
Defederico, Boquita, Danilo.
Eles entraram na partida contra o zumbi Goiás, comandado por Jorginho.
Na goleada por 5 a 1, sem Ronaldo para quebrar o ritmo, ele tiveram o direito de suar um pouco.
Fazer com que os torcedores lembrassem as suas existências, os seus nomes.
Mas quem não entrou em campo e não entra é um jogador que saiu da base corintiana.
Daqueles que precisavam ser pegos em casa por falta de carro e que ganhavam sanduíche após as partidas.
Teve uma boa carreira na Europa, atrapalhada por contusões.
Mas recebeu uma ótima proposta financeira e voltou ao Corinthians.
Virou jogador do presidente.
Andrés Sanchez acertou tudo com ele sem consultar Mano Menezes.
E aí, a retaliação ficou toda para o atleta.
A vingança do técnico foi dura e silenciosa.
Não brigou com Andrés e muito menos com o meia.
Só não o colocava em campo.
E nem falava com ele.
É como se não existisse.
Com Adilson Batista está um pouco melhor.
Mas sem ritmo, não tem chance.
Nem diante do fraquíssimo Goiás.
Ele teve propostas para jogar o Brasileiro por outros times, disse não.
"O Parque São Jorge é a minha casa.
Adoro onde eu estou.
Não vou desistir.
Tenho certeza que a minha hora chegará de novo."
O encontro com Edu foi casual, em frente a um banco.
E ele resumiu como está a sua situação.
Edu, o que está acontecendo?
Até quando você vai suportar?
Pelo que ganha, poderia estar em outra equipe.
Soube que teve convites, sondagens até do Palmeiras, do São Paulo...
Tive convites mesmo de alguns clubes.
Imagine...
Se eu jogasse no Palmeiras ou no São Paulo, a minha família me mataria (risos)...
Somos todos corintianos.
Eu sou uma pessoa paciente, o Corinthians é a minha casa.
Estou trabalhando forte, só esperando uma chance.
Não sou de ficar criando crise, questionando treinador, reclamando.
Sei que ainda posso ajudar.
Estou lá, fazendo o meu melhor.
Se não jogo, tento orientar os mais jovens que estão atuando.
Sou um atleta muito encaixado no grupo.
Mas isso não é muito pouco para um jogador que atuou no Arsenal, no Valencia?
Na Seleção Brasileira?
Eu...Não vou reclamar, Cosme.
Está tudo bem.
Se o técnico tem outros jogadores que prefere, tudo bem.
O importante é se sentir útil.
Mesmo sem jogar, colaboro muito nos treinamentos.
Faço o que puder para ajudar na organização da equipe.
A situação melhorou bastante com a troca de comando.
É verdade que o Mano nem falava com você?
Digamos que não havia diálogo comigo.
Mas nunca atrapalhei o seu trabalho.
Treinava e esperava sempre estar entre os relacionados para os jogos.
Mas ele não me escolhia.
E nunca veio dizer o que queria que eu fizesse, como poderia brigar de verdade por um lugar no time.
Simplesmente, ele não falava.
Com o Adilson Batista é diferente.
Trocamos ideias.
Eu não preciso ser inimigo de um treinador que não me coloca para jogar.
Eu só quero ser tratado com respeito, como sempre respeitei a todos na minha vida.
O fato de ter acertado a sua contratação diretamente com Andrés o atrapalhou?
Olha, é um privilégio ser amigo do Andrés.
Ele me deu todo o apoio desde que era diretor das divisões inferiores.
Mas não é porque ele me contratou que eu tenho de jogar.
Só que isso não deveria pesar contra mim.
Sinceramente, vou continuar treinando forte e esperando por uma chance.
Tive alguns contatos importantes para sair, mas tenho 32 anos.
Não vou sacrificar mais a minha família me aventurando por aí.
O meu lugar é no Corinthians.
Mesmo na reserva...
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