Publicado em 11/12/2009 às 20h24
O Santos não nasceu para viver de futebol feminino..

A diretoria do Santos acaba de anunciar oficialmente.
Dorival Júnior assume o time na terça-feira.
Será uma mudança radical no rumo do clube.
Acabou o técnico com superpoderes.
O que dá palpite em tudo.
As eras Leão e Luxemburgo ficaram para trás.
Mas pelo que fez no Vasco não se espere um Dorival Júnior burocrático, submisso.
Ele gosta de ter o controle total do time.
Aprendeu com o tio, Dudu, que a disciplina precisa ser a base.
E dando responsabilidades.
Foi assim que ganhou a confiança e obediência do até então indomável Carlos Alberto.
Horas e horas de terapia intensiva.
Tarja de capitão.
E defesa absoluta na imprensa.
Carlos Alberto nunca foi tão defendido e valorizado em um grupo.
A direção do Santos quer que ele desenvolva Neymar e Ganso.
Dois jovens talentosos ainda não diferenciaram cuidado com paparicação.
Os dois estão à beira de se perder.
Quem convive com a dupla percebe que o assédio do futebol europeu já os faz sentir diferenciados, muito acima do restante do elenco santista.
E, com isso, têm dificuldade em aceitar as críticas internas.
Dorival Júnior terá de colocar à prova toda a sua paciência para ganhar as duas jóias santistas.
E reformular o elenco.
Assim como as idéias do ex-presidente Marcelo Teixeira, o plantel santista ficou velho, viciado.
Não é culpa específica de nenhum jogador.
Mas da filosofia que domina o Santos.
Experiência virou sinônimo de jogador desgastado fisicamente.
A campanha medíocre de Vanderlei Luxemburgo no Brasileiro pode ser explicada em parte pelo número de veteranos.
Para o showbol talvez o time tivesse bom rendimento.
Dorival Júnior é muito observador e tem inúmeras informações do Santos.
Dificilmente vai se deixar enrolar pelas armadilhas da Vila Belmiro em que caiu Mancini.
Também jovem treinador, ele não soube se impor diante do elenco.
Saiu à caça de quem vazava as informações para a imprensa em vez de afastar quem teria de afastar.
Também os jogadores evangélicos não serão tão perseguidos como foram este ano.
Se ficar no clube, Fábio Costa terá um tratamento normal, o mesmo dado aos outros atletas.
Não será o jogador amigo do presidente.
Isso se Fábio Costa ficar.
Empresários continuarão tentando empurrar atletas do Exterior.
Mas, espera-se, que Dorival Júnior tenha voz mais ativa para dizer alguns nãos.
Se é para ser vitrine que o Santos de Pelé sirva para grandes atletas, não jogadores de aluguéis sem o menor compromisso com o clube que estão jogando.
O Santos também promete romper o provincianismo de jogar apenas no litoral e usar mais o Pacaembu, já que o clube tem uma torcida enorme e com grande potencial financeiro na Capital.
Os patrocinadores de verdade precisam ser buscados.
O mundo ainda conhece o clube de Pelé.
A oportunidade que Dorival Júnior tem nas mãos é excepcional.
Aos 47 anos ele assinará um contrato de dois anos.
Tempo suficiente para montar uma equipe digna, competitiva.
Com força para honrar essa maravilhosa camisa branca.
Tão mal tratada e desrespeitada nos últimos anos.
O Santos não pode viver só de Campeonatos Paulista.
E, com toda reverência, Marta...
De futebol feminino...
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Publicado em 10/12/2009 às 20h29
Ultimato santista ao chef Fábio Costa, o amigo de Marcelo Teixeira…

Para a nova cúpula santista, não há dúvida.
Dorival Júnior é o novo técnico do clube.
A grande incógnita, a questão das questões é outra.
O que fazer com Fábio Costa?
O novo presidente tratou de empurrar a seguinte missão para o novo gerente Jamelli.
Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro disse ao seu gerente transmitir o seguinte recado: acabou a era Marcelo Teixeira.
Se Fábio quiser se enquadrar, ótimo. Se não quiser, que avise.
E procure outro clube.
A tradução de se enquadrar: seguir exatamente a mesma cartilha dos outros atletas.
Não ter privilégio de fazer tratamento em São Paulo.
Não reagir nos vestiários como se fosse um membro da diretoria.
Ele não terá o respaldo da diretoria que Marcelo Teixeira lhe oferecia.
E que Fábio desfrutava.
Ele cobrava os companheiros como se fosse um dirigente, não um companheiro.
Com a palavra Fabiano Eller.
O zagueiro saiu do Santos por ter agredido o goleiro santista.
Em uma conversa descontraída com repórteres gaúchos, Fabiano lembrou o ocorrido.
"Nós fomos mal em uma partida do Campeonato Paulista (contra o Marília).
Mal estávamos entrando no vestiário e ele começou a xingar todo o mundo.
Principalmente os garotos.
Ele falava como se fosse o presidente do Santos.
Quando me xingou, eu fui para cima dele e dei um soco nele.
Ele foi para trás e foi tirar a camisa de goleiro.
Aproveitei e dei mais dois socos nele.
Foi sacanagem, ele não pôde nem se defender.
Mas eu estava com raiva.
Foi o meu fim no Santos.
O Fábio era intocável, o homem do presidente Marcelo Teixeira.
Ninguém encostava um dedo nele.
Por isso fazia o que queria no clube.
Mas mexer comigo não."
Fabiano Eller disse que depois da briga até se acertou com o goleiro, mas seu destino estava traçado.
A diretoria o proibiu de treinar com o restante do grupo.
Até que rescindiu seu contrato e foi para o Internacional.
O goleiro se contundiu e para aproveitar os meses longe do futebol fez um curso de culinária.
Prova de maturidade.
Mostrou que pode se controlar.
A sua fama no Santos e no Corinthians foi de sempre voltar bem acima do peso depois das férias.
Resumo da situação.
Continuar no Santos está nas mãos de Fábio Costa.
Seu tempo de amigo do rei acabou.
A questão é simples...
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Publicado em 06/12/2009 às 06h34
Adeus Marcelo Teixeira. Adeus Vanderlei Luxemburgo…

Na última semana, Vanderlei Luxemburgo fez o possível para estar na mídia.
Disse repetidas vezes que seria campeão se tivesse continuado no Palmeiras, se não tivesse sido demitido.
E tomou uma invertida de Muricy Ramalho.
Luxemburgo fez que não ouviu e ainda fez pose, dizendo que um vencedor como ele não combinava ficar um ano sem ganhar um título.
Foi a programas esportivos em que confiava.
Foi tratado com a reverência reservada a velhos amigos que ele faz questão de cultivar na imprensa.
Nenhum amigo ousou falar a palavra decadência.
O último título importante que venceu foi há cinco anos, o Brasileiro de 2004.
Estava em campanha.
Não só como cabo eleitoral assumido de Marcelo Teixeira nas eleições do Santos, mas dele próprio.
Sabe que tem porta fechada no São Paulo, Palmeiras e Cruzeiro. Não pode nem passar na porta desses clubes.
Inteligente, sabia que se os santistas tivessem se cansado dos cinco mandatos de Teixeira era bom divulgar ao Brasil todo que precisaria de emprego em caso de vitória da oposição.
E foi o que aconteceu.
O Santos é mais um grande clube do Brasil que não o quer nem pintado de ouro.
"Chega de Luxemburgo por aqui. Chega. Comigo não. Quero o melhor para o Santos. O tempo dele já passou".
Estas foram as primeiras declarações de Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, novo presidente santista.
Ele também colocou fim à dinastia Teixeira.
Mostrou que o clube onde nasceu o maior jogador de todos os tempos não é um feudo de ninguém.
De Marcelo Teixeira ou Luxemburgo.
O novo presidente herda uma dívida de mais de R$ 25 milhões, fruto da administração 'moderna' de Marcelo Teixeira.
E o time santista com uma campanha medíocre.
Suas idéias são ousadas.
Grupos de investidores para reforçar a equipe e modernizar o clube.
Com um aporte imediato de R$ 40 milhões.
Fazer o Santos atuar muito mais em São Paulo, aproveitando a grande torcida na capital paulistana.
Fazer Pelé o símbolo do clube no Brasil e no Exterior.
Varrer a figura de treinadores que dominavam todo o futebol santista, como Luxemburgo e Leão.
Sua primeira investida deve ser em um técnico jovem.
Ele quer Dorival Júnior.
Acabar com o espaço de Fábio Costa no clube.
Ele será apenas mais um jogador do elenco ou então será vendido.
Não fará mais o que quiser na Vila Belmiro, como permitia Teixeira.
A se lamentar a baixaria que aconteceu nas apurações da eleição.
Com briga generalizada, participação de torcedores uniformizados, cadeiras voando, braços quebrados e jatos de pimenta de spray.
No final, vitória fácil da oposição por 1882 a 1129 votos.
Teixeira morreu abraçado a Luxemburgo.
Foi uma péssima idéia o colocar como cabo eleitoral.
Teve o efeito de uma âncora.
Muita gente na Vila Belmiro votou na oposição com gosto.
Viu na eleição a chance de expurgar o técnico da Vila Belmiro.
O novo presidente santista só assumirá daqui a dez dias.
Luxemburgo ainda comandará o Santos pela última vez, hoje, contra o Cruzeiro.
Se o Santos perder, poderá tirar o Palmeiras, clube de onde veio a sua mais recente demissão, da Libertadores.
Dos times grandes de São Paulo, só o Corinthians ainda aceitaria Luxemburgo.
Enquanto Andres Sanches for presidente.
Ele é uma das únicas pessoas que o tolerariam no Parque São Jorge.
Mesmo companheiros de anos de Andres não suportam ouvir falar do manager Luxemburgo.
Depois da campanha medíocre do Santos no Brasileiro, o futuro do técnico está no Internacional ou Atlético Mineiro que lhe fez proposta ontem, depois de demitir Celso Roth.
Ou então, ele pode sair candidato ao Senado por Tocantins e sumir do futebol...
Marcelo Teixeira declarou que vai continuar na política santista e daqui dois anos tentará nova eleição.
Ele não se conforma.
Os dez anos que passou à frente do clube foi um período muito curto.
Porém muito mais importante do que as duas figuras personalistas que foram banidas da vida santista é cobrar o novo presidente.
O Santos precisa sair do estado de estagnação em que vive.
Ganhar campeonatos femininos não esconde décadas de atraso, da administração provinciana.
Um clube tão importante e uma camisa de tantas glórias não podem pertencer a nenhuma família ou nenhum manager.
Nunca mais...
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Publicado em 14/11/2009 às 15h00
O constrangimento entre Dorival Júnior e Dinamite…
... e o futuro do Vasco campeão da Série B

O contrangimento das duas partes era mais do que evidente.
Dorival Júnior e Roberto Dinamite se abraçaram, levantaram a taça da Série B juntos.
Mas não conseguiam disfarçar o constrangimento diante das câmeras.
Como o blog informou na semana passada há uma grande diferença de pedida salarial entre o técnico e Vasco.
Dorival Júnior fez até questão de pedir à assessoria do clube para tentar explicar.
“Ele leu no seu blog no R7 e fez questão que eu telefonasse para dar a versão dele.
O Dorival disse que ainda não se sentou com a direção do Vasco para acertar a sua renovação”, disse o assessor de imprensa do clube, Nelson Costa.
A versão do técnico está dada.
E é verdadeira.
Assim como também a do blog.
A explicação:
Quem falou por Dorival Júnior foi o seu empresário, Carlos Leite.
Foi ele quem falou ao presidente Roberto Dinamite que há o desejo do aumento do salário de R$ 280 mil mensais.
Para R$ 450 mil.
Dorival não precisou abrir a boca.
E por não haver fechado para 2010 que Dorival não escolheu os reforços.
Nem por isso o Vasco ficou parado.
“Nós já definimos que cerca de 60 a 70% do time que subiu para a Série A vai continuar.
Só que buscaremos jogadores importantes para nos deixar ainda mais fortes no próximo ano”, antecipou o gerente de futebol, Rodrigo Caetano.
Tanto é verdade que a contratação de Dodô foi um pedido especial de Roberto Dinamite e não de Dorival.
O presidente acredita no potencial do atacante que acabou de se livrar da suspensão por doping.
Grêmio, Santos, Botafogo e até Cruzeiro podem ser caminhos para Dorival.
Joel Santana e Abel Braga são comentados em São Januário.
Apesar da conquista da Série B, muita coisa pode mudar no comando do futebol do Vasco...
Leia mais
+ "Será o maior orgulho levar o Vasco de novo à Série A”
+ Dorival contraria a matemática e coloca Vasco na Série A
+ Todos os blogs do R7
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Publicado em 09/11/2009 às 09h00
Dorival Júnior: sair ou não sair do Vasco? Eis a questão…

Carlos Leite.
Empresário de Dorival Júnior e Mano Menezes.
De Carlos Alberto, de Souza e de vários outros jogadores no Corinthians e no Vasco.
O presidente Roberto Dinamite confia cegamente em Carlos Leite.
Só que os dois estão com um grande problema: a renovação de Dorival Júnior.
O treinador recebe R$ 280 mil mensais.
Depois da excelente campanha na Série B, o empresário quer a valorização.
Membros influentes da diretoria garantem que ele já pediu R$ 450 mil para Dinamite.
O presidente vascaíno não sabe o que fazer.
E o pior, vários clubes já estão sondando Dorival Júnior.
Pessoas ligadas ao Internacional, Fluminense, Santos e Botafogo já falam abertamente no técnico para 2010.
Leite e Dorival querem resolver a situação até antes da Série B terminar.
Dinamite quer segurá-lo, mas precisará da aprovação do Conselho Deliberativo para pagar tanto para o treinador.
As dívidas do clube já batem nos R$ 300 milhões.
Em meio à festa pela subida para a Série A, o Vasco precisa resolver esse impasse.
Sem renovação de contrato, Dorival não indicará jogadores para reforçar o clube no próximo ano...
Veja mais:
+ Saiba tudo sobre a fase final da Série A do Campeonato Brasileiro
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Publicado em 24/10/2009 às 06h00
Exclusivo.”Será o maior orgulho levar o Vasco de novo à Série A”. Dorival Júnior

A diretoria do Vasco espera quebrar hoje o recorde de público no Maracanã, em 2009.
A promessa é de mais de 80 mil torcedores.
E fazer a tarde deste sábado entrar para a história.
Se o clube da cruz de malta vencer o Bahia estará praticamente de volta para a Série A.
Será o fim do suplício na Segunda Divisão.
Dirigentes choram de emoção pelos cantos de São Januário.
Jogadores fazem promessas.
A única pessoa que não está contaminada pela euforia é Dorival Júnior.
O treinador aceitou ontem dar uma reveladora entrevista exclusiva ao blog.
E mostrou como tudo foi muito mais difícil do que parece.
Como é disputar a Série B com a obrigação de fazer o Vasco voltar à Série A?
Está sendo o maior desafio da minha carreira.
Eu entendo perfeitamente o Mano Menezes.
Ele disse que disputou a Série B com o Corinthians com uma tonelada nas costas.
E olha que ele teve muito mais facilidade do que eu.
O Vasco passou por vários problemas que não quero detalhar (atrasos de salários).
Nosso trabalho está sendo bem mais difícil.
Vou passar um dado para você entender.
Eu repeti a escalação apenas uma vez.
Isso somando as partidas do Campeonato Carioca, da Copa do Brasil e da Série B.
Um absurdo.
Fizemos três reformulações durante o ano.
Eu tive de crescer muito como técnico.
Mas a missão está quase cumprida.
Quase.
Não vou perder o foco.
Sou eu quem dou o rumo das coisas por aqui.
Dorival por que passar por esse sufoco?
Não seria melhor ter dirigido uma equipe da Série A?
Olha, eu vou ser bem sincero.
Enquanto estava no Coritiba tive propostas de clubes da Série A.
Só que o primeiro a me procurar foi o Vasco com Roberto Dinamite.
Ele me perguntou: “Você aceita trabalhar no Vasco em 2009? Na primeira ou na segunda divisão?”
Eu pensei um pouco e logo respondi: “Aceito”.
O motivo foi um só: abrir o mercado dos clubes grandes do Rio de Janeiro.
Como jogador atuei em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Para minha carreira foi ótimo estar comandando o Vasco.
O mercado do Rio de Janeiro é muito forte.
Mas Dorival, os clubes cariocas ficaram para trás.
A infraestrutura foi esquecida, ninguém gosta de treinar em dois períodos.
Parece que os clubes vivem na década de 80 do século passado...
Cosme, infelizmente eu tenho de concordar com você.
Os clubes do Rio estão acordando agora.
Perceberam que perderam muito tempo em relação a São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.
Não há um centro de treinamento de verdade por aqui.
O Vasco utiliza um que tem apenas dois campos e talvez até o perca, não vou entrar em detalhes políticos.
Já tive uma conversa séria com o Roberto Dinamite que é uma pessoa de muita visão.
Sem o Centro de Treinamento vamos continuar sempre improvisando.
Isso é péssimo.
O trabalho fica difícil, desigual em relação aos outros estados mais desenvolvidos.
É uma judiação o que acontece no Rio de Janeiro.
Há muito talento desperdiçado.
Os clubes precisam se modernizar, levar a sério os treinamentos.
Parece que você chocou o departamento de futebol do Vasco logo no início do seu trabalho...
É verdade.
Parece engraçado, mas não é.
Quando comecei a trabalhar, pessoas importantes no clube me chamaram.
E foram logo perguntando: ‘por que você dá treinamentos de manhã e de tarde? No Rio não é assim. Basta um período.’
Agradeci o conselho, mas falei que comigo o trabalho seria dobrado.
O presidente Roberto Dinamite me deu autonomia para isso.
E sem trabalho não se consegue nada no futebol.
Sei que fui contra a cultura carioca, mas quebrei um tabu.
Espero que nunca mais alguém estranhe trabalhar de manhã e de tarde.
Clubes da elite do futebol brasileiro precisam trabalhar assim.
O Rio de Janeiro pode ter praia, pode ter o que for à noite.
Mas eu quero trabalho.
Os jogadores entenderam e a resposta esta aí dentro do campo.
Estamos perto do nosso objetivo porque trabalhamos muito.
O carioca tem talento, mas para que possa mostrar o seu talento tem de suar.
Acabou o romantismo.
Futebol é trabalho físico.
Só tem a bola quem esta melhor fisicamente.
Para que você tivesse o apoio de todo o elenco foi preciso lidar com o Carlos Alberto.
Como você fez que ele trabalhasse de verdade?
Eu fui jogador e sei o que o jogador mais respeita: a sinceridade.
Eu o chamei para uma conversa.
E perguntei o que ele queria da vida.
Falei que já perdeu muito tempo na carreia.
Disse que se contentar em ser apenas titular de um time grande era pouco para ele.
Falei que ele tem um talento diferenciado.
Mas estava ficando para trás.
Disse que colocaria tudo nas mãos dele: sua carreira, seu futuro, a importância para o time.
O fiz capitão do Vasco.
E ele passou a ser referência, dar exemplo.
Passou a treinar com mais vontade, ter mais importância para o grupo.
Hoje os jogadores do Vasco o respeitam porque sabem que ele se esforça tanto ou mais do que os demais.
O talento do Carlos Alberto não pode ser desperdiçado.
Ele virou um dos grandes líderes que eu precisava no elenco.
E sinto que ele voltou a sonhar com algo maior para a carreira.
Não sei se jogar na Europa ou Seleção Brasileira.
Mas o Carlos Alberto conquistou o direito de voltar a sonhar trabalhando, treinando, correndo, se cuidando.
Qual o segredo do Vasco na Série B?
Ter reconquistado a autoestima no Campeonato Carioca e na Copa do Brasil.
Fizemos um bom campeonato estadual.
Ficamos fora das semifinais do primeiro turno por problemas políticos, de inscrição de jogador.
Na semifinal do segundo turno, jogamos mal uma partida.
Tomamos um gol contra o Botafogo e nos abrimos, sofremos uma goleada por 4 a 0.
Saímos da competição sabendo que poderíamos ter conquistado o título.
Valeu como lição e seleção natural do grupo.
Na Copa do Brasil perdemos a semifinal para o Corinthians.
Foram dois jogos, quatro tempos.
Fomos melhores em três tempos, só no primeiro tempo da primeira partida que o Corinthians foi melhor do que nós.
Não fomos para a final de maneira injusta.
Mas a nossa participação mostrou a nós mesmos que estávamos no caminho certo.
O Vasco tinha voltado a ser respeitado.
E na Série B conseguimos ficar na liderança lutando, brigando até mais do que os demais.
Os adversários fazem o jogo da vida contra o Vasco.
O Brasil inteiro acompanha as nossas partidas.
A chance de se mostrar para o mundo é indo bem contra a gente.
Disputamos um campeonato paralelo.
E estamos mostrando mais força do que muita gente esperava.
Você foi muito leal ao Vasco.
E recusou um ótimo contrato para trabalhar no Palmeiras, depois que o Luxemburgo foi demitido.
Agora que já passou, posso falar o que aconteceu, Cosme.
Em 2007 eu tive um contato com o Palmeiras, não deu certo.
Em 2008, a mesma coisa.
E em 2009, a diretoria do Palmeiras chegou muito mais forte, decidida.
Foi quando o Luxemburgo foi demitido e antes da contratação do Muricy.
A minha ligação com o Palmeiras é forte.
Meu tio, o Dudu, jogou muito tempo ao lado do Ademir, no tempo da Academia.
Depois eu joguei lá.
Mas não iria nunca virar as costas para o Vasco.
Por dinheiro nenhum deixaria o clube no meio do trabalho.
E recusei trabalhar no Palmeiras.
Tive uma conversa sincera e os dirigentes palmeirenses entenderam e respeitaram a minha postura.
Eu sou assim, não rompo contratos.
Você tem convite para continuar no Vasco em 2010.
Mas sei que há outros clubes interessados em você.
Já tomou uma decisão?
O que vou falar para você, falei para o presidente Roberto Dinamite.
Estou orgulhoso com o fato de o Vasco querer seguir comigo.
Mas não perder o meu foco.
Quero colocar o Vasco de novo na Série A.
Trabalhar intensamente nestas últimas partidas pela Série B.
Depois definir que rumo darei à minha carreira.
Posso dizer que estou muito feliz no Vasco e no Rio de Janeiro.
Mas, sinceramente, ainda não sei o que será melhor para mim.
Minha prioridade é levar o Vasco para a Série A.
Depois eu quero pensar.
Não só em mim, mas no Vasco.
O Roberto Dinamite será a primeira pessoa a saber da minha decisão.
Só digo uma coisa: tenho a certeza que acertei demais vindo para o Vasco.
Minha carreira vai tomar outro rumo depois de tudo o que estou vivendo por aqui.
Será o maior orgulho levar o Vasco de volta para a Série A.
De onde nunca deveria ter saído...
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