção.

Não escondeu de ninguém, mentiu.

Quem aceitou não tem do que reclamar agora.

Mas o Dunga conseguiu unir o grupo.

Todos morreriam por ele.

Isso é um grande mérito que ninguém vai conseguir tirar ou manchar.

Perdeu a Copa? Perdeu.

Mas conseguiu ganhar a Copa América, Copa das Confederações e classificou o Brasil em primeiro lugar das eliminatórias.

Seu trabalho foi bom, teve padrão.

Ninguém pode falar de incoerência no seu trabalho.

Por que o Brasil se desmanchou depois do empate da Holanda?

Realmente o time não teve os nervos no lugar.

A impressão foi que todos sentiram que não mataram a partida quando puderam, no primeiro tempo.

Depois o time se perdeu, começou a querer brigar e se esqueceu de jogar.

Foi uma pena, mas não sou a favor de crucificar ninguém.

Todos falharam. Todos. Não venham com essa conversa que a culpa é de um só.

Não vamos repetir o que aconteceu em 1990.

Nada disso.

Perderam todos.

Vamos formar outra seleção e acabou...

Você vai fazer parte da nova comissão técnica?

Olha, Cosme, sinceramente não sei.

Tenho um ótimo relacionamento com o presidente Ricardo Teixeira.

Eu sinto que posso ajudar de alguma maneira, com a minha experiência, vivência.

Não como treinador, que ainda não é a minha.

Mas como alguém para ficar perto dos jogadores.

Alguém que sabe como as coisas funcionam, como precisa ser o relacionamento entre comissão técnica e o time.

Ouvi alguma coisa que a estrutura da seleção brasileira vai mudar.

Há a chance de alguns ex-jogadores colaborarem.

Se me chamarem, essa função me atrai muito.

Romário, muita gente diz que você está quebrado financeiramente.

Isso é verdade?

Olha... Foi bom você me perguntar isso de frente, muito melhor do que escrever bobagens pelas costas, como muita gente fez.

Vou ser bem sincero.

O Flamengo me deve dinheiro.

O Fluminense me deve dinheiro.

O Vasco me deve dinheiro.

Somando tudo eu tenho a receber mais ou menos R$ 70 milhões.

Não está mal, não é?

O problema que eu tive foi com a minha ex-mulher.

Ela conseguiu travar a minha vida financeira na Justiça.

Tinha meus bens, minhas propriedades, mas não poderia mexer, graças a ela.

Foi um período difícil, ruim, um perrengue.

Mas eu estava tranqüilo porque sabia o que tinha.

E principalmente o que ela tinha direito.

Tudo foi resolvido e estou muito bem.

E vou ficar ainda melhor quando receber o que me devem.

Qual é o seu futuro?

Olha, sou candidato a deputado pelo Rio de Janeiro.

Desculpe, Romário candidato a deputado?

Por que entrar na política?

Tem vários ex-jogadores até eleitos que não têm nem ideia do que estão fazendo na política...

Olha, ninguém pode negar que o nível intelectual dos jogadores melhorou demais nos últimos cinco anos.

Eu sei muito bem o que quero.

Nasci na favela, lutei muito para me tornar quem eu sou.

Eu quero facilitar a vida das pessoas.

Principalmente de quem tem filhos especiais, como eu tenho.

Há cinco anos convivo com a minha filha com Síndrome de Down.

Graças a Deus, ela tem tudo.

Mas sei de inúmeros casos de pessoas que sofrem demais, sem acesso a nada.

Isso não vai ficar assim.

Tomei essa missão como minha razão de entrar para a política.

Não quero sacanear ninguém, dinheiro público.

Eu quero lei para ajudar quem está sofrendo.

Ter um filho especial no Brasil é uma das situações mais difíceis.

Ninguém pode imaginar.

Mudando de assunto, Espanha e Holanda merecem fazer a final da Copa?

Muito. Foram melhores nos momentos decisivos.

Eu fico dividido de verdade.

Fui feliz nos dois países.

Será uma grande final.

Foram os grandes times da Copa.

E merecem estar na final.

Eu já falei, mas repito.

Foi a vitória do futebol técnico, que busca o g0l.

Dói não ver o Brasil na final.

Mas Holanda e Espanha representam o melhor do futebol atual...

Romário, para terminar.

Você é uma pessoa corajosa

O que pode falar sobre o caso Bruno do Flamengo?

Olha, me desculpe.

Eu falo sobre tudo, mas não sobre esse caso.

É tudo muito chocante, pesado demais.

Não quero falar, não quero pensar, não quero me envolver...

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O jogador mais injustiçado do Brasil.Ou como é difícil estar no Palmeiras e não ser da Traffic. Deyvid Sacconi…

injustiça O jogador mais injustiçado do Brasil.Ou como é difícil estar no Palmeiras e não ser da Traffic. Deyvid Sacconi...

Há quase três anos é a mesma coisa.

Ele perdeu as contas de quantas vezes teve de responder a seqüência de perguntas.

'Você treina tão bem. Quando entra rende muito.

 Por que não tem chance no Palmeiras?

Por que não é da Traffic?

E em todas as vezes, ele fica constrangido. Pensa muito bem antes de responder.

Foi orientado para não entrar em choque com a milionária patrocinadora palmeirense.

Conselheiros da situação e até da oposição pedem para o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo dar mais chances ao jovem meia.

Muricy Ramalho ouvia falar muito bem dele ainda no São Paulo. Sua fama era de ser o grande injustiçado do futebol paulista.

E foi o primeiro técnico em quase três anos de Palmeiras a lhe dar a chance de atuar em três partidas seguidas.

Um das maiores queixas sobre o trabalho de Luxemburgo era não olhar com atenção para o jogador.

Em entrevista exclusiva ao blog, fica claro que a situação de Deyvid Saconni vai mudar.

Não só no Palmeiras, mas na carreira.

Ele acaba de voltar de Milão onde deixou adiantado o seu passaporte italiano.

É um grande sinal de que o meia de apenas 22 anos cansou de esperar apenas pela boa vontade palmeirense.

Deyvid: por favor, acabe com um grande mistério.

Quem acompanha o dia-a-dia do clube diz que você é injustiçado há muito tempo. 

Você não consegue ser titular do Palmeiras porque não é da Traffic?

Os jogadores da Traffic precisam atuar para serem valorizados...

Olha.. Eu me recuso a acreditar que o motivo seja esse.

Eu realmente não pertenço à Traffic.

Meus direitos são 50% do Sonda, 40% do Palmeiras e 10% meus.

Prefiro pensar que os treinadores que passaram pelo clube tinham as suas preferências.

Até para viver melhor.

Eu respeito sempre o técnico.

Não vou criar clima ruim, questionar, eu apenas respeito.

Sei do meu potencial, mas quem escolhe quem vai para o campo é o treinador.

O Luxemburgo não costumava nem deixá-lo no banco...

O que eu posso dizer?

Eu treinava, fazia o que tinha de fazer.

Muita gente me elogiava sim.

Mas o Luxemburgo não me escolhia.

Eu sabia que estava bem, mas tinha de acatar.

Não sou jogador de criar problema.

Se as pessoas falavam bem de mim no clube, a culpa não era minha.

O Luxemburgo tinha seus jogadores preferidos.

Eu não parava para pensar se eles eram ou não da Traffic.

Mas você chegou a cansar e pensar em sair?

Todo jogador quer estar em campo.

Eu não sou diferente.

Tive duas propostas muito boas de dois clubes tradicionais do Brasil.

E estava disposto a ir. Não tinha chances...

Mas o gerente Toninho Cecílio me chamou para conversar e insistiu que eu continuasse no Palmeiras.

Foi ele quem foi me tirar do Guarani.

Ele conhece bem o meu potencial ("Ele é um excelente jogador. Excelente", costuma repetir Toninho. E diz que foi um feito trazê-lo do Guarani para o Palmeiras. Venceu a concorrência de Internacional, Fluminense e Santos).

Sabe que havia outras equipes interessadas em mim antes de eu fechar com o Palmeiras.

O Toninho me pediu paciência disse que chegaria a minha hora.

 Eu preferi acreditar nele e fiquei.

Meu contrato termina em 2011.

Vamos ver o que acontecerá em 2010.

Como é se sentir melhor do que os titulares e não ficar nem na reserva?

É duro. Mas eu tinha de respeitar o técnico e quem estava jogando.

E eu respeitei. Minha personalidade é essa. Não quero criar problema para ninguém.

Quero ajudar a deixar o ambiente no clube em que eu trabalhar o melhor possível.

Qual a maior sequência de jogos que você teve no Palmeiras?

Em quase três anos de clube...

Foram três partidas com o Muricy.

Foram as últimas do Brasileiro.

Com ele eu tenho tido mais espaço.

Uma coisa que sempre me deu força foi o apoio dos jogadores.

Muita gente no time sempre me incentivou.

Falavam para eu segurar, não reclamar e continuar treinando.

Foi o que eu fiz.

Tenho grandes amigos no Palmeiras.

Esse apoio foi fundamental para eu ficar tranqüilo mesmo não jogando.

Atuar no Palmeiras é mesmo mais difícil do que em outros clubes?

Ah...Eu não tenho dúvida nenhuma sobre isso.

A pressão é enorme. Ganhando ou perdendo.

A torcida foi muito bem acostumada com o clube ganhando vários títulos ao longo dos anos.

Somos cobrados como se tivéssemos a obrigação de ganhar.

E temos mesmo já que somos atletas do Palmeiras.

Eu resumo de uma maneira fácil de entender.

É preciso ter mais personalidade do que o normal para vestir a camisa do Palmeiras.

Eu tenho.

Não tenho o menor medo de pertencer ao clube.

Pelo contrário. Tenho orgulho.

Por falar em ter, você daria algum conselho ao Vagner Love?

Quem sou eu para dar conselho ao Vagner Love?

Ele faz o que quiser, mas eu gostaria muito que ele continuasse no Palmeiras.

Ele é um grande jogador.

Foi a minoria da minoria da torcida que resolveu agredi-lo.

Os torcedores palmeirenses respeitam seus ídolos.

Será um desperdício se ele for embora do clube.

Como é que você se sente sendo convidado pelo próprio Rivaldo para o jogo beneficente de amanhã em Mogi?

Ele e vários jogadores como o César Sampaio elogiam o seu futebol. E olha que você não é nem titular do Palmeiras?

Só posso sentir orgulho. O Rivaldo foi meu ídolo. Quando era criança adorava vê-lo jogar. É um craque. Assim como César Sampaio. Só posso ficar muito feliz por esse reconhecimento. Quando jogadores importantes como eles me conhecem e me querem jogando com eles é sinal que estou no caminho certo.

A última pergunta: você se sente injustiçado no Palmeiras?

Por isso tirou o passaporte italiano?

Eu...Não me sinto injustiçado, não.

Prefiro acreditar que em 2010 a minha hora vai chegar.

Estou pronto para fazer o melhor e ganhar de vez um lugar na equipe.

Acredito no trabalho do Muricy e vamos compensar o que deixamos escapar em 2009.

Quero ter uma passagem vitoriosa no Palmeiras.

E depois posso pensar no meu futuro.

Ter o passaporte italiano abre as portas para a Europa.

Eu quero jogar em um grande clube de lá.

Mas antes faço questão de ganhar, de vencer no Palmeiras.

2010 será um ano diferente para mim.

Bem diferente...

“Sofri como o Messi, como o Cristiano Ronaldo. É duro ser valorizado de verdade só fora do seu país.” Rivaldo

ronaldinho Sofri como o Messi, como o Cristiano Ronaldo. É duro ser valorizado de verdade só fora do seu país. Rivaldo

"Tudo o que a Seleção não pode é repetir o que fizeram comigo em 2006. O Dunga tem de levar o Ronaldinho Gaúcho e o Ronaldo para a Copa da África.

Não se joga talento fora. Nem se for só para meter medo nos gringos."

Quem fala sabe o que diz.

Ele foi o melhor jogador do Mundo em 1999, eleito pela Fifa. Campeão da Copa de 2002 e vice de 1998. Campeão da Liga dos Campeões. Campeão da Copa das Confederações. Campeão da Copa América. Campeão brasileiro. Bicampeão espanhol. Tricampeão grego. Bicampeão uzbeque.

E mais dezenas de títulos e artilharias...

Um dos melhores jogadores do Brasil em todos os tempos.

Rivaldo.

Em uma longa entrevista exclusiva ao blog, Rivaldo mostra um pouco da sua carreira vencedora.

Deixa transparecer sua velha mágoa por ser muito mais valorizado no Exterior do que no Brasil.

Mas se acostumou, até ri da situação.

Milionário, jogará no Uzbesquistão por mais dois anos e depois voltará ao País.

Quando completará 15 anos atuando na Europa, na Ásia.

A longa peregrinação acabará em Mogi Mirim.

Sem direito a uma partida de despedida com a camisa da Seleção Brasileira.

Jogos de despedida só de outros jogadores, em outros países...

"Sei como as coisas são no Brasil. Se o Cafu, o Roberto Carlos e tantos outro não tiveram, por que eu teria o direito de uma partida de despedida da Seleção?

Vou fazer pelo Mogi, onde sou presidente do clube e faço o que quero.

 Infelizmente eu enxergo as coisas como elas são. Não me iludo."

Rivaldo, vamos começar pelo que me incomoda como repórter. Por que você não é valorizado no Brasil?

Isso me incomodou muitos anos. Cheguei a algumas conclusões. A minha origem é pobre, nunca fui jogador de fazer marketing, ir para a televisão fazer graça, ficar trocando de mulher em baladas. Sou uma pessoa simples, tranquila. Sempre fugi de entrevistas. Esse perfil não interessa à mídia. Eu vou falar, Cosme. Sofri como o Messi, como o Cristiano Ronaldo. É duro ser valorizado de verdade só fora do seu país. Mas agora estou calejado, não deixo essa injustiça me machucar mais. Só que eu tenho de dizer que foi triste, saber o que eu representava e não ter o reconhecimento por aqui. Isso acabou, não espero mais nada de ninguém. O importante é que eu saiba o meu valor e está tudo certo, vamos seguir a vida.

Como você conseguiu ter uma carreira tão brilhante?

Agindo ao contrário do que acontece no atual futebol brasileiro. Sou dono, presidente do Mogi Mirim. Eu tenho conversado com alguns jovens jogadores do Nordeste para reforçar meu clube. E tem sido a maior decepção. Eles preferem ganhar R$ 1 mil a mais e ficar no Rio Grande do Norte ou na Bahia do que disputar o Campeonato Paulista. Abrem mão da maior vitrine do País. O Campeonato Paulista é mostrado no mundo todo. Eu posso não ter estudo (mal acabou o antigo ginásio), só que nunca fui burro. Quando estava no Santa Cruz me ofereceram a chance de jogar o Paulista pelo Mogi Mirim. Larguei tudo e aceitei. Quando almoçava na concentração ficava com dor na consciência pensando se a minha mãe teria o que comer naquela hora, lá em Paulista, uma cidadezinha pobre perto de Recife. E usei o Mogi Mirim como trampolim para a minha vida. Dei o meu máximo, carregava a minha família quando entrava em campo. Apostei em mim. Hoje tem um monte de jogadores medrosos, cercados de empresários que, infelizmente, vão ter carreiras medíocres por ganância burra, falta de visão.

Bastaram três anos. E do Mogi Mirim, você passou pelo Corinthians foi para o Palmeiras e já estava embarcando no La Coruña...

E fica um aviso para os jovens jogadores de 15 anos que já têm empresários. Eu fiz tudo isso sozinho. Eu mesmo negociava os meus contratos, decidia para onde ir.  Nunca precisei ter alguém para me dizer para onde ir, o que fazer, o que comer. E, importante, fiquei onde me valorizavam. No Corinthians não acreditaram em mim. Não teve importância. Fui para o Palmeiras, onde me deram estrutura para jogar. Me passaram tanta confiança que, se eu tivesse de voltar um dia ao futebol brasileiro, seria para atuar com aquela camisa verde de novo. Sou grato ao Santa Cruz, mas meu coração é palmeirense. Das escolhas que fiz em toda a minha carreira só errei no projeto do Luxemburgo com o Cruzeiro. Quando o demitiram, demiti o Cruzeiro.

Como você ganhou tanto prestígio na Europa? Como jogou com tanta personalidade?

O Ronaldo sempre brincou comigo, me chama de Paraíba e tal. Eu posso parecer e sou uma pessoa simples. Mas nunca me faltou personalidade. Sabia que os clubes europeus queriam de mim e eu tinha condição de jogar como eles esperavam. E até mais. Sempre treinei, me cuidei, fui profissional. As tentações aparecem de acordo com o seu sucesso. E eu nunca perdi a noção que jogava por mim e pela minha família. Tinha um objetivo: vencer na vida, na carreira. Se ninguém apostava em mim, azar. Agora, não iria decepcionar os que acreditavam. E foi assim em todos os clubes pelos quais passei: La Coruña, Barcelona, Milan, Olimpiakos, Athenas e agora no Bunyodkor, no Uzbequistão.

Você foi o melhor jogador do Mundo em 1999.  E ganhou tantos prêmios e campeonatos. Por que nunca foi unanimidade para o torcedor brasileiro?

Porque há muita gente da mídia que é burra e cruel. Simplifica demais as situações. Quando um time, uma seleção perde é mais fácil escolher um culpado, crucificar alguém, ferrar com a vida de uma pessoa. Tudo isso para não ver o óbvio: que o adversário foi melhor, se preparou mais, fez uma grande partida. Eu fui crucificado na Olimpíada de 1996. O Brasil saiu daqui com a obrigação de ganhar a medalha de Ouro em Atlanta. Fez uma preparação ruim. O time tinha grandes jogadores. (A escalação na derrota para a Nigéria por 4 a 3, que tirou a chance de o time vencer o torneio:  Dida; Zé Maria, Ronaldo Guiaro, Aldair e Roberto Carlos; Zé Elias, Amaral, Flávio Conceição e Juninho Paulista (Rivaldo); Bebeto, Ronaldo (Sávio). O Brasil terminou o primeiro tempo vencendo por 3 a 1.) O Zagallo foi o técnico. Mas eu fui o escolhido da mídia para pagar o fracasso da Seleção. Fiquei um ano sem ser convocado. Isso estando no meu auge na Europa, ganhando vários prêmios. Tudo por causa da pressão da mídia brasileira. Aqui foi sempre assim. Eu tenho outros exemplos na ponta da língua...

Fale, Rivaldo. Quais...

O maior que eu vivi foi a Copa de 1998. Houve aquela coisa com o Ronaldo. Eu tinha lanchado com ele. E estava tudo normal. Depois ouvi os gritos do Roberto Carlos e fui um dos primeiros a chegar no seu quarto. Vi ele tendo as convulsões e indo embora de ambulância para um hospital da França. O Zagallo tinha escalado o Edmundo e disse isso a todos. Depois chegou o Ronaldo e jogou. E nós perdemos por causa das convulsões? Isso é uma grande bobagem, mentira. Com o Ronaldo,mal perdemos por 3 a 0. Se ele estivesse bem e nada tivesse acontecido, perderíamos por 2 a 0. Tomamos dois gols de escanteio. Não jogamos nada. A França fez a sua melhor partida de toda a Copa. Se jogássemos dez vezes contra eles perderíamos as dez. Nosso time tinha problemas e eles nos dominaram. No Brasil sempre se busca desculpa para tudo. Há sempre uma história, uma conspiração, um Cristo, um culpado. Nunca admitimos nossa falha. Foi assim também na Copa de 2006.

Espera aí, Rivaldo. As baladas, as farras dos jogadores não prejudicaram?

Cosme, vamos acabar com tanta hipocrisia. Você acha que em 2002 não tinha balada? Os jogadores não saíam depois das partidas e voltavam de madrugada? Faziam a mesma coisa que em 2006. Eu adoro o Felipão, mas falar que o Brasil ganhou por causa da Família Felipão é de uma mediocridade assustadora. Não tem essa história de Família Zagallo, Família Parreira, Família Felipão. O que importa é preparar o time com seriedade e na hora da partida o time jogar bem. O Brasil não jogou bem de novo contra a França. A defesa bobeou e o Henry fez o gol. Ponto final. Futebol é isso. Eu fico muito decepcionado porque pessoas acompanham futebol por anos, pela vida inteira e não conseguem enxergar o óbvio. O futebol é um esporte e um dia uma equipe pode estar melhor do que a outra. Mas temos a mania nas derrotas de procurar vilões. Você é inteligente. Não acha que na Copa de 2002 também não tinha vilões? Tinha. Como na Copa de 70 também tinha e as vitórias enterram tudo.

Em 2006 você ficou muito chateado por não ter sido convocado?

Hoje eu me sinto à vontade para falar abertamente: fiquei. Porque eu tinha condições. Estava jogando muito bem na Grécia. Foi preguiça, falta de observação. Ninguém foi acompanhar o futebol grego. Diziam que era fraco demais. Mas nada mudou e o Gilberto Silva joga no futebol grego e é titular do Dunga. O Parreira não me deu chance. Todos na Grécia e na Europa perguntavam porque eu não era convocado. E eu não tinha resposta. Tinha 34 anos, mas minhas condições físicas e técnicas eram excelentes. Fui escolhido como o melhor jogador da Grécia e meu time foi tricampeão. Tudo o que eu queria era uma chance. Antes do último amistoso antes da convocação para a  Copa, me chamou para conversar. Queria saber como eu estava. E disse que queria me levar para a Alemanha. Fiquei mais do que animado. Nunca vou esquecer. Foi em uma sexta-feira. Chegou na terça, eu não estava entre os convocados para o amistoso. Nunca vou saber porque não fui chamado. Mas eu sei que poderia ter ajudado. No banco, no grupo, mas eu teria ajudado. Espero que o Dunga não cometa esse erro com o Ronaldinho Gaúcho ou com o Ronaldo. E os leve para a África. Para não se arrepender depois.

Como assim? Explique...

Tudo o que a Seleção não pode fazer é repetir o que fizeram comigo em 2006. O Dunga tem de levar o Ronaldinho Gaúcho e o Ronaldo. Não se joga talento fora. Nem que for para meter medo nos gringos. O Ronaldinho Gaúcho precisa sentir que há um grupo, um treinador que confia nele. Eu o conheço e sei tudo o que ele pode fazer em campo. Eu e o restante do mundo. Mesmo se for para ele não jogar. Só estando entre os convocados. São só sete partidas para ganhar uma Copa. O treinador de qualquer time que for enfrentar o Brasil ficará na dúvida e terá de treinar seus jogadores para enfrentar o Ronaldinho Gaúcho, mesmo se estiver no banco. O mesmo vale para o Ronaldo. Dizem que ele está gordo, mas eu queria um gordo com tanto talento e metendo tantos gols como só ele sabe. Que país do mundo viraria as costas para os dois? Só o Brasil. Quem você prefere ter no banco? Dois garotos no auge do preparo físico, mas ainda verdes de Copa do Mundo? Ou esses dois talentos? Olha, será uma grande bobagem não levar esses dois. Não acredito que o Dunga vá cometer esse erro. Você vai ver, na convocação final estarão o Ronaldinho Gaúcho e o meu amigo Ronaldo.

Por falar nele, ele não te chamou para o Corinthians do centenário? Para disputar a Libertadores do ano que vem? O São Paulo fez proposta por você para jogar a próxima temporada?

Olha...Eu até falei com ele faz quatro dias. Só o chamei para o jogo beneficente que vou fazer aqui em Mogi Mirim. Ele está viajando, na Europa, diz que vem. Mas não me chamou para o Corinthians, não.  E o São Paulo não me chamou, não. Me sondaram quando estava na Grécia há uns dois anos. Só que não houve acerto. Olha, tenho mais dois anos de contrato com o Uzbesquistão. Depois, com 39 anos eu volto. Adoraria jogar no Palmeiras, clube que eu realmente gosto. Mas eles não vão querer um avô. Vou encerrar no clube que é meu, sou presidente, o Mogi Mirim. Pronto. E a partir daí pensar em ser ser dirigente o resto da vida. Nem penso em ser treinador.

Espere um pouco, Rivaldo. Sei que essa conversa vai acabar com despedida. Fale dessa loucura de Uzbesquistão? E ainda você leva o Felipão?

(ri muito) Não tem nada de loucura, não. Estamos desenvolvendo o futebol em um país. Isso é muito sério. Estamos entrando para a história de uma nação que ama o futebol e não sabe como desenvolvê-lo. Estava na Grécia quando fui procurado. Me apresentaram o projeto e eu aceitei. As autoridades de lá ficaram nervosas, tensas quando me conheceram. Foi reconhecimento, respeito pelo que fiz em campo. O Zico foi o treinador por um período e quando recebeu uma proposta do CSKA e pediu para sair. Fui buscar o Felipão. E ele mostrou toda a confiança no que lhe disse. A nossa relação é de confiança plena. A mesma que fez com que ele acreditasse em mim em 2002, quando eu disse que estava recuperado de uma contusão e só ele no Brasil acreditou e me levou para o Japão. Eu mostrei para ele o projeto de profissionalizar o futebol no Uzbesquistão. Estamos construindo um estádio para 30 mil pessoas, desenvolvendo Centro de Treinamentos, fisioterapia, concentração, tudo. Dinheiro e boa vontade não faltam. Eu e o Felipão estamos muito felizes lá. O Felipão irá seguir sua carreira como técnico sabendo o bem que fez não só a um clube, mas a um país. Isso é para dar orgulho a qualquer pessoa.

E por falar em orgulho, você continua ajudando as pessoas necessitadas...

Isso me dá muito prazer. Na Espanha foi assim, quando tinha uma fundação que ajudava as pessoas carentes. Eu sei o que vivi. Na Espanha foi escrito um livro sobre a minha vida. Mostra que saí do nada, de um barraco de uma pequena cidade do Pernambuco para ser o melhor jogador do mundo. Vivi, passei por necessidades. Sei o que é passar fome. Então, agora que posso, tenho de ajudar. A gente está nessa vida apenas de passagem. Temos de ajudar quem precisa. Costumo fazer isso. Faço questão de organizar esse jogo no final do ano. Por favor, coloca aí na matéria. Será no dia 23. Basta levar um quilo de alimento não perecível para o estádio do Mogi Mirim. Chamei Kaká, Ronaldo, Carlos Alberto, Elano, estou atrás do Roberto Carlos. Diego Souza, Vagner Love, Carlos Alberto. Vem muita gente boa para jogar comigo. O importante é ajudar. Eu fico muito feliz em poder aliviar o sofrimento de quem precisa. Tomara que o estádio esteja cheio. Estou com muita saudade de jogar no Brasil...

 

Exclusivo.”Virei um símbolo da ditadura porque enfrentei a TV Globo.” Dadá Maravilha…

carlos medici jules Exclusivo.Virei um símbolo da ditadura porque enfrentei a TV Globo. Dadá Maravilha...

Dario José dos Santos.

Dario Maravilha.

Ou, simplesmente, Dadá.

Três vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro.

Quatro do Mineiro.

Autor do maior número de gols em uma só partida oficial no Brasil.

Marcou dez dos 14 gols que o Sport fez no Santo Amaro, no Pernambucano de 76.

Seus 63 anos de vida misturam alegrias e tristezas, bem escondidas.

Em uma emocionante entrevista exclusiva ao blog ele se permitiu.

Foi além do personagem. E tocou em pontos delicadíssimos da sua vida.

Ser um representante involuntário da feroz ditadura militar.

Ter a marca de ter ido para a Copa de 70 por ordem do presidente Emílio Garrastazu Médici.

“Eu carrego isso por ter enfrentado a TV Globo. Nem Deus sai ileso de uma briga com a Globo.”

A falta de dinheiro. “Se eu não trabalho, não como.”

O apartamento na periferia de Belo Horizonte.

O carro popular com que chega ao Mineirão.

A infância de deliqüência no Rio de Janeiro, as internações em casa de jovens com problemas com a Justiça.

A falta de reconhecimento do Atlético Mineiro, o sonho de ter um busto no clube.

E lógico, as pitadas de alegria, a irreverência que marcou sua carreira, sua vida.

“Hoje o nível dos times é muito ruim. Se eu fizesse menos de 50 gols neste Brasileiro, eu desfilaria só de fio dental rosa na avenida Rio Branco no Rio ou na avenida São João em São Paulo. Os caras são muito fracos.”

Vamos começar forte: como é ser um símbolo da ditadura?

Essa é uma das histórias mais absurdas que um jogador de futebol teve de suportar. Você não está falando com qualquer um. Eu marquei 926 gols na minha carreira. Fiz 499 de cabeça. Em 1969 eu havia marcado 69 gols na temporada. Fui marcado porque o João Saldanha foi demitido pelo regime militar da Seleção Brasileira. E ele descontou em mim. Falou na TV Globo que eu seria cortado. Porque cinco ficaram fora da lista final. Na época, sua palavra era temida por todos. Eu o desafiei e acabei desafiando a Globo. Disse que no México, iria o Dadá e mais 21 jogadores. Nem o Pelé eu garantia. Só garantia que eu iria. Quando saiu a lista final, o João Saldanha quis morrer e começou a me perseguir, me chamando de protegido do Medici. Realmente, o presidente me adorava, mas todos me adoravam. Eu era artilheiro. Eu carrego essa marca de ser protegido da ditatura por ter enfrentado a TV Globo. Nem Deus sai ileso de uma briga com a Globo.

O Zagallo fez a convocação por ordem do Medici?

Fez porque eu estava marcando muitos gols. Era o artilheiro do Brasil. Tinha de me levar. O Zagallo também entrou de gaiato nessa história. O João Saldanha estava com dor de cotovelo por ter caído da Seleção. E não pensou duas vezes em manchar tanto a minha carreira com a do Zagallo. Foi uma vingança boba, estúpida. Mas uma das coisas que agradeço a Deus foi ter feito as pazes com o Saldanha antes dele morrer. Não queria ficar com essa mágoa no coração. Ele está perdoado. E tem outra coisa: se a ditadura usou o futebol para alegrar a população, o jogador não poderia fazer nada. Nada. Nós queríamos ser campeões do mundo e jogamos porque o futebol era o nosso esporte, estávamos representando o povo brasileiro. Não o regime militar. Ninguém nem entendia direito o que estava acontecendo. Ouço muita injustiça em relação ao time tricampeão do mundo...

Quem vê o personagem Dadá Maravilha pensa que o homem Dario não teve tristeza na vida...

Isso é verdade. Mas a minha vida não foi nada fácil. Eu tive uma infância terrível.Nasci no Rio de Janeiro, filho de uma família pobre, muito pobre. Para sobreviver, virei bandido. Bandido mesmo.

Assaltava nas ruas, roubava quem passava pela frente. Ia com faca. Já enfiei faca em outras pessoas brigando.

Fui ruim, bandido. Não tinha nada a perder. Não tinha ninguém para me orientar. Fiquei preso em instituições para menores infratores. Mas, graças a Deus veio o futebol e minha vida mudou. Fui para o Campo Grande e depois para o meu clube, o Atlético Mineiro. A partir daí, fiz uma promessa para Deus. Deixei de ser ruim, bandido. Cansei de ser um homem triste, amargo. A partir daí, resolvi ser alegre, levar alegria às outras pessoas.

Sua identificação com o Atlético Mineiro é impressionante...

Tinha de ser o jogador símbolo do clube. Ninguém marcou mais gols pelo Galo do que eu. Em 1971 eu falei que íamos atropelar a tudo e a todos e ganharíamos o Brasileiro. Foi o que aconteceu. Enfrentamos o mesmo que derruba o Atlético desde 1971: as arbitragens. Não há interesse do eixo Rio-São Paulo que o Atlético Mineiro seja campeão. A torcida que já é maravilhosa e forte demais poderia crescer ainda mais fora de Minas Gerais. Qual é o interesse dos paulistas e cariocas? Nenhum. Tomara que este ano não venham roubar outra vez o Galo. Mas vou falar a verdade. Estou muito magoado com o Atlético Mineiro.

Por quê?

Por falta de reconhecimento. Eu precisava ter um busto no clube. O Botafogo fez para o Nilton Santos. O Palmeiras fez um para o Ademir da Guia. Por que o Atlético Mineiro é tão ingrato comigo? Eu mereço esse busto no clube. Gostaria de que ele fosse construído comigo vivo. Me homenagear morto não vale nada. Eu me sinto profundamente triste quando penso que eu tenho de pedir esse busto. Sou o maior artilheiro da história do Atlético Mineiro. As pessoas não reconhecem. Não sei o porquê.

Por falar em reconhecimento, você está rico?

Longe disso. Se eu não trabalho, não como. Não estou brincando. Meu dinheiro é pouco e contado. Sou ídolo, onde vou sou parado, dou autógrafos, tiro fotografias. Mas eu sei que quando volto para minha casa simples, o dinheiro é muito pouco. Não esbanjei, não fiz nada demais. O que acontece é que na minha época nós ganhávamos pouco demais. Não é essa festa de hoje em dia, onde qualquer cabeça de bagre ganha fortunas. Eu sou o retrato da minha época. (Dario é comentarista da TV Alterosa, em Belo Horizonte.)

Por falar nisso, você é campeão do Mundo com a Seleção. Vários campeões do mundo estão em grandes dificuldades financeiras. Isso é justo?

Não. Ao contrário. É apenas mais uma das injustiças do nosso país. Os campeões do mundo são heróis, deveriam ser valorizados. Na Europa, campeões da década de 30, 40, 50, 60 são amparados por seus países. Eu sei de vários jogadores como o Bellini, por exemplo, nosso primeiro capitão, que estão em graves dificuldades. O nosso país não consegue dar um plano de saúde e uma aposentadoria a nenhum campeão do mundo. Isso é mais uma vergonha para tantos políticos brasileiros que só legislam em causa própria e não param de roubar o Brasil. Eu tenho uma profunda vergonha de lembrar que sou campeão do mundo e o meu país virou as costas param mim. E para os outros. Não sou eu em entrevista que tenho de pedir plano de saúde e aposentadoria para quem já foi campeão do mundo com a camisa do Brasil e levou alento, alegria a milhões de pessoas.

Qual é o nível do futebol brasileiro atual?

Hoje o nível dos times é muito ruim. Se eu fizesse menos de 50 gols neste Brasileiro, eu desfilaria só de fio dental rosa na avenida Rio Branco no Rio ou na avenida São João em São Paulo. Os caras são muito fracos. Falta técnica, toque de bola. Só importa é o preparo físico. Os jogadores não são talentosos como no meu tempo. Eu disputava jogos com Pelé, Dirceu Lopes, Rivellino, Gerson, Ademir da Guia, Falcão, Figueiroa, Clodoaldo, Carlos Alberto e muitos outros. E hoje? Na Seleção de 70 dava para colocar o Kaká, o Ronaldo, nos bons tempos, e olhe lá. O nível dos times do Brasil é fraco demais. Eu deitaria e rolaria.

Dario, além dos seus gols, o porquê das suas frases históricas?

Por que eu sempre fui um cara esperto, tremendamente cara-de-pau e louco, mesmo. Percebi que além de jogar bem, eu poderia ter a mídia do meu lado. E logo comecei a tascar frases que entraram para a história mesmo. O rei Roberto Carlos já me disse que adora o “quem para no ar é beija-flor, helicóptero e Dario Maravilha”. Muitos técnicos e jogadores falam até hoje “não existe gol feio. Feio é não fazer”, sem saber que a frase é minha. Agora, os intelectuais adoraram a “não venha com a problemática que eu dou a solucionática”. Foi a frase do século para a revista Veja. Tem outra que é ótima. “Pelé, Garrinha e Dadá tinham de ser curriculos escolares obrigatórios.” Ou então aquela outra, “Quando eu saltava, o zagueiro podia ver o número da minha chuteira.” Eu sempre fui a alegria de quem vinha me entrevistar. Fui um dos primeiros a perceber o poder da mídia.

Você compara essa espera da torcida do Atlético Mineiro, desde 1971, até agora pela conquista do Brasileiro ao jejum de 23 anos do Corinthians?

Acho que sim. São duas torcidas apaixonadas, empolgantes, poderosas e sofridas. Esse sofrimento aglutina, aproxima as pessoas, todos querem estar presentes quando essa fase ruim acabar. Acaba sendo até uma prova de amor não virar as costas para o jejum. Minha grande frustração na carreira foi nunca ter jogado no Corinthians. Eu iria incendiar essa torcida que é louca como eu. Mas,voltando ao Brasileiro, desta vez eu aposto com mais confiança no Galo.

Por quê?

Porque como aconteceu em 1971, o Atlético Mineiro tem um atacante de referência. Em caso de dúvida, todos os jogadores estão passando a bola para o Diego Tardelli. Em 1971 foi assim comigo. E eu fui marcando gols e acabamos campeões. O Tardelli só precisa deixar de ser tão bobo nas entrevistas. Precisa ser mais louco, se valorizar. Esse menino tem o faro de gol. Não tanto quanto eu, mas o faro dele é muito bom. Mas também, Cosme...Dadá só existiu, só existe e só existirá um no mundo...

Exclusivo.”Quero a estréia do Vieri contra o Corinthians de Ronaldo.” Antecipa o presidente do Botafogo de Ribeirão Preto…

vieri ronaldo Exclusivo.Quero a estréia do Vieri contra o Corinthians de Ronaldo. Antecipa o presidente do Botafogo de Ribeirão Preto...

Christian Vieri e Ronaldo.

Os dois já formaram dupla na Inter de Milão.

Agora podem jogar um contra o outro.

Desta vez no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto.

“Está tudo fechado.

Fechamos para valer tudo ontem à noite.

Hoje está fazendo os últimos exames médicos, mas já sabemos que ele está apto a jogar.

E quero a estréia do Vieri em um amistoso contra o Corinthians de Ronaldo.

Estamos trabalhando para armar esse jogo”, confidencia o presidente do Botafogo, Luiz Antonio Pereira.

Em entrevista exclusiva ao blog, ele dá detalhes da negociação que está mexendo com o Interior paulista.

Vieri disputou as Copas do Mundo de 1998 e 2002.

Não foi para a de 2006 por problemas no seu joelho esquerdo.

A Fifa o considerou como um dos 100 melhores jogadores da história.

Jogou pela Inter, Milan, Juventus, Atletico de Madrid e outros clubes europeus.

Como nasceu a idéia do Botafogo contratar o Vieri?

Nós estamos precisando levantar o Botafogo

A chance é trazer a atenção da mídia, levar torcedores ao estádio, buscar patrocinador.

Precisávamos de nomes fortes.

Estudamos vários brasileiros (entre eles Denílson e Marcelinho Carioca, garante a imprensa de Ribeirão Preto).

Só que o empresário Frank Assunção é muito amigo do Vieri e nos ofereceu o italiano.

Mas presidente, ele não havia encerrado a carreira?

Foi uma jogada que ele fez para se livrar do Atalanta.

Fez a mesma coisa que o Adriano.

O Adriano não disse para a Inter que não tinha mais cabeça para seguir jogando?

E no dia seguinte estava no Flamengo?

Então, o Vieri fez a mesma coisa.

E vai jogar no Botafogo.

Presidente, ele sabe onde fica Ribeirão Preto, ele conhece o Botafogo?

Sabe muito bem onde fica Ribeirão e conhece sim o Botafogo.

Ele esteve por dois meses se tratando em Campinas na clínica do Nivaldo Baldo.

(Foi lá seguindo indicação do amigo Amoroso.)

O Vieri conversou muito com o Frank Assunção.

Não está se aventurando, não.

Ele tem a noção que estará nos ajudando a nos reestruturar.

Sabe muito bem que somos um dos melhores clubes do Brasil.

Nossa estrutra, nosso estádio, a força econômica de Ribeirão Preto, tudo foi levado em consideração quando aceitou vir.

Por falar nisso, presidente, dizem que o salário oferecido a Vieri será altíssimo.

(Se cogita que, se der tudo certo, receberá cerca de R$ 300 mil mensais).

Olha, isso eu não vou confirmar para você.

Só digo que eu tenho uma grande empresa de materiais de construção.

Um grupo de empresários, donos de indústrias se juntaram para bancar o Vieri.

Ele não vai custar um tostão ao Botafogo.

O dinheiro sairá desses empresários.

Há também patrocinadores interessados na camisa do Botafogo.

(A Asics, a Penalty e, talvez, a Kappa.)

Todos querem a visibilidadade que o Vieri trará mundialmente.

Ou seja: eu sou empresário e sei: ele se pagará. O dinheiro não sairá dos nossos cofres.

E a Federação Paulista também não está nos ajudando.

O dinheiro é destes empresários.

Outros clubes brasileiros começaram a negociar com ele e desistiram.

Foi oferecido ao Corinthians, Flamengo, Santos e Atlético Paranaense.

O senhor não está preocupado com a fama de problemático?

Não. Ele casou. Virá com a família ao Brasil.

Tenho certeza que ele vem para ficar muito mais do que os seis meses de contrato que oferecemos

Ele vai disputar o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, se conseguirmos a classificação.

Depois, ele gostando do nosso país pode seguir por aqui.

O Vieri não mudaria a vida dele para arrumar confusão.

Ele quer é mostrar seu potencial de um dos maiores jogadores do mundo.

O senhor também está contratando um ator para a lateral esquerda?

O italiano Coco estava nos Estados Unidos fazendo pontas em filmes e séries...

O Coco tem apenas 30 anos e jogou na Inter de Milão, no Barcelona, no Torino.

Ele não tem problema físico nenhum.

Estamos negociando.

O acordo está perto de ser fechado.

E quanto a ser ator, não há problema algum em ter um atleta boa pinta.

Na folga ele poderá fazer as filmagens dele.

Se houver acordo financeiro o quero no meu time.

Como é que o senhor está fazendo esses investimentos?

O futebol de Ribeirão Preto está em baixa. O Comercial está à beira da falência...

Se você quiser nos comparar, nos compare ao Corinthians, ao Flamengo.

O Botafogo é um dos clubes com maior patrimônio no Brasil.

Se um clube da cidade está falindo, o problema não é nosso.

Nós queremos apenas é resgatar o nosso torcedore que anda sumido.

Estrutura financeira o Botafogo tem.

O senhor quer fazer a estréia do Vieri contra que time?

Contra o Corinthians de Ronaldo.

Estamos trabalhando por esse jogo.

O Vieri deve chegar na segunda quinzena de novembro.

Já chega para ficar.

Ele vai se adaptar, ficar em Ribeirão Preto.

Depois armaremos o amistoso de estréia contra o Corinthians.

E estamos esperando o Brasileiro acabar.

Vamos contratar jogadores da Série A e da Série B.

O Botafogo estará muito forte no Paulista, eu garanto.

O Vieri não ficará sozinho...

Se a negociação não der certo, não ficará mal para o senhor?

Você não está entendendo.

A negociação com o Vieri já deu certo.

Fechamos ontem o acordo financeiro.

E eu sei que ele está bem fisicamente.

Já está tudo certo...

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Exclusivo.Políticos de Tocantins se unem contra candidatura de Luxemburgo

men in black Exclusivo.Políticos de Tocantins se unem contra candidatura de Luxemburgo  

Vanderlei Luxemburgo já conseguiu dividir a política de Tocantins. O treinador se filiou ao PT em Palmas.

A informação foi confirmada pelo presidente do diretório estadual do PT em Tocantins, Donizete Nogueira.

Sua filiação foi uma articulação do prefeito petista de Palmas, Raul Filho e de sua mulher, Solange Duailibe, deputada estadual também pelo Partido dos Trabalhadores.

“Raul Filho levou Luxemburgo para o PT para colocá-lo como candidato ao Senado em 2010. O prefeito pensou que seria fácil. Só que está encontrando muita resistência. O técnico não tem identidade com Tocantins.

Nunca teve. Muitos políticos de carreira querem ser candidatos ao Senado. O prefeito não sabe o que fazer”, revelou ao blog o presidente do Partido Socialista Brasileiro de Tocantins, o deputado federal Laurez da Rocha Moreira.

O blog tentou quinze vezes entrevistar o prefeito Raul Filho. Inclusive ligando para os seus dois celulares.

Quem aceitou falar por ele foi o seu chefe de gabinete, Hilton Faria. Ele foi claro.

“Olha, a situação está complicada. O prefeito pede desculpas mas não quer falar da candidatura do Luxemburgo ao Senado.

Há outros candidatos fortes do nosso estado querendo sair ao Senado pelo nosso partido. O Vanderlei não tem vaga garantida, não. O prefeito vai estar ao lado de quem for melhor para o PT.”

Raul Filho trocou de partido como o treinador de times. Ele foi do PSDB, depois passou para o PPS e, em seguida, migrou para o PT. Tem 50 anos.

Ficou muito amigo de Luxemburgo. Promoveu torneios com o nome do técnico em Palmas. Em entrevista para a imprensa local, o treinador disse que iria construir uma casa no Tocantins.

Alegou que não é tão longe assim de São Paulo (exatos 1.776 Km).

Defendeu até voos diretos de São Paulo para Palmas. Afirmou que, no futuro, poderia morar lá. Tudo isso facilitaria a sua carreira como político de Tocantins.

Políticos do PT confirmaram ao blog existir um plano B para o treinador. Há no partido, pessoas amigas de Luxemburgo que lançaram o seu nome como possível ministro dos Esportes, em caso de vitória de Dilma Rousseff à presidência.

Mas esse é um cargo até muito mais disputado por causa da Copa do Mundo e das Olimpíadas no País. Até mesmo pelo atual ministro Orlando Silva.

“Na verdade, o Raul Filho pensou que tudo seria fácil. Luxemburgo é um nome conhecido nacionalmente e que os políticos de Tocantins aceitariam tudo pacificamente.

Ele errou feio e está com problemas no seu partido. Ainda bem que não deu certo a história do Vanderlei vir para o nosso”, comemora o deputado Laurez.

Luxemburgo teve convite para se filiar ao PSB. Por tudo isso é capaz que Luxemburgo vá mesmo trabalhar no Internacional em 2010...

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