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A populista MP de Dilma. R$ 4 bilhões dos cofres públicos para uma revolução mentirosa no futebol brasileiro. Nada demais em um país com político disposto a criar o “dia do gol da Alemanha”.

1ae4 A populista MP de Dilma. R$ 4 bilhões dos cofres públicos para uma revolução mentirosa no futebol brasileiro. Nada demais em um país com político disposto a criar o dia do gol da Alemanha.

Os políticos brasileiros não têm limites. O país mergulhado em uma profunda recessão. A corrupção se alastra. Temos a presidente com o maior índice de rejeição da história do Brasil. Governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores não têm credibilidade. Fazem o que querem com o dinheiro público. É uma farra.

Políticos se tornaram sinônimos de pessoas que vivem uma realidade paralela.

Não enxergam, ou fingem não enxergar, o sofrimento da população. Educação, Saneamento Básico, Saúde, Segurança, Transporte Público são cada vez piores. Mensalão, Petrobrás, Lava Jato. Escândalos genocidas. Políticos canalhas desviaram bilhões de reais da população carente.

Ainda há outros escândalos prontos para explodir. Como o do BNDES, o do Fundo de Pensão. Eles começam a ocupar o noticiário. São mais bilhões que esvaíram.

Em pesquisa divulgada hoje pela Folha, Dilma Rousseff tem índices piores do que Fernando Collor às vésperas do seu impeachment. Apenas 8% da população acha seu governo ótimo. 71% o considera péssimo ou ruim. É uma das maiores rejeições de governantes do mundo.

A falta de credibilidade da classe política é vergonhosa. E tem motivos profundos, lastimáveis.

No futebol, a bancada da Bola está comemorando. Só ingênuos acreditaram que Dilma sancionaria a Medida Provisória que modernizaria os clubes, revolucionaria a CBF, as Federações. A transparência chegaria às administrações incompetentes, irresponsáveis e, muitas delas, corruptas. Pura ilusão.

Dilma foi populista com o dinheiro público. Os clubes terão vinte anos para pagar as dívidas que acumularam com o governo. Deixaram de pagar impostos e cumprir suas obrigações com a Receita Federal. Cidadãos 'normais' estariam presos, processados, suas empresas estariam fechadas há muito tempo se fizessem a mesma coisa.

Mas acontece que clubes são tratados de maneira especial. Porque envolvem milhões de torcedores. E cada um deles, com mais de 16 anos, são eleitores. Com obrigação de votar em alguém a cada eleição.

Para tentar cativar esses milhões de votos, a farra dos R$ 4 bilhões. Eles deverão ser recolhidos em 20 anos. Nem Dilma, Lula, Zezé Perrella, e tantos outros que brigaram pela MP, provavelmente não serão mais políticos. Ninguém sabe se estarão vivos. A medida populista foi tomada agora. A cobrança, as consequências, ficam para depois.

Mas a MP travou, de última hora, a liberação para a transparência. Dilma vetou a emenda que possibilitaria os clubes de virarem empresas. E ter sua administração revelada ponto a ponto a cada mês. Por quê? Porque ela a opção seria voluntária. Se vários clubes seguissem por esse caminho, todos deveriam seguir. Poderiam se tornar perigosamente competentes. E independentes. Não se submetendo, portanto, à uma entidade sem função mais profunda do que organizar tabelas de campeonatos e registrar jogadores. Uma tal de CBF.

2ae5 A populista MP de Dilma. R$ 4 bilhões dos cofres públicos para uma revolução mentirosa no futebol brasileiro. Nada demais em um país com político disposto a criar o dia do gol da Alemanha.

A desculpa é que taxa de impostos seria menor ao governo. Seriam reduzidas de 9% para 5%. Pura balela. Os dirigentes querem seguir 'administrando' na escuridão. O que é excelente para a CBF. Os dois lados se merecem.

O veto é um acinte. Vergonha para quem jantou com a presidente e se sentia dono da lei. Ingênuo de ocasião.

Além disso, os clubes conseguiram o direito sagrado de ser deficitários. Um brinde à incompetência, irresponsabilidade e corrupção das administrações. O projeto inicial obrigava a responsabilidade administrativa. Ou seja, não poderiam ter mais deficit financeiro até 2021.

Só que quatro anos e mais R$ 4 bilhões de dinheiro público não bastaram. Eles conseguiram o direito de fechar seus balanços com 10% de dívida. A partir de 2019, continuarão podendo trabalhar no vermelho. Dever 5% até o fim dos tempos. Foi a glória para quem não quer administrar com responsabilidade.

Além disso, os clubes conseguiram. Estarão livres para gastar até 80% de seu orçamento com o futebol. Sobrará apenas 20% para cuidar da administração. É óbvio que está desproporciona. O futebol consumirá dinheiro demais. Ou seja, a farra da irresponsabilidade está agora autorizada com a assinatura da presidente.

Foram 36 artigos vetados. A vitórias foram pífias. E são comemoradas com entusiasmo enganador. A principal, a eleição da CBF. Em vez de apenas as federações e clubes da Série A ter direito a votos, os 20 equipes da Segunda Divisão, também poderão votar. Piada.

Os clubes da Série B são mais pobres, têm cotas de transmissão ridículas e são ainda mais fáceis de manipulação. Ou não é dando dinheiro, legalmente em forma de contribuições mensais, que a situação se mantém no poder na CBF? As equipes da Série A não enfrentam o comando da CBF com medo de retaliações.

O sonhos dos ingênuos era ampliar de verdade o número de eleitores na CBF. Com os jogadores e sindicalistas com direito a votos. Vão continuar sonhando.

 A populista MP de Dilma. R$ 4 bilhões dos cofres públicos para uma revolução mentirosa no futebol brasileiro. Nada demais em um país com político disposto a criar o dia do gol da Alemanha.

Os mandatos foram limitados a 'apenas' uma eleição com direito à reeleição. Ou seja, oito anos no poder na CBF e Federações. Qualquer presidente poderá passar a ser vice e continuar mandando. Melhorou, mas quem acreditar em revolução política beira à estupidez.

Dilma não foi absurda o suficiente para autorizar que os jogadores dispensados pelos clubes recebessem apenas 50% do combinado. Terão direito aos 100% do salário que combinaram. Medida mais óbvia, impossível. E também proibiu uma loteria pela Internet que os clubes desejavam criar. Que iria render mais dinheiro a eles, óbvio. O medo de manipulação de resultados veio à tona.

Mas a Medida Provisória 671 foi publicada no Diário Oficial e está valendo. Os clubes que desejarem ter suas dívidas com o governo parcelas em 20 anos, terão de se adaptar. E não será assim tão sacrificante. A medida foi populista e mantém, como a CBF queria, o atraso administrativo no futebol.

Político misturado com futebol é sempre sinônimo de vexame neste país. O mundo está comentando uma iniciativa brasileira. Não a MP 671. Mas um projeto que foi apresentado em Campinas.

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O vereador Jota Silva, do PSB, queria que criar tornar ainda mais inesquecível o dia 8 de julho. Seria o "Dia do Gol da Alemanha".

"Longe de ser um motivo para piadas e gozações. Seria um dia para refletir e pensar na construção de um futebol sem corrupção, sem batalhas entre torcidas organizadas. Ou seja, um futebol para o povo", teve a coragem de justificar Jota Silva.

Ele protocolou seu projeto, em homenagem à vergonhosa derrota por 7 a 1 na Copa para a Alemanha, na segunda-feira. "Guardadas todas as proporções, as tragédias mundiais são sempre lembradas. Por que essa tragédia no futebol brasileiro não poderia ser lembrada?", pergunta. Na sua avaliação, as bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki se comparam aos 7 a 1. Ou talvez o Holocausto? O 11 de setembro de 2001?

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Talvez não por acaso, o vereador, já no terceiro mandato, seja responsável por projetos de relevância capital para Campinas. Como o "Dia do Instrutor de Auto-Escola", a "Semana da Música Sertaneja" ou o "Dia do Policial".

O projeto "Gol da Alemanha" virou piada no mundo todo. O Brasil e seu futebol virou motivo de chacota. Foi ridicularizado como deveria ter sido. E Jota Silva decidiu desistir, pedir ele mesmo o arquivamento do ridículo projeto.

Vale lembrar que no dia 10 de junho, os vereadores de Campinas votaram um aumento de remuneração. Adivinhe para quem? Para eles mesmos. Se esqueceram da recessão do país e passam a ganhar R$ 9,2 mil. E mais. A verba de gabinete pulou para R$ 52 mil mensais. Um aumento de 8,36%.

Carlão do PT e Pedro Tourinho, além de Paulo Búfalo, do PSOL. Votaram contra. Estiveram ausentes Ângelo Barreto (PT), Luis Yabiku (PDT), Paulo Galterio (PSB), Professor Alberto (PR) e Zé Carlos (SD).

Vinte e quatro vereadores votaram a favor do aumento.

E olhe quem era um deles...

Sim, ele mesmo.

Jota Silva.

Esses são os nossos políticos.

Talvez não seja tão difícil entender o Brasil...
13 A populista MP de Dilma. R$ 4 bilhões dos cofres públicos para uma revolução mentirosa no futebol brasileiro. Nada demais em um país com político disposto a criar o dia do gol da Alemanha.

Fernando Mello. O assessor mais influente nos bastidores do futebol deste país. MSI, Clube dos 13, Federações, Palmeiras e agora CBF. Um perfil do jornalista das sombras…

1reproducao Fernando Mello. O assessor mais influente nos bastidores do futebol deste país. MSI, Clube dos 13, Federações, Palmeiras e agora CBF. Um perfil do jornalista das sombras...
O iraniano Kiavash Joorabchian está longe de ser o homem sorridente que circulou Corinthians. Dava constantemente broncas feéricas nos funcionários do clube. Falava só inglês, mas entendia perfeitamente português. Fingia que não para saber as pessoas, principalmente os jornalistas falam sobre ele e a nada saudosa MSI.

Paulo Nobre não tem o perfil desconfiado, cauteloso e evasivo que passa em todas as entrevistas. Os amigos e conselheiros antigos do Palmeiras sabem. Ele é alegre, brincalhão, fraterno. Mas teve de se moldar, principalmente quando há jornalistas por perto.

Marco Polo del Nero não gosta de engolir desaforos. Cansou de chamar jornalistas que o contestavam para almoços e entrevistas exclusivas ardidas na Federação Paulista de Futebol. De repente mudou. Se transformou em uma sombra. Mesmo diante de uma crise sem precedentes, com acusações e suspeitas de todos os lados, ele se mantem impassível. Só fala quando é obrigado. E sempre tranquilo, com as respostas decoradas, que não comprometem.

Esses são três exemplos da influência de um jornalista que poucos sabem sequer de sua existência. É melhor para os seus negócios. Ele se chama Fernando Mello. Por coincidência, o conheci como rival. Eu trabalhava no Jornal da Tarde e Fernando na Folha de São Paulo.

Nunca foi de esquemas táticos, treinos, peitar treinador, questionar jogadores. Não. Ele sempre soube domar dirigentes. Conseguia informações importantes depois de cafés, almoços, jantares. E muito telefonemas. Fernando tem como seu maior dom despertar confiança na pessoa com quem conversa. E fazia alianças, sem comprometer o jornal.

Nos dava muita dor de cabeça no Jornal da Tarde. A Folha de São Paulo percebeu sua aptidão. E tratou de encarregá-lo do Painel Futebol Clube. Com ele, a coluna sobre bastidores de futebol, viveu excelente fase. Conseguiu, com seu perfil, criar uma rede de contatos com o Brasil todo. Quanto mais inseguro, mais o dirigente brasileiro precisa de um interlocutor de credibilidade. Isso a Folha, o Painel e Fernando davam.

O fato de ser elegante nas críticas também o favorecia. Muitos presidentes de clubes eram mais expostos do que se fossem xingados, mas não percebiam. E acabam mais do que fontes. Amigos carentes. Daqueles que ligavam a qualquer momento para desabafar. Inclusive da concorrência agressiva do JT.

Aos jornalistas esportivos, a Folha nunca foi generosa. Pelo contrário. Fernando logo teve uma proposta excelente. E se transformou em assessor de imprensa da MSI, de Kia Joorabchian. Percebeu a lacuna que existia em 2004. Os jogadores e técnicos tinham já seus jornalistas. Mas os dirigentes precisavam de quem os orientassem, protegessem, os preparassem principalmente para enfrentar os repórteres.

2ae Fernando Mello. O assessor mais influente nos bastidores do futebol deste país. MSI, Clube dos 13, Federações, Palmeiras e agora CBF. Um perfil do jornalista das sombras...

Fernando esteve do outro lado. Sabia exatamente o que era notícia. O que deveria ser falado. O que deveria ser escondido. O que deveria ser trocado.

E fundou sua empresa em 2005. A Press F.C. Assessoria e Consultoria. Conseguiu uma façanha. Moldar a imagem da MSI. A Media Sports Investment era um fundo de capital cercado de mistério. Na verdade, dinheiro de empresários bilionários que se aproveitaram da dissolução da União Soviética. E, ao abandonar o antigo país, se apropriaram de muito dinheiro de antigas estatais.

Kia Joorabchian veio à América Latina fazer o que chamava de 'festa'. Ele queria montar um império. Investir nos jogadores mais importantes da América do Sul. Conseguir dominar os principais clubes. E também assumir o direito de transmissão das grandes equipes.

Graças ao ex-presidente Alberto Dualib, se instalou no Corinthians. Iria fazer de lá sua base. O hoje deputado federal pelo PT, Andrés Sanchez, era o seu grande amigo e orientador. Lógico que desde o princípio, a Polícia Federal acompanhava os passos da MSI. Mas Fernando Mello queria era cuidar da imagem de Kia.

Era um carrasco com funcionários do Corinthians e gritava com seus subalternos da MSI. Ninguém soube. Sua imagem foi moldada como Mello desejava. Um executivo jovem, simpático, alegre, endinheirado. O homem que iria dar ao Corinthians seu estádio, sua Libertadores.

3ae Fernando Mello. O assessor mais influente nos bastidores do futebol deste país. MSI, Clube dos 13, Federações, Palmeiras e agora CBF. Um perfil do jornalista das sombras...

Mello tirou muito proveito das contratações milionárias. Veículo nenhum teve privilégio. JT, Folha e Diário de São Paulo deram 'por milagre' a chegada de Carlitos Tevez. Pude noticiar a compra de Mascherano sozinho. Vi a Folha dar Carlos Alberto. Dei Nilmar e Sebá. Deram Gustavo Nery. Sabia como tudo funcionava. Era o jogo.

Kia não teve sorte. A legislação no país impediu que um grupo financeiro dominasse mais do que um clube. Cruzeiro, Grêmio e Flamengo estavam na sua alça de mira. Teve de ficar no Corinthians só. A Globo fez valer o seu direito de transmissão dos clubes brasileiros.

A torcida corintiana quase lincha o time de estrelas no Pacaembu, depois da eliminação da Libertadores de 2006. Kia quer ir embora. Mascherano também. A Polícia Federal ameaça prender até o porteiro do Parque São Jorge. Todos trabalhariam para a 'Máfia Russa'. Dualib renuncia. A MSI abandona o Corinthians.

E Fernando Mello? Saiu ileso. Continuou trabalhando. Desta vez um dos seus maiores clientes era o Clube dos 13. O então presidente Fabio Koff seguia seus conselhos. E passou a ser mais simpático, falante. Ampliou seu poder. Estava claro que orientado para fortalecer a imagem da entidade no país.

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Sucumbiu quando Andrés Sanchez, o amigo de Kia, se aliou a Ricardo Teixeira e à Globo. Ele retirou o Corinthians do Clube dos 13 e convenceu a direção do Flamengo a fazer o mesmo. Até hoje os dois clubes têm vantagem financeira desta atitude e ganham mais dinheiro da emissora carioca. Vale lembrar. O Clube dos 13 negociava o direito de transmissão de maneira conjunta.

Em 2011, a Globo teria concorrência das outras emissoras. O valor iria subir muito. Haveria a chance de perder. O que os executivos globais fizeram? Uma aliança com Ricardo Teixeira e Andrés. Um pacto para implodir o Clube dos 13. E evitar a votação conjunta. O plano foi perfeito. A entidade se desmanchou. E o monopólio na transmissão, que nasceu na Ditadura Militar, prosseguiu.

E Andrés teria algo mais como recompensa do que cotas maiores da Globo.

"O ex-presidente do Corinthians (Andrés Sanchez), desde o início, falou que ia sair para detonar (o Clube dos 13) porque ele tinha um estádio prometido. Ele ia ganhar um estádio. Ele falou pra mim e não pediu segredo. Perguntei pra ele: ‘que sacanagem é essa?’. Ele disse: ‘Kalil, estou ganhando um estádio’. Virei as costas e saí andando. Porque se me dessem um estádio eu também detonava a mesa." A revelação foi do ex-presidente do Atlético, Alexandre Kalil.

O que aconteceu com Fernando Mello com a implosão do Clube dos 13? Continuou trabalhando. Seguiu orientando vários presidentes de clubes. Dirigentes do Flamengo, Santos, Avaí, América Mineiro, São Paulo, Goiás, Bahia, Santo André já receberam e seguiram suas orientações. Fora várias empresas de marketing.

4reproducao Fernando Mello. O assessor mais influente nos bastidores do futebol deste país. MSI, Clube dos 13, Federações, Palmeiras e agora CBF. Um perfil do jornalista das sombras...

Acompanhou também dirigentes na construção de novas arenas para a Copa do Mundo. Fernando Mello seguia tão onipresente quanto silencioso. Sua proximidade com Marco Polo já era clara na Federação Paulista de Futebol. Aliás, tem amizade com presidentes de várias Federações. Circulava. Até que se fixou na candidatura do bilionário Paulo Nobre no Palmeiras.

Adversários políticos de Nobre diziam que a política no clube virou domínio da MSI, tentando atingir Mello. Mas ele se fazia de surdo. E moldou o bilionário presidente do Palmeiras. Ele perdeu sua espontaneidade. E virou mesmo seu homem de confiança. "O Paulo Nobre ouvia mais conselhos sobre futebol do Fernando Mello que os meus", desabafou o ex-executivo palmeirense, José Carlos Brunoro, ao deixar o clube. A sua troca por Alexandre Mattos teve toda a participação de Mello.

Em todos os jogos do Brasil na Copa, Mello acompanhava. Sua empresa segue no Palmeiras. Mas ele cuidava especialmente de Marco Polo. Quando o midiático Rodrigo Paiva foi demitido depois do desastre de 2014, o ex-assessor da MSI havia sugerido como seria o trabalho na imprensa da CBF.

De maneira esperta, ele não queria o controle de tudo. Seleção Brasileira, Dunga, Gilmar Rinaldi ficou com seus auxiliares. Mas sob sua vigia, lógico. Marco Polo del Nero é dele. Só fala a quem o interessa e quando for necessário. O presidente da CBF segue suas orientações e conselhos de forma impressionante. É Mello quem o acalma, tranquiliza. E o prepara para raríssimas entrevistas, depoimentos. O jornalista é especializado em media training.

Será ele quem o deixará pronto para a CPI da CBF presidida por Romário.

5cbf Fernando Mello. O assessor mais influente nos bastidores do futebol deste país. MSI, Clube dos 13, Federações, Palmeiras e agora CBF. Um perfil do jornalista das sombras...

Mello é apontado como quem aconselhou Marco Polo a receber Zico. Ouvir o pedido do candidato a presidente da Fifa. O apoio, com direito a foto, é da sede da CBF para fora. A opinião pública comprou a imagem de que Del Nero está 'fechado' com Zico. Não está. Apenas o desafiou.

Se ele conseguir o apoio de quatro outros países, a CBF o apoia. É missão de Zico é muito difícil, quase impossível. O fato de ter trabalhado no Japão, na Turquia, no Uzbequistão e na Índia não asseguram o comprometimento com o brasileiro. Pelo contrário.

Todo país quer apoiar quem vai ganhar a Fifa em fevereiro do próximo ano. E Platini é o grande favorito. O bilionário sul-coreano, dono da Huyndai, Chung Mong-joon, corre por fora. Não há motivos práticos para apoiar o brasileiro, que já afirmou não ter nem dinheiro para a campanha.

Ou seja, esse 'apoio' de Marco Polo não deve se concretizar. E Del Nero pode oferecê-lo a quem for mais interessante na disputa. E além disso, o presidente da CBF não se esquece das muitas ofensas de Zico antes do pedido de apoio.

Fernando Mello é um personagem muito importante no cenário do futebol brasileiro na última década. Tão influente quanto silencioso.

Seu currículo. Feito por ele mesmo, no site linked in. "Bacharel em Comunicação pela ECA/USP. Especialista em gestão esportiva pela Trevisan. Repórter da Folha de S.Paulo de 1997 a 2005. Editor do Painel FC de 2001 a 2005. Diretor de Comunicação da Corinthians/MSI entre 2005 e 2007. Diretor de Comunicação do Clube dos 13 de 2007 a 2011
CCO (Chief Communication Officer) da Sociedade Esportiva Palmeiras desde janeiro de 2013. Sócio-diretor da Press FC desde 2005. Cobertura de 3 Copas do Mundo (2002, 2006 e 2010). Consultor de 14 clubes de futebol e de outras 20 empresas ligadas ao esporte." Não é pouco...

Fernando detesta holofotes.

Sabe que seu trabalho é atrás deles.

Só que não pode passar despercebido.

Não vai...
5reproducao Fernando Mello. O assessor mais influente nos bastidores do futebol deste país. MSI, Clube dos 13, Federações, Palmeiras e agora CBF. Um perfil do jornalista das sombras...

“Não vamos investigar apenas a corrupção no futebol brasileiro, a CBF. Vamos a fundo na Copa do Mundo no Brasil. Desta vez não vai acabar em pizza.” Silvio Torres, relator da CPI da Nike em 2000…

1ae11 Não vamos investigar apenas a corrupção no futebol brasileiro, a CBF. Vamos a fundo na Copa do Mundo no Brasil. Desta vez não vai acabar em pizza. Silvio Torres, relator da CPI da Nike em 2000...
"A sensação que eu tenho é que sempre estivemos certos. Os personagens são os mesmos. Ricardo Teixeira, Nike, pessoas ligadas à transmissão do futebol, empresas que negociam com patrocinadores, dirigentes da Fifa, da Conmebol, da CBF, federações.

"Os esquemas são os mesmos. A corrupção, propinas, falta de transparência. A grande diferença é que houve uma investigação profunda do FBI que não deixa dúvidas. Por isso o Marin e mais sete altos dirigentes da Fifa estão presos. Essa participação mudou todo o cenário. No mundo e no Brasil.

"A Bancada da bola, políticos que sempre protegeram os dirigentes da CBF, está enfraquecida desta vez. Não por causa da opinião pública. Mas pelas provas, que são contundentes.

"Desta vez, depois de 15 anos, acredito que será feito justiça. A CPI vai chegar ao seu final e chegar a esta estrutura viciada que sempre comandou o futebol no Brasil. Demorou, mas a hora é esta."

Esta é a convicção e esperança do deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) ao blog. Ele sabe o que diz. Foi o relator da CPI da Nike, em 2000. Os políticos resolveram investigar a relação entre a empresa de material esportivo e a CBF.

Todo o processo foi vergonhoso. A Bancada da Bola conseguiu protelar a CPI por vinte meses. Ela deveria ter acontecido logo após a Copa de 1998. A intenção foi diminuir a revolta que dominava a opinião pública diante da perda da final do Mundial.

11 Não vamos investigar apenas a corrupção no futebol brasileiro, a CBF. Vamos a fundo na Copa do Mundo no Brasil. Desta vez não vai acabar em pizza. Silvio Torres, relator da CPI da Nike em 2000...

Foram meses de revelações, contratos mal explicados, a desconfiança de que pessoas importantes pagaram ou receberam propina. Ricardo Teixeira foi o principal personagem de investigações. E o que mais recebeu acusações.

Só que ele conseguiu sobreviver no comando do futebol brasileiro. Os políticos que o protegiam conseguiram desmoralizar o Congresso Nacional. Eles simplesmente se ausentaram, não deram quorum para a votação final do relatório, que nunca chegou a ser aprovado. As acusações não foram formalizadas. Não atingiram Ricardo Teixeira.

Só que a vergonha chegaria a um nível inacreditável e que, infelizmente, nós esquecemos nestes 15 anos.

2 Não vamos investigar apenas a corrupção no futebol brasileiro, a CBF. Vamos a fundo na Copa do Mundo no Brasil. Desta vez não vai acabar em pizza. Silvio Torres, relator da CPI da Nike em 2000...

Todas acusações foram reunidas. Seriam publicadas no livro CBF-NIKE. Os autores, os deputados Aldo Rebelo e Silvio Torres. O público teria acesso ao que foi apurado contra o comando do futebol neste país. Só que o processo 2002.001.028004-5 na 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro, impediu.

Ricardo Teixeira conseguiu a censura, a divulgação, a impressão e venda do livro. Foi além. O ex-presidente da CBF impediu também que ele chegasse à Internet. Com a vitória na justiça federal, a impressão que ficou foi terrível. A de que esses poderosos homens que controlam o futebol no Brasil eram inatingíveis.

O irônico é que anos depois, Aldo Rebelo se transformou em ministro dos Esportes e ficou muito próximo de Ricardo Teixeira na organização da Copa no Brasil.

5ae3 Não vamos investigar apenas a corrupção no futebol brasileiro, a CBF. Vamos a fundo na Copa do Mundo no Brasil. Desta vez não vai acabar em pizza. Silvio Torres, relator da CPI da Nike em 2000...

Entrevistei Silvio na Record News. Parte com o excelente e generoso Heródoto Barbeiro. E parte sozinho.

Deputado, por que acreditar que esta nova CPI que o Romário está propondo atingirá a cúpula da CBF?

Porque a Bancada da Bola está enfraquecida. As revelações que o FBI fez são fortes demais. O esquema de propina, de corrupção não deixa dúvidas. O Marin e outros setes dirigentes da Fifa não estão presos por acaso. Assim como a renúncia do Blatter. O Marin era até o ano passado o homem que comandava a CBF e o Comitê de Organização Local da Copa. Muitos contratos bilionários do Mundial foram mal explicados, despertam desconfiança. Os estádios são a parte aparente. Mas o grosso do dinheiro que saiu do Brasil para a Fifa estava nesses contratos que ninguém teve acesso. Antes do Marin, o Ricardo Teixeira e sua filha comandavam o COL. Isso será investigado. A CPI desta vez não acabará em pizza. E chegará à Copa do Mundo. Muita gente que está tranquila, acreditando que enriqueceu com a Copa e escapou, vai ter uma surpresa.

2ae5 Não vamos investigar apenas a corrupção no futebol brasileiro, a CBF. Vamos a fundo na Copa do Mundo no Brasil. Desta vez não vai acabar em pizza. Silvio Torres, relator da CPI da Nike em 2000...

Se o senhor não fosse deputado, mas um cirurgião e o futebol do Brasil um corpo humano doente, com câncer. Onde estariam os tumores? A sujeira, a corrupção?

Sempre houve muita brecha para a corrupção. Porque nunca ninguém controlou a CBF. Como nas ligações que envolvem as empresas de marketing. Nas organizações dos torneios. Esses contratos sempre foram sigilosos, escondidos, proibidos. Negociados entre poucas pessoas. A CBF usando o escudo que é uma empresa privada sempre fez o que quis. Ela se apossou do futebol brasileiro, da Seleção. E bilhões de reais envolvem tanto o futebol neste país como a Seleção. Direitos de transmissão, patrocinadores, amistosos, torneios. Tudo isso ficou na mão da diretoria da CBF. Foram décadas que os dirigentes usaram o futebol brasileiro sem dar satisfação para ninguém. Passou da hora de tudo vir à tona. Se houve alguém que se beneficiou de modo ilegal, vai ter de pagar.

O senhor sempre foi muito ligado ao futebol. Tentou levar adiante uma CPI em 2007 para investigar a ligação entre MSI e Corinthians. Não conseguiu. A Polícia Federal brasileira instaurou 13 processos contra Ricardo Teixeira que não deram em nada. A participação do FBI, denunciando o esquema de propina para o Marin, envolvendo a Copa do Brasil, foi decisiva e o anima para instalar esta nova CPI?

Foram três anos de investigação do FBI. Os Estados Unidos tiveram acesso às ligações dos dirigentes da Fifa. E atingiram em cheio a CBF. Não há contestação. As provas obtidas pelo FBF serão o ponto de partida para as nossas investigações. Iremos além. Nos fixaremos na CBF. Tornar público cada contrato. Entender quem ganhava o quê e porquê. Agora há condição política para fazer o que sempre sonhamos: revelar o que está por trás da organização do futebol neste país.

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Por que o senhor acha que os dirigentes dos principais clubes do país são tão omissos? A CBF os obriga a fazer o que ela quer. E sem contestação.

Por causa das dívidas. Os principais clubes neste país devem mais de R$ 6 bilhões. R$ 4 bilhões só para o governo. Então precisam se sujeitar ao que a televisão e a CBF estão dispostas a pagar. Por isso não contestam nada o que acontece. Querem saber apenas de quanto será sua parte. Este cenário é excelente para quem comanda a CBF. Não há interesse em fortalecer de verdade os clubes. E nem dar satisfação. Por isso gente como o Ricardo Teixeira ficou 23 anos comandando a CBF. Essa estrutura tem de mudar.

O senhor tentará ser o relator novamente desta nova CPI?

Acredito que será o Romário. Nós vamos tentar evitar que sejam feitas duas CPI, duas Comissões Parlamentares de Inquérito. Uma na Câmara Federal com os deputados e outra com os senadores. Isso seria muito confuso. O ideal será a CPMI, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Com deputados e senadores trabalhando juntos. Estou muito animado. A hora é agora para investigar a CBF e moralizar o futebol brasileiro. Trazer o que as pessoas de bem sempre desejaram: transparência. Desta vez não vai acabar em censura e pizza. E vamos avançar na Copa. O O Brasil perdeu muito dinheiro. A Fifa lucrou quatro bilhões de dólares limpos. Foi o Mundial mais lucrativo da história da Fifa. Os estádios são apenas a parte aparente. De onde saíram esses quatro bilhões de dólares sem impostos? Os contratos do COL ainda estão aí, esperando para serem investigados de verdade. O FBI e os Estados Unidos mostraram como se faz. E agora a Bancada da Bola não vai nos travar...
1ap5 Não vamos investigar apenas a corrupção no futebol brasileiro, a CBF. Vamos a fundo na Copa do Mundo no Brasil. Desta vez não vai acabar em pizza. Silvio Torres, relator da CPI da Nike em 2000...

O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram o caminho. E a Polícia Federal acordou. Cumpriu sua obrigação. Chegou em Ricardo Teixeira. Acabou a desfaçatez…

1ap1 1024x684 O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram o caminho.  E a Polícia Federal acordou. Cumpriu sua obrigação. Chegou em Ricardo Teixeira. Acabou a desfaçatez...
Voo de volta do Japão. Brasil pentacampeão do mundo. 2002. Avião da Varig. Repartido. A imprensa, que comprou a preço caríssimo o direito de viajar com a delegação, na metade do fundo. Na econômica. Os dirigentes na frente, na primeira classe, com poltronas muito mais espaçosas e confortáveis. Entre os dois grupos, a executiva, reservada aos jogadores e Comissão Técnica.

Os seguranças da Seleção estavam menos rígidos, haviam passado a noite acordados, comemorando com os jogadores. Não estavam tão atentos como em São Paulo, na Espanha, na Malásia, na Coréia do Sul, caminho que todos percorremos até o pentacampeonato.

Fosse de outra maneira, eu teria sérios problemas. Me atrasei comprando jornais e revistas relacionados ao Mundial. Todos já haviam entrado. Se sentado. Foi quando vi a cena que não esquecerei jamais.

Nos dois primeiros lugares da esquerda, ele viajava sozinho. Também estava com os olhos vermelhos de quem não havia dormido. Assim como as bochechas cor de sangue, de quem havia bebido além da conta. Estava sorridente. E acomodado. O sobre o corpo gordo já havia uma coberta com o logotipo da Varig. Mas eram os pés que atraíram meu olhar.

Ainda com sapatos, eles repousavam sobre uma caixa metálica, bonita, reluzente. As letras F, I, F, A estavam caprichosamente impressas. Eu já havia visto aquela caixa, a reconheci. Era a caixa onde ficava guardada nada menos do que a Copa do Mundo. A taça.

O homem de cabelos brancos olhou para mim, sorriu, satisfeito. Percebeu que eu sabia o que ele estava fazendo. Olhou para os seguranças e me apontou com o queixo. Quase fui arrastado da primeira classe. Naquela época o meu celular estava mais para tijolo. Minha câmera estava na mochila, presa. Quando cheguei ao meu lugar, tirei minha máquina fotográfica e tentei registrar a cena. Fui impedido.

Fui obrigado a voltar à minha poltrona econômica. Passei pelos jogadores fazendo batucada. Alguns jornalistas também cantavam. Acompanha a balbúrdia sem ouvir, sem enxergar. Só pensava na desfaçatez de Ricardo Terra Teixeira. O homem que tinha o símbolo da maior honraria do futebol debaixo dos seus pés.

1getty O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram o caminho.  E a Polícia Federal acordou. Cumpriu sua obrigação. Chegou em Ricardo Teixeira. Acabou a desfaçatez...

Era fácil perceber que ele se sentia assim, poderoso, inacessível. Em toda contato com jornalistas, ele fazia questão de mostrar o seu enfado. Como demonstrou de forma transparente em 2011, à revista Piauí.

"Que porra as pessoas têm a ver com as contas da CBF? É entidade privada, Não tem dinheiro público. Por que merda todo mundo enche o saco?. (Sobre as acusações de corrupção.) Caguei. Caguei de montão."

Assim agiu o ex-genro de João Havelange. O homem que tinha certeza que seria presidente da Fifa. Se Joseph Blatter não fosse muito mais esperto do que ele. Não só travou seu caminho. Denúncias de propina que o brasileiro teria recebido da ISL, extinta agência internacional de marketing, além de receber dinheiro de amistosos da Seleção, o obrigaram a renunciar da CBF e do seu cargo no Comitê Executivo da Fifa, em 2012. Há a certeza que tudo partiu do escritório da presidência da Fifa.

O homem que trouxe a Copa para o Brasil não pôde desfrutar do Mundial. Perdeu o cargo de presidente do Comitê de Organização Local do Mundial. Mas teve a chance de lidar com muito dinheiro. A Polícia Federal o indiciou por crime de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, falsificação de documento público e falsidade ideológica. Passaram pelas suas mãos R$ 464,6 milhões entre 2009 e 2012.

Ricardo deixou a filha, Joana Havelange como diretora do COL. Seu salário? R$ 74,6 mil. E ainda com direito a bônus em 2011. Recebeu R$ 544,5 mil. Talvez em ato falho, Joana fez questão de postar, em maio de 2014, na sua conta no Instagram. Diante da pressão e acusações e protestos em relação à Copa, pedia que deixassem a competição acontecer. Seu argumento. "O que tinha de ser roubado já foi."

O indiciamento a Ricardo Teixeira só veio à público ontem pelas páginas da revista Época. Mais de uma semana depois que José Maria Marin e outros seis altos executivos da Fifa estão presos na Suíça. O Paraguai foi mais rápido que o Brasil. O ex-presidente da Conmebol, Nicólas Leoz, internado no seu próprio hospital. Quando sair, sua prisão domiciliar já está decretada.

No Brasil, o homem das eternas bochechas rosadas sempre teve motivos para se sentir inatingível. Em 14 anos, a Polícia Federal daqui abriu nada menos do que 13 inquéritos contra a CBF e Ricardo Teixeira. Nenhum deu em nada. Pelo contrário. As denúncias chegaram a ser divulgadas, mas tudo era esquecido.

Ao mesmo tempo, situações absurdas aconteceram. Teixeira foi o benemérito do 4º Congresso Nacional de Delegados Federais em Fortaleza. Ele doou R$ 300 mil. E mais foi um dos palestrantes, em 2009, lembra a Folha de São Paulo.

Em 2010, o constrangimento chegou ao seu limite. A Associação de Delegados da Polícia Federal realizou um torneio na Granja Comary, local reservado para a Seleção Brasileira. Foram três dias usando campos, vestiários e até uniformes cedidos a mando de Ricardo Teixeira.

 O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram o caminho.  E a Polícia Federal acordou. Cumpriu sua obrigação. Chegou em Ricardo Teixeira. Acabou a desfaçatez...

Foi incrível a sorte desse sujeito. Ele passou 23 anos comandando a CBF. E mesmo com tantas denúncias, nunca teve maior problema com a Justiça. Teixeira tem vários imóveis. No Brasil e nos Estados Unidos. Em Boca Ratón, em Miami, é dono de uma mansão. Ela pertenceu à tenista russa Anna Kournikova. Tem sete quatros, oito banheiros e um atracadouro para iates. Pagou R$ 23,5 milhões à vista. Comprou em 2012. Mas há três dias, desde que os executivos da Fifa foram presos, Teixeira colocou o imóvel à venda. Pede R$ 40,8 milhões.

Teixeira sempre desprezou as acusações feitas contra ele.

"Esse UOL só dá traço. Quem lê o LANCE!? 80 mil pessoas? Traço. Quem vê essa ESPN? Traço... só vou ficar preocupado quando sair no Jornal Nacional."

"Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito na Globo."

Fora da CBF e da Fifa, Ricardo Teixeira continuou levando vida privilegiada. Além de desfrutar seus imóveis, sua fortuna, ganhava R$ 130 mil mensais como 'consultor' da CBF. Viajava constantemente para a Europa, para os Estados Unidos. Festas e mais festas luxuosas. Com direito até ostentação no Instagram.

Grande culpa desta desfaçatez, essa sensação de impunidade vem da estranha sorte que sempre teve com a legislação brasileira. Enfrentou CPI, 13 processos da Polícia Federal e sempre saiu sorrindo, irônico. Só perdeu o cargo na CBF por causa da Fifa, das acusações envolvendo a ISL.

Finalmente, agora um indiciamento da PF que parece que ele terá de levar a sério. Já não tem como oferecer a Granja Comary para torneio de delegados. Nem como bancar animados congressos de policiais federais.

 O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram o caminho.  E a Polícia Federal acordou. Cumpriu sua obrigação. Chegou em Ricardo Teixeira. Acabou a desfaçatez...

A imagem do seu sorriso com os pés sobre a Copa do Mundo começa a ficar menos nítido. As gargalhadas, o cheiro de uísque em todas as festas da CBF, da Fifa também.

Foi preciso o FBI e a Interpol mostrasse que o conspirador número 13 foi um brasileiro que fechou longo contrato entre a Seleção Brasileira e a Nike. Por coincidência, Ricardo Teixeira. Só aí, a Polícia Federal vaza o indiciamento do ex-presidente da CBF.

A sensação que domina o país em relação aos escândalos do futebol é que a impunidade continuaria. Marin e Teixeira seguiriam inatingíveis, rindo de tudo e todos. Dando o exemplo, mostrando que o certo é se aproveitar do cargo. Se beneficiar do dinheiro fácil, acessível. Não dando satisfação a ninguém.

1ae2 O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram o caminho.  E a Polícia Federal acordou. Cumpriu sua obrigação. Chegou em Ricardo Teixeira. Acabou a desfaçatez...

Tudo mudou quando os Estados Unidos não conseguiram a Copa de 2022 e Obama soltou o FBI e o Departamento de Justiça para descobrir como o Catar havia vencido a disputa pelo Mundial. Em três anos de investigação, os mais altos corruptos da história da Fifa estão presos. Outros estão apavorados, à porta da cadeia. Blatter e Jérôme Valcke, desmoralizados, tentam se livrar de acusações de suborno.

Só Teixeira sorria, brindava em festas, apostando na incompetência da justiça brasileira. Parece ter chegado a conta. A hora de pagar por tudo que fez no seu quintal. Os indícios estão escancarados. Basta Dilma Rousseff seguir o caminho de Obama e exigir que a Polícia Federal trabalhe, seja firme em relação ao ex-presidente da CBF.

Quem sabe assim, ele e a população deste país descubram que justiça é para todos?

Ou terá coragem de repetir seu refrão predileto?

"Caguei. Caguei de montão..."
4ae O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram o caminho.  E a Polícia Federal acordou. Cumpriu sua obrigação. Chegou em Ricardo Teixeira. Acabou a desfaçatez...

A arrebatadora final entre Ceará e Bahia mostrou. A ‘Lampions League’ é uma lição que a CBF não quer enxergar. Copas regionais colocariam um fim nos monótonos e deficitários estaduais…

1reproducao45 A arrebatadora final entre Ceará e Bahia mostrou. A Lampions League é uma lição que a CBF não quer enxergar. Copas regionais colocariam um fim nos monótonos e deficitários estaduais...
16 clubes. Cruzeiro, Atlético, América e Caldense representando Minas Gerais. Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Ponte Preta os paulistas. Flamengo,Fluminense, Vasco, Botafogo e Madureira, o Rio de Janeiro. Rio Branco e Desportiva Ferroviária do Espírito Santo. Quatro grupos de quatro equipes. As duas primeiras se classificam e começam os mata-matas: as quartas, semifinais e finais.

Essa seria hipotética a Copa Sudeste. Competição que abriria o ano na região. Teria muito mais competitividade,interesse. Os jogos seriam mais espaçados. Os jogadores vindo da pré-temporada teriam chance de atuar e se recuperar. Até os classificados para a Libertadores teriam muito mais tranquilidade para se planejar. Os jogos teriam arrecadação alta e audiência garantida. A repercussão seria enorme. O título significado, seria representativo. Atletas valorizados.

Mas nada disso sairá do imaginário. Por causa das Federações de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Elas não abrem mão de jeito algum dos seus campeonatos estaduais. Não foi por acaso que assassinaram o torneio Rio-São Paulo e a Copa Sul-Minas.

A média do Campeonato Paulista é de 7.560 pessoas em 2015. O Carioca é de 4.954. O Mineiro, 5.523 pessoas. O Capixaba, 557 pessoas. A média de púbico nos estaduais da Região Sudeste, a mais rica do país, é de apenas 4.648 pessoas. Esse número foi anabolizado pelas fases finais dos torneios.

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As finais da Copa do Nordeste foram uma aula de modernidade aos covardes dirigentes dos clubes de todo o Brasil. A Lampions League foi arrebatadora. Ceará e Bahia levaram 104.381 pagantes em Salvador e Fortaleza. Na partida de ontem, no Castelão, foram 63.399. O maior público no país em 2015. O Ceará foi o legítimo campeão invicto. Venceu os baianos na Fonte Nova por 1 a 0 e ontem, em casa, se impuseram por 2 a 1. Ganhou como prêmio dinheiro, prestígio, reconhecimento e também uma vaga para a Sul-Americana.

Brasília, Cene, Cuiabá, Estrela do Norte, Independente, Luverdense, Luziânia, Nacional, Paysandu, Princesa do Solimões, Remo, Rio Branco , Santos (Amapá), São Raimundo, Tocantinópolis e Vilhena. Clubes do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Acre, Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Rondônia, Roraima e Tocantis. Esses clubes de estados marginalizados da grande mídia disputam a Copa Verde. Remo e Cuiabá começam hoje a decisão do título. Ao campeão, uma vaga na Sul-Americana. Os clubes conseguem arrecadar muito mais neste torneio do que nos seus estaduais.

Está claro que uma Copa Sul, reunindo os principais clubes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná também seria muito mais interessante do que seus estaduais monótonos.

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A cúpula da CBF sabe bem disso. Marco Polo del Nero é muito mais articulado do que José Maria Marin e Ricardo Teixeira juntos. Só que ele nunca irá permitir, por exemplo, a criação da Copa Sudeste e a Copa Sul. Porque está comprometido até a medula com os presidentes das federações dos estados que compõem estas regiões.

A questão é simples e cruel. Não há como encavalar quatro competições entre fevereiro e maio. São menos de quatro meses completos. Sem as pessoas perceberem já há os ultrapassados, deficitários mas obrigatórios estaduais. Mais o início da Copa do Brasil. E para os melhores do país, a Libertadores da América. Já são três competições. Seria absurdo encaixar Copas Sudeste e do Sul para paulistas, mineiros, cariocas e gaúchos, quarteto que forma a elite do futebol nacional.

Não é preciso ser presidente da CBF para responder as perguntas: qual competição valeria mais a pena? A Copa Sudeste ou os Campeonatos Paulista, Carioca, Mineiro? A resposta é evidente aos clubes grandes, os que possuem mais de 90% da torcida, os que fornecem os poucos jogadores atuando no país para a Seleção, aqueles, que junto a Grêmio e Inter, conquistam os títulos internacionais.

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Mas essa pergunta nunca será feita por causa da covardia e comprometimento dos dirigentes dos clubes. Pessoas vitoriosas nas suas carreiras, inteligentes, espertas. Mas que são obrigadas a disputar torneios deficitários, insignificantes como os estaduais. Prejudicam os próprios clubes, times, treinadores, jogadores. Jogam fora dinheiro.

A Copa do Nordeste de 2015 foi a competição nacional com maior média de público até agora, 7.830 pessoas. Pelo terceiro ano seguido! Só perde para a Libertadores 28.143 pagantes. Sem as finais, a Copa Verde, que começam hoje, já chegou a 3.220 torcedores em média.

A significância dos números da Copa do Nordeste e da Verde fica chocante quando confrontada com a média dos estaduais. O Baiano, com apenas de 2.301 pessoas. O Cearense de 2.350 pagantes. O Paraense, 2.089. O Brasiliense, 942 torcedores. Maranhense 839. Mato-grossense, 785. Piauiense 710. Capixaba 511. Tocantinense, 492. Sul-Mato-grossense 491. Amazonense, 346. Acreano, 333. E o Rondoniense, 196 testemunhas.

Só na fase de mata-mata, a Copa do Nordeste teve a média de 21.990 torcedores. O que pode ser mais explícito?

"O Brasil é um país continental", tem sido a desculpa de todos os presidentes que passam pela CBF. Por isso impõe os estaduais aos grandes clubes. Mas o caminho das Copas Regionais está aberto. Competições de muito melhor nível, mais lucrativas, competitivas. Os estaduais ficariam para os clubes pequenos ou emergentes como gostam de definir seus dirigentes.

Ceará e Bahia, dois clubes da Série B, mostraram o caminho. Mais de cem mil pessoas em dois jogos. Recorde de maior público no Brasil em 2015. A Copa do Nordeste é uma lição que a CBF não quer enxergar. Faz questão de manter a monotonia e o atraso dos estaduais. E o prejuízo dos grandes clubes neste país...
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Por causa de Andrés Sanchez, Corinthians compra briga com Marco Polo, o novo presidente da CBF. Escolheu um inimigo poderoso. Em plena Libertadores da América…

1reproducao25 Por causa de Andrés Sanchez, Corinthians compra briga com Marco Polo, o novo presidente da CBF. Escolheu um inimigo poderoso. Em plena Libertadores da América...
O Corinthians escolheu um adversário poderoso. Andrés Sanchez impediu que o clube mandasse qualquer representante na posse de Marco Polo del Nero, como novo presidente da CBF. O deputado federal do PT ainda comanda a política no Parque São Jorge. Manda mais do que o presidente Roberto de Andrade. E ele detesta Marco Polo.

Desde que Andrés surgiu no futebol, apadrinhado pelo ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, ele nunca teve bom relacionamento com o então presidente da Federação Paulista. Os dois sonhavam há muito tempo em comandar a CBF. Os dois tinham proximidade com Ricardo Teixeira. As crises de ciúmes entre eles ficaram famosas.

Mas desde que implodiu o Clube dos 13, porque iria promover um leilão de verdade pelos direitos de transmissão dos jogos do Brasileiro, a gangorra pendeu para Andrés. Ele ganhou beijos na bochecha, fidelidade absoluta de Ricardo Teixeira, que quis fazer o favor para a emissora que mantém o monopólio de futebol no Brasil. Marco Polo foi escanteado.

A generosidade de Teixeira foi tão grande que concordou imediatamente com a ideia de Sanchez: a construção de um estádio para o Corinthians. Bastaria aproveitar a Copa do Mundo no Brasil. De quebra, o dirigente corintiano se vingaria de outro inimigo, Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo. Foi assim que o Morumbi foi defenestrado do Mundial. Por isso continua um estádio 'ultrapassado', um 'Canindé', nas definições do presidente são paulino, Carlos Miguel Aidar.

Teixeira deu o cargo de coordenador de Seleções a Andrés Sanchez. Seria um treinamento para logo assumir a CBF. Ricardo sonhava ter uma chance verdadeira de suceder Blatter. Os aliados de João Havelange iriam trabalhar a seu favor.

Ninguém se lembrava mais de Marco Polo. E nem do vice-presidente da CBF, região Sudeste. José Maria Marinho. Mas logo todos se recordariam da dupla. Foi quando a Polícia Federal e a Fifa acabaram por obrigar Ricardo Teixeira a deixar a presidência da CBF. As acusações de superfaturamento de um amistoso contra Portugal e de recebimento de propina na chegada da ISL no Brasil foram fortes demais. Por sorte, escapou de ser preso.

De uma hora para outra, Andrés Sanchez viu seu sonho ruir. Ficou sem seu padrinho. Justo o ex-presidente corintiano que adorava provocar a imprensa. "Sabe quando o Ricardo Teixeira vai deixar a CBF? Quando o Sargento Garcia prender o Zorro." Dizia, ria muito e acendia um cigarro. Logo o riso sumiu e os cigarros se multiplicaram.

Marco Polo cultiva a fama de ser um dirigente frio, calculista e vingativo. Desde que era advogado e depois vice de Eduardo José Farah. Por anos ele esperou o dirigente cumprir a palavra e entregar o cargo. Quando Farah resolveu se afastar, estava nomeando Reinaldo Carneiro Bastos. Marco Polo exigiu que a promessa fosse cumprida e tinha a lei a seu favor. Era o vice mais velho da FPF. Quando assumiu, não deixou a menor brecha para que Farah mantivesse ligação com futebol. Ele morreu magoado com del Nero.

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E foi essa mesma obsessão nos regulamentos internos das associações esportivas que afundou de vez Andrés. Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, queria assumir no lugar de Ricardo Teixeira. Mas o estatuto mostrava que o privilégio era do vice mais velho. No caso, José Maria Marin.

O ex-governador biônico não tinha poder. Seu cargo deveria ser simbólico. Teixeira nunca o pensou como sucessor. Mas a Polícia Federal e a Fifa acabaram mudando o rumo das coisas. E quem era o melhor amigo, aquele que nunca o deixou de fazer questão de sua companhia? Marco Polo.

Marin vai fazer 83 anos. Tem nove anos a mais que de del Nero. Os dois combinaram em março de 2012. José Maria ficaria até 2015. E recompensaria o presidente da FPF pelo apoio nos anos de baixa. O faria vice e depois seu sucessor.

Aterrorizado, Andrés Sanchez viu seu maior inimigo ficar muito poderoso. E, mesmo no cargo de coordenador de Seleções, mandou espalhar que sairia candidato à CBF. Marco Polo soube. Resolveu se divertir. Não demitiu o desafeto de imediato. Apenas tirou o seu poder. O transformou em um fantoche. Ele não tinha a menor ideia do que aconteceria no futebol da CBF. Como no caso de seu protegido, Mano Menezes. Passou vexame diante de toda a imprensa. Até que, quando menos esperava, foi mandado embora.

Andrés procurou o presidente da Federação Gaúcha, Francisco Noveletto e do da Federação Carioca, Rubens Lopes. O trio enfrentaria Marin e Del Nero. Mas sentiram todo o poder de fogo de quem possui o mandato na CBF. Marin conseguiu o apoio quase unânime das Federações e Clubes. Rubens Lopes logo desistiu. Assim também como Noveletto, para não passar vergonha.

2ae13 Por causa de Andrés Sanchez, Corinthians compra briga com Marco Polo, o novo presidente da CBF. Escolheu um inimigo poderoso. Em plena Libertadores da América...

Marco Polo foi aclamado presidente da CBF em abril de 2014. Mas não se esqueceu de Andrés e seus amigos. Depois do vexame da Seleção na Copa de 2014, Tite era o treinador de melhor currículo no país. Mas acontece que era muito ligado ao ex-presidente corintiano. Marin até gostava dele. Porém Marco Polo o barrou. Apostava na disciplina de Dunga. Tite sabe que foi esse o motivo que o afastou da Seleção.

E hoje, na posse de Marco Polo, o Corinthians não mandou nenhum representante. Comprou a briga em nome do deputado e homem que comanda o clube. O inimigo escolhido é de alto porte. E não é nada ingênuo. A aproximação com a Globo, com as federações e demais equipes do país é excelente.

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Tanto que Marco Polo prometeu aos grandes clubes do país que eles não ficarão na mão. Não precisarão ficar de joelhos diante da MP de Dilma. O dirigente prometeu se empenhar para que o governe abra mão das contrapartidas. Nada de obrigatoriedade de investir 70% no futebol profissional, muito menos colocar dinheiro alto na base e no futebol feminino. Punições como rebaixamento para quem não pagar salários em dia. Ou os dirigentes terem de arcar com seu patrimônio por prejuízos ao clube. Ou se o governo não aceitar tirar essas exigências, a CBF vai ajudar os endividados.

Lógico que quem irá escolher as equipes será o conselheiro vitalício do Palmeiras, Marco Polo del Nero. O Corinthians terá dificuldade em obter facilidades na CBF. Além de apoio político, por exemplo, na Conmebol. Na escolha dos árbitros de seus jogos na Libertadores. Romper com o presidente da CBF nunca foi bom para clube algum no Brasil. Quem se esquece de Carlos Amarilla?

Mas a situação é incontornável. Andrés Sanchez não tem medo. Tanto que já garantiu que após o final de seu mandato terá duas missões na vida.

"Eu quebrei o Clube dos 13 e por isso saiu de R$ 20 milhões para R$ 100 milhões de tevê. Eu posso ser o presidente do Corinthians em 2018. Vou ser e vou quebrar todo esse sistema da CBF. Vou! Em 2018! Daqui quatro anos", disse ao jornal suíço Neue Zürcher Zeitung, no ano passado.

Marco Polo del Nero, com mandato até 2019, sabe dos planos do seu inimigo. E já deixou claro na posse sem nenhum representante do Corinthians: não vai ficar esperando de braços cruzados, não...
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Com o apoio da Fifa, CBF, Federações e clubes se juntaram. Desmoralizaram a proposta de Dilma Rousseff. Se for para tentar acabar com os privilégios dos dirigentes, não querem o financiamento de R$ 4 bilhões. A utopia acabou…

 Com o apoio da Fifa, CBF, Federações e clubes se juntaram. Desmoralizaram a proposta de Dilma Rousseff. Se for para tentar acabar com os privilégios dos dirigentes, não querem o financiamento de R$ 4 bilhões. A utopia acabou...
Acabou a utopia. Os ingênuos que acreditavam que a CBF e os clubes aceitariam as imposições da presidente Dilma. Pelo financiamento de R$ 4 bilhões em 20 anos, aceitariam as imposições. De uma hora para outra iriam abrir mão de privilégio de décadas.

Foram 16 representantes da Série A até o Rio de Janeiro. Não por acaso, na sede da CBF. E mandaram seu recado. Não vão aceitar as imposições feitas pelo governo. Querem o dinheiro. Mas não aceitam contrapartidas. Usarão o escudo da Fifa para não se democratizarem, não serem obrigados a ter responsabilidade.

Aqui os sete itens que, utópicos, sonhavam que os clubes e a CBF aceitariam.

1) Publicação das demonstrações contábeis padronizadas, separadas por atividade econômica e por modalidade esportiva, após terem sido submetidas a auditoria independente.

2) Pagar em dia todas as obrigações tributárias, previdenciárias, trabalhistas e contratuais com atletas e demais funcionários, inclusive quanto ao direito de imagem.

3) Gastar no máximo 70% da receita bruta anual com a folha de pagamentos e direitos de imagem do futebol profissional

4) Manter investimento mínimo nas categorias de base e no futebol feminino (questão que ainda será regulamentada).

5) Não realizar antecipação ou comprometimento de receitas referentes aos próximos mandatos, a não ser em situações específicas como 30% do primeiro ano do mandato seguinte; substituição a passivos onerosos, desde que implique em redução do nível de endividamento.

6) Adotar cronograma progressivo de redução dos déficits que deverão ser completamente zerados a partir de 2021.

O sétimo item vale ser detalhado.

Publicação na internet de prestações de contas e demonstrações contábeis;
- representação de atletas no âmbito dos órgãos e conselhos técnicos que elaboram os regulamentos;
- autonomia do Conselho Fiscal;
- limitação de mandato de até quatro anos para os dirigentes, com apenas uma reeleição, além da inclusão de atletas nos colegiados e na eleição para os cargos.
A MP prevê ainda que os regulamentos das competições disputadas pelos clubes que aderirem ao refinanciamento tenham punições esportivas para quem descumprir as regras a partir de 2016:

Previsão no regulamento geral de competições a exigência de que todos os participantes observem as práticas de transparência e tenham regularidade fiscal atestada por meio de CND.

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Previsão, a partir de 2016, no regulamento geral de competições, no mínimo, as seguintes sanções: advertência; proibição de registro de novos atletas; rebaixamento para divisão inferior.

Fora o polêmico item que responsabilizaria os dirigentes por gestões irresponsáveis, corruptas. Eles teriam de arcar com seus bens particulares se fosse comprovada a má administração. Fora a criação de um órgão que regulamentaria, acompanharia a vida financeira dos clubes, federações e da própria CBF. Os dirigentes ficaram revoltados, não aceitariam esse controle de jeito algum.

Simplificando. O Bom Senso FC convenceu o ex-ministro Aldo Rebelo que o governo deveria parcelar R$ 4 bilhões de dívidas que os clubes têm com o governo. São impostos que as empresas sérias deste país, quando ficam devedoras, podem até fechar. Mas os clubes, não. Tudo sempre foi empurrado com a barriga. Loterias foram criadas tentando facilitar o pagamento. Só que nunca adiantou.

Líderes do Bom Senso tentaram ser oportunistas. Acabarem com o vergonhoso calote e atrasos de salários e direitos de imagem, práticas corriqueiras no futebol brasileiro. E também com a perpetuação dos dirigentes nos cargos. Tanto nos clubes, como nas Federações e na CBF. Seria um toma lá, dá cá.

Jornalistas famosos, importantes, consagrados se deixaram iludir. Acreditaram que pessoas entronadas no poder iriam abrir mão de reeleições, escancarariam as finanças, trariam transparência às negociações. 'Jogariam dinheiro fora', de acordo com essas pessoas, com futebol feminino. E ficariam de joelhos, modernizando a força as categorias de base. Só para posarem de democratas. De jeito algum.

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O blog teve acesso a vários dirigentes de clubes brasileiros. Em off, declararam que se fosse assim, não aceitariam o dinheiro. O pressionado governo de Dilma que desse o dinheiro e ponto final. Espertos, sabiam que não há força política e, infelizmente, legalidade para impor essas mudanças, democratizar o futebol.

Os dirigentes ontem na sede da CBF, simplesmente riram muito. Principalmente da possibilidade de rebaixamento em caso de não se adequarem às exigências para o empréstimo.

Tudo o que esta Medida Provisória utópica conseguiu foi unir dirigentes de clubes, federações e CBF. Eles tomaram a resolução que não vão aceitar imposição alguma. A MP será inteira alterada. Ou Dilma passará pelo maior vexame. Os clubes não aceitarão esses R$ 4 bilhões.

A bancada da Bola, formada por deputados, senadores, prefeitos e governadores, ligada aos clubes, federações e CBF já foi acionada faz tempo. Tanto que já houve absurdas 181 sugestões de emendas. Todas convergindo para o mesmo tema: não aceitar controle, contrapartida alguma.

A postura é simplista. Se Dilma insistir em tentar controlar os clubes, federações e a própria CBF, ninguém aceita esse parcelamento. Se ela quiser promover uma ação populista, sem contrapartida, tudo certo. Caso contrário, o combinado é boicotar, virar as costas a essa oferta.

Simples. Acabou de vez a utopia. O futebol é o último resquício da Ditadura Militar neste país. Os poderosos estão protegidos pela legislação própria que criaram. Com a bênção da Fifa. Aliás essa legislação que impede a intervenção do governo no comando do futebol nasceu graças a um brasileiro. João Havelange, o ex-sogro de Ricardo Teixeira. Ele sempre soube o que fazer quando era presidente da Fifa. Principalmente recompensar quem o apoiava.

Blatter já se colocou à disposição de Marin e Marco Polo. A Fifa não aceitará intervenção do governo brasileiro na administração do futebol. Se Marco Polo suportar ficar por 40 anos como presidente da CBF, não é problema de Dilma.

Por isso medida provisória alguma, populista oferta de refinanciamento de R$ 4 bilhões não comove nenhum dirigente da CBF, das Federações ou dos clubes. Eles sabem muito bem que o poder que exercem vai muito além dessa proposta de Dilma Rousseff.

A presidente não tinha ideia das pessoas com quem resolveu mexer. Os aplausos fáceis e precipitados da sociedade, da imprensa, viraram profundo constrangimento. Talvez Dilma comece agora a entender porque entrou o troféu da Copa do Mundo para a Alemanha...
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CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência…

 CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência...
Janeiro de 2013, o Brasil havia sido eliminado do Sul-Americano sub-20. Ainda na primeira fase da competição. O time de Emerson Ávila repetiu 1971, quando a Seleção não conseguiu sequer chegar à etapa decisiva do torneio. O presidente da CBF, José Maria Marin, demitiu Ávila e avisou. Começaria uma nova fase na categoria de base. Iria fazer um projeto moderno, profundo para a conquista da medalha de ouro na Olimpíada de 2016.

Tinha seu homem escolhido. Treinador jovem, de convicções firmes, patriota e visão moderna de futebol. E que estava fazendo ótima campanha em uma equipe do Nordeste, o Náutico. Chamar Alexandre Gallo para um projeto de três anos, no mínimo, era revolucionário. Algo que o Brasil tanto precisava.

Gallo não perdeu tempo. E tratou de avisar que tudo seria mais profissional. Com os garotos de várias categorias treinando mais juntos. Reunidos mais vezes pela Seleção. Mapearia também o mundo para que o Brasil não corresse o risco de perder atletas nascidos por aqui. Como foi o caso de Diego Costa, naturalizado espanhol.

E mais, o que quase fez Marin chorar de alegria. Iria impor uma cartilha. Digna dos anos de Chumbo, da Ditadura Militar. Fazia a concentração da Seleção se assemelhar a um quartel.

"Não tem mais brinco, mais fone de ouvido, não tem cabelo, marra, nada. Os que têm estão fora. Só jogadores comprometidos serão convocados. O grande lance é o que aconteceu na Copa das Confederações. Por que todo mundo gostou do Brasil? Por que houve comprometimento e cumplicidade no trabalho. Os jogadores eram quase os mesmo de antes, só que o comprometimento mudou.

"A partir do momento que o jogador veste a camisa da Seleção Brasileira, a imagem que ele está passando é para um outro garoto que não está convocado. Se ele passa a imagem de brinco, fone, chinelo, vai passar a imagem de desleixo. Tem de passar a imagem de profissional.

"Tem um jogador no sub-15 do Grêmio que é um craque. Mas num torneio vi que ele se recusou a dar a mão para o técnico. E usava um cabelo cortado com a inicial do seu nome. E o número 10. Está fora da Seleção. O pessoal dos clubes tem me agradecido muito por essa postura", disse ao Estadão.

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Gallo se reportava a Felipão e a Parreira com muita humildade. Marin tinha orgulho do trio. E vislumbrava que o treinador dos garotos poderia ter futuro com Marco Polo. O sonho do presidente da CBF era Felipão vencer a Copa, seguir no comando na Rússia. E depois de 2018, Gallo estar preparado para assumir o cargo.
Antes, lógico, conquistaria a obrigatória medalha de ouro na Olimpíada brasileira.

Parreira e Scolari aprovavam o plano. O treinador principal da Seleção já tratou de designar Gallo como espião, um dos observadores dos adversários brasileiros na Copa do Mundo. A situação começou a degringolar com a goleada por 7 a 1 para a Alemanha. Não bastasse o maior vexame do futebol deste país na história, vazou entre os jornalistas algumas observações atribuídas a Gallo. Entre elas que o Brasil precisava marcar muito forte os germânicos, principalmente no meio de campo. Seria suicídio jogar com um time aberto, ofensivo. Tudo o que Felipão não fez.

Este vazamento foi importante para Gallo. A Comissão Técnica inteira foi demitida. Menos ele. Pessoas ligadas a Scolari garantem que o técnico se sentiu traído. E que acreditava que Alexandre revelou suas observações para escapar da guilhotina.

José Maria Marin convocou Dunga para o lugar de Felipão. Gilmar Rinaldi coordenaria a Seleção Brasileira principal e ainda acompanharia o trabalho de Gallo na base. O observador de Scolari estava muito forte. Tanto que conseguira convencer o presidente da CBF que o novo técnico da Seleção deveria convocar entre 20% e 30% de jogadores na idade olímpica para os ir preparando para 2016.

Só que tudo mudou quando Dunga chegou. O espaço de Gallo diminuiu drasticamente. A primeira coisa que o substituto de Felipão fez foi avisar que não iria chamar porcentagem alguma de jovens atletas. Não era o momento. Ele precisava se firmar, ganhar amistosos para ter força para continuar. Não iria fazer testes com um terço de seu grupo.

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Gallo passou a cuidar apenas dos garotos, sem a menor interferência no time principal. O plano que comandasse a Seleção na Olimpíada estava mantido. Marin jurava que acontecesse o que acontecesse não mudaria de ideia. Só que sua promessa durou até o sul-americano sub-20 do mês passado.

A campanha foi péssima. Logo na primeira fase, perdeu para o Uruguai por 2 a 0. Passou em segundo para o hexagonal final. De seis seleções, ficou em quarto. Caiu diante da Argentina por 2 a 0. A Colômbia goleou o time de Gallo: 3 a 0. Os argentinos foram os campeões com 13 pontos, os colombianos chegaram a nove pontos, os uruguaios a oito. Os brasileiros chegaram a sete, com duas vitórias, um empate e duas derrotas.

O resultado vexatório não passou despercebido por Marin. Muito pelo contrário. "Técnico de futebol é resultado. Não posso garantir que o Gallo continuará na comandando as seleções de base do Brasil", diz o presidente da CBF. A demissão é uma questão de horas, dias.

Ele mudou sua postura e agora quer Dunga comandando o Brasil na Olimpíada. O que é um enorme erro. Porque o treinador está profundamente envolvido na reformulação e preparação da Seleção para a Copa de 2018. As Eliminatórias para o Mundial começarão este ano. E se intensificarão em 2016. Argentinos, uruguaios, colombianos, chilenos.paraguaios serão adversários fortes para a geração atual. Equatorianos, bolivianos, peruanos e até venezuelanos também têm condição de incomodar. Bem mais do que faziam no passado.

Dunga não pode brincar. Muito menos se deixar levar pela ganância, como aconteceu com Mano Menezes. Ele rompeu o planejamento combinado com Ney Franco. Tomou o cargo que não era para ser seu. Acreditou que conseguiria a medalha de ouro em Londres. Afinal, Ney havia vencido o Mundial sub-20, sem Neymar. O técnico apostava que seria uma facilidade, um 'passeio' na Inglaterra. Fez uma campanha péssima e perdeu a final para os mexicanos. Foi demitido da principal. Não chegou à sua sonhada Copa.

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A pressão pela classificação da Seleção ao Mundial da Rússia será enorme. Depois do vexame na Copa de 2014. A obrigação da inédia medalha de ouro também. Principalmente pelo fato de a Olimpíada ser no Brasil.

A campanha pífia de Gallo no Sul-Americano do Uruguai só teria uma defesa. O fato de que serviria para preparação à Olimpíada. E que seu projeto era para 2016. Mas para a CBF de Marin e de Marco Polo não se respeita planejamento. Por isso as escolhas de hoje não podem ser levadas a sério. Derrotas no caminho podem mudar qualquer convicção.

Joachim Low nunca dirigiria o Brasil na Copa de 2014, se brasileiro fosse. Teria caído muito antes. Nos sete anos que ficou no comando da Alemanha, perdeu a Eurocopa de 2008, a Mundial da África em 2010, a Eurocopa de 2012. Mesmo assim foi mantido e levou a primeira Copa do Mundo de uma Seleção europeia na América do Sul. Com direito a 7 a 1 na Seleção.

De nada adiantou o exemplo. Este país não se leva a sério no futebol. O planejamento termina na primeira derrota. Gallo não é um treinador excepcional. Longe disso. Outro técnico mais bem preparado, como Tite ou Muricy, deveria estar no seu lugar. O problema crucial está na falta de convicção dos dirigentes. Na covardia em lidar com a pressão da imprensa, da opinião pública. Não acreditam nas próprias palavras.

Agora, a Olimpíada está a ponto de comprometer o trabalho da Seleção para a Copa de 2018. Não há como um técnico se dividir e garantir bom trabalho nas duas competições. O potencial dos jogadores atuais não permite. A falta de visão de Marin e Marco Polo é inacreditável. Cada vez mais a incompetência domina a CBF. O futuro do futebol brasileiro depende do ego de Dunga. Deprimente...

(Diante da péssima repercussão envolvendo Dunga no comando da Seleção Olímpica, a CBF recuou. Pelo menos por enquanto. Marco Polo del Nero se mostra disposto a dar uma segunda chance ao obediente Gallo. Mas em caso de qualquer tropeço na caminhada até 2016, perderá imediatamente o emprego...)
 CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência...

O Cruzeiro mostra coragem e faz um bem ao futebol brasileiro. Sem medo de represálias. Resgata do exílio, Paulo André, o líder do Bom Senso. E jogador mais odiado pela CBF…

1reproducao6 O Cruzeiro mostra coragem e faz um bem ao futebol brasileiro. Sem medo de represálias. Resgata do exílio, Paulo André, o líder do Bom Senso. E jogador mais odiado pela CBF...
Nem ele mesmo esperava voltar para o futebol brasileiro como jogador. Tinha plena consciência de quem o contratasse estaria desafiando a CBF. Vários empresários e dirigentes comentavam entre si que não valeria a pena contratá-lo. Não pelo seu futebol seguro, firme. Zagueiro experiente, líder de qualquer grupo, inteligente. Vivido, aos 31 anos. O grande problema de Paulo André era outro.

A sua indignação contra os desmandos do futebol brasileiro fez possível a criação do Bom Senso F.C. O movimento que exige da CBF a modernização na relação entre o jogador e o clube. Além de reforma no calendário. Punições aos dirigentes que não pagarem seus times em dia.

Times entraram em campo com faixas reivindicatórias, atletas sentaram-se no gramado antes de partidas começarem. A possibilidade de greve atormentou CBF e Globo como nunca havia acontecido antes. Paulo André foi apontado como o grande articulador desses protestos.

No Corinthians, clube que havia sido campeão mundial, a resistência ao atleta chegou a um clima insuportável. Entre os dirigentes, ele não tinha mais nome. Era o 'revolucionário'. Mario Gobbi entendia que ele exercia uma liderança forte demais no elenco. Na famosa invasão da torcida organizada ao Centro de Treinamento, Paulo André era o mais revoltado. Ele sabia da ligação entre os dirigentes e os torcedores. Percebeu a omissão. Não houve esforço para que ninguém fosse punido.

Mesmo com jogadores como Guerrero tendo sido agredido, outros como Pato e Sheik ameaçados de terem suas pernas quebradas, roubos de celulares. As câmeras do CT misteriosamente não funcionaram. Ninguém foi identificado. Só os jogadores foram humilhados. Paulo André ficou revoltado.

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Gobbi já estava irritado. No seu entender, o zagueiro campeão mundial jogava o clube contra a CBF. Depois da invasão, sentiu que colocava a diretoria contra o time. E resolveu negociá-lo. Não para o Brasil. Mas ao lugar mais longe possível. O despachou com gosto para a China. Para atuar no Shanghaï Shenhua. De graça. Como um 'prêmio' do Corinthians.

O zagueiro iria ganhar muito mais. Iria ficar dois anos no exílio. Mas suportou apenas um. Queria retornar ao futebol brasileiro. Apesar da carência de muitos clubes por zagueiros, principalmente os que estão na disputa da Libertadores, seu nome era vetado. Havia um acordo silencioso entre empresários e dirigentes. Sabiam que o clube que o contratasse estaria comprando briga. E séria com a CBF. Tanto José Maria Marin como Marco Polo Del Nero não suportam ouvir o nome de Paulo André.

Depois da humilhante participação do Brasil na Copa do Mundo, Paulo André foi afiado como uma navalha. No seu site, escreveu um post obrigatório para a reflexão de quem ama futebol. E que ficou com um gosto amargo na garganta depois dos 7 a 1 para a Alemanha. O texto foi batizado como "Acorda Brasil".

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"Desabafo
Não dá para acordar em plena segunda feira e ler em todos os sites que o Marin e o Marco Polo querem um treinador que represente a “reformulação”. Qual é? Só eu que fico indignado? Sempre o mesmo papinho. Querem enganar quem? Eu também quero uma reformulação. A começar por eles. E outra, será que dá pra me explicar por que esses senhores (na lista abaixo) estão no poder das federações estaduais há 20, 30, 40 anos?
José Gama Xaud, 40 anos no poder da Federação de Roraima;
Carlos Orione, 33 anos no poder da Federação de Mato Grosso;
Delfim P. Peixoto Filho, 29 anos no poder da Federação de SC;
Antonio Aquino, 26 anos no poder da Federação do Acre;
Francisco C. Oliveira, 25 anos no poder da Federação do MS;
Rosilene A. Gomes, 25 anos no poder da Federação da Paraíba;
Heitor da Costa Jr., 25 anos no poder da Federação de Rondonia;
Antonio C. Nunes da Silva, 24 anos no poder da federação do Pará;
José C. de Souza, 24 anos no poder da Federação do Sergipe;
Dissica V. Tomaz, mais de 20 anos no poder da Federação do Amazonas;
Leonar Quintalha, 19 anos no poder da Federação do Tocantins.
Esses são onze dos 47 caras que comandam o futebol nacional (27 presidentes das Federações e os 20 presidentes dos clubes da Série A). São eles que escolhem o presidente da CBF e que definem os regulamentos das competições da entidade. Só eles, mais ninguém. E alguém acha que um novo treinador vai conseguir reformular alguma coisa?
Parem com isso!
Que cada um assuma a sua parcela de culpa (jogadores, comissão, eu, você, todos temos um pouco. Mas a desses caras é gigante, só não é maior do que a cara de pau). Esses presidentes (da Confederação e das Federações), que jamais deram as caras nas derrotas, que jamais foram vaiados nos estádios e que jamais deixaram de receber seus vencimentos no final do mês (porque a Confederação e as Federações pagam em dia), são os maiores responsáveis pelo caos em que se encontra o futebol brasileiro.
Olhem para seus umbigos e tenham vergonha do que construíram! Clubes grandes endividados, clubes pequenos sem calendário, estádios vazios, atletas sem salários, etc… E a solução é o novo treinador? #Cansei.
Há pelo menos duas décadas, simplesmente para permanecerem no poder, esses senhores tem sido coniventes com tudo de ruim que a CBF representa para o nosso país. Medrosos, nada fizeram para mudar. Saibam que para se fazer a reformulação que agora descobriram ser necessária é preciso coragem, visão, paixão, conhecimento, planejamento, fugir do óbvio. Mas a prioridade (no discurso) dada a mudança da comissão técnica mostra que nada mudará, a não ser o tal do treinador.
Aproveito o desabafo para agradecer a cada um dos presidentes citados acima. Desculpe-me destacá-los em meio a tantos outros mas os senhores dedicaram suas vidas prestando serviços ao futebol nacional. Não teríamos chegado aonde chegamos sem vocês. Tenham certeza de que nenhum de nós, brasileiros, se esquecerá do que os senhores, por falta de visão e por falta de amor ao esporte, nos fizeram sentir no dia 8 de julho de 2014.
Peço, se houver um pingo de consciência e dignidade nesse mundo paralelo em que vivem, que os senhores convoquem uma assembleia geral, democratizem o estatuto da CBF e, em seguida, reformulem…, reformulem a vida de vocês bem longe do futebol.
“E você, torcedor brasileiro, que tem perguntado como ajudar, como participar da construção do nosso próprio legado da Copa, vá ao estádio nesta quarta feira – quando recomeça o Brasileirão – e leve um cartaz ou uma faixa pedindo: DEMOCRACIA NA CBF, JÁ!” (Bom Senso F.C)
Um abraço do extremo oriente,
P.A

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A repercussão foi enorme. Da China, ele coordenava os movimentos do Bom Senso. A atuação passou a ser mais silenciosa e efetiva. A presidente Dilma passou a dar atenção às reivindicações. Principalmente às empregatícias. Além do tempo em que os dirigentes tratavam as federações como capitanias hereditárias. A CBF ainda mais. Seus companheiros de luta, Alex, Dida, Juninho Pernambucano reclamavam que faltava um líder nos gramados brasileiros. Paulo André precisava voltar.

Ele já não estava muito contente no time chinês. No Corinthians, não pode nem mais pisar, depois que processou o clube cobrando, entre outras coisas, Direito de Arena. Os dirigentes paulistas, cariocas e gaúchos não quiseam arriscar. Mas Gilvan Tavares aceitou o desafio. Mesmo sabendo de tudo que cerca Paulo André, decidiu. O aceitou no Cruzeiro.

Marcelo Oliveira, que também foi um jogador de muita personalidade, gostou muito de seu nome. Com a operação de Dedé, as contusões seguidas e a instabilidade de Manoel, o técnico tinha apenas Bruno Rodrigo, Léo e Fabrício, garoto que veio da base. O clube mineiro conversou com o jogador no final de janeiro. Mas não houve acerto financeiro.

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Paulo André tinha uma proposta bem vantajosa do Orlando City, time de Kaká. Estava pronto para jogar nos Estados Unidos. Foi quando o Cruzeiro voltou à carga. Aumentando seu salário. E o acordo verbal foi fechado. A previsão que assine o contrato é hoje.

Gilvan Tavares está mostrando muita coragem. O zagueiro não é figura querida na cúpula da CBF. Alguns membros da própria diretoria cruzeirense se questionam. Tem algum tipo de represália. Até porque sabem que não podem exigir para Paulo André se calar, que jogue apenas futebol.

É uma aposta de altíssimo risco. Demonstração de coragem. Mas que tem tudo para fazer muito bem não só para o Cruzeiro na Libertadores. Mas para o atrasado futebol brasileiro. Para um país tão carente de lideranças. Gilvan merece toda a admiração.

Paulo André que siga fiel à sua sina. Dando a alma em campo pelo atual bicampeão brasileiro. Mas continue sendo o principal articulador da modernização do esporte mais amado pelo Brasil. Com mais sorte que Afonsinho. E menos sensível do que Sócrates. Bem-vindo ao país que é seu...
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A mais hedionda dívida dos clubes com jogadores e funcionários. Deixar de recolher o fundo de garantia, o FGTS. A dívida já passa dos R$ 130 milhões. Omissos, governo e CBF nada fazem…

1cbf2 A mais hedionda dívida dos clubes com jogadores e funcionários. Deixar de recolher o fundo de garantia, o FGTS. A dívida já passa dos R$ 130 milhões. Omissos, governo e CBF nada fazem...
O agora ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, ficou decepcionado. Tinha certeza que a presidente Dilma aprovaria o projeto que foi a sua 'menina dos olhos', enquanto comandou o esporte. A anistia, o perdão ou o 'refinanciamento' de R$ 4 bilhões de dívidas públicas dos clubes brasileiros.

Dilma não aprovou porque os deputados federais e senadores, que tão mal servem o país em Brasília, exageram. Os clubes deveriam dividir em 240 meses suas dívidas, com direito a redução de 50% nos juros e 70% nas multas. São dívidas que se arrastam por décadas. São sucessivas péssimas administrações nos principais clubes brasileiros. Incompetência, corrupção, vaidade, estupidez. Tudo se mistura nas dívidas absurdas que os dirigentes se meteram.

Fosse um cidadão comum que tentasse administrar suas dívidas com o governo da mesma maneira estaria preso. Se fosse o dono de uma empresa, estaria falida. Mas clubes neste país têm regalias porque seus torcedores votam. O vergonhoso projeto foi vetado porque ultrapassava todo limite da moralidade. Não pedia nada de volta aos clubes. Iriam ganhar essa proteção toda sem oferecer a garantia que iriam se modernizar, evitar repetir os mesmos erros.

Dilma vai exigir o mínimo. A responsabilidade financeira e de gestão. Multas e até rebaixamento de divisão em caso de atraso de pagamento dos jogadores e funcionários. Talvez, os dirigentes possam passar a ser responsabilizados e ter de dispor do próprio patrimônio se envolver os clubes em dívidas. Como costuma acontecer, quando um presidente vaidoso gasta mais do que pode contratando atletas caríssimos, sem se preocupar com dívidas.

Para quem considerou exagerada a postura de Dilma, vale muito a pena ter em mente os dados que acabam de ser divulgados pela Procuradoria-Geral da Fazenda. As mais indecentes dívidas dos clubes que vão disputar o Brasileiro de 2015 e mais, o Botafogo. Ele não poderia faltar nesta lista.

Ultrapassam os R$ 130 milhões acumulados com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Qualquer empresa precisa colocar 8% do salário de seu funcionário no FGTS. A legislação brasileira reserva esse dinheiro para quando o trabalhador se desligar da empresa. Ou então acumular o dinheiro para a aposentadoria, doenças graves ou compra de um imóvel para morar.

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Deixar de recolher o FGTS é um crime hediondo vai contra a civilidade. Fere o princípio básico do trabalhador. Só que virou uma prática recorrente nos clubes de futebol brasileiros. Jogadores e funcionários ficam o dinheiro que, obrigatoriamente, as equipes tinham de depositar. Caso isso não aconteça, não é problema do governo. A questão fica entre o trabalhador e quem o empregou.

Não há só jogadores com salários milionários nos clubes. Muito pelo contrário. Eles são menos de 5% no cenário atual. Muitos atletas ganham pouco. Assim como há funcionários como lavadeiras, cozinheiros, vigias que ganham um ou dois salários mínimos. Eles todos ficam sem seu fundo de garantia quando dirigentes relapsos, incompetentes assumem os clubes. O pior é que a CBF tem a acesso a esses dados há décadas. E não faz absolutamente nada.

Aqui a lista dos perdulários começa com o Botafogo. Nada menos do que R$ 29,3 milhões. Depois, o Fluminense R$ 25,5 milhões; Flamengo, R$ 12,4 milhões; Atlético Mineiro, R$ 9,9 milhões; Vasco, R$ 8,2 milhões; Palmeiras, R$ 7 milhões; Santos, R$ 6,3 milhões; Corinthians, R$ 6,3 milhões; Sport, R$ 6,1 milhões; Internacional, R$ 5,5 milhões; Grêmio, R$ 4,6 milhões; Ponte Preta, R$ 3,2 milhões; Avaí, R$ 2,6 milhões; Coritiba, R$ 2,3 milhões; Chapecoense, R$ 327 mil e Figueirense, R$ 19,9 mil.

As dívidas são pequenas diante do dinheiro que passa pelo caixa destes clubes. É aí que tudo fica mais indecente. Há um acordo velado para que a dívida não seja paga. Os dirigentes esperam que o FGTS seja incluído no refinanciamento 'materno' que o governo deve aprovar, se houver contrapartida. Os jogadores e funcionários lesados que esperem. É uma vergonha inaceitável.

São Paulo, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Goiás e Joinville, neste caso, merecem aplausos. Pelo menos suas diretorias tiveram a decência de depositar o Fundo de Garantia como manda a legislação, que muitos dirigentes de clubes neste país adoram burlar...
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